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Full text of "NOVA REVELACAO de JESUS CRISTO atraves Jacob Lorber e Gottfried Mayerhofer"

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RECEBIDO PELA VOZ INTERNA PORJAKOB LORBER 

TRADUZIDO PORYOLANDA LINAU 
REVISADO POR PAULO G. J U ERG EN SEN 





Volume III 




Edigao eletronica 



DIREITOSDETRADUCAO RESERVADOS 

Copyright by 
Yolanda Linau 

Jakob Loiter- GRANDE EVANGELHO DEJOAO - 11 volumes 

Traduzido por Yolanda Linau 
Revisado por Paulo G. Juergensen 

Edicao eletronica 




UNIAO NEO-TEOSOFICA 
2003 

www.neoteosofia.com.br 



In dice 

1. Oraculo de Delfos 14 

2. A Aparigao de Espiritos Puros 15 

3. Destino e Evolugao do Homem 16 

4. Determinagoes do Senhor Quanta aos Salteadores 18 

5. JuliusAdmoesta os Fariseus 19 

6. Discussao Entre os Fariseus e Julius 20 

7. A Crenga Obrigatoria no Templo 22 

8. Condigoes a Serem Observadas Pelos Adeptos do Senhor 23 

9. Beneficio da Renuncia 25 

10. Prejuizo Provindo das Necessidades 26 

11. A Causa do Diluvio 28 

12. Ensinamentos Missionaries 29 

13. Noee a Area 30 

14. Como Considerare Usar os Bens Materials 32 

15. Caminho Certo Para a Evolugao Humana 34 

16. A Elevagao de Jesus 35 

17. A Onipotencia Divina e a Liberdade da Alma 37 

18. Anotagao dos Discursos do Senhor 39 

19. Cantico de Salomon 40 

20. O Desjejum dosHospedes 42 

21. Cura dosCinco Obsedados 44 

22. Dissertagao Desesperada dos Ex-Obsedados 46 

23. Estranho Estado Psiquico dosCurados 48 

24. Almasde Visao Diversa 50 

25. Filosofia Naturalista de M athael 51 

26. Luta em a Natureza 53 

27. M athael Fala Acerca da Alma de Cirenius 55 

28. M athael Fala Sobre Deus 56 

29. Cirenius e M athael Discutem 57 

30. J esusAdverte Cirenius 59 



Jakob Lorber 

4 

31. M athael Expoe o Caminho que Conduz a Vida Eterna 61 

32. A Unidade da Vida Eterna 62 

33. ProfeciadeM athael 64 

34. OsCuradosDesejam QueSe LhesAponte Jesus 66 

35. J esus, o Heroi, em Combate Contra a M orte 67 

36. A Verdadeira Adoragao a Deus 68 

37. PonderagoesdeJuliusQuanto ao Interrogatorio dosOutrosCriminosos 69 

38. Interrogatorio 70 

39. Suetal Fala do Templo e do Salvador de Nazareth 72 

40. Por que osAcusados Vieram a Galilea 74 

41. M athael Conta Seu Passado 76 

42. Alma e Espirito 77 

43. A Respeito de Vida e M orte 78 

44. Senhor Cuida dos Prisioneiros 80 

45. Cura dumArtntico, no Prado Milagroso 81 

46. A Influencia do Salvador Milagroso 83 

47. Palestra Entre M athael e Suetal 84 

48. M athael Fala Sobre Lei e Amor 87 

49. Explicagao dos Fatos Ocorridos com M oyses 88 

50. Duvida Quanto a Pessoa do Salvador 91 

51. Receio Quanto a Divindade do Nazareno 93 

52. Dialogo Entre Suetal e Ribar 94 

53. Bases da Doutrina dejesus 96 

54. Urn Segundo M ilagre a Pedido de Ribar 98 

55. Diferenga Entre os M ilagres de Raphael e dos M agos 99 

56. Parecer de Suetal e Ribar a Respeito de J esus 100 

57. O Senhor Promete Apontar o Salvador 102 

58. O Bom Apetite de Raphael 104 

59. EfeitosDiversosdeAdmoestagoes 105 

60. Suetal Revela-se Palrador 107 

61. Raphael Disserta Acerca do Meditar no Coragao 109 

62. Filosofia de Risa 110 

63. Hebram Demonstra o Engano de Risa 112 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

5 

64. A Ordem Divina e a Razao Humana 113 

65. Senhor Da Ensinamentos Para Principiantes 114 

66. Raphael Anota os Ensinamentos 115 

67. Impaciencia e Curiosidade de Suetal por Ver o Senhor 117 

68. Suetal e Ribar em Palestra 118 

69. Ribar Pressente a Presenga do Senhor 119 

70. A Manifestagao Divina 120 

71. Razao e Sentimento 121 

72. Razao da Diversidade deTalentos 123 

73. Homem M ental Procura o Amor 126 

74. Senhor Anuncia Urn Eclipse Solar 128 

75. Raphael Salva os Gregos 129 

76. Consequencia do Eclipse 130 

77. Deusese Homens 132 

78. M athael Se Torna Professor de Ouran 134 

79. Helena, Filha do Sabio Greqo 135 

80. Sol Artificial 136 

81. OS Gregos Temem ao Senhor 138 

82. Orientacao de M athael 141 

83. Origem e Significacao Onomastica dos Deuses 142 

84. M athael, Demolidorde Templos Pagaos 143 

85. Diferenca Entre a Beleza dos Filhos de Deus e do M undo 145 

86. Duas Maneirasde Amar ao Senhor 146 

87. A M ovimentagao dos Astros 147 

88. Metodos Educativos no Antigo Egito 148 

89. Ponderagoesde Helena Quanto a Sapiencia Humana 150 

90. O Momenta Propicio Para o Ensino Popular 152 

91. Pensamentos de Ouran na Presenga do Senhor 152 

92. Efeito do Desaparecimento do Sol Ficticio 153 

93. Origem e Missao Elevada do Homem 154 

94. Opiniao de Helena a Respeito dosApostolos 156 

95. M athael Define as Tres Primeiras Constelagoes 157 

96. Explicagao do Quarto ao Sexto Signos 160 



Jakob Lorber 

6 

97. Setimo, Oitavo e Nono Signos 163 

98. Explicagao dos Tres Ultimos Signos 165 

99. Helena Indaga Qual a Escola de Mathael 167 

100. EnsinamentosGeraisAcerca do Zodiaco 168 

101. Opinioes Quanto a Divulgagao da Doutrina 170 

102. Caraterde Judas 172 

103. A Procura de Deus 173 

104. A Uniao Com o Senhor 176 

105. Forma deAgradecer a Deus 177 

106. O Destino da Doutrina Divina 179 

107. O Despertar no Espirito 181 

108. OsAcontecimentos em Cesarea Philippi 182 

109. Alegria de M arcus Com o Castigo Aplicado aos Sacerdotes 184 

110. A Alegria Maldosa 186 

111. M athael Se Torna Vice-Rei 188 

112. Helena Se Torna Esposa de M athael 190 

113. Gratidao e Boas Intengoes de Helena 192 

114. A Natureza de Jesus 193 

115. A Natureza dosAnjos 195 

116. O Conhecimento de Yarah 197 

117. Helena Fala Sobre o Poder Sacerdotal 199 

118. Ouran Contesta o Receio de Helena 201 

119. Yarah Fala Sobre as Estrelas 203 

120. Pareceres Sobre os Acontecimentos 206 

121. Criterio Acertado de M icha 208 

122. M athael Presta Esclarecimentos 209 

123. M issao e Sofrimento dos Anjos 211 

124. Raphael Dispersa as Preocupagoes Humanas 213 

125. Dificuldades na Conversao dos Sacerdotes 215 

126. A lusta Procura de Deus 217 

127. Motivo da Destruigao de Cesarea Philippi 218 

128. Cireniuse a Delegagao dosArquifariseus 220 

129. M arcus Acusa o Dirigente dos Fariseus 224 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

7 

130. Negociagoes Com os Fariseus 226 

131. Cirenius ConvocaTestemunhas em Cesarea 228 

132. Natureza da Terra e da Lua 229 

133. A Rebeliao em Cesareia Philippi 230 

134. Relato do Mensageiro Hermes 232 

135. Prosseguimento das Negociagoes de Cirenius 234 

136. Opiniao do Chefe Farisaico Acerca do Salvador 236 

137. OsPropriosSacerdotesJulgam Seu Chefe 239 

138. Discurso Severo de Cirenius 240 

139. Carater do Chefe Fariseu 242 

140. Documento Falsificado 244 

141. A Confissao 246 

142. Stahar Revela Seus Principios de Fe 247 

143. Raphael e Stahar 249 

144. Experiencia de Stahar com M agos da India 252 

145. Stahar Relata o Assassinate de Zacharias 254 

146. Raphael Explica as Profecias Messianicas 256 

147. Stahar Converte Seus Coleqas 259 

148. Hebram Discursa Acerca da "Nova Luz" 261 

149. A Responsabilidade do Homem 264 

150. Floran Fala Acerca de Deus 267 

151. HumildadeeOrgulho 269 

152. Floran Perante o Senhor 271 

153. Floran Confabula Com os Colegas 273 

154. Confissao de Floran 275 

155. Recursosde Deus Para Salvar as Criaturas 277 

156. Ensinamento Para osTrabalhadores na Vinha do Senhor 279 

157. O Navio Com os Hospedes 280 

158. O Perigo do Orgulho 282 

159. Alegria Com a Chegada dosAmigos 284 

160. As Profecias Concernentes a Encarnagao do Senhor 289 

161. Educagao de Povos 291 

162. O Almogo em Conjunto, em Casa de Marcus 293 



Jakob Lorber 



163. Contraste Entre Vontade eAgao 295 

164. Renascimento 296 

165. Cornelius eYarah 298 

166. Problema 299 

167. Sol Natural 301 

168. As Duas Fontes de Conhecimento 303 

169. Futuro da Revelagao Divina 304 

170. A Dignidade do Livre Arbitrio 306 

171. Inclinagao e Destino do Homem 308 

172. Cornelius Recorda o Nascimento do Salvador 310 

173. Natureza e Destino dosAnjos 312 

174. A Maneira Pela Qual Philopoldo Interpreta a Criagao 315 

175. A Esfera do Intelecto 316 

176. Motivo da Encarnagao do Senhor 319 

177. A Linguagem do Coragao 322 

178. O Nimbo 324 

179. Precaugoes Contra a Tempestade 327 

180. A Tempestade 329 

181. O Castigo que Caiu Sobre Cesareia Philippi 331 

182. O Navio em Perigo 335 

183. OsComerciantesJudeus da Persia 337 

184. OsViajoresTravam Conhecimento Com o Senhor 338 

185. Bengao e Maldigao da Riqueza 341 

186. Base da indole Humana 343 

187. Criterio dos Persas 345 

188. O Senhor Explica urn Texto da Escritura 348 

189. A Indagagao do Senhor Quanta ao M essias 350 

190. Dificuldades na Conversao dos Persas 352 

191. Schabbi Adverte 355 

192. Palestra Entre os Dois Persas 357 

193. A Confianga Prematura 358 

194. A Diferenga Entre o Senhor e os M agos 360 

195. Efeito dosAtosdo Senhor 363 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

9 

196. Beneficio da Atividade e o Prejuizo do Ocio 365 

197. Natureza da Revelagao Verdadeira 366 

198. A Ignorancia Humana 370 

199. Schabbi Reconhece o Senhor 371 

200. A Verdadeira Adoragao de Deus 373 

201. Veneragao dos Persas a Santidade do Senhor 375 

202. A Prece 376 

203. O Futuro deYarah 378 

204. Interpretagao do Quarto Mandamento 381 

205. Inovagao Farisaica do 4. e Mandamento 384 

206. O Senhor Elucida a Lei Farisaica 386 

207. Que E Impudicicia? 387 

208. O Pecado Contra a Castidade 389 

209. Contenda dos Fariseus Acerca da Divindade do Senhor 391 

210. Palestra Entre o Senhor e Cirenius 396 

211. As Experiencias de Murel 397 

212. Onde se Deve Procurara Verdade 401 

213. A Decadencia da Sabedoria Egipcia e da Hindu 402 

214. As Encarnagoes Passadas 404 

215. A venturas de Philopoldo no Alem 406 

216. A Ordem Cosmica 407 

217. M urel Faz Urn Discurso de Gratidao 408 

218. A Predigao de Isaias se Realiza 4_10 

219. Promessa do Senhor 412 

220. A Natureza do Senhor e a Humanidade 414 

221. O Destino da Doutrina de Jesus 415 

222. Preocupagao Quanta a Doutrina 416 

223. A Inutilidade da Preocupagao 417 

224. O Senhor eSeusApostolos 418 

225. A Consciencia Humana e a Influencia dos Anjos 419 

226. O Meteoro 421 

227. A Natureza da Materia 423 

228. Interpretagao da Genesis 425 



229. Porque das Provagoes.A intima Relagao Com o Senhor 427 

230. Motivo das Provagoes de Mathael 429 

231. A Voz Interna. M otivo da Encarnagao do Senhor 430 

232. Suposigao do Tedio Divino 432 

233. Indagagao de Raphael Quanta a M issao Individual 433 

234. Reino de Deus no Coragao Humano 435 

235. A Verdadeira Vida Espiritual 436 

236. Os Principals Empecilhos na Realizagao de Promessas 437 

237. A Livre Vontade dum Anjo 438 

238. A Estrela Venus 440 

239. Privilegios de Venus 443 



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eria ilogico admitirmos que a Biblia fosse a cristalizacao de 
todas as Revelacoes. So os que se apegam a letra e desco- 
^—^ nhecem as Suas Promessas alimentam tal compreensao. 
Nao e Ele sempre o Mesmo? "E a Palavra do Senhor veio a mim", 
dizia o profeta. Hoje, o Senhor diz: "Quern quiserfalarComigo, que 
venha a M im, e Eu Ihe darei, no seu coracao, a resposta." 

Qual traco luminoso, projeta-se o conhecimento da Voz Interna, e a 
revelacao mais importantefoi transmitida no idioma alemao duran- 
te o ano de 1864, a um homem simples chamado Jakob Lorber. A 
Obra Principal, a coroacao de todas as demais e " Grande Evange- 
Iho dejoao" em 11 volumes. Sao narrativas profundasde todas as 
Palavrasde Jesus, ossegredosdeSua Pessoa, sua Doutrina de Amor 
edeFe! A Criacao surge diantedosnossosolhoscomo umaconte- 
cimento relevante e metas de Evolucao. Perguntas com relacao a 
vida sao esclarecidas neste Verbo Divino, de maneira clara e compre- 
ensfvel. Ao lado da Biblia o mundo jamais conheceu Obra Seme- 
Ihante, sendo na Alemanha considerada "Obra Cultural". 



CJiui^cuZ' /, (ova/ vxeoelcigdcr 

Grande Evangelho deJoAo 

A Infancia de Jesus 

M enino JesusnoTemplo 

A CriacAo de Deus 

AMosca 

Bispo Martin 

Roberto Blum 

OsDez Mandamentos 

m ensagensdo pai 

Correspondence Entre Jesuse Abgarus 

Predicasdo Senhor 

Sexta-Feirada PaixAo e a Caminho de Emaus 

AsSete Palavrasde Jesus na Cruz 

ATerrae a Lua 

preparagao parao d ia da ascensao do senhor 

Palavrasdo Verbo 

Explicacao deTextosda EscrituraSagrada 

OsSete Sacramentose Predicasde Advertencia 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

13 



Prefacio 

Ao langarmoso 3.° volume do Grande Evangel ho dejoao, unico 
tesouro deixado pelo Pai para a salvagao deSeusfilhos peregrinos, nosso 
coragao se enche de esperan gas na conquista de maior numero de almas 
sedentasdeVerdade 

Somos qual Filho Perdido que, apos longa caminhada pelo mundo 
defalso esplendor, resolveencetaravoltaaCasa Paterna, refugio paraos 
quesofrem esedebatem pela estrada da redengao. 

Tao logo consigamos penetrar no Coragao dejesus, Pai Amoroso e 
Acolhedor, sentiremos cumprir-se a promessa: Estarei convosco ate o 
Fim dos Tempos! Portanto, Sua Presenga e Real nestas paginas ditadas 
porEleMesmolAmem. 

UNIAO NEO-TEOSOFICA. 



Jakob Lorber 

14 

3.°V0LUMED0 EVANGELHO 
JESUS NA ZONA DE CESAREIA PHILIPPI 

1. Oraculo DE Delfos 
Ev. Math. 16. 

1. Prosseguejulius: "Semprehouvepessoasentregregoseromanos 
que, embora nao fossem deorigem judaica nem tivessem sido educadas 
em suasescolasdeprofetas, possuiam inspiragaodivina. 

2. Q uando C resus, Rei dos lidios, tencionava fazer guerra contra os 
persas, desejava saber de antemao se iria ser vitorioso. M uito embora 
soubessedaexistenciadevariosoraculos, duvidavadesua integridadee 
quisexperimenta-los 

3. Tomou de uma ovelha e duma tartaruga, picou-as em pedaci- 
nhos, deitou tudo numa panda de barro, usando uma tampa de cobre 
Em seguidalevou avasilhaaferver. Antes, porem, haviamandado inves- 
tigadoresa Delfos, aprocuradeD odona, AmphiaraoseTrophonios(adi- 
vinhosdaantiguidade), afim deindagarem dosoraculos, nocentesimo 
diaaposapartidadeSardis, qual suaocupacao momentanea, poisaquela 
hora cozinhava a mistura acima. 

4. Asrespostasforam na maioriacompletamenteconfusas; apenas, 
o oraculo de Delfos se pronunciou em hexametro: "Conto a areia, co- 
nheco asextensoesdos mares, ougo tanto o mudo como o calado! N este 
momenta sinto o odor de came de cameiro misturada a de tartaruga; 
existeago por baixo eaco por cima." 

5. Com estaprovaC resus indagou sedeviaguerrearospersaserece- 
beu aseguinteresposta: "Caso atravessareso rio H alysseradestruido urn 
grandereino!" 

6. A terceira pergunta, quanta a duragao deseu reinado, Pythia res- 
pondeu: "Sealgum dia u'a mula mandar no Rei, foge lidio, lepido, para 
junto dacoluna hermetica; nao hesitesnem temasavergonhadafuga!" 
Deacordo com a interpretacao do oraculo, devia-seentender por mula, 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

15 

Cyrus, vencedor deC resus, porquanto havia sido gerado por uma filha 
deAstyageseum sudito persa. 

7. IndagandoCresussenaohaveriacura para soi filhomudo, Pythia 
respondai: "Embora poderoso, principe, tai coragao etolo! N ao almejes 
ouviremteupalacioavozdeteufilho, poisfalara no dia da maior desgra- 
ca!" Realmente, quando Sardisestavasendo conquistada, um persa, en- 
furecido, tentouassassinaro Rei. Eisqueopavorseapoderou dofilho, 
curando-lhea mudez, poisprotestou com veemencia: "N ao matesC resus!" 
Tal foi aprimeiraeultimavezquefalou em suavida! 

8. Porestesexemplospoderasdeduzirqueooraculonaosebaseava 
na escola de profetas, entretanto nao e possivd negar-se-lhe alguma ins- 
piragao do Alto. 



2. A APARigAO de EspIritos Puros 

1. (Julius): "Alem distoestahistoricamentecomprovadoqueSocrates, 
Platon, Aristideseoutroseram acompanhadosdeum genio, queosori- 
entavadentrodesuacapaddadereceptiva; equem naoseguissetaiscon- 
sdhos podia aguardar consequenciasdesagradaves. 

2. Associando a esses fatos as propriasexperiencias, a aparicao desse 
anjo nadaapresentadeexcepcional, tao pouco depossuirforgasinconce- 
bivesefetuando, nao raro, milagresextraordinarios. 

3. H a tempos tive oportunidade de falar com criaturas do Egito 
setentrional, por intermedio dum interprete. Andavam completamente 
nuasenosclassificavam deserescdestes, admirando-sedosedificiosdes- 
lumbrantes, dasvestimentasedo luxo em Roma. Confundiam-noscom 
deuses, julgando estar a diregao dos astrosa nosso cargo. 

4. Dentro em pouco haviam aprendido tudo que se rdacionava a 
confecgao detecidos, construcao decasas, etc. Passadosalgunsanos, vol- 
taram a patria e, por certo, construiram escolas profissionais, levando a 
cultura aqudas zonas sdvagens 



Jakob Lorber 

16 

5. N ao resta duvida estranharmos as acoes dum espirito perfeito; 
quando o nosso, porem, tiver alcancado sua perfeicao, faremos coisas 
mais grandiosas e nao mais nos admiraremos se algum dissolve" uma 
pedra em atomos. Existem milhares de exemplos comprovantes da evo- 
lugao infinitado espfrito, enesta mesa seachampessoas nao mui distan- 
tes da perfeigao angelical. 

6. Por isto dedicai-vosao desenvolvimento espiritual quesereiscapa- 
zesdedissolver, nao so uma pedra, masu'a montanha inteira!" E dirigindo- 
se a Raphael: "M eu amigo, atesta se proferi uma palavra falsa, sequer!" 



3. D ESTINO E EvOLUgAO DO H OM EM 

1. D izoanjo: "Em absolute - eeisporqueconcordoemqueestes 
trintairmaosimitem osoutros, afim deselhesigualar. Deus da, tanto 
aosanjoscomo ao homem - decerto modo urn anjo em iniciacao - uma 
vida perfeita e a capacidade evolutiva para a formacao da semelhanca 
divina. Seeles, cientesdoscaminhosparatal metanaodesejemsegui-los, 
devem culpar-seasi proprios do fatal ecompletoafastamentodeDeus. 

2. espirito, por mais perfeito que seja, nunca alcancara Deus em 
Sua Plenitude' tambem nao importa, porquanto epossivel tudo fazer den- 
trodaOrdem Divina. Adquirepoderparaacriagaodenovosseres- como 
sefora Deus - podendo-lhes dar vida livre, o que resulta numa grande 
alegria, igual adeum pai terreno, em companhiadeseusbonsfilhos 

3. Eu mesmojacriei variosmundosesois, povoando-osde propria 
iniciativa. Todos eles sao muitas vezes providos de modo mais perfeito 
que aTerra; a procriagao se processa de modo identico e os espi ritos sao 
capazes duma grande perfeicao, pois, afinal, todos provem de Deus, as- 
sim como os germes defuturas plantas sao anteriormente reproduzidos 
variosmilhoesde vezes. 

4. Sevos, descendentesdeSatanaz, aindasoisportadoresdo Espirito 
Divino, quanta mais aqueles seres criados com poder identico ao do 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

17 

CriadorlTudo isto podereisconseguir, sepermanecerdesnoscaminhos 
indicados. Eisporqueninguemdevedarpreferenciaaomundoeacarne, 
mastratar antes detudo queedo espirito, atingindo destemodo a seme- 
IhangadeDeus! 

5. Toda vida evolui constantemente, quando empenhada em pro- 
gredir natrilhadaOrdem Divina. Estagnando, mormenteno inicio da 
grandecarreira espiritual, atrofiar-se-aqual haste no inverno, aposseter 
libertado do fruto. Por isto, sede ativos em beneficio do espirito, pois 
cada passo ou agao eacompanhado da Bengao D ivina. 

6. N aojulgueisqueeu, porseranjo, jameencontretao perfeito que 
medediqueainatividadecompletalLucromuitocom estaatual perma- 
nencia entre vos que me facultara uma agao mais perfeita em minhas 
criagoes. Setal acontececomigo, espirito puro, quanta mais nao sucede- 
ra convosco, considerando quao distantesestaisda perfeigao! 

7. Assim, agradecei ao Senhor por voster proporcionado estaopor- 
tunidade bendita, pela qual podeis numa hora lucrar espi ritual mente 
muito maisqueem mileniosdeestudosmundanosTaisoportunidades 
sao, mui rarasvezes, facultadaspor Deus; por este motivo deviam todos 
aproveita-lasda melhor maneira possi'vel, em beneficio desua alma. 

8. C aso D eus envie urn de Seus profetas, as criaturas deveriam tudo 
fazer para ouvir a Palavra D ivina, pois sao apenas enviados de seculo em 
seculo, surgindo da imensa profundeza dajusta Sabedoria dosCeus Os 
grandes, porem, transmissoresdeVerdadesGrandiosas, surgem talvezem 
cadamilenio, afim dedemonstrarem as criaturas, em moldesextensos, os 
caminhos progressives de D eus e alem disto afasta-las dos multiplos ata- 
Ihosqueprocuraram por conta propria, conduzindo-asajustatrilha. 

9. Tudo na C riagao D ivina marcha para frente, igual ao tempo que 
nunca para! E como o progresso no Reino dosEspiritosepermanente, os 
mortaisnaodevem estacionar, afim deimpedirquesedistanciem em 
demasia daquele Reino. 

10. su rgi rde grandes profetas an i ma a agao isoladadoshomens 
Nem bem seapresenta urn progresso espi ritual noAlem,aluzdoultimo 
profeta ja nao mais e suficiente, nao levando tempo para se apresentar 



Jakob Lorber 

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um outro, portador de novos conhecimentos aos homens, facultando- 
Ihesaoportunidadedeacompanharem o surto spiritual. 

11. Eisquea Humanidadeinventacoisascom as quais as antigas 
geracos jamais sonharam. Setivsseo homem alcancado, em dozeou 
quinzeseculos, um ponto culminante, stacionaria automaticamente. 
Por tal razao D eus permite os mais variados stados educativos que de- 
monstrem as pessoas um tanto elucidadas a necessidade de uma nova 
Revel acao, poisdo contrario deixari am deevoluirdurantemilenios, con- 
forme ainda hoje sucede na India setentrional. Tais povos serao por vos 
educados, porque nunca Deus Ihs mandaria profetas, fato para o qual 
teraElejustosmotivos. 

12. Criaturas, porem, que se achem no mais proximo degrau de 
Deusdevem reconhecereaceitarcom gratidaotal incumbenciaepo-la 
em pratica, do contrario seus descendents degenerarao abaixo do nivel 
do homem primitivo. Dizei-me, setendscompreendidotudo." 



4. DETERMINAgOESDO SENHOR QUANTO AOS SALTEAD ORES 

1. Dizumjovemfariseu: "Elevadoepoderosoespirito,algumacoisa 
entendemos; ainda assim, ficamos-teagradecidospelosesclarecimentos 
tao profundosetudo faremos para prosseguir no caminho justo. Por hoje 
basta, pois necessitamos meditar. Apenas desejariamos ouvir algumas 
palavras daquele homem de aspecto tao sabio e que ora palestra com o 
Vice-rei; embora nao seja anjo, pareceultrapassar-vos." 

2. DizJulius'Tensrazao, masnaoetaofacil leva-Loafalar. Quan- 
do quer, cada palavra e uma criagao de Sabedoria. Fazei uma tentativa, 
que nao fi cards sem resposta!" 

3. bsta o fariseu: "N ao tenho coragem, poispoderia nosresponder 
de tal forma que noscausassearrependimento." 

4. Juliusconcorda: "M uito bem; hojeou amanhatereisoportunida- 
dedeouvi-Lo; prestai-Lhe a maxima atencao." Osjudeussecalam, na 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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expectativa deque Eu M evenhaapronunciar. N istoaproxima-seovigia 
dos criminososedizaJulius:"Nobre senhor! A situagaodos cinco assal- 
tanteseinsustentavel! Praguejam tanto queossoldadosmal secontem!" 
5. Indaga-Me Julius: "Senhor, quefazer?' - Respondo: "Em cinco 
horasromperaodiaeatelaeprecisodeixa-losnestasituagao. Seosvigias 
nao suportarem as imprecagoes, poderao seafastar, pois nao ha perigo de 
quesoltem ascordas Pelo sofrimento a alma sera pouco a pouco libertada 
dacarnesatanicaedeseusdemonios, unicomeiopossivel decura. Ossete 
implicadosem crimes politicosmantem-secalmos; por isto poderao ficar 
maisproximosdaqui." EstaM inhaOrdem eprontamenteexecutada. 



5.JuliusAdmoestaosFariseus 

1. Ao ouviralgo arespeito dacuradoscriminosos, ojovem fariseu se 
dirige, encabulado, ao comandante Julius: "Nobre senhor! Sera esteo 
celebrebenfeitorde Nazareth ou seu enviado?Ouvimosdizerqueaceita 
e en via adeptos a todas as zonas para consegui r prosel itos para sua doutri - 
na. Estaremosem mauslengoissesetratarrealmentedele!" 

2. Dizjulius, com expressao severa: "Como assim?Como a Presen- 
ga do C el ebre Salvador de N azareth vos poderia perturbar?! D a-meexpl i- 
cagaosatisfatoria!" 

3. A atitudedejulius confundedetal sorte o fariseu queficasem 
saber responder. comandante entao prossegue: "Sefor tua intengao 
dizer a verdade nao necessitas pensar sobre a manei ra de faze-lo. Se, po- 
rem, quiseresludibriar-mecom bonitas f rases passarasmal, porquanto 
conhego vossasartimanhas Assim, aconselho-teaexternaresaverdade!" 

4. A esteconvitedejuliusostrintajudeusempalidecem, pois, nao 
obstante seu desejo de abandonarem o sinedrio, pretendiam salvar as 
aparenciasperanteosseusmembros Com grande pericia sabiam acusar 
oTempIo quando esteosfechava num aperto; em la voltando, apresenta- 
vam as razoes mais acertadas para tal atitude. 



Jakob Lorber 

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5. Por este motivo havia Eu falado no inicio nao ser possivel confiar 
neles, queseassemelham aosanimaisselvagensdomesticadosecujafero- 
cidadetendesempreamanifestar-se. Como Julius insistisse em suaexi- 
gencia, Eu Ihedigo: "Amigo, deixa que se refagam paraentao poderem 
falar. Nem queo quisessem nao poderiam mentir. Eu e Raphael nao 
podemosserenganados, possuidoresquesomosdetodo podereforca!" 

6. Replicajulius: "Vejo, como sempre, que tens razao, Senhor! Ape- 
nasdesejo orientagao sobrequeatitudetomar!" 

7. N este momenta ojovem fariseu sefazouvir: "Considerandotua 
severidade, ecompreensivel nosso receio quanta aquelebenfeitor. Como, 
porem,encontramosdefesaemsuasimpaticapessoa- poistemiamosser 
eleo referido - ja nao maistemosmedo, podendo falar com sinceridade. 
N ossa atitude suspeita se baseia no fato de sermos seu perseguidor por 
ordem do Templo, tanto que fomos obrigados a tomar certas medidas 
que, em absolute, poder-lhe-iam seragradaveis, conquanto nao Ihetives- 
sem causado dano direto. As provas que tivemos nao sao animadoras 
para urn perseguidor do nazareno. Caso setratedele, so nosresta pedir- 
Iheperdao por aquilo queoTempIo nosexigiu. Eisaverdade!" 

8. Dizjulius "Poisbem, ficai sabendo ser Eleo Celebre Salvador, a 
Q uem todos os elementos celestes obedecem ! Q ue pretendeis fazer?" 



6. Discussao Entre os Fariseus e Julius 

1. Diz urn jovem templario: "Louvado seja Deus por ter dado tal 
poder a urn mortal! Consta que Eledara urn M essiasao povo de Israel; 
quetal seoconsiderassemoscomooEscolhido?lgnoramosa razao pela 
qual nao deveriasurgirnaGalilea; quanta anos,nada nosobsta deaceita- 
locomoMessias. 

2. Extraordinarias, contudo, saosuasfaculdadesdivinas, comofilho 
dum carpinteiro, inculto epacato. Fala-seter sido eleadmoestado varias 
vezes pelos pais, por nao apreciar a frequencia em sinagogas, tao pouco 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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quese Ihefizessea leitura das profecias Apreciava, sim, a Naturezaea 
contemplacao do ceu estelar. 

3. A pescariaerasuaocupagaoprediletaeobom resultado Iheatraia 
os Pescadores. D e repenteteria eledespertado para uma sabedoria inedi- 
tallssotudonosestonteianaopouco- eninguem se pode aborrecer se 
indagamospelarazao!" 

4. DizJulius:"QuemseriaconhecedordamedidaemetadoEspiri- 
to D ivino, quando deseja unir-Se a centelha divina do homem?! N ao 
poderiao Espirito OnipotenteSefundirem toda plenitude ao do ho- 
mem, levando-oaagirdemodotal, incomum a uma criatura vulgar?! 

5. Se D eus M esmo fala e age atraves do espirito fortalecido duma 
criatura apta, forcosamente apresentara esta milagres e milagres N ele, 
palavra e agao sao identicas, - mas nao podemos imita-las, por sermos 
criaturasdecapacidadesrestritas. FisicamenteEleeigual anos. Seu Espi- 
rito eD eus em Essenciaeregeo Infinite! 

6. D entro de nossa compreensao teosofica adoramostoda manifesta- 
gao divina; portanto, admissivd e nossa atitudediversa para com Ele. Dai 
podereisdeduzir porquenos, dignitariosromanos, Lheprestamosa maior 
veneracao, considerando-0 Senhordosmundos Compreendeisisto?' 

7. Dizofariseu:"Porcerto;adapta-seao momenta Dentro daDou- 
trinadeM oysestal nao seriapossivel, poisconsta: "Eu sou o Senhor; nao 
devester outrosdeuses junto a M im!" 

8. Respondejulius: "Clara; masepreciso saber interpretar espiritu- 
almenteaspalavrasdo profeta, chegando-seaconclusao dequeem nada 
sechocam contra o axioma acima explanado. 

9. SeaH umanidadesupersticiosasedesvirtuanaveneragaododivi- 
no- aoquegeralmenteelevadaem virtudedafomeedacrescenteten- 
dencia dominadora do sacerdocio quetenta apaziguar osdeuses rancoro- 
soscomsacrificioshumanos,- naoselhepodefazeracusagaojusta.Julgo 
ser preferivel adotaro homem umaseitaqualquer, poisdo contrario seria 
identico ao animal. 

10. A pessoa que nao quer ou nao pode aceitar uma crenga, jamais 
conseguiraodesenvolvimentodeseu intdecto, poisquem quiserconstruir 



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u ma casateradebuscaro material necessario. Poristoreafirmosermaisutil 
ao homem a superstigao a crenca nenhuma, poispalha emdhor que nada. 
E is o motivo que leva os romanos a permitir vossas crendices nefastas 

11. stemplarios, porem, sao paranosum horror. Sabemosquenada 
acreditam mas, obrigam o povo ater seusabsurdoscomo deorigem divi na, 
castigando ateaqudesqueseopoem ao conceito deser a bdeza urn horror, 
o Sol, trevoso, e haver sangueno riacho Cidron! Considero isto maldade, 
enquanto nao critico nem condeno a supersticaolToda capacidadeeoca- 
siao que setenhadeiluminar os cegosede valor inestimavd. Naosendo 
isto possi'vd, eaconsdhavd ddxar o povo conformeesta!" 



7. A Crenca Obrigatoria no Templo 

1. Diz o judeu: "Tudo que acabas de explanar, senhor, e justo e 
verdaddro; afirmamosqueem teu convivio seaprovdta, em uma hora, 
mais que em cem anos com a doutri na do Templo. 

2. AN, muito sefala eora; no entanto, seria o mesmo quedizeres: 
"Amigo, lava-mepesemaos; cuidado, porem, paranao osmolhares!" 
sistema doutrinario do Templo exige que se ouca e pratique as orienta- 
goes. Pessoaalguma, entretanto, podera indagardo motivo, - poistrata- 
sedesegredosdivinos, cujo conhecimento epermitido apenasao Sumo 
Sacerdote, sob o mais rigoroso sigilo. 

3. Que valor teriatal rdigiao, daqual naosedevedepreenderuma 
9laba?Considerando esteassunto objetivamente, descobrem-se fatores 
capazes de revoltar o estomago! Acontece que os homens manifestam 
certa intdigencia atraves das acoes; quanta a rdigiao sao tao ignorantes 
como os nativos da Africa. 

4. N ao podes imaginar o que passd quando tinha de pregar uma 
doutrina como sendo verdaddra, estando, no intimo, convencido da 
mentira. Sempre me perguntava quern seria mais burro: eu, o pregador, 
ou o ouvinte? E nao podia esquivar-meda idea de merecer eu tal titulo 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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com maior justiga, poiso outro poderia, sequisesse, rir-sedemim, o que 
naomeseriapossi'vel pregandonoTemploeemvirtudedaaguamaldita! 
Assim digo: Foracom tudoquesejaimprestavel!Querernosnostomar 
inteligentes, pois edegradanteser servo da estulticiehumana! 

5. Porventurasabesoqueestehomem excepcional possaexigirpara 
nosaceitarcomodiscipulos,aindaqueapenasporalgunsdias?Acreditas 
serpossivel indagar-lhediretamente?" 

6. Respondejulius: "Comonao?Sei, positivamente, naoaceitar Ele 
recompensa material; nunca traz dinheiro C onsi go, no entanto, nao tern 
dividas. Q uem Lhe prestar urn servico e recompensado mil vezes; pois 
SuaPalavraeVontadevalem maisqueostesourosdomundo. Eisoque 
necessitais saber; fazei o quevosconvier!" 

7. Dizofariseu: "Agradego-teporestaorientagao, poisjasei qual ati- 
tudetomar. D irigir-nos-emosadecom aintencaodeseguirseu consdho!" 



8. CoNDigOESA Serem ObservadasPelosAdeptos 
do Senhor 

1. Aproximando-sedeM im ojovem fariseu diz: "Senhor, M estree 
Curadorsem par! Naonecesatamosdeapresentagao social aposasexpli- 
cagoesdejulius. Desejamosapenasnostornarteusdiscipulos!" 

2. D igo Eu: "Esta bem; acontece, no entanto, queospassaros possu- 
em ninhoseas raposas, seuscovis Eu, porem, nao tenho ondepousar 
MinhaCabega! 

3. Aquele que quiser se tornar M eu adepto tera que carregar urn 
grandepeso eseguir-M e! N aodesfrutaradevantagensterrenas, massim, 
tera deabandonar para sempreseusbensmateriaispor amor a M im, nao 
podendosuafamiliaser-lheum impedimento. 

4. N ao lhe sera permitidopossuirfortuna, maisdoqueum manto, 
calgado, sacola ou bordao para a defesa contra urn inimigo suposto. 

5. Seu unico tesouro sobreaTerra eo segredo oculto do Reino de 



Jakob Lorber 

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D eus. Sendo-vos possfvel aceitar estascondicoes, sereis M eusadeptos! 

6. Demodo identico cada discipulo tera deaplicar o amor, mei- 
guiceepaciencia para com todos; abencoaraseu pior inimigo como se 
foraseu melhoramigoefarao bem aquele que Ihe prejudicar, orando 
porseusadversarios. 

7. N os coracoes de M eus seguidores nao podera haver i ra e vi ngan- 
ga, tao pouco terao direito a queixumes e criticas quanta aos aconteci- 
mentos af I itivos sobre a Terra. 

8. A satisfacao dosdesejosdevera ser evitada como a peste; em com- 
pensagaotodasasenergiasdevem seraplicadasem criarum novo espi rito 
pdaacetagaodo Meu Verbo, afim depodercontinuareternamentena 
plenitudedesteespirito. Poristo, refleti sobre taiscondigoesedizei-M ese 
concordaisem aceita-las integral mente!" 

9. Indecisoscom M inha exposicao osjovensfariseus nao sabem o 
que responder. Finalmente, o primeiro orador M ediz, em parte grace- 
jando: "Q uerido e bom M estre! N ao resta duvida serem tuas condigoes 
apropriadasaconquistadevirtudesexcepcionaisesemi-divinaspoucos, 
porem, serao os que se submeterao. Generalizar tal exigencia nao seria 
admissivel, poissetodasascriaturasaderissem atuadoutrina, aTerraem 
breve teriaaspecto do segundo ou terceiro diadaCriagao deM oyses, isto 
edesertaevazia! 

10. Eisporqueosensinamentosdaqueleprofetasaomaisuteispara 
a esfera fisica e moral da criatura. Tenta estabelecer condigoes identicas 
paratodaseverasasconsequencias! E justo quealgumasestejam de posse 
dosSegredosDivinos; asmassasnao poderao fazer o mesmo usosalutar. 

11. Por mim, tornar-me-ei com prazerteu adepto, mesmo setives- 
ses estabelecido condicoes mais pesadas; no entanto, duvido que meus 
companheirossesujeitemlO Temploexigemuitacoisa;tu,- exigestudo!" 



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9.0 BenefIcio da Renuncia 

1. D igo Eu: "N ao importa, porquanto nao obrigo a quern quer que 
seja! Q uem quiser, que M esiga! Q uem nao o quiser ou puder, fiqueem 
casa! N estesdiaso Reino deD eustem deser conquistado com violencia! 

2. Q uantoasM inhascondicoesum tanto pesadas, digo: Seteu manto 
for velho e poido, o que impossibilita seu uso, e alguem teoferecer um 
novo e bom, dizendo: "Amigo, despeesta roupa velha edestroi-a, pois 
nao tern utilidade para o futuro, que te darei uma nova, prestavel para 
todos os tempos, porquanto efeita dum tecido indestrutivel!", - acaso 
serastao tolo em querer conservar a velha? 

3. Alem disto sabes, comotambem teuscompanheiros, serestavida 
terrena de provagao apenas um curto lapso, seguido pela Eternidade. 
Acaso es ciente da maneira pela qual se processa a continuidade de teu 
ser, aposamorte?- Eu, unicamente, estou em condicoesdedar-vos, com 
toda seguranca, a vida eterna e perfeita dum anjo, em troca desta passa- 
gem curta e miseravel ! Ainda conjeturas se deves aceitar M inhas condi- 
coesTRealmente, exijo muito pouco, dando-vostudo! 

4. J ulgasaTerra setomar deserta evazia secom o tempo - e isto esta 
certo - todas as criaturas seguissem as exigencias de M inha Doutrina? 
Quao curta etuavisao! 

5. Veeste M eu anjo! Possui tanto poder eforca de M im que pode- 
ria, - se tal fosse M inha Vontade - destruir a Terra, o Sol, a Lua e as 
estrelas, cujo tamanho etao imenso queaTerra se Ihes poderia ser com- 
paradaaumgraodeareia. 

6. Enganas-tecrendo queaculturado solo terraqueo dependa uni- 
camente doshomens! Seteder um campo por M im amaldicoado, pode- 
ras cultiva-lo a vontade que nao produzira nem cardos nem abrolhos 
para alimentar os vermes! Se bem queo semeador lanceo trigo, epreciso 
queM eusanjoscolaborem, abengoando destemodo o solo que, do con- 
trario, nao dariafrutos! Compreendes? 

7. SendoM eusanjososconstantestrabalhadoresnocultivo da terra, 



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poderiam tambem tomar a si o encargo da semeadura, o que realmente 
fazem em zonasainda nao pisadaspelo homem. Sofrendo, porem, atra- 
ves da antiga maldigao e querendo por forca ele proprio trabalhar pelo 
sustento f isico, - M eus colaboradores nada tern de fazer! 



10. PrejuIzo Provindo dasNecessidades 

1. (0 Senhor): "N ao ouvistefalar do antigo Paraiso, no qual foi chado 
o primeiro homen? Esse eden era igual aum imensojardim providodos 
mdhoresfrutos da terra; no entanto, nunca fora cultivado por maoshu- 
manas! Asprimeirascriaturasnao possuiam casasecidades; suasexigencias 
eram escassas e muito facil satisfaze-las Por isto gozavam saude, alcanca- 
vam longevidade, dispondo de tempo bastantepara dedicar-seao desen- 
volvimento psi'quico eao intercambio visi'vel com as forcas celestes 

2. Por i ntu i gao satanica construiu Cain para seu filho Hanoch 
umacidadecom o mesmo nome, deitando assim a base para todos os 
males terren os. 

3. Afirmo-vos, serem poucas as necessidades humanas; vaidade, 
ocio, orgulho, egoismo e dominio exigem uma constante satisfacao, 
jamais alcangada. 

4. Porestemotivoealimentadaapreocupagaohumana- easpesso- 
as nao tern maistempo para sededicar aqui lo por cujo motivo D eus Ihes 
facultouavida. 

5. D e Adam a N oe os filhos das montanhas nao travaram guerra, 
pois suasexigencias eram diminutaseninguem sequeriaelevarsobreo 
proximo. spaissemantinham em respeito porquanto permaneciam os 
sabiosguias, mestreseconselheirosdos filhos 

6. N asplanicies, entretanto, ondeoshomensdesentimento eintelec- 
to rudes comegaram a enfeitar seus guias e mestres, ungindo e coroando 
suascabegas, outorgando-lhes, em virtudedesuaconsideragao pessoal, toda 
sorte de poder eforga, a vida faci I edeexigenci as escassas, tevetermino. 



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7. A pompa e dificilmente saciada! Como o solo nao produzisse o 
necessario num terreno restrito, oshomens, amantesdo luxo, comegaram 
a se estender dando o nome de "posse" a terra por eles ocupada, tratando 
logo da pompa externa. Com tal atitude despertaram inveja, ciume dis- 
cussao, lutaeguerra, sendo o maisfortevencedoresoberano sobreosmais 
fracos, obrigando-osatrabalhar parade Osinsubordinadoseram punidos 
com castigosquase mortals, afim deleva-losaobediencia. 

8. Vede, taiseram asconsequenciasda culturaterraquea, do amor ao 
luxoedoorgulho. SeEu vosprocuroem Espirito, vindo dosCeus, que- 
rendo-vos reconduzir ao primitivo estado fdiz das primdras criaturas, 
mostrandooscaminhosabandonadosqueconduzemaoRdnodeDeus 
- como podds afirmar serem M inhas condicoes para o apostolado de- 
masiado durase imprati caves para a H umanidadeem geral?! D igo-vos: 
o jugo que vos imponho e suave e o peso, leve, comparados aos que 
suportaisdiariamente 

9. Ate onde se estendem vossas preocupacoes! N ao tendes sossego 
diaenoite, unicamente por causa do mundo, para que nao ten haispre- 
juizo em vosso bem-estar e luxuria, conquistadoscom o suor sangrento 
de vossos irmaos mais fracos! nde deveria a alma achar tempo nesta 
constantepreocupacao, paradesenvolvero Espirito D ivino dentro desi?! 

10. Vossas almas e as de milhoes de criaturas ate mesmo ignoram 
serem portadorasdaCentdhadeDeus,equemuitopoderiamfazer para 
selibertardaafligaocontinuapdascoisasmundanas. Os fracos epobres 
sao por vosfustigadosnum servilismo sangrento, afim desatisfazer vosso 
amor ao luxo; portanto, tambem nada podem fazer para a emancipagao 
espiritual. Deste modo, todos sois condenados a verdaddros filhos de 
Satanaz, nao podendo ouvir M eu Verbo que vos levaria seguros a Vida, 
pois ddendds vossas razoes pel as quais enfren tares a morte derna! 



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11. A Causa do Diluvio 

1.(0 Senhor):"AindaseacusaaDeus,dizendo:Como podia Eleter 
permitido o diluvio quetudo aniquilou sobreaTerra e ate consentiu na 
destruigaodossodomitasegomorritas?- Istofacilmenteseexplica: por 
que motivo havia de deixar que carnes enfeitadas rastejassem no solo, 
enquanto as almas tanto se afastaram da antiga rdem de D eus que o 
ultimo vislumbredaconscienciapropriaseevaporava pelaconstantepre- 
ocupacao do fisico?! Poderia haver uma "encarnacao" maiscompacta do 
queaquela, ondeaalma nao so sedespojou do espirito divino, mastam- 
bem se perdeu a si propria, desortea negar sua existencia?! 

2. Q uando a H umanidade tiver alcancado este estado, o homem 
deixara deser homem: sera apenas urn animal, racional, incapaz para o 
desenvolvimento de alma e espirito. Por este motivo e necessario que tal 
came seja morta e apodrega junto a alma nela encarnada, a fim de que, 
talvezemmilenios, possareiniciarotrajetodaformagaoeindependencia 
propria, nesteou em outro planetaqualquer. 

3. fato deque nao raro, existem criaturas i nscientes de sua propria 
alma, em virtude das grandes preocupacoes mundanas e carnais, podeis 
observarem parteconvosco mesmos, nossaduceusenamaioriadaspesso- 
as, pois ninguem sabera precisar o que seja a alma! N este caso so resta a 
Deusfazer uma nova manobra deaniquilamento humano sobreaTerra, 
em maior ou menor proporcao, na medida das necessidades prementes. 

4. Essascriaturaspuramentemundanasecarnaispossuem formaebde- 
zasensuais, mormenteosexofeminino;o motivo compreengvel sebaseiana 
grandeintegragao daa^macom o corpo, o queatornafracaesujeitaa influ- 
enciasnocivas fisico adoecefacilmenteeabrisamaissutil dapestelhetraz 
a mortecerta; enquanto outras, deal ma eespfrito I ivres, poderao tomartodos 
os venenos sen que Ihes prejudiquem. Q uando alma e espirito sao livres 
dispoem de meios e forcas suficientes para enfrentar qualquer inimigo; ao 
passo que apriaonados pela carne maldita, assemelham-se a urn gigante 
acorrentado, incapaz desedefender de mosca impertinente 



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12. EnsinamentosM issionarios 

1. (0 Senhor): "Gravai bem o seguinte: N ao permanegaisem luga- 
resondeexistam criaturasdefisico sedutor eenfeitado, poisnao podereis 
fazer conquistasparao Ceu ondeo estado equaseidentico ao deSodoma 
eGomorralO castigo divino nao distamuito dali, porquanto todasessas 
almas se acham aprisionadas pelo sepultamento da propria consciencia. 
Sendoacarnetocada, apenas deleve, peloselementosmausebrutosda 
N atureza, a alma nao tera forcas para reagir e ambas sucumbirao. 

2. Experimental agarrar u'a moca da cidade pelo brago; da soltara 
urn grito; fazei o mesmocom umacamponesaenenhumaqueixaouvireis 
Julgais que tal insensibilidade deriva do trabalho fisico habitual?! Oh, 
nao; apenas e consequencia da libertagao da alma atraves da renuncia, 
pda qual se produz urn justo fortalecimento da came. 

3. ndesededicatodaatencao addicadezafisicaa ponto deexisti- 
rem institutosqueconservam o corpo degante pda ginastica, havendo 
tambem o recursodepomadaseoleos, - asalmasdehamuitodexaram 
deser I ivrese fortes Bastaumalevebrisa para que adoegam. 

4. Eisentaoquesurgem as quexas e os choros - eosmeo-crentes 
alegam ignoraro prazerqueDeuspossasentircastigandosuascriaturas! 
Por certo nao existe D eus; seexisteetao devado quenao maisSepertur- 
ba com os vermes da Terra, ou Se tornou avido por sacrificios. N este 
caso, necessario setornaapazigua-Lo poroferendasvultosas, cerimonias 
magicaseincensolTalvezJehovah houvessesidoofendidoeestariausan- 
do devinganca; era preciso, portanto, fazer penitencia com saco ecinzae 
arremessar, no mini mo, dozebodesexpiatoriosnojordao! 

5. N inguem selembraquetodo sofrimento, todasasmolestias, guer- 
ras, carestias, fome e peste derivam unicamente das criaturas fazerem 
tudo pdo corpo, ao inves de se dedicarem apenas a alma e ao espirito, 
dentro da rdem Divina! 

6. Fala-se as almas ignorantes acerca do temor de D eus, no qual o 
proprio sacerdotede ha muito nao acredita, poisso crenaquilo querece- 



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bera pela predica e nas honrarias e postos que podera alcancar pelo bom 
uso de sai talento. D este modo um cego guia outro - e um morto pre- 
tende vivificar um semelhante. Um prega em beneficio deseu corpo, 
outro ouve pela mesma razao. Q ue vantagem se podera aguardar para 
uma alma extremamente enferma? 

7. Sou um Salvador - eascriaturasmortase, portanto, ignorantes 
indagam como isto M e seja possivel! D igo-vos que nao euro a came; 
liberto a alma nao muito nela integrada, despertando, sepossfvel, o espi- 
rito encoberto. Estefortifica a psique, tornando-alivre, o que Ihesfacili- 
tara normal izar, num momenta, todososdisturbiosfisicos. 

8. Tal processo se classifica de cura milagrosa, enquanto e a mais 
natural do mundo. So se podera daraquilo que sepossui. Quern tiver 
uma alma viva pela rdem D ivina e um espirito livre dentro dela tam- 
bemconseguiralibertaradopr6ximo,casonaoe3te:apordemaisenraizada 
na came, o que I he possibilitara socorrer fad I menteo fisico enfermo. Se 
um psiquiatratambem estivercom aalmaadoentada, maismortadoque 
viva, - como podera transmits a outraoquecareceinteiramente?! 

9. Refleti bemlDemonstra-vosascondicoesparaodiscipuladoeos 
males mundanos, desdea baseverdadeirae profunda. Fazei, portanto, o 
que vos agradar - nao vos obrigarei! Todavia, se vos quiserdes tornar 
M eusadeptostereisdefortificar vossas almas, do contrario nao obtereis 
beneficio algum." 



13. Noe e a Arca 

1. Apos este discurso todos arregalam os olhos dizendo: "M ea cul- 
pa!" jovem fariseu naosabequedizer, e ate Cirenius, Julius eEbahl 
extemam expressoespensativas Yarah, porsuavez, comega a recear quanta 
ao seu fisico atraente! 

2. D epois de longa meditagao, Cirenius diz: "Senhor e M estre, ja 
passei varios dias e noites C ontigo e tive oportunidade de assisti r aTeus 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

31 

Feitos M ilagrosos nunca, porem, ouvi algo tao desconcertante como 
esteTeu discurso. A julgarporTuasexpressdes, nossa situagao naodifere 
da dos habitantes de Sodoma e G omorra, pois tudo que fazemos e sata- 
nico. Amigo, que D outrina several I nfelizmente nao e posslvel negar-se 
quetenhasfalado a pura verdade! Q ual seria o meio pelo qual sepoderia 
renunciartotalmenteao mundo, dedicando-sesempreaculturapsi'quica 
eespiritual?" 

3. DigoEu: "NadamaisfacillContinuaoquees, desempenhando 
teu cargo; apenas nao o faras por consideragao a tua pessoa, mas em 
beneficiodeoutrem! 

4. Q uando, na epoca de N oe, o diluvio inundou aquela zona habi- 
tada pela escoria humana, todos, com excecao de N oe, sua familia e os 
animais, afogaram-se. Como Ihefoi possivel manter-lhesavida?Acha- 
vam-se dentro da area arrastada pel as aguas tern pestuosas, mas protegi da 
contra uma perigosa penetragao. 

5. diluvio mortal de Noe perdura espi ritual mente, nao sendo 
menos peri goso a vida humana queo daquela epoca. C omo seria possivel 
alguem salvar-sedo diluvio espiritual? Afirmo-te: aquilo que Noe fez 
fisicamentedeveserfeito espi ritual mente, conseguindo-sedestemodo a 
protegao eterna! Em outras palavras: dar-se-a a D eus o que L he pertence 
eao mundo o queedo mundo, dentro dajusta medida. 

6. Pois a "Arcade Noe" representaaverdadeirahumildade, amorao 
proximo ea D eus! Q uem for verdadeiramentehumildeecheio deamor 
puro edesinteressado a D eus, o Pai, eatodasascriaturasnum zelo ativo 
deserviraosemelhante dentro da Ordem Divina, - navegaraincolume 
sobreasvagasmortiferasdospecadoshumanos; quando, nofim desua 
vida, as aguas baixarem e sumirem nas profundezas trevosas, sua area 
encontrara urn pouso seguro no Ararate do Rei no de D eus, tomando-se 
a morada eterna para seu construtor. 



Jakob Lorber 

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14. COMO CONSIDERAR E U SAR OS BENS M ATERIAIS 

1. (0 Senhor): "Observa M inha Pessoa! N ao sou obrigado a lidar 
com o mundo?Alimento-M e, eo mundo M eserveda mesma forma que 
o diluvio outrora serviu a area de N oe, quer dizer: bem queseagita violen- 
tamentedebaixodoscostadosdeM inha Area, sem poder jamais traga-la! 

2. N ao es responsavel por ter surgido urn I mperio Romano; eleexis- 
teenaoopoderasdesfazer. Entretanto, instituiu boasleis, uteisaordem 
eahumildadedoshomens Se tejulgas senhor sobre as leiscom direitos 
externos ao uso dumacoroa, estasno caminho errado, - nao peranteas 
criaturasque, dequalquer maneira, terao desuportar as leissancionadas 
com todasassuasvantagensou prejuizos Sujeitando-tea lei, consideran- 
do seres apenasum orientador designado pelo Governo, achar-te-asnum 
prinefpio justo econstruirasumaarcada materia espi ritual da lei que, 
infalivelmente, conduzir-te-aacimadetodosospecadosdo mundo. 

3. Seguindo, alem disto, os prinefpios faceis de M inha Doutrina, 
adaptaveissem dificuldadeasvossasleis,farastudoqueteepossivel tanto 
a alma quanta ao espirito. Se tal conduta e, a M eus Ihos, o bastante, 
aponta-M ealguem que nao Concorde!" 

4. DizCirenius: "Mas, Senhor, consideraaopulenciaeo luxoque 
sou obrigado a ostentar...!" 

5. D igo Eu: "Acaso prezastaiscoisasem teu coragao?" 

6. Respondeele: "Oh, nem delonge!Sao-meum horror!" 

7. DigoEu:"Masentao, porqueteafliges?0 luxoeaopulencianao 
sepoderao tornar prejudiciaisa almaeao espirito seteu coragao nao se 
prenderataisadornosquetesao impostospela posigao. Seteagarraresa 
algo material, por mais fnfimo queseja, prejudicar-te-ascomo seusasses 
uma coroa de ouro e pedras preciosas 

8. Tudo dependedo estado d'alma; do contrario, dever-se-ia cong- 
derar urn meio de perdigao para a criatura o fulgor do Sol, da Lua edas 
estrelas, porquanto e para a alma fator de regozijo. Por ai ves, C irenius, 
quepodestealegrarcom justigado brilho quetua posicao social teim- 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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poe, nunca, porem, te envaidecas por tal motivo, poisteprejudicarias, 
matandotuaalma. 

9. Ate Salomon tevedesetrajar com pompajamaisvista, nem antes 
nem depois Enquanto nao Ihededicou alegriatolaeva, masumajusta, 
baseadanasabedoria,- tal prazerdevou sua alma eseu espirito. Desvian- 
do-se pela futilidade e entregando-se ao orgulho, sua queda diante de 
Deus e dos homens foi completa. Deixou-se atrair pelos pecados do 
mundo sensual, tornando suasobraseacoes ridiculas peranteo proximo 
e urn horror para D eus. 

10. Digo-vosser ateutil ebom imitarohomem, na Terra, as mara- 
vilhas celestes com alma eespiri to amadurecidoseregozijar-se com justi- 
ca, pois e preferivel edificar a destruir. Apenas, como disse, as pessoas 
renascidasdeverao faze- 1 o como exemplo para o semelhante. 

11. Aquele que constroi urn palacio em honra, beneficio e amor 
proprios, cometegrandepecadocontraaalmaeacentelhadivina, preju- 
dicando-seeaosseus, quedesdeo nascimento sejulgam melhoresqueos 
outros. Se pela opulencia dos palacios os coracoes de seus moradores se 
enchem deorgulhoedesprezopelo proximo, preferivel equetaisedifici- 
ossejamarrasados. 

12. Naoe contra a Ordem Divinaaconstrucaodumacidade, cujos 
habitantes sejam pacificos e bondosos e vivam qual uma so e grande 
familia. Nadademal praticam, poispoderaotrabalharesocorrer-sereci- 
procamente de modo muito mais eficaz do que se vivessem a grande 
distancia. Senelaintroduzirem-seorgulho, luxo, opulencia, invej a, odio, 
perseguicao, assassin ios, devassidao, impudiciciaeocio, - tal metropole 
deverasertransformadanum montaodeescombrosecinzas, paraevitar 
quesetomeum viveiro dospioresvicios. Esses, em breve, impestariam- 
na como a terra de H anoch, antediluviana, Babylonia e N inive, cidades 
pos-diluvianas Q uao grandiosasforam naquela epoca, - hoje la apenas 
seencontram algumascabanasabandonadas. N o local dacidadeH anoch 
tudo hojeemar, assim como nodeSodomaeGomorraedasdezpeque- 
nasqueascircundavam, cadaqual maior que a Jerusalem atual, isto e, 
sem a mesma extensao que a da epoca de D avid. 



Jakob Lorber 

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13. Aquilo quesedeu com aquel as cidades repetir-se-a com Jerusa- 
lem, - eaqui seencontram algunsquepresenciaraotal horror dedevasta- 
gao! M aisvaledestruirtaisantros, do quepermitir o aniquilamento por 
toda Eternidadedasalmasquenelesvivem. 

14. Tu, Cirenius, podespossuirtudo que aTerra tern demaravilho- 
so eagradavel, louvando a Deus portal Graga. N unca prendastuaalma 
aos tesouros temporarios que deixaras ao trocares esta vida passageira 
com a eterna. J a sabeso quevem a ser a materia. - Agora, dize-M e, estas 
satisfeito com esta exp I i cacao, unicaejusta?" 



15. Caminho Certo Paraa EvoujgAo Humana 

1. DizCirenius:"Sim,estouinteiramenteapardetudo.Assimcomo 
para cadaervaexisteuma lei pelaqual se pode desenvolver, hatambem 
para o homem apenas urn caminho a seguir e marcado por urn manda- 
mento psi co-moral que Ihefaculta a independencia absoluta. A franquia 
de urn liberalismo sem restrigoes, a nao ser na base desta lei nao Ihe 
possibilita alcangar a meta destinada por Deus 

2. Compreendo ser o caminho porTi, 6 Senhor, indicado, o unico 
everdadeiro, aceitavel para todososde boa vontade. Contudo, ninguem 
seriacapazdeencontra-loporsi proprio. Eraprecisoqueo Espirito Divi- 
no revel asse as condicoesimpresdndiveisatal fim. 

3.Julgoapenasserestecaminho raramenteencetado pelascriaturas, 
pois as condigoes mundanas opuseram uma forte barrei ra contra a qual 
muitasseferirao. Assim, darao meia volta, mormentesenao observarem 
em breveum exito maravilhoso a coroar seusesforcos. C om Tua especial 
Graga espero atingir a meta final; sou, porem, apenas urn, no grande 
E stado Romano de mu itos m i I hoes Q uando esses concl u i rao tal tarefa?" 

4. Interrompeojovem fariseu: "N obre senhor, pensei precisamente 
omesmo. Nosjapodemostrilhar com feecoragemo caminho da salva- 
gao; mas que sera dos outros, se nao tiverem oportunidadedebeberna 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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fonteviva, ondeseesclarecerao com o proprio M estreda Vida?" 

5. Digo Eu: "Jatratei disto, poiscom MinhaChegadaaportado 
Ceu permaneceraabertaeaquilo queoratratamosseraouvido eanota- 
do, palavraporpalavra, paradesenrolar-sediantedosolhosdaquelesque, 
daqui aquasedoismil anos, habitaraoaTerralTodasasduvidasfuturas 
poderaoseresclarecidasdiretamentepelosCeus Daqui pordiantecada 
criatura tera deser instruida por Deus; senao o conseguir, tambem nao 
ingressarano Reino luminosodaVerdade!" 



16. A Elevacao de Jesus 

1. (0 Senhor): "Todavia afirmo-vosser dificil permanecer a pessoa 
napuraverdade, poiso intelecto humano, alcancando grandeperspica- 
cia nao assimilara ser Eu, em Espirito, o M esmo quetransmitiu as Leisa 
M oysesno M onte Sinai e tambem Iheditou osCinco Livros; e, portan- 
to, o D irigentedo I nfinito com Sua Sabedoria, Poder eForca! Semesmo 
alguns dentre vos nao podeis com preen de- 1 o, embora testemunhas de 
MeusAtosqueprovam M inhaUniaocomoPai Celeste,- quediraoos 
grandessabiosdo mundo ao ouvirem tal afirmativa pela milesima boca?! 

2. Eisporqueseraistoapenasreveladoaospequeninos, poisagran- 
deza terrena e urn horror para Deus! A criatura simples, singela e de 
coragao puro, ainda possui uma alma urn tanto livre, que Ihe permite 
compreender, com maisfacilidade, oquevem do espirito. Urn intelectu- 
al, cuja alma se ache abarrotada de principios materialistas e nem mais 
pressinta o seu espirito, dificilmente o entendera. Por ora ate convosco 
isto sucede, portanto deveisaguardar M inha Elevagao!" 

3. Indaga Cirenius "Dequeelevagaosetrata?Acasoserascoroado 
Rei detodososreis?' 

4. Respondo: "Sim, mas nao urn rei do mundo com coroadeouro! 
N ao teria Eu Poder para M eapossardum reino queultrapassasseoslimi- 
tes da Terra? Quern Meimpediria? 



Jakob Lorber 

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5. Acaso arazao detodasascoisaseavidadascriaturasnao estao nas 
MaosdeMa Pai,queestaem Mim,com Euestou Nele?Quantosmo- 
vimatosrespiratoriospodaasfazasem aVontadedeM ai Espfrito que 
tudovivifica? 

6. Dequeadiantaramopodaeaartebelicadoshomasdurantea 
epoca de N oe? M ai Espfrito fez com queo D iluvio osafogasse! 

7. Q uebaeffciosobteveo poderoso farao com seu grandeexacito? 
M ai Espfrito conduziu osisraelitas, incolumes, pelo M arVamelho, afo- 
gando ossoldadosegipcios! 

8. Se, portanto, Eu M equisessetornar rei do mundo, qual seria o 
podacapazdeMeobstar?Longe, porem, tal pensamento de M im ede 
M as seguidores; espera-M e uma elevagao e coroagao divasas, e disto 
taascienciadepoisdetudoconsumado.Algunspormenoresjatefornai 
no inicio desta raniao; sedelestelembraresdeduziraso resto!" 

9. D iz C irenius "Sahor, sei Q uem es e o que podes, - por isto 
mesmo nao comprandoTua atitudeesquiva diantedas paseguigoesde 
HaodaedoTemplo." 

10. Digo Eu: "Amigo, podiasta evitado tal obsavagao. Primeiro, 
porta-teesclaraido suficiatemateem Nazareth; segundo, deviasta 
daluzidodeM inhasPalavrasqueomotivodeM inhaVindanaosepra- 
de "a matar os mortos", mas vivifica-losde novo. Eisporqueninguem 
por M im saajulgado. Vim para tomarsobreMasO mbrosojulgamen- 
to queforadetaminado sobreeste plan eta, salvando ascriaturasdamor- 
teetana. 

11. Desejo curar asfaidasda H umanidadeabatida, nunca porem 
aplicar-lheoutras, maisprofundas. Poracasojulgasqueo medo M eobri- 
guea M eesquivar de M asadvasarios? N unca! bserva estacrimino- 
sos! D e acordo com vossa lei e a de M oyses maaaam cem veza a mor- 
te; no atanto, nao deixo quetal aconteca, poistambem devaao desfru- 
tar da G raga Celeste. Aproveitando esta oportunidadetomarao parte no 
M a Reino; retomando ao vicio antaior, saao culpadossea lei osani- 
quilarlVe, a lei padura, aGraga, porem, socorreapaasdequando em 
quando osaflitos; desrespeitando a G raga, sofra-se-a pela lei. 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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17. A Onipotencia Divina e a Liberdade da Alma 

1. (0 Senhor): "Ve, es representante das Ids e do poder de Roma 
sobre toda Asia e uma parte da Africa; entretanto, depende de M inha 
Vontadejulgarou I i bertar os cri m i nosos, sem quetesejapossivd reagir. 
Destemodo tarn bem poderia forgar as criaturas a boas agoes; tal, porem, 
seria um julgamento queastransformaria em maquinas 

2. Contigotal naosedaporacdtaresM inhasPalavraseagiresden- 
trodaOrdem Divina. NumcasodeduvidaMeperguntaseadaptastua 
acao ao ensinamento que, decerto modo surgenuma intuicao maispro- 
funda, portantojusta, enao por influencia externa. 

3. Subjugado por M inha Vontade seras escravo; induzido pda tua 
propria, livre, poisdaapenasdesejaoqueteu raciocinio - comovisaoda 
alma - reconhece ser bom ejusto. Caso diverso seria se o mundo fosse 
obrigado aagirdentro deM inhaO nipotencia: nao reconhecendo o bem e 
a verdade, suaagao seria identicaadosanimais, ou talvez pior. irracional 
naosenteprejuizo moral quandoselheimpoeumaobrigacao, porquanto 
tal al ma nao esta sujdta a uma I ivre Id moral; a do homem, porem, sofreria 
por uma sujdcao, em virtudedo choque contra sua liberdade. 

4. Dai deduziras, Cirenius, o motivoqueMelevaafugirdosque 
M eperseguem, nao para M eproteger contra sua iradescabivd, mas para 
guardar M eusfilhos, tolosecegos, contra a eterna perdicao. 

5. Q uando observo haver entredesalgunsdemdhor indole osquais 
podem reconhecer a verdade eo bem porumajustailuminacao, nao Me 
esquivo ddes, masprocuro atrai-losparacompreenderem seu estado igno- 
rante, facilitando-lhes a reforma fntima. Tens um exemplo vivo em M eus 
trinta perseguidores. D emodo algum osteria conduzido ao nosso mdo, se 
nao soubesseserem seuscoragoesacessivdsa M inha Palavra. 

6. AsforcasdaNaturezaforam influenciadas por M inha Vontadea 
traze-losaqui; istonaofoi um jugo para suas almas Agora serao instrui- 
dos, seu raciocinio sedesanuviara, dando-lhesliberdadedeescolha. 

7. Ve, dentro em breve o Sol dirigira seus raios sobre o horizonte; 



Jakob Lorber 

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entretanto, nenhum devos lembrou-se do repouso noturno. Por que? 
PorqueEu assim oquislContudonaosetratadumacoagaosobreaalma, 
mas unicamente, sobre a materia que tera de ser util aquela, alem do 
habitual. Fizistoem beneficiodostrintafariseusqueforam salvos, fisica 
eespi ritual mente Nossavigiliafoi premiadaese-lo-amaisainda; por- 
tanto, naohouveprejuizopsiquico. Setivesseconduzidoasalmasajusta 
luzatravesM inhaOnipotencia, tornar-se-iam simples maquinas- ene- 
nhumadesuasacoesteria valor. 

8. Q uevantagem obtem o serrate e a enxada pelo seu bom corte?S6 
tern utilidade para o homem de livre consciencia, sabedor do que seja 
util. Q ue beneficio tera o cego com a luz, o coxo com o prado? Servem 
apenasaquelesqueseencontram na consciencia de si pr6prios,daneces- 
sidadedo uso e aproveitamento deles 

9.0 mesmo acontece com a I uzespi ritual. Naopodee nao devest 
levadaao homem com violencia, em virtudedesua livre vontade; esta luz 
deveserpostanum local onde seja vista por todos Quern delaquiserse 
beneficiar, nao encontrara empecilhos na execucao de qualquer tarefa. 
Aquele que pretenda ficar inativo com a luz radiantedo Sol, fa-lo sem 
prejuizo de alguem, mas de si proprio, pois da nao obriga a qualquer 
acao uma alma dotada do livre-arbitrio. 

10. Tenho poder de sobra para transformar vosso conhecimento e 
modificarvossavontadelivrenum animal decarga, completamenteapri- 
sionado, - eelesemovimentariacom humildade, deacordocomadire- 
gaodeM inhaO nipotencia. Seu intimo, porem, naoteriavida. Ensinan- 
do-voseespargindo ojusto conhecimento, sereislivreseo podereisacei- 
tarou rejeita-lo. Compreendes, Cirenius?' 

11. Respondeeste: "Sim, compreendo-oecreiotambem saber dedu- 
ziromotivoqueTelevouaescolherasimplicidadeequeTefacilitaensinar 
ascriaturasafinalidadedesuavidaecomoatingi-laAfimdequepossam 
positivarsuafeeconvicgao, realizastodasortedemilagres, portadoresde 
poder eluz que aindamaisressaltamoTeu Verba Destemodo fazes tudo 
para a salvacao do homem, dando a impressao quetal foi porTi previsto 
desdetoda Etemidade Talvez meengane neste ponto..." 



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12. Digo Eu: "Nao, nao; em absolute, pois a Ordem Divina e 
eternal D o contrario nao seria rdem nem Verdade. Agora, mudemos 
deassunto. 



18. Anotacao dosDiscursosdo Senhor 

1. (0 Senhor): "M arcusjaqueaalvoradaestacolorindoocumedas 
montanhas trata de nos arranjar qualquer coisa para comer; nao e possf- 
vel nosaproximarmosemjejumdoscincocriminosos. Dar-nos-aomui- 
to quefazer antes desecurarem. Reserva-lhestambem algum pao, sal e 
vinho para fortifica-los." -De pronto M arcus e os sens se dirigem a 
cozinhaondealgunsdiscipuloslhesajudam nopreparodepeixes. 

2. M atheusejoao, relendo as anotacoesfeitas durante a noite, veri- 
ficam umaseriedefalhas. Eisquejoao M epedeauxilio que Raphael Ihe 
presta, preenchendo rapidamente as lacunas Pedroconfirmaateaanota- 
gao do salvamento dos trinta condenados e Cirenius externa o desejo 
dumacopiacontra remuneragao extra. Incontinentejudasseoferece para 
tal servico. 

3. Percebendo a ganancia costumei ra destediscipulo, digo a C i renius: 
"Faze com que Raphael recebao material necessario, poisseramais ligei- 
ro."0 Vice-rei chamaum lacaioeordena-lheoportedealgunsrolosde 
papirodequefazentregaaoanjo. M al este os toca, dizaCirenius "Pron- 
to! Teu desejo foi cumprido; podes comparar os papiros e verificar se 
existealgumafalha." 

4. Cirenius se admira nao pouco da rapidez incompreensivel de 
Raphael. Ostrintafariseuselevitassubmetem aanalise os roloseodito 
orador, chamado H ebram, diz: "Sao identicosaosdosdiscipulos. fate 
em si nao nos diz respeito enao convem sobreo mesmo perder palavra, 
poisosmortaisapenascompreenderao osanjosquandotiverem alcanga- 
do o mesmo grau deevolucao; enquanto encamadosnao Ihessera possl- 
vel assimila-lo. 



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5. Existem coisas e aparigoes no mundo da Natureza que jamais 
seraointeiramenteentendidaspelascriaturas Gostodevermilagres; mas 
nao mepreocupo quanta ao "porque". Ainda queentendaa pessoaqual- 
quercoisa, nao Iheseria possivel imita-los." 

6. Diz Cirenius "Do ponto de vista material teras razao; nao me 
interessa a imitacao, mas sim que eu possa - como espirito imortal - 
observar seus efeitos mesmo de olhos vendados; assim, desejaria saber 
por urn sabio algo a respeito desta rapidez deescrita." 

7. Diz H ebram, gracejando: "Bern, duvido entretanto que possa- 
moscompreender asexplicacoesdetal sabio, porquanto o intelecto nao 
o podera assimilar em sua profundeza. Cantico dos Canticos de 
Salomon, alias, ainda e mais aceitavel pelo intelectual; meditando, po- 
rem, mais profundamente, chega-se a conclusao de que nada se enten- 
deu. D ar-vos-ei uma pequena prova. 



19. Cantico de Salomon 

1. (H ebram): "No quarto capitulo diz aquelesabio: "Eisqueesfor- 
mosa, amiga minha. Teus olhos sao como os das pombas, entre tuas 
trancas Teu cabelo como o rebanho de cabras que pastam no monte 
Gilead e teus dentes como o das ovel has tosqueadas que sobem do lava- 
douro, sempre produzindo gemeos, pois nao ha uma esteri I sequer. Teus 
labiossao qual fio escarlateedoceetua voz. Tuas faces como o talho da 
roma, entre tuas trancas Teu pescocoecomo a torrede David, edificada 
como parapeito, no qual pendem mil escudos e armas poderosas. Teus 
seios quais gemeos da corca, que se apascentam entre rosas ate que des- 
ponteo dia, afugentando asombra. Irei ao montedemirraeao outeiro 
de incenso. Es linda e nao existe macula em ti. Vem, minha noiva, vem 
do Libano! Entra, desce do cume de Amana, do cume de Senir e de 
H ermon, dasmoradosdosleoes, dosmontesdosleopardosTiraste-meo 
coracao, minha irma, querida noiva; tiraste-meo coragao com urn de 



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teus olhos> com urn de teus colares. Q uao belos sao teus amores, irma 
minha, queridanoivalAfragranciadeteusunguentossobrepujatodasas 
especiarias. favo demel jorra deteus labios, 6 minha noiva! M el elate 
estao debaixo detua lingua eo perfumedeteusvestidoseidentico ao do 
Libano. Esumfechadojardim,fonteemanancialselados.Teusrebentos 
sao urn pomar de romas com frutos celestes, cipreste e nardo, nardo e 
acafrao; o calamo e a canela e toda sorte de arvores de incenso, mirra, 
aloes com as melhores especiarias. Esqual fontejardinosa, manancial de 
agua vivajorrando do Libano. Levanta-te, vento norte, evem tu, vento 
sul,soprapelomeujardim para que emaneseus aromas!" 

2. Ve, nobre C irenius, tal o teor do capitulo de compreensao apa- 
rentemente fad I; dou-te todos os tesouros do mundo se conseguires in- 
terpreter umafrase, apenas. 

3. Q uem seria tal irma constantementecitada, qual a noiva querida 
que, pela descricao de Salomon, deveria se igualar a M edusa?! Em suma, 
para o intelecto humano e a maior baboseira; o sentido espiritual so e 
dadoaosabio. Cheguei ateadecorartodooCanticodosCanticospara 
alcangar uma possivel compreensao. N ada! Pouco a pouco verifiquei sa- 
ber tanto quanta o gado diante da cancel a. 

4. Por isto te aconselho apelares antes para o raciocinio que para a 
sapiencia de nossos colegas, pois se explicarem a agilidade da escrita do 
anjo compreenderas tanto quanta o 4. s capitulo de Salomon. Umaex- 
plicagao intelectual naotesatisfara, porquanto nao e possivel conseguir 
interpretar material mente urn acontecimento espiritual." 

5. D izC irenius: "Javi quenaoesinculto, poissabesdecortal estulticie 
salomonica. Contudo, comegaameimpressionarmaisqueavelocidade 
deescrita do anjo. Teria Salomon real mente tentado declarar seu amor a 
uma supostajudia, deaparencia urn tanto esquisita?0 u seteria referido 
a coisa diversa? M as... que? H averia uma chave para tanto? N este caso 
nosso Senhor eM estreeo U nico Competente!" 

6. Diz H ebram: "Tambem concordo. Tal medesperta maior inte- 
resse que minha vidadealem-tumulo." 

7. D irigindo-sea M im, C ireniusdiz: "Senhor, ouvisteo dito capita- 



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lo deSalomon?Teraalgum sentido?" 

8. Respondo: "M ai amigo, encerra um bem profunda Salomon o 
escreveu conformelhefoi ditado; no entanto, suacompreensaoem nada 
era melhor que a tua. Recebeu o Verbo, mas nao o entendimento - e 
tudo seaplica a epoca atual. 

9. A solucao ea chaveestao diantedeti; a palavra, porem, o Verbo 
do Eterno Amor, istoe, o Amor Purissimo de D eus ascriaturas ea noiva 
formosa, a verdadeira irma e amiga do homem. Le o Cantico fazendo 
uso desta chave e entenderas seu sentido. C ompreendes?' 

10. Diz Cirenius, fitando Hebram: "Sentes donde sopra o vento? 
Isto soa bem diferente daquilo que se canta no Templo dejerusalem! 
Possuindo a chave, aprofundar-me-ei na leitura do sabio Salomon." 

11. Responde H ebram: "Sim, a interpretacao parece verdadeira e 
certa; todavia, duvido que se preste para decifrar tudo. Vemos o mundo 
estelar, o M estre e o anjo nos deram alguns esclaredmentos; eis tudo! 
Explica-meoquevem a ser a estrela d'alva que neste momento irradia 
um brilho fulgurantelTao pouco isto teseja posslvel com a chave do 
anjo, tambem nao poderas descobrir com a do M estre a sabedoria inte- 
gral de Salomon. Contem muitosquadrosapenasdecifraveisaoespirito. 
N ao duvido, porem, que a Chave do M estre seja, em geral, a unica, e 
procurarei usa-la por conta propria." 

12. IndagaC irenius: "Senhor, quededuzirei daspalavrasdeH ebram?' 

13. Digo Eu: "Falabem ecerto, portanto, saberascomo interpreta- 
lo. Deixemosistoporora;odesjejumseaproxima. Necessitamosdeali- 
mentoparapodermosenfrentaroscriminosos"- Em poucosinstantes 
as mesas sao arm madas 



20. Desjejum dosHospedes 

1. Q uando osfariseuselevitasobservam afarturadealimentos, diz 
H ebram: "N em por isso os discipulos do M estre de N azareth passam 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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necessidades! Nao ha, portanto, motivo quenosimpecadenostornar- 
mos, primeiro, soldadosromanoseapos, seus adeptos de corpo ealma. 
QuantasvezesnaojejuamosnoTemploem honradejehovah - eaqui 
nem sepensa nisto, emborasejaante-sabado. N o entanto, nao meparece 
que constitua uma desonra a D eus, do contrario tenamos sido adverti- 
dospelo Salvador. Em suma, faremoso queeledisser, sejadoceou amar- 
go, poiso espirito quefazsurgir o Sol tanto no sabado quanta nosdias 
comunsenao permitequeosventosdescansem, porcerto emaiselevado 
queo doTempIo que, para ajusta consagracao daqueledia ordena tres 
feri ados antes etresdepois Contendoasemanaapenassetedias, pergun- 
tou-sequando, nestas circunstancias, dever-se-iatrabalhar- eotolo le- 
gisladortemplario, reconhecendo seu absurdo, aceitou outras sugestaes! 
Querepouseem paz! 

2. Para encurtar: nosso M estre manifesta o Espirito D ivino, o que 
nosentusiasmaaservi-lo incondicionalmente Jaencontramoso M essias 
Prometido- eoTemplotaocedonaoO avistara; mesmo queo faga nao 
poderareconhece-Lo. N 6sO temosehonramos, poristo: H osanaAque- 
le, M erecedor de nosso respeito ededicagao!" 

3. DizJulius"6timo!Acrescentomais:abengoadososdeboavontade!" 

4. Acrescenta Cirenius: "A salvagao e a Graga Celeste vieram ao 
mundo; por tal razao louvemos o N omedo Salvador, Jesus! Perante Ele 
todos os povos, anjos e espi ritos se deverao curvar!" 

5. Finalizam oanjo,Yarah,Josoe Ebahl etodososdiscipulos "Amem!" 

6. Digo Eu: "Pois bem; agora desjejuemos." Em pouco todos se 
dispoemasaborearosalimentos, inclusiveYarah e Raphael,- eaatitude 
deste, como sempre, desperta espanto entreaquelesquenao o conheci- 
amdeperto, tanto queo grupodejudeusindagaentre si da possibilidade 
dum anjo manifestar tamanho apetite 

7. D izH ebram aseuscolegas "Porquevosadmirais?Seelefoi capaz 
dejogarbolacom umapedradetrinta libras, com maior facilidadeab- 
sorvera uma quantidade de peixes, pao e vinho. fato de sua aluna 
quaselhefazerconcorrencia, prende-seaidadedecrescimento; aparenta 
el a unsquinzeanos, - no entanto, etao forte quanta u'a moca devinte. 



Jakob Lorber 

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Atenosso M estredemonstrabom apetite- o quealiasnao mesurpreen- 
de, - poisja privei com espiritoselevados, entreosquaissempredeparei 
com o mesmofator. Apen as desejava saber dequemaneiraum anjo puro 
assimilao alimen to material; teraeleamesmafuncaobiologicaquenos?' 

8. Intervem Julius, queouvirataispalavras: "Como podeisconjetu- 
rartaisdisparates?! Raphael eespirito, eimpossi'vel eselhefalarou verem 
seu estado primitivo. A fim deque, pela permissao excepcional do Se- 
nhor, elesepudesseapresentarqual criatura, necessariofoi quesecobris- 
sedemateriasutil, quesuanaturezaabsorveu. N aoe, portanto, admissi'vel 
supor-se uma funcao biologica num espirito puro! 

9. Quanto ao bom apetite deYarah, filhado hospedeiro Ebahl em 
Genezareth, obedece da, apenas, a uma ordem secreta do Senhor; isto 
em virtude da cura dos cinco criminosos principals, que promete ser 
extraordinaria, porquanto Ele, tendo por diversasvezes ressuscitado vari- 
osmortos, tambem, Sepreparaparatal empresaatravesdealimento mais 
farto. Compreendeis?' 

10. Responde H ebram: "Q ue D eus te abencoe por este esclareci- 
mento, senhor! Basta que urn fato maravilhoso seja iluminado para se 
tornar natural. Apenaso tolo seadmiradealgo quenao entende, enosso 
grupo, por certo, tera muita coisa ainda queo fara pasmar na Presengado 
G rande M estre, Salvador e M essias!" 

11. N isto M e levanto, dizendo: "Vamos ate la, onde se acham os 
criminosos!" - etodosseerguem paraacompanhar-Me. 



21. CuradosCinco Obsedados 

1. M al nosaproximamosdosprisioneiroscomegam anospraguejar 
eamaldicoar. Aconselho, entao, queJuliuseCireniusrecuem edou or- 
dem aossoldadosparasoltarem osalgemados Eles, porem, receiam faze- 
lo, em virtude da reacao violenta que poderia despertar. Digo Eu: 
"0 bedecei, e rapidos! D o contrario vos espera a pior desgraca!" 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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2. Nem bemoscincosa^libertos>jogam-seaMeusPes,exclaman- 
do: "6 poderoso Filho de David, salva-nos da perdigao eternal Naote- 
memos a morte, pois alem determos sofrido horrores durante a noite, 
fomoscastigadospelasvisoesdo sofrimento dosespiritoscondenadosao 
inferno. Pedimos-Tecastigoporcemanospdoscrimescometidos,- pro- 
tege-nos, porem, contra as penaseoshorriveistormentosinfernais!" 

3. Eis a linguagem das almas individuals no momento libertas de 
seusalgozessatanicos, que agora, entretanto, ganhavam supremacia so- 
bre das, gritando: "Que queres, miseravd domador de insetos? Acaso 
tencionasentrarem lutaconosco, deusespoderosos?Fazeumatentativa, 
quesera a ultima! Afasta-te, miseravel, do contrario serasreduzido aato- 
mos e entregue aos ventos!" 

4. Replico: "Com quedirdtoatormentaishatantosanosestascria- 
turas?Sabei quesoou vossahoraderradeiralO "domador deinsetos"vos 
ordena abandonardes, neste instante, estes infelizes, encaminhando-vos 
aposao maisprofundo inferno!" 

5. U ivam osdemonios, desesperadamente: "Se tens poder para tan- 
to, deixa que nosapossemos das form i gas brancas da Africa; preferimos 
permanecerladoqueem nossoreino!" 

6. "N ao", digo Eu, "nao M ecompadego devospor nao terdestido, 
tao pouco, compaixao daquelesqueaniquilastes, nao obstante seusrogos 
fervorosos! Por isto, retirai-vos sem perdao!" A esta ordem potente os 
dem6niosabandonamsuasvitimas,jogando-aspor terra. 

7. Eu, porem, prossigo: "Ide, miseraveis! Descei aosinfernosonde 
vosespera a recompensa!" Eles, no entanto, ali permanecem, imploran- 
do misericordiaeperdao, alegando sersua indoleculpadadeserem maus 
Retruco: "Tendesdeigual modoacapacidadeparaobem, peloconheci- 
mento da verdade. Vosso orgulho, contudo, leva-vos a serdes maus e 
incontidos, por isto nao mereceis perdao! E vossa vontadesofrer, portan- 
to, nao intervenho em tal desejo! M inha Ordem eeternaeimutavd, - e 
sabeis o que vos cabe para aproveita-la em beneficio proprio. Sofreis, 
porqueadesvirtuastes, - por isto desaparecei deM inha Presenga!" 

8. uve-se urn estrondo fortissi mo - e do solo surgem fogo efuma- 



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ga, tragando esses vermes miseraveis, pois os espiritos exorcizados sao 
quais serpentes negras, que desaparecem no interior da Terra. Todos os 
presentestremem como varasao vento. 

9. Dirigindo-Mea Marcus, digo:"Daaosenfraquecidosum pouco 
de vinho e apos, pao e sal." s filhos de M arcus se debrucam sobre os 
cinco homens que, apos sorverem alguns goles voltam a si, sem saber o 
quehaviasucedido. 

10. D igo-lhesEu: "Servi-vosdepao, sal emaisalgum vinho; isto vos 
fortalecera plenamente." Em poucosinstanteselesrecuperam suasener- 
gias, levantando-se, embora palidosemagros. 

ll.AlgoimpressionadoCireniusindagaoquefazercomeles. Digo 
Eu: "Por hoje nao te preocupes; necessitam primeiro de tratamento. 
M arcus, mandatrazer urn pouco deoleo paraasferidasprovocadaspelas 
correntesecordas." 

12. A friccao deoleo aliviaosatordoadosque, pouco a pouco, con- 
seguem semovimentar. Passado algum tempo indagam o quelhessuce- 
dera e M arcus responde: "Estivestes muito enfermos e fostes trazidos 
para ca, onde o Salvador de N azareth vos socorreu. M ais tarde 
conhecereis." 



22. D issERTAgAo D esesperada dos Ex-0 bsedados 

1. Dizum dos cinco: "Sim, sim, - comecoamelembrarlTenhoa 
impressao deter tido urn pesadelo, no qual fui preso com maisquatro. 
C onduzidos a uma gruta e entregues a demonios, tudo fizeram por nos 
ensinar seu oficio desalteadores. Como reagissemos el esse apossaram de 
nossoscorpos. Ignoramoscompletamenteo quepraticamosnaquelees- 
tado; lembro-meapenasquehabem pouco fomosaprisionados por sol- 
dados romanos. Devemoster sido massacrados, ajulgar pelas feridas e 
luxagoes. Meu Deus, quenosaconteceu?' 

2. D iz o outro: "Q ueres saber o que fomos antes disto? Pertencia- 



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mosaoTempIo e, como missionaries, enviaram-nosaossamaritanos, a 
fim deconverte-los. La, porem, fomosinformadosdealgo melhorevol- 
tamosaJudeaparaangariarproselitoscontraosinedrio;eisquenospren- 
deram nafrontaraeaqudesdemoniosnosenfeiticaram, desorteanao 
maissabermosquem eramos D evemos istoaoTempIo, quesomenteaos 
maioraisda privilegios; os outrossao uns vermes infelizes" 

3. D iz urn terceiro: "Tambem me recordo como fomostorturados 
pela brutalidade dos templarios. D evemos nossa desgraca unicamente a 
nossospais, quepagaram somas consideraveis para quefossemosaceitos 
como fariseus! Aposa experiencia dolorosa no convivio daqueles malfei- 
tores,decujainfluenciaagorafomoslibertados,- resta saber qual nosso 
futuro! D evemos retomar ao Templo? Por mim, preferiria morrer!" 

4. Concordam os outros dois: "Tens razao: u'a morte rapida, que 
apagasse nosso passadoe nossa propria consciencia. Com quefinalidade 
existimos, se nunca externamosdesejo de viver?! Acaso existiria urn C ri- 
ador quesentisseprazer em assistir ao sofrimento deSuascriaturas? 

5. Qualquer animal emaisfelizqueo homem, pretenso senhorde 
tudo que existe! Vos, romanos, podeis enfrentar os animais ferozes de 
armasem riste; qual, porem, seriavossadefesa contra osdemonios invi- 
siveis?Fomosporelesescolhidosparaquenostornassemosidenticos, - e 
nesseestado inconscienteusaram-nosparaseuscrimes Seao menosnos 
fosse possivel morrer para nunca maistermosconscienciaduma vida...!" 

6. D izo primeiro: "E verdade, serianosso maiorbenfeitor quern nos 
pudessedaramortecerta. Quenosadianta viver num mundotaomise- 
ravel, no qual osdemonios, com facilidade, descobrem suas vitimas?! 
Seguindo-lhes as ordens o homem se torna diabo; nao obedecendo e 
castigado da pior maneira possi'vel ! 

7. C omo D eus nao comparti I ha de nossas dores, pode ate Se senti r 
fdiz, enquanto nossofremos, choramos, praguejamos e nos desespera- 
mos!0 ndeestao Salvador quenosrestituiu esta vida desprezivel?Jamais 
devera contar com nossa gratidao, a nao ser temporaria, pois seremos 
gratos apenas pela morte eternal 

8. Quern sois, romanos importantes? Vossa aparencia indica que 



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servis a Satanaz, por isto vossa opulencia nao vos perturba. Q uem nao 
quiser ser molestado pelo demonio devetratar em se Ihetomar identico. 
Consta que se deve servir a Deus e ama-Lo, - que absurdo ridiculo! 
Fizemosistodesdepequeninos, - evedeoresultado!" 



23. ESTRANHO ESTADO PsiQUICO DOSCURADOS 

1. D iz C irenius: "Senhor, nunca ouvi semelhantediscurso; o pior e 
quecontem muita coisa verdadeira. Todossentem o mesmo: a propria 
Yarah parece nao saber o que pensareoanjo, pordiversasvezes, enxugou 
as lagri mas! Q ue devemos fazer?" 

2. Digo Eu: "Preveni-te, anteriormente, queesteshomensnosdari- 
am o quefazer. Tal nao importa; os mauselementos, expulsos, deixaram 
algunsfuidosemseuscoragoes, masaextingaodessainfluenciaposabili- 
taraumacuracompleta. Alem disto necessitam dealgum repouso - eo 
dia radiantetrara uma nota harmoniosaa suas almas Ainda dirao outras 
coisas, sem prejuizo para vos. Suas almas proven demundosevoluidos, 
por isto devemoster muita paciencia. ferece-lhesmaispao evinho, que 
sua fome e sede estao aumentando." 

3. M arcus, prestimoso, serve-oscom gentileza, dizendo: "Saciai-vos, 
irmaos. De agora em diantenao maispadecereissobreaTerra, embora 
nao seja urn paraiso." 

4. Dizem osoutros: "Parecesser urn bom diabo etalvez possamos 
trocar ideias! Setodosfossem iguaisati, avida nao seriatao ma. Acontece 
queateosbonssaodominadospelosmaus, queosimpedem atedeuma 
livrerespiragao. 

5. Ve, o demonio completo esta em maosdo principedos demon ios; 
suaresidenciaconsistedesanguehumano, - esechamao reinado deD eus! 
Sim, urn ReinodeDeusdeiraenaodeAmorIA razao disto so Elesabe. 
Existem algunsanimaisquevivem como criaturasfdizes, enquanto o ho- 
mem apenas e burro de carga! N asce fragil e nu - e a N atureza nem o 



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proviu de armas diminutas, tal como as formigas e abelhas, a fim de se 
defender contraum inimigo.Tanto numacatervadetigrescomo numade 
leoes veras todos de indole semelhante; somente numa comunidade hu- 
manaencontrarasuma parte diabolica. Por isto sedesafiam eguerreiam. 

6. Para encurtar, por que motivo consta na Escritura sermos "filhos 
de Deus"? Se Ele realmente Se interessa pelo bem-estar deles como fez 
conosco, sendoodestinodospobresfilhosdeDeusserviraosdemonios 
namaiordegradacao, - agradecemos por tal filiagao divina!" 

7. Reage M arcus: "E verdade que passamos por muitos dissabores; 
em compensagao, espera-nosuma imensidadedecrescentesbencaosno 
alem-tumulo. Se o filho de D eus considera-lo, suportara esta curta vida 
deprovagao." 

8. Dizo primeiro orador: "Quern teafiancatal troca?A Escritura? 
N ao te tomes ridiculo! bserva aqueles que a divulgam, deixando-se 
homenagear como servos do Altissimo! Sao os piores diabos! Q ue D eus 
venhaPessoalmenteparalhesdemonstrarsuasperversidadeseadverti-los 
a penitencia; do contrario, acontecer-Lhe-ao quesucedeu aosdoisanjos, 
incumbidosdeavisarLotesuafamilianosentidodeabandonaremaque- 
la zona prestes a ser julgada. 

9. Se o transmissor das Bencaos Divinas e urn demonio, explica-me 
qual deveser a expectativa dosfilhosde D eusa respeito daquelaspromessas! 
A questao easeguinte ou D eusnao existeetudo quevemos, apenas, eobra 
da Natureza animal, - ou havera urn Ser Supremo quetudo rege sendo, 
entretanto, demasiado Sublime para Se poder preocupar com vermes 
terraqueos A Escritura esimplesobrahumanaepoucode bom contem. 

10. Consta ali: "N ao mataras!" Todavia o M esmo Deus ordenou a 
David desafiaredestruirfilisteuseamonitas, inclusive mulheresecriancas 
C onsequencia maravi Ihosa! Acaso D eus nao teria outros meios para exter- 
minarospovosodientosquenaofossem obrigarum homem a desobede- 
cer uma Id dada por M oyses? Bern poderia evitar, que esse homem, com 
ajudadeseussoldados, matassecentenasde mil hares somente porque de 
acordo com o pronunciamento dum visionario, nao eram decentes. 

11. Soudeopiniaoqueum DeusdeAmorjamaisdeverialangaros 



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homens, qual caes raivosos, contra sai semelhante, possuindo meiose 
poder defaze-lo como bem o entendesse. Q ue D eusestranho: dum lado 
ordenaamor, pacienciaehumildade; dooutro, odio, perseguicao, guerra 
e aniquilamento. Realmente, quern entender esta desordem, por certo 
sera uma criatura fora do comum." 



24. Almas deVisao Diversa 

1. Retruca M arcus, prestesa perder a paciencia: "Positivamentenao 
sei o quefazer convosco: nao posso concordar com tudo, tao pouco vos 
contestar. Vossas queixas nao deixam deser razoaveis; contudo parecem- 
meumtantoexageradas.Jaquemetomaisporumbomdiabo,dizei-me: 
nossa assembleia etoda diabolica?!" 

2. Respondeo orador: "Em absolute Ve, este homem a teu lado 
(apontando para M im): eum homem perfeito, urn real filho deDeus! 
Dentroem breve, porem,osdemoniosoaniquilarao. Laatrasestaodois 
jovens e u'a mocinha, tambem do Alto, que igualmenteterao de lutar, 
caso nao queiram setornar demon ios. s outrossao pobres Pescadores; 
tu e tua familia sois uns bons diabos, na expectativa de vos tomardes 
criaturasverdadeiras, o quemuita luta vostrara." 

3. Diz Marcus: "Comoteepossivel sabe-lo?Vejoapenaspessoasde 
perfeigao gradativa, mas nunca diabos Noquesebaseiatuaafirmagao?' 

4. D izo outro: "N aquilo quevejo: osfisicossao iguais, as almas mui 
diversasEstadiferenciagaoconsistenacorenaformaAsalmaspormim 
classificadas de puras sao identicas a nuvem no cume das montanhas e 
seu formato emuito maisformoso que o do corpo; vossas almas sao de 
tonalidademaisescuraqueofisicoemenoshumanas, porquanto nelasse 
destacam clarosvestigiosanimais. 

5. Todavia descubro em vossas almas uma pequena e perfeita forma 
humana, toda de luz. Q uando esta ali se integrar, estender-se-a tambem 
sobreocorpo. Nao posso precisar este processo; para tantodeves consul- 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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tar criaturas perfeitas" 

6. 1 nsiste Marcus "Comoepossivel quevejastudo isto?' 

7. Respondeo inquirido: "Duranteo imenso sofrimento abriu-sea 
vi sao de m i nha al ma, de sorte que posso d iferenci ar outras al mas, cri atu- 
ras, f i Ihos de D eus e f i I hos do mundo, ou sejam, anjos edemonios 

8. As criaturas diabolicas podem se tornar anjos atraves duma re- 
nuncia total; do mesmo modo, anjos sepoderao transformar em demo- 
nios. Contudo, tal transformacao e bem dificil, pelaforga independente 
das almas angel icais Noscincofomostentadospelo inferno; ateentao, 
porem, sem exito. N osso futuro esta nas M aos de D eus, que nos criou, 
sem preocupar- Seem demasia com nossodestino. Portal razaosupomos 
queElenaoexista. 



25. Filosofia Naturalistade Mathael 

1. Prossegueo vidente: "Tudo naTerra obedecea uma certa ordem 
eequilibrio, o que leva a crer na Existencia D ivina; doutro lado, pode-se 
observar, nao raro, urn desordem infinita, urn despotismo incalculavel, 
queforca a criatura a duvidar de D eus 

2. Consideremos a inconstancia atmosferica. Acaso apresenta or- 
dem eharmonia?!Observaavariabilidadedearvoreseflores, amedida 
irregular das montanhas dos lagos, riachos, cascatas e fontes. N unca se 
manifestam harmoniosas, ao menos diante de nossa compreensao. 
mar forma suas margens irregulares, de acordo com a mare - e cabe ao 
homem impor-lheumabarragem, poispor parte deD eus nadaefeito. 

3. Do mesmo modo, a criatura cultiva jardins, campos e vinhas, 
selecionando osfrutosdequalidade. N ao consta existir urn jardim culti- 
vado por Deus ou queEletivesseregulado o leito dum rio. Ascamadas 
geologicas se confundem tao caoticamente quefazem transparecer ape- 
nasaforgacegadoacaso. 

4. Analisando, depersi, ascoisasrevelam tragosfortesdumasabedoria 



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e poder divinos em sai todo, porem, destaca-se o seguinte: ou Dais Se 
can sou deorganizaremanterem equilibrio aquilo quecriou, ou entao, Ele 
naoexiste;eascoisassecriaram independentementedentrodalei natural, 
para mundo, soiseluas, deacordo com seu peso eproporcoes 

5. Q uanto maisvariadososcorposcosmicosem evolucaotanto maior 
variabilidadeapresentam em sua superficie. Dai surgiram os primeiros 
vestigiosdevida, devidosa causa eao efeito. A manifestagao da primeira 
fagulha vital eraseguidaporoutras, asquaiscriaram novas leis, destina- 
dasao desenvolvimento duma vida perfeita. D estemodo elasedesenvol- 
veu a maxima potencia, deacordo com suaspropriasleisvitais, ate que a 
maisapuradaeconsdente forca vital comecou aorganizar, demodo re- 
troativo, a precedente natureza muda. 

6. Se isto tudo surgiu naturalmente, logo se chega a conclusao de 
queexistem apenas potenci as vitaisdemaxi ma variedade, desdeo piolho 
vegetal a perfeigao divina, - o homem! Assim, setornou possivd a cria- 
gao duma D ivindade positiva e negativa a urn so tempo, desde eras re- 
motas Nestaqualidadeasforgascontrariassedesafiarao, atequeanega- 
tiva, ou ma, seja assimilada pela boa e mais poderosa, num contraste 
equilibrado. Destafusao,tudoquepororaaindaemudo, inconscientee 
inerte, transformar-se-a apos longos periodos, numa vida plena de von- 
tade propria e conned mentoindependente. 

7. fato deexistir ainda hojeum verdadeiro caos, consisteem que 
a maxima potencia vital denomi nada D eus, esta longe da ordem deseja- 
dacom a forca negativa, Satanaz, atequeaestasobrepujaesurjavitorio- 
sa. polo oposto nao estaria em constante luta contra a D ivindade se 
nao houvesse motivo para D ela se apossar. 

8. Satanaz deve, pois, sentir urn grande agrado inconsciente pelo 
bem, razao por que procura subjugar a potencia positiva; mas precisa- 
mente neste zelo constante ele assimila as forcas do Bem, melhorando 
sua indolesemoquerer. D esta formaseequilibra sua forca vital, queofaz 
adquirir ordem, conhecimento e compreensao cada vez maiores e, por 
fim, nao podera impedir sua completa rendicao, devido a impossibilida- 
de dele evitar urn total dominiodesua natureza etendencia. 



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9. M esmo apos sua complete rendicao permanecera de um contras- 
te com o puro Bern; sera apenas equilibrado, como o sal tambem se 
contrabalancacom oagucar. Seaoliveiranaotivessesal najustamedida 
em raizes, tronco, galhosefolhas, jamais produziria o azeitedoce. 

10. Estou-meexcedendo na dissertacao que, por certo, nao e por ti 
assimilada como deveria. Tambem nao importa, poisnaotequisapre- 
sentaruma doutrina da verdade, mas sim, apenas demonstraraquecon- 
clusoes a alma podera chegar por sofrimentos quase insuportaveis, sem 
quesejaatendidaporDeusemtal aflicao. 

11. A alma, ou averdadeira primitivaforga inteligente, torna-semais 
lucida pelo sofrimento; ve e ouve tudo, ainda que distante dos olhos 
humanos Portanto, naotedevesadmirarsefizmengaodevarioscorpos 
cosmicos, pois minha alma os viu de modo mais perfeito que tu, ate 
entaopudesteobservarestaTerra. Basta, porem;seramelhorsenosdisse- 
resoquedevemosfazer, poisnao podemosficaraqui." 

12. D iz M arcus: "Esperai mais um pouco ate que o Salvador, ao 
Q ual deveis vossa cura, assim o mande." 



26. Lutaem a Natureza 

1. D iz o orador: "A quern, entre vos, compete que agradecamos?" 

2. Responde M arcus: "Foi-nos proibido denuncia-Lo antesdo tem- 
po; em breve o sabereis, podendo entao receber com alegria oselevados 
esclarecimentosa respeito devossasfalhas!" 

3. Diz o outro: "Amigo, para nos nao mais havera alegria sobre a 
Terra; talvez, numa outra vida." 

4. DizCireniusque seachava proximo: "Vede, sou Vice-rei da Asia, 
duma parte da Africa e da G red a. Agora vos conheco melhor e me pro- 
ponho a zelar por vosso futuro, proporcionando-vos, outrossim, uma 
ocupagao deacordo com vossa capacidade intelectual. 

5. Apenas deveis concordar que nos, romanos, em absoluto somos 



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unspobresdiaboslSomostaobem criaturas quanta vos fatodeterdes 
sidotrituradospsiquicamente- por motivo que apenas Dais con hece- 
o que, contudo muito contribuiu paraa purificagao devossas almas, nao 
pode ser nossa culpa. Pelo contrario, fostes por nos curados, isto e, por 
Um do nosso grupo, Verdadeiro Salvador. Por isto, mudai deopiniao 
que, em breve, podereis voltar a antiga alegria." 

6. D izo orador: "Amigo, observando o solo, veras apenas coisas que 
tealegram; o campo repleto defloresagradaateusolhoseo suave vaivem 
do mar enchedejubilotua alma; isto porquenao percebescomo, debai- 
xo destasmaravilhas, uma infinidadedefuturosdiabosfazem surgir suas 
cabegas, portadores de morte e desgraga. Para tua compreensao, tudo 
queveseamanifestagaodevida, enquanto nos nos certificamos da mor- 
te e sua constante perseguigao. Consideras tuas amizades, e os poucos 
inimigosenfrentarascom teu poder; nos, porem, vislumbramos apenas 
i n i m i gos i nvenci vei s 

7. Com estavisao inconfundivel dificil setorna uma alegria sincera. 
Afastadenosestedom ou da-nosexplicagaojustadaquilo quevemos, - 
e nossos coracoes hao de se alegrar. Possivelmente havera, em epocas 
incalculaveis, um destino melhor para a alma que, pela luta, alcancesua 
evolugao espiritual; onde, porem, buscar essa certeza? Sera el a positiva? 

8. N ossa visao nos permitedescobrir condigoes vitais que nunca pu- 
deste sonhar; todavia, nada vemos quanta a confirmagao duma vida feliz 
apos a morte, - mas uma constante vigil ia, preocupagao e luta. Toda ex- 
pressaodevidaelutacontinuacom amorte comotambem todaatividade 
eguerra constante contraa inercia. A calmadesafiao movimento, por nda 
estar presenteatendenciadamovimentagao. Q uem seravencedor: acalma 
que procura o movimento, ou vice-versa? D esdetua origem primitiva ate 
hoje apenas lutaste- e enquanto assim permaneceresterasvida, mas uma 
vidadeluta, com poucos momentosde alegria. Q uando, porem, chegaraa 
final bem-aventuranga?E facil dizeracriatura:sefeliz!A alma, noentanto, 
perguntara: por que como equando?Compreendeste?" 



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27. Mathael FalaAcercadaAlmade Cirenius 

1. Cirenius, arregalando os olhos e agarrando o orador pela mao, 
vira-separaM im: "Senhor, quefilosofiaestranha! E nofundo, nao hao 
quecontrapor! Quedizes?" 

2. D igo Eu: "Porquetesurpreendes?N aotehaviaprevenido nao ser 
facil enfrenta-los? Prestai-lhes atencao que isto vosfaci litara a compreen- 
saodeM inhasProprias Palavras." 

3. NovamenteCireniussevoltaparaM athael: "Acaso poderiaspro- 
var-me haver existido Deus antes dos corpos cosmicos que acabas de 
mencionaredosquaisnao possofazer ideia?Tuas palavras enchem meu 
coragaodeduvidas!" 

4. DizM athael: "FracohabitanteterrestrequeeslEmborajatenhas 
ouvido palavras sab i as, cheiasdeforca, vidaeverdade, teres presenciado 
oquepodeoVerboDivino,- naoteepossivelasamilarsuaprofundeza. 
Permanecesalgemado ao amor pela vidae parti ndo desteponto, impos- 
si'vel setomaencontraraverdadeira! 

5. Enchendo um pote de agua, nao descobriras os elementos nela 
contidos, mesmo que a movimentes Levando o mesmo pote ao fogo, 
em breve aparecerao os elementos de vapor, fazendo surgir pequenasbo- 
Ihasnasuperficie- eosespiritosainda contidos n'aguasereconhecerao, 
poisqueno liquido frio nao manifestavam vida, julgando-seunidosao 
mesmo. A agua, porsuavez, percebe, ao ferver, quemantinha elementos 
de poder e forga, os quais nunca teria descoberto em sua calma fria. 

6. Tua vida por ora tambem e ainda pura, contudo fria e calma 
dentro deteu corpo. Poderasmovimenta-lo avontadesem que por isto 
reconhecastua forga espi ritual; pelo contrario, quanta maisfor agitado, 
fato comum entre criaturas mundanas, tanto menor a possibilidade da 
agua vital reconhecerasi easeu proximo, poi s pel a agi tagao da su pert f ci e 
so sevislumbrarao caricaturas. 

7. Se teu pote com tal agua for colocado sobre o fogo do amor, da 
maior humildade, dor esofrimento, logo comecara a ferver, com queas 



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tendencias libertassereconhecerao, como tambem sai estado primitivo 
defriezaeinercia,- istoe,aalmasensualdentrodocorpofragil- produ- 
zindo neste estado milharesdebolhas, qual olhinhosespertosqueobser- 
vam eas5imilam oselementossurgidos, nao maiscomo portadoresda 
inercia. pote, meu amigo, nao sera considerado pelos elementos de 
luz, masaceito apenascomo involucre externo quemereceser jogado no 
monturo. Compreendeso quequero dizer?' 

8. Responde Cirenus "Penso que sim, isto e, no que se refere a 
aplicagaodanossavidapsiquica. Fogeao meu entendimento, noentan- 
to, o sentido mais profundo. Quererias apontar com isto a Existencia 
D ivina antes da C riagao?" D iz M athael: "Certamente; por ora, todavia, 
naooassimilas!" 



28. M athael FalaSobre Deus 

1. (M athael): "Ve, aquilo que defines como Deus, eu chamo de 
Agua Viva, mas que nao reconhece sua propria vida. Quando for levada 
aferver pelachama poderosado Amor, - em si o Centra da D ivindade- 
o Espirito Vital Se elevara acima da Agua que aprisionava anterior- 
mente, - enisto veraso Espirito Divino pairarsobreasaguas, conforme 
fala M oyses. conhecimento proprio edaaguafazcom queo Espirito 
reconhegaqueforadesdeetemidadesidentificado com aAgua.Tal co- 
nhecimento eterno esemelhanteao "Quesefaga Luz!" 

2. Tao logo teu proprio espirito paire acima de tua agua vital em 
ebulicao, - comecarasaconheceratuaeaVidadeDeusdentrodeti. 

3. Todo ser teveum inicio, do contrario nao teria surgido. Seuma 
existencia conhecedora de a, de sua forca consciente e de tudo que a 
rodeia nao tivesse tido um comeco peculiar, tambem nao se poderia 
manifestar. mesmo se da conosco: vivemos por nossa existencia ter 
tido principio. 

4. Contudo ja existiamos antes desta vida, como os vapores nao 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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surgidosdentrodaaguafriaecalma D omesmomodo, a maxima poten- 
cia da Vida de D eus continha uma dupla existencia: primeiro, muda e 
apenas de consdencia propria; segundo, derivada do inicio interno de 
atividade, livreeperfeitamenteconsciente 

5. A expressao de M oyses: "N o principio criou D eusCeu eTerra, e 
a Terra era vazia, deserta e havia trevas em suas profundezas!", aponta 
veladamentecomo a Eterna Potencia Vital deD euscomegou adescobrir 
eanalisaroSeu Ser. Ceu representaaSabedoriaconscientedeSeu Eu; 
no centra chamejante de Sen Amor, no que se entende a Terra, ainda 
permanecia a treva e o vacuo, portanto sem nocao mais profunda do 
Proprio Ser. 

6. Tal centra foi-se aquecendo mais e mais, a medida da pressao 
produzida pel asmassasdo externo conhecimento proprio. Em sua maxi- 
ma incandescencia o centra fez surgir o vapor (o espirito) da Agua V ital, 
quepairava livrementesobreasaguasdesua preexistencia mudaeserena, 
compenetrando-SedeSua Propria I ndividualidade. Essa nocao ea Luz 
criada porDeusparaaextincao das trevas So entao DeusSemanifestou 
como Verbo eo pronunciamento do "Q ueassim seja!" externa uma von- 
tade plenamente consciente, - um Ser no Ser, uma Palavra no Verbo, 
tudo noTodolEiso inicio da FontePrimariadaVidaconsciente, surgida 
pelaVontade Uberrima. - Estasdepreendendoalgodoquetedigo?' 



29. ClRENIUSE M ATHAEL DlSCUTEM 

1. D iz C irenius: "0 h, sim; e isto em consequencia duma ducidagao 
semelhante recebida durante esta noitea respeito da G enesis N ao duvido 
daveracidadedetudo isto; noentanto, naoqueroenao posso meaprofundar 
num tema quando setorna por demais diffcil. Em todo caso, mantenho 
minhapropostanosentidodezdarpelovosso future N aovosfaltaraopor- 
tunidadepara penetrardesnaverdadeiraSabedoria, - em bora conf esse que 
tal empreendimento seja mais prejudicial quesalutar. 



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2. bservai-vosedizei-mesetudo quesabesvostrouxefdicidade! Pen- 
so queo homem maisfdiz sqa aqudequesededica ao amor a D eus, cum- 
prindo Sais M andamentos Se D eus Ihe der Sabedoria, como a Salomon, 
deveraacdta-laeddadisporcom alegria. Sehadetrazer-lheainfdicidade, 
preferred etodaequalquertolice, pdaqual ocoracaosealegre 

3. J a me apoderd do conhecimento da vida eterna e do caminho 
paraconsegui-la;quemaishaveriadequerer?!Acdtai meu pontodevista 
quesereisfdizesnaTerra, poiscom vossaslucubracoescientificas jamais 
senti res o valor e a ventura deserdeshomens. Naoe a sabedoria que nos 
proporciona vida, e sim o amor; permanecamos no amor, que nao nos 
faltarasensacaodevida. Eis minha ciencia e afirmo ser mais util aexis- 
tencia humana que vossa sabedoria tao profunda." 

4. DizMathad:"Porcerto. Enquantoaaguanopotenaochegaao 
fogo, seu estado perdura calmo esereno. Tudo semodifica no momento 
da aproximagao do fogo, o quetera deacontecer algum dia. 

5. N ao te devem faltar os mdos para teu ideal, sejas marechal de 
campoou Salvador. Pretendesalcancar a vida eterna sem, contudo, dese- 
jaresanalisa-laereconhece-la. Quefaras?Semequisessecasarefugissea 
todo contato com o sexo oposto, nao sd como realizaria meu projeto. 

6. Teu programa vital seconcretiza na vida eterna, erecdas urn pe- 
queno esforco em estudar ate mesmo tua vida terrena e indagar suas 
bases primitivas! Caro amigo, se a vida eterna apenas dependesse dum 
gesto deDeus, como setu medessesum pedaco depao, teu principio 
seriamaisvantajoso; acontece, porem, dadependerunicamentedenos- 
so esforgo! 

7.Temosdeagirepassarcom nossaagua vital pdadoespirito,epdo 
fogo, atravesde nossa vida dededicagao ao proximo; so entao comecara 
a ferver a agua no fogo do profundo amor para com D eus, com o seme- 
Ihantee, finalmente, para conosco mesmos, quando percebermos que, 
dentro de nos, existe uma forga inquebrantavd, surgida apenas em tal 
momento - usaremos de todos os mdos para conserva-la eternamente. 

8. Paraestefim naoepossivd levar-seumavidacomoda, semdhan- 
te ao dolce far niente, mas sim, trabalhar, lutar e pesquisar sem tregua. 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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Somentequando setenha conseguido uma plena vitoria sobrea vida de 
inerdaeinconsdencia, poder-se-adizerumapalavrinhadefdicidade. 

9. Asisemelhas-teaumacriaturaaindaadormecidaaoamanhecer, que 
os amigos de ha muito tentam despertar, mas que os recebe um tanto 
aborrecida; quando tiveres despertado completamente, aposalgum esfor- 
go, compenetrar-te-as do beneficio e da alegria, alcancados por uma vida 
iluminadaelivre SoassimcompreenderasquenossaSabedoriaejusta!" 



30.JesusAdverte Cirenius 

1. Diz Cirenius "Senhor e Mestre, que me dizes? Baseiam-se os 
conheci mentos de M athael na verdade?" 

2. D igo Eu: "N ao te falei ha pouco que deverias ouvi-lo? Se nao 
falasseaverdadenaooteriarecomendado. Continuaprestando-lheaten- 
cao; usa uma linguagem forte, mas sinceraevosdaraoutrasprovasmais, 
poi sate agora falou apenasem entrelinhas." 

3. D iz C irenius: "Agradego de antemao! Por ora nos classifica de 
"pobresdiabos"; entretanto, afirmasqueseexpressou vdadamente! Aca- 
so nao e louvavd querer eu cuidar deseu futuro? N em maistenho vonta- 
de de ouvi-lo; sua opiniao referente a vida pode estar certa, mas nao e 
aplicavd a nossa, terrena. 

4. s patri areas e profetas bem se poderiam ter dedicado as coisas 
espirituais, poistinham quern tratassedesuasnecessidadesfisicasedei- 
xasse de lado a imortalidade da alma. Recebiam apenas leis que deviam 
ser consideradas, sem jamais descobrir a razao daquilo tudo. 

5. Setal nogao serve para tantos, com ou sem expectativadumavida 
espi ritual, nao sei porque nao se presta para nos?! N este caso deveria 
surgir a seguinte pergunta nos coracoes com verdadeiro amor ao proxi- 
mo: Q uem indenizara aos muitos milhoes de pobres diabos que, nao 
obstante cumpri rem asleismorais, seraocondenadosamorteeterna?Se 
forem obra do acaso, tal enano tera boa base; se, porem todas as pessoas 



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sao criaturas de um Dais sabio e justo, deve haver um caminho mais 
pratico para alcancar a vida eterna. N ao existindo outro, a vida e a coisa 
maisdesprezivel queoraciociniohumanopossaconceber. Seavidaimortal 
epremioapenasparaaquelequeaconsigapeloesforgodeoutros,- nao 
exijo uma fagulha da mesrna, preferindo a morte eterna! 

6. Tua Doutrina, Senhor e M estre, e-me agradavel e valiosa, pois 
contem um poderoso auxilio para minha fraqueza. De acordo com 
M athael, so posso recorrer a mim mesmo, poisseria meu proprio doador 
eDeusnao interviria. Apenasobservariao esforgo dum pobrediabo em 
salvar-se das garras da morte, para galgar a vida eterna por caminhos 
espi nhosos, escarpados e cheios de serpentes! 

7. Nao, nao!lstonaopodeser!Soistoloscomtal doutrina da vida 
imutavel! Imaginando, porem, sejao Doador da Vida comoTu, que no- 
la poderia restituir ja naTerra, farei tudo afim dealcanca-la. Assim fala 
C irenius, Vice-rei da Asia, Africa e grande parteda G recia!" 

8. Digo Eu: "Amigo, desta vez te excedeste numa discussao oca. 
Sabesdaorigem destescincofariseus. Purifiquei-oscompletamente, in- 
cendiando-lhes a verdadeira Luz da Vida, obstruindo o caminho pelo 
qual seushospedesindesejaveisospoderiam perturbar. D istinguem deste 
modo os mais tenues fios do Espirito em sua origem, transmitindo a 
todos o que, em epocas remotas, so era dado a poucos; como podes te 
aborrecer por isto?! 

9. Dizem o mesmo queEu, apenasde modo mais realistico. Reco- 
n hece o valor verdadei ro de suas pal avras e tenta senti r-te magoado, se te 
for possi'vel. Como o assunto seteafigura inoportuno nao agesdentro da 
justiga. D eixa que M athael prossigaeverasseoquedize pratico ou nao, 
ou contra M inha Doutrina." 



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31. Mathael Expoe o Caminho que Conduz A 

VlDA ETERNA 

1. Diz Cirenius: "Pois bem, veremos! Farei um implacavel juiz! - 
D ize-me, M athael, seosassuntosvitaissao real menteo que afirmas, qual 
asituacaodosquenuncaouviram tal coisaeadosoutros, queem epocas 
vindourastao pouco terao conhecimento a respeito?" 

2. Responde M athael: "M uito boa, poistodos receberam e recebe- 
raoumadoutrinaprestavel paraativarafantasiadaalma. Nessaimagina- 
gao ela se fundamenta e vive uma vida de sonho, talvez por milenios. 
C ontudo, ainda nao se trata da verdadeira vida eterna; tais almas, quan- 
do desejam nela ingressar, passam no mundo dos espiritos por provas e 
lutaspioresasquemencionei ha pouco. 

3. Quern trilhartal caminho em vida, alcancarao destino desejado 
por um esforco mais poderoso ecom sabio rigor, o que, na melhor das 
hipoteses, ser-lhe-ia possivel fazer apenas no espaco de seculos, caso a 
almacontinuassenum estado desonolencia. E isto, setudo correbem; 
poderausufruiragoesdevidasdefantagasdespreziveis, sem queconsiga 
nogao dealgo real everdadeiro alem desi propria. Entretanto, asexperi- 
enciasdolorosasenana-la-aoserelarodeadaporinimigos, contra osquais 
nao tern defesa, poisnaoosveem suacegueira. 

4. U m fisicamentecego, porem, semprevislumbraalgumacoisa pela 
fantasia desua alma; apenas asformas nao tern consistencia, bem comoa 
luz, para ele, nao existe ra vetudo nitidamente, ora meio embagado e, 
asvezes, sua visao seapagademodo completo. 

5. Pelo mesmo estado uma alma passa em seu total isolamento: ora 
ve, ora esta em trevas. M as tao pouco luz e treva Ihe sao algo real, mas 
apenasum reflexotemporariodaquiloqueelaassimilasem conscienciae 
vontade, qual gotadeorvalho espelhao Sol. A gota, embora iluminada, 
nao tern consciencia da luz que reflete 

6. que ora digo, em nome de meus quatro companheiros, faz 
parte da experiencia que tivemos atraves de grandes sofri mentos esepara 



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avidaaparentedareal, independenteeverdadeira. 

7. Tens a liberdadedeescolha entreuma existencia sofredora, alge- 
madaeaVidaLiberrimadeDeus;tudodependedetuavontade. E como 
te digo e nem D ais podera te apresentar outras condicoes. 

8. D igo mais: minha alma, que agora penetra numa visao cada vez 
mais apurada, ve e reconhece por si mesmo, o Salvador que a libertou 
dumaquantidadedeinimigosinvisi'veisdavidamaiselevadaeindepen- 
dentepelaOnipotenciadeSuaVidaDivina;NeleSeconcretizamaisque 
a C riacao visivel do C osmos. 

9. Ele, detodaa Eternidade, o ponto central conscientedetodo Ser 
e Vida, quer consolida-La com a vida das criaturas; consegui-lo-a, po- 
rem, apenaspor uma renuncia inaudita. D eixara essa Sua Existencia para 
ingressarnaGI6riaEternadetodaVida,paraSi etodososseres. Soentao 
tudo tomara outro rumo, recebendo uma nova ordem interna; contudo 
perdurara a sentenga: cada urn tomeo fardo desua miseria externa sobre 
seusombroseMesiga!- Compreendes?' 

10. RespondeCirenius, ainda urn pouco mal-humorado: "Sim, e 
nao posso deixar de confessar que falaste a verdade, nao obstante tais 
condigoes de vida nao sejam agradaveis de se ouvir." 



32. A Unidade da Vida Eterna 

1. Diz M athael: "N ao resta duvida soarem taiscondigoes nao tao 
agradaveis como as fabulas duma fantasia primaveril, nas quais a vida 
humanaflutuacomo ospassarosou borboletas, queoscilam deflorem 
floresaboreiam odoceorvalhodaspetalas. Porestemotivotal existencia 
deprazer epassageira e inconsciente. C onsidera a duracao da vida huma- 
na: aos setenta, oitenta e noventa anos, o fisico setorna fraco e pesado, 
bastando uma pequena molestia para Ihetrazer o fim. 

2. Pergunto: que sera depois? Quern poderiaresponder-teaocerto, 
caso nao tivesses empregado todo o esforco para que teu proprio ser te 



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informasse previamente? Se esta santa resposta sefaz ouvir em tai inti- 
mo, nao necessitastemeravidadealem-tumulo! 

3. Eisporquenaoconvemdeixarparada, sua agua vital numafrescura 
agradavel, massim, aproxima-la do fogo para queferva esuba em vapores 
poderosos, transformando-senuma nova vida. Nao obstante mi nhas pal a- 
vrastesoem desagradaveis, sao a verdade plena, pelaqual, unicamente, a 
criaturachegara a verdade absoluta, portadoradaVida Eternal" 

4. DizCirenius, maisconformado: "Tensrazao, M athael; reconheco 
que estas de posse do Verbo e nada ha que contrapor. Apenas seria de se 
desejarquetuadoutrinasobrea vida fosse sintetizadanum sistema, pelo 
qual sepudesseinstruir osfilhosa conseguir, nestecaminho, com maior 
facilidade, o que para o homem setorna urn complicado problema." 

5. DizM athael: "Teudesejojafoi realizadoem parte eaindamai so 
sera no futuro, pois o Grande Salvador determinou as providencias ne- 
cessarias. Noscincojaconhecemosessetrajeto; noentanto, seria dificil 
sistematiza-lo. Parahomenscomotu,talveznossejalicitodemonstra-lo, 
poisumavez no caminho daverdadenao haveracoisaquenao sefaga. A 
vidaverdadeiramentelivreeumaso, em Deus, noanjoou no homem. 

6. Todavia existem grandes modalidades, pois uma que ha pouco se 
tenha tornado consciente nao etao poderosa como aquela, quedetoda 
Eternidadesereconheceu econsolidou em plenitude. Tal vidaeo Senhor 
do Infinito - etodososcorposcosmicosdependem deSeu Poder, bem 
como tudo que produzem. 

7. Para nosnao seria possfvel alcangar essa meta; no entanto, conse- 
guiremos, na uniao com tal Vida, fazer por nos o que realiza a Vida 
EternadeDeus, porSi. Alem disto, existem certasforcasvitais, perfeitas, 
queseguem diretamenteasPotenciasDivinas. 

8.Acham-seelasmuitoacimadenossasforgas, porlivreseindepen- 
dentesqueastenhamos, esechamam anjosou mensageiros. Sao repre- 
sentantesisoladosdaOnipotenciadeDeus; todavia, e-nos possfvel imita- 
lospelauniaocomoPai. 

9. N ao terasdepassar por sofri mentoscomo o nosso, afim deentrar 
nessa posse, poisasalmasdaTerratem maioresvantagens, porserelasua 



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patria, que as outras provindas de mundos mais perfeitos. 

10. Foi estabdeddodeEtemidades, pdaNaturezalntrinsecadeDeus, 
queestepequeninoplanetadeverasetomaropalcodeSuaMisericordia, 
- e todo o Infinite tera de se sujdtar a essa nova ordem, caso qudra 
compartilhardaBem-aventurangaEternadeSuaVidaUnificadalAssim, 
epreciso ser resignado, custeo quecustar! 

11. Realmente, se nosso sofrer nao tivessetermino - nocao que nos 
veopoucoapouco- amorteplenaseriamasdesejavd aumavidacruciante 
mesmocornaexpectativadefdicidadeeternaAfinalizagaodenossosupli- 
cio deu-se pdo grande Salvador da H umanidade, precisamente antes do 
tempo apontado. Isso nosalegrasobremandra, poisreconhecemosqueo 
G rande Espi rito de D eus determi nou este orbe nao so para palco de Sua 
M isericordia, mas para a condenagao do orgulho, opulenciaeoposicao a 
tudo que seja espi ritual mentepuro, bom everdaddro. 



33. Profeciade Mathael 

1. (M athad): "Amigo, ascoisaspioraraonaTerradetal forma queo 
proprio diabo nao seanimara em visitar associedades humanas; entre- 
tanto, havera pessoasquefisicamentecegasesurdasverao eouvirao mais 
que nos, atualmente Acumularao os vapores contidos n'agua, utilizan- 
do-os para trabalhos pesados; por este mdo farao ate radar carros de ago 
como se fossem flechas. M unidos da forga da agua os proprios navios 
navegarao qual ciclones, enfrentando astempestades. Somente rochas e 
bancos de area continuarao perigosos as embarcagoes 

2. Pouco depois, porem, a vida humana passara por grandes vicissi- 
tudes: o solo setomaraesteril, surgirao apenascarestia, guerrasefome; a 
luzdaFenaVerdadeEternaseapagara, ofogodoAmorseextinguira, - 
eentao sedara o ultimo julgamento defogo sobreaTerra! 

3. Fdizesaqudesquenaotiverem gasto sua forga vital apenasparao 
I ucro material, poisquando vier essa grande prova do C eu nadasofrerao, 



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protegidos que sao por tal potencia. So ai a verdadeira paz da vida e a 
rdem deDeussedarao para sen pre as maos, nao maishavendodiver- 
gencia e atrito entre aqueles que habitem a Terra, em companhia dos 
anjos Sebem quenaooassistiremoscom nossofisicofragil equebranta- 
do, nossas almas testemunharao tudo queacabo detefalar. 

4. Por mim nao teria falado; sinto, porem, uma ansia para tanto no 
coragao de minha alma que, por certo, tern sua causa N aquele que nos 
curou! Acaso mecompreendesmelhor?" 

5. DizCirenius:"Oh,estamosdecomumacordo, poisfizumacon- 
quistadeinestimavel valorem vossoconvivio. Ficaestabelecido: cuidarei 
devossasnecesadades material s, recebendo em trocavossosensinamentos 
preciosos. N ao deixa de ser uma troca desequilibrada, mas quern seria 
culpado disto? Estarassatisfeito?' 

6. D iz M athael : "C omo nao? Estamos contentes de poder ser uteis, 
pois nunca se deve desvalorizar uma dadiva material quando originada 
no Bern ena Verdade doador eo move! desua acao dao a mesma urn 
valor decunhoespiritual.Onde ha reciprocidade defavores entre o espi- 
rito ea materia, tudo setomaespiritual, podendo-seaguardarem pleni- 
tude a GracaDivina. 

7. Por isto nao tepreocupessetua dadiva material nao corresponda a 
nossa, poiso espirito esenhor sobrea materia. Esta nada maise no fundo, 
queum espiritojulgado ealgemado, tendo deobedecercegamenteao Es- 
piritoLivredeDeus, decujaO nipotencia Infinita surge todojulgamento, 
poissomentea Eleepossivd revivifica-lacomo equando quiser!" 

8. Exclama Cirenius: "Estupendo! Por nenhum reino desta Terra 
permitirei que vos afasteis! Ao Senhor todo amor e honra por Se ter 
apiedado devos, proporcionando-meesteconvivio; sem Eleestariamos 
todosperdidos!" 

9. Concluem os cinco: "Amem, Ele merece todo louvor, amor e 
honra, nao so da Terra, mas de todo Infinito! E Ele quern transforma 
tudo que crioulSeu Nomesejasantificado!" 



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34. OsCuradosDesejam Que Se LhesAponteJesus 

1. Prossegue M athad, sozinho: "Eleesta em nosso meio; existem, 
no entanto, dois que muito se assemelham, de sorte que e dificil aos 
sentidosdeterminarqualsejaoVerdadeiro. Pensoseroque, pordiversas 
vezes,falou aCirenius, mastambem epossivel serooutro, poisambosos 
semblantes irradiam alto grau de Sabedoria! Este ja se fez ouvir e sua 
palavrafoi imponente, sabiaesevera, - portanto, poder-se-iaadmitirque 
um homem intelectual seexternassedetal forma. segundoaindanada 
disse, talvez por nao desejar ser reconhecido. Q uem, pois, teria coragem 
de se dirigir a esse?' (Trata-se de Jacob, o grande, que, como se sabe, 
parecia-se muito Comigo eateusavavestimenta igual). 

2. A instanciasdeM athael osquatroamigosselevantam pararesolver 
quern sedeveria dirigir ao calado. N inguem, porem, seanima; por isto, 
M athael seviraparaCireniuseindaga-lheem surdinaqual denosdois 
seria o Salvador, pois nao deseja render honras a quern nao as mereca. 

3. D izCirenius: "Pororanao recebi ordem nestesentido; alias, pou- 
cadiferencafara, porquantoElesoveocoragaodapessoa. E osvossosja 
seacham bem equilibrados; quandofordeSuaVontade, apresentar-Se-a. 
Todavia, nao duvido queantesdisso, vossa perspicacia vosdesvendequem 
seja o Verdadeiro e Poderoso." 

4. Conformados, os cinco judeus comecam a observar a zona que 
desconhecem, poissabem apenas que seacham no M arGalileu. Informa 
C irenius, prestimoso: "Estamosperto deCesarea Philippi eem terras do 
velho guerreiro romano, M arcus, quevosserviu pao, sal evinho. Como 
nao estaveis, naquela hora, bem conscientes, nao pudestes percebe-lo." 

5. D iz M athael: "Tens razao; so agora o mundo exterior esta-setor- 
nando mais alegre e agradavel, o que antes nao era possfvel. A verdade, 
meu amigo, sem pre sera verdade! mundo, porem, einconstantecomo 
os homens, indignos de inteira confianga; hoje ainda tens um amigo, 
amanha, como Ihetransmitiram umacaluniaqualquer, deixaradese-lo, 
tomando-seteujuizinclementelO senhor, porem, sabera organ izartudo 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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em beneficio da H umanidade." 



35. Jesus, o Heroi, em Combate Contra a Morte 

1. D izum outro, doscinco: "Sim, irmao, nistosebaseiatodaanossa 
esperanca! E I etera deenf rentar Pessoal mentea I uta contra o poder da morte, 
mas nao se podeter duvida quanta a vitaria certa! Conheceos I i mites da 
morte esabe que sua unica potencia nada maisequeuma ansia pela vida, 
emboraalgemada, eesteunico poder nao pode I utar contra, massim, para 
Eleecom Ele,afimdenaoseaniquilarcompletamente! 

2. Sendo EleProprioaVidacombatente, permaneceranasuprema- 
cia contra todo poder mortal, porquanto a morte plena nao possui forca: 
perdura como pedra muda na mao poderosa do atirador. 

3. Se existe morte no corpo fisico do homem e ela, contudo, uma 
vida, emboraem grau muito infimo.Tal vida aparente nao lutara contra 
averdadeira, afimdeaniquilar-seasi propria, masa ela seprendera para 
combater as supostasforcasda morte, tal como urn fisico muito enfermo 
se agarra com avidez a taga da saude, para prorrogar sua existencia e no 
final ser absorvida pela propria vida. 

4. U ma vez que a V ida se tenha concentrado, como fez por nos o 
ainda desconhecido Salvador, ter-se-a tornado divina enao havera poder 
capaz de vence-la, poiscomporta a nipotencia! 

5. Sabemoso quesejam aTerra, o Sol, a Lua etodasasestrelas Tais 
imensoscorposcosmicosdedescomunaisdimensoessao, materialmente 
falando, inertes. A nipotencia deDeus, noentanto, impulsiona-osem 
movimentagaodi versa. 

6. Q uepoderao fazer contra essa constanteforga da Uberrima Vida 
D ivina? N ada! Q ual poeira tocada pela tempestade sao eles compelidos 
em orbitas imensas, sem poder de reacao. Eis por que Ele vencera - e, 
realmente, javenceu de ha muito! Paradaroportunidadeascriaturasde 
compartilharem na vitaria da Vida contra a morte, sera travada uma 



Jakob Lorber 

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novae ultima luta. 

7. Assim, vejo gravadossobretodo I nfinito osseguintesdizeres, numa 
luminosidadeeterna: "Ele, a Propria Vida Eterna, venceu parasemprea 
morte com as armas da morte, pois era preciso que esta vencesse a si 
mesmapara libertaraVida, por Ele, o Guerreiro deEternidade! Por isto, 
Salve, TuGrandeU no!" 

8.Taispalavrascomovem ospresentesdesorte que sej ogam aM eus 
Pes, acompanhando asexclamacoesouvidas! So entao, oscinco M ereco- 
nhecem eM athael, banhado em lagrimasdiz, profundamenteenterneci- 
do: "Tu !Tu es o G rande Eterno! Q uesensagao para nos, mortos, vermos 
oUnicoVivo!" Em seguidasecala, contrito. 



36. A Verdadeira AdoracAo a Deus 

1. D igo Eu aos prostrados: "Levantai-vos, amigos e irmaos! Vossa 
veneracao ejusta, poisedirigida Aquelequeestaem M im, - o Santo Pai 
deEternidade! Estando Elesempreem Mim, como Eu evostambem 
estamos N ele, deverieis permanecer constantemente a M eus Pes, o que 
por certo, nao seria agradavel, nem para M im nem para vos Basta que 
para sempre M ecreiaiseameiscomo vosso melhor amigo e irmao, agin- 
do deacordo com M eu Verbo. 

quepassa disto nao tern valor, porquanto nao vim aomundo para 
queM etributasseisumaveneragao beataedeifica, como sefora M ercu- 
rioou Apollo, - mas para curartodos os doentes de corpo e alma, mos- 
trando o caminho certo a Vida Eterna! Apenas isto; o resto einutil, tolo 
eidolatrico. 

2. Verdade e que a criatura deva adorar a Deus, seu Criador, sem 
cessar, poisDeuseSantoemereceservenerado. Deus, porem, eEspirito 
esopodeseradoradoem Espiri toe Verdade. Isto querdizer que sedeve 
sempre crer no Deus Verdadeira, ama-Lo acima detudo ecumprir Seus 
faceisM andamentos. Quern assim agirora, nao so incessantemente, mas 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

69 

tambem em Espirito e Verdade, pois sem a devida agao toda prece de 
labiosesimplesmentira, com queDeusedesonrado. 

3. Levantai-vos como criaturas livres, M eus irmaos e amigos! N ao 
M eidolatreisnem denuncieisao mundo antes do tempo, pois redunda- 
riaem prejuizo, ao invesdebeneficio." 

4.Todosseerguem eM athael tomaapalavra: "Realmente, so D eus, 
demaximaSabedoriaeAmor, podeassimfalar. Comosemodificoumeu 
mododepensaresentir!- Senhoratendemeu pedido: jamais permitas 
que nossas almas passem por provagao como esta, da qual Teu Amor, 
MisericordiaeOnipotencianossalvaram!" 

5. Respondo: "Permanecei em M im atraves do cumprimento de 
M eu Verbo, que M eu Poder e Amor estarao em vos, protegendo-vos 
contra qualquer tentacao. 

6. M eus discipulos anotaram o bastante para tal fim; lede-o, 
compreendei e agi de acordo, - eis quanta necessitais antes de M in ha 
Elevacao!"- Oscincojudeusseacomodam. 

7. Eu, porem, viro-M eparaCirenius: "Amigo, com estesnossa tare- 
fa esta concluida; veremos em que consiste a culpa dos outros contra as 
leisdeRoma. Prepara-te, - suaquestao naoefacil!" 



37. ponderagoesdejuliusquanto ao 
Interrogatorio dosOutrosCriminosos 

1. IndagaCirenius "Quesedevefazercom estescinco, quasedes- 
nudos?Temos algumas pegas de roupas de pessoas graduadas; portanto, 
nao Ihespoderei oferecer. Dar-lhesindumentariadeservosromanosseria 
reduzi-los, em virtudedesua cultura espiritual. Quefazer?' 

2. DigoEu:"Umaroupanaotemoutrafinalidadequeadecobriro 
corpo, tanto depompa como deservical. C ontudo, prefiro a ultima pois 
com a outra seriam alvo do riso do mundo, o que nao merecem por ja 
serem bons, conquanto dificilmente no mundo alguem possa ser bom! 



Jakob Lorber 

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Como tempo aindateraodesuportaroescarniopor causa deMeuNome; 
assim, nao quero que o suportem por causa do mundo." 

3. Atencioso, Cireniusmandadistribuirasmelhoresroupasdeser- 
vigaisentreoscincojudeus. El esse extern am com gratidao, poisafirmam 
que Eu haveria de recompensa-lo. Em seguida retiram-se a fim de se 
vestirem. Quando devolta, todos nos dirigimos aos detentos polfticos, 
ansiosos por nossa presenga. 

4. Em la chegando, jogam-se por terra, pedindo perdao.Trata-sede 
oito implicados, porquanto os demais haviam sido casualmente presos 
em suacompanhia. Digo Eu a Julius: "Amigo, cabeati interroga-lose 
chama-losa responsabilidade." 

5. Aflito, este responde: "Senhor, embora tais assuntos nunca me 
houvessem causado doresdecabega, estemedeixa urn tanto perturbado: 
TuaPresenga, adum anjo, deCirenius, deTeusbonsdiscipulos, dasabia 
Yarah, - edoscincolAinda assim devo interrogaroscriminosos?0 pior 
detudo equenem sei o motivo deseu aprisionamento. Sao apenas men- 
saga rosdoTemplo,incumbidosdadisseminagabdecaluniascontra Roma. 
C omo obriga-los a confessar, se nao existe testemunha?" 

6. Intervem M athael: "Isto e de menos, pois somos testemunhas 
reaisaseu favor. Vimosquelhesfoi impostatal incumbenciasobriscode 
beberem a agua maldita; isto sedeu quando fomosenvi ados, simultane- 
amente, para a conversao dossamaritanos. Sao tao inocentesquanto nos 
Podes interroga-los sem tern er nossa "alta sabedori a". 



38. Interrogators 

1. Aliviado com as palavras de M athael, Julius se volta e diz aos 
prostrados: "Erguei-vos sem susto. H omens como vos devem ter cora- 
gem deenfrentar atea morte. N 6s, romanos, nao somos tigres nem leo- 
pardos, masumacoisaecerta: nao hacrimemaiscondenavel quea men- 
tira! Castigamos o falso testemunho com a morte! Por isto, dizei-me a 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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verdade, que eu, como vosso juiz designado por Dais, tratarei de vos 
salvar. Levantai-vos!" 

2. Elesobedecem com dificuldade, poisestao aindaalgemados Eis 
quedigo, em romano, ajulius: "Soltai-os, primeiro; a linguadum aprisi- 
onado tarn bem epresa." Assim fazendo, Julius indagadosdoze: "Q uem 
sois?Ondenascestes7' 

3. Respondeum, em nomedetodos: "Senhor, nao temosdocu- 
mentos Se quiserdes dar credito as minhas palavras: somos templarios 
amaldigoadosdevido a beatitudetoladenossospaisenascemosem Jeru- 
salem. A Lei de M oyses em relacao aos filhos deveria passar por uma 
reforma, istoe, evitarquefossem sujeitosaobedienciapaterna, umavez 
quetivessem alcancado urn raciocinio proprio no convivio com pessoas 
esclarecidas A infelicidadedemuitosderivado orgulho tolo dospais. 

4. Em virtudedetermoscumprido tal Lei, aqual, porcerto, o pro- 
fetanaorecebeudeDeus,- enfrentamos-tecomocriminososjuizquees 
sobrevida e morte! Belo resultado da cega obediencia aos gen i tores! Se 
falarmos com sinceridade das nossas acoes maldosas, nao havera Deus 
que nos salve de vossas lei s!" 

5. Diz Julius: "Amigos, isto nao faz parte do interrogatorio! Basta 
querespondais!" 

6. Intervem Suetal, o orador do grupo: "Nobre senhor, numjulga- 
mento mortal tudo participa. N ao podemos negar nossa culpa contra 
Roma e nao a poderas ignorar. C omo os romanos, com toda severidade, 
sao mais humanos que os senhores do Templo, a cujo assobio ate D eus 
obedece, - pretendemos nao so confessar nosso deli to, mas si m, esclare- 
cer-voso movel desuaconsumagao. Desdequetrocamosaaguamaldita 
pelaordem derebeliao contra Roma, tomamo-nosunspobresdiabos" 

7. Indagajulius: "Quederivoutamanhocastigo?" 

8. Diz Suetal: "A denunciadesermosamigosocultosdeRoma; para 
escaparadelagaodeclaramosservossosinimigos- nossosvelhostiveram 
de pagar a multa de varias centenas de libras de prata e mil bodes, dos 
quais, nacerta, nenhum foi pararnojordao, poisforam expedidos, como 
Jose, para o Egito, a fim deserem saboreados 



Jakob Lorber 

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9. Eisacausadenossodelito; setivessemostomadoaaguamaldita, de 
ha muito fariamos companhia a Abraham; como fomos perdoados pdo 
Templo, tal visita sera feita agora! Dentro em breveouviremostuasentenga 
- e o fruto prometido pda rigorosa observagao do 4. Q M andamento sera 
assim intitulado: "Q ue se prolonguem teusdiasna Terra!" Caso sejamos 
crucificados, pedimos-tequefagaspregaressesdizeresno madeira!" 

10. D izjulius, intimamentesorrindo: "Pelo quevejo, culpaisunica- 
menteo 4. s M andamento deM oyses; percebo, contudo, quenao querds 
ou poddsentende-lo. A Ld mandaquesehonreaosgenitores, mas, em 
absolute, queselhesobedegacomoaum soberano. Como homem de 
vastasexperiencias, deduzo queum justo amor a meuspais, ainda vivos, 
sejaaveneragaoprecisa, impostaporDeus 

11. Se, portanto, pais ignorantes exigem algo que possa acarretar 
prejuizo paraosfilhos, toma-sedever destes, expor-lheso resultado nega- 
tive com amor epaciencia. N ao desistindo deseu tolo rigor, o nao cum- 
primento poramorjusto, naoepecadodiantedeDeusedoshomens. 

12. Alem disto, deu M oyses uma explicagao quanta a obediencia 
filial na Constituigao Teocratica, onde apenas e aplicavd quando nao 
infringeaLei. Istojustificao M andamento deM oyses, - ea culpa consis- 
te na ignorancia de vossos genitores e na vossa incompreensao do mes- 
mo. u, entao, a culpa tambem podese basear em vossa estulticie, o que 
sera esclarecido em breve. Vossa explicagao humonstica demonstra pen- 
dor para chalagas de mau gosto, e desculpas desta ordem nunca sao por 
nosaedtas. Assim, tratai deapresentar outras, decunho verdaddro." 



39. Suetal Fala do Templo e do Salvador de Nazareth 

1. Estareprimendaddxaosouvintesperplexos, nao sabendo Suetal 
como reagir. Depoisdealgum tempo diz: "Tanto tu quanta eu estamos 
com razao! Se desde o berco enanas a crianga que dois e dois sao cinco, 
elate acred itara, tomando-sedificil tirar-lheesta nogao em adolescente. 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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Quern, ate hoje, teria nos explicado a Lei como tu? N ao deveriamos 
interpreta-lacomo nosfoi ensinada?N ossosvelhosnaoaentenderam de 
outramaneiraemesmooTemplonaoofezou quis Donde, portanto, 
buscarajustacompreensao?Alem disto nuncadeparamoscom osLivros 
deMoyses, comofuturostemplarios, poistal soepermitidoaosanciaos 
eescribas." 

2. Dizjulius: "D everia se supor que os servos do Templo entendes- 
sem sua religiao! Sempre considerei de suma importancia conhecer as 
diversasdoutrinas, porquantotraduzem aindoledum povo. Alem disto, 
ja nao sois adolescentes, mas homens, dos quais se espera que venham 
compreender sua seita como sacerdotes Q ueseensina nassinagogas?" 

3. RespondeSuetal:"Ensina- sealer, escrever econtar,di versos idio- 
maseum extrato da Escritura Sagrada, no qual seexige, rigorosamente, 
aceitaroqueoTemploimpoeedivulgacomoEmanagaoDivina. Assim, 
pergunto donde deveriamos tirar uma compreensao mais profunda. 
Contigotal naoseda, poisessoberanoepodesordenarquetedesven- 
dem ossegredostemplarios. reitorsabequeinvestigarastudoafundo 
eaquilo queo aguarda, caso descubrasalgo oculto; por isto te revel ara ate 
o Santissi mo, no qual apenas o Sumo Sacerdote pode penetrar - confor- 
me a crenga do povo - duas vezes por ano. Se urn dos nossos fizer tal 
exigencia enfrentara a agua maldita. 

4. Existe uma certa casta de servos que ja viu o Santissimo; e, no 
entanto, muito bem paga e, alem disto, ameagada com a morteem caso 
de traicao. Portanto, repito: donde deveriamos buscar a verdade sobre 
nossaDoutrinamistica?Pensoquecomojuizhumanofarasjulgamento 
justo sobre nossaquestao. Sabesem queconastem nossos crimes equal a 
culpaquenoscabe. Setiveresoutraacusacao, externa-te, quenossabere- 
mos defender!" 

5. Dizjulius, calmo: "Longedemim duvidar de vossas palavras, 
poisestoumaisqueconvictodequefalastesaverdadequantoao Templo; 
nestesentido o interrogatorio terminou evosdeclaro isentosde culpa. 

6. Existe outro ponto duvidoso, de cujo esclarecimento depende 
nossafuturaamizade! Naturalmentejavosfalaram acercadum certoje- 



Jakob Lorber 

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susdeN azareth, filho dum carpinteiro querealizagrandesmilagrescomo 
Salvador, divulgando, ao mesmo tempo, uma N ova Doutrina. D izei-me 
oquesabeissobreisto!" 

7. RespondeSuetal: "Realmente, ouvimosfalardelonge, sem preci- 
sarmos informes mais concludentes, porquanto nossa tarefa nos levou a 
outras zonas e so ha poucos dias chegamos aqui, onde nos prenderam. 
Sabemos apenas que sua fama se estende ate Damasco e Babi Ionia - e 
gostanamos de saber como consegue real izar os mi lagres. 

8. SeDeusexiste, nao epossivel assistir por maistempo asperversi- 
dadestemplarias, pois, deve-nos mandar urn Salvador! Afirmo-te: tudo 
que urn homem, em sua mais profunda depravacao, possa imaginar, e 
praticado entre as muralhas do Templo. V icios incontidos sao contami- 
nados a H umanidade dum modo tao cinico que nao podes conceber. 
N em quero fazer mencao a maisvil deturpagao das Leis D ivinas; inven- 
taram-secrueldadeshorrendas, com asquaisM oysesnuncasonhou! 

9. Assim sendo, deha muito necessitamosdum Redentor, nao para 
nos libertar dos romanos - pois sois nossos benfeitores, - mas dos dra- 
goesdo sinedrio. Poderia haver pensamento maisatrevido que o deter 
dado Deus, oOnipotente, aomaisnojentovermetodopoder, desorte 
que pudesse este agir contra a Propria D ivindade e Suas criaturas como 
bem o entendesse?! Extemamente ostenta a mesma face consoladora, 
como naepocade Salomon; no intimo nada mais e que urn verdadeiro 
inferno! Nadaadiantacomenta-lo; preferimosouvirdeti definigoesso- 
breo Salvador!" 



40. Por que os Acusados Vieram a Galilea 

1. D izjulius "0 que dizrespeito as traficancias do Templo nada de 
novo nos informais e a hora do castigo nao esta longe. Ate entao nao o 
chamamosa responsabilidadeem virtudeda cegueira do povo, queo con- 
sidera urn santuario. Q uando a maioria tiver mdhor nogao sera facil para 



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Romadestrui-lo. ParaestefimcontribuiraanovaeverdadeiraDoutrinado 
Salvador, poisedefacil compreensao para osde boa vontade. Se, porem, a 
indole das criaturasja estiver pervertida nao podera aceitar estes Ensina- 
mentos D ivinos; eis, entao chegado o momento para o uso da espada de 
Romaeo Braco deD eusali estara! - Agora, outracoisa: quaisosresultados 
de vossa rebel i ao contra o I m peri o e o que vos trouxe a G al i I ea?' 

2. RespondeSuetal:"Nossaagaoseconcretizanodisseminarastra- 
ficancias templarias e nesse empreendimento demos precisamente com 
umazonamui devota. Dentroem breve lamosserespionadose so nos 
restou fugir. C onseguimos isto noite fechada e apos alguns dias de mar- 
cha aqui chegamos. N ao levou tempo etravamos conhedmento com 
pessoasque, hipocritamente, queixavam-se do jugo romano. Devido a 
nossa incapacidade de percebe-lo, caimos na armadilha e fomos presos 
pelosesbirros Eistudo." 

3. Dizjulius "M antenho minhadedsao anterior, declarando-vosino- 
centes Quaissao vossos pianos atuais, ja que nao podeisvoltaraoTempIo?' 

4. DizSuetal: "Senhor, eis uma questao dificil! Da-nos tempo 
pararefletir." 

5. Vira-seM athael paraSuetal: "Dar-te-ei urn conselho, cujaaceita- 
gao revertera em teu beneficio." 

6. Indaga aquele: "Nao es urn dos nossos cinco companheiros?" 
M athael o afirma e continua o outro: "C omo podes entao nos aconse- 
Ihar, sefosteacorrentado como possesso?A bordo teportaste, ora como 
touro, ora como tigre! C omo teepossivel falar tao razoavelmente?Q uem 
tecurou?Ah,jasei!0 juizqueacabadenosabsolverfalouarespeitodum 
Salvador de N azareth. Sem o perceberes es uma prova, com teus cinco 
companheiros, da agao milagrosa daquele homem. Por certo esta aqui! 
Esclarece-nos, antesdeteu conselho a respeito de nosso futuro!" 



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41. Mathael Conta Seu Passado 

1. D izo interpdado: "Amigo, fomoscolegasno sinedrio, cumprimos 
o mesmodestino, sendo o vosso azonado Sul, eanossa, o Este Lacaimos 
nasmaosdehordasdiabolicasenos5ofisicofoi usado para sua morada. 
G rande Salvador, todavia, curou-nos atraves de Seu Verbo n i potente 

2.Acha-seEleemnossomeio,masaindaecedoparaO conhecerdes. 
A hora precisa para tanto Ele Proprio a determinara; assim sendo, qual- 
quer indagagao sera inutil. 

3. Soisfilhosdo mundo, maspodeisingressar naverdadeira Filiagao 
Divina, no que estes senhores de Roma vos auxiliarao. Isto porque o 
Vice-rei Cireniustambemseachaaqui. 

4. Laatrasseencontraum grupodetrintatemplarios, osquaisper- 
tencem a legiao estrangeira, como legitimos romanos. Fazei o mesmo, 
que vos salvareis, podendo viver fisicamente como tais e, pela indole, 
comojudeusverdadeiros. Compreendeis?' 

5. DizSuetal: "Sim, simlTeu conselho ebom; maso politeis- 
mo romano..." 

6. InterrompeM athael: "...emil vezesmelhorqueacrengatemplaria! 
D ize-me, qual seria o sacerdote, crente verdadeiro de D eus? Servem todos 
ao pecado e aos demonios De ha muito perderam a vida de sua alma; 
portanto, como poderiam demonstrar etransmitir sua i mortal idade?' 

7. A verdadeira vida deveser descoberta pela luta da mesma contra a 
morte, poisadquireem tal porfiaestabilidadecadavezmaisativa. Como, 
pois, poderia urn morto demonstrar-te a vida que jamais reconheceu, 
dentro desi?NoTemplo deha muito reina a morte definitiva; aqui, 
porem, aVida Eternal s romanos conseguirao seaperceber destaverda- 
de, enquanto o Templo permanecera nas trevas. Assim, que e melhor 
entre as duas alternativas?' 

8. Profundamenteadmirado com a eloquencia de M athael, Suetal 
vira-se para Julius, dizendo: "Nobresenhor, perdoaademorademinha 
resposta; as palavras de M athael nos tocaram o fundo da alma, de sorte 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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que nao podemosformar ideia precisa." 

9. Diz Julius: "Ouvi-o, pois! Sabe mais que eu, e melhor vos 
poderaaconselhar." 

10. Responde Suetal: "J a o fez - e depende de ti aceitar-nos na 
I egiao estrange ra." 

11. Dizjulius: "EstabemlContudo, vossoamigoecapazdeainda 
vostransmitirconhecimentosprofundos"- Afirmaooutro: "Sim, nao 
resta duvida; a origem deseu saber, porem, einexplicavel." 



42. Alma e Espirito 

1. DizMathael.queouviraasultimaspalavras'libertatuaalmade 
todososlagosmundanos,quecompreenderasfacilmentedequemaneira 
el a con segue al can gar a maxima sabedoria. Enquanto permanecer enco- 
berta pelo mofo mortal, isto e, o corpo, nao sera possivel se falar ou 
vislumbrar uma fagulha da Sabedoria D ivina. 

2. La, navossaf rente, vesum tronco. Seo usarescomo assento, nem 
em mil anos teras dado urn passo: apodreceras junto dele Tudo quee 
inertetem deserdestruido, afim depassar paraoutraesferadevida. Se, 
porem, tomares urn navio ete puseres ao leme, em breve alcancaras urn 
paisdesconhecido,ondeobterasnovosconhecimentosqueenriquecerao 
teu tesouro de experiencias. Enquanto te preocupares pelo fisico e por 
uma vida agradavel e confortavel permaneceras sentado no tronco; re- 
nunciando ao excesso de cuidado pelo corpo, preocupando-te unica- 
mente com a vida da alma e do espirito, embarcaras no navio da vida, 
para teu progresso. Compreendes?" 

3. D iz Suetal: "M as, alma e espirito nao sao identicos?' 

4. Responde Mathael: "Amigo, seaindaignorasqueem cadaalma 
resideum espirito vital, estaslongedecompreenderdondemevem este 
escasso conhecimento. Sera dificil falar-te, pois nao ouves nem ves de 
ouvidoseolhosabertos. 



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5. A alma e apenas um involucro da V ida de D eus, mas nao a V ida 
M esma; pois, se assim fosse, como poderia um profeta falar, tanto da 
obtencao da Vida como da morte eterna? A alma consegue a Bem- 
aventuranca, apenas no caminho da virtude espiritual; portanto, e so- 
mente involucro enunca, a Vida M esma. 

6. Existe uma fagulha no centra da alma, denominada Espirito de 
Deusou apropriaVida. Essafagulhatem deseralimentadacom oVerbo 
doPai. Destemodocresceetoma-semaispoderosadentrodaalma, nela 
penetrando completamente A alma, entao, transforma-se em espirito 
reconhecendo-se a fundo. 

7. Neste estado tambem e conhecedora da Sabedoria Verdadeira 
queealuzdo Espirito em seusolhos. Quando, porem, alguem indagao 
quee o espi rito, - como podera fazer penetrar sua luz nessa alma cega?!" 

8. DizSuetal: "Amigo, peco-tequesilenciesatequepossamosassi- 
milartua sabedoria. Paratantoeprecisoum grande preparo que por ora 
ainda nosfalta. Contudo desejamosnostomarteus disci pulos." 



43. A Respeito de Vida e M orte 

1. Diz M athad: "Uma boa esinceravontadeequasemeio caminho 
andado para a obra a realizar; devea criatura, porem, nao permanecer apenas 
naboa intencao, mas por maosaobra, do contrario o incentivo esfriacom o 
tempo, tornando-a incapaz para a realizacao dequalquer objetivo. 

2. Ve, enquanto a agua esta fervendo, pode-secozinhar variosfru- 
tos, transformando-os em bom alimento; nadafeito, porem, quando a 
agua estiver morna ou fria. 

3. E, portanto, a vontadedo homem comparavel a agua fervendo 
dentro do pote amoraDeuseao Bern queDelederiva, eojustofogo 
que leva a ferver a agua vital (alma). s frutos, no entanto, sao as boas 
acoesaindanao realizadas, poisnecessitam sercozidasenquantoaaguase 
acharemebuligao. 



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4. Eisporquesedeveporem praticaoquesedeseja, do contrario a 
vontadepermanecementiradiantedo espirito, - eda inverdade jamais 
surgiraumaverdade. 

5. Esta e a vida, - a mentira, a morte; por isto procura em tudo a 
verdade, f ugi ndo a menti ra dentro efora deti ! Acaso aqu i lo que i magi nas 
possuir representa algo de real?! D igo-te, e nada, eo nada nao tern vida! 

6. Setencionasconstruir sem material eoperarios, queaparencia 
teratuacasa?0 material constitui asobraseagoesdumavontadeviva, e 
osoperarios representam a propria vontadeativa, construindo com tuas 
obras j usta morada. Teras assi m uma casa verdadei ra, sendo tua V ida real 
em Deus, eternamentei ndestrutivel. Jamais seedificara algo com pouco 
esforgo, muito menosaCasadaVidado Espirito! Destemodo, necessa- 
rio eserativo com todas as forgas d i spon i vei s para a ed if i cagao denossa 
futura morada. 

7. ConstaterNoeiniciadoaconstrugaodaArcacom muitamoro- 
sidade; percebendo isto, seusadversariosdestruiam a noiteo quehavia 
feito de dia. So depois de muitos anos comegou N oe a trabalhar dia e 
noite com auxflio de guardas; assim, o trabalho se fez rapidamente e a 
Area protegeu, como sesabe, seusfugitivos contra a morte certa. 

8. Digo-tecomsinceridade:somostodosqual Noe, eomundocom 
suasmentirasehipocrisiaseoconstantediluvio. Para que nao sejamos 
tragados, necessitamostrabalhar naconsolidagao denossa alma, afim de 
mantermos e completarmos sua vida espiritual, provinda de D eus. 

9. Q uando o diluvio dastentagoesmundanassumir na profundeza 
desua propria nulidade, o espirito surgira potentedentro da alma, crian- 
doliberdadesem parnaesferapuraeneo-criada; uma obra nova sem a 
ameagado perigo desalteadores, abengoando, com Deus, todo o Infini- 
te! Assimilasteestequadro?" 



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44.0 SenhorCuidadosPrisioneiros 

1. Perplexo, Suetal seviraparajulius, dizendo: "Senhor, eincompre- 
ensi'vel aondeestehomem foi buscartao profundo saber, pois, durante a 
travessia paraaqui, portou-secomo louco! Como sepodeexplicar?" 

2. D izjulius: "N ao sabesquepara D eustodasascoisassao possiveis? 
Considerasuaspalavrasesaberasdentroem breveamaneirapelaqual se 
conseguetamanha sabedoria. E precise empregar a maxima atividade, 
para nela penetrar, pois nao ha ciencia quea explique." 

3. D iz Suetal: "Esta bem; onde, entretanto, e possivel achar-se o 
caminhocerto?" 

4. RespondeJulius:"Aindaecedoeateanoitetereisoportunidade 
para con hecertal caminho. Enquanto isto meditai eusai vossa liberdade, 
queja vosdeclarei inocentes; nunca, porem, tenteisagir contra nos, que 
ocastigoviranacerta!"Voltando-se para junto deMim, Julius indagase 
suaatitudeestavadentrodeM inhaOrdem. 

5. D igo Eu: "Q ue diz a voz do amor em teu coracao?" 

6. Respondeele: "Esta plenamentefelizeaomesmo tempo preocu- 
pado para levar estascriaturasao bom caminho." 

7. D igo Eu: "N estecaso tudo esta na mdhor ordem enao sera dificil 
achar algo de bom para seu futuro; todavia, terao de passar por algumas 
atribulacoes. A idea deenquadra-los com osoutrosnaLegiao Estrangeira 
eboa; devem apenas achar meiosparao progresso espi ritual, afim deque, 
em breve, possam vos prestar bons servicos, atravs de sua compreensao 
apurada. N ao convem ficarem na Galilea, pois o Templo sabera de sua 
apostaaa eobrigara H erodesa I hesfazer caga. Verif icando-se, porem, o fato 
denaoosencontrarem,declarar-se-aoperdidosessesquarentaesetemem- 
brosdo sinedrio. Asam, tanto elesquanto vos, romanos, estareis salvos!" 

8. Indaga C irenius: "N ao estariam seguros em Tyro ou Sidon? La 
vivem poucosjudeus" 

9. DigoEu:"Sim, melhorseria, porem, a Africa ou umacidadeno 
PontusEuxinus" 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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10. DizCirenius "M uito ben, descobrirei urn lugarseguro contra a 
perseguigao judaica." I ntervem Julius: "Oscinco mecompadecem, pois 
sua sabedoria e extraordinaria e em seu convivio poder-se-ia alcancar 
maisrapidamenteo verdadeiro destine" 

11. Digo Eu: "Amigo, osunicosindicados, caminho edestino, sou 
Eu! Q uem deu aoscinco o quepossuem?Eu! SeM eepossi'vel transformar 
cinco loucosem sabios, quanta maisnaofarei contigo, que es normal! 

12. Eu sou a Verdade, o Caminho eaVida!Possuindo-Me, para que 
fim necesatariasdaquelescurados?PrestaraograndesservigosaH umani- 
dade, porMim eem Meu Nome. Tu naoprecisas deles, quandovivem 
em Genezareth Ebahl,Yarah e Raphael !0 nde, naTerra, haveraum lugar 
maisbem provido, espi ritual mentefalando? 

13. uviste Suetal indagar como e por quern os ex-criminosos se 
integraram na maxima sabedoria; para eles, tal fata eum misterio, o que 
nao se da contigo. Assim, como podes toma-los por quase tao sabios 
quanta Eu?' 

14. D izjulius, mdo surpreendido: "Fui tolo, Senhor, eTepego perdao!" 

15. Digo Eu: "Nadatenhoaperdoar; bastaquetenhasestabelecido 
aordem interna quetodosteuspecadosteserao remidos. - M andatrazer 
pao, vinho e sal para estes doze, que ate agora foram alimentados pela 
M inhaO nipotencia." 



45. Cura dum ArtrItico, no Prado M ilagroso 

1. M al os curados avistam os alimentos, manifesta-se neles fome 
voraz, quelevajuliusaobservar: "N aocomaiscom muitaavidez, sedesejais 
ficarsaos" Elesprometem sealimentarcom parcimonia, contudo, aca- 
bam com a farta ragao em breves in stantes Pedem assim algo mais 

2. DizJulius:"Pororaes6;dentroem pouco almocamos." 

3. Diz Suetal: "Otimo; confessamos, porem, nao poder pagar 
ao hospedeiro." 



Jakob Lorber 

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4. DizJulius:"ComosuditosdeRoma, naonecessitaisdevospreo- 
cupar com tal despesa: o hospedeiro foi previamente indenizado por 
muitos anos, tanto que podemos ser hospedes por mais de doze meses e 
de ainda levara vantagem." 

5. D izem osdoze: "Amigos, vossa linguagem ebem diferentedado 
Templo, ondesejejua, afim desepoderorar, atequeoestomagocomece 
a protestar. s graduados, porem, alimentam-sediariamente, em honra 
dejehovah! Viva Roma eseusdignitarios!" 

6. Diz Julius: "Muito bem, amigos! Soisdeboa indole, embora 
ainda mesclada de amor-proprio, coisa que, com o tempo, tendera a 
desaparecer. Por hoje fazei-vos expectadores dos acontecimentos pres- 
tesasedesenrolarem!" 

7. Osoutrosindagam entresi quaisseriam osfatosextraordinarios 
que se dariam, e o loquaz Suetal observa: "0 ra, que sera?! Por certo os 
romanosfaraorealizaralgunsjogosolimpicos,aosquaispoderemosassis- 
tir com seus novosconterraneos." 

8. Diz urn outro: "Qual nada!Sei positivamentequetresdias antes 
de vossa chegada se deram fatos i neditos nas montanhas de G en ezareth : 
o pdo comandanteromano, mencionado Salvador, havia la curado pes- 
soas das mais variadas molestias, apenas por sua palavra poderosa! 

9. Tenho urn irmao, ora herdeiro unico dos bensde nosso pai, que 
haanospadeciadereumatismo gotoso, nao podendo sentar-se, deitarou 
andar. Por este motivo vivia dependurado num cesto forrado de palha. 
Asvezesgritavadiasafioparadepoisdesmaiardedores,assemelhando-se 
a urn morto. Tudo sefez para sua mel hora, recorreu-seatea agua do Lago 
Siloah, - tudoemvao! 

10. Q uando seespalhou em nossazonao boato dascurasmilagrosas 
do Salvador, conduzi o meu mano ateGenezareth com auxflio demeus 
empregados Q ual nao foi nossa decepcao quando, ao la chegarmos, in- 
formaram que de havia seguido parau'amontanhaproximaeninguem 
sabia quando estariadevolta. Chorandodetristeza, lembrei-medepedir 
aDeusquecurassemeu pobre irmao, umavezquenaodeviaterafelici- 
dade de encontrar o Salvador. Fiz ate a promessa de desistir, como 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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primogenito, de mens direitos, querendo servir ao mano ate o fim de 
minhavida. 

11. Neste interim se aproximaram alguns serventes da estalagem 
contando queo Salvador haviacurado a muitos. Em seguida haviatrans- 
posto u'a montanha jamais escalada, e agora se encontrava num prado 
por de abencoado, onde todo aquele que o pisasse f icaria sao. 

12. Incontinentefiztransportaro irmao paraali - E mal sedeitou 
na grama comegou aseesticarcom satisfacao: asdoreshaviam desapare- 
cido e, em poucos instantes, achava-setao forte quanta eu! Deacordo 
com a minhapromessacedi-lhemeus direitos e com prazer faco todo o 
servico, embora meu irmao bondoso procure me impedir. 

13. Infelizmenteessa alegria nao perdurou, porquanto vieste, tor- 
nando-vosculpadosdaprisaoemvossacompanhiaComesterelatoqueria 
apenaschamar atencao para o Salvador e, pelo quevejo, encontra-seele 
neste grupo. Assim presumo ter o comandante se referido ao mesmo. 
Quedizeis?" 



46. A Influencia do Salvador Milagroso 

1. D iz Suetal: "Poderas ter razao e eu anseio por conhecer este ja 
cdebre Salvador. Tanto a Samaria quanta Sichar falam apenas nele! N o 
Templo, porem, procura-se dia e noite urn meio adequando para 
extermina-lo. Tendo ele a sua disposicao asforcas sobrenaturais e a ami- 
zadedosdignitariosdeRoma, terao osfariseus tanto poder quanta urn 
mosquito para urn elefante! 

2. Consta ter ido ao Templo pda primavera, fazendo urn verdadero 
expurgolO povo ignoranteotomaporamigodeBedzebub; outros, por urn 
grande profeta; osgregoseromanos, por urn mago. Contudo nao convem 
repeti r a purif icagao doTempIo, caso nao seja dotado de poderesdi vi nos; nao 
Iheseria possivd proteger-se contra as constantesmaquinagoes do sinedrio. 
E m suma, quern nao enfrentar esses falsarios com raios, trovoes e chuva de 



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enxofre, vindosdo Ceu, pouco ou memo nada conseguira! 

3. Intervem o primeiro orador: "N ao concordo, poisseosmaiorais 
nao o impediram naquela ocasiao, dificilmenteo farao numa segunda 
oportunidade. Q uando a vontade e amparada pela forca divina, os ad- 
versaries nada conseguem." 

4. DizSuetal: "Amigo, naopercebesistoafundo. D urantea purifi- 
cacao do Templo, os sacerdotes puderam guardar varias centenas de li- 
brasem outro e prata. Assim, podera o Salvador repetir sua atitude, que 
ninguem o impedira. Se, porem, atacar as fraudes descabidas daquela 
casta, veremosquaisasconsequencias. 

5. Q uanto tempo faz queseaniquilou o profetajoao, nao obstante 
a protegao de H erodes?! Templo meteu-se a intrigar com a mae de 
H erodias, eo proprioTetrarcasetornou assassino deseu celebreprotegi- 
do. As tramas templarias impoem ate um certo respeito aos romanos; 
conquanto muita coisa seja denunciada, de nada adianta quando nao e 
possivel i mpedi r as traficancias." 



47. Palestra Entre M athael e Suetal 

1. N este momenta i nterfere M athael que havia assistido a con versa: 
"Sois ainda muito ofuscados pelo mundo, mormentetu, Suetal eteus 
setes colegas, pois nem de longe pressentis o que aqui se passa. 

2. N ao restaduvidaestar, entrenos, presente, o Salvador de N azareth; 
todavia, nao imaginais Quern sejaverdadeiramente, eproferistolicesa 
Seu respeito. 

3. homem justo nao devefalar a nao ser a verdade; desconhecen- 
do-a, devecalar-seepesquisar. Somentequando dela inteirado, deverase 
externar, poisaqudequefalasem terreconhecido a verdade, mente, mesmo 
externando-a por casual idade. 

4. Jamais a boca dum justo devepronunciar u'a mentira, testemu- 
nhandoencontrar-seaalmanamorteenao, navida. Portanto, quern se 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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aprazcomamentira, longeestadeconhecero valor da Vida, identificada 
com aVerdade. Somenteestalibertatuaalma, revelando-teo Infinite de 
Deusem SuaNaturezalntrmsecaeAtividade 

5. Sepensasefalascomoacabasdefazer, testemunhasevidentemen- 
tequetua alma habita num antra, ao invesdo GrandeTempIo da Luze 
detodaVerdade! 

6. Em que se baseiam vossas reflexoes?! Acaso nao fostes avisados, 
pelo esclarecido Comandante Julius, que haverfeis de ouvir e assistir a 
muitosfatossem indagacoesfuteis, massim, recebe-loscom amoreapli- 
carosensinamentos, poisqueaexplicagao viriaporsi so?E suaspalavras 
foram justaseverdadeiras! D eixai, portanto, oscomentariossuperfluose 
sem baseeassimilai tudo sinceramente; vosso proveito sera maiorquese 
fordesdivulgando mentiras, convictosdeterfalado a verdade 

7. Sempre e melhor perguntar que querer explicar algo sem base; 
masepreciso saber a quern eo queseindaga, do contrario cada pergunta 
tomar-se-a umatolice, obtendo resposta mentirosa. 

8. Devopossuir- atravesdaexperiencia- a plena conviccao deque 
o i nterpel ado me possa responder dentro da verdade; al em disto, e neces- 
sario ter eu meditado seaquilo quedesejo saber nao euma banalidade, 
demonstrando eu destemodo ignorancia imperdoavel ou, ate, maldade 
oculta. Considerai esta regra de boas maneiras, pela qual sereis, ao me- 
nos, criaturasmodestas." 

9. ReageSuetal, um pouco irritado: "M athael, amigo, estasnosre- 
preendendo sem quetivessesrecebido ordem paratantolTeu conselho e 
bom everdadeiro; falta-lhe, porem, certaamabilidade, desortequenao 
nos impressiona agradavelmente Segui-lo-emos por termos aceito sua 
verdade plena; contudo, opinamos nao ser esta menos patente quando 
apresentada em vestes agradaveis 

10. Dois mais dois sao quatro, e esta verdade se mantem quando 
externada de modo genti I ! N ao seria o mesmo se, ao conduzir um cego, 
eu Ihemagoasseo braco ou o guiassecom carinho pelatrilhacerta. Con- 
sidero maisaconselhavel a ultima forma, poisseo agarrassecom violen- 
cia poderia querer desvencilhar-se de minhas maos e, quern sabe, nao 



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cairia, provocando um ferimento maiorlTenho razao?" 

11. RespondeM athael: "Sim, dependendo dascircunstancias; pois 
sedepararescom um cegoabeiradum abismo,sabendoqueunicamente 
por uma atitude brusca conseguiras po-lo a salvo, - acaso ainda conjetu- 
raras sobre a maneira defaze-lo?' 

12. IndagaSuetal: "Querescom isto insinuarqueestavamosespiri- 
tualmentepertodum predpicio?" 

13. Diz M athael: "Por certo, do contrario nao vosteria pegado tao 
bruscamente! Ve, tudo que leva a u'a mentira, - ja e uma inverdade, 
embora insignificantee para alma, um abismo mortal. 

14. U'a mentira suti I setornamuitomaisperigosaqueumadeclaradae 
evidente Esta nao te levara a agir; a outra teobrigara a uma atitude, como se 
foraumaverdadeefacilmenteteconduziraabeiradaperdigao. lsto,todava, 
so percebe aqude cuja visao interna ja se tenha aberto. Assim sendo, nao 
precisasteaborrecer com minha decisao inopinada; fosterodeado por uma 
mentira sutil qual serpentevenenosa, o que eu emeus companheiros obser- 
vamosde pronto edeu motivo aestacontroversia. Compreendes?' 

15. RespondeSuetal: "Oh, sim; e nada ha que contrapor. Natural- 
mente nao percebemos as relagoes espi rituais e somos obrigados a te dar 
credito, poisteencontrasem basesolida. M asquedeveriamos, nosdoze, 
fazer?Calar inteiramentetoma-seinsipido e, quanto a verdade, estamos 
longedepercebe-la." 

16. DizM athael: "Amigo, secaminhares por umaflorestadensa em 
noite trevosa, ciente dos peri gos que apresenta com seus abismos, nao 
seria aconselhavel esperar pela luz do dia, em vez decair num deles se- 
guindo adum vaga-lume?N ao eagradavel pernoitar numaflorestaden- 
sa, massempreemelhorquearriscaravida. Queteparece?' 

17. DizSuetal: "Sabesquenaoadiantadiscutircontigo, poissempre 
estascom a razao; por isto preferimosseguir o conselho." 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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48. Mathael FalaSobre Lei e Amor 

1. D iz M athael: "Espera, aindaexistealgo deimportancia! Seguindo 
meu consdhoporcoacaoenao poramor, preferivel enaofaze-lo, poiso 
quea criatura nao fizer por dedicacao, pouco valor tera para sua existen- 
cia. amor eo move! principal davida, ouseja, a Propria Vida. 

2. Aquiloquesetomoupossedo amor eassimilado pela vida. que 
nao fortocado pelo amor, eapenasfeito em virtudedacriaturatemer os 
efeitosdesuanao-observancia, ou para corresponder a seu orgulho, pois 
almejapassar por sabiaentreos seme! hantes, nao eassimilado pelavida, 
e si m, pela morte, atraves dos elementos negati vos 

3. Afirmo-te: a lei maissabia nao gera a vida, senao for considerada 
por amor; o conselho mais sabio se assemelha a semente que caiu na 
rocha, ao invesdesolofertil, esecasem darfruto. 

4. Digo-o por saber que tudo no homemeesteril,- exceto o amor! 
Por isto, deixai-o agir em plenitude em vosso ser, sentindo-o em toda 
fibra; assim, tereisvencido a morte, poiso que era esteril em vos, ter-se-a 
tornado vida indestrutivel pelo vosso amor. amor con scientee a pro- 
pria vida etudo queassimila se baseia na mesma. 

5. D enada vosvaleriaaaceitagao demeu conselho seo considerasseis 
unicamente pela verdade nele contida e pelas consequencias que o nao- 
cumprimento vos traria; outra coisa sera se amor e verdade agem em 
unissonolO amor construira, pelaluz da verdade, uma vida novae mais 
perfeita, alcangando a Perfeigao D ivina. 

6. Se bem que o amor, ou seja, o Espirito de Deus no homem, 
represente desde o inicio Sua Semelhanga, atingiraa plena identificagao 
com D eus, no caminho quevosacabo dedemonstrar. C ompreendestes?" 

7. Exclama Suetal, radiante: "Meu Deus! Esrealmenteo maiordos 
profetas, poisatehojenenhum assim seexpressou. Possuisavidaverdadei- 
ra no dedo minimo, de modo mais perfeito quetodos nos, em corpo e 
alma. Irmaos, M athael traduzo bafejo divino ejamaispoderemosagrade- 
cer a D eus condignamente por este convivio! Se teu saber se eleva tanto 



Jakob Lorber 



sobreo nosso, o quenao esperar do desconhecido Salvador deN azareth?' 

8. RespondeMathael: "Q uereflete uma gota deorvalhonuma fo- 
lhinhadeerva?E a imagem do Sol, quenao so ofusca, mastambem age. 
N o centra da gota se unifica a luz da imagem solar, pelo quea gota passa 
por uma quentura vital, dissolvendo-se, finalmente, no elemento devida 
que vivifica a plantinha em luta contra a morte Contudo, a imagem 
solar nao eo proprio Sol, - eapenasportadoradeuma parte dessaforca 
e agao, pertencentes ao verdadei ro astro. 

9. A mesmadiferencaexisteentremimeo Salvador. Eleeo Sol Vital 
M esmo! Em mim, como na gota de orvalho, age apenas a pequenina 
imagem do Eterno eVerdadeiro Sol, pelo qual miriadesdegotasseme- 
Ihantessugam o santo alimento devida. Compreendes?' 

10. RespondeSuetal: "PorJehovahlQ uelinguagem sublimeesanta! 
M athael, nao es uma gota, mas sim, urn grande mar! N unca alcancare- 
mostalestado,- epordemaiselevadoeexcelsolNessacircunstancianao 
nos atrevemos a permanecer, como pecadores, em vosso meio, que se 
torna cada vez mais santificado!" 

11. Osoutrostambem comegam aseextemarem linguagem mais 
humilde,fazendomengaodeseafastar, no quejuliusos impede. Suetal, 
porem, diz: "Senhor, quando M oyses, no monte H oreb, aproximou-se 
dasarcaem fogo, avozlhedisse: "Tiraossapatos, poiso lugarquepisas 
e santo!" De modo identico, este local tambem e santificado, e como 
pecadores nao merecemospisa-lo." 



49. ExpucAgAo dosFatosOcorridoscom M oyses 

1. Comojuliusseveincapazderetrucar, M athael retomaapalavra: 
"Q uem vosfalou a respeito de vosso merito?Q ual seria o livro deciencia 
que provasse o doente nao fazer jus ao medico? Esta vossa suposigao 
deriva da ignorancia templaria, capaz defazer queimar as maos daquele 
que, profanamente, toque no limiar do Santissimo! Q uando os ilustres 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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fariseuso fazem, contra pagamento por parte dos estrange ros, explican- 
do-lheso fundo historico, - nadalhesacontece! 

2. Q uetencionava Deus, final mente, dizeraM oyses, obrigando-o a 
tirar os sapatos? Ei-lo: Despoja-te de tuas tendencias carnais, do velho 
Adam, atravestuaboavontade, afim dequeteapresentesdiantedeM im 
como criatura puramenteespiritual; do contrario nao entenderas M inha 
Voz, tao pouco poderei fazer-teguia de M eu povo! 

3. Q uevem aserasubidado monte?- Vede, M oysesfugiada perse- 
guicao do Farao porque havia assassinado um alto funcionario do Rei, 
considerado quasecomo filho. 

4. Farao muito estimava o profeta enao era detodo impossivel a 
esteser algum dia senhor do Egito, como o forajose Tal elevagao D eus 
Ihemostrou no deserto pelo subir do monte, cujo cimo, no entanto, nao 
Ihefoi permito alcancar pela sarca em fogo. 

5. M aisalem consta, deacordo com a interpretacao idiomatica: "Se- 
ras o Salvador de M eu povo, nao pela maneira que o supoes, mas am, 
como Eu, teu Deus, designa-lo. N ao seras rei do Egito, para que nao 
tomes M eu povoegoistaeorgulhoso, pois, queateentaofoi eleporM im 
educado nahumildade, edeveassim deixarestepais, acompanhando-te 
ao deserto. LaelereceberaasLeisdeMim eEu, Pessoal mente, serei seu 
Senhor eGuia. Demonstrando-sefiel, dar-lhe-ei o pais de Salem, em 
cuj os regatos correm leiteemel." 

6. D estemodo Deus, em absolute quisinsinuar a M oyses tirar seu 
calcado, esim, despojar-sedo velho Adam, ou seja, a cupidez da criatura 
sensual. Esta, em relagao ao verdadeiro homem, apresenta-sequal sapa- 
tosem seuspesedemodo identico, ea indumentariamaisbaixa, externa 
e ultima, portanto desnecessaria. 

7. local denominado por Deus como santo e apenas o estado 
humilimo da alma, sem o qual ela nao podera enfrentar o Semblantedo 
Amor Eterno, em si um fogo verdadeiro. 

8. A sarca ardente prova que a Jornada dum profeta sera espinhosa; 
seu grandeamor a D eus eao proximo, entretanto, queseestendesobre 
todo o arbusto queimaraosespinhose, finalmente, tudo destruira, pro- 



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duzindo caminho aberto. Eiso sentido detuas palavras Assim sendo 
comopodesjulgarseraqui um local maisou menossantificado? 

9. D espojai-vos tarn bem devosso calcado mundano ehumilhai-vos 
em todasassituacoes, queserei tao modestos quanta nos, poisdiantede 
D euseD aquelequeaqui Seacha presente, nao haclassificagao meritosa." 

10. Ouvindotais palavras, Suetal diz: "Paraquem ecompenetrado 
detao elevadasabedoria, facil eviversem receio. Um videntepodeandar 
de passo lepido, enquanto um cego necessita averiguar se anda certo e, 
apesar de todo o cuidado, ainda corre risco de se ferir. Tendo-te como 
guia, M athael, ate se progredira como cego! Assim, ficaremos - e nos 
alegramoscom aexpectativadebreveconheceraqueledequem testemu- 
nhastetao eloquentemente." 

11. Julius, apertando, amavelmente, amao deM athael, diz: "Eterna 
gratidao ao Senhor quevoscurou demodo tao milagroso! M uita coisaja 
aprendi contigoenotoquesefazaluzem minhaalma; nestamarcha, 
espero em breve segui r teus passos." 

12. Responde M athael : "N ao existeoutro meio! Poisso ha um D eus, 
uma Vida, uma Luz, um Amor, euma Verdade Eterna, enossaexistencia 
atual eo caminho para la. SurgimospeloamorealuzatravesdaOnipo- 
tencia Divina, a fim de nostomarmos amor e luz independentes; este 
fitotemdeseralcancado! 

13. Como? Apenas pelo amor a Deus e uma atividade incessante! 
Estesentimento eo Amor D ivino M esmo queconduz nossa alma a uma 
atividadecadavezmaiselevadadaverdadeiraeeternavida, em si aVerda- 
de Plena e a Luz mais intensa. Q uando, portanto, sefaz a aurora numa 
alma, seu eternodesti no vital seacha bem proximo enao podedeixarde 
ser atingido, o que, em si'ntese, etudo em tudo quea Vida Perfeita possa 
alcancarem plena liberdadeeindependencia. 

14. Por isto, alegra-te, nobreirmao, queem breve tarn bem tuaalma 
vislumbrara o que a minha assimila, numa luz cada vez mais pura. N o 
verdadeiro dia detua alma apenas compreenderasAquele que, por ora 
ainda denominas com algum receio "Salvador de Nazareth"! Como ho- 
mem e semelhante a nos, - mas Seu Espirito penetra com Seu Poder a 



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Luzno Espago lnfinito!Ter-me-ascompreendido7' 

15. Respondejulius, deolhosmarejadosdeemogao: "Sim, querido 
eelevado irmao; tenho ensejo de abragar-te, masao Salvador nem mais 
posso fitar sem chorar deamor, so agora podendo compreender o senti- 
mento nobredaquelamenina, queporcoisaalgumasedeixaafastarde 
Sai lado." 

16. DizSuetal:"GragasaJehovah,entaojanaomaisnosseradificil 
descobri-lo!" 



50. DOVIDA QUANTO A PESSOA DO SALVADOR 

1. N istoYarah selevantacom M inhaordem ecaminhaem compa- 
nhia de Raphael ejosoe, comentando a sabedoria tao extraordinaria- 
mentesurgida na pessoa de M athael, tanto quefez nascer entreosfariseus 
uma duvida: qual dos dois ao lado da menina seria o Salvador? Alem 
disto, calculam ser eleum homem, - eoscompanheirosdeYarah, sao 
apenasadolescentes. Vira-seumdosjudeusparaSuetal,dizendo: "Ami- 
go, teu canto devitoriafoi precipitado, poisessa menina, porcertoafilha 
do hospedeiro Ebahl de G enezareth, que por varias vezes avistamos na- 
quelealbergue, palestra com doisjovens Portanto..., quern eo Salvador? 
Tal resposta nao cabea nossa sabedoria e penso ser melhor calarmos!" 

2. Respondeo outro: "Concordo, nao obstante nos ter o Coman- 
dantejulius pregado uma pega merecida, poissemprefalamosdemais!" 
Com istotodossecalam, meditando. 

3. EisquedelesMeaproximoeperguntoaSuetal:"Percebitodasas 
vossas conversas anteriores; como sempre ocultastes vossa propria opi- 
n iao quanta ao Salvador, desejava ouvi r abertamente por quern o tomais. 
Falai sem susto, porquevosgaranto, nadavossucedera, seM eexternardes 
vosso parecer como ao melhor amigo!" 

4. D iz Suetal, cogando-se atras da orelha: "A julgar por tua vesti- 
menta pareces grego, mas teu cabelo ebarba indicam seresjudeu. Con- 



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quanta o criterio romano sobreosgregosnao seja louvavd, teu semblan- 
teebem honesto. Como homem dealgum conhecimentocompreende- 
rasque, criaturascomo nos, nao aceitam demodo i ndiferente aconteci- 
mento igual aoquesepassou. 

5. Tudo aqui lo que M athael nosdeu a entender do Salvador nao etao 
fad I deseraceito por pessoascomo nosenosso criterio so podeser defici- 
ente Atehojeso ouvimosfalar aseu respeito edeseu extraordinario poder 
eforga. A propria curadoscincoobsedados nao foi por nosassistida, mas 
disso obtivemosum rdato fiel por parte doscuradose do comandante 

6. s efeitos excepcionais relatados por M athael nao deixaram de 
nosdespertar a idea de que o Salvador toque ao divino. Todavia, efacil 
haver engano, levando em conta nossa carencia na base cientifica e de 
sabedoriamais profunda. 

7. A cienciadehojejaprogrediu consideravdmenteeasabedorianin- 
guem podeimporlimites. Desortequeebem possivd haver urn homem 
em Nazareth descobertoatal pedrafilosofal. Destemodo, poderarealizar 
coisas extraordinarias remover montanhas, fazer gdar os rios, no verao; 
ressuscitar mortos, aniquilar milhoes, - tudojaconseguido poroutros 

8. NoEgito, porexemplo, taisfatosnaoconstituem milagres;entre 
nos seria dificil, porquanto a magia e condenada entrejudeus, a nao ser 
quando praticada apenas para gregos e romanos, que pagam por estes 
privilegios uma boa taxa ao Templo. 

9. Os milagres com os doentes sao de modo identico, inauditos, 
poisconstaestender-seatearessurrdgao de mortos. Afirmo, porem, que 
tais fatores nada testemunham de divino. Contudo, admite-se que o 
nazareno seja realmenteum profeta ungido por Deuse real iza, assim, os 
milagres com o poder do Alto, pois, como judeu, jamais poderiatertido 
oportunidadedefrequentaraescolasecretadosegipciosou essenios D esta 
explanacao poderasdeduzir em quesebasdam nossasduvidas Achaque 
estamos com a razao?" 



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51. Receio Quanto a Divindade do Nazareno 

1. D igo Eu: "Em parte, eintegralmenteseosesseniosressuscitassem 
osmortosdeigual manei ra que o nazareno. Entreseusdiscipulosseacha 
um essenio verdadeiro, enviado para conquistar o Salvador aquele insti- 
tute ou, ao menos, bisbilhotar o modo pelo qual cura os enfermos e 
desperta os mortos. 

2. Como, em breve, secertificou quetudo fazia abertamenteesem 
preparo artificial, mas apenas pelo velhodito: "Quetal sefaga", abando- 
nou e relatou as fraudes essenias, tornando-se um adepto verdadeiro. 
Falai-lhe, queseencontra sozinho debaixo daquela arvore" 

3. D iz um outro, entre os oito fariseus: "N ao e preciso, porquanto 
conheco aquela seita bem a fundo. E deveras fraudulenta; todavia tern 
base louvavel e, penso, o nazareno jamais cursou tal escola." 

4. Dirigindo-MeaRibar,osegundoorador,digo:"Comotefoi possi- 
vel descobriraquelessegredos, poisconstaquenissoexisteperigodevida?' 

5. Respondeeste: "Com dinheiroeastuciatudoseconsegueneste 
mundo. Claro e, ser preciso possuir inteligencia, afim dever atrasdos 
bastidores. Eisporquetinhavontadedefiscalizaro Salvador- etegaran- 
to, naomeenganaralSeforrealmenteoquesediz, saberemosrespeita-lo 
como M athael! Intriga-me apenas o fate dele aceitar discipulos, poisse 
suaatitudeedivinanao ha quern o imitesem aO nipotenciaeSabedoria 
deDeus" 

6. Retruco: "Amigo, nao falasmal; entretanto, estaserrado, poisa 
Divindade podemuito bem escolheralgumascriaturas, dar-lhesaperfei- 
goamento identico ao deH enoch, M oyseseoutrosprofetas, para que se 
tornem doutrinadores, divulgando a Vontade deDeus Assim, tuasupo- 
sicao efalsa! Agindo pelaastucia, terasno nazareno adversario invencivel ! 
Conhego-oesei desua intangibilidade!" 

7. Diz Ribar: "Depende duma prova, pois nao e de meu habito 
antecipar-me sem experiencia que sempre me proporcionou um juizo 
acertado. Acaso tambem es um discipulo?' 



Jakob Lorber 

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8. Respondo: "N em tanto, apenas um de seus melhores amigos!" 
Durante estedialogo muitos procuram ocultar um sorriso, sem perder 
umapalavra. 



52. Dialogo Entre Suetal e Ribar 

1. D epois de alguns i nstantes, continua Ribar: "Tinha vontadede 
saber dum discipulo o queja aprendeu ao lado do Salvador." 

2. Digo Eu: "Poisnaoljaestaquasena horado almoco; todavia, 
ainda ha tempo para uma pequena experiencia, na qual precisamente o 
maisjovem serao examinando etu, o examinador! Estasdeacordo?" 

3. Respondeele: "Como nao? Sem prova nao se podejulgar." Eis 
quechamo Raphael, decerto modotambem um discipulo, sebem que 
seu espirito se oculte em materia sutil. Imediatamente o anjo se posta 
d i ante de Ribar, dizendo: "Q ueprovasexiges?" - Ribarcomecaacogitar 
em algo imposslvel para um homem. 

4. Digo Eu: "Entao, tuaastuciaestateabandonando?' 

5. Respondeaquele: "Oh, deixaestar. Para que pressa? D arei aojo- 
vem um problemaquelhecausaradoresdecabeca!" Em seguidaseabai- 
xa, apanha uma pedra devari as librasediz, sorrindo, a Raphael: "Caro 
discipulo do M estredivino, do qual consta realizar coisascabiveisapen as 
a Deus! Seja aprendeste algo de poderoso, transforma esta pedra num 
saboroso pao!" 

6. D iz Raphael : "Verif ica se ela ai nda e pedra!" 

7. Responde Ribar: "N aturalmente!" ProssegueRaphael: "Tentamais 
uma vez!" - N isto, o judeu percebe o milagre: a pedra tornara-se pao, 
pelo que sente-se ele apossado de pavor, sem saber que dizer. Insiste 
Raphael: "Prova-o, poisosolhossedeixam enganarcom maisfacilidade 
queo paladar. D istribui-o entre teusamigos para testificarem a veracida- 
dedatransformacao." 

8. Ribar obedeceao convite, algo receioso; como o milagroso pao 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

95 

seja de otimo paladar, da uma mordida na outra parte, entregando a 
primeiraaoscolegas.Todosconstatam seu especial sabor. 

9. Virando-M eparaRibar, digo: "Entao, amigo, queM edizesaesta 
prova dum jovem?' 

10. D iz de a Suetal : "I rmao, falatu, queesmaisintdigente, poisisto 
excedemeu horizontedeconhecimentos!" Diz Suetal: "Existem muitas 
criaturas iguaisa ti: primdro, tornam-sesalientespdo pouco quesabem; 
quando selhesapresenta, porem, algo que nao entendem, fazem papd de 
mulherquefoisurpreendidaemadultd"io!Quernaisqueresdizer,anaoser 
que M athad tern razao em toda si'laba quetestemunha o grande M estre?! 
Se tais coisas sao fdtas pdos discipulos, que nao esperar dde mesmo?' 

11. Diz Ribar: "Nao restaduvida; entretanto, ensina-senoTempIo 
quecetosmagosrealizam coisas extraordinari as com auxilio deBedzebub." 

12. D iz o outro: "N ao mecansescom tal propaganda. N ao ouviste, 
ha pouco, M athad afirmar que a Doutrina do grande M estre conduz 
todas as criaturas a Deus, pdaverdade, agao e amor? C ego, foi o pao que 
comeste, real ou nao? 

13. Setivessesidoobrade Beelzebub- casoimpossivd- teriasuma 
pedra, ao invesde pao, no estomago; sendo pao verdaddro, deorigem 
quasecdeste, ambossentimosreagao benefica no corpo. Aqui nao existe 
fraude, apenas a Vontade Poderosa dejehovah! Como queres atribuir a 
Satanaz coisa identica?' 

14. Responde Ribar, perplexo: "M as.., entao denaovenceu no Sinai, 
quando lutou durante tresdiaspdo cadaver de M oyses?" 

15. Diz Suetal: "Bonita vitoriapda materia deM oyses! Quemais?" 
Responde Ribar: "E atentagao de Adam e Eva?' 

16. Indaga Suetal: "Queresclassifica-lademilagre?!Seumacriatura 
te externa todos os seus encantos de modo tentador, acaso sera extraordi - 
nario quecaiasem seusbragos?Tais"milagres" sedao diariamente, cons- 
tituindo prova da mais i nf i ma natural i dade. Naosepode, assim, admitir 
tal hipotese, anaoserquetudoseiamilagrosodesdeoiniciodaCriagao! 
Acaso sabes de outra obra mi lagrosa de Satanaz?' 

17. "E dificil discutir-secontigo", diz Ribar. "Quemedizesarespd- 



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to dosmilagresfeitospelosidolosde Babel eN inive? N aoforam realiza- 
dospeloanjo domain 

18. Diz Suetal: "Para ignorantes como tu, sim; mas para outros, 
nao; pois sabiam que as vitimas atiradas durante a noite no ventre do 
incandescentemonstro, com facilidadeeram destruidas.Taisfatospodes 
realizar diariamentepor meio defogo intense, sem recorreres a Satanaz! 
Eu mesmo poderei fazeralguns, com auxiliodeoutraspessoaseprescin- 
dir do dele! 

19. Jamais poderaeleconseguiral go deproveitoso, mas, taosomen- 
te, aniquilar urn fisico ja perdido, buscando apos sua presa condenada; 
por almaeespiri to, nadafara, poissuanaturezaea materia maisatrasada. 
Sim, poder-te-astornar, porele, maismaterialistaquejaes; nunca, po- 
rem, animar tua alma! - Fala, agora, deoutras provassatanicas!" 

20. D iz Ribar, contrito: "N ada mais tenho a dizer e reconheco 
estemilagreverdadeiro quefezo amavel discipulo do M estre. Quan- 
toaomaispodiasterfaladomaisbrandamentecomigo, que tarn bem 
ter-te-ia compreendido." 

21. "Esta certo", diz Suetal, "sabes, porem, quesempre me irrito 
quando alguem deculturameapresenta a fabulade Beelzebub, - como 
seascriaturasjanaofossem diabol i cas de sobra - , mormentenumaoca- 
siao tao excepcional como esta!" 

22. Intervenho: "Entao, fizestesaspazes?" - Respondem am- 
bos: "Perfeitamente!" 



53. Basesda Doutrina de Jesus 

1. D igo Eu aRibar: "Q ual teu criteriosobreoqueacabasdepresenciar?' 

2. Respondeele:"Jaoexternei a Suetal econfessoterosabio M athael 
razao em tudo. Anseio por conhecer o grande M estre!" 

3. Conclui Suetal: "Tambemeu, emboraaquiloquevi mesirvapara 
toda vida. Elenao podeser, nem mais, nem menos, queD eus! Isto basta! 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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Apenasdesejavaouviralgo maisde sua nova Doutrina!" 

4. Digo Eu: "M athael j a extern ou dela varios princfpios; alem disto 
seconcretizanoamora Deuseao proximo. Amara Deussobretodasas 
coisas, representareconhece-Loem SuaVontaderevelada, adaptarasacoes 
deacordo, eaplicar o mesmo tratamento ao semelhantequeasi propria 
Tudo isto, - naturalmente, num amor puro edesinteressado. 

5. Deve-seprezaro bem pelo bem eaverdade, assim como sedeve 
amar a D eus por ser EleapenasBom eJustolTeu proximo tern deser 
considerado, poise, igual ati, semelhanteaDeus, portanto, portadordo 
EspiritoDivino. EisabasedaDoutrinadefacil cumprimento; alias, muito 
maisacessivd queas multiplasleisdoTempio, institufdas pelo egofsmo 
deseus servos. 

6. Pdo fid cumprimento desta nova D outrina, o espirito algemado 
no homem setomasempremaisliberto, sedesenvolveepenetraacriatu- 
ra, atraindo tudo para sua vida, a Vida de D eus, portanto eterna, numa 
bem-aventurangasublimelTodacriaturadesta forma renascida no espiri- 
to, jamais vera ou sentira a morte, pois seu desprendimento I he sera o 
maior prazer. 

7. espi rito preso a alma e identico a urn homem encarcerado que 
vislumbra, atravesdum pequeno oriffcio, as lindas paisagens e as criatu- 
ras livres a se alegrarem com ocupacoes variadas. M as, quao fdiz sera 
quandoocarcerdrolheabriraporta, liberta-lodesuasalgemasedisser: 
"Amigo, eslivredequalquer castigolVai egozaaliberdadeplena!" 

8. Do mesmo modo, o espirito humano seassemdha ao germen 
embrionario dum passaro, dentro do ovo: quando estiver amadurecido 
pdo calor, dentro do involucro queprende sua vida, deo rompe, regozi- 
jando-se de sua livre existencia. Este processo somente sera alcancado 
pdo cumprimento rigoroso da Doutrina do Salvador. 

9. Alem disto, recebeo homem renascido ainda outrasdadivas, de 
cuja qualidade o materialista nao tern idea. espirito adquire Poder 
D ivino, sendo sua vontade real izada, porquanto nao existeno I nfinito de 
D eus, outro poder e forca que os espi rituais 

10. UnicamenteaVidaVerdaddraeSenhor, Criador, Conservador, 



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Legislador e G uia de todas as criaturas, razao pela qual tudo obedece ao 
Poder de Sen Espirito Eterno. 

11. Acabas deter pequena prova, portanto, podes acred itar queas- 
sim seja; a compreensao do "como" edo "porque" ser-te-a dada quando 
tiveres alcancado a liberdade de tua vida espiritual. M athael ja te de- 
monstrou aquesortedeconclusoeschega um espirito meio renascido, e 
com issopoderasorganizarconfiantementetuaexistencia. Estaexplica- 
gao tesatisfaz?" 

12. RespondeSuetal: "M uito maisqueadeM athael, quenosassus- 
ta por nao se ver nem entrada nem saida. Tu esclareceste o assunto de 
forma tal que nao ha duvida sobre minha agao futura." 



54. U m Segundo M ilagre a Pedido de Ribar 

1. D igo Eu: "M uito bem; agora, dize-M e se nao tens vontade de 
conhecer o G rande M estre de N azareth, poiste poderia apresentar." 

2. Diz Suetal: "Falando com sinceridade, acho estar esse homem, 
queoculta em si a plenitudedo Espirito D ivino, tao elevado sobre todos 
quesintoatepavordeve-lodelonge, quantomaisdepertoljameinco- 
moda a presenca destejovem discipulo com sua prova. Por certo nao 
daria outra, pois quern nao se convence com uma, nao o fara com mil. 
Prefiro, assim, que volte para junto dosoutros" 

3. Digo Eu: "M as..., para que? E livre, podera ir quando quiser e 
nadamaistiverparafazer. Estasplenamentesatisfeito, mas nao teus cole- 
gas, ate mesmo Ribar, embora Concorde contigo. Ainda tern duvidas 
quanta ao milagree, como hajatempo, pediremosoutro." 

4. D iz Suetal: "6 timolResta saber se tal coisaestadeacordocoma 
vontade do grande M estre." 

5. Digo Eu: "Nao te preocupes; responsabilizar-Me-ei por tudo. 
Necessario e, apenas, indagar dos outros que prova desejam, poispode- 
rao alegar quefora previamente preparada. Concordas?" 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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6. RespondeSuetal: "Falastesabiamente, como Salomon, etambem 
soudeteu parecer." 

7. D igo Eu: "Entao, vamos!- Ribar, dize-me, em quedeveconsistir 
a segunda prova do discipulo?" Diz este: "Amigo, seelequiser, quefaga 
dapedraem minhamao, urn peixedamelhorqualidade!" 

8. Digo Eu, com aparenteduvida, a Raphael: "Serascapaz disto?" 
Respondeele: "Farei uma tentativa, maso pedintesedevefirmar bem, 
do contrario o peixeo jogara por terra. sdequalidade, nestasaguas, sao 
grandesepesados, desortequeum homem dificilmenteoscontem. Se, 
no entanto, Ribar se firmar bem, urn peixe de oitenta I i bras tomara o 
lugar dessa pedra deapenasdez depeso." 

9. Exclama Ribar: "0 h, nao te incomodes! Sou quaseum Sansao e 
javenci outras provas! Alem disso, tomei posicao!" 

10. Diz Raphael: "Entao prepara-te!" M al havia pronunciado tais 
palavras, urn peixe enorme, que Ribar procura conter, da urn pulo tao 
violentoqueojogadecostas. Suacaudaem movimentosagitadosassusta 
osassistenteseestesfogem em todasasdirecoes. proprio Ribar, quese 
havia levantado, nao mais sente vontade de pega-lo. U m dos filhos de 
Marcus joga rapido uma rede, dominando o peixe para, em seguida, 
deita-lo num deposito com agua. 

11. D entro deseu demento deseaquieta, o queani matodosaobserva- 
lo deperto. Ribar, entao, diz: "D eclaro-mevencido eacredito em tudo que 
ouvi do grande M estre. M athad tern razao, e este amigo tambem, a cuja 
bondadedevemosestesmilagres Emboranao merecessemosassisti-losde 
olhos pecaminosos, agradecemos a Deus por Se ter dignado transmitir 
tamanho poder a urn mortal. Seu N omeseja louvado!" 



55. dlferenga entre os m ilagresde raphael e 
dosMagos 

1. DizSuetal: "AmemlPoistal coisanuncafoi vista por urn mortal. 



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C onsta que, na epoca dos faraos, os magos transformavam varas em ser- 
pentes; mas nos nao assistimos. Vi urn persa jogar urn toco de madeira 
sobresolo arenoso que, ao seenterrar, transformou-se num rata Essa 
experiencia haviasido previamenteanunciada. M aistarde, analisando a 
areia, deparei com o toco intacto, ealem disto vestigiosdecamundon- 
gos, queali haviam sido escondidos. 

2. povo ignorantedevotou ao mago umaveneragao quasedivina, 
enchendo-lhe os bolsos de coisas preciosas Q uando tentei elucidar al- 
gunsmaisinteligentes, chamaram-mededifamador, masderam-metempo 
parafugir. Convenci-mede que tais magos era apenasunsespertal hoes 
queseaproveitavam deseusfracosconhecimentosda N atureza, afim de 
ludibriarosincautos. 

3. Q uanto aosdoismilagresefetuadospelo discipulo do M estre, eas 
curasmilagrosasddemesmo,saotao sublimes, quenao adiantaasapien- 
ciahumanaquererexplica-los Eisporqueaceitamossuadoutrina, mor- 
mente por nela se cumprir uma profecia de I saf as. " 

4. D igo Eu a Suetal, j a que estegrupo nao M ereconhece: "Tambem 
estasconvictodisso?" 

5. Responde ele: "Tenho plena certeza, pois D eus e demasiado Sa- 
bio e Bom, para transmits o Seu Espirito a urn homem apenas para 
curaralgunsenfermosetransformarpedrasem paoepeixes. Sou levado 
acrerquesejao M essiasPrometido pel ospatri areas e prof etas. Q ual etua 
opiniao, pois que, como grego, devesestar a par das Escrituras?" 

6. D igo Eu: "Tambem concordo; apenas desejava saber do parecer 
dosoutros Indagaa Ribar, querespondera peloscolegas" 

7. Diz Suetal: "Agora mesmo, poispresumoquejatenhaanalisado 
suficientementeseu peixe!" 



56. Parecer de Suetal e Ribar a Respeito de Jesus 

1. Em seguidavira-se Suetal parao amigo, dizendo: "Ribar, trata-se 



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dum assunto importantepara nos, judeus Como conhecedor, quees, das 
Escrituras, sabesdaspromessasfeitassobreaVindado Messias Conside- 
rando os milagres realizados pelo afamado Salvador de N azareth, chega-se 
a conclusao deque D eus M esmo nao poderiafazer coisasmaisgrandiosas 

2. H aumastressemanasfoi-nosmostradaacasadejacob, comple- 
tamente reconstruida, queo nazareno havia feito surgir em poucos ins- 
tates Fato identico ocorreu com a deum negocianteem Sichar. Co- 
nhecemostambem casos milagrososem Genezareth, tendo assistido a 
cura do irmao denosso colega ea doscinco salteadores. Alem disto, os 
doismilagresfeitosporumdeseusdiscipulosTodasessasprovasnaonos 
levam a presumir ser o nazareno o dito M essias?" 

3. Responde Ribar: "No intimotambemjapensei nisto. Existe, po- 
rem, urn pontoaconsiderar: oTemploadiaaVindado M essias por mais 
alguns seculos, porquanto nao Ihe interessa, no momento, tal fato. Os 
romanos, por sua vez, haveriam dequere-lo como amigo. 

4. Por isso opino quecada urn guardesua opiniao sem externa-la, 
antes que o caso seja evidenciado. M udando de assunto, observa o tal 
discipulomilagrosolEstanosfitandocomaresdemofaenestemomento 
se vira para dar boas gargalhadas! Q ue sera? Se nao fosse tao poderoso, 
teria vontade de chama-lo a responsabilidade! Criaturas como ele sao 
perigosas; talvez fosse capaz de nos transformar em asnos, e que papel 
fanamos, entao?' 

5. Vira-seRaphael, rindo, eapresentando urn burro perfeito a Ribar: 
"0 mesmoqueeste!" 

6. Assustado, Ribar recuaediz: "Mas... queeisto?! Dondeveio 
este animal 7' 

7. Respondeoanjo: "Dondeveio opeixe! Agora, pergunto, por que 
vos incomodo? Acaso vos magoei?" 

8. D iz Ribar: "Amigo, impoesum granderespeito pelo teu poder; e, 
jaquenaoqueresvoltarparajuntodeteu grupo, descreve-nos, ao menos, 
a aparencia do grande M estre de N azareth !" 

9. Afirma Raphael: "Bern queo quisera; mas, com todo poder con- 
ferido por Ele, nao meepermitido falar antes do tempo. H a pouco vos 



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aborrecestescom mai sorriso que, em absolute, tinha maldade Existem 
momentos em que urn espi rito puro e levado a sorrir da cegueira huma- 
na, isto porqueo homem, muitasvezes, nao enxerga deolhosabertos!" 

10. D iz Ribar, admirado: "Tal sedaconosco?" 

11. Responde Raphael: "Sim, espi ritual mente! Dize-me, por que 
temeistravar conhecimento com o Grande M estre?" 

12. Intervem Suetal: "0 uve, jovem discipulo, a razaoe a seguinte: se 
tua presenca ja setorna assustadora, quanta mais nao seri a a deteu M es- 
tre?! Somentesuadoutrinaser-nos-autil;umavezmaisequilibrados, sera 
nossa maior felicidade conhece-lo pessoalmente. Este burro espantoso 
poderas ofertar ao hospedei ro, ja que nao Ihe podemos pagar!" 

13. Diz Raphael: "Ora, fazei-o vos mesmos: dai-lhe o burro e o 
peixe, criados por vossa causa!" 



57. Senhor Promete Apontar o Salvador 

1. N istoaproxima-seM arcus, paraconvidar-nosaoalmoco. Diz-lhe 
Suetal: "Amigo, nao temos com que pagar nossa divida; acontece, po- 
rem, que urn discipulo do Salvador fez surgi rem urn peixe colossal eum 
burro, por nossa causa. Comoambos nao simbolizam sabedoria, deduzi- 
mosdai uma boa licao. Tern, pois, abondadedeaceita-los!" 

2. Diz M arcus: "Pois nao, embora nada devais, porquanto ja fui 
indenizado mesmo pelo queainda ireisnecesatar. Procuraassento, queo 
almocoseraservido!" 

3. D iz Suetal: "M as, quern poderia ser tao generoso? Q ueremos 
agradecer-lhe." 

4. Responde M arcus: "N ao possodize-lo; contentai-voscom aquilo 
quesabeis!" - bedecendo a urn aceno M eu, eleseafasta, entregando o 
animal aosfilhos. Suetal, entao, Me diz: "Quevelho bom ehonesto! 
Iguaisaeleexistem poucos no mundo. Quern presumestenhapagotao 
generosamente nossa despesa7' 



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5. Digo Eu: "SopoderiaseroGrandeM estrede Nazareth, quenada 
pede de graca. Por um favor feito, ele indeniza com dez; e por dez, cem 
vezesmais!" 

6. DizSuetal: "Sim, masnosnao Ihefizemosnem um, nem dez; 
entretantojanospagou mil!" 

7. Digo Eu: "Ele, sendo onisciente, tambem sabeo que Ihe ireis 
prestar; dai, o pagamento antecipado." 

8. Respondeele: "Muito nosagradaestetratoetudofaremosafim 
deservi-lo se, ao menos, soubermos deque necessita." 

9. Aduzo: "Bern, neste caso seria preciso travar relacoes com ele e, 
quern sabe, talvez vosaceitecomo discipulos" 

10. DizSuetal para Ribar: "Seria oti mo! Poderiamos, enfim, imitar 
o jovem, alem do ensejo que teria de conhecer o M estre!" C oncorda o 
outro: "Eu tambem, etodosnos M as..., eo primeiro contato? Sera por 
certo piorqueo meu, com o peixe!" D izSuetal: "Q uem sabe?Asvezes, o 
empregado e mais violento que o patrao, com o fim de se exibir. Se 
durante o almoco houver oportunidade, o nosso amigo grego poderia 
nosaponta-lo." 

11. Digo Eu: "Poisnao! Umavez, porem, queoconhecais, necessa- 
rio eficardes calmos e nao fazer alarido, pois nao o aprecia. Penetra ele 
apenaso coragao, satisfazendo-secom veneragao silenciosa, justa eviva." 

12. btempera Suetal: "Eis um conceito muito mais sabio; pedi- 
mos-te que nos fagas este favor." 

13. D igo Eu: "Esta bem; mas, agora almocemos. Vede, la debaixo 
daquela arvore estao duas mesas; terei de me sentar na maior, em consi- 
deragao aosromanos. Sentai-vosnado lado, quepoderemosconversar." 

14. Acrescenta Suetal: "Assim sera melhor! Agora estou atesem paci- 
encia, afim deconhecerograndehomem." TomoadianteiraeosdozeM e 
seguem, Raphael ao lado de Suetal. Isto nao agradaao segundo, tanto que 
perguntaseiratomar parte na mesma mesa. anjo o afirmacom amabi- 
lidade Embora nao satisfeito com esta alternative mas porque imponha 
tao grande respeito, Suetal acaba por seconformar com sua presenga. 



Jakob Lorber 

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58. Bom Apetite de Raphael 

1. Com M inha permissao Raphael ajuda M arcus a arrumar varias 
mesas e bancos, sentando-se depois entre Suetal e Ribar. N a M inha to- 
mam lugar Mathael eseuscompanheiros, ao ladodeJuliuseCirenius 
Ao M eu ladoestaoYarahJose, Ebahl eM eusapostolos. Ostrintafariseus 
seacham atrasdeM im, desorteapoderem observar a todos. 

2. Serviu-sequantidadede peixes bem preparados, pao evinho, e 
comosempre, Raphael etamaisvdozconsumidor. Quando,finalmente, 
toma do ultimo peixe, parte-o em pedacos que engole com avidez, - 
Suetal nao secontem ediz: "Bom ejovem amigo, devester urn estomago 
colossal: em nossastravessasestavam, no minimo, unsvinte peixes, dos 
quaisconsumistesoito! Isto nao podefazer bem asaudelTalvezfaga parte 
da aquisicao da sabedoria edo poder do grande M estre?" 

3. RespondeRaphael, sorrindo: "Em absoluto! Estando eu com ape- 
tite, acaso nao deveria comer? bserva o Templo dejerusalem quanta 
nao consome, diariamente, em Nomede Jehovah?! Poder-se-ia afirmar 
ser Ele insaciavel, pois devora, por dia, quantidade de gado, cameiro, 
ovelhas, cabritos, galinhas, pombos, peixes, alem defarto numero de 
paeseumaseriedeodres! Foradisto, aindaeavido por dinheiro, ouro, 
prata e pedras preciosas! N unca tal fato te perturbou, por nao ignorares 
que os servos sao osunicosconsumidores. Q uerepresenta isto compara- 
do aosmeusoitos peixes, pois que, finalmente, sou mais servo deDeus 
que os devoradores do Templo?!" 

4. D iz Suetal: "Sim, tens razao; apenas me admirei do teu apetite, 
pois nem te preocupaste com nossa fome." 

5. Retruca Raphael: "Ora, ja viste os templarios considerarem as 
necessidadesdosquelhesfazem oferendas?Tiram-lhas, emaiso dizimo, 
semapreocupagaodequemorramdefome!Porquenuncalheschamas- 
teaatengao, equal o motivo deteu zelo com minha saude, provando-te 
quesou, realmente, urn servo de D eus?!" 

6. Diz Ribar ao outro: "Amigo,nao convem discutires com de, que 



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muito melembraMathad,etalvez fosse capazderdatarnossavidapassada!" 

7. D iz Raphael: "N ao deves falar tao baixinho, do contrario nao te 
entendo, eSuetal, muito menos." 

8. Diz Ribar: "Ora..., falei ate alto demais!" 

9. Protesta Raphael: "Entretanto, nao mequeriasentender! Seouco 
e vejo ateteus pensamentos, como nao haveria deouvi r tuas palavras?! 
animal que ha pouco se achava a teu lado muito se assemelha contigo. 
Enquanto nao tetomares tao humildequantoelenaoencontrarasa por- 
ta estreita da verdadeira sabedoria." 

10. DizRibar: "M as, amigo, porquemereduzestantodiantedetodos?' 

11. Responde Raphael: "Naovosdisseha pouco que sois tao cegos 
quenaoenxergaisum palmoadiantedonariz?Aindaassim, esseestado 
decegueiraperdura." 



59. EFEITOS DlVERSOSDE ADMOESTAgOES 

1. Diz urn terceiro do grupo, chamado Bad: "Amigo, ddxai-me 
dizeralgumaspalavraslO jovemdiscipulotem razaoemvosridicularizar, 
pois, tambem, digoquesoiscegos! Imaginai apenasem presencadequem 
nosencontramos, - eagradece a Deuspornoster salvo. Que tens aver 
com o apetite incomum destejovem milagroso? N ao somos hospedes 
gratuitosenaofomossaciados?Quemaisqueremos?!Pegoquevostomes 
mais i ntd igentes! Sois verdaddros tolos! Todos os dementos obedecem 
ao nosso amigo, o qual merecemaisveneragao queosprofetas, poisatra- 
ves dde e que age o Espirito D ivino, - e vos o tratais como semdhante! 
Quandoobrigadosaenfrentaro Sumo Pontifice, tremdsdetantavene- 
ragao; aqui, acham-se mais de mil pontifices, - etendesum comporta- 
mentoincrivd!Envergonhai-vos!Calai,ouvieaprendd;sodepoisdirigi- 
vos a pessoas menos tolas que vos! Q uanto ao jovem, nao o perturbds, 
do contrario terd de metornar grossdro!" 

2. Intervem Raphad: "Falastebem irmao;contudo,taisadvertenci- 



Jakob Lorber 

106 

as rudes nao estao dentro da ordern, poiscontem, nao o amor, masorgu- 
Ihooculto. Nestaatitudeteencenddasnoteuaborrecimentoatechega- 
resa ira, nada conseguindo debom, poisem cardoseabrolhosnao nas- 
cem uvasefigos 

3. Setencionasconduzirteu irmao nao devesagarra-lo com violen- 
cia, qual fera a sua presa, mas como guia a galinha seus pintinhos; entao 
serasolhado por Deus, porquanto agistepelaOrdem do Ceu. 

4. Tenta sempre o poder, o alcance e a forca do amor! Se tiveres 
prova de que com meiguice pouco ou nada conseguiras, cobre o amor 
com avestedaseriedade, conduzindoteu irmao aocaminhojusto. Uma 
vezfirme, desvendateu amor, que elete sera urn amigoeterno, cheiode 
gratidao! Eiso quee mdhor dentro da rdem D ivina!" 

5. Baelarregalaosolhosouvindoestaligao, eSuetaleRibarapertam 
a mao do anjo, pois se alegram por julgar terem encontrado no jovem 
urn defensor dosdirdtoshumanitarios. 

6. Raphael, porem, diz: "Amigos, a gratidao sempre e boa quando 
em solida base; do contrario, nao e mdhor quesua causa!" 

7. Chegaavezdosdoisarregalarem osolhos, eSuetal indaga: "M as, 
amigo, como entendes isto? Parece-nos que nao estejas satisfeito com 
nosso agradecimento." 

8. Responde de: "Vede, quando a criatura vive dentro da rdem 
D ivina, tudoestaconformeaVontadedoPai. E precisoqueo amor, base 
detodavida, tantoem Deusquantonohomem, irradie-sedecadaagao. 
Sois gratos por ter eu admoestado Bad, porquanto sua advertencia a vos 
nao sebaseava no amor, esim no aborredmento, filho da iraeda vingan- 
ga Evidentemente de vos ofendeu, o que incendiou vossos coragoes e 
deu origem ao desejo deser decastigado. Estedesejo tern causa na sede 
devinganca que resideapen as no inferno! Antedpando-mea vossa ten- 
dencia, demonstrd-lhe o perigo de sua agao, com que vos alegrastes, 
extemando agradecimentos 

9. Vossa alegria nao se manifestou por ter eu levado Bad ao bom 
caminho, masporte-lo repdido, o queabrandou vosso desejo vingativo. 
Baseando-setal gratidao numatendenciamaldosanao poder ser boa, por 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

107 

nao conter amor! Q uando, porem, for fruto da verdadeira alegri a celeste 
- pois um irmao perdido foi guiado ao caminho certo - tambem sera 
fruto da rdem do C eu, o Amor! 

10. Se vos, que fostes chamados, quiserdes vos tornar verdadeiros 
filhos de Deus, nunca vos deveis deixar levar a uma acao que nao se 
baseie no mais puro sentimento. Esforcar-vos-eis por evitar o minimo 
vestigio dum aborredmento, vingancaou alegria maldosa, poistudo isto 
pertenceao inferno! 

11. Vede, sevosso irmao seacha gravemente enfermo, a ponto de 
correr perigo devida, fareistudo para salva-lo, alegrando-vos com sua 
melhoragradativa. Setal sepodedarcom aconvalescencafisica, - quan- 
ta maior alegria nao devereis sentir com a reabilitagao dum ente psiqui- 
camente enfermo, comofilhosdeUm so Pai?!Compreendeis?!" 



60. Suetal Revela-se Palrador 

1. D iz Suetal: "Amigo, devesser um espirito elevado, pois, como tu, 
nao ha quern falenestemundo. Seras, talvez, o Proprio Salvador?' 

2. Responde Raphael: "0 h, nao; pois nem mereco desatar as correias 
deSuassandalias!Comoespirito,soudoAlto;fi3camente,aquiloqueves!" 

3. "Poisbem", diz Suetal, "jaqueoshospedesterminaram oalmo- 
co, desejaria conhecer o grande M estree patentear-lhe minha profun- 
da veneracao!" 

4. Afirma Raphael: "N ao recebi autorizagao para tanto; isto sedara 
no momenta oportuno. Pororavossoscoragoesaindacomportam umas 
tantasimpurezas, quenecessitaisreconhecer, condenaredelasvosdesfa- 
zer, daseguintemaneira: no momenta em quedescobrirdesalgo deim- 
puroemvossointimo, necessarioeestimularavontade paraexpulsa-lo. 
So assim sereis capazes de reconhecer o grande Salvador. 

5. Agora, prestai atengao! Parece que o amigo queha pouco vosfalou 
tencionafazerum discurso, poisvi ovelhoCireniusfazer-lheumapergun- 



Jakob Lorber 

108 

ta, - equandoosgrandesfalam, ospequenosdevem prestarouvidos" 

6. InsisteSuetal: "N ao nospoderiasdizer quem sejatal amigo?' 

7. RespondeRaphad: "Nao, agora nao! Urgecalareouvir!" Con- 
formados, Suetal eosoutrosaguardam M inhasPalavrasque, entretanto, 
naopodiam ser pronunciadas, poisCireniusainda nao haviaconclufdo 
sua indagagao a respdto de matrimonii adulterio, divorcio e rdacao 
com mocasoltdra. 

8. Diz Suetal, apos alguns instantes de silencio: "M as, - quando 
comecara a palestra?" 

9. Respondeo anjo: "Acaso nao vesC ireniusfalando?Seria possi'vd a 
alguem, respondersem queapergunta fosse concluida?Tem paciencia!" 

10. N ovamente Suetal seconforma. C irenius, porem, estendeo as- 
sunto cada vez maise, em virtudeda presencadeYarah, fa-lo em surdina, 
desortequeninguem percebe uma si'laba. Pouco a pouco todos come- 
cam a se cansar, pois entre os romanos e prova de boa educacao que 
milharessecalem quando urn dignitario fala. 

11. Por fim, Suetal sevira para Raphael, dizendo: "Amigo, osdois 
senhoresseaprofundam em demasia, por isto poderfamos palestrar urn 
pouco, demonstrando nao prestar atencao ao assunto por desdiscutido." 

12. D iz Raphael :"Esesperto, SudallMas, ve!Ai vem novaremessa 
dealimentos, em vista deeu voster prejudicado com meu apetite!" 

13. Dizde: "Otimo, poissinto urn vacuo consideravd no estoma- 
go." Em pouco tempo a segunda e consumida e Suetal diz: "Gracas a 
Deus estou tao satisfdto como nao o fui desde ha muito. Agora ja se 
podeaguardar com mais paciencia o pronunciamento do grego que pa- 
rece ser consd he ro do V ice-rd . 

14. Aquda menina e bem atraenteeaparenta estar apaixonada pdo 
grego, poisnaodesviaosolhosdde. filho do Vice-rei nao Ihedesperta 
interesse, conquanto useroupastao ricas. Eisquesurgem quatro mogas, 
porcertofilhasdohospeddro. Quefarao?" 

15. D izRaphad:"Comestatua mania detagardar, nuncaseras urn 
M athad. Experimenta calar e meditar, pois para despertar o espirito, ne- 
cessarioeumacalma externa, semaqual nuncaseconseguiraesteatode 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

109 



importancia vital" 



61. Raphael Disserta Acerca do M editar no CoRAgAo 

1. (Raphael): "Suponhamoso interior dumacasanamaiordesordem, 
poisqueosaposentosestaorepletosdelixoeentulho.O donoandasempre 
ocupado alhures - e nao seda ao tempo justo para a limpeza. brigado a 
penetrar na casa para dormir, tambem Iheabsorveo ar pestilento, tornan- 
do-sedoenteefraco, dificultando cada vez maiso saneamento. 

2. De igual modo teu coracao e morada da alma, mormente do 
espirito! Se te preocupas constantemente com coisas externas, quando 
poderas limpar tua casa da vida, para queteu espirito progrida no clima 
puro detua alma? D esta forma e necessaria a calma externa para o pro- 
gresso da alma e do espirito. 

3. DizSuetal: "Mathael alega sera vida urn luta jamais vencidana 
calma agradavd, portanto tecontradiz. Q uem esta com a razao?' 

4. Responde o anjo: "Ambos! Bern que a vida e luta, nao apenas 
externa, massim, muito mais, interna! homem mental tern deser, 
finalmente, vencido pelo espirito, do contrario ambos sucumbem. Por 
este motivo deves por urn freio a tua 1 1 ngua f isica, a f i m de que repouse e 
adopensamentodetuaalmaseponhaafalar, reconhecendoquao imun- 
do eo aspecto da casa desua alma. 

5. N ao tepreocupescom aparigoes externas efuteis; pouca impor- 
tancia tern em sua razao verdadeira. M as pela consideragao do justo re- 
pouso reconheceras a base verdadeira da vida i nti ma de alma e espirito, 
no quetodasascriaturasdeviam seempenhar. 

6. Q ueteadianta saber esentir que vives, se ignoras que esta sensa- 
gao perdura?Dequeteservem os conned mentoseci end as se nao co- 
n heces a razao da tua vida?! 

7. Sedesejasdescobriroteu fntimo, tensdedirigirteussentidospara 
ali, assim como fazes com teus olhos quando tencionas algo enxergar. 



Jakob Lorber 

110 

C omo quereras ver a aurora sedirigesteu olhar para o ocaso?! N ao com- 
preendesque, conquanto sejas rabi, escego qual embriao, relativamente 
a tua propria esf era vital?!" 

8. "RespondeSuetal: "Sim, sim! E isto mesmo. Eisporquecalare- 
mosqual estatuas." 



62. FlLOSOFIA DE RlSA 

1. Todos se calam nessa mesa, enquanto os trinta fariseus e levitas 
comegam a brigar por Ihester seu orador imposto tambem o silencio. 
Mormentereageumtal Risa, depaisabastados, poisHebram lembra-lhe 
ser preferivel meditarsobreassabiaspalavrasdeM athael queperdersuas 
energias com relatos referentes a sua futura heranca. 

2. Atrevidamente, responde Risa: "Os pobres na maior parte sao 
religiosos por saberem nao ser possivel se esperar algo do mundo. Os 
ricos e grandes tambem se tornam, as vezes, beatos e sabios, a fim de 
poderem reconduziros pobres, reacionarios, ameiguiceepaciencia. 

3. ricovai asinagogaeoraavistadoquenadatem, parafaze-lo 
crer quetal atitudetraz a Bencao D ivina; o outro, tambem o faz por este 
motivoe, alem isto, para que oricolhede urn obolo. Quediferencaha 
entreeles?N enhuma, poisambosprocuram seenganar. A mim ninguem 
engana, nem mesmo urn homem milagroso, quesabeperfeitamentepor- 
queediantede quern estaagindo. 

4.Tudo no mundo emistificagao eo maisesperto esempreconside- 
rado. Feliz, porem, somenteequem desdepequeno podesefiarem suas 
possese, alem do mais, ebem astucioso. Eisminhafilosofiasalutar. Q uanto 
avidaetemaaposamorte, pego-tequemedeixesem pazlOssepulcros 
bem demonstram a verdade; o que vem da terra, para la volta e o resto e 
pura imaginagao de ignorantes!" 

5. Como sesabe, H ebram se irrita com tais observacoes, tanto que 
diz: "Q uerdizerqueconsiderasM oyseseosoutrosprofetasapenastrapa- 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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ceiros, imaginarios ou reais, da H umanidade, e o atual Salvador de 
N azareth nao mereceoutra classificagao?!" 

6. DizRisa:"Naosaomaldosos, masbem intencionados, poissem- 
preentenderam enganar oscegos. No quediz respeito ao Salvador, por 
certo e conhecedor das forgas ocultas, atraves do estudo; portanto, as 
aplicaenos, como nao-iniciados, ficamosboquiabertos. 

7. Suadoutrinaeboaesetodosapossuissem eseguissem, tornar-se- 
iam felizes. M as, quern poderatransmiti-laatodosospovose, nessecaso, 
quais nao seriam as dificuldades que tal empreendimento traria?! Em 
tudo a criatura e mais acessivel salvo em assuntos religiosos. 

8. homem simples, desprovido demaior inteligencia, nao sedei- 
xara convencer da estulticie de seu atraso. outro, pensara: Para que 
algo denovo, decujo efeito nao setem ideia?Eisporquetaisinovac6es 
devem ser mantidas ocultas, poisquando posse comum perdem seu va- 
lor esetomam ridiculas 

9. Deste modo, julgo que o bom M estre de N azareth em pouco 
tempo sera esquecido, mormentese en sinarseusconhecimentosocultistas 
as massas como assisti mos pelo jovem. 

10. Seosdiscipulosconseguem taiscoisasineditas, o quesobraraao 
M estre?Sesilenciarem, poderao, ao menos, organizar urn instituto ren- 
dosodesdequefagaamigosentreospotentados; esses gostam desusten- 
tartaisinstitutos,poisqueosfeitosmilagrosossaoapropriadosacontero 
povoporpromessasgrandiosasnoAlem-tumulo,quesignificam:oupre- 
mio, ou castigo eternos. 

11. N ao sou profeta, contudo afirmo queoTempIo com suastrafi- 
cancias descabidas nao conseguira se manter por mais urn seculo, nao 
obstantetodapretensacautela. E umadoutrinanovateradesebasearno 
velho misticismo, estende-lo maisemaisparatomar-sebem convincen- 
te Isto, porem, de nada adianta, porquanto as criaturas com o tempo 
serao esciarecidasquantoaosfenomenosda N atureza. Eisminhaopiniao 
quenaopretendoimpor." 



Jakob Lorber 

112 

63. Hebram Demonstrao Engano de Risa 

1. D iz H ebram: "Amigo, explanagoesdesteteor ja muito ouvi; acon- 
tece, todavia, queaqui setratadealguem maisimportantequeum mago 
daPersiaou do Egito. RelembraapenasaspalavrasdeM athael eosfeitos 
eensinamentosdo grandeM estre, ecompreenderasqueestasenganado. 

2. Tenho alguma experiencia no campo da magia, contudo, aquilo 
que presenciamos e ouvimos indica origem muito mais elevada do que 
imaginamos Esinjusto, portanto, aoclassificaresessesmilagresdesimples 
fraudes, e ofendes ate M oyses e os profetas Foi ele a maior personagem 
diantedeDeusedoshomensAqui, porem, esta em forma humanaAque- 
lequelevou M oysesaocultar-sediantedo Seu Semblante Por isto eextre- 
mamentetolo detua parte falar D elecomo Sefora teu semelhante 

3. Contaoshospedesquesealimentam aqui, tresvezesao dia, dos 
melhorespeixes, sem espinhas, depao, vinho, frutas, mel, leite, queijo e 
manteiga. Considera, todavia, ser o hospedeiro antes pobre que rico. 
Verifica sua despensa e ve-la-as abarrotada! Se indagares de M arcus o 
porque, elerespondera: E tudo mi lagre do grande Salvador de Nazareth! 

4. Assim sendo, como podesafirmarquetaisfatossejam embustes 
engendradospelospotentados, afim deenganaraosignorantes?Afirmo- 
te, positivamente: aqui acontecealem daquilo queo intelecto dossabios 
jamaisconcebera, isto e, aagao daO nipotencia D ivina, daQ ual jatemos 
prova de sobejo. Embora teu pretenso raciocinio nao o compreenda, o 
fato ereal. Vai econvence-te!" 

5. D iz Risa: "Bern, sendo assim, retiro minhasnegativasquanto ao valor 
divinodeM oyses edosoutros profetas Umacoisaecerta: naoexisterdigiao 
- mesmodeorigemdivina- quesetenhamantidoporalgunsseculos En- 
quanto M oyses ouvia os M andamentos de Jehovah, o povo dangava em 
redordum bezerrodeouro; essasLeis, porem, mudaram deaspectoquando 
o Rei Saul tomou o lugardosjuizes; maistardeainda, quando no regimen de 
David efinalmente node Salomon eseusdescendentes 

6. cunho divino foi apagado e reposto por estatutos humanos, 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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conservando-seapenasaquiloquesalvaguardavaaposigaodostemplarios 
Os M andamentos nao impressionam quem quer que seja e ninguem 
pensaandaremvestimentadecontricao. adulterioentreosricosrepre- 
sentabom negocio, poisteraodeselivrardoapedrejamentocom somas 
vultosas; da-se-lhes para beber uma suposta agua maldita, que nao os 
afeta, epodem assim recair no mesmo erro. adulterio dostemplariose 
ocultado, enquanto o do pobretem seu castigo mortal. 

7. Sabemosdaagao poderosadaO nipotencia D ivinaquandotrans- 
mitiu SeusM andamentos a Humanidade sob raiosetrovoes. Dequao 
diversas maneiras foi o povo advertido pelos profetas! Q ue efeito apre- 
sentam hoje?N ao necessito elucidar-tea respeito. SetodasasRevelacoes 
D ivinas trazem apenas os frutos que deparamos entre os fariseus, per- 
guntoaalguemdementesa:naoeadmissivel queseneguetodaequal- 
quer Providencia D ivina? 

8.0 que medizesdo Grande Salvador ejustoeverdadeiro, epossi- 
velmente sua doutrina tera o maior exito de todos os tempos; apenas 
quereriasertestemunhadesuatransformagaodaquiameioseculceisto, 
na hipotese deque seu cumprimento dependa do livre arbftrio do ho- 
memlQuemedizes?' 



64. A Ordem D ivina e a RazAo Humana 

1. D iz H ebram: "Julgando do ponto de vista humano tens razao; 
pela compreensao espi ritual estas errado, pois, os Pianos de Deus sao 
diversos dos nossos. Se tivessemos, nos, colocado as estrelas no Firma- 
mento, com certezateriamosaplicado maior harmonia. Ele, todavia, sendo 
o nipotente, usou detoda mutabilidade Por que? 

2. Ve a flora: que variabilidade de ervas e arbustos! Tudo que ves 
apresenta antes desordem que simetria; entretanto, o Criador provou, 
mormente na forma humana, ser entendido em simetria. Para tal con- 
trastedeveexistir razao bem profunda. 



Jakob Lorber 

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3. A mente humana, porem, sempre encontrara algo que tenta a 
critica. Eisqueo Proprio Mestrenosensina: Cadaqual no seu oficio, 
pois como nico Criador sabe melhor quais as necessidades espirituais 
para os povos di versos em epocas varias 

4. Assim sendo, permiteEleque, com otempo, umadoutrinafene- 
cacomo asfloresdo campo; asemente, contudo, quesurgir daflor qual 
verdade pura e viva, continuara vicejante Se reconhecemos que Deus 
deixa perecer tudo, embora de aspecto agradavel, dedicando toda aten- 
gao ao desenvolvimento da vida interna, - nao edeseestranhar a mesma 
contingencia para com as Revelacoes 

5. A doutrina mais pura nao nos podera alcancar sem a palavra pro- 
nunciada; esta, porem, ematerial eteradedesaparecer quando o espirito 
setiver desenvolvido. Do mesmo modo a pompa externa duma religiao 
setorna com o tempo nociva; em compensagao, surge no fundo a forca 
puraeespi ritual eaverdadeda Revel agao D ivina; naoeisto, amigo Ribar?' 

6. D izeste: "Irmao H ebram, tu metonteias! Por Jehovah, transfor- 
mastecom tuassabiaspalavrastodo o meu modo depensar, pelo quete 
agradego sinceramente As coisas sao tais como me explicaste e, quanta 
maismedito, maisnitidassetomam." 



65. Senhor Da Ensinamentos Para Principiantes 

1. N isto Eu M e volto e digo a H ebram: "Entao, ja fizeste grande 
progresso na Sabedoria, como osdemais; adeptosdestequilatedao pra- 
zer e poderao se tornar, em breve, bons trabalhadores na Vinha do Se- 
nhor! Contudo chamo aatencao parao seguinte: 

2. Sois semelhantes as florzinhas primaveris que, nessa epoca, er- 
guem suascorolasdemodo maravilhoso erapido para fora da terra. Sua 
existenciadependedo bom tempo, poisse, aposalgunsdiasquentesres- 
surgirem asgeadas, taisfloresprematurasdeixam penderaspetalas, mur- 
chando completamente 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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3. Afirmo-vos muitasvezesacriaturaassimilaumaverdade; quan- 
do, no entanto surgem-lhe nuvens densas na alma como prenuncio de 
trovoada, o coracao se tu rva e a vi sao nao mai s recon hece aqu i lo que ha 
pouco percebiatao nitido. 

4. Guardai bem o queouvistes, eerguei vossascabecasornadasda 
sabedoria sobre o solo de vossa mente externa, somente depois de te- 
rem passado as geadas das provacoes; so entao vosso saber nao mais 
podera ser perturbado. 

5. Tudo requer tempo para seconsolidar; assim acontece tarn bem 
comacienciahumana:numaboaoportunidademuitacoisaseassimilae 
aprende, maseesquecidoem virtudedeoutrosacontecimentos Assimilai, 
assim, o que ouvis, mais com vossa alma que com o cerebro, a fim de 
guarda-lo. 

6. Pela contemplagao duma flor sentis certa alegria, pela beleza de 
sua forma; que vos adianta esta alegria, forcosamente tao fugaz como a 
flor? A energia da flor tern deserdepositadanofundodaqueleinvolucro, 
ondeecuidadaasem ente viva; assim devetam bem murchar vossa alegria 
externa, para que sua forca desca ao fundo da alma onde e cultivada a 
vidaeternadoespirito. Entao surgira alegria duradoura, com baseem sua 
verdadeira beleza interna, inatingivel pelas geadas 



66. Raphael Anota os Ensinamentos 

1. D izC irenius: "SenhoreM estre, seriadedesejarquealguem tives- 
seanotado esses enanamentos, palavra por palavra." 

2. Digo Eu: "Raphael podera faze- lo; mandaviro material necessa- 
rio." Em poucosinstantesoslacaiostrazem rolosdepapiroechapasde 
cobre para gravagao. Entao Raphael indagadeCireniusoqueprefere: o 
pergaminhoouaschapas 

3. Respondeeste: "Em pergaminhoseriademaisfacil manuseio; em 
cobre de maior duragao para a posteridade Todavia poderei mandar fa- 



Jakob Lorber 

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zer uma copia nas chapas" 

4. Diz Raphael: "Queressaberdeumacoisa?Jaqueotrabalhoeo 
mesmo, ou simples ou dobrado, fa-lo-ei, a um so tempo, em ambos" 

5. Osdozejudeusnamesaao ladoarregalam osolhosparavercomo 
o anjo iria escrever com ambas as maos Suetal ate se vira para Ribar: 
"Estou curioso por ver esta dupla escrita! grande M estre de N azareth 
deveser um colosso; mas, atequeestediscipulo terminetal tarefa, o Sol 
seteradespedido." 

6. DizRibar: "Dependedesualigeireza. Sera, talvez, munidoduma 
vantagem magica, igual asoutras. Por isto nao convem duvidar antecipa- 
damentedum fato com pessoasqueja nosprovaram tantascoisas." 

7. D iz Suetal : "Tens razao; eu apenas estava conversando." 

8. Respondeooutro: "Amigo, emelhorcalareouvirlVe, ojovem 
apronta os papi ros e as chapas. Atencao!" 

9. Suetal se levanta e observa os gestos de Raphael. Q ual, porem, 
nao esua estupefacao ao ver quetudo ja seacha anotado?! Por isto excla- 
ma: "Q ue medizeis? Aguardamos quea tarefa seja feita..., etudo ja esta 
pronto! Isto edemais!" A esta exclamacao osdozetambem se levantam, 
convencendo-sedo milagre. 

10. Percebendo o assombro, Raphael diz: "Eiso efeito dosoito pei- 
xes, pelosquaisestavasum pouco invejoso! E preciso queseacumulem 
forgas para tal servico, nao achas?' 

11. Responde Suetal: "Estasgracejando, masnao importa. Vejo que 
possuisum elevado grau deO nipotencia D ivina, dado pelo grandeM es- 
tre de N azareth. Assim, faze com que o conhegamos em breve. N osso 
coracao nao maisseacalma: queremosve-lo efalar-lhe!" 

12. D izo anjo: "Acalmai-vosatequeeu tenhaorganizado asescritas; 
depois veremos onde Se acha o G rande M estre para os cegos e surdos!" 
Pacientementeosoutrosesperam que Raphael entregueseu trabalho a 
C irenius, que, admirado observa sua exatidao. 



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67. Impaciencia e Curiosidade de Suetal por Ver 
o Senhor 

1. EnquantoCireniusanalisacom prazerosrolos,expressandopro- 
fundo respeito, digo a Raphael quechameYarah ejosoeamesa. anjo, 
em seguida dirige-se ao grupo dos doze, e Suetal e o primeiro a falar: 
"Carojovem, quehaentreestameninaeogrego, alvodesuapaixao?!Ja 
pensava que fosses apontar o M estre dos mestres, - e trazes esta men i na! 
Q uedesilusao! Explica-me, quefizemos para nao merecersuapresenca?' 

2. "M eusamigos", diz Raphael, "sesoistaocegosquenaovedesnem 
o Sol ao meio-dia, nada posso fazer. Quando seetao tolo nao adianta 
afirmar: E esteou aquele!, poisnaooacreditariaem virtudedafeneces- 
sitardum raciocinio despertado, que, em casodenecessidade, orienta-se 
porsi mesmo. Quandooraciocinioaindaseachaencobertopdamateria 
grosseira, nao adianta apontar urn fato, mas sim, bater com o nariz dez 
vezes contra a parede, afim de refletir sobreo porque! mesmo aconte- 
ce convosco: nao havera urn deus que vos eduque enquanto nao 
aprenderdes pela experiencia propria. 

3. Comotencionaisagircom o grande M estre? Desejaisquede vos 
auxilie ou sois levados por mera curiosidade, como os tolos observam 
boquiabertos urn urso a dancar? N a verdade, o grande Salvador ai nao 
esta para Seddxarfitar por pessoas tolas epretensiosas! Sevosso coragao 
nao achar nestegrupo, muito menoso fara vosso pretenso intdecto, - 
istovosgaranto! 

4. H umilhai-vos primdro, do contrario, nao descobrirds o Santo 
M estre, cujo Ser atefisicamenteepleno do Espirito D ivino! EleeSenhor 
deCeuseTerra, eamencaodeSeu Nometodosdeveraoseajodhar, pois 
Seu Nome e Santo, Santo!"Ap6sestaspalavrasseverasoanjoselevantae 
toma lugar em nossa mesa, onde C irenius Ihe agradece novamente em 
M eu N omepdo grande servico prestado com ascopias. 



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68. SUETAL E RlBAR EM PALESTRA 

1. Como o sermao de Raphael nao agradasseaosdoze, comecam a 
conjeturarum meiodeseevadirem secretamente para Jerusalem. "Pois", 
dizSuetal, "nadadecondenavd encetamos contra oTemplo. N aotemos 
culpa da violencia que nosfoi aplicada; outrossim, nossossentimentos 
i nti mos nao podem ser descobertos, de sorte que o si nedrio tera de nos 
aceitar. s maiorais ate nos receberao com respeito, quando souberem 
das peri pecias por que passamos Talvez sejamos novamente en vi ados ao 
estrangeiro, masdesta vez saberemoscomo agir. 

2. N esta estranha assembleia de prestidigitadores nao existepossibi- 
lidadedum convivio! A toda horasefaladeamor; mas quando algo se 
indaga acerca do Salvador, e-se tratado pdo jovem com rudeza. Que 
experimenterepetiraprdegaosobrehumildade, mdguiceeamorlRes- 
ponder-lhe-d detal forma que searrependera! 

3. Q uem quiser levar o outro a humildadetera deser humi Ide. Vede 
estejovem milagroso: que temos aver com sua habilidadesenao sabe- 
mosimita-lo?E precisoquesetomerispido?M inhaobservagaoreferente 
a menina nao foi ofensiva, entretanto o jovem seaborreceu eainda nos 
virou as costas para evitar uma contenda! Tal proceder e de loucos, por 
isto naodesejo permaneceraquilQuemedizes, Ribar?Tenhorazao?' 

4. Dizeste: "Pensoquedevemosficar. Naofomosadmoestadospor 
urn homem, mas pdo jovem - por certo, em virtude de tua mandra 
imodesta dequerer ver o Salvador. M inha opiniao ea seguinte: o jovem 
esta proibido pdo M estre de denuncia-lo antes do tempo. Eu, porem, 
prefiro esperar por tal oportunidade! 

5. Naorestaduvida ser esta assembleia estranha: orase tern impres- 
sao do convivio divinal, oratudo tern aspecto humano! N ao secogitade 
jejum,taopoucodeoragao. M asaquiloquesefalaeprofundolAchamo- 
nosentrepessoasquasequeescolhidaspor D eus para fazerem ajungao 
entre Ceu e Terra e, finalmente, proporcionar as criaturas urn campo 
mais vasto para o desenvolvimento espiritual, com as forcas materials 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

119 

necessarias para este fim. Eis por que nao me posso aborrecer com a 
rispidezdojovem, poistal chamadalevamaisrapidoacompreensaodo 
quecem ensinamentosmodestos." IndagaSuetal, pensativo: "Como?" - 
Dizooutro:"Ouve!" 



69. Ribar Pressentea PRESENgADO Senhor 

1. (Ribar): "0 jovem nao nosclassificou, sem razao, desurdos, ce- 
gosetolos, eo burro quepostou ao nosso lado confirmava istolTenho a 
impressao nitida dequeaquelegrego simpatico eo grandeM essias! b- 
servei-o bastante: todoslhedirigem olhos, ouvidosecoragao! podero- 
so C irenius, sempretao altivo, adora-o verdadeiramente! Alem do mais, 
seusensinamentosforam anotadosdemaneiramilagrosa. Seconsidera- 
res todos esses pontos, verasqueojovem nosjulgou acertadamente! Q ual 
etuaopiniaoeadosoutros?" 

2. RespondeSuetal: "Estasefazendo umapequena luzem mim; 
contudo examinarei mais de perto a atitude do grego." Dai em diante 
Suetal nao tira o olhos de M im dos que M e rodeiam. D epois de algum 
tempo diza Ribar: "Amigo, poderaster razao, pois todos ossemblantes 
denunci am sereleafigura principal, eo proprioVice-rei anadaseatreve 
sem o seu consentimento. J a o teria percebido caso ele nao se tivesse 
declarado apenas como amigo do grande M estre, pois nao era de se su- 
por, que urn homem tao compenetrado do Espfrito Divino seocultasse 
diante de nos, judeus inofensivos!" 

3. D iz Ribar: "N ao concordo. D izendo-seo melhor amigo do M es- 
tre nao externou uma inverdade, sabendo-se que cada qual se conhece 
maisafundo; ele, portanto, eseu proprio emelhor amigo! Ademais, tera 
seus motivos em nao sequerer revelar; maistardesabe-lo-emos Repare 
so o sabio M athael como secomove cada vez que ol ha para o grego! 

4. Alem detudo, o grande amor que Ihededica aquela inteligente 
meninaemaisumaconfirmagaodoquedigo. E naohaveriamulherque 



Jakob Lorber 

120 

nao se sentisse atraida pela expressao celeste de nosso jovem fazedor de 
milagres! Entretanto a pequena nem I he da atencao, tributa-a com todo 
fervor ao grego, isentadesentimentoscarnais!" 

5. D izSuetal: "Estou comegandoaperceberfatoresquepositivam tua 
observacao. jovem, porexemplo, porvariasvezesfoi mandado pdo M estre 
a fazer isto ou aquilo; nunca, porem, o vi andar, surgindo ora aqui ora 
acola! N estecaso so podera ser urn mensageiro, e nunca urn senhor!" 

6. Diz Ribar: "Tambem ja percebi algo extraordinario quando no 
almoco: mastigavaospeixes, levava-osapenasaboca- eelessumiamlO 
mesmosedavacom vinhoepaolComecei aobservarseuspesem baixo 
da mesa: eram normais e de forma tao linda como nunca os vi nu'a 
moca, muito menosnum rapaz! Urn anjo nao poderiater pes mais mag- 
nifies! E se aquilo queM athael falou do M estre everdade, seu discipulo 
podeser urn anjo!" 



70. A Manifestacao Divina 

1. D izSuetal: "Sim, epossivel; apenasa expressao de"discipulo mais 
jovem" me intriga, pois urn anjo nao o pode ser diante das criaturas 
considerando-sesua idadeincomensuravel. Queachas?' 

2. D iz o outro: "Talvez o M estre assim o denominassepara aponta- 
lo como o maisrecenteem vesteshumanas!" 

3. Teima Suetal: "Tal hipoteseseria arriscada, em virtudedo que 
dizMoyses." 

4. Insisteo outro: "Como assim? Pois se urn anjofoi, durante sete 
anos, guia deTobias, por que nao poderia este se conservar por algum 
tempo sobre aTerra, igualmente bra de D eus?" 

5. D iz Suetal : "Sendo ele urn anjo, seu M estre deve ser, espi ritual- 
mente, Senhor detodososC eus. N este caso resta saber que devemos e 
podemos fazer?" 

6. Responde Ribar: "Ora, aDivindadetem livreagao, eosmortais 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

121 

naoLhepodemimporlimitesEntretantoElanosprocuracomoBenfei- 
torM agnanimo, afim denoseducarpdoamortaoveementementepre- 
gado por H enoch. Assim, so podemoscompreende-la pelo amor, jamais 
pelo intelecto ea raciocinio assaz presuncoso. Percebo-o cada vez mais 
nitido: o grego nosprocurou amavelmente, perguntando sequenamos 
travar conhecimento com o M estre. Esquivamo-noscom razoesfutds, 
poisojovem nosprovaranossatolice. 

7. Ate entao calculavamos de acordo com o intelecto, sem conse- 
guirmos vislumbrar alem; e o pouco que ora enxergamos devemos ao 
jovem quenosfezaqudaadvertenciamaisforte, pois perdera a paciencia 
conosco. Assim nosfoi tiradaavendadosolhosdenossaalma, desper- 
tando-nossimpatiapdo grego ejulgo ser mdhor seguirmosapenaso que 
o coracao manda. A razao so foi dada ao homem como instrumento, tal 
como a col her serve para remexer as pandas. U ma vez que o alimento 
estejacozido, nao maisenecessaria." 

8. Diz Sudal, admirado: "Vejo tua grande atragao pdo grego da 
qual tambem compartilho. Apenasnao concordo com a abolicao do ra- 
ciocinio, poissem denosassemdhariamosaosanimaisqueseguem so- 
menteo instinto. Julgo necessario purificarmos nossa razao, proporcio- 
nando-nos pdosjustossentimentosuma bengao verdaddra. 

9. Os sentimentos humanos sao identicos a urn polipo, pronto a 
estender os bragos na satisfagao de sua voracidade Contudo nao tern 
intdigencia. U nicamente a razao bem formada e purificada organiza os 
sentimentos, tomandoo homem umacriaturaverdaddra."- Osoutros 
concordam e Sudal conclui: "Acaso terasalgo acontrapor?" 



71. Razao e Sentimento 

1. RespondeRibar: "Amigo, haveriamuitacoisaadizer; mas como 
esheroi intdectualsempresaberiascontesta-la. Aeducacaohumanaetal 
qual como aexplicasteedeveser predecessoranecessariaamaisdevada, 



Jakob Lorber 

122 

ou seja, a spiritual. Jamas sera a educagao do intelectoo ultimo grau, 
emboramuitorefinada. 

2. Searazaonosfoi dadacomoreguladorprimitivodenossossenti- 
mentos, afim desublima^osdeve haver corrdacaoentreesteseum fruto 
amadurecido que necessita para tanto de luz ecalor solares, como tam- 
bem dachuvagerminativa. Q uando sazonado deveser colhido eguarda- 
do na despensa para setornar mais saboroso. Se o deixares no pe, nada 
lucraras, poisapodrecera. 

3. mesmoacontececom ossentimentosdacriatura: umavezque 
alcancem certo grau de maturagao devem ser livres do cuidado da razao 
externa elevados a sublimagao, afim denaotornar inutil seu amadured- 
mento. Por este motivo afirmei que nos devenamos despojar da razao 
externa, entregando-nos aos senti mentos amadurecidos!" 

4. RespondeSuetal: "Irmao, devesestar recebendo o influxo divino, 
poisdesconhego em ti tal linguagem! N ada maistenho adizer esinto que 
estas dentro da verdade, a qual tambem ajudara o meu progresso!" 

5.0 s outros companheiros confirmam suas palavras N isto volta 
Raphael, toca os dois amigos no ombro e diz: "Assim me agradais bem 
mais do que em vossas conjeturas intelectuais, tanto que vos asseguro 
estardes no caminho certo!" 

6. Ribar se levanta e abraca Raphael com todo fervor, dizendo 
comovido: "Criatura adoravel, por que nao mefoi possivd amar-te 
desdeo principio?!" 

7. Diz Raphael: "Amigo, esta qual idadede amor emelhor que ne- 
nhuma; todavia nao se adapta a esfera da alma e sua vida intima. Teu 
amor seprende a minha forma- oquenuncadeveriaacontecer, - pois 
deste modo o interior seexterioriza, tomando-se uma estampa do infer- 
no. A rdem D ivina se inverte, o espirito, ou o amor da alma, descobre- 
se, provocando seu atrofiamento. Fato semelhanteseda quando o feto e 
expel ido bruscamente, poiseperdido. M inhafiguranaotedeveseduzir, 
mas am, as palavras que pronuncio. Estas perdu rarao, libertando etor- 
nando fdiz tua alma; minha forma externa e temporaria tesirva como 
prova da bdeza da verdade em unissono com o amor! C ompreendes?" 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

123 

8. Responde Ribar, soltando o anjo deseu amplexo: "Como nao? 
D iantedetuafigura, porem, a razao setorna um peso!" 

9. Vira-seSuetal para Raphael: "Eisum velho defeito demai amigo: 
naosuportaapresencadabeleza, masculinaou feminina, sem seapaixo- 
nar. Para mim isto nao importa. Prefiro, eclaro, um fisico atraente, mas 
sem jamais meter perdido. Porestemotivoasmulheresnuncaforam por 
mim importunadas!" 

10. D iz Raphael: "N ao existe merito nisto, pois se baseia em tua 
natureza! Q ue vantagem leva um cego por nao ser tentado pela beleza? 
Aosurdo nao constitui virtudenao ouvirasmentirasdo mundo. Criatu- 
ras como tu sao mais dificeis de despertar, pois algumas existem cuja 
sensibilidadeserevela logo no inicio daevolucao espiritual, eoutrasha 
que nem no fim da mesma. 

11. No teu amigo Ribar ja existe algo de espiritual, embora nao 
purificado, em seu fisico; motivo por quesesenteatraido pela beleza ou 
perfeicao, porquanto se baseia no espirito. Assim, tal atragao externa por 
algo sedutor jaeum conhecimento silencioso, contudo dereciprocidade 
espi ritual . Apenasdeve, quanta antes, ser entreguea uma boa orientacao, 
pelaqual serareconduzidaaverdadeirabasedavida.Tal tarefanaoetao 
dificil, porquanto o espirito quesemanifesta pelo amor eo proprio ser 
inteligente do homem, compreendendo e acionando aquilo que 
corresponded sua natureza eequilibrio. 



72. Razao da Diversidade deTalentos 

1. (Raphael): "Em Absolute constitui pecado a pessoa se apegar a 
algo atraente, mas podera chegar a este ponto - isto e, tomar-se uma 
falha na ordem da vida - permanecendo neste pendor sem a devida ori- 
entagao, pois sera dificil isolarereconduziraalmaaboaordem. 

2. EisporqueoSenhorpermiteateflagelosdolorosos, pelosquaisa 
criatura consegue, com o tempo, abandonar as coisas externas, aprovei- 



Jakob Lorber 

124 

tando a inclinagao artistica ordenadamentee, destemodo, vivificando-a. 

3. Existegrandediferengaentrecriaturassemelhantesati eaRibar: 
o que levaras anos a conquistar, de podera conseguir em poucos dias, 
sim, em poucashorasmesmo, sendo bem conduzido eapresentando boa 
vontade Compreendes?" 

4. RespondeSuetal, amuado: "Sim, contudo nao percebo o motivo 
que leva o Criador a dotar uma pessoa defacil assimilagao, enquanto 
outra nasceobtusa qual pedaco de pau!" 

5. Diz Raphael: "Amigo, com indagacoesdetal ordem levaremos 
tempo para chegar a uma conclusao. Teu espi rito se acha preso a carne, 
enquanto odeRibarjatraspassou apele, oquetornafacil selhefalar. Do 
mesmo modo poderiasindagararazao deter feito Deustantaspedras, ao 
invesdumsoloapenasmacioefertilizante;oporquedaaguaqueimpede 
o cultivo dehortasevinhas, doscardoseabrolhosincapazesdeproduzir 
urn so fruto. D igo-te: tudo isto esumamente necessario, pois uma coisa 
n ao poderi a exi sti r sem a outra. E scl arecer-te as sabi as razoes I evari a m i I e- 
nios, ao passo que urn espirito mais despertado e amadurecido 
compreende-lo-aem poucos instantes, caso Ihedesperteinteresse. Como, 
porem, tal espirito tern problemas mais elevados a resolver, com gosto 
relega tais pesquisas a criterio do Senhor de Etemidade" 

6. TeimaSuetal: "Logo nao mecabe culpa deser menosinteligente 
que Ribar, o qual, a meu ver, esta longe deter assimilado a Sabedoria 
Celeste, nao obstante seu espirito lucido!" 

7. Raphael prossegue: "Criaturascomotu necessitam de intdecto 
maisagucado,quefaciliteasua alma obtusaumcaminhoparao espirito. 
Estecaminho e, naturalmente, espinhoso emaislongo - poisapenase 
alcangado pelajustaaplicagaodossentidosexternos, - queaqueleindica- 
do aos espi ritos de amor, possuidores, em ediantedesi, dum elemento 
devidasintonizada. 

8. Q ue esforco nao necessitaras para conquistar o amor! Ribar, po- 
rem, jaetodo amor, ebastaequilibra-loeconduzi-lo para que seaperfei- 
coeTu precisaras para tal fim deteu intdecto infecundo, compreendes?" 

9. DizSuetal: "Assim sendo, Deuseinjusto epartidario!" 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

125 

10. Respondeo anjo: "Sim, partindo do ponto de vista racional; 
masporqueaoconstruiresumacasaempregasnoalicerceaspedrasmais 
pesadaseduras?Quemal tefizeram paraqueajasassim, poisaindadeitas 
sobre elas todo peso da construcao? N ao te inspiraram piedade? Acaso 
nao te compadeces das raizes da arvore por ficarem enterradas no solo 
mofado da Terra, enquanto seus galhos se estendem soberbamente no 
eter e na luz reconfortante? 

11. Nao sera istotudoumaseriedeinjustigasjanascamadasmais 
infimas da Natureza? Como poderia um Deus Sabio, como Criador, 
permanecer insensivd diantedetantacompreensao humana? 

12. Domesmomodoteuspespoderiam apresentarqueixascom refe- 
renciaasmaos, dizendo: Somostao bem came esangue como vos, porem 
conden ados a carregar vosso peso, enquanto vos e dada a I ivre movi menta- 
cao! utras partesdo corpo, igualmente, poderiam levantar sua voz contra 
a cabega; quern nao compreenderia o absurdo detais reclamagoes? 

13. Senhordotou as criaturas defaculdades di versas, maioresou 
menores; a ninguem, todavia, evedado o acesso aoTempio da Perfeigao, 
todostem seu caminho enao sepodem lastimar: Senhor, por quenao me 
desteostalentosdosquaismeu proximo desfrutataofartamente?, poiso 
Pai responderia: SeEu tivessedotadotodasascriaturasdemodo perfeito, 
jamais necessitariam do auxilio mutuo e, neste caso como despertar e 
ativar o amor ao proximo quevivifica? 

14. Queseriao homem sem estesentimento, ecomo poderia, sem 
de, encontrar o amor puro por D eus, sem o qual nao epossi'vd se pensar 
na vida eterna da alma?! A fim de que possa alguem servir a outrem, 
conquistando destemodo seu amor, devedeser capazderealizar algo de 
queo outro carega; assim um setorna necessidadedo outro, despertando 
nessa reciprocidade o amor e fortalecendo-se cada vez mais pdo bem 
aplicado. N o poder do amor ao proximo consiste sempre a revdagao 
intima do Amor Puro eDivino, em Si a Vida Eterna. 

15. Seoraafirmasque, decerto modo, nadatelevaamanifestagao 
deamor, nem a bdeza externa nem tao pouco uma acao reta, - desejaria 
saber qual o tercd ro mdo deconsegui r o homem despertar tal senti men- 



Jakob Lorber 

126 

to em soi coragao e como fortifica-lo ate alcancar o poder da revelacao 
doAmorDivino!? 

16. Enquanto nao se manifestar em palavra e acao, as condicoes 
dumavidaetemaaposamorteserao bem precarias! Em suma: sepersis- 
ti rem duvidas em teu coracao quanta a sobrevivencia da alma, e porque 
ainda nao se revelou a existencia do espirito dentro de ti, e a criatura 
tendesempreaduvidardaquiloquenaopossui, mesmoseodeseja. Se 
urn dia acharesavida eterna detua alma pela revel agao do Amor D ivino 
- como quern acha urn centavo perdido, - tambem nao mais havera 
duvidas sobre a posse real dentro deti! 

17. Este estado so se alcanca pelo amor ao proximo. Eis porque 
Ribarseencontramaispertodoverdadeirodestinodavidaquetu, pois 
tens iluminado teu cerebro com a luz natural do mundo, enquanto teu 
coracao perambulasem fogoeluz, qual cacaselvagem, nosemaranhados 
trevososdasflorestas brejaisda Europa! 

18. Assim te aconselho: reflete sobre minhas palavras, para nao te 
perderes nas trevas com todo teu intelecto, pois este acabara por ser o 
fruto de ouro carcomido pelos vermes, em tua arvore da vida, muito 
antes de seu amadurecimento. s vermes representam as duvidas que 
destruirao, final mente, teu cerebro eteu fruto vital apodrecera, servindo 
de ali mento aos abutres! C ompreendeste?" 



73. HOMEM M ENTAL PROCURAO AMOR 

1. Diz Suetal: "Como nao? No entanto, quase prefiro nao teter 
compreendido! Como posso me obrigar ao amor, se por natureza me 
falta essa capacidade? Conhego apenas a manifestacao do intelecto na- 
quilo quevejo; o amor e-meinteiramenteestranho! Explica-meo quese 
passa na criatura como indicio deamor? D eve existir uma prova evidente 
na vida do homem, do contrario de nada Ihe Valeria este sentimento. 
Podera possui-lo em plenitude sem saber quetal sentimento seja amor!" 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

127 

2. DizRaphael:"Naotelembrasdetuainfanciaeoquesentiaspelos 
pais que muitoteamaram ecumularam decarinhos?" 

3. RespondeSuetal: "Recordo-me, emboravagamente, decertosfatos 
emocionantesquemeenchiam os olhosde lagrimas. Teria sido tal senti- 
mento infantil, amor?' 

4. Diz Raphael: "Claro, equem nao o possui, carecedetudo que 
pertence a vida; tal criatura e apenas um maquinismo de seu intelecto 
iluminado pela luz material, desconhecendo avidadesua propriaalma! 
Por isto devem, pessoascomo tu, fazer despertar o amor infantil no cora- 
cao, do contrario e impossivel conduzir um intelectual ao Reino interno 
do espirito. 

5. Dequeteadiantaaassimilagaodoraciocinio, seignorasaforma- 
gao e individualizacao detua propria vida?! Q ue vantagem teria um jar- 
dineiro pela contemplagao do crescimento pujante de plantas rarasem 
jardinsestranhos, enquanto deixaqueo seu proprio seja invadido pelo 
matagal?! Necessarioe organ izaroscanteirosde seu jardim, limpa-losdo 
mato, estruma-los e lancar-lhes boas sementes, para que possa ter, em 
epoca propicia, alegriajusta no desenvolvimento das plantas! - Agora 
basta, poisoGrandeM estreentraraem agaoedevemosdirigir-Lhecora- 
gao ejuizo!" 

6. D izRibar: "Antesdisto, dize-nossenao convem externar-lhenos- 
so reconhedmento por tudo que Sua grande Bondade nos proporcio- 
nou, tanto fisica quanto espiritualmente!" 

7. RespondeRaphael:"Elevesomenteointimo da criatura: estando 
esteem boa ordem tudo estara bem. Quandovosachar bastanteamadu- 
recidos, chamar-vos-a, determinando vossa atitudefutura. 

8. Agora trata-sedededicar-Lhetodaatengao, poisquando realiza 
alguma coisa nao e apenas para determinada zona, pais ou ate mesmo 
este plan eta, mas para todo o I nfinito! C ompreendei-o bem: C ada pala- 
vra que Sua Boca profere, - movimentada pelo Espirito Eterno de D eus 
- etodaagaoconsequentesaodeinfinitarepercussao!- N ecessito deixar- 
vosesujeitar-mea Vontade do Grande M estre!" anjo volta parajunto 
dejosoequetinhavariosassuntosadiscutir, poisascontroversiashavidas 



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128 

deixaram-no um tanto perturbado e Raphael tern o quefazer paraajustar 
seu discipulo. 



74.0 Senhor AnunciaUm Eclipse Solar 

1. Eisquedigo: "Amigos, nossa refdcao material eespiritual durou 
cerca dequatro horas. Levantemo-nos, pois, a fim deobservar o mar que 
talvezapresentealgo digno denossaatencao! D entro demeiahora, assistireis 
a um eclipse total do Sol; ninguem sedeveinquietar, poisefato natural! 

2. A Lua, numadistanciadenoventaeoito mil horas, passaradiantedo 
Sol impedindo que sua luz recaia sobre a Terra. eclipse durara apenas 
algunsinstantes, osuficienteparaquevejaisaconstelagaogderal do inverno, 
edepoisreapareceraoSol sobreosbordosdaLua. Digo-vosistoparaquenao 
sintaismedo, demonstrando-vosanaturalidadedetaisfenomenos 

3. Ao mesmo tempo descobriremostresnaviosdecarga, quedeverao 
alcancar a praia antes do dito eclipse; do contrario, a supersticao nefasta 
obrigaraosmarujosafazerjogarao marum grego honesto, em companhia 
desuafilhadebdezaevirtudesraras. Viajam para Jerusalem, com o obje- 
tivodeveroTemploeseinteirarem da rdigiao judaica e levam para tanto 
enormeriqueza, quecairia nasmaosdosgregoscriminosos 

4. Naohatempoaperder, poisosastrosseguem ininterruptamente 
sua trajetoria dentro da Id; seestamarcha fosse impedida, aTerra levaria 
grandeprejuizo por um milenio. Seostresnavios, porem, forem trazidos 
a praia numa rapidez milagrosa, ninguem sera prejudicado: muitos po- 
bresdestazonaatelucrarao, material eespi ritual mente. M aosaobra!" 

5. Todos correm a praia, organizando uma fila enorme com ajuda 
de Raphad, poisqueten tarn fi car bem juntos deMim,queja sou requi- 
sitado por Ebahl, Yarah, Raphad ejosoe. Finalmente resolvo embarcar 
com C irenius no navio de M arcus, queo faz navegar, ora para cima, ora 
parabaixo,afrentedosqueM eacompanham. EisqueaLuaseaproxima 
rapidadoSol.Chamo, entao, Raphael elhedigo: "Sabesoquetecabe; 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

129 

portanto age!" 

6. D iz de, considerando os hospedes: "Senhor, de uma so vez ou 
pouco a pouco?" 

7. Respondo: "Dentro dedozeinstantes, deum sogolpe!" Osnavi- 
os, entretanto, acham-setao longequemal podem servistos, eem linha 
reta a distancia ede quatro horas 



75. Raphael SalvaosGregos 

1. Tanto C ireniusquanto M arcusseesforcam por descobrir osnavi- 
os, - e nada! Outros, de melhor visao, localizam-los quais mosquitos, 
dizendo: "Senhor, favorecidos por bons ventos esses navios levarao duas 
horas para aqui chegar." 

2. D igo Eu: "N ao vos preocupeis, meu capitao sabetrabalhar!" 

3. Indagam ostrintafariseus: "Ondeestaria, a quern fosse possivd 
tal coisa?" 

4. Respondo: "Conheceisojovem mentor dofilhoadotivodeCirenius 
ede!" Insistem des, amedrontados: "Ondeestasuaembarcagao?' 

5. D iz Raphad : "N ao necessito dda!", - e desaparece! Todos se as- 
sustam, crentes deter ojovem puladon'agua, afim denadarem diregao 
aos navios. H avia muitos que ignoravam ser Raphad um anjo. Toma- 
vam-no pdo mentor de J osoe, poissededicavamaisaqude, enquantoo 
edeYarah. 

6. M as os i ndagadores se refazem do susto; os tres barcos se aproxi- 
mam dapraia, Raphad estaabordodoquetrazpai efilha, atemorizados 
pda viagem rapida a estas plagas e pda presenga do jovem capitao. s 
propriosmarujosparam estatdadoscom osremosnamao. Aposalguns 
instantesdeassombro o grego sedirige com devocao a Raphad: "Q uem 
es, ser supremo? Quern temandou nostrazeraqui equal a razao?' 

7. Responde o anjo: "N ao indagues, mas am, observa o Sol que 
perdera por momentoso seu brilho. Sevosencontrasseisem alto mar, a 



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130 

superstigaodosnavegantesvostaiaatiradoasondas>afimdedividirem 
vossostesouros Prevendotal fato, nosso M estreDivino mandou queeu 
vossalvasse. Embora salvos, esperam-vosacontecimentosdesagradaveis 
que me levam a permanecer a bordo durante a reacao dos marujos." 

8. grego esuafilha observam com pavor que do Sol apenasresta 
estreitafaixa; por isto deselevantaeatirau'amaldicao contra o "dragao" 
horrendo queprocuradevoraro astro. Era isto habito religioso dealguns 
pagaos da Asia M enor, que procuravam, deste modo, forcar o dragao a 
expelir o Sol. velho, no entanto, ainda nao terminara as imprecagoes 
quando o astro ecompletamenteobscurecido pela Lua. 

9. No mesmo instanteseouveumagritariaselvagem entretripula- 
gaoeossoldadosromanosabeiradapraia. Osmarinheiros, quaseloucos 
de pavor, atiram-sesobreo grego, sua filha e Raphael, tentando joga-los 
ao mar, poislhesatribuem aculpado eclipse. anjo, com todo acalma, 
poeum a urn dosrebeldesa margem eo maisirritado elancado asondas, 
tendo dificuldade para alcancar a praia a nado. 



76. CONSEQUENCIA DO ECLIPSE 

1. N estepermeio o Sol surge por tras da Lua, dando novo animo aos 
presentes ApenasCireniuseJuliuspermaneceramcalmos, aMeu lado, 
duranteofen6meno,apreciandoaconstelagaodoinverno. Meuspropri- 
os discipulos se inquietaram, e Yarah ejosoe pularam dentro de M eu 
bote, tremendo de pavor pela gritaria dos rebeldes. 

2. Poucoapoucoailuminagaovoltaaonormal,atripulagaoretorna 
asembarcagoesepededesculpasaojovem eao grego porte-losagredido. 
grego, entao, diz: "A pessoa sempredeveagir deacordo com sua cren- 
ga; avossatem deser iluminadaparacompreenderdesqueosdeuses, em 
absolute exigem vitimas de nossas maos, pois dispoem de meios 
incontaveisparatalfim." 

3. A estaexplicagao os marujos prometem agir maiscompreensivel- 



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mente no future Em seguidaindagam seogregocontinuaraaviagem. 
Eleresponde:"Naovedesojovem poderosoemnossomeio?Salvou-me 
de vossa ira supersticiosa e tambem a vida de minha filha. Com isto 
tornou-se meu senhor, obedecendo-lheeu integral mente: sem sua or- 
dem nao meafastarei nem em dez anos! 

4. Alem disto, algo me diz que achei neste lugarejo simples, mais 
que em toda Jerusalem. Assim, apenas indagarei do hospedeiro sobre 
mi nha permanencia, fazendo, nestecaso, desembarcar os meustesouros, 
evosincumbindo datarefa." 

5. Durante esta palestra subi no navio do grego, em companhiade 
Cirenius, Julius, Yarah, Josoee Marcus, que diz: "Amigo, vesqueum 
hospedeiro honesto sem pre esta com acasacheia; todavia, aindahaespa- 
co, casoqueirasficar." 

6. Respondeo grego, amavel: "Bom homem, necessito apenasduma 
area de tri nta passos de comprimento e dez de largura que servira para 
levantar meustresacampamentos; alimentosebebidastrago-oscomigo, 
possuindo tambem ouro eprata desobra, caso seesgotem. Q ual o prego 
queexigespeloaluguel da area?" 

7. Dizo velho M arcus: "Sei quevos, gregos, apredaisumaboaescri- 
ta, o que nao se aplica aos romanos e judeus, de boa indole. Ficaras o 
tempo que qui seres eseexigedeti apenasverdadeiraesinceraamizade 
Se, alem disto, pretendesfazer algo em beneficiodeum pobre, tensliber- 
dadeparatal. Por isso, faze desembarcar tuasbagagensefica a vontade, 
nao so na parte desejada, mas na minha quinta de boas proporcoes. - 
Estassatisfeito?" 

8. Respondeo grego: "Encabulas-meemal meatrevoafazerusode 
tua benevolencia, pela incertezadeta poder retribuir." 

9. DizMarcus: "Tuaamizademevaleramaisquetodosostesouros 
enumeradosedosquaisnao necessito, poistenhooutros, maiores, istoe, 
dequalidadeespiritual." 

10. Indaga o outro: "N este caso estas de posse daquilo que eu e 
minha fi lha procuramos debalde por todos os cantos daTerra?' 

11. Responde M arcus: "Aqui, neste local, encontraraso que nem a 



Jakob Lorber 

132 

Terra, nem os astros, nenhum templo e nenhum oraculo te poderao fa- 
cultar." Incontinenti o grego ordena aos quatorze empregados porem 
maos a obra. 



77. Deusese Homens 

1. N isto digo Eu ao grego: "0 uve, amigo! Bern quietens servos di li- 
genteseativos; entretanto, levarao tempo imenso para organ izartuaba- 
gagem. Ve, estejovem eum dosM eusmultiplosservosefara, num ins- 
tante, maisqueosteus, em cem anos. Assim, deixa-osdescansarqueele 
faratudo conformeteu habito. Sequiseres, darei aordem." 

2. D iz o grego: "Ficarei mui grata caso tal fosse possi'vel, pois meu 
pessoal esta exausto da viagem." 

3. DigoEu a Raphael: "Mostrao que pode urn espirito puro, num 
instante" Raphael securvadiantedeM im, dizendo: "Senhor, ordenaste, 
e ja tudo esta feito!" 

4. Viro-M eparaogrego: "Bern, amigo, investigaseestatudoateu gosto." 

5. Eleselevanta, botaasmaosnacabecaeexclama: "Mas.., quee 
isto?0 moco nem nosdeixou eminhastendasjaseacham levantadas, 
tudo pareceestar arrumado! N ao! Isto nao epossivellTenho quever de 
perto!" Acompanhado por nos e pela filha, constata que tudo esta de 
acordo com sua vontade 

6. Atordoado, dizele, aposalgum tempo: "Devo meencontrar, ou 
entremagosdo Egito, ou entredeuses! N uncaassistiu alguem atal coisa! 
E tu, amigo (virando-separa M im), parecessero mestreou Zeusentreos 
demais?! N ao foste gerado pela came, e sim, pelo espirito, desde toda 
Eternidade! 6 deuses, que poder deveis possuir, a fim de realizar tais 
coisas, equao miseravel eo homem, vermecego no po?! Podeistudo, - e 
nos, nada! Amigo, queesum deusesobretudo mandas, - queposso eu, 
mortal, fazer ou dar-te, pois, d iriges a Terra eos astros?!" 

7. D igo Eu: "Possuisbastanteconhecimento natural ejulgaso mila- 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

133 

greocorridocomtirocfnioacertado. Naodeves, poremjulgarohomem 
abaixo de ten criterio referente aos deuses. D igo-te: todos eles, que pre- 
tendesconhecereateveneras, nadasao pertodumacriaturacompenetra- 
da do Espfrito D ivino. 

8.Ve,amaioriadaspessoasaqui presentessaotaopoderosas quanta 
estejovem; no entanto, sao cameeosso! Podesapalpar-M eeverificaras 
quetambem assim sou, fisicamente; masestecorpo erepleto do Espfrito 
D ivino, Onipotente, a cujaVontade todos sedobram. 

9. Destemodo,agimosapenaspdaforcadoEspfritodeDeus,quese 
acha em nos, pensa eatua como Sua Sabedoha quetudo veesente, julga 
bom eutil. EstasqualidadesM esao afinsno maisdevado grau; eisporque 
sou M estre Posso, todavia, capacitar paratanto todos osde boa vontade 

10. J amais esta faculdade podera ser conferida a pessoa de ma indo- 
le; pois necessario eser iniciada completamente na Santa rdem do Es- 
pfrito D ivino antes que se receba a nipotencia do Espfrito de D eus, o 
que se da quando a alma da criatura pura e por Ele compenetrada. A 
alma, entao, apenas deseja o que e da Vontade de D eus e esta Vontade 
tern de ser realizada, por ser Ele a Eterna Forga Primitiva e o Poder de 
todooUni verso! 

11. Tudo queexiste, vivee pensa no Espago eo Pensamento Imuta- 
vel deste Espfrito Eterno, naO rdem por Ele M esmofixada, em sua parte 
espiritual esubsequenteldeia, queporsuanaturezatambem ecapazde 
setranspor no espfrito livre Eis uma definigab sintetica dascoisas! Es 
bom pensadorehasdeassimila-lo em breve; agora, basta! D ar-te-ei para 
companheiro urn tal M athael, homem de profundo saber; muita coisa 
aprenderasem seu convfvio eteesclarecera quanto a M inha Pessoa." 

12. Satisfeito, ogrego aguardaaapresentagao deM athael, admiran- 
do-seprofundamenteda M inha Sabedoria. C onvoco, poiso visionario e 
digo: "0 lha, M eu amigo, eis uma casa urn pouco avariada; es exfmio 
carpi ntei ro e saberas de que necessita." 

13. DizM athael: "Senhor, com TuaAjudadasetornaraboaesolida." 



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134 

78. Mathael SeTorna Professor de Ouran 

1. Aposeste preambulo, o grego, chamado uran, comega a medi- 
tar, afim depoder entrar num intercambio espiritual com M athael, que 
demonstrara em poucas palavras ser dotado de grande cultura. Passado 
algum tempo elelheindagasetem vontadedeacompanha-lo em suas 
viagens a terras longmquas equal o pregoapagar. 

2. D iz M athael, apontando-M e: "Eis urn Salvador decorpo, alma e 
espirito! H a nem bem dozehoras, eu aindaerao ser maismiseravd desta 
Terra: minhasviscerasestavam detal modo possuidasdemausdementos 
quetoda minha naturezasetornaradiabolica. N umahordadesalteado- 
res me portei feito monstro, pois meu f isico ti nha deobedecer, enquanto 
a alma permaneda estarrecida, ignorando o quese passava com o corpo. 
Q uem teria sido capaz de me ajudar, sendo eu o pavor de todos que de 
mimseaproximavam?!Apenasumacoortedeguerreirosdestemidoscon- 
seguiu dominar-me, assim como a outros. Amarradosqual tigres, fomos 
aqui transportadosparaojulgamento final. 

3. Ai ves o G rande M estre, vindo dos C eus, para nos curar, diabos 
person if icados, pela palavra e acao. Por esta cura nada nos pediu, mas 
sim, cumulou-nosdebeneficiosextraordinarios, f isica e espi ritual mente! 

4. Agora, pdaprimdravezporEleconvocadoparaLheservir, inda- 
gas do prego! Amigo, antes de nao ter eu pago minha divida para com 
Ele, impossivd e exigir-te algo; sirvo ao M estre e nao a ti ! Continuarei 
sendo, por eternidades, Seu maior devedor, e apenas meus prestimos 
poderaodiminuir meu grande debito. Poristojamaismeficarasdeven- 
do algo, - anaosertuaamizadefraternal. Recebi-odegragaeda-lo-d da 
mesma forma!" 

5. Diz Ouran: "Amigo, esohomem mais nobre que jamais vi! Por 
isso deves para sempreser o sabio guia meu ede minha filha. N ao mais 
perguntard pdocusto monetario;todavia,acdtarasquejuntoanosnada 
tefaltecomo amigo e irmao?" 

6. RespondeMathad:"Resta saber seirasacdtardemim algo outudo 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

135 

e, quern sabe, talvez nada! Aquilo quetenho para dar nao tern sabor agra- 
davd - como ja tive provas - tal como vinho adocicado com mel, tao do 
gosto dosgregos; ao contrario, e, muitas vezes, amargo como fd esuco de 
aloes. Por isto, veremosprimeiro como sefaraatrocadenossasdadivas!" 

7. Intervenho: "Quereissaberdeumacoisa?Comoaindahaverauma 
horadeSol, eateanoiteseraagradavd, daremosum passeioao montede 
M arcus, a fim de que nos conhecamos mais de perto. Tuas barracas faras 
vigiar, poisddasterasnecessidade, apenas, depoisdemeia-noite." 

8. Diz Ouran: "Estao guardadasali grandes preciosidades..., mas 
presumo ser nosso amigo honesto." 

9. Obtempero: "Quandohapoucoteencontravasem iminentepe- 
rigo, aponto deperderesvidaebens- quern tesalvou?" 

10. Elerefleteediz: "Sim, grande M estre, tensrazao e reconheco a 
grandetolicequenao maisrepetirei. Estou pronto parateseguir!" 



79. H ELENA, FlLHA DO SABIO GREGO 

1. NistoseaproximadeMim, com acanhamento, Helena, filhade 
uran, epede: "Sen nor, inatingivd M estre e Salvador! N ao tomes a mal 
aatitudedemeu velho pai, poisafianco-teserdebom, benigno econ- 
descendente, sem nuncaterfeito uso deseusdireitos, no que, porcerto, 
nao agiu bem. Jamais discutiu ou sequeixou contra injustiga recebida. 
Eis por que os deuses o protegeram e a deusa Fortuna sempre Ihe foi 
dedicada. Por isto, nao aceites o zelo por de externado como algo que 
pudesseofender tua soberania! Se, todavia, minha suposicao for errada, 
acdtaminhavida como resgatepdo pai, queamosobretudo!" 

2. Digo Eu aosqueM eroddam: "Javistesalgum diatal provadeamor 
filial?Em verdade, eapenaspaga, mascausavergonhaatodalsrad querece- 
beu por M oyseso M andamento de D eusde honrar eamar pai e mae!" 

3. Respondem todos "N ao, SenhoreM estre! N uncase viu tal exemplo!" 

4. D igo Eu a H dena: "N ao teamedrontes, M inhafilha, poisconhe- 



Jakob Lorber 

136 

goteu pai ha muito tempo e, seassim naofosse, ambosestarieissepulta- 
dos no fundo do mar!" 

5. D iz el a: "M ascomo tal coisa epossfvel, seteconhecemosapenas 
ha uma hora?" 

6. Respondo: "0 h, H elena, ve o mar e a Terra, por certo, ja bem 
velhos, - no entanto, Eu existia antes distotudo!" 

7. Exclama el a, assustada: "Seras, por acaso, o proprio Zeus?" 

8. Digo Eu: "M inha pombinha, nao atemorizes teu coracao com 
coisasbanais. N ao sou Zeus, porquenuncaexistiu! M as sou aVerdadee 
a Vida, e os que creem em M im nao verao nem sentirao a morte, por 
eternidades! Sabes, agora, Quern sou?' 

9. Dizela:"Seforesapenasaverdadefriaesuavidapura,comosucede 
que neste momenta comeco asentir urn grandeamor paracontigo?' 

10. Respondo: "Coracao! Isto te sera revelado no monte! Vamos, 
antes que o Sol seva!" Dentroem poucoalcancamossuapequenaeleva- 
cao eC ireniusobserva a paisagem deslumbrantequediz poder fitar du- 
rantehorassemsecansar.Apenasedelastimarqueodiaestejafindando. 

11. Aproxima-se Simon J uda e diz: "Senhor, hoje poderias dizer ao 
Sol comojosue: "Para!", afim dequeteusfilhospudessem gozaresta 
maravilhaelouvarAquelequeacriou!" 

12. DizCirenius "Oh, SimonlVelho efiel pescadorediscipulodo 
grandeMestre! Eisuma ideiaboa, poistal milagreseria muito maisfacil 
ao Senhorqueajosue!" - Junta-seYarah para sustentar tal pedido. 



80. Sol Artificial 

1. Eu, poren, obsto: "Soisaindacriangasinexperientes, pedindoalgo 
quenao podesuceder, poiso Sol nao semovimentadiantedaTerra! Possui 
ele uma orbita imensa, mas que nao diz respeito a este planeta, tal como 
urn grao de poeira em vosso paleto nao influi em vossos movimentos. 

2. Diaenoiteseformam pdarotagaorapidadaTerraemtomode 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

137 

sai eixo.Javosesclareci serestaumabolaque, pelamovimentacao, (nos- 
tra suasdiversas faces ao Sol. Eisporqueem certoslugaresemanha, num 
outro, meio-dia, num terceiro, noiteenum quarto, meia-noite, simulta- 
neamente. Esses quatro estadosmudam com muita precisao efrequen- 
cia, desorteque, em vinteequatro horas, em todosospontos da Terra se 
dao a manha, o meio-dia, a noitee meia-noite. Esta ordem nao podeser 
alterada, sob risco duma completa destruicao detudo quenaTerra existe. 

3. Se Eu fosse, realmente, forgar o Sol a irradiar sua luz pelo espaco 
de mais uma hora, teria que parar a rotagao daTerra de modo tao brusco 
quealguns instantes representariam para sua orbita, a distancia daqui a 
Jerusalem. Isto provocaria urn choquetao forte na Terra, em tudo que 
nao fosse solido, quenao so atirariatodos os seres vivos as casaseedifici- 
osnumatremendaviolenciaem direcaodoOeste, comotambem jogaria 
mares sobre montanhas! 

4. Por estemotivo natural nao posso ceder ao vosso pedido; poderei, 
todavia, apresentar-vosum Sol artificial, como naepocadeJosue.Tal Sol 
desaparecera em poucas horas, por ser apenas uma "fata-morgana" (mi- 
ragem). Prestai atencao; quando o verdadeiro desaparecer, o artificial sur- 
gira a Leste, permanecendo no horizonte durante duas horas 

5. Para este fim nao serao empregados meios extraterrenos, mas 
sim, da propria N atureza, conquanto ativadoseconstatadosporforcas 
excepcionais, provindasdasesferas celestes, atravesdeM inhaVontade. 
Tereiscompreendido?" 

6. RespondeCirenius "Estou compreendendo perfeitamente, pois 
ainda possuo a maravilhosa laranja deOstracina; lembras-Te, Senhor? 
Entretanto, duvido queosoutroso tenham entendido." 

7. Digo Eu: "Nao importa; o que nao eassimilado agora, se-lo-a 
maistarde, poisdistonaodependeasalvagaodasalmas Criaturasconhe- 
cedorasdaTerrasao levadasapesquisa-laem todosospontos, o queasfaz 
projetar a alma para o exterior e as torna materialistase interesseiras Eis 
por que e preferivel menor conhecimento sobre a N atureza do globo e 
maiornocaodesi propria 

8. Q uem conhece seu intimo a fundo em breve alcancara maiores 



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nocoes, materials eespirituais, nao so daTerra como detodososcorpos 
cosmicosno Espaco Infinite, sendo o conhecimento espiritual, precisa- 
mente, o de maxima importancia. A nocao, apenas externa, referenteao 
planeta, nao podeaplainar a alma o caminho da Eternidade. - Agora, 
atencao! Sol desaparecera no ocaso, dando lugar ao artificial!" 



81. OSGregosTemem ao Senhor 

l.Todosdirigem o olhar para o astro natural quejahaviasumido, em 
parte, atras das montanhas Q uando desaparece completamente surge o 
outroSol,com luzidenticaateaszonasproximas Naoalcancaasestrdas, 
desortequealgunshospedesvislumbram a Leste, em semi-obscuridade, 
variosastrosdeprimeiracategoria, o quedespertagrandeadmiragao. 

2. N isto seaproximaO uran com suafilhaediz, com voztremulade 
veneracao: "Setudoquemerodeiaeeu mesmonaosomosilusao, eso 
D eus dos deuses, dos espi rites, dascriaturaseanimais, - enfim detudo 
que existe! Ate parecem Te render obediencia os elementos e os astros! 

3. SeTu, embora homem igual a mim, conseguestaiscoisas apenas 
pelaPalavraeVontadePoderosas, - perguntoatodososcientistasoqueTe 
falta para a personificagao dum deus perfeito?! Eu, uran, pequeno sobe- 
rano das zonas do Pontes, reconheco-Te como D eus M esmo se viessem 
ZeuseApollo paracontesta-lo, provar- 1 hes- i a sua tol i ce. Vem ca, filha, vem 
eveo Deus dos deuses, - veoquejamaisfoi dado a urn mortal fitar! 

4. N osso povo e outros mais construiram urn templo sagrado ao 
deusdesconhecido, quenuncaeaberto. Denominava-setal deuso "des- 
ti no jamais revelado", diantedo qual ate o grande Zeus treme como o 
arbustonatempestade. E estedeustemidoestadiantedenos, eacabade 
impor a Apollo a ordem de fazer parar o carro do Sol, em virtude do 
pedidodaqueleromanorespeitoso, quecertamenteerei dealgumapro- 
vinciafeliz. 

5. Ve, filha, Apollo nao se move ate receber ordem secrete do deus 



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desconhecido que apenas se revela aos servos do Templo dej erusalem, - 
oquepodemuitobemserumainverdade, poisnaoreconhecendo Este 
como o nico, Verdadeiro, estao redondamenteequivocados!" 

6. DizasimpaticaH elena: "Porcertosao informadosaSeu respeito 
em quadras alegoricos; entretanto, duvido quetomem estehomem mi- 
lagroso por Aquilo que real mentee Somentenao percebo porquemeu 
coragaocadavezmaissesenterepletodum amor verdadeiro epuro, pois 
todos nosdevemosapen astern er, adorar um deuse Iheofertar sacriffcios 

7. Sabes com que severidade nosso sacerdote, que servia a Apollo, 
proibiu-medeamar a um deus. Tal amor seria sacrilegioe, quando mui- 
to elevado, poderiaatrai-lo, despertando o ciumedasdeusasnum desafio 
aodesti no cruel dumaEuropa, Dido, Daphne, Eurydicee Proserpina. 

8. Levada por seu conselho consegui um estado deespirito tal que a 
possivd aparicao dum deusencantador nao meteria menosapavorado que 
acabegahorrendadumaM edusa,Gorgoou M egera. N estascondicoesnao 
maisera admissive! falar dum amor para com um deus; entretanto, confes- 
so-teque, nao obstante minha luta intima, amo cadavez maisaeste! Sim, 
por amor D ele seria capaz de sofrer a pior morte se, por tal sacrif icio, me 
concedesse apenas um olhar amavel! 6 Ceus! Como e atraente, embora 
taoseriolOsdeusesfizeram mal em nosproibirdeama-los!" 

9. DizOuran: "Sim, minha filha! Elessabem o quepodem facultar 
aosmortais! D evemo-nospurifi car nestavidaatenao maishaver u'a macula 
em nossa alma, quando formosjulgados pelostresjuizes implacaveis; 
Aekus, M inoseRhadamanthus. Quando estesnosdeclararem purosdi- 
antede todos os deuses, ser-nos-apermitido no eternoelisio, comofeli- 
cidade maxima, amar aos deuses, ao menossecretamente Enquanto en- 
camadosdevescuidardenaoteapaixonarespelo maiselevado deus! Isto 
seria a maior dasdesgragas! Sesenti res tal paixao, sera chegado o momen- 
ta deabandonarmosestelugar." 

10. Respondeela: "D enada meadiantaria, poisja tenho em meu 
coragaolObserva, porem, aquelameninadelicada: parecetambem ama- 
Lo, entretanto, nadademal Ihesucede" 

11. Dizopai: "Quern sabenaoeumadeusa?Teriasdeteme-laenao 



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aEle!" 

12. Diz Helena, com lagrimasnosolhos: "Sim, poderaster razao! 
Masquao infdizessomosnoscriaturas! Naoexistecoisamaistristeque 
urn coracao que nao deve amar! Se meus olhos me aborrecem, posso 
cega-los; se maos ou pes me importunam, posso decepa-los! M as que 
fazer com o coragao quando comega a meaborrecer?Sesofro do estoma- 
go, Esculapio aconselha o suco de aloes; - mas contra a dor no coragao 
nao da remedios. 

13. Agora meocorrealgo: esteDeustambem e Salvador, portanto, 
ajudar-me-a se Lho pedir, poisfe-lo quando ainda nao conheciamos 
Certamente nos ajudara, agora, se Lhe pedirmos, prontos que estamos 
para qualquer sacrificio!" 

14. D iz uran: "E is uma boa ideia que talvez nos traga bons resul- 
tados Como Ele nos recomendou o sabio M athael para instrutor, so 
atravesdesteconseguiremosalcangarograndeDeus M athael meparece 
umsemi-deus, igual aqudejovemquesuponhoserMercurio." 

15. D iz a filha: "Talvez; mas, quern sabe, ja nao morremos e bebe- 
mosLethe*, encontrando-nosnoeligo, eosdeusesqueiram quechegue- 
mos a este conhecimento por nos proprios? bserva bem a maravilha 
desta zona; poderia ser o elisio mais deslumbrante?! Urn Sol se vai, - 
outrovem eateasestrelasnaofaltam noCeulAssim sendo, pai, - meu 
amor nao mais seria pecado". 

16. DizOuran: "Filha, tua observagao pode ser certa, emboranao 
queira assina-la como tal. M athael nos esclarecera. H a bem pouco esta 
paisagem nadatinhademaravilhosa, e quando estesegundo Sol sefor 
teremos o mesmo quadra. M as, recorramos a M athael, que se acha em 
palestra com ovelho rei, eodeuscom um comandante romano. Falatu, 
poisasmulherestem maisjeito paratanto." 

17. Dizela: "Esperaum pouco, poisnaosei bem como comegar." 
Concordaele: "Tens razao, em tudo quesedesejaencetar, deve-seusar 
deinteligencia." 



* Riodoesquedmento 



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82. OmENTAgAo de Mathael 

1. Aposestedialogo, ambossecalam eH elenaesperacriarcoragem 
para sedirigir a M athael. Q uanto maistempo passa, maior eo receio, e 
tudo que fita a seu redor, os ulti mos aconteci mentos e M inha Presenca 
nao permitem quesefaga pazem seu intimo. Percebendo-o, M athael se 
dirigeaOuran: "Amigo, estas tristee tua filha pareceestaradoentada! 
Quese passa?" 

2. D iz aquele, baixinho, a H elena: "Estasvendo?!Tem cuidado, fala 
pouco e devagar, para nao te arrependeres dum possivel passeio aquele 
local, vigiado porCerbero edominado por Pluton!" 

3. Nisto Mathael bate no ombro do amedrontadoOuran: "Amigo, 
que ha?J a nao falas comigo?" 

4. D izeletremendo: "Ah, quesusto! N ada ha!... M as.., minhafilha 
e eu percebemos que estamos no verdadeiro lympo, morada dos deu- 
ses.Tudoaqui sepassademodosobrenatural: asantidadedesteambiente 
nos apavora, tanto mais quanta minha filha comeca a sentir um amor 
i ntenso para com o grande D eus 

5. Deacordo com n ossas I ei s de f i cas e tal amor um crimecontraa 
santidadedosdeuses, mormente contra o M aximo. M inhapobrefilhaja 
nao podefugir a estesentimento que I he impoe o coracao. Eis por que 
tomei a resolucao de pedir ao grande Deus para livra-la deste conflito. 
QuereriasterabondadedeintervirjuntoaElenosentidodecura-lade 
seu mal?' 

6. Pela primeira vez apossua cura M athael ostenta um sorriso bene- 
volente e diz: "Es pagao perfeito: procuras no mundo inteiro a luz da 
verdadee, quando a encontras, nao a reconheces, devido tua tolice! Las- 
timo tua pouca visao eespero melhoraresem breve. 

7. Aquilo que tua filha sentepelo nosso grande esanto Mestree, 
justamente, o unico e verdadeiro comprovante da propria centelha do 
espirito em sua alma. Q uando esta centelha setomar uma chama pode- 
rosa em seu peito, reconhecera ela a nulidade de vosso politeismo e a 



Jakob Lorber 

142 

Eterna eU nica D ivindadeD aqueleque langou tal centelha em sai cora- 
cao puro. 

8.0 amor eounicomeio pelo qual DeuseducaSuascriaturaspara 
aFiliagao Divinae,finalmente, asigualaasquejareceberam estebatismo 
-, etu, pagao velho ecego, pedes I i bertagao desta G raga que D eus M es- 
mo derrama, em Sua M isericordia, em vossos coragoes, para despertar 
vossa vida interna?! D esistedetua tol ice e torna-te apto para pen etrar na 
vi da eterna dentrodeti pela forga dada por Deus, afim dequepossas 
reconhecer a ti ea E le, volvendo a verdadei ra e i nf i nita bem-aventuranca! 



83. Origem e Significacao OnomAstica dosDeuses 

1. (Mathael): "Digo-teem NomedoSenhorqueoraaqui Seacha, 
queteusdeusesapenasconstituem uma listadenomesfuteis, eantiga- 
mente representavam as qualidades do U nico e Verdadei ro Deus, cujo 
E spirito age em plenitude neste M estre diante de vos 

2. "Ceus" eaqueladenominagao que, naepocados path areas, figu- 
rava dianteduma Lei, provinda do Espirito D ivino na alma da criatura, 
significando: "0 Pai assim o quer!" Pelo Ce, ou tambem Ze, era repre- 
sentada a ideia da Vontadefirmee i mutavel : e pelo us, ou melhor ainda, 
uozou uoza, a ideia do Pai CriadorquetudoregenoCeu. 

3. Assim, adefinigao "J upiter", ou Jeu pitar, aquilo queospatriarcas 
ensinavam aosfilhoscomo receptaculo correspondenteao Amorea Sa- 
bedoria de Deus; a letra u que representa a linha externa dum coragao 
aberto e a verdadei rataga da vida; pit, quer dizer beber, pitareum que 
bebe, pitara, umatagasagrada, epitzaou piutza, urn copo comum. 

4.AsamcomoCeusouJeupitarparav6snadaequeumnomevao, 
portanto desconheceiso seu sentido, tambem, eainda maistolosefuteis, 
sao os restantes nomes de vossos deuses e deusas. 

5. Por exemplo, representava Venuz ou Avrodite entre vos a deusa 
feminina. Embora tambem o fosse para osvelhospatriarcas, sabiam eles 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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muito ben queraramenteu'a mulher bonitaeinteligente, poisevaidosa 
e se preocupa com sua beleza, nao tendo tempo para a conquista de 
algum conhecimento. Por este motivo os patriarcas denominavam tal 
mulher deVenuz, ou Veniz, quer dizer: N ada sabe, ou nada conhece. 

6.0 mesmosedacomonomeAvrodite. QuandoseliaOvrodite, 
tal representam gerar a pura Sabedoria D ivina; o Slourodit: criar o saber 
humano; Avrodit, porem: projetaratolicehumana, eseaplicavaauma 
bonita mulher, masenfeitadaegeradoradatolice. 

7. Pela letraV os patriarcas i deal izavam o sinal dum receptaculo. Se 
oO precediaoV, imitandoafiguradoSol,correspondiaaDeusem Sua 
Luz Primaria; o V, entao, tinha a final idadedereceber a Luz da Sabedo- 
ria, aposo . Estando urn A, pelo qual osvelhosclassificavam a materia 
pura, antesdo V, este receptaculo representava a absorcao datoliceabso- 
luta. Rodit, quer dizer: gerar, eA V rodit: gerar atolice. - D ize-me, estas 
comegando a perceber a nulidade quanta a natureza dos deuses?" 

8.AsfeigoesdepaiefilhasealegrameHelenanaomaisseamedron- 
ta com seu amor por M im. uran, entao, diz a M athael: "Amigo, teu 
saber eenormelAquilo que acabasde me dizer em poucaspalavras, nem 
em cem anosasescolasdo E gi to, Greciae Persia teriam produzido. Con- 
seguiste exterminar em meu intimo todos os deuses, com excegao do 
Grande, Desconhecido, o Qual, porem, achei aqui eespero conhecer 
melhor. N ao haouro quepagueo quefizeste; recebeminhagratidao, - o 
resto seguira!" A esteagradecimento tambem sejunta H elena. 



84. M ATHAEL, DEMOLIDOR DE TEM PLOS PAGAOS 

LA seguirM athael seaproximadeM im eindagaseagiu bem,ou se 
a explicagao acerca dos deuses nao fora talvez prematura. 

2. D igo Eu: "Em absolute; falastedentro daverdadepuraeapagaste 
do paganismo, em poucas palavras, muito mais que alguns sabios, em 
muitosanos Q uem quisereducar alguem compressive! mente, tera, antes 



Jakob Lorber 

144 

demaisnada, deafastar delesua velhatolice. So deste modo tomar-se-a 
umvazio,facil deenchercomtodasortedeSabedoriadoAlto. Istoacon- 
tecera com esses dois 

3. Afirmo-tequeambosem breve alegrarao M ai Coragao demodo 
mais intenso, que dez mil judeus, convencidos de serem muito justos 
dentro da Lei de M oyses, enquanto, como criaturas, sao mais estranhas 
aoMeu Coragao queaquelas,quenasceraodaqui a mil anos Digomais 
Sealgum dia pretenderestecasar, H elenadeveserapreferida! Longede 
M im, contudo, querer Eu teimpor; seguirasa vozdo coragao. 

4. Agora vai eseamavd; ovdho, aliasculto, esuafilhadumabdezarara, 
exigir-te-ao outrasexplicagoes referentesa nomesda antiguidade Sabio que 
esy ser-te-a fad I responder acertadamente Ao mesmo tempo tua palestra 
causaraboaimpressaoaosromanosiniciando-seassimoruirdemuitostem- 
plospagaos Emboracom bastanteesforgo, realizar-se-aoem algunsdecenios 
maioresefdtosentreo paganismo do quedaqui amilenios 

5. Sempre sera tarefa diffcil propagar-sea luz durante a noite, pois 
umavezchegado o dia, dispensavd setorna, porquanto odiajaaforne- 
ce. vdhotefaraperguntasimportantesaqueresponderasaaltura. Vai, 
em M eu N ome e desempenha bem teu papd. Todos nos prestaremos 
atengao eEu fare com que os mais distantes tarn bem teougam! 

6. Ddxard que o Sol artificial continue irradiando luz por mais 
algumas horas, pois isto atraira o povo, em parte por curiosidade e em 
parte por medo destefenomeno. Enquanto isto terasconcluido tua tare- 
fa. Apos Eu ter apagado esse Sol, faremos urn bom jantar aqui no alto, e 
em seu decorrer muita coisa sera discutida. Sabes, portanto, o quefazer; 
ofuturoapontaraoresto." 

7. Mathad M e agradece por tal missao, - intimamente tarn bem 
pda sugestao quanta a bonita moga, cuja bdeza desdeo infcio o havia 
deslumbrado. spropriosromanos, inclusiveC irenius, naotiram osolhos 
da linda grega, pois seu fisico parece formado do eter purissimo, tendo 
quasemaioratragaoqueoSol artificial. Assim, Mathad seveobrigadoa 
sedominar, sendo Eu o U nico a perceber o quese passa em seu intimo. 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

145 

85. DiFERENgA Entre a BelezadosFilhosde Deuse 

DO M UNDO 

1. M athael , entao, de modo grave se aproxi ma de u ran e sua f i I ha, 
perguntando-lhessehaviam refletidoacercadesuaspalavras Diz Hele- 
na, amavelmente: "Consta ser eu moga bonita, ateja medenominaram 
de"segundaVenu^';achasquetuaexplicagaoseaplicaaminhapessoa?" 

2.Tal perguntadeixa M athael um tanto embaragado, poisdescobre 
terofendido o coragao deH elena; rapido secontrola, dizendo: "Q uerida 
irma, o que te disse aplica-se apenas aos filhos do mundo; osfilhosde 
Deus podem ser de aparencia deslumbrante, - enquanto seu coragao 
permanecehumilde A forma externa e, somente, o espelhodesua beleza 
espiritual, enquanto nos filhos do mundo e a caiagao enganadora dos 
sepulcros, deesmerado aspecto mas, interiormente, cheiosdepodridao. 

3. Tu, no entanto, procurasa Deus, - por isso tambem esfilha D de 
soutrosprocuram o mundo, sendo, portanto, filhos do mundo. Fogem 
detudoqueedivino, em buscaapenasdahonraedo prestigio mundanos 

4. D izem-sefelizesquando o mundo seines apresenta maravi Ihoso e 
belo; falando-se-lhesdecoisasespirituais, elesnadaentendem e, afim de 
ocultar sua vergonha, cobrem-se de toda sorte de trapos, de orgulho e 
vaidade, perseguindocom ira, odioeescarnioasabedoriaqueDeuses- 
parge nos coragoes de Seus f i Ihos. 

5. Eis a grande diferenga entre a beleza dos filhos de Deus e do 
mundo. A primeira, como ja disse, ea estampa da pureza de sua alma, 
a segunda, a caiagao dos sepulcros, representada por Venus. Isto, no 
entanto, nao se aplica a ti que procuras a Deus, e ate mesmo ja 
encontraste. Compreendes?" 

6. Respondeela: "Sim, mas alegar quesejaeufilhadeDeus, parece- 
meum tanto arriscado. Somostodoscriaturasdeum so Criador; entre- 
tanto, naosepodefalardainfinitasublimidadedosverdadeirosfilhosdo 
Pai, uma vez que pela nossa natureza material somos contaminados de 
fraquezaseimperfeigoes. Assim, penso queteexcedesteum pouco." 



Jakob Lorber 

146 

7. Diz M athad: "Em absolute, poisaquilo quetedigo recebo-o do 
grande Uno, e o que Ele me ensinou e e sera a Verdade Eternal - Se, 
porventura, tensuma pomba, devescortar-lheasasas, afim denao voar 
e tornar-se mansa, pois ficara tolhida. Pensas ser el a menos ave neste 
estado? Suas asas nao Ihecrescerao com o tempo? Por certo; el a, todavia, 
ja estara domesticada e permanecera contigo. M esmo se vez por outra 
fizerum pequenovoo, - basta a chamares para que volte etu aacaricies. 

8. OsfilhosdeDeus, nesta Terra, tern certasfraquezasqueosimpe- 
dem deseelevar ao Pai; Elepermitiu queassim fosse durante nossa per- 
manencia na came, pelo mesmo motivo quetetera levado acortar as asas 
detua pomba. 

9. Devemos, justamente, reconhecero Pai em nossasfraquezas, tor- 
nando-nosmeigosehumildes, pedindo-Lheforcaseconforto. Ele nao 
nosdeixaradeatenderem epoca oportuna. OsfilhosdeDeusnaoper- 
dem esseprivilegio ainda que possuidoresdepequenasimperfei goes, as- 
sim como a pomba continua a mesma, impedida, temporariamente, de 
alcarvoo. Compreendes?" 



86. DuasManeirasde Amarao Senhor 

1. D iz H elena: "Sim, embora urn tanto confusa, espero que minha 
compreensao se dilate com o tempo. D ize-me, amigo, como e possivel 
que meu amor para com o G rande U no aumente sempre, todavia meu 
coragao esta isento dedor; sei quetal sentimento nao evicio, mas si m, 
umavirtudeimprescindivel nacriatura, para com Deus Noqueseba- 
seia isto?' 

2. DizM athael: "Querida, isto eevidente, apesar deque, deacordo 
com vossa crenca tola e polite'sta, tal amor seria condenavel. Reconhe- 
cestetal erro eaVontadeDivina, na Sua Fonte, esabesqueteu amor e 
virtudenecessaria. Naoeassim7' 

3. Respondeela: "Oh, claro, massem tuaexplanagaonaometeria 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

147 

sido possivel compreende-lo." 

4. D iz M athael: "Bern, entao o crescimentojusto do amorteensina- 
ra o resto. Agora aprecia estedia maravilhoso que D eus nos prodigalizou 
pelo Amor, Sabedoria e Poder Infinites; pois tao cedo as criaturas nao 
veraosemelhante!" 

5. lntervemOuran:"Falastebem,amigo,tal prolongamentododia, 
ebem extraordinario. H ouvepessoasqueviram, nao raro, um, doisetres 
sois, antes do verdadeiro, nasregioesdo Pontes, provocando umaanteci- 
pagaododia. Estaprorrogagao, porem,einedita. maissingularsaoas 
estrelasnoOeste, nao obstante sereste Sol nao menos forte que o verda- 
deiro. Podesexplicar-mo?" 

6. Diz M athael: "Amigo, jafoi discutido esteassunto; todaviafarei 
umatentativaparateelucidar." 



87. A M ovim ENTAgAo dos Astros 

1. (M athael): "Ve^esteSol dista de nos, em linhareta, o tempo que 
um cavaleiro precisaria para ir daqui atela, isto e, metadedeum dia. Sol 
verdadeiro dista tanto da Terra que, se fosse possi'vel, um bom cavaleiro 
correria mil anospara la chegar. Q uao extensaea irradiagao do Sol natural 
quepreencheo Espago, comparado aosfracosraiosdeste, ficticio! Atingem 
o este apenas debi I mente, o que se note pda mais intensa escuridao na- 
quelazona.0 fatodenuncavermosum astro dediaseprendea irradiagao 
incandescente do eter que envolve a Terra. Se a luz solar nao fosse tao 
intensa, venamosao menos as grandesestrelas Entendes?' 

2. DizO uran: "M aisou menos, poisnuncacompreendi amudanga 
incessante das estrelas durante as diversas estagoes. Alem disto existem 
outrasquenao permanecem constantesem sua rota; cam in ham deuma 
para outra constelagao. Assim tambem a Lua nao pareceseguir certa or- 
dem; ora surge mais para o N orte, ora mais para Sul. Como entendes 
mel hor de que nos, pego-te que desvendes esses segredos siderais!" 



Jakob Lorber 

148 

3. DizMathad: "0 momenta naoeoportuno para tedarumaex- 
plicagao minuciosa; todavia, podesouvir o seguinte: N ao sao osastros, 
nem a Lua e o Sol que surgem e desaparecem, e sim, a Terra que se 
movimentaem maisou menosvinteecinco horasem torno deseu eixo, 
poiseumagrandeesfera, conformefoi explicado pelo Senhor. Esta rota- 
gao provocaosfenomenosporti mencionados. 

4. Estrelas que ves como fixas, distam tanto daTerraquenao perce- 
bemos seu tamanho e movimentagao. Isto apenas sera perceptive! em 
milenios; algunsseculosnaofarao diferenga. Asquemudam constante- 
mente se acham mais proximas da Terra, sao satelites do Sol, razao por 
quelhesobservamosatranslagao. Eisoessencial;ospormenorestedarei 
noutra ocasiao. Estassatisfeito?" 

5. D iz uran. "Sim, apenasja metornei urn tronco velho que difi- 
cilmente se deixa envergar. Desde minha infancia vivi dentro das con- 
cepgoesantigas, asquaismeprovaram, muitasvezes, aquilo queacredita- 
va; agora, tudoediferente, epreciso medespojar do velho pensamento, - 
e isto sera diffcil. 

6. Destemodo, custando-mecompreenderafutilidadedoantigoe 
averdadedonovo, pego-tequetenhaspacienciacomigo. Poucoapouco 
aindaserei urn discipulo prestavel. 

7. Minha filhadar-te-amenostrabalho, poispossui facil assimila- 
gao. Deminhapartesei quemetransmitisteverdadesabsolutas;elasper- 
manecem, no entanto, esparsas no interior do meu cerebro, como as 
pedras fundamentals para urn futuro palacio. Por enquanto ainda nao 
percebo como o construtor uni-las-a." 



88. M etodosEducativosno Antigo Egito 

1. Animado pela boa observagao do velho, M athael diz: "Caro ami- 
go, ponderaste acertadamente; todavia, contraponho o seguinte: Nas 
antigas escolas do Egito prevalecia urn metodo estranho para a educagao 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

149 

dosfilhos pertencentes a casta sacerdotal. 

2. Ascriangasrecem-nascidaseram levadasacubiculossubterrane- 
os,ondejamaispenetravaaluzdodia. Erambemcuidadasesotinhama 
iluminagao duma lampadadenafta, em cujafabricagao osegipcioseram 
mestres. N esta reclusao a criatura ficava ate aos vinte anos, recebendo 
ensinamentos quanta ao mundo exterior, sem nunca o ter visto. 

3. Sua fantasia Ihe ajudava a formar quadras sem, contudo, poder 
fazer idea das dimensoes do Sol e dos astros, enfim, de tudo que se 
prendeao mundo material. Destarteadquiriaapenasfragmentosdaver- 
dadeque, nao obstanteo esforco intelectual, nao podia assimilar. 

4.Taisfragmentosnao deixavam deser pedras fundamentals para a 
construcao dum grandepalacio, cuja realizagao nao era possivd no sub- 
terraneo. Seo adepto, acriterio dosinstrutoreshaviaalcancado o neces- 
sario grau deeducagao, era informado deque, pela G raga D i vi na, deveria 
subir asuperficie, ondeaprenderia num momenta maisqueali em mui- 
tas horas. E claro que o aluno se alegrava com tal perspective embora 
tivessequemorrerantesdisto, demodo singular: adormeceria profunda- 
menteenquanto conduzido a superficie. 

5. Quealegria nao deveria sentirojovem se, ao despertar, se achasse 
pela primeira vez banhado pelos raios solares! Ele proprio, de veste alva 
debruadadelistrasazuisevermdhas! Q ueadmiragao nao Ihecausariam as 
criaturasdeambosossexos! Enfim, - tudo Iheseriaum prazer contmuo! 

6. Estequadro, quepoderascompletar deacordo com tuafantaaa, tra- 
duzaquiloqueorasepassacontigocom rdacaoasverdadesaqui revdadas 
queouvesnosaposentosescuros, nosquaistuaalmapororaseencontra, sao 
apenasfragmentose nao algo completo; quando teu espirito for despertado 
pdo amor a Deuse, atravesdeste, o amor ao proximo, - vislumbraras, pda 
luzdo teu espirito, tudo em conexao, urn mar imenso deluzchdo deverda- 
des sublimes, enquanto agora vesapenasalgumasgotas 

7. N ossaprimdratarefaseraa libertagao do espirito dentro da alma, a 
fim de atrai-la a luz do mesmo; isto alcangado, nao mais colheremos as 
gotinhas, poislidaremoscom o mar imenso de Luz da maxima Sabedoria 
de Deus Entao, nao mais has de querer saber das rdagoes siderais, pois 



Jakob Lorber 

150 

tudo teseratao claro como o Sol ao meio-dia, tendo chegado o momento 
defrequentarmosoutraescola, daqual naotensideia. Istoteagrada?' 



89. ponderagoesde h elena quanto a 
Sapiencia Humana 

1. DizOuran:"Muitobem,eseassimnaofossenaoosaberias. Por 
certo, tambem fosteeducado no inferno detuacame, nelemorrendo em 
seguida psiquicamente, e ora te achas no palacio da luz de teu espirito, 
deleitando-teem seusjardinselisios Asgotinhasdeantanho setomaram 
urn oceano, enquanto eu nadadisto posso alegar. Compreendo o sentido 
detuaspalavrasarelagaocompletaentreelassosefaraquandominh'alma 
tiver deixado as catacumbas escuras da carne efor conduzida ao palacio 
iluminado do espirito, em cujo solo amadurecem frutosambrosiacosna 
luzenocalordoEternoSol daVida. 

2.Tenho urn docepressentimento dequetal sedara; mas..., o quan- 
do nao se deixa fixar, pois nem temos uma prova, dentro de nos, pela 
qual soubessemos, mesmo alguns dias antes, da libertagao da alma de 
suas catacumbas. Q ue poderafazer a criatura? N ada, a nao ser seentregar 
com toda pacienciaaVontadedaqueleG uia Poderoso quetedespertou a 
al ma sem antes demonstra-lo a tua razao. Agora teri a vontade de ouvi r as 
reflexoesdeminhafilhaecomo Ihepareceuteu quadro." 

3. D izela: "0 h, muito bem, eseosegipciosmantiveram taisinstitu- 
tos, provaram ser inteligentes, o quepatenteiam em suasobrascolossais 
Apenasedelastimarquenaoestendessem tal ensinoaopovo, pois nao 
posso imaginar, como piano do grandeCriador, que a maior parte da 
H umanidadepermanecesseinculta, conquantoexistem, realmente, para 
umsabiomaisdedezmil ignorantes 

4. N este nosso grupo de quatrocentas pessoas talvez nao haja nem 
uma oitava parte erudita, pois os soldados romanos e a criadagem do 
Prefeito nao podem ser contadoscomo discipulos. D aqui acidadeproxi- 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

151 

ma v&seu'amultidaoquefita estate! adaosol artificial, sem quehajaum 
entendido - embora alguns se digam como tais, pois nao sabem que a 
presungaoepiorquereconhecer, com humildade, a propria ignorancia. 
Quedira^destefenomenoequernlhesresponderaasdiversasperguntas? 
Ignorantesetolossairam deseuslares, epara la voltarao piorquedantes. 
Seraisto preciso? 

5. Osaqui presentes, conquanto nao iniciados, sabem ao menosser 
este sol ficticio, criado pela nipotencia do G rande M estre. E ntendem 
tanto quanta eu; mas quando Ele apagar essa luz ninguem cogitara de 
saber Q uem o fez! s outros, entretanto, que nada sabem, serao torna- 
dos depavor, julgando queosdeusesestao iradosecastigarao aTerra! Por 
isso seria aconselhavel informar-lhesa respeito, nao achas?" 



90. M omento PropIcio Para o Ensino Popular 

1. Diz M athael: "Querida, isto seria inoportuno, pois no momenta 
de maxima agitagao, tal empreendimento representaria para a esfera psi- 
quica o mesmo que despejar agua em oleo quente: tudo se incendiaria. 
D entro em poucoa maior parte estaraapta paraexplicacoesmaisconcisas. 

2. Os sacerdotes judaicos serao os mais afetados pelo fenomeno, 
poistomam tudo pelo lado material. Do sentido espiritual nada pressen- 
tem, tanto maisquanto nao conseguem entender a i nterpretacao alegori- 
ca usada por M oyseseoutros profetas. Daniel, por exemplo, fala do hor- 
ror de devastagao, de obscured mento do Sol e outros fatores horrendos 
queapenastinham sentido espiritual. 

3. Eiso motivo pelo qual os sacerdotes sao tornados depavor diante 
desteacontecimento. Sedentro deumahoraestesol desaparecercomo por 
encanto, seu medo sera maior, poisquea Lua tarn bem nao sera vista, por ja 
ter feito seu trajeto. Terao a mesma ideia que urn bebedo, julgando que as 
estrelas cairao por terra e o D ia do Juizo Final tera chegado. bservaras 
como o povo comecara a gritar quando sefizer a escuridao, mas nao im- 



Jakob Lorber 

152 

porta: tornar-se-amaisdocil, humildeeacesavd aVerdadePura. Amanha 
todos virao para ver se o mar se transformou em sangue, e nessa ocasiao 
poder-se-a falar-lhes. Este e urn dos motivos por que o Senhor originou 
este fenomeno, pois esta cidade e uma das piores. Tudo que E le faz tern 
sentido variado; so o queoshomensfazem sem Ele, nao edeutilidade." 



91. Pensamentosde Ouran na Presenca do Senhor 

1. Apos estas palavras, vira-se uran para M athael: "C onfesso-te, 
amigo, que o medo se apodera de mim so com a ideia do repentino 
apagar deste sol, pois reconheco a fraqueza total da criatura diante da 
OnipotenciaDaqueleque, emboraSeencontreem nossomeio, esuma- 
mente Santo para que D ele nosaproxi memos. E urn pensamento estra- 
nho que nos toca o fundo d'alma: Ele e tudo em tudo, e nos - nada 
diante Dele! 

2. E-nos, todavia, urn consolo sero Punssimo Amor eaplicar por isto 
as pobres criaturas a maxima paciencia, condescendencia e misericordia. 
M as.., e D eus, eternamente I mutavel, etodo o U niverso dependede Sua 
Vontade. Bastariaum soprodeSua Boca para tudo destruir,tal comoaleve 
brisa faz cair a gota deorvalho pendente da folhinha duma erva. 

3. Refletindo calmamentenao sepodefugir do seguinte pensamen- 
to: existealgo em Sua PresengaVisfvel quesepoderiachamar a maxima 
sublimidade; doutro lado, tem-seo ensejo depermanecer longeDele. 

4. Desta forma, sinto umavontadeincontidadefalar-Lhe, mas nao 
ha coragem para tanto em virtude de Seu Espirito Supremo, embora 
externamente de a impressao dum homem simples e despretensioso. A 
nobreza deSeusTracos revel am, quetodososelementos L hesao subordi- 
nados e Seus Ihos emitem irradiagoes luminosas. Estas ponderacoes 
nos tiram ate o animo para gracejar, e agradecemo-Lhe que asam seja, 
poissem Elenossaatuagaoseriabem precaria." 

5. D izM athael: "Tensrazao: eu teriasido enforcado pelosesbirrose 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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tu terias perecido durante o eclipse. Agora silencio, poispresumo queo 
sol sevaTTodossecalam, olhando em diregao do astro. 



92. Efeito do Desaparecimento do Sol FictIcio 

1. Poucos instantes antes do apagar previno a todos, em voz alta: 
"Preparai-vos, etu, M arcus, acendelampadasetochasparaevitarqueas 
trevas venham magoar a visao!" 

2. M arcus e os servos acendem toda sorte de lampadas, enquanto 
Cireniusejuliusmandam queossoldadosfagam fogoem gravetos. Eis 
quedigo: "Apaga, luzficticiado ar, evos, espiritos, repousai!" N o mesmo 
i nstante a escuridao se faz, e da cidade ouve-se urn forte alarido. 

3. Emboravejam osdiversosfogosno monte, ninguem seanimaa 
darum passo, poisosjudeustomam-lhesporastroscaidosdoCeu. Os 
pagaosopinam quePluton hajaroubadoosol aApollo, porcertoapaixo- 
nado por uma beldade qualquer, - e a guerra entre os deuses e evidente 
Tal acontedmento eratemido por parte dosgentios, porquanto num ja 
havido, os deuses do rkushaviam atirado montan has ardentes contra o 
Olympo, oquelevaraZeusareagircom inumerosraios, dominandoo 
poder do inferno. 

4. Assim, julgam ospagaosqueo Sol tenhasido ocultado pelasFu- 
rias nesse monte, onde os principes do inferno tenham postado vigias 
com tochasacesas, - eai daquelequedali seaproxime, poiso monte tern, 
deveras, grutas profundas em toda diregao, e M arcus se servia precisa- 
mente de uma como adega. 

5. Por estas duas razoes, tanto os pagaos como os judeus, voltam 
para casa, tao logo seus olhos se habituam a escuridao. U ns adormecem 
em seguida, outrosaguardam com pavorosacontedmentospreditospor 
Daniel, - eosgentios, a contenda entre Apollo ePIuton. Em suma: a 
confusao na cidade nada fica devendo a desordem de Babel. Apenas em 
nosso monte existem paz e urn bom jantar, que Raphael organiza num 



Jakob Lorber 

154 

instante, alegrando ospropriossoldadosromanos 



93. Origem e M issAo Elevadado Homem 

1. AposarefeigaoOuran sedirigeaM im, indagando: "Senhor, para 
cuja Grand iosidade a lingua mortal nao tern nome, como poderei eu, 
verme infimo do po, agradecer e louvar-Te pelas dadivas inestimaveis 
queTua G raga D ivi na me proporcionou? Q ue somos nos, para merecer 
TuaConsideragao equefazer paraTeagradar?" 

2. Digo Eu: "Ora, amigo, nao fagastamanho alarde! Ve, es uma 
criatura mortal, em cujocorpo habitaumaalmaeum espirito imortal de 
Deus; Eu tarn bem sou homem, tenho uma alma naqual age o Espirito 
deDeus,em plenitude, amedidanecessariaparaesteorbe, eEsteEspiri- 
to eo Pai no Ceu, cujo Filho Eu sou, tanto quanta vos 

3.Todosv6sfostescegoseaindaosoisem muitosassuntos. Eu vim 
ao mundo com aVisao Espiritual, afim devosmostraro Pai, tomando- 
vosconscientes. 

4. Recebi a Plenitude da Vida, do Pai, epossotransmiti-laaquem a 
deseje, poiso Pai M aauferiu, antesquehouvesseexistidoo mundo, etodas 
as criaturas deverao viver atraves de M im. Psiquicamente tenho esta in- 
cumbencia; M eu Espirito, porem, eUno com AqudequeM eenviou. 

5. Sou, portanto, oCaminho, aVerdadeeaVidalOsqueem Mim 
creem, nao verao nem sentirao a morte, mesmo morrendo varias vezes; 
os que nao creem em M im, senti-la-ao, embora tenham vida milenar! 

6. Toda criatura tern urn corpo sujeito a morte, - fato quetambem 
ocorrera com o M eu; a alma, porem, tornar-se-a mais liberta, lucida e 
viva, unindo-seAquelequeaincumbiu da salvagaodetodos que creem 
no Filho do homem, cumprindo Seus M andamentos. 

7. Por isto, reflete bem e cumpre os M andamentos faceis que te 
seraotransmitidos, - eistudoqueprecisas, poisEu nao vim paraangariar 
honra e merito humanos Basta que M e louveAqueleQ ueesta acima de 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

155 

todos, noCeu enaTerra; esealguem quiserhonrarelouvar-M e, queM e 
ame, realmente, pdasboasobraseobservagaodeM inhas Leis, poisseu 
premio sera grande no Alem. 

8. Sealegre, nao M esuperestimesnem tereduzasem demasia, - e 
caminharasnatrilhajusta, conhecendo, pouco a pouco, tanto ati mes- 
moquantoaMim. 

9. Por ora orienta-te com M athael, que encaminhara a ti e a tua 
filha. Setiverdesum assunto especial, vindea M im quevosatenderei; 
apenasdeveisdeixar de lado asexclamacoesexageradas D evemo-nostra- 
tarcomoamigoseirmaos, poistodostemosumespiritoetemodentrode 
nos, sem oqual naoteriamosvidaenaoemenosdivinoqueo Espirito 
Primario.Torna-te, pois, um discipulo verdadeiro de M athael, - eseras 
um apostolo competenteem teu pais Compreendeste-M e?' 

10. DizOuran: "Sim, Senhor, e agora assimilei oquemeforadito 
acerca do Verdadeiro Deusljamaisoteriaimaginado!" E le agora secala, 
poisa emocao e forte demais, chorando deamor por M im. 

ll.Tomandodesuamao, pergunto: "Quefoi, que disseM athael a 
respeito de D eus?' 

12. Embora solucando, Ouran responde, olhando-Mecom cari- 
nho:"Oh, que D eus em Si eoAmorPurissimolO Tu, Santo, deixa-me 
morrer nesteamor para Contigo!" 

13. "N ao", digo Eu, "ainda seras um bom trabalhador na Terra! E 
quando vierofim deteusdiasnao morreras, poisEu te despertarei em 
vida. Por isso, tern confianca, ja encontraste o caminho justo. Q uem 
procura, comotu, hadeencontrar; quern pedeigual ati, a este sera dado, 
e quern bate na porta certa como acabas de fazer, a este se abrira. Agora 
vai econtaa M athael o queacabo detedizer!" 

14. N ao contendo suas lagrimas de amor e gratidao volta ele para 
junto de M athael, relatando-lhe tudo que Eu dissera. Tanto M athael 
quanta H elena ficam tao comovidos a nao poder impedir que as lagri- 
mas Ihesafluam, eM athael conclui: "E inconcebivel que Ele, o Ser Su- 
premo, Se nosdirija efalecomo o melhor amigo, sim, como verdadeiro 
i rmao. I guala-sea nos, enquanto cada olhar, cada gesto, cada passo ecada 



Jakob Lorber 

156 

Palavra,aparentementesimples,contem urn EnsinamentoProfundolSeus 
AtostestemunhamSuaDivindadeindiscutivd,etudoquefazjafoi pre- 
visto desdeeternidades para obtencao do melhor proveito." 



94. Opiniao de H elena a Respeito dosApostolos 

1. Diz Helena, comovidapeloamoraMim: "Dizei-me quern sao 
aquelesdozehomensrespeitaveisquepoucofalam, massempreO rodei- 
am? U m parece-se muito com Ele, outro, bem jovem, anota tudo num 
quadra. Quern sao?' 

2. DizMathael:"Queeusaiba, comexcegaodeum,saoSeusdisci- 
pulos mais antigos e ja senhores de suas proprias tendencias Aquele, 
porem, da impressao dedesonesto ejamais haveria dequere-lo por ami- 
go; pareceaencamacaodum diabolO Senhorsaberaporqueadmitesua 
presenca, pois os maus tambem sao Suas criaturas e dependem do Seu 
H alito. PorissonaodevemosindagarporqueSeu Amorpraticataismila- 
gresatediantedumdemonio.Teriavontadedeinterpela-lo, - masdeixe- 
mos isto, basta que Ele o conhega. s outros, por certo, terao opinioes 
proveitosas, porquanto parecem ser maisqueiniciados." 

3. D iz H elena: "N aturalmente externaram desde inicio grande ca- 
pacidadedeassimilagaoem assu ntos espi rituais, docontrario Elenaoos 
teriaaceitado como ad eptos. Tambem eu teriavontadedelhesfalar, mas 
isto certamente nao sera tao facil, nao achas?' 

4. D iz M athael, dando deombros: "D eus, o Senhor, despertou meu 
espirito queseuniu a minh'alma; portal motivo conhego a mim ea Ele, 
a medida que me foi dada, dentro da verdade. Agora, ler o que se passa 
no fundo do coracao humano como se le num livro aberto, - isto so e 
possivel aEleeaquem Eleoquiserrevelar. 

5. Numacriaturamundana, cujaalmaestejainteiramenteadorme- 
cida e cerceada pela vontade e agao do cerebro e dos sentidos, facil e 
positivar como e o que pensa, sente e deseja. Impossivel, no entanto, 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

157 

faze-loem pessoasquesentemeagem pela influencia do espfrito dentro 
da alma, poisjaencerram em si asVerdadesEtemasquesomenteDeus 
podera reconhecer. 

6. Porestemotivo nao nosedado palestrarcom elascomo sefossem 
criaturas comuns. N urn caso de necessidade, o Senhor o determinara; 
assim naosendo, devemosprescindirdetal prazer. - Mas..., queachas 
dasestrelasfulgurantes, Hdena?" 

7. Dizda: "Sempre despertaram meu maisvivo interesse, desdeque 
meconhego, tanto queguardei na memoria uma seriedeconstdacoes. As 
do zodiaco foram-meindicadascomo as maisimportantese as estudd no 
decorrer dum ano. Em seguida fiqud conhecendo as outras, sei seus no- 
mes, posicaoequandosurgem edesaparecem. M as, queadiantaisto?Q uanto 
maismededicavaaesseestudo, maioresemaisincisivaseram asperguntas 
que me brotavam n'almae, atehoje, ninguem logrou responder. 

8. Q uem foi o descobridor do zodiaco e I he deu os doze nomes? 
Q uerdagao existeentreo leao ea virgem, o cancer eosgemeos, o escor- 
piao ea balanga, o capricornio eo sagitario? Por quesecolocou no Fir- 
mamento urn touro eum camera, urn aquario epdxes?E estranho que 
no zodiaco seencontrem quatrofigurashumanaseum instrumentode 
precisao! Ficar-te-iamui grata se me pudesses dizer o porque." 

9. DizMathad: "Nadamaisfacil;tem urn poucodepaciencia du- 
rante minhaexplicagaoqueassimilarastudo." 



95. Mathael Define asTresPrimeirasConstelacoes 

1. (M athad): "Evidentemente, foram os primitivos habitantes do 
Egito os inventores do zodiaco. Primeiro, porque alcancavam maior 
longevidade que nos; segundo: o firmamento naqude pais sempre foi 
mais limpido, o quefacilitava a observacao dasestrdas; tercdro: dormi- 
am desduranteo dia, em virtudedo calor intenso, trabalhando a maior 
parte da noite, que Ihes proporcionava oportunidade para a observacao 



Jakob Lorber 

158 

astronomica. Assim, gravavam a constelagao, dando-lhenomedealgum 
fenomeno ou habito entreo povo. estudo constantedo zodiaco levou 
os homens a conclusao de que era um grande circulo dividido em doze 
partes, contendo cadaqual uma constelagao. 

2. Osantigosjacalculavam serem asestrelasmaisdistantesdaTerra 
queoSol eaLua, etambem incluiramessesultimosnograndezodiaco. 
Este, porsuavez, movimenta-se, desortequeo Sol, em cujo redorgiraa 
Terra, alcanga em trinta diasoutra constelagao. fatodeentraraLuaem 
poucos dias numa outra, explicavam eles pelo seu percurso diario mais 
lento em volta daTerra, tanto quenuncaretornavaao mesmo ponto que 
o Sol. H aviaalgunssabiosqueafirmavam o contrario; entretanto, preva- 
lecia a orientagao da morosidade lunar. D este modo surgiu o zodiaco, e 
iras saber da ori gem dosnomes. 

3. D urantea estagao dosdiasmaiscurtos, queno Egito eram acom- 
panhadossempredechuvas- fato significativo que levavao povo a inici- 
ar um novo ano - o Sol se achava, por calculo, na constelagao que hoje 
denominamosaquario. Eisporqueselhedavaafiguradum pastor que, 
munido dum balde, despejava agua num cocho. s velhos denomina- 
vam deaquario (U odan), tanto o homem quanta a constelagao e a epo- 
ca. M ais tarde a fantasia futil das criaturas o transformou num deus, 
venerando-o como vivificador da natureza ressequida. D este modo a pri- 
me ra constelagao e a pri mei ra epoca de chuvasficou classificada. Vamos 
agora analisar os "peixes". 

4. N isto diz Pedro aosoutrosdiscipulos: "AsexplicagoesdeM athael 
sao muito elucidativas, vamos prestar-lheatencao." 

5. D igo Eu: "Isto mesmo; ouvi-o, pois M athael e um dos primeiros 
cronistas desta epoca." Todos se aproximam dde o que o encabula um 
pouco, masPedrodiz: "Continua, porquedesejamosnosinstruircontigo." 

6. Retruca M athael, modesto: "Para vos, amigos, meu saber por 
certo sera insuficiente; sois discipulos antigos do Senhor, enquanto eu 
meacho em vosso meio ha dezesseishoras." 

7. Contesta Pedro: "Isto nao tedeveconfundir; ja nos deste provas 
quenosdeixaram bem paratrasTudo recebemosdo Senhor, pois o que 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

159 

a um da num ano, a outro podera dar num dia. Por isso, continua com 
tuaexpli cacao." 

8. Diz M athael: "Pois bem; apos trinta dias termina a epoca das 
chuvaseo N iloseachaabarrotado de peixes que sao iscados: parteelogo 
aproveitada, o restante e salgado e secado ao vento que, nessa ocasiao, e 
muito forte. Essa manipulacao com os peixes e obrigatoria devido ao 
clima, antes que as aguas do N ilo sequem e os cardumes morram nos 
canais, empestando o ar com o mau cheiro. 

9.0 quehojelaaindaeuso,constituia,ao tempo, verdadeiraneces- 
sidade dos sabios habitantes e, como sempre se pescava na mesma epoca 
em que o Sol entrava em outra constelacao, era ela cognominada de 
"peixes", ou Ribar, ou ainda, Ribuze. 

10. Pelofatodaspessoasserem facilmenteacometidasdefebre, de- 
vido a alimentacao com peixes gordurososepela respiracao dear pesti- 
lento, classificava-se esta ocasiao de "febril", inventando-se uma deusa 
incumbidadeafastaramolestia. 

11.0 tercerosignoerepresentadopelocameiro. Os habitantes que 
sededicavam ao cuidado dasovelhasviam chegado o tempo detosquea- 
las, o que levava outros trinta dias, ecomo o Sol penetrava noutro signo, 
denominou-seo mesmode"aries" (Kostron). 

12. H avendo nessa epoca grandes tern pestadesprovindas da I utade 
um elemento contra o outro, ascriaturasem breveacharam onomedum 
deus: "marte". Desmembrando esse nome, chega-seao amigo M ar iza, 
ou M aor'iza, isto e: Esquentar o mar. 

13. D urante os signos anteriores o mar esfria, o que era percebido 
pelosmoradoresdolitoral. M as, pelaforgamaisintensadoSol epelaluta 
do ar quentedo Sul com o frio do Norte, pelo despertar dosvulcoes, o 
mar ia-seaquecendo pouco a pouco. 



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160 

96. Expucacao do Quarto ao Sexto Signos 

1. (M athael): "Passando ao quarto signo, novamentedeparamoscom 
um animal, isto e: um touro vigoroso. Apososcuidadoscom asovelhas, 
os povos pastorisdirigiam a atengao para o gado; era preciso seleciona-lo 
para conseguir boa criagao. 

2. touro, quetudo rep resentava para osegipcios, ateosinfluenci- 
ava pela escrita, quer dizer: formava figuras na areia pelo sopro - era 
apresentado em posicao destemida, quaseem pe, apoiado naspatastra- 
seiras E, portanto, muito natural queassim sedenominasseo signo que 
apresentava em seus contomos tal animal. proprio Taurus romano 
deriva-se da abreviatura do antigo Ta our sat, ou Ti a our sat, isto e: E 
epoca (sat) do touro ficar sobreastraseiras 

3. Maistardeclassificou-seesta epoca entre os romanosde April is, 
quepelatraducaoem egipcio quer dizer: A (touro) uperi (abre) lizou lizu 
(a visao), ou: Touro, abre a cancela para o pasto! Assim, tornou-se Ele 
com o tempo um deus para esse povo, e com isto temos a origem verda- 
deira do quarto signo. Vamos agora analisar o quinto e como surgiu a 
figura dos gemeos, em C astor e Pollux. 

4. Seramaisfacilmentecompreendidoseconsiderarmosqueosve- 
Ihos pastores, apos o zelo para com o gado, haviam concluido a maior 
tarefado ano. Em seguidasereuniam oscabegasdascomunidades, quando 
eram escolhidosum ou doisperitos, quefossem ao mesrno tempo juizes, 
para apurarem se o esforco despendido havia dado bons resultados. A 
pergunta soava: Ka i estor?, o que quer dizer: Q uefez ele?0 outro, em 
seguida, advertia: Po luxe men!, ou seja: Esclarece-mearespato. 

5. Dai surgiram os"gemeos", quenofundoapenaseram duasfrases, 
umaindagadoraeoutradeincentivo. Como nessaepocao Sol entravana 
conhecida constelagao, deu-se-lhe o nome de "gemeos", - no idioma 
romano Gemini ou Castor et Pollux, - naturalmente mais venerados 
como deuses. 

6. Vamos agora ao cancer. N essa epoca, odiaalcancava a mais longa 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

161 

duracao; quando novamenteeradiminuida, osvelhoscomparavam-naa 
marcha do caranguejo. D urante esses trinta diaso orvalho a beira do rio 
era muito forte, anoite, desortequeoscaranguejossaiam deseusescon- 
derijos para urn passeio no gramado umido. bservando isto, osegipci- 
ostentavam enxotaresseshospedesindesejaveis, tarefanaofacil, poisseu 
numero era incalculavel. Primeiro tentaram ajuntar esses crustaceos aos 
montes, metendo-lhesfogo, o que nao surtiu efeito dianteda enorme 
quantidade. cheiro agradavel daqueimacao levou osvelhosasuposi- 
gao dequetalvezfossem comiveis N inguem, todavia, animou-seatal. 

7. M aistardeoscozinharam em grandespotes, cujo caldo, apesar de 
delicioso, nao osestimulavaao consume Porissoderam-noaosporcos, 
que com elesedeleitavam esetornavam gordos, fato que muito era do 
agrado deseuscri adores. N a matanca aproveitavam banha, couro etri- 
pas, enquanto acameserviadeengordaparaospropriossuinos 

8. H ouve pessoas indolentes e preguigosas que com o tempo nao 
mais respeitaram as velhas leis de seu guia espiritual ante-diluviano, 
H enoch, sendo asam, preciso construir penitenciarias, afim deenclausurar 
osmalfei tores. Sua ragaoconsti tuiadecaranguej os cozidos,carnede por- 
co salgadaou frita, epao. bservaram, queoscriminosossedavam mui- 
to bem com tal alimento, desortequeosoutros, num anode ma col heita 
experimentaram-no, achando-o maissaboroso queo costumeiro. Em 
breve, oscrustaceosdiminuiram consideravelmente, poisquetodoslhes 
faziam caga. 

9. M aistardeospropriosgregoseromanosdelesevaliam; apenasos 
judeusatehojenaoofazem, emboranao Ihestenhasido proibidopor 
Moyses. Disto tudo seconclui queosantigosegipciosnaopoderiamter 
encontrado interpretagao mais acertada quanta a epoca, efacil e de se 
deduzi r que gregos e romanos dedicaram-na a uma deusa a que chama- 
vamjuno. 

10. Apenas resta saber como seformou sua personal idade, e as opi- 
nioesdiversasentreossabiosnaodeixavam deter fundamento. Em sin- 
tese, baseava-se no mesmo motivo pelo qual surgiram Castor e Pollux. 
D urante a epoca doscaranguejoso calor ja era demasiado para trabalhos 



Jakob Lorber 

162 

bragais, razao por quesededicavam aosestudosespi ritual istas em vastos 
templossombreados, muitosdosquaishaviam sidoconstruidos por pri- 
mitives habitantes. 

11. U ma das principals questoes, no inicio detaisestudos, prendia- 
se a possibilidade de se encontrar o Divino Puro em qualquer relacao 
material. Comofossemtodasasindagag6esdossabiosmuicurtas,omesmo 
sedavacom aseguinteJeU N (un) o?Traducao: Continua inteiro o 
D ivino, quando separado e postas ambas as partes lado a lado? 

12. Indagais: Como podem essaspoucasletrassignificartal frase?- 
Ouvi, pois: A letra U era representada no velho Egito por urn semi- 
circulo e, deigual modo, urn receptaculo parao D ivino quedo Alto vem 
a Terra. E claroquesereferiam mormenteasdadivasespirituaisdaLuz, 
para a alma. 

13.0 N reproduzia urn semi-circulo invertido, traduzindo a mate- 
ria inerteeinfecunda. Ostelhadosdealgumascasas, principalmentedos 
templos, demonstravam que nesses lugares o divino se une a materia, 
criando vida temporaria, revelando-se por momentos, ao homem. Eis 
porquedalisurgiuaimportantepergunta:JeU N o?, poisoO represen- 
taaDivindadeCompletaem SuaPureza. 

14. A respostadizia quea materia semantem para com Deuscomo 
a mulher para com seu esposo esoberano. D eus criou em e pela materia 
Seus multiplos e variados filhos, pois a fecundava constantemente com 
Seu Influxo Divino. 

15. Com otempo, mormenteentreosposterioresdescendentesmais 
sensuais, nem urn vislumbrerestou da antiga sabedoria egfpcia. Formou- 
se, pois, da perguntajeun o edesuafeminilidadedeclarada, umadeusa 
querecebeu aprincipio, tolamente, o nomedejeuno, maistardeapenas 
Juno, cujo simbolico casamento foi realizado com o tambem tolo Zeus 

16. santigossabiostomavam a materia, por motivos natural s, por 
demais rigida, julgando-a apenas aproveitavel pelo justo esforco 
despendido. Asimperfeicoesquenelasurgiam eram por eles atri buf das a 
Juno, o que muito trabalho acarretou a Zeus Compreendeis?" 

17. D izH elena: "Continua, caro M athael, poistepoderiaouvirdias 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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a fio, embora tua narrativa nao ten ha as cores de um H omer; e sabia e 
verdadeira- eistovalemaisqueapinturacoloridadosgrandestrovado- 
respopulares. Por isso, continual" 

18. DizMathad: "Sei quenaomefazeselogiospessoais, poisaver- 
dademereceserapenascompreendida, porterorigem em Deus. 



97. Setimo, Oitavo e Nono Signos 

1. M athael: "Aposo caranguejo deparamoscom o "leao" no grande 
zodiaco que, igualmente, tern sua causa em a N atureza. Passada a caca 
aos crustaceos, que, as vezes, durava um ou dois dias alem dos trinta - 
porquanto para osantigosegipcios nao erao mesdefevereiro o destina- 
do a sofrer a diferenca existenteentreosdemais meses, esim, o dejunho 
- surgia outra calamidade, provocando perturbacoeseaborrecimentos. 
N essa epoca as femeas, geralmente, davam cria e, a fim de saciar sua 
voracidade, invadiam desertos, montanhasevalesaprocuraderebanhos 

2. Sendo sua patha a Africa eo N ortedo Egito, facil Ihesera invadir ate 
a zona mediana eo Sul. Assim como os lobossao levados pdo frio a procurar 
os povoados, ocalor dejunho impeleosleoesaoslugaresmenosquentes. 

3. Era nessa epoca queos habitantesdo Egito tinham a visita desses 
animais selvagens, e como o Sol se aproximava dum signo que, seme- 
Ihante ao do touro, apresentava a figura dum leao, os velhos assim o 
denominaram, querdizer, tarn bem classificaram tal epoca de"leao" (Leo 
wa), Le: o mal ou o descendentedo mesmo, oponenteao El: o bom ou o 
filho do bom, o: o Sol, divino; waou wai: foge; portanto: Leo wai signi- 
fies omaufoge do Sol. 

4. H a poucos decenios os romanos intitularam essa epoca em ho- 
menagem a seu heroi Julius Cesar, pois era astuto e sabia lutartao deste- 
midamentequal leao. Eiso setimo signo quetambem foi venerado pelos 
descendentesegipcioscomo algo divino. 

5. Agorasegue-seavirgem, poisasdificuldadesmaoresdo ano havi- 



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am passado e o povo se entregava aos prazeres e as festas desti nadas a pre- 
sentesasvirgenspuras, estimulando-asno prosseguimento da moral. Era 
uso cdebrar os casamentos nessa epoca, desde que se tratasse de u'a moca 
demdoleimpecavd. Quern naotivesseprocedidodetal forma era exclui da 
do matrimonii podia, em circunstanciasfavoravds, tornar-seconcubina 
deum homem possuidordeumaou variasmulheres, so Iherestando, fora 
disto, a condicao deprimentedeescrava. Assim, tal epoca tambem tinha 
suaimportancia, ecomo, precisamente, surgianovo signo, cognominou-se 
o mesmo de'Virgem". H a poucosanososromanosvaidososderam-lheo 
nomedo Imperador Augusto, em sua homenagem. Vimos, portanto, de 
quemodo seencaixou uma virgem no zodiaco. 

6. Agora vemos urn objeto, uma "balanga", usada pelos mercadores 
e farmaceuticos. Deu-se seu aparecimento da seguinte forma: apos as 
comemoracoes nupciais chegava o tempo da fiscalizacao da colheita dos 
cereais- cujo cultivo ja vinhasendofeito pelos antigoshabitantes, alem 
dapecuariaedosfrutos: figos, tamaras, olivas, romas, laranjasetc. 

7. Cadacomunidade tinha urn delegado para todos os negocios e 
urn sacerdote desti nado ao ensino popular e a profetizar em ocasioes 
importantes N ao e preciso dizer que a casta sacerdotal, em breve, au- 
mentou, dedicando-seapenasaosservigosdeordem material, quando 
exigiam renovacoesemelhoramentos. 

8. Pesquisava, ajuntava e determinava o preparo dos metais, o que 
naturalmente requeriamuitosserventesemestresdeoficio. Esses naoti- 
nham tempo paraalavouraepecuaria, desortequeprecisavam sersusten- 
tados pda municipalidade Como tal problema poderia ser resolvido, se 
cada membra tinha de pagar urn tribute correspondentea sua colheita? 

9. Determinou-se, entao, o dizimo, pagavel em beneficio da casta 
sacerdotal e que era pesado numa "balanga". Existiam-nas de todos os 
tamanhos, ea colheita ia sendo pesada, novevezes no deposito do dono 
euma vez no do outro. sumo sacerdote era ao mesmo tempo o pastor 
dopovoesechamavaVaraon (quer dizer: eleeo pastor). Maistardeos 
varaonssetomaram reis, eo sacerdocio tambem era sujeito a essedomi- 
nio. Poressaexplicagaohistoricaconcluimosotempoqueseguiaa'Vir- 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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gem" era destinado a entrega do dizimo e, como o Sol entrava num outro 
ciclo, chamava-seo mesmo de"balancaf. 

10. N ao merece mencao o fato de que se dava a essa epoca varios 
significados, usando-acomosfmbolodejustigadivinaeterrena, chegan- 
do-seate, entreospovosatrasados, a Ihe render devocao demodo identi- 
co ao que fazem os hindus com o arado. Tanto a fantasia dos homens 
quanta a crescente ganancia e propagagao dos sacerdotes e instrutores, 
com o tempo divinizaram tudo que Ihes parecia antigo e util. Vamos 
agora dirigir a atencao ao aracnideo "escorpiao". 



98. Expucacao dosTresUltimosSignos 

1. (Mathael): "Eisquevinhaum periodo maistranquilo: osreba- 
nhosseacalmavam; as an/ores frutif eras nao maisapresentavam amesma 
producao como na primavera; os campos descansavam - e os homens 
entravam em ferias. Ter-se-iam deixado ficar de bom grado nessa indo- 
lenciaseo SenhordeC euseTerra nao ostivesseaticado com urn aracnideo, 
comum no Egito. 

2. Logo no infcio dessa epoca osescorpioesapareci am portoda par- 
te, multiplicando-se, ja em meio desse tempo ocioso, como moscas num 
refeitorio. Como sesabe, o ferimento pela cauda nao so e mui doloroso, 
como tarn bem acarretagrandeperigo quando naotratado imediatamen- 
tecom umantidoto. 

3. Assim orientados os egipcios tudo fizeram para encontrar urn 
contraveneno satisfatorio. Finalmente, a casca dum arbusto do N ilo foi 
descoberta, cujo cozimento eseusvaporesti nham a propriedadedesane- 
arosquartosdesseindesejavel visitante. Umedecendoacascaeespalhan- 
do-anosoalhoesobreascamas, conseguia-seaeliminagao. Deu-se-lhe, 
pois, o nome desse remedio, ateentao incognito: Scoro (casca) pi ou pie 
(bebe) on (ele). 

4. Foi destemodoquesechamouaatengaodosdescendentessobre 



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tal remedio que dava bom resultado na luta contra a praga. Ate hoje 
recebemosdo Egito, Arabia e Persia um po com o qual seconsegue, sem 
prejuizo para o homem, exterminar escorpioese insetos; este po e, com 
algunsacrescimos, extraido do mencionado arbusto. 

5.Tao logo apareciao primeiro lacrau, o Sol entravaem novo signo, 
por isto se deu a tal epoca aquele nome Ate al i apenas se Ihe havia dado 
atengao em virtudedo remedio queextermi nava essearacnideo, nocivo a 
homenseanimais. Com oexterminiodaqueleeocessardastrovoadas 
comuns, pelas quais os egipcios tinham grande respeito, poisdiziam: A 
armadeZeusemaisrapidaeseguraqueamiseravel, do homem!, termi- 
navao tempo do ocio. 

6. Eisqueosanimaissdvagenscomegavam adesceraosvales, fator 
esse que levava os homens a Ihes fazerem caga com o arco. Lebres, coe- 
Ihos, pequenosursos, texigos, raposas, panteras, quantidadedegavioese 
aguias, crocodiloseo hipopotamo (em egipciojepaopatamoz: o hipo- 
potamo comega a desenvolver sua forga) principiavam asemovimentar, 
nao havendo tempo a perder. Alem disto, estipulava-se um premio im- 
portante para o exterminio de grande numero decrocodilos 

7. N ao vem ao caso de que maneira eram organizadas as diversas 
cagadas, basta sabermos que eram feitasem tal epoca e que o Sol passava 
por novo signo, portanto o cognominaram, sagitario. M erecia pouca ve- 
neragao, com excegao de Apollo, deustambem da caga. 

8. Vamos enfrentar o signo mais estranho: o capricornio que, no 
entanto, tal como osoutros, surgiu demodo natural. N esseultimo peri- 
odoacagainvadiaosvales,afimdesatisfazersuafome bodetinhaum 
valor consideravel para os egipcios, razao pela qual nao o deixavam esca- 
par ileso: mal era avistado nos pastosem abandono, punham-sevigias 
queavisavam osoutros do acontedmento. 

9. N ao sendo facil pega-lo, varias epocas de capricornio passavam 
sem queconseguissem realizar tal empresa. Em caso contrario, sua cap- 
turaeraum verdadeirotriunfo paratodoo Egito. Tudo neleeraconside- 
rado como remedio milagroso quecuravaqualquer molestia, eoschifres 
eram o primeiro e mais valioso omamento do proprio rei do Egito, va- 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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lendo mais que ouro e pedras raras. Em eras remotas, taxava-se o valor 
dum Varaon pelo numero de chifres de bode que ate mesmo os sumo 
sacerdotes ostentavam, dourados, como prova de sua sabedoria e poder. 
Essaconsideragao ainda hojesendo observada no Egito, ecompreensivel 
quedenominassem, tanto aepoca quanta o signo, decapricornio. 

10. Destemodo analisamostodo o zodiaco, neleencontrando urn 
fundo natural quetambem se nos depara no surgimento dos muitos 
semi-deuses. Assim, espero nao serdificil reconhecero DeusVerdadeiro, 
numa Luz clara ejusta. Jamais uma divindadecriada pela fantasia reali- 
zou milagres que se Ihe atribuiram, e as palavras, aparentemente sabias 
quealegam terem sido proferidas, foram obradospropriossabios. 

11. Aqui, assi stem-sea obrasesentencas jamais vistas eouvidas, de 
sorte que descobri mos como con hecer o D eus Verdadei ro em toda Sua 
Pujanca. Hdenaetu, Ouran,diza-meseminhaexplicagao zodiacal foi 
convincenteounao." 



99. Helena Indaga Quala Escola de Mathael 

1. Diz Helena: "Caro Mathael, jamais algo me foi explanado tao 
claramente; tivea impressao deviverosacontecimentoshavidosno Egi- 
to. U ma coisa ainda desejaria saber: de que maneira ou em que escola te 
foste integrar disto tudo?" 

2. RespondeM athael: "Oh, H elenalOntem fui mil vezesmaiscego 
eignorantequeum servo incultoe, alem disto, tao doenteque nao hou- 
ve criatura humana que me pudesse curar. Apos a cura realizada pelo 
Senhor de Ceus e Terra, nao so consegui reaver as forcas fisicas como 
tambemodespertardoespiritoem minhaalmaperturbada. Estemesmo 
espirito meesclarecea fundo todasascoisas, tanto as do passado, quanta 
as do presentee future 

3. EisumapuraGracaDivinaquedevounicamenteao Senhor eao 
Q ual todosvostendes que render honra, gratidao eamor; assim vesque 



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nao frequentei escola alguma Pai etudo: minha escola esabedoria, 
poistudovem Dele! Afirmo-vospositivamente: quern naotiverestaFonte 
como causa deseu saber, - nada sabe, poisseu conhecimento efutil e 
sem base. Sedeassi'duos na nica Escola do Senhor, o Q ual ora caminha 
entrenos, em Sua PlenitudeD ivina, enao necessitareis, jamais, deoutra. 
Compreendestebem, amavel H elena?" 

4. Respondeela: "0 h, sim; como pode, entretanto, urn mortal como 
eu ou meu pai, cursartal escola?" 

5. Irrita-se M athael: "Oh, Helena, como podesfazer pergunta tao 
tola?! D eves me perdoar a resposta severa: tanto tu quanta teu pai ja a 
frequentais. Como, pois, perguntar por ela?! N ao compreendes que o 
Senhor faz estes milagres por vossa causa?" 

6. Diz H elena, encabulada: "Peco que nao te aborrecas comigo, 
M athael. Reconheco minha toliceeespero que tenhaspaciencia, - uma 
arvore nao cai de urn so golpe." 

7. Retruca ele, tocado pela meiguice da moca: "Q uerida, nunca te- 
rasnecesadadedemepedirpaciencia. Soqueroo bem detodos, embora 
deimpressao desevero. M eu desejo elevar bem rapido o conhecimento 
a pessoa. Vejo, ser tua alma mais meiga que uma pomba, e nao e preciso 
despertar-te com palavrasrudes" 

8. Diz ela: "Todavia nao necessitasterdemasiadocuidado comigo. 
Se com palavras severas me ajudas mais depressa, pego-te emprega-las 
sem susto. Agora, ainda uma pergunta: quern cognominou ossignose 
qual o motivo?" 



100. EnsinamentosGeraisAcercado Zodiaco 

1. D iz M athael : "C ara H elena!Tua pergunta ecurta; a resposta com- 
pleta requereria urn ano inteiro; por isto vamosdeixa-la para outra opor- 
tunidade. Posso, contudo, esclarecer-tequetodosossignostem amesma 
origem que o zodiaco. 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

169 

2. Pelo antigo idioma egipcio, a silaba Zo ou Za significa "para", dia 
ou diaia "trabalho" e kos "uma parte, ou "divisao". N a traducao correta 
Zadiai kos representa: divisao do trabalho. N o infcio osvelhosdividiam 
o zodiaco deacordo com osacontecimentosperiodicosdeseuslabores, o 
que seus descendentes conservaram, poisanunciavam previamenteaos 
superiores quetarefa enfrentariam. Assim, a classificagao era certa, com 
excegao de gregos e romanos. 

3. Do mesmo modo, os sabios cognominavam muitos signos, se 
bem que nao todos, sendo tambem os descobridores dos conhecidos 
planetas, exceto a Lua eo Sol. Este, com referenda a nos, nao e planeta, 
porquanto nosso sistemaplanetario inclusive aTerra, giraem epocasdi- 
versas em volta do Sol. N osso planeta perfaz essa translagao em urn ano. 
Venus e M ercurio num espago mais curto, enquanto M arte, Jupiter e 
Saturno necessitam de maior tempo que aTerra. 

4. A Lua pertenceao nosso planeta e com ela se movimenta, uma 
vez por ano, em volta do Sol, precisando para seu trajeto em redor da 
Terra devinteeseteavinteeoitodias, numadistanciadecemmil horas. 

5. Estascoisasnaopoderasasamilardeumas6vez;quandooEspi- 
rito Divinodespertarem tuaalma, reconhecerasnaoso isto, como muita 
coisa mais, sem ensino externo edificil. Eispor queenecessariaapenas 
uma coisa: conhecer a si proprio ea D eus, amando-0 acima detudo; o 
resto virapor si so. 

6. Alem do maisjaconversamosmuito; vamos descansar, afim de 
daroportunidadeaosoutros, maisinteligentes, defazerem boasobserva- 
coes. N unca se deve falar em demasia sobre urn assunto, para tambem 
ouvir a opiniao dos outros, pois ninguem na Terra etao sabio que nao 
possaaproveitardum menosinteligente, quanto maisdum deprofunda 
sabedoria. Por isto, perdoasemecalo." 

7. Diz H elena: "Tens razao, falaste durante muito tempo; quern 
sabe agora alguem nosdiraalgo acercado G randeM estre, quenem deixa 
transparecer Aqui lo que e." 



Jakob Lorber 

170 

101. OPINIOESQUANTO A DlVULGAgAO DA Doutrina 

1. Simonjudasefezouvir: "AdmiroograndesaberdeM athael esai 
vasto conhecimento daantiguidade, poiseestetao necessario quanta as 
VerdadesprovindasdeDeus Alemdisto, inutil efalaraum povotoloe 
cego, que nao se da conta de palavras mai s prof undas Q uefazer com ele? 
M ilagres?Torna-lo-ia ainda mais supersticioso! Castiga-lo? Oh, ja esta 
sendocastigado! 

2. Dever-se-iaprocurarosmaisacessivds, pregar-se-lhes, demanei- 
ra como faz M athael, contra o paganismo, - e em menos de cem anos 
nao haveria urn templo pagao. Julgai vos mesmos, irmaos, sefalei certo, 
pois num caso assim e preciso a pessoa ter raciocmio. Q ue medizeis?" 

3. Confirmam-notodos, com excecao dejudas: "Estamosdeacor- 
do enada ha que contrapor." Aquele, porem, adianta-seediz: "Como 
nao? Bern queexistealgoacontestar!" Diz Pedro: "Poisentao, fala." 

4. Responde Judas: "Basta conquistar os potentados para se poder 
influenciarosoutros, prescindindodetal ciencia." 

5. D iz-lhe M athael, agitado: "Eh, tencionas transmitir aos pobres de 
espirito e de posses materials, a mensagem de Paz com agoite e espada? 
ParecesumhabitantedoOrkus,ajulgarportuaopiniaoquefariajusaum 
diabo! Explica-me, como foi possi'vd te intrometeres nesta assembleia ce- 
leste?!Aconselho-teausarespelede camera, se tencionas falarqual diabo 
ascriaturas,paraquesenaove:atuaverdadeiraindole!Tratadeteafastare3 
de meus olhos, senao poderia ser tentado a fazer revdagoes que nao te 
seriam lisonjeras, poismeu espirito agora teconhece a fundo!" 

6. Dizjudas, admirado: "Enganas-tea meu respeito; tambem faco 
parte dosescolhidosja execute ordensdo Senhorefui, em companhia 
dos outros, transportado ha poucas semanas pdos ares!" 

7. RespondeM athad: "0 h, sei disto; no entanto, nao retiro minhas 
palavras fazes partedos doze, mas meu espirito medizqueentredesum 
e diabo, - e es tu! Com tal testemunho podes te contentar por ora - 
querendo mais, dize-lo! Descubro quantidade de outras provas que te 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

171 

lancarei em rosto, porqueesladraolOuviste?' 

8. Com esta sentenca do sabio M athael, J udassente urn forte estre- 
mecimento; retira-se, modesto, recebendo deThomaz maisalgumasad- 
vertencias: "Entao, o inferno teesta novamenteaticando?Continua as- 
sim queouvirasoutrascantigas, poiscom M athael nao poderasconcor- 
rer! proprio anjo nao se atreve dele se aproximar, - e tu pretendes 
contesta-lo em sua sabedoria, que desde M oyses nao teve semelhante?! 

9. N ao te sera posslvel reconhecer tua imensa tolice?! N ao podes 
calareaprender?! Aqui seacham concentradosCeuseTerra, encontramo- 
nos unidos no C entro do C oracao D ivino, palavras e acoes se nos apre- 
sentam deixando admiradosospropriosanjos, - etu, o mais ignorante 
entre nos, nao podes conter teus maus i nsti ntos, apresentando contesta- 
coesdestaordem?!" 

10. Reagejudas, aborrecido: "0 ra, - deixa-meem paz! Sesou igno- 
rante, nao hasdesertu quern levaraprejuizo, enao obstanteM athael me 
ter corrigido desta forma, aposto o que quiseres: tal D outrina D ivina e 
pura nao podera ser anunciada aos pagaos com palavras meigas, senao 
com armas mortiferas! 

11. Ninguem sera inquirido seentendeu osensinamentos, - etera 
quejurarporestanovacrengalSecomotempoddadeastir- poisnuncaa 
teracompreendido - sera declarado perjuro e, no minimo, queimado vivo! 

12. Seeu naodedicaromaiorinteressenosentidodeconquistaros 
potentados nao terei ensejo- emboradiabo- decontarograndenume- 
rodepessoasquemorreraosobaespadadetaispagaosSempresefalaem 
divino, no entanto, o diabo tambem o e! E o tempo transformara o puro 
divinoem diabolico. 

13. Vejamos,porexemplo,adoutrinadeM oyses Qualseupapel no 
Templo do tao sabio Salomon?! Eispor queafirmo: M athael tern razao e 
reconheco seu saber tao bem quanta tu; - mas tambem estou certo! As- 
seguro-te que esta D outrina de Paz, vinda do Ceu, em pouco tempo 
disseminaraamaiordiscordiasobreaTerra, lancandoospovosem con- 
tendas, lutaseguerras! Fisicamentenao o assistiras; teu espirito serateste- 
munha de tudo que acabo de falar, confessando que, diabo e ladrao, 



Jakob Lorber 

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Judaso profetizou! Agora, pergunto setu mecompreendeste!" 



102. CarAterde Judas 

1. DizThomaz: "Pensaster feito uma grande profecia quo, sem ti, 
nunca tenamos descoberto?! Apesar de todos os atos de Sabedoria a que 
assististe no decorrer de meio ano, continuas pateta! Q uando nao seteriam 
desafiado luz e treva? Q uando teriam caminhado fraternalmente vida e 
morte?Q uando afomevorazeasatisfagao plenateriam estendido asmaos 
apazdo paraiso?Tolo!Entende-se:seaLuzmaisdevadadosCeus, que 
aqui Seencontra, penetrar nastrevasdensasdaTerra, terade haver reagao! 

2. bserva oscamposgelidosdo Ararat: nao sederretem com pou- 
cos graus de calor, conforme afirmam os egipcios, pela cor e densidade 
do gelo e da neve; deixa, todavia, que o Sol do Egito setentrional os 
penetre e se transformarao em agua! Ai dos vales que sejam inundados 
por tal enchente! 

3 .Aquilo que material menteseriairremediavel, nao deixaradeacon- 
tecer em espirito. Se, todavia, comegarmos a pregar o Evangelho com 
espada na mao, desafiaremosa do mundo; fazendo-o com armas da paz, 
queeo amor, tambem assim noscombaterao. 

4. Entende-sequetal Dadiva Celeste venhaprovocar lutaseconten- 
das, enquanto a materia, com relacaoaO rdem Divina, continuarasendo 
aquilo quefoi; masprecisamentepelo motivodeserem demonstradosas 
criaturas, a tolice e o absurdo do paganismo, por pessoas esclarecidas 
como M athael, asreagoesdesastrosasnao terao a mesma intensidade Se 
consideraso queacabo deexpor, confessaras a tolice detua profecia." 

5. D izj udas: "Sim, eso sabioT homazdesempre, - etudo quedigo, 
tern desertolo! Aborrece-meo fato deeu nunca ter razaolTento refletir 
sobreo assunto antes deexterna-lo, - basta abrir a boca e todos meata- 
cam qual leao a uma ovelha! Ate da vontade de estourar de raiva! M as 
prometo nao dizer palavra, com que, por certo, estareisdeacordo?!" D iz 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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Thomaz: "Otimo, assim tetornarassabio!" 

6. N isto, M athael chamaThomazelhediz: "Agradeco-te, em nome 
destajusta causa, teres admoestado o irmaojudas, tao modestamente. 
queeleconsidera uma ofensa a seu intelecto, nao o prejudica, talvez ate 
Iheseja util no outro mundo, ja quedum saber maisprofundo nele nao 
ha vestigio e, certamente, nao o alcancara nesta vida. Futuramente, deixai- 
o em paz; sua alma nao edo Alto eseu espirito demasiado fraco, afim de 
amoldar-seevivificar a psique, como vos!" 

7. EisqueM eaproximoedigo: "M athael, existem poucosinstrumen- 
toscomo tu, por isto teconfiro M eu Louvor! Prossegue deste modo ete 
tornarasum valioso predecessor paraospagaos, em lugar dum outro apos- 
toloquemaistardedesignarei entreMeusinimigoslE so agora tedouesta 
plena certeza: tu eteusquatro irmaosjamaisrecaireisnaquelaterrivel mo- 
lestia! D isporasdeteuscolegas, mostrando-lheso caminho certo. 

8. Permaneceremosaqui maisalgunsdiaseamanha, sabado, dar-se- 
ao varios fatos, durante os quais M e poderas prestar bons servicos; nao 
temes o mundo nem a morte, por tal razao M e es bom instrumento. 
Agora leva-M ejuntode Helen a, quesente uma saudadei men sadeMim 
e precisa que a reconfortemos." 

9. Dizele: "Oh, Senhor, queimensaGracalTu, meu Criador, dei- 
xas-Teconduzirpormim ao ladodaquelaqueigualmentecriastelToda- 
viaelae pura e de boa vontade; por certo desconhece o pecado e vale a 
pena fortalecer seu coragao, onde maistarde, mi lhares se irao confortar!" 



103. A Procurade Deus 

1. Apos estas palavras encaminho-M e com M athael e Yarah, que 
nao sai de M eu lado, para junto de H elena e seu pai. M al M e avista 
prorrompeem lagrimasdealegriaediz: "JaestavaduvidandoqueaGra- 
ca deTever efalar, Senhor de minha vida, me fosse concedida! Agora 
tudoestabem, pois,Tu, a Quern meu coragao e intelecto aqui conhece- 



Jakob Lorber 

174 

ram demodo tao milagroso, viestea mim, Pessoalmente! Rejubila-te, 
coracao, poisAquele, cujo Espiritotomatuaspulsacoesdesdeo berco a 
sepultura, acha-Se diante de ti, para trazer-te o conforto sagrado que te 
transformara a morteem doce nectar!" 

2. Em seguidasecalaeEu Ihedigo: "Helena, coracoes que amam 
comooteu, nao necessitam temeramortequejamaissentirao, nem doce 
nemamargalEu MesmosouaVidaea Ressurreicao, eosqueMeamame 
em M im creem nao perceberao a morte! 

3. Sebem quetesejatirado o corpo pesado, nao terasdisto consci- 
encia, pois has detetransformar, num momento, navida lucida detua 
alma pelo M eu Espirito de Amor em ti, evoluindo atealcancar Sua Per- 
fecaolCompreendesisto, Helena?" 

4. Ela esta tao comovida que nada pode dizer. Passa-se urn curto 
tempo e ainda nao consegue se expressar por palavras de gratidao pela 
alegriadeM inhaVinda, poisemcadatentativadesataachorar. Dirigin- 
do-Meaela, digo: "Queridafilha, nao tecanses; esta linguagem doteu 
coracao e-M emuito maisagradavel quea detua boca, por maiselevada 
queseja. 

5.Ve,jaexistemalgunsnaTerra, -enofuturohaveramuitos- que 
Medirao: Senhor, SenhorlE Eu Ihesresponderei: PorqueMechamais, 
estranhos? N ao vos conheco, nunca vos conheci, pois sempre fostes fi- 
Ihos do principe da mentira, do orgulho, da maldade, da noite e das 
trevas! Afastai-vos de M im, eternos praticantes do mal! - D igo-te que 
entre eles havera clamor e ranger de dentes! 

6. ProcuraraoaDeusem distanciaseprofundezajamaisalcangaveis, 
poisjulgaram ser mui simples procurar-M e perto deles, isto e: em seus 
coragoes. Em verdade, quern nao buscar como tu, nem em etemida- 
desencontra-Lo-a!Deuseem Si oAmormaispuroeinfinitamentepo- 
deroso, - eis por que so sera encontrado pelo amor! 

7. Desde inicio fosteassim impulaonada, emborajulgassespecar, 
em virtude deste sentimento para Comigo; todavia, achas-te-M e, pois 
vim a teu encontro e ao de teu pai ! D este modo, todos terao de M e 
procurar e M eacharao, como tu. 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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8. Osqueofizerem pdo intdecto orgulhoso, jamais o conseguirao, 

poisas5emel har-se-ao a um homem quecomprou uma casa por I he have- 
rem assegurado que, em seusalicerces, achava-se enterrado um grande 
tesouro. Uma vez proprietario, comecou a escavar ora aqui, ora acola, 
ligeiramente, oquetornavaimpossrvel localizaro tesouro oculto. Eisque 
pensou : J a sei quefazer. C omegarei a escavacao por fora, em redor da casa 
e, certamente, descobri-lo-ei. D ito efeito: cavou externamente, nao en- 
contrando o desejado que se achava oculto no centra da casa; quanta 
maislongeseiaafastando, menorpossibilidadetinhadeexito. 

9. Q uem algo procura onde nao seacha, jamais ha-deencontra-lo. 
Quern quiser pegar peixes, tera de lancar redes ao mar, pois eles nao 
nadam no eter. Q uem quiser descobrir ouro nao deve lancar redes, mas 
procura-lo nasprofundezasdasmontanhas. N inguem vecom osouvidos 
eouvecom osolhos, pois cadasentido tern suaparticularidadeeedesti- 
nadoacertofim. 

10. Assim, o coracao humano, deO rigem D ivina, tern unicamente 
afinalidadedeprocurara Deuse, quando acha-Lo, Delereceber uma 
nova vida indestrutivel. Quern buscaratravesdum outro sentido, nao 
poderaencontra-Lo, pois nao consegueum homem deolhosvendados 
ver o Sol com ouvidos e nariz. 

11. A indolejusta eviva no coragao eo amor. Q uem despertar esta 
indole de vida e por ela iniciar a busca de Deus, forcosamente ha de 
encontra-Lo, pois a criatura que nao for inteiramentecega, logo desco- 
brirao Sol eofulgordasualuz. 

12. Q uem tencionaouvir uma palavra sabia nao devetapar osouvi- 
dos e abrir somente os olhos; pois esses, se bem que vejam a luz e as 
formas iluminadas, nao poderao gravar a forma espiritual da palavra, o 
que apenasseconseguepelos ouvidos. - Compreendestetudo?' 



Jakob Lorber 

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104. A Uniao Com o Senhor 

1. Diz H elena, finalmente refeita de sua emogao: "Oh, sim, pois 
Tuas Palavras tern luz, forga e vida, e emanam deTua Boca Santa de 
modo tao claro como a fontepurissima no cumedas montanhas, ilumi- 
nada pela aurora. M as, que farei para acalmar meu coragao?! Senhor, 
mata-mesepeco; mas meu amorparaContigoultrapassatodososlimi- 
tesvitais! DeixaquetoqueTua M ao!" 

2. Digo Eu: "Por que nao deixaria? D eves semprefazero que teu 
coragao ordena, e nunca poderas errar!" 

3. Tomando-M ea M ao esquerda eapertando-a contra o peito, H e- 
lenadiz, solugante: "0 h, Senhor, quaofelizesdevem seraquel esquesem- 
preTe rodeiam ! Se tal me fosse possivel !" 

4. D igo Eu: "Q uem esta Comigo pelo sentimento, a esteEu acom- 
panho, assim como tambem elea M im, - eiso essencial ! Poisqueadianta 
apessoaM inhaPresengaFisica,seocoragaoestadistante, pelaatragaodo 
mundo?! Em verdade, nao havera maior distancia imaginavel. 

5. M as quern esta perto deM im pelo amor, como tu, adoravel H e- 
lena, permanecera nesteaconchego mesmo seexternamentehouver urn 
Espago mil vezes maior entrenos que odaqui a ultima estrela que teus 
olhospossam vislumbrar. 

6. Afirmo-te: quern M e ama igual a ti e ere convictamente ser Eu 
Aquele por cuja Vinda esperaram os patriarcas, esta tao unido a M im 
comoEu- conformeMevesesentesnestemomento- sou U no como 
Pai noCeulO amortudoune, unindo tambem Deuseacriatura, enao 
ha espago que possa separar o que o Amor Verdadeiro e Puro uniu pela 
profundeza celeste! 

7. Por teu amorcontinuarassempreem M inhaCompanhia, mes- 
mo se neste mundo o Espago nos separar por algum tempo; urn dia, no 
M eu Reino do Espirito Puro eda PlenaVerdade, jamaisserasapartadade 
Mim. Assimilasteisto, querida Helena?" 

8. Respondeela: "Como nao? M eu coragao entendeo sentido pro- 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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fundo deTuas Palavras, iluminando toda a minha alma! Agora, porem, 
surge outra pergunta importantedum recanto intimo ainda nao pene- 
trado pela luz: comoagradecerAquelequemecumulou deumaGraga 
taoprofusa?0 amormaisfortenaopodeterovalordagratidao, poisele 
e, comotodavida, umaGragaTua. Que sacrificio equal dadiva poderei 
eu, criatura, oferecer-Te, meu Criador, como reconhecimento portantas 
dadivas recebidas? Senhor, eis um ponto obscuro em meu coracao, nao 
obstantea luz radiosa, para o qual desejaria um esclaredmento. Poderias 
ti rar-me deste embarago?" 



105. Forma de Agradecer a D eus 

1. DigoEu:"Oh, Helena! Que do mundo Me poderias ofertar que 
nao fosse M eu, poissou o D oador detudo?! Isto seria uma exigencia futil 
deM inhaparteeumacompletacontradigaoaM inhaNaturezaDivinae 
rdem Eterna. 

2. Ve, o amor tudo faz. Q uem M e ama acima de todas as coisas, 
oferta-M eo mai or sacrificio eamelhorgratidao, poisM eofereceo mun- 
do inteiro. Alem do amor para Comigo existeo amor ao proximo, eos 
pobres de espirito e de posses materials sao vossos semelhantes. Q uem 
algolhesfizerem Meu Nome, te-lo-afeito a M im. 

3.Aquelequeacolheraumpobreem Meu Nome, ter-Me-aacolhi- 
do, elheserarecompensado no Diadojuizo Final. Quern receberum 
sabio em virtudedeseu saber, tera recompensa identica, eo queoferece 
um copo d'aguaa um sedento, receberavinho, no M eu Reino. 

4. Sepraticasacaridade, - faze-locom amoresem alardepoiso Pai no 
Ceu o ve, tua dadiva L he sera agradavd e a recompensa decern, por um. 
Q uem tenciona, no entanto, brilhar diantedo mundo pelasobrasdecari- 
dadejaterarecebidoo premio mundanoenadamaisdeveaguardar. 

5. N isto consisteaunica man eiraagradavel desacrificioegratidao, a 
M eusO Ihos, poisasoferendasdepromessaseincenso sao deodor pesti- 



Jakob Lorber 

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lento, easprecesformaisum horror, provindasdaqueles, cujoscoracpes 
estao longe do verdadeiro amor a Dais e ao proximo. Quern poderia 
colhervantagenscom ovozerio inutil dostemplos, ondenaoseconside- 
ra os milhares de pobres efamintos, fora dos mesmos?! 

6. Fortalecei, primeiro, os sofredores, alimentai osfamintos, saciai 
ossedentos, cobri osdesnudos, consolai ostristes, libertai osprisioneiros, 
pregai oEvangelhoaospobresdeespirito,- etereisfeitomuitomaisque 
orando dia e noite, enquanto vossos coracoes perduram frios e insensi- 
veis aos pobres irmaos. 

7. Veo mundo da N atureza, aTerraeosastros, as fl ores e as an/ores, 
ospassaros, ospeixesetodaafauna; observaospicosdasmontanhas, as 
nuvenseventos, - todosanunciam a HonradeDeus; no entanto, Ele 
nadadistoconsidera, ao contrario do homem futil. queEleve, unica- 
mente, eo coracao dacriaturaqueO reconheceeamacomo o Pai Verda- 
deiro, Bom eSanto. Assim, como poderia Ele achar prazer num coragao 
vaziodevirtudesou numacerimoniavacom preceseincenso,queoculta 
o mais pronunciado amor-proprio, orgulho, tendencia para o dominio, 
todasortedeimpudiciciaefraude?! 

8. Agora sabes que: primeiro, Deus nao necessita de honrarias de 
criaturasfuteis, poiso Universo epleno deSua H onra. Segundo: deque 
forma poderia o homem tolo e cego honrar a D eus, se outra honra nao 
possui alem daquela que D ele recebeu pela G raga de ser criatura?! u 
poderiacontribuirparaaH onraD ivinaofatodeoshomensLheofertarem 
urn boi, permanecendo decoragoesempedernidosdez vezesmaisdepois 
do sacrificio?! 

9. N aoaceito honra humana, poiso Pai noCeuofazdesobejolSe 
ascriaturascumprem M eus M andamentos, demonstrando destemodo, 
seu amor para Comigo, patenteiam a honra devida a M im e a M eu Pai, 
pois que somos perfeitamente U nos! Se tal e a Verdade P lena e Eterna, 
nao M edesonra quern cumpreaVontadedeDeus, externadapor M oyses 
eoutrosprofetasecomo acabo devosrevelar. Compreendes agora como 
se deve agradecer e louvar a D eus pel as dadivas recebidas?' 



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106. Destino da Doutrina Divina 

1. D izH elena, compenetradapdaVerdadedeM eusEnsinamentos: 
"6 Senhor, cada uma deTuas Santas Palavrasformou urn eco em mai 
coragao, ressoando em minh'alma. EisaVerdadeDivinaePuralTal Dou- 
trina so Deus M esmo podia facultar aos homens, pois nao haveria ser 
humanoqueacriasse. 

2. Quao maravilhoso etomarconhedmento da Vontade de D eus 
U nico eVerdaddro, para assim agir com todasasforcasdisponfvds, em 
confronto com asatitudes impostas pdo orgulho humano, sob a alega- 
cao de que sej am a Vontade de D eus 

3. Sempreimagind queum DeusVerdaddro so possuia uma Von- 
tade Justa que nao pode estar em contradicao, como acontece as Ids 
humanas, asquaismuitasvezesserevogam entresi. Q uem cumpretal Id 
acarreta o castigo duma Id anterior, e nao o fazendo, sera julgado pela 
novadderminacao. Como, pois, viverdentro dajustica?! 

4. Admitimosnossasantigasldsddficas, onde o sacerdote, astuto, 
alega: SefizeresumaoferendaaPluton, enraivecer-se-aZeus;fazendo-aa 
este, aborreceraso primeiro. Por urn sacrificio a seus sacerdotes, unicos 
competentes para abrandar a ira dos deuses, agiras bem! - Alegam ser 
mediadoreseficazesentredivindadesehomens Assim, souberam atrair 
tudo para seus bolsos, deixando-se adorar pdo povo ignorante, quetre- 
mia diante daqude poder. Tal incoerencia nao sera admissi'vd dentro 
desta nova Doutrina." 

5. DigoEu:"lstonaotedevepreocupar. Finalmente, tudo que vem 
do Alto, material ou espi ritual mente,toma-seim puro, no momenta que 
toca aTerra. Ve uma gota de chuva! N ao havera diamante mais puro, - 
mal toca o solo, perdesua pureza. 

6. Sobeu'amontanhaedeslumbrar-te-aabrisafresca, enquanto nos 
baixiosnotarasagrandediferengaatmosferica. Quao puroscaem osflo- 
cos de neve das nuvens N ao leva muito tempo para que desaparega sua 
alvura. bserva o vento que desce dos montes: turva-se pelo contato da 



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poeira, eospropriosastrosperdem seu brilho quando proximosdo hori- 
zonte. Atemesmo o raio solar do meio-dia, efacilmenteofuscado pela 
nevoaterraquea, o quetomadificil localiza-lo. 

7. Fato identico atingetodasasD ad ivas Celestes, que, no inicio mui 
puras, com o tempo seturvam pelosinteressesmundanos Istotambem 
sedaracom M inhaDoutrinapurisama, poisnaoconseguiraescapar, em 
nenhum ponto, dacritica. 

8. Templo queora edifico sera destruido, assim como em futuro 
proximo o dejerusalem, de onde nao restara uma pedra sobre a outra. 
Reconstruirei EsteM eu Templo, masode pedra, em Jerusalem, - jamais! 
N ao tepreocupes, porem, poissei da razao detudo. 

9. N inguem da atencao a luz do dia, tao pouco ao calor do verao; 
quando vier a noitea luz sera apreciada, eo calor apenasconsiderado no 
inverno. Assim acontece com a Luz E spiritual eSeu calor. N aodavalora 
liberdadequem esta livre; apenas, quando no carcere, saberaavaliaressa 
grandedadiva. 

10. Eisporque querida H elena, epermitidaaturvagao detudo quee 
puro, para queo homem venha, pdo sofrimento, a estimar o valor da Luz 
pura. Q uando nanoitetrevosa Elasurgir, atrairatudo quetem vida, como 
no inverno do egoismo humano todosseachegam a urn coragao amoroso, 
e como os pobres, gdados pdo frio, procuram o calor da lardra. 

11. Estesensinamentosso para vosservem, por isto nao osdissemina- 
rd a tercd ros Tratard dos aconteci mentos externos, e basta que cada urn 
purifiqueseu proprio coragao, pois, estando esteem ordem, avidadacria- 
turatambem entra numafaseordenada. Compreendestetudo, H dena?' 

12. Dizda: "Oh, sim. Entretanto, nao emuito agradavd saber-se 
disto antecipadamente, nao obstantetudo possuir uma razao boaesabia, 
pois que visa o Bern da criatura. Tua Vontadeseja fdta para todo o sem- 
pre." Aposestaspalavras, H dena, num extase, seguraM inhaM ao contra 
o pdto, o que quase provoca urn sofrimento a Yarah, pois Eu nada Ihe 
haviaditoduranteMinha Palestra com agregaTudosenormaliza, quando 
Euafitocomcarinho. 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

181 

107. Despertar no EspIrito 

1. Confortada pelo Mai Olhar, manifesta-se a menina: "Senhor, 
meu amoreternolAcasoTeofendi com meu aparenteciume, por causa 
da bonita H elena? Perdoa-me!" 

2. Digo Eu: "Acalma-te, M inhafilha, poisseo mau nao podeser 
ofendido pelo amor, - muito menos Eu ! Seteu amor fosse menos i nten- 
so, naoteriasreceiodeMeu Sentimento diminuir pelo amor a Helena; 
assim, deixas-televar pelo medo, pois, por momentos, evadiu-seacom- 
preensao detuaalmasobreQ uem, realmente, Eu sou! Agora, novamente 
equilibrada, H elena nao maiste altera. 

3. Ve o Sol, como ilumina as flores do campo! N ao seria tolice uma 
qualquer seaborrecer por ele irradiar igual medida sobretodas?0 bserva as 
grandesestrelas, asquaispudestevisitar pessoalmente! Vivem daseinume- 
rasoutrasdeM eu Amor, ejamaisseraovislumbradaspelo homemlSeM eu 
Amor esuficiente para alimentar esses incontaveiseenormes pensionistas, 
portodasaseternidades,- comopodes,filhinha,recearalgum prejuizopor 
causa de H elena?! Reconhecesa futilidadedeteu receio?' 

4. D iz Yarah: "Sim, Senhor, meu amor e minha vida! Procurarei 
tomar-me boa amiga de H elena e imitar suas virtudes. Ah, se minhas 
irmas mais velhas Ihe fossem semelhantes, que alegria nao haveria de 
sentir! I nfelizmente, ten inclinagoesmundanasenao ha possibilidadede 
lhesfalarsobreassuntosespirituais,quetantoalmejaria.AsfilhasdeMarcus 
sao bem diferentes." 

5. D igo Eu: "0 ra, dexadisto; quandochegaresacasa, encontra-las-as 
maisacessives Alem disto, tensRaphad ateu lado queteajudara nessa 
tarefa. De mais a mais, esteempreendimentonaoetao rapidamentereali- 
zavd com criaturasmundanas Requer geralmente muito tempo epacien- 
cia para livrar uma alma detoda impureza. E nquanto nao for conseguida a 
purificacao total, nada feto com o quetoca ao espirito, pois entreter, ape- 
nas, o intdecto com tais nocoeseconstruir uma casa na area. 

6. N ecessario equeo coracao o asamile; estando estechdo dascoi- 



Jakob Lorber 

182 

sasdo mundo, osassuntosdeordem espi ritual nao encontram ponto de 
apoio. Eisporquedevestratarqueoscoragoesdetuasirmassejam liber- 
tadosdetoda materia,- eterasfacil tarefa.Todavia, louvo tua preocupa- 
gao eteafirmo quenao perdurara por muito tempo! Entendeste bem?" 

7. DizYarah: "Oh, sim, amedidaqueu'ameninadecatorzeanos 
podeassimilaralgodeespiritual, poisaquiloquemeacabasdedizerpode 
ocultar ensinamentos profundos que minh'alma por muito tempo nao 
compreendera. J ulgo ter entendido o que no momento meseja util eTu, 
Senhor, por certo, cuidarasdo progresso eentendimento de meu cora- 
cao. M as..., veso, H denadormeprofundamenteenao Ihepoderd falar!" 

8. D igo Eu: "N ao importa, roddam-nosvariaspessoascom asquais 
poderemos palestrar, setal for necessario. Todavia, surgira urn fato que 
nosvai prender toda atencao enao teremostempo para conversasfutes." 

9. D iz da, rapidamente: "Q ueacontecera?' 

10. Respondo: "N ao necessitassabe-lo deantemao." 

11. PerguntaOuran,queseacha com Mathad,repousandona gra- 
ma: "Senhor, haveraperigo?' Respondo: "N ao paranos, mas para osque 
naoseachamComigolDirigi oolharparaCesareiaPhilippi edescobrireis 
oquerealmenteha." 



108. OSACONTECIMENTOSEM CESAREA PhILIPPI 

1. OshabitantesdeCesareaaguardam com pavorosacontecimen- 
toshorrendosque, dentro desua compreensao, devem devastar o globo: 
osjudeus a espera do julgamento de Daniel; os pagaos, da guerra dos 
deuses.0 povoserebda,negandoobedienciaaseussuperiores,destruin- 
dotudoqueve. Emsuma:dentrodealgumashorasrdnaamaioranar- 
quia na cidade, fato pdo qual ossacerdotes ignorantessao responsavds. 

2. H a entre des alguns mais instruidos na sabedoria egipcia que 
pouco se importam com o desaparecimento repentino do sol artificial, 
sabendoquetaisfenomenosjasehaviam repetidosem prejuizo para as 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

183 

criaturas. Outrosjulgam tenhasurgido um segundojosueque, pormo- 
tivosconcludentes, ordenasseao Sol permanencia maior. 

3. Alem distoumaseitajudaicadogmatizaqueoSol perduramais 
tempo no Ceu, decern em cem anos, em homenagem eterna a derrota 
total dejerico, sen queisso afeteo planeta. Algunsmagosdo riente, de 
passagem poressacidade, alegam queo Sol aposum eclipseprolongasua 
luz, afim decompensar os danoscausados Esses tambem naoseimpres- 
sionam com o fato; todos, porem, querem aproveita-lo para atemorizar o 
povo. Assim, os habitantes vao em busca de meios de resgate para apazi- 
guarosacerdocio; este, numagananciasem limites, naosesatisfaz, poiso 
povo guarda para si os objetos de valor. 

4. bservando tal embuste, um grego, velho e honesto, entendido 
nas leis da N atureza, chama a sua casa alguns moradores mais calmos e 
explica-lhes, em poucas palavras, o impossivel dano detal aparicao, di- 
zendo: "Sehouvessealgo dereal atemer, nao teriam ossacerdotesesper- 
tostantozeloecalmaemextorquiroferendasdetodaespecie. Sedaqui a 
algumas horaso Sol reaparecercomode costume, esses perdulari os exigi- 
rao novossacrificios D ivulgai isto ao povo ludibriado, afirmando queo 
velho esabio grego Ihetransmite este aviso!" 

5. Tal naturalistaemuito conceituado entreos habitantes, desorte 
quesuaafirmacaosepropagarapidamente. Em menosdeumahorain- 
vertem-seospapeis: ossacerdotestem quedevolverasoferendasefugiro 
maisdepressapossivel, poiso povo serevoltacadavezmaisenaohaservo 
ungido seguro da propria vida. 

6. Prevendo isto, chamo a atencao deO uran no momento em que 
se descobre a revolta, nao obstante haver muitos fora da cidade aguar- 
dando um desastrequalquer. M al acabo defalar, variosedificioscome- 
cam aarder, eo desespero ressoaatenos N isto seachegam a M im C irenius 
ej uli us e, perguntam amedrontadoso que ha na cidade; em poucas pala- 
vras os inteiro do acontedmento. Assim acalmados indagam apenas se 
tal nao trara masconsequencias. 

7. Digo-lhesEu: "N aoavos, masaosacerdocio; poiso povo, ladino, 
apazigua os deuses com incendiosem habitagoessacerdotaisetemplos 



Jakob Lorber 

184 

pagaos Por certo nao lastimareisessa raca deviboras! sol artificial teve 
boa I uz, pondo a descoberto as traf icanci as dos "servos de D eus" que ora 
recebem seu premio merecido." 



109. Alegria de M arcus Com o Castigo Aplicado 
aosSacerdotes 

1. Eis que H elena desperta de seu extase delicioso e se assusta pdo 
movimento no monteeo incendio nacidade Yarah depronto Iheexplica 
oquesepassou eamoca, entao, diz: "H aumahoraatrastiveaimpressao 
deminrralmaprevertal destino paraessacidade, aposo rapido desapareci- 
mentodoSol;eisquemeu pressentimentosejustifica. Senhor, por certo 
previaso fato queevidenciaa razao do surgimento do astro ficticio." 

2. Digo Eu: "Sim, queridafilha, eposslvel queassim seja, poisuma 
luzporMimcolocadanoFirmamentotemquantidadedebonsmotivos, 
e nao so o da iluminacao que, realmente, eo menor. bservaa luz solar, 
por si secundaria; considera, porem, ascriaturas livres, masalgemadas 
pela N atureza, e descobriras efeitos de luz e calor, jamais sonhados pelos 
sabiosnaturalistas 

3.Apr6priaTerrapoderiaapresentartaoinumerasmaravilhas- que 
nememvariosmileniospoderiasabarcar- comoconsequenciadessaluz. 
Esse Sol, cuja irradiagao produztaisfenomenos, erodeado por incontaveis 
emai ores corposcosmi cos, realizandoali outros efeitos maravi I hosos. E 
ve, tudo pela agao de uma so luz. Por ai concluiras que nao fiz surgir o 
astro artificial apenas para o prolongamento de seus luminosos raios. 
Queteparece?" 

4. D iz H elena: "6 Senhor, Tu, U nico Santo, que valor poderia ter a 
opiniao humana, quejamaispenetraranasprofundezasdeTuaOnipo- 
tencia?Jaconsisteem algo infinitamenteelevado podereuTeamaraci- 
ma detudo, num amor bem-aventurado do qual meu coragao jamais 
sera merecedor. Q uerer pesquisarTua N atureza D ivinaconsidero a mai- 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

185 

or ousadia da criatura. Possivd eamar-Teacimadetodasascoisas;toda- 
via, nenhum espiritoTepoderaanalisar." 

5. N istoseaproximao velho M arcusediz: "Senhor, com esteincen- 
dio, ospeixesquefui obrigado a entregar como dizimo aosfarisais, cer- 
tamente ficarao cozidos e fritos. Sabes de minha hospital idade si ncera, 
poissemprepreferi darareceber; maso dizimo aosfarisaismeaborreceu 
profundamente! E agora, precisamente a maioria de suas casas se acha 
ardendollsto meagradamaisdoquesealguem mepresenteassecom dez 
belos edificios N unca fui maldoso, Senhor; desta vez, - perdoa-me, - 
naomecontenho! 

6. E uma alegria para urn coracao bondoso dar aos necessitados; 
pagar o premio justo e mais alguma coisa a urn trabalhador, e sublime 
dever detodasascriaturas Pagar ao prefeito os impostos legaiseobriga- 
caosagradadetodocidadao, poistendoelegrandesgastosparaordem e 
seguranca do pais, os suditos sao obrigados, pelo amor ao proximo, a 
fazerdeboavontadeoqueforexigidoem prol detodos 

7. Possivd eque, entreproeminentesfiguras, em nossapolitica, surja 
urn despota, com intencao desugar o povo; masoutro havera, depoisdes- 
se, de modo geral mais compreensivo, que novamente levante os animos 
sacerdocio, porem, esempreo mesmo: tiraniza qual vampiro a multi- 
dao, extorquindoospobresdemodo maisrepugnante, compensando-lhes 
com traficancias de toda especie Eis por que urn homem de bem deve 
louvarehonraraDeus, nocasodelhesobrevirum julgamento. M eu cora- 
gao sesenteconfortado, observando que, justamente asresidenciasesina- 
gogasdosjudeussao devoradaspdaslabaredas, - eisto, num ante-sabado. 
Amanha nao poderao fazer coletas; tal castigo e bem mereddo." 

8. DigoEu:"Comosabesdistotudo?" 

9. Respondede:"Oh,fui acasaparaordenaropreparodosalimen- 
tos aos pobres que talvez amanha me ven ham visitar, edd com tresgre- 
gos, aos quaisfiz servir pao e vinho e mecontaram osfatos passados na 
cidade. M inhasatisfacaofoi taograndequeteriaensejodelhesindenizar 
por cada palavra." 

10. D igo Eu: "Amanha teras de pagar tal alegria, pois muitos dos 



Jakob Lorber 

186 

fariseusiraoatuacasa." 

11. Responde ele: "Com prazer hospedarei esses homens durante 
oitodias- talvezum ou outro semodifique. ATi, Senhor, todasascoisas 
sao posslveis!" 



110. A Alegria Maldosa 

1. EstaspalavrasdeM arcusdespertam aplausosgerais. H elena, nes- 
te mesmo instante, observa uma chama extremamente luminosa, clare- 
ando toda a zona. Tambem C i renius ve a labareda que aumenta mais e 
mais. A noite, porem,todaluztem aparticularidadeenganosadeparecer 
seaproximar a medidaquesedilata no mesmo local. Provaistoofatode 
as criancinhas costumarem estender os bragos a Lua que Ihes parece tao 
proxima, eoscaesaperseguem pelo mesmo motivo. Igual equivocoseda 
com H elena, crente que a crescente chama vem se aproximando e me 
pedeparaimpedi-la. 

2. Digo Eu: "NaosejastolalTrata-seapenasdumailusaodeotica, 
provocada pelo fogo na grande despensa do palacete do reitor judaico. 
Achavam-seali guardadospertodeduzentosquilosdo melhorazeitede 
olivas, em barris, variasbarricascom naftadestinadasailuminagaodeseu 
palacio, alem de grande quantidadedemanteiga, leiteemel.Tudo isto 
tomou-se presa das chamas - e nesta ocasiao, M arcus, teus peixes passa- 
ram a ser fritos Q uete parece?" 

3. D izeste: "Senhor, quetanto podem pesquisarmeu coragao, quanta 
a despensa do reitor, - sabes que nao sou nem nunca fui maldoso; como 
guerreiro fui severo, sem jamaister prejudicado alguem, aindaquetal con- 
duta resultasseem punigao superior. Assim, nao mealegro com a desgraca 
propriamentedita, equemeuspdxessejam fritossem proveito, - masque 
essa velha praga da H umanidadetenha recebido uma boa ligao. 

4. A destruicao de seus bens e de somenos importancia; seu real 
prejuizoconastenadissolugaodacrengaemseusensinamentosquesera 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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um grande beneficio para o povo. Agora estara de acessivd a Verdade 
PuraeDivina, noquemealegroenormemente. Podeateacontecerqueo 
malogradosacerdociotambem setomemaismaleavd, caso naosejaob- 
tuso em demasia. Penso que o dia de amanha sera bem interessante. - 
D ize-me, Senhor, setenho razaoou seminhaalegriaecondenavel diante 
deTeusOlhos." 

5. Digo Eu: "Em absolute, poisseEu naotivesseomesmomotivo 
nao terias visto a "fata-morgana", nem este incendio. D e saida sentias 
alguma satisfagao maldosa, poisteaborrecestecom o dizi mo queosfariseus 
teagambarcaram.Porissotefalei:amanhaterasdeprovervariossacerdo- 
tes, sem, todavia, teres prejuizo. 

6. U m homem justo e perfeito deve ser integro em todos os senti- 
mentos, pensamentoseacoes, do contrario nao sepresta parao Reino do 
Ceu. bservemos, porexemplo, um infratordalei, inepto paraqualquer 
boaagao;e, emsuma, irmaodeSatanaz. Pormuito tempo pratica, inco- 
lume, suas maldades, poissendo astucioso, nao podeser preso em fla- 
grante. Q uantaspessoasnao desejam quetal criminoso sejaatingido pda 
justiga!Finalmente,chegaessedia,eojuizochamaraaresponsabilidade, 
condenando-o ao maximo castigo. Todos seregozij am e nao faltam pes- 
soas "bondosas" que lastimem nao possuir direito legal para lavrar, das 
proprias, a sentenga condenatoria. 

7. N esse caso dever-se-ia indagar, de coragao e intdecto calmo e 
justo, seesta satisfagao seap I ica a um homem perfdto, poistanto o sen- 
timento quanto a razao deverao responder: Alegro-mequea H umanida- 
de tao castigada por tal criminoso seja liberta desse demento; mdhor, 
seria sereconhecessedesua atitudecondenavd, arrependendo-seetrans- 
formando-senum demento util, queprocurasseremediaro mal pratica- 
do. Qual dasduasintengoesvosparecemaisacertada?" 

8. RespondeM arcus: "Sem duvida, asegunda; a primdrae brutal 
eegoista." 



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111. M ATHAEL SETORNA VlCE-REI 

1. pinaO uran: "N uncaouvi dissertagoestaoelevadas! Sou sobera- 
nodevarioscem mil suditoseconstaseremelesos mais felizes das zonas 
no Pontus; entretanto tenho deagir dentro da lei romana, com poucas 
excecoes. C ontudo, sempreachei as leisde Roma urn tanto severas Q uao 
poucaeaconsideracao quanta a naturezaecapacidadedo carater indivi- 
dual! Seria tolo afirmar que urn sapato sirva para todos os pes, quanta 
maisuma lei, aplicada indistintamente. 

2. DamaneiracomoTu, Senhor, pronunciasteastuas, vitais, todoe 
qualquer podera segui-las, nao obstante sua indole. Voltando a meu pais 
farei grandesmodificagoes M athael, nomeio, desdeja, vice-rei econse- 
Iheiro, poreu naoterfilhos; passara a usar, bem como seusquatro cole- 
gas, indumentariadoGovemogrego, emeajudara da melhormaneira." 

3. AdereCirenius: "Eu, prefeitoromanosobretodaAsiaeparteda 
Africa, munidodetodasasprerrogativasporpartedo I mperadorAugusto, 
meu falecido irmao e pelo sucessor, seu filho, - apoio esta boa escolha. 
N ao poderiaster encontrado pessoa mais meritosa, uran ITenho dito!" 

4. Acrescento Eu: "Tambem concordo, pois de ha muito ja tern 
M inha uncao espiritual para tanto; tu, Ouran, poderas ungi-lo em teu 
pais, com oleo denardo, diantedo povo edasautoridades, afim deque 
saibam com quern estao lidando. Protegera, M athael, teu pais contra a 
invasao dos skythos de modo mais potente que urn grande exercito dos 
melhoresguerreiros Paratal fim dar-lhe-ei forga especial quando iniciar 
sua incumbencia; por enquanto basta-lhea sabedoria." 

5. Indaga Ouran: "Senhor, nao seria possivel converter paraTua 
Doutrinaessashordasperigosas?E umalastimavercriaturasdefisicotao 
atraente e nula compreensao de algo mais elevado. E desanimador se 
deparar com umafigura masculina, herculea, ou feminina, paradisiaca, 
que nao tern linguagem, apenas sabem grunhir qual suinos, o que, por 
certo, nem elesentendem. N ao seria bom conquista-los, afim desetor- 
narem verdadeirascriaturas?' 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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6. D igo Eu: "0 scolegasdeM athael teajudarao narealizagao detai 
desejo; entretanto nao poderas dominar todos os skythos> cujo pais e 
vastissimo. Consegui-lo-asnasproximidadesdo Mar Negro, e poderas 
educa-los a teu criteria" 

7. DizOuran: "Senhor, eternagratidao em nomede todos osfutu- 
ramente despertados em espirito atraves deTua D outrina. N ao faltarei 
com meu esforco evontadepersistentes." 

8. D izC irenius: "Acrescento mais: seratuaposseo queconquistares. 
QuerendofazerdistodeclaragaoaRoma,ficarasisento,pordezanos,dos 
juros de arrendamento, tendo teus descendentes direito de heranca. A 
parti rdetrintaanos teu pais nao sera dado em leilao, como de habito. 
Amanha receberas documentos comprovantes de tais direitos Apenas 
urn inimigo estrangeiro o poderiaagambarcar aforga; por partedeRoma, 
sera teu pais para sempre. " 

9. Digo Eu a C irenius: "Faze-loaindahoje; amanha esabadoe nao 
devemos aborrecer os fracos de espi rito." 

10. ConjeturaC irenius: "Senhor, como poderei escrever agora, amda- 
noite?Fa-lo-ei demadrugada, demodoqueninguem seescandalizara." 

11. D igo Eu: "M eu Raphael ja o aprontou; leo documento eve see 
oquedesejas." 

12. C ireniusapanhao pergaminho, aproxima-sedumatochaesecerti- 
fi cade sua exatidao. "Setal fossea primeira prova", dizele, "ainda meadmi- 
raria; mas isto para Raphael etao facil, como para o homem - alcancar as 
estrdascom o olhar. J a queesta pronto, podeO uran guardar o documento." 

13. Unindo o gesto a palavra, C irenius continua: "Toma isto para 
protegao tuaede teus descendentes Trata deconquistar ascriaturas para 
o Rd no do C eu, do Amor, da Verdade Eterna, que vdo de modo tao 
milagroso a nos, por Jesus, o Senhor! Estamos N de, vivemos por Ele, 
hojee sempre." 



Jakob Lorber 

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112. H elena SeTorna Esposa de Mathael 

1. SensibilizadoO uran agradecea M im eaC irenius, noqueH elena 
tambem compartilha, dizendo: "M as..., meu pai nao tern filhoshomens 
Q uem continuara seu governo?' 

2. D igo Eu: "M inha querida H elena, ja nao vos dei um sabio des- 
cendentequeteu pai acabadenomearvice-rd?Naovosagradade?" 

3. D izda, quasechorando dealegria: "Senosagrada?! Senhor, perdoa 
seTeofendi, poistive de perguntar para saber deTua Santa Vontade." 

4. D igo Eu: "Acalma-te, poisa M im ninguem poderaofender, mui- 
to menostulComo indagasalgoquejasabias, pergunto-teoquesd sem 
tua resposta. V e M athad , nomeado por teu pai , sendo esta decisao f i rma- 
da por M im e C irenius Conta apenas vinte e oito anos; haverias de 
quere-loporesposo?" 

5. Encabulada H dena baixa osolhos, dizendo: "Senhor, por mais 
oculto que se tenha algo no coragao, nadaTe escapa. Analisaste meu 
sentimento para com M athad, vistequanto o estimo e agora medenun- 
cias! Assim sendo, so me resta responder "sim" a Tua Santa Pergunta. 
Falta saber se de sente o mesmo." 

6. D igo Eu a M athad: "Amigo, podes, sem susto, continuar a pales- 
tra." Respondede: "Senhor, nunca estao amoroso como ao nosfalares 
tao humanamente. Indagas se poderd amar esta moca pura, dedicada a 
Tidetodaalma,demodotaointensocomoTeamo?Aunicadificuldade 
consiste em ser da filha dum rd e eu pobre cidadao dos arrabaldes de 
Jerusalem, cidadedecemportaisemaisdeum milhao dehabitantes." 

7. Digo Eu: "Mas..., que? Quern foi David, em origem? Quern, 
Saul? Quern osungiu para reis? Se repito contigo o que Ihes fiz, como 
alegas nao seres da mesma estirpe de H dena?Julgas que Eu nao tenha 
Poderdesobejoparatefazersentarnotrono imperial deRoma? 

8. Conheceso podereaforcadestenosso servo Raphad, eEu dispo- 
nhodelegioessemdhantesade. Quern haveriadequererenfrenta-los? 
Basta apenas Raphad para transformar num minuto esta Terra em po; 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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portanto, destronar o I mperador e substitui-lo seria coisa de nada. Tal, 
porem nao e preciso, pois sei porque deixo o atual em Roma. Deste 
modo, tambem possuo poder ilimitado parafazerdeti, o queM eagrada; 
quern querera discutir por isto?! 

9.0 Poder deDeusultrapassaodumrei daTerra, poistantoavida 
dumsoberanoquantoadum mendigoestaoem MinhasMaos, bastan- 
do o mais levesopro de M eu Espirito para dissipar a Criagao. Por isso, 
naoteaflijaslO quedigoevalidoparaaEternidadeeMinhasDetermi- 
nagoessao indiscutiveiseimutaveis. SomenteEu como o Senhor, ajo de 
acordocom M eu AmoreSabedoriaenao ha quern possaalgo conseguir, 
dizendo: Senhor, por quefazes isto ouaquilo?- Quern algumapergunta 
M efizer, no coracao, recebera de M im resposta elucidativa; quern dese- 
jar, porem, discutir Com i go, nao recebera resposta, masum julgamento. 
Setefaco rei, esum soberanoverdadeiro equem tedesafiar seradizima- 
do. Toma, pois, a mao de H elena, ela eesera tua querida esposa." 

10. Levanta-seOuran ediz, penetrado de profunda gratidao: "6 
Senhor, nipotentedetoda Eternidade, deque maneira poderei eu, pobre 
pecador, externarmeu reconhecimento?Cumulas-medeGracasebene- 
ficiossem par, tirando-meum peso do coragao. 

11. Quaodificil eparaum bom pai encontrar esposo para sua filha 
unica, doqual sepudessepoativarum matrimonio feliz. Quantasvezes 
ospaisofertavam sacrificiosnoTempIo himeneu em holocausto afelici- 
dadedesuasfilhas, - mastudoem vaolAsligagoeseram infelizeseafilha 
casada, escrava, ao invesdeamiga efiel companheira do marido. 

12. Aqui, dao-seosverdadeirosmatrimonios celestes, conformedi- 
ziam os velhos Tu M esmo, Senhor, determinaste esta uniao; portanto 
espero sederramesobreelaTua Bengao, aqual tera, naturalmente, deser 
merecida pelo cumprimento deTua Santa Vontade - H elena, filha que- 
rida, poderi aster imaginado queam bos encontrariamosafelicidadenes- 
te lugar tao despovoado, quando encetamos viagem em busca da Sabe- 
doria Verdadeira e do D eus D esconhecido?! 

13. Ves como meu proverbio "Q uem tudo quiser achar, deve apenas 
procurer D eus!", realizou-sede modo tao maravilhoso?!Suspirasteaodeixar 



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tuacidade natal edisseste Pai, presumo quejamaistornaremosaver nosso 
paistao bdo! E te respondi: N ao teaflijas, filha; nao tencionamos invadir o 
pais vizinho, vamos a procura da maior felicidade para nos e nossos 
conterraneoseninguen nos podera condenar portal razao!- Agora teper- 
gunto sepressenti steal go desta grandefdicidadequeaqui encontramos?" 



113. GRATIDAO E BOASlNTENgOESDE HELENA 

1. Dizamoga: "Oh, quern poderia pressupor tal coisa?Alem disto 
encontravamo-nos enterrados nas ideas do paganismo, de sorte que se 
tomaraimpossivd a intuigao daquilo queaqui inamosreceberpdoPro- 
prio Deus! Por tudo isto podemos apenas ama-Lo agora e sempre, - e 
nosso amor aos suditos se manifestara no sentido de Ihes transmitir o 
Nome do DeusUnico, capacitando-os a se tomarem Seusfilhospdo 
caminhodoverdaddroamorehumildade E Mathad, meu querido es- 
poso, auxiliar-nos-acom seuscolegas, de sorte que nosso ben ef (do sera o 
dos outros. 

2. EistudoquepossoafiangarfidmentediantedoAltissimo, do fun- 
do do meu coragao humilde Senhor, se misericordioso e benevolo para 
com estapobrepecadora, poissomenteTu saberas, oquepoderd suportar 
como provacoesfuturas. N ao mequero esquivardessepeso, quesuportard 
com asforgasdadasporTi. N ao mequdras, porem, sobrecarregar!" 

3. DigoEu:"MeujugoesuaveeMeufardoleve;mas, urn pequeno 
acrescimo devezem quando nao tecausara prejuizo, - ao contrario, urn 
grande beneficio para alma e espirito. Em tempo oportuno teu esposo 
rdatar-te-a quais as provagoes de teve de veneer, a fim de exterminar 
tudo quevinha do mundo deseu coragao para alcangar o poder atual. 
N em etemidades, nem poder algum Ihepoderao arrebatar essa posse; no 
entanto, aquilo queassimilastepdo ensino externo, aindaseassemdhaa 
semente langada a terra, necessitada da experiencia do fogo para setornar 
urn verdaddro e abengoado fruto. 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

193 

4. Por isso naoteamedrontescom asvariadasprovacoesqueenfren- 
taras durante a vida, pois Eu M esmo tas enviarei para fortalecer alma e 
espirito. Q uando tal ocasiao chegar, lembra-te: sou Eu quete mando tal 
estimulo! Q uanto maisamo alguem, tanto maissera experimentado por 
M im. Todos terao de se tornar perfeitos como Eu, para que e preciso 
renuncia, paciencia, meiguiceecompleta dedicacao a M inha Vontade! 
Q uem agir inteiramente dentro desta rdem sera espiritualmente tao 
perfeito quanta Eu, pela uniao do seu com o M eu Espirito. - D ize-M e, 
assimilastetudoisto?" 

5. D iz Helena: "Oh, sim, namedida que urn mortal possacompre- 
ender as Palavras de D eus em sua restricao temporaria." 

6. D igo Eu: "Pois bem, vamos agora descansar urn pouco! Q uem 
quiser dormir, durma; quern quiser vigiar eorar Comigo, queo faca!" 
Exclamam muito: "Senhor, desejamos vigiar eorar Contigo!" 

7. Finalizo:"Fazeioquevosagrade;todaviaeprecisobemsepreparar 
paraodiadeamanha,trabalhoso!(Virando-MeparaCirenius):Viraoaqui 
teu irmao Cornelius e o Comandante Fausto para averiguarem o que se 
passou nestazona. N aosupoem queestejasaqui, e muito menosEu.Toda- 
via precisam ser acomodados com seu sequito, pois na cidade nao havera 
hospedariasdevido ao incendio quetambem atingiu, alem detemplose 
anagogas, outrosedificiosemoradias Asam, epreciso boadisposicao para 
amanha. Quern quiser dormir queo faga; Eu tenho de vigiar eorar!" - 
Com estaspalavrasdeixo osoutrosecaminho so, afim deunir maisestrei- 
tamenteo Espirito Eterno, do Pai, com toda a M inha N atureza. 



114. A N atureza de Jesus 

1. Admiradoscom M inhas Palavras, muitos, inclusiveOuran eH e- 
lena,conjeturam: "Estranho! EisqueElevai orareSeprepararparaodia 
deamanha. A quern ira dirigir Sua ragao?Acaso nao eo Ser Supremo? 
Falou como somenteD euspoderiafalar; do Seu H alito maissutil depen- 



Jakob Lorber 

194 

deaexistenciadomundo, - eagoranosmandadormirou preparar-nos 
parao diaseguinte. SeEledirigir Suas Precesao Ser Divino, apenaspor 
Ele conhecido, a quern nos compete faze- 1 o? Isto ultrapassa o que se 
possa deduzir do sonho maistolo." 

2. Levanta-seM athael, agitado, edizem vozalta: "Quejuizo erroneo 
estais externando?! C egos que sois, inclusive vos, Seusvdhosdiscipulos! 
N ao e Ele, na Terra, decameosso como somos, formando, deste modo, 
Sua Alma, afim decapacita-LaaUniao Perfeitacom o Espirito Eterno?! 

3. Somenteo Espirito N ele eDeus, - orestoehumano como nos 
Pdaoracaofazcom que Sua M ateriasejapenetradadeSeu Espirito Divi- 
no, do Q ual derivam todos os outros espiritos, como a pequena gota de 
orvalho reflete, tambem pequena, a grandiosidade do Sol verdadeiro. 
Espi ritual mente e E le o Sol daVerdade, eos espiritos, apenas Seus ref le- 
xos vivos CompreendeisagoraoquesignificaEledizerquevai orar?" 

4. Yarah e H elena sao as primeiras a entende-lo, enquanto os outros 
nao o conseguem inteiramente, poisconfundem alma e espirito. Isto leva 
M athael adoutrina-losatequeseorientem; eeles, porsuavez, elogiam seu 
profundo saber. A propria H dena toma de sua mao, aperta-a contra o 
pdto dizendo: "Q uerido esposo, enviado por Deus, seteu conhecimento 
progredir desta forma, desejo saber a que ponto chegara meu amor por ti ! 
Senao nostivessessocorrido, teriamos, finalmente, duvidado do Ser D ivi- 
no em nosso M estre, nao obstante Seus Fdtos M ilagrosospor nosassisti- 
dos Agora ja nos ambientamossabendo a Quern pedir econfiar." 

5. Cirenius "Embora satisfeito com tua futura posicao, M athael, 
ficaria maiscontentecom teu convivio constante. Excetuando Raphad, 
que ora palestra com Sudal, nao ha quern seja tao inspirado como tu. 
Abencoado o povo que i ras governar. Todavi a, temos de f i car em conta- 
to, - tu mevisitarasou eu teprocurard." 

6. Tomando a mao do vdho C irenius, M athad diz: "N obre amigo, 
agiremos de maos dadas e nosso principio sera tornar esse povo o mais 
sabio efdiz, em Nome do Senhor! N ossa atencao nao so se estendera ao 
bem espiritual daqudesqueDeusnosentregou, comoaevitarquesequd- 
xem demiseriafisica, mormentequando encaminhadosna Doutrina. 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

195 

7. Tal regimen encontraria oposicao no I mperio Romano, enquanto 
num pequeno paisseramaisaceitavel, tornando-seesteum espelho para 
osdemais Emboraosespelhos, geralmente, nao megam maisqueum 
palmo, podeo homem nelemirar-sedospesacabeca; demodo identico 
urn pequeno pais sepodetomar espelho para urn grande. Seo pequeno 
quisesseimitar o grande, fariasucumbir seussuditosna miseria. - Tenho 
razao, Cirenius?' 

8. Dizeste: "Desejariaconhecer quern te pudesse contestar; sem- 
pretens razao, pois em ti fala o Espirito de Deus. bserva, porem, a 
cidadeofogoaumentamaisemaisetalvezdestruatudo. Naopoderia 
Raphael intervir?" 



115. A Natureza dos Anjos 

1. Intervem Yarah: "0 h, elesim. Somente, porem, quando receber 
ordem do Senhor! Foi-me dado para professor e guia, mas quando Ihe 
pego urn obsequio, nunca mesatisfaz. Se, por acaso, eu desejar uma ex- 
plicacao, nada me diz; inverte os papeis, fazendo-me discorrer sobre o 
assunto. G osto deleeestima-lo-ia muito maissefosseum tanto maleavel; 
ebom amigo, masnuncaselhedevepediralgumacoisa, poisserainutil." 

2. D iz M athael: "Estou para constatar senao sedeixa levar a prote- 
gao de, pelo menos, algumas habitagoes particulares. Chama-lo-ei para 
verse Yarah tern razao em tudo." Chamando Raphael, M athael Ihe diz: 
"Amigo, veacidade. Parece-mequealgunscasebrestambem foram atin- 
gidos pelo fogo; nao poderas impedi-lo?" 

3. Respondeo anjo: "Perfeitamente, se fosse permitido. Acontece 
que mi nha vontade pertence ao Senhor, querendo eu, apen as, o que E le 
quer. Se assim o desejar, nao podes saber a rapidez com que apagarei o 
incendio. Sem a Vontade do Senhor, posso tao pouco quanta tu, pois 
todososmilagres, naofui eu, mas Sua Vontade que osefetuou pormim. 

4. N 6s, anjos, somosnada maisqueaemanagao daVontadeD ivina 



Jakob Lorber 

196 

ou a Vontade Person if icada do Senhor, nada podendo por nos proprios 
Naoexistimoscomo seres Delaindependentes, assim como nao te sera 
possivel imaginar o reflexo solar num espelho, caso o verdadeiro Sol nao 
projeteum raio sobreasuperficiedo mesmo. 

5. Afimdequepossasmelhorcompreenderminhanatureza, indi- 
co-te um espelho ustorio, inventado pelo celebre, matematico e fisico 
Archimedes Tern de a propriedade de concentrar uma quantidade de 
raios solares em sua superficie, alcancando, tanto na luz como no calor, 
umaforca muito superior aofoco que, nadimensaode doisdedos, equi- 
valeaalturadum homem mediano, aoquadrado. Emboraatinjatal po- 
tencia, esta nao seria realizavel sem o Sol. espelho apenas concentra 
esses raios em um foco deacao rapida e potente; sem o Sol fica desprovi- 
dodeforcaeprojecao. 

6. De modo identico nos, anjos, somos um espelho ustorio na 
captacao e concentracao da Vontade D ivina, e nossas acoes derivam 
do foco projetado por esta Vontade, realizando milagressobremila- 
gres. Compreendes?" 

7. Diz Mathael: "Perfeitamente; apenas ignorava ser Archimedes 
inventor detaisespelhos, atribuidos primeiro a um tal Hamerod, mais 
tardeao conhecidoT hales, do qual sediz tambem ter inventado u'a ma- 
quinade raios." 

8. Diz Raphael: "Certo. Archimedes, porem, foi tomeador e conse- 
guiu descobrir, alem do espelho mencionado, cilindrose discos com que 
davaorigem aos raios, amaquinadelevantar peso, atravsdum engenhoso 
parafuso, tambem deseu invento, com auxilio do qual afirmava: Dai-me 
umpontofixonaTerra,-eeuadedocarei.- Distotudoseconcluiqueeu, 
por mim, nao posso satisfazer teu pedido. Seo Senhor assim o determinar, 
tudo sera resolvido num instante D irige-te, pois, a Ele!" 

9. D iz Yarah: "N ao devemos perturba-Lo agora que nos recomen- 
dou calma e preces, caso nao dormissemos. incendio da cidade nao 
nostoca; o Senhor tera Suas razoes para deixar que tal acontega, sendo 
apenasmovidopeloAmoreM isericordia. E sefossemosquereralteraros 
fatos, por certo tudo pioraria." 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

197 

116. CONHECIMENTO DE YARAH 

1. D iz M athael: "0 h, pequena exceptional. N unca poderia supor tal 
saber dentro deti ! Somentedesej aria saber deque mane ra fazes tuaspreces" 

2. Respondeela: "Transportandotodososmeuspensamentosesen- 
ti mentos ao recondito de meu coracao, onde reside o amor a D eus. As- 
sim, este Santo amor recebealimento demodo identico como seddtas- 
sesgravetosincendiaveissobrebrasas. Osgravetosem brevefariam surgir 
labaredasquesecomunicariam asbrasas, incendiando-se. Assim tam- 
bem tudo setorna iluminado echeio desenti mentos de amor, no cora- 
cao, eo espirito la oculto edeSemdhanca D ivina, diz: 

3. 6 Tu, meu Santo Pai nos C eus! Santificado sejaTeu N omelTeu 
Amor de Pai venha a nos, pobres pecadores, encobertos pelas trevas! 
U nicamenteTua Santa Vontade se faca nesta Tua Terra e em todos os 
Tens C eus! Se houvermos pecado contra Tua Eterna e Santa Vontade, 
perdoa-nostal toliceetem pacienciaeindulgenciaparaconosco, assim 
como tambem nos a teremos com aqudes que nos ten ham ofendido. 
N ao permitas que sejamos tentados em nossa fraqueza carnal alem de 
nossasforcas, pdo mundoeSatanaz, masliberta-nospdaGraca, Amore 
M isericordia de multiplos males, pdos quais nosso amor para C ontigo, 
Santo eAmantissimo Pai, pudesseserturvado eenfraquecido. Seafome 
espi ritual e material nosassola, da-nos, Querido Pai, oquenecessitamos, 
deacordo com Tua Sabedoria. A Ti dedicamostodo amor, honra e lou- 
voreternos A mem! 

4. Isto, chamo"orar"; mas apenas tern valor diantedeDeusquando 
o amor por Ele, no fundo do coracao, tenha se tornado uma chama 
poderosa pda concentragao de todos os pen samentos e senti mentos; fal- 
tando esseproceder, todasaspreces, aindaqueretumbantes, constituem 
urn horror para D eus e passam a ser desconsideradas. 

5. D eus e Espirito e deve ser adorado no espirito do amor e na luz 
flamejante da verdade. Compreendes o que vem a ser orar verdaddra- 
mentesegundo a minha compreensao?" 



Jakob Lorber 

198 

6. Responde M athad: "M enina encantadora! Q uem teria suposto 
em ti tanta sabedoria?! Realmente, ai mesmo ainda me poderia tornar 
teu disci pulo enao meenvergonho deconfessa-lo. So agora com preendo 
tua atragao invencivd para com o Senhor e vice-versa. Parece-me que 
tambem fostedespertadapor Eledemodo rapido?' 

7. D iz el a: "Q uem ama a D eus, o Senhor, acima de todas as coisas, 
em breve sera despertado; quern procura ama-Lo pelo intelecto, tera 
empreendido urn trabalho improficuo, ejamaisalcancara a metadeseja- 
da. Assim, tambem conseguistea Luz inten si vadaGraca D ivina, poisno 
coracao detua alma devia ter havido urn verdadeiro incendio, embora 
teu fisico fosse sitiado, durante certo tempo, por espiritos infemais." 

8. D iz M athad: "Bern tensrazao. D esdeminha infanciaamei a D eus 
acima detudo, razao por que meus pais mefizeram consagrar ao servico 
doTempIo, ondemeu corpo foi transformado deveras num verdadeiro 
engenho diabolico. M inh'alma, porem, permaneceu o quefora desde 
inicio. N ao falemosmaisdesseassunto queprefiro nao recordar. - E tu, 
H elena, dize-me se te agrada esta pequena sabia. N ao e de admirar seu 
profundo conned mento?" 

9. 1 ndaga H elena: "Q uem sao seus pais?' 

10. Diz Mathael: "Ora, isto ja e sabido; Ebahl, hospedeiro de 
Genezareth, eseu progenitor. J a o esqueceste? Antes, dize-me o quejul- 
gas de seu profundo saber e se nao tens vontade de ser a el a identica?! 
Tenho conheci mento de muita coisa, - esta menina, porem, me ultra- 
passa. Perceboqueseu peitoocultasegredoscom osquaisnuncasonha- 
mos Todavia, nao parece conaderar Raphael. Q ue achas disto tudo, 
querida H elena?' 

11. Responde esta, tristonha: "Oh, Mathael, jamais alcancarei tal 
estado!Tem-sea impressao dequeo Coragao do nipotente reside nel a, 
poisdesvenda coisa queapenasa Boca do Criador poderia proferir. Logo 
secompreendenao ligar muito ao anjo, poislheesemelhantecomo urn 
olho ao outro. N ao resta duvida possuir de a Forca e nipotencia do 
Senhor; sua sabedoria, provinda do amor D de, nao ultrapassa a dda. 

12. Teria ensejo de palestrar com esta menina, mas respdto seu pro- 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

199 

fundo conhecimento. Bastariaqueum denos extern asseuma pal avra tola, 
para receber um corretivo que i mpedi ria a repetigao. Sefossepobre poderia 
cumula-la de meus tesouros; mas a julgar por sua vestimenta parece ser 
filha de pais abastados, e um presente meu nao seria aceito, mormente 
considerandosuaevolucaoque, dequalquer forma, rejeitaaostentagaodo 
mundo. Q uero-a muito; sua presenca, entretanto, deixa-meatemorizada. 
Pela orientacao que nos deu de como orar a Deus, sou-lhe sumamente 
grata; todavia, nao sei como externar meu reconhedmento." 

13. D izYarah que nesse interim sehaviadirigido a Raphael: "Graci- 
osa Rainha, queira-mecomo eu tequero, isto basta. Falastebem sobrea 
consideragao que dedico as posses mundanas, e mesmo se chegassemos 
ao ponto dealegrarmo-nosreciprocamentecom presentes materials, te- 
riaeu maioresquetu. Mas, quevem a ser toda a pompa do mundo em 
relagao a menor centelha do amor puro e vivo de Deus?! Q uerida, esta 
joia devemos conservar fielmente em nosso coracao, para que nao nos 
seja arrebatada. I rradiando-seela com deslumbramento cada vez maior, 
tanto na pureza quanta na intensidade, possuiremosmaisquetodosos 
Ceuspossam comportar. Compreendes?" 



117. H ELENA FALA SOBRE PODER SACERDOTAL 

1. Diz Helena: "Inteiramente; apenas nao percebo deque modo 
alcancastetamanho saber." 

2. RespondeYarah: "Isto equestao do Senhor, poisdistribui Suas 
D adivasdeacordo com acapacidadereceptivadacriatura, Q ual Semea- 
dor que lanca os graos num bom campo e colhe, com facilidade, bons 
frutos. Julgo ser teu coracao um solo fertil?' 

3. D iz H elena: "D everia se-lo; vivi muito tempo enterrada no paga- 
nismo, queainda ressoa como uma corda dissonantede lira. Bern que 
agora reconheco a Verdade, tomando-seminha vida; considera meu povo, 
porem, preso ao paganismo ferrenho. Q uanto trabalho nao teremospara 



Jakob Lorber 

200 

Ihetirar asupersticao?! SeaVontadedo Senhor nao nosajudar, pouco ou 
nadaconseguiremos" 

4. D izYarah: "M astambem fostepaga, bem comoteu pai; entretan- 
to nao destestanto trabalho para a conversao." 

5. Diz Helena: "E-meimpossivel concorrer com taiconhecimen- 
to em assuntos espirituais; existem fatos, mormenteem relacao asdi- 
versasreligioes, muito maisdificeisparaserem removidosqueospro- 
priosfalsosconceitos. 

6. Em primeiro lugar, foi o sacerdocio queorganizou umadoutrina 
polita'sta de forma tal a Ihe render maiores lucros. templo necessita 
quantidadedeobjetosquerequerem acolaboracao deartistas, operarios 
eoutros servos. Todos esses sao por elemantidos, eperderiam seu susten- 
to caso fosse fechado. Q ue reagao nao haveria? 

7. Aindasefossepossivel arranjar-lhesoutroganha-pao... Comocriar, 
num pais relativamente pequeno, novas fontesderenda para tantagente? 
Por algum tempo talvez ainda fosse viavel, - mas durante anos afora? 

8. Alem disto o sacerdocio goza da maior consideragao entreo povo; 
bastariaossacerdotesalegarem queosdeusesnosamaldigoaram paranos 
dificultar atea fuga denossa patria. Tudo isto da quepensar eso a ajuda 
mi lagrosa do Senhor nos pode valer. 

9. Aqui, no paisjudaico, seradificil propagaresta LuzvindadosCeus, 
poisqueavelhadoutrinadeMoysstemadotaodeturpadaporfaladades 
efraudesquelevaram o sacerdocio a abastanca. Alem do maissabeagradar 
aos potentados, fazendo-se i ndispensavd por motivos pol iticos 

10. Conseguem os sacerdotes, destemodo, muitasliberdadesepri- 
vilegios pelos quais cegam o povo com toda sorte de ludibrios - e os 
potentados tern deconcordar, caso nao queiram ser inteiramentevenci- 
dos. Nessascircun stand as ainda sedevem considerarfelizesno papel de 
senhores, embora nao o sejam. Acredita-me, os verdadeiros dirigentes 
dospovosde ha muito sao os sacerdotes, eosimperadores, reiseprmci- 
pes, apenas seus servos, intimamente aborrecidos, pois de bom grado 
mandariam as favas esses "fariseus". Reconhecestaisdificuldades?' 

11. RespondeYarah:"Claro, masafirmo:aquiloquesenosafigura 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

201 

irrealizavel, para Dais e facilimo. Por isso, faze apenas o que podes e 
entrega o resto ao Senhor, poistudo sera resolvido. Alem do mais, tens 
M athael ateu lado, munidodesabedoria,forcaepoderdivinos,edemais 
colegas Seelecomegaradoutrinarem teu paiscomofezcontigo, nao Ihe 
sera dificil conquistar o sacerdocio que passara a receber novas incum- 
bencias Q uanto aos artistas e operarios, poderao ser aproveitados pelos 
sacerdotes de melhor compreensao. Se tencionares deitar por terra os 
conceitosantigos, muito emborafalsos, eclaro ser problematico o bom 
exito detal empreendimento. 

12. A criaturapossuidoradajustaSabedoriadeDeustemdeachar 
sempre os mei os acertados; do contrario sera movida apenas pelo intelec- 
to. queseaplicaaumeviavelamil,apenasexigemaistempoepacien- 
cia. A arvore nao tomba de um so golpe e um poco nao se esvazia com 
urn so balde: a boa vontade, o tempo e os meios justos podem remover 
montanhas e secar mares. Para Deus nada e impossivel quando ajuda 
material eespi ritual mente Por isso, confia N eleetudo ira melhor do que 
imaginasTenhorazao, M athael?" 



118. OURAN CONTESTAO RECEIO DE HELENA 

1. D izM athael: "N aturalmente; mas minhaquerida esposa imagina 
a tarefa mais dificil do que e Por certo sera trabalho arduo, - nem por 
isso sendo comparavel a limpeza do estabulo do Rei Augeias, com tres 
milcabegasdegadoequeoheroi Herculeslimpounumsodia. Pormim, 
nao receio quetudo correra bem com a ajuda do Senhor." 

2. InsisteH elena: "Tarn bem eu o espero; porem, conhego meu povo, 
esei quao dificil eseafastardeum preconceito. fanatismo supersticio- 
so requer luta insana, poisfoi alimentado portodasortedefantasmagorias 
pelos sacerdotes. 

3. M esmo sendo possivel uma agao milagrosa, resta saber de seu 
efeito. povo seria induzido a outra superstigao, caso nao fosse esclare- 



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202 

cido quanta a verdadeira significagao; como faze-lo, quando se desco- 
nheceanaturezadasfraudes?!Ossacerdotesjamaisrevogaraosuasagoes 
mistificadoras, quedespertaria a ira do povo. 

4. Assim, o sacerdocio requer um ensinamento diverso do ministra- 
do ao povo e talvez em dez anos seja possfvel I he falar acerca de assuntos 
espirituais Sabes, M athael, o quanta aprecio teu grande saber e nao du- 
vido daOnipotencia Divina; conhego, porem, asdificuldadesreinantes 
que, talvez, nos levarao a emigrar. E mbora pura e maravi I hosa, esta D ou- 
trina dificilmente podera ser pregada aos demonios" 

5. Diz M athael: "Claro que nao sera facil; a alegria, por isso, sera 
maior, apos pleno exito, que tern deser conquistado mesmo o mundo 
caindo em frangalhos! compromisso queassumi, tenho decumprir! - 
Agora mudemos de assunto." 

6. Concorda Ouran: "Isto mesmo, poisenquanto palestraveis co- 
chi lei um pouco evi coisasmaravilhosasdepermeio com algumaspala- 
vrasdevossa discussao. Afirmo-vos: Yarah etu, M athael, tendes razao; o 
receio de H elena, conquanto justo, e exagerado. 

7. Conhego o povo como a mim mesmo; a maior parte vive do 
comerciotomandoconhecimentodeoutroshabitosereligioes. No inte- 
rior ainda existem seitas dependentes dos oraculos, enquanto no literal 
poucaimportanciaselhesda. Ali o sacerdocio de ha mui to emal concei- 
tuado eafilosofiatomou o lugar do politefsmo. 

8. Em Tauris, cuja zona sul se acha sob meu dominio, ha tempos 
nao maissecogitado paganismo, no quemuito contribuiu o poetaro- 
mano vidius com suas "M etamorfoses", com as quais ridicularizou de 
modo humonstico os dogmas pagaos No momento se ere em Platon, 
SocrateseAristotelesquetambem propagam adoutrinadeum so Deus 

9. N 6s mesmos nao teriamos aqui chegado se nao fossemos infor- 
mados da quase presenca do Verdadeiro Deus no Templo dejerusalem, 
descrito por Platon no "Sympoaon" e de como a pessoa a Ele se podia 
unirem espfrito. Naturalmenteteriademefazeriniciarnadoutrina, em 
Jerusalem, a fim deimplantartaisverdadesem minha patria. fatode 
aqui termos chegado - isto e, na Fonte, - apenaseum ato extraordinario 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

203 

daGraca D ivina, oqual jamaisdevemosdesconsiderar: N estascondicpes 
nossatarefaem casaseramaisfacil, poisteremosem menteSeu auxilio, 
semprequepreciso. 

10. N unca esperavamos encontrar o que ora deparamos, filha, e 
algo mais que o Symposion de Platon, ja nos teria deixado satisfeito. 
Agora poderemos voltar a patria, com imensa alegria, para anunciar aos 
povos o grande tesouro aqui achado. Por isso nao compreendo teu re- 
ceio, H elena, quemaisseaplicaao judaismo cheio defraudes, tendencia 
dedominioemavontade Queteparece, Mathael?" 

11. Dizeste: "Concordo contigo, poisnoTempIo dejerusalem as 
coisas andam mal e seria arriscado apresentar esta D outrina. La, onde o 
Espirito dejehovah Se achava Presente no Santissimo, reina a maldade 
person if icada; de divino nem vestigio existe Os sacerdotes sao lobos e 
hienasem peledecordeiros. Oportunamenterelatarei oquesei, poisfui 
templaYio. Ddxemosisto;existecoisamaisaprovdtavd parasefalar.Quero 
animarYarah para que nos relate algo sobresuasexperiencias." 



119. Yarah Fala Sobre asEstrelas 

1. D iz Yarah: "Pois nao; entretanto, talvez nao me deis credito. Tu, 
M athael, tambem possuisnocpesastronomicas, masquenao podem con- 
corrercom minhasexperiencias,oqueapenasconsisl:enumaGraga extra- 
ordinariado Pai. Far-te-ei umapergunta; seapuderesrespondersatisfato- 
riamente saberastanto quanta eu. Caso contrario, tomarei a liberdadede 
teesclarecer. - Pdoquetomasaspequenasestrelasno Firmamento?' 

2. D iz M athael: "Q uerida Yarah, eis uma pergunta estranha. N o 
que diz respeito ao Sol, a Lua e outros planetas, talvez fosse capaz de 
satisfazer-te; quanta as estrelas fixas, digo-te que a visao de minh'alma 
aindanaoaspodepenetrar. Presumoserem mundosdistantes;suanatu- 
reza econsistencia, nao sei precisar etepego esclarecimentos." 

3. D iz da: "Amigo M athael, meu rdato de nada adiantara se nao pu- 



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204 

deresdar credito ao fato deeu ter, pessoalmente, visitado algumasestrdas" 

4. D iz ele: "M inha filha, entao a fesera posta a prova defogo, por- 
quanto nao existepossibilidadefisica para tal empreendimento. Espiritu- 
almente, num estadodeextase, poderiaseradmissfvel eeu debom grado 
acreditarei no quemecontares; mas, fisicamente... N ao o posso crerlTeu 
relato, talvezcerto everdadeiro, perdeefeito, porquanto ascondicoesse 
apresentam inadmissi'veis" 

5. DizYarah: 'Tor quedeveriaserinacreditavel ter eu visitado alguns 
astros, se para D eustudo e possivel?" 

6. Respondeele: "Certo, masEleestabeleceu umaO rdem Imutavel, 
uma Lei que por Ele tern de ser considerada, do contrario a Criacao 
deixaria deexistir. Senhor, em verdade, realiza muitos milagres, mas 
eles se apresentam, para urn observador rigoroso, dentro de Sua rdem 
Sagrada. Quando hojeseexternou o pedido deprolongamento do dia, 
nao podesatisfaze-lo, poisseria contra Sua rdem, em virtudedo perigo 
demorte para as criaturas da Terra. Aquilo que nao seriadestruido pelo 
choqueviolento, fatalmenteencontrariaseu fim nasaguasqueinundari- 
amoscontinentes. 

7. Conforme conhego o globo e suas regioes atmosfericas, sei que 
numa altura dedez horas ninguem podera subsistir, assim como o peixe 
fora d'agua nao reaste, nao obstante osuportemais tempo que urn ho- 
mem naquela altura. Agora calcula a distanciaimensuravel daqui amais 
proximaestrelafixa! 

8. Ja a do Sol, por minha livre alma calculada com exatidao, e algo 
de assombroso; no entanto, uma flecha levaria vinte anos para alcangar 
aquele astro. Deacordo com meu calculo psi'quico sujeito a engano, a 
estrelafixamaisproximadistadenosummilhaodevezesmaisqueoSol, 
e assim o tempo gasto portal flecha seriaodevintemilhoesdeanos Se 
urn homem se dirigisse nessa velocidade aquele astro, seria reduzido a 
atomos pela pressao do ar. Assim sendo, que Ihe sucederia se cortasse o 
Espago em poucosinstantes?! 

9. As leis da N atureza foram dadas por D eus, eela existi ra enquanto 
durarem taisleis N ao pode haver excecoes, poisamenorexcegao provo- 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

205 

cariaum disturbio incalculavel em aNaturezadascoisasquesao unidas 
entresi como osdiversoselosdumacorrente: Bastaqueum separta para 
acorrentenaoalcangarmaissuafinalidade. Eisosmotivosporquenaoe 
possivd acreditar quepercorressesfisicamentealgunsastros. Tua afirma- 
gao toca o inconcebivel, que apenas aceitarei apos me demonstrares os 
meios dentro da rdem Eterna e I mutavd de D eus. N ao te aborregas 
por isto.Talvezpossuasargumentosverdadeiros, queignoro; nestecaso, 
externa-os, quefuturamentenao maisduvidarei detuaspalavras" 

10. RespondeYarah: "Es, em verdade, mui sabio eintdigente; entre- 
tanto estas longe de assi mi lar tudo. Se Raphael seprestasse, paratal, pode- 
rianum instante, apresentarasprovasnaturaisqueeu trouxedaqudases- 
trelas;docontrario, - nadafeito. Poderias,todavia,duvidardesuaautenti- 
cidade como homem mental; mas tua alma repleta do Espirito D ivino 
reconheceriacom facilidadeserem aqudasprovasextraterrenas Suarique- 
za evalor sao tao extraordi nariosquereduzem todasas maravi lhasterrestres 
a nada. Formariam umajoia imperial de valor jamais calculavd. - Dexe- 
mos, porem, isto. J a comega a clarear no este, o sabado esta se aproxi- 
mando econvem nos prepararmos para este D ia do Senhor." 

11. D iz M athad: "Tenstoda razao; mas, certamente, ainda nosda- 
ras explicates quanta aexpedigao asestrdas?" 

12. RespondeYarah: "Como podeha?Teusargumentossebasdam 
naOrdem Divina, Eterna elmutavd,desortequenao poderd fomecer 
outra prova senao essa: para D eustodas as coisas sao possivds, em bora o 
intdectonaoasacdte. 

13. Acasocalculasteo tempo que Raphad levou paratrazerosnavi- 
os de uran do alto mar a praia, por ordem do Senhor? Teria aquda 
vdocidade prejudicado alguem? D e quanta tempo precisou o anjo para 
organizarastendaseosinumerostrastesdo pai deHdena? 

14. Ainda nao observaste a escrita vdoz de Raphael? Tudo isto e 
inconcebivd, considerando as Ids da Natureza, entretanto, teusolhoso 
testemunharam. Podesexplicar-metaisfenomenos? 

15. De minha parte tenho base para tanto, pois me certifiqud - 
como nenhum outro mortal - da existencia de mundoscdsmicostao 



Jakob Lorber 

206 

imensosque, sevazios, comportariam um Espago maior quedaqui as 
estrelasfixasdeprimdra,segundaetercdracategoriasTaiscorposgigan- 
tescos- em cujo redorgiram outrasgalaxias, em conjunto com inumeros 
sois centrais e planetarios, - movimentam-seaprocuradealimentoem 
torno de outros sois centrais mais extensos, numa velocidade tamanha 
que se nao pode comparar a do pensamento. 

16. C onsiderando a rapidez com a qual fui projetada aos menciona- 
dosastros, o voo daqui a qualquer estrela de primei ra, segunda, terceirae 
atequartacategoriaslevarianem seteinstantes, - entretantoacompanha- 
nos constantemente esta movimentagao, em conjunto com nosso Sol 
comum eo Sol central denosso si sterna planetario, quepor sua vez segue 
a velocidade esferica com o mencionado enxame de sois, o que pode ser 
calculado dentro dasleisnaturais. Acaso sentesalgo desta velocidade, ou 
talvez venha perturbar-nos, ou a um outro corpo cosmico? 

17. Se tais sois imensos podem percorrer o Espago num voo de 
rapidez incalculavd, quanta mais nao o faria meu corpo, sendo isto da 
Vontadede Deus?!Teras agora uma nogao maisconcludenteda possibi- 
lidadedetereu viajado pelo eter?' 

18. Responde M athael: "Oh, Yarah, dentro deti repousa um ceu 
cheio de sabedoria, e comego a crer na possibilidade de tua afirmagao! 
Basta, pois minha alma ainda nao esta bastanteampliada na assimilagao 
detaisgrandiosidades, paraque, certamente, aindarequereravariosanos" 



120. PareceresSobre osAcontecimentos 

1. Em seguidaM athael seentregaameditagoes, enquanto H denae 
seu pai fitam Yarah numa admiragao profunda. A menina, por sua vez, 
observao incendio eaguardacom ansiedadeM inhaVolta. Renacom- 
pleta calma no monte; somenteem casa de M arcus ha movimento, em 
vi rtude dos preparati vos para a chegada de C ornd ius e Fausto. A manha 
jaseaproxima. 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

207 

2. N essa agradavel quietude muitos dormem atetarde, inclusive 
Cirenius, Julius, Josueealguns altos funcionarios do Vice-rei. Ostrinta 
fariseuseosdozeapostolos, em cujacompanhiaaindaseacham Suetal, 
RibareBael, continuam despertospdaatencaoquedirigem ao incendio, 
palestrando sobreosacontecimentos 

3. Helena, Yarah,Ouran, Mathael eseusquatrocompanheiroscha- 
madosRob, Boz, M ichaeZahr, acham-seabsortosem profunda medita- 
cao. A menina, porem, mortifica-seporjulgarterfaladodemais. Depois 
de certo tempo, quando o horizonte ja comeca a se colorir, Rob, 
comumentecalado, diz: "Amigos, emborameesforcenao meposso aqui- 
etar: tudo queaqui sepassaetao extraordinario emilagroso quedificil se 
tomaapessoaseambientaremtal situacao. 

4.Tu, M athael, fostenomeado rei dum grandepais, - nos, parateus 
consules. Basta que ograndeMestre passe osolhossobreaTerra, - eela 
estremecequal criangadiantedo relho. Alemdistoojovem magoexecu- 
ta coisas que fazem os cabelos arrepiar. Esta menina, por sua vez, conta 
fatos quetornariam uma pessoa menos equilibrada, doida! Dize-me, e 
possi'vel respirar-seem tal meio?! E ondeteriaficado E le?J a faz tres horas 
quenosdeixou, - enadadequerervoltar!" 

5. D iz Boz, tambem geralmente mudo: "Sinto como tu: cada agao, 
cada palavra, abate o que ate hoje se assistiu, e os proprios milagres de 
M oyses ficam reduzidos a nada. N ao resta duvida que pelo M estre de 
N azareth, simplesfilhodum carpinteiro, ageo Espirito D ivinoem Pleni- 
tude; masqual seriao mortal queavontadesesentissepertodetamanha 
G randiosidade? E D eus Perfeito em tudo, Sua Vontaderegeo U niverso, 
- entretanto, como homem, esemelhanteanos! 

6. Ondeestaoasfrasesdesabedoriadeum Salomon, quefalou na 
consagragao do Templo: Senhor, sei que C eus e Terra nao Te podem 
abranger- esEternoeOnipotentemesmoondeterminaaCriagao;con- 
tudo, construimosumacasa, afim delanosreunirmosdecoracoespuros 
e arrependidos, para Te agradecer por todas as dadivas e bencaos eTe 
expor nosso sofrimento e miseria! (1. Reis, 8). 

7. Embora assim nao conste literalmentee, em resumo, o sentido 



Jakob Lorber 

208 

daquilo queo sabio edificador doTempIo falou; teria usado das mesmas 
palavrascaso houvesseconhecido nosso M estre?Como conseguedomi- 
nar pela Vontade o Infinite, enquanto Seus uvidos e Ihos aqui se 
acham presentes? Sao coisasque pessoa alguma podera compreender! Se 
fosse extemamentequal SansaoouGolias, aindaseriaadmissi'vel; noen- 
tanto, com um fisico mediano, Seu Espirito manejao Espaco como urn 
garoto brinca com uma bola! 

8. Em suma, tenhoaimpressaodesonhareminh'almaatepenetra 
as profundezas do Cosmos Vejo a Lua, um mundo triste e miseravel, 
destinadoacriaturasinfdizeseatrasadas. M ercurio, Venus, M artejupiter, 
Satumoeumainfinidadedeoutrosplanetas, grandesepequenos Saturno 
tern aparencia estranha: e muito maior que a Terra e flutua no centra 
dum imenso an el, sobreo qual giram seteluasmaioresquea nossa. Vejo 
as paisagens extensas e maravi Ihosas do Sol, - todavia deixam de ser tao 
estran has quanta a Presenca de seu C ri ador! Tal vez vos outros vos si ntais 
mais a vontade, por nao terdes penetrado o assunto como eu e Rob. 
C omparada ao conhedmento ea experiencia, a propria vida seapresenta 
nula.Tenhorazao?" 

9. RespondeM icha: "Sim, entretantosinto-me muito feliz!" 

10. D izem Rob eBoz: "N ao restaduvida; mas.., D eusesempreD eus, 
e jamais poderemos preencher tal abismo entre nose a D ivindade!" 



121. Criterio Acertado de M icha 

1. Diz M icha: "Isto nao e necessario. Estejamos satisfeitos por ter- 
mosvislumbradoaquiloquenossospaisdebaldeprocuraramlConsiderai 
M oyses e os outros profetas, juntai-lhes os sabios do Egito e da Grecia, 
resumi suas nogoes misticas a respeito da Natureza Divina, - e nao 
alcancareis um graozinho daquilo queora seapresenta aosnossosolhos! 

2. Q uando M oyses, o maior dosprofetas, desejou ver D eusno M onte 
Sinai, fez-seouviro ri bom bode um trovaoqueabalou a terra, eumavoz, 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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dizendo: "N inguem pode ver Dais e continuar com vida! - N 6s, no 
entanto, falamos-Lhe, somos felizes testemunhas de Sua Sabedoria e 
nipotencia, - enadanosacontecelSeMoyses, naquelaocasiao,atemo- 
rizou-secom osraiosqueestouravam por sobre sua cabega, tal atitudee 
ban compreensivel. Q uanto a nos, setemosalgum sentimento depavor 
na Presenca do Senhor e M estre, merecemos apenasser ridicularizados. 

3. NaoeraomaiordesqodosnossosvelhosoaconchegodoPai que 
deveria habitar no Ceu?! Aqui Ele Se nos apresenta numa simplicidade 
inaudita - e alegamos com isto urn mal-estar! A maneira pela qual Ele, 
Deus, M estre, Senhor ePai dirigeo Universo pdaO nipotencia, desdeo 
vermeateosastros, - istonaoedenossaalcada; bastasabermosqueassim 
seja, reconhecendoaOrdem Imutavd dascoisasTenhamos, pois, pacien- 
cia! H oje, nosso saber eescasso: amanha, teremosnocoesmaisprofundase 
nossaevolugaosera,entao,maiorqueadetodososprofetasquenemsupu- 
nham, em suasvisoesmaisbenditas, o queora para nosepalpavd!" 

4. D izem osoutros: "Sim, tensrazao econseguistenosacalmarcom 
tuaspalavrassensatas!" 

5. DizZahr:"E deadmirarqueM icha, omaispacato, melhortenha 
sabido responder: Estamos na Presenca de Deus, nosso Criador e Pai, 
D ele partimose para Ele volvemos. Que nos dizes, Mathael?" 



122. Mathael Presta Esclarecimentos 

1. Respondeo interpelado: "Todostendes razao, poisesteassunto e 
individual. Tu eM ichatendes, psiquicamente origem num astro; Rob e 
BozsaofilhosdaTerra, mas com osmesmosdireitosaoAmoreGragado 
PailVossasalmasjaeram desdeinicio, maisinclinadasdo queasoutrasao 
quevem doespirito; portanto, naoedeadmiraroquesentem em Presenca 
do Espirito Puro. Pouco a pouco irao seambientando, edaqui a urn ano 
seraooutros, pela aproximagao do espirito a suas almas Compreendes?' 

2. RespondeZahr: "Perfeitamente, poisminh'almatambem setor- 



Jakob Lorber 

210 

nou mui lucida pelo sofrimento. Apenasnao entendo a origem do saber 
daquelamenina, emboraacrediteem suaspalavrasjaquenosencontra- 
mos no ponto central daagaodivina, - porquenaosedeveriam realizar 
fatosqueem parte algumaseriam admisslveis!" 

3. D izM athael: "Proferistemaissabedoria que Salomon, poisexpu- 
seste a possibilidade da viagem deYarah pelo Espaco de modo tal que 
nao maiseposa'vd duvidar; basta lembrarmo-nosondenosachamos, - 
etudoseexplica. 

4. A observagao, feita por um de vos, de ser mais facil admitir-se a 
Onipotencia Divina num fisico gigantesco e acdtavd do ponto de vista 
material, etolicedentro da compreensao do espirito. Poder de Deus, 
nao necessita da materia para agir dentro dessa medida, pois apenas e a 
expressao da Vontade D ivinaquetanto cria um mundo como um grao de 
areia. Q ueobjetivo atingiria um fisico gigantesco?A nipotencia de D eus 
necessita apenas dum ponto deapoioetemamenteimutavd dentro de Si, 
decujo centra Elaaja no Espago Infinite numaforcaepoder identicos 

5. Bern queosegipciosrepresentam tudo concernentea D ivindade 
em formas gigantescas, para convencer aos ignorantes Estes deveriam 
teme-lasateamorte, obedecendocegamenteaossacerdotesTeriam aqudes 
colossosmelhorado o povo?Em absoluto, poiscom o tempo sehabituou 
a visao dos monstros, pouco I igando a cabega duma esfi nge descomunal 
e mais admirando a paciencia do artista que esculpia uma figura num 
blocodepedra. 

6. Por isto alegremo-nosqueo Senhor nostenha visitado Pessoalmen- 
te como homem amples e despretenaoso, ensinando-nos a conhecer da 
maneira mais facil nosso destino, nossa indole e a EleProprio, em plena 
Verdade Necessitamos apenas disto, - o resto nao ede nossa algada." 

7. DizZahr: 'Agradecemos-tepdaboaexplicagao que nos equili- 
brou novamente. N esse meo tempo odiajadespontou, mas nao impe- 
diu queosoutrosadormecessem. Pormim, confessonaosentiromini- 
mo sono." Constatam oscompanheros: "E verdade, nunca nossenti- 
mostaobemdispostoa" 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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123. M ISSAO E SOFRIMENTO DOS ANJOS 

1. Aproxima-se Raphael, queaparteia: "N ao estou dormindo, en- 
tretanto afirmastesserdesosunicosem vigilia." 

2. DizZahr:"0 fatode nao dorm ires, nem nuncaoconseguiras, e 
evidenteatodosqueteconhecem comonos. Podias, pois, ter evitado tal 
observacao! Basta a ignorancia que possuimos em alto grau - nao e pre- 
ciso aumenta-la. Aindaassim, poderaselucidar-nosdentrodetuasabe- 
doriaeexperiencia, maisremotasqueestemundo." 

3. D iz Raphael: "Entao, quern sou?' 

4. RespondeZahr: "0 ra, naofalestao presuncosamente! Esum anjo 
doSenhor,porElemunidodumcorpoetereoquepoderasdissolvernum 
instante. Esum sercompletamentediverso denos, mortals: nuncanas- 
ceste e alem de Deus, o Senhor, jamais tiveste pai e mae. Desde eras 
remotastensnogaodabem-aventuranga;dor, sofrimento,tristezaearre- 
pendimento, conhecesdenomeenaodeexperiencia propria, portanto, 
nao nospodesfalardecoisasquetocam avidahumana, porquanto nun- 
ca sofreste. Somente em assuntos espirituais deves ser entendido e nos 
poderasdoutrinar." 

5. Responde Raphael: "N ao me digas! M esmo se nunca houvesse 
tido urn corpo fisico conhego-o melhor em todas as suasfibras do que 
poderiasaprenderem mil anos. Acasonaosomosnos,anjos, incumbidos 
da manutengao detudo quediz respeito a vida do homem, desdeo nas- 
cimento a morte?! N ao somos nos que purificamos vossas almas pelos 
sofrimentosfigcos, capacitando-as para a aceitagao do Espirito D ivino? 
E alegas ignorarmos vossas dores?Como mepodesfazertal injustiga?! 

6. Afirmo-te nao sermos insensiveis! N ao raro suportamos maiores 
sofrimentos que vos, ao verificar que criaturas teimosas rejeitam com 
escarnio nossos esforgos, virando-nosascostas. 

7.Teriastutantapacienciacom umapessoaentregueateu poderea 
qual cumulassesdosmaioresbeneficios, recebendoem trocasodesprezo? 
Senadaquerouvirou saber, tudofazendo para detiselivrar,- queesseu 



Jakob Lorber 

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benfeitor eamigo - eateteprejudica pela calunia etraigao?! Q uefarias, 
setivesseso poder deC irenius?Terias paciencia detratar esse malfeitor 
com indulgenciaemeiguiceateofim desuavida?" 

8. RespondeZahr, deolhosarregalados "Nao, amigo, nao ateria 
mesmo sen forca e poder, muito menosmunidodeautoridade." 

9. D iz Raphael: "Sou tao poderoso quefacilimo seriadestruir, num 
instante, todo o Cosmos, - entretanto mantenho, de livreeespontanea 
vontade, paciencia constante com ascriaturasteimosas. 

10. Istoaindaseriafacil desuportar; imaginaapermanenteatitude 
revoltada de Satanas e seus anjos, que, tambem poderosos, tudo empe- 
nham para destruir nao so a nos, como a Propria Divindade, para se 
apoderarem deSuaO nipotencia. 

11. Tal jamaisacontecera, conquanto o piano maldoso eindestrutivel 
existaeelesnaovacilemempratica-lo,sofrendoaspioresdoresepenuri- 
as, como resultado desua propria disciplina. Ainda assim, continuam 
perti nazes na maldade. bservamostudo isso etemos poder, nao so de 
castiga-los acerbamente como tambem de extermina-los para sempre, 
sem que D eus nos chame a responsabi lidade! 

12.Tratamo-los, entretanto, como irmaosdesviados, com paciencia 
eindulgencia, conduzindo-oscom rigor, masdeformatal queseu livre 
arbitrio jamais seja tolhido; apenas nao Ihes permitimos a influencia, a 
distancia, contra o piano Divino. Q uefarias tu, em taiscondicoes?" 

13. Responde Zahr: "Agiria com violencia para levar tais espiritos 
renitentes a obediencia, mormente se possuissetua forga e poder." 

14. D iz Raphael : "Reconheces, entao, que a situagao dum anjo nao 
etao simples como imaginaste; tenho nogoesquanto a vidadacriaturae, 
portanto, tambem posso falar a respeito?!" 

15. RespondeZahr: "0 h, sim; mas, dize-me esobrigadoaestaraqui?' 

16. D iz Raphael: "Em absolute; poder-vos-ia deixar neste momen- 
to. Fico, para agradar ao Senhor; Seu Agrado e, decerto modo, minha 
vontade, contra o que D eus M esmo jamais podera agir. N isto congste a 
manutengaodaCriagaodaqual naoves- emboravislumbresinumeras 
estrelas- a infinitesi ma parte, muito menossuanaturezaeintegrabilidade 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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- E is que surge o Sol eo Senhor estadevolta. UrgeprestaratengaoaSeu 

maisleveaceno." 



124. Raphael DispersaasPreocupacoesHumanas 

1. D iz Zahr: "N ao convem acordar os outros?" Responde o anjo: 
"Despertarao com a Presenca do Senhor." N um salto, levanta-seYarah, 
perguntandonum impetodepaixao:"Deondevem Ele, oamordetodo 
amor?AindanaoO vejo!" 

2. D iz Raphael, sorrindo: "N ao importa, basta queteu coragao 
sinta para que teusolhos tarn bem fiquem satisfeitos. Com avindada 
aurora estaraaqui." 

3. Diz H elena, que permanecera acordada: "Yarah, iremos a Seu 
encontro! Quefelicidadesinto!" 

4. Responde a menina: "OtimolQuealegrianaoteremosvendoo 
Senhor de longe dirigindo-Se a nos!". Incontinenti ambas se encami- 
nham afloresta na diregao Leste, desaparecendo em pouco. 

5. Ouran, segu in do-as com osolhos, diz: "Talvezvenham aseper- 
der...! A montanha se eleva ao Sul numa extensao de varias horas. 
Mestrepoderavirdooutro ladoeelasnaoO encontrarao!" 

6. Responde Raphael: "Preocupa-tecom outrascoisas! Perder-se-ao 
tao pouco quanta eu. Q uando o coragao cheio de amor e de tal forma 
iluminado, impossivel setorna a pessoa se perder. Penetrarao a floresta 
bem a fundo; todavia acharao o M estre!" 

7. Ouran seacalmaedirigeoolharparaacidadeenfumacada, ob- 
servando grandenumero depessoasaseretirarem, em variasdirecoes A 
montanha seencaminhaverdadeiraprocissao, eeleexclama: "Bom pro- 
veito para todos! C omo arranjaremos pao para tanta gente? Serao capazes 
decomerovel ho Marcus inclusive sua cabana!" 

8. D iz Raphael : "D eixa disto! A Terra eseus habitantes necessitam a 
cada instantedemuito mais, entretanto o Senhor saciaatodos Q uevem 



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214 

aser aTerradiantedo Sol, milhoesdevezesmaior e que necessita de 
alimento incalculavel para a manutengeode sua luzesuas criaturas? No 
entanto o Senhor cuida delas, como tamben deti ! 

9. Imaginaojamaiscalculavel Espago infinite, repleto desoiseplane- 
tasdedimensoesmuitomaioresqueogloboesaiSol.Todossaofartamen- 
teprovidosdetudo, pdo Senhor; nao existeescassez, masa maiorfartura. 
Assi m sendo, como te podes preocupar com o pao para essa gente?' 

10. DizOuran: "Tensrazao; mas nao sou sabioesim urn homem 
simples, esquecendo-me, as vezes, onde me encontro." Aproxima-se 
H ebram ediz: "Essemovimento nostrara grande desordem num saba- 
do, poisseoincendio tivesselawado em diacomum,faal seriasocorrer 
aos prejudicados; assim, sera tarefa dificil ate para o grande M estre" 

11. Diz Raphael: "Javi steal gum diao Sol, a Lua, asestrelas, o 
vento, a chuva, todos os elementos naturais comemorarem o sabado? 
Por que nao o fazem? Porque a Vontade D ivina constantemente ativa 
jamais oconsidera! 

12. Como podes atribuir a Deus uma lei inconveniente, dada as 
criaturas para sua melhoria, apen as pelo tempo queachou necessario?! Se 
D eus e i ndulgente quanta a conservacao do sabado, que pretendes com 
estasujeigao?Acasotencionastambem sujeitar-meaessedia, peloocio 
com que costumam honra-lo? Esperai! Precisamente hoje vos havereis 
comigo, poisquevoshei dedeixarumaboarecordagaopormesesafora!" 

13. D iz H ebram: "6 amigo celeste, nao devestomar a mal a per- 
gunta! Lembra-tequesomoshumanos, sujeitosarecair, em ocasioesex- 
cepcionais, nos preceitos antigos, nao obstante a melhor boa vontade. 
Tu, como servo poderoso do Senhor, protege-nos dessas recaidas, pois 
somos criaturas fracas" 

14. D iz Raphael: "Vai para junto deteus irmaoseacalma-os, preo- 
cupadosqueestao com a mesmatolice" - H ebram assim faz. Voltando 
tudo ao normal, Ebahl despertaeindagaaOuran por Yarah, sendo in- 
formado ter ela, em companhia de H elena, ido a procura do Senhor. 

15. D iz o pai da menina: "0 ra, nao deviam ter feito isso! A floresta 
deveestarcheiadepessoasfugidasdo incendio, enaoseriadeadmirar 



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que algo I hes suced esse!" 

16. Diz Raphael: "Tambem achasteoquetepreocupe?Estao bem 
encaminhadasequando viero Senhor, elasestarao perto D de!" D izO uran: 
"Q uanto tempo temosdeesperar pdo romper do dia?' Responde Raphael : 
"Mdahora." 



125. DlFICULDADESNA CONVERSAO DOS SACERDOTES 

1. Todosseacalmam, no monte, separado pela cordilhdra, por urn 
pequenovaleAbera-marhagrandevozerioevariosgruposjachegaram 
a casa de M arcus, ondesequdxam em altos brados da desdita imerecida 
queosatingiu. Nacozinhaacham-seo vdho guerre ro com doisfilhos, 
ocupados no preparo da comida. 

2. Algumas pessoas procuram escalar o monte; quando avistam os 
romanos, dao paratras, crentesdeserem aqudes, guardasincumbidosde 
obriga-los a voltar, a fim de ajudarem na extincao do fogo, o que, em 
absoluto, e do agrado dos arquijudeus. Alem disto, estando-se na Lua 
nova, tal dia era mais rigorosamenteconsiderado. 

3. Raphad sorri e diz a M athad: "Observaste como bateram em 
retirada a vista dos romanos?Todavia, dar-nos-ao o quefazer!" 

4. Diz M athad: "Amigo, com amor, sabedoria e paciencia tudo se 
fara, mormentecom aajudado Senhor. Ten ho penaddes: cegosdecora- 
cao, desprovidosdeintdigencia, acham-seenterradosnaestulticie!Tal- 
vezoscuremos" 

5. D iz Raphad: "Sendoohomemapenastolo, a coisaaindaefacil; 
quando a tolice estabdece uma fusao com orgulho, tendencia dedomi- 
nio egozo, a melhoria setorna diffcil epior, ainda, com o sacerdocio de 
altaclasse. 

6. Toma, como exemplo, a posigao dum marechal ou dum conse- 
Ihdro do Imperador. Enquanto em sua posigao, exigira o devido respdto 
e honra que Iheserao conferidos; com o tempo podera setomar incapaz, 



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motivo por que sera aposentado. A partir dai nada mais represents tao 
pouco se importa com seu antigo prestigio! sacerdote, porem, man- 
tern seu brilho ate a sepultura e seus sucessores honram-no com urn 
monumento, em virtudeda propria consideragao quedesfrutam. Assim, 
o sacerdocio sabe conservar sua dignidade por todos os tempos e em 
todasassituacoes. 

7. Procurateachegaresaum deles, enraizado- noqual jadelonge 
observasasmistificacoes- enadaconseguirasjulga-seacimadolmpera- 
dor e urn representantede D eus naTerra; resultado: nao troca sua digni- 
dade por outra. 

8. Oferecendo-se-lhe em compensagao ouro e prata, responded: 
Tenho-os de sobra e minha posicao vale mais que todos os tesouros do 
mundo. SoufuncionariodeDeusenaodumprmcipemundano, - meu 
oficio e perpetuo. Com tal resposta nao tens outra arma em maos e, 
finalmente, terasdedangardeacordocom oassobiodosumopontifice 
Por isso digo, nada sepoderalcangar com essesjudeus Alem do mais, teu 
ponto de vista e perfeitamenteequilibrado den tro das Leis D ivinas, pois 
para D eus e possivel muita coisa que para anjosecriaturas nao o parece!" 

9. DizM athael: "Agradeco-teaspalavras; eisquesurgeo Sol edeve- 
mos preparar os coracoes para a C hegada do Senhor." 

10. Responde o anjo: "Tens razao, pois Ele e o Verdadeiro Sol de 
todos os sois! Q uando surge no coragao, leva-lhe a vida! - Acaso ves, 
chegando da floresta, por estaresfixando o olhar naquela diregao?" 

11. Diz M athael: "0 Sol ja subiu acima do horizonte, mas sinal 
algum ha do Senhor e das duas mocas Parece-me que, desta vez, tua 
profecia celeste nao foi bem calculada. Como devo interpreta-la?" 

12. Aduz o outro: "Apenas dirigindo teu olhar na diregao de onde 
E le vem; vi ra-te e te convenceras que nao errei !" 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

217 

126. AJusta Procurade Deus 

1. uran, Ebahl, M athael eseusquatrocolegassevoltam rapidos, - 
eMeveem subiro M onte, em companhiado velho M arcusTodosvem 
ao M eu encontro, agradecendo-M eamavelmenteavinda; comoYarah e 
H elenanao estejam Comigo, atemorizam-se, eEbahl M eperguntaseEu 
naoasencontrei naflore3ta.Talvezaindalae3tive55em,eseriaaconselha- 
vel mandar Raphael em sua busca. 

2. D igo Eu: "Por que vos preocupais com os que M e procuram? 
Julgaisqueprotejo contra osperigosapen as aqudeemcujaproximidade 
M eachofisicamente?Q uandotu, uran, estavasem grandeperigo, quern 
Meavisou, afim dequeEu teolhasseesalvasse?Acasonaosei ondese 
encontram ambas? Deixai-as, voltarao! 

3. ElasM eacharam em seuscoracoes, coisafacil para todos Q uem 
o fizer externamente, embora saiba queapenasdevefaze-lo em seu inti- 
mo, tern dereceber a licao dequetal atitudenao o capacitara paratanto, 
mas, ao contrario, perder-M e-a cada vez mais. Assimilai-o nesta manha! 
Alem disto, elasdescobriram M eu rasto eem breve estarao aqui." 

4. DizEbahl: "Nessecasotudoesta em ordem. Certamenteteriam 
ficado aqui se nao fossem levadas pelo anjo a tal decisao, que nunca 
desaconselhaalguem num proposito, mesmo com resultado contrapro- 
ducente, pois pretende, pelas mas experiencias, levar a criatura ao bom 
cam in ho. M uito bem feito a minhafilha, que deveriaconheceressa ma- 
nia de Raphael! Ele que se prepare, pois recebera dela urn sermao em 
boascondicoes!" 

5. N este instante aparece o anjo, que despertara os outros, e Ebahl 
Ihediz: "Escausador dum empreendimento mal sucedido deYarah e 
H elena, econfessoqueteu modo delidarcom aspessoasnao meagrada! 
Seum teu disci pulo tenciona algo fazer que nao esteja dentro da ordem, 
devespersuadi-lo do contrario, atravesdeconselhoseagoes, ao invesde 
reforca-lo em seu erro, para se isentar de futuros pecados pela propria 
experiencialTal astema educativo podeser util para espiritos como tu, 



Jakob Lorber 

218 

mas nao se presta para nos" 

6. D iz Raphael: "Esum judeu honesto ejusto; no quediz respeito aos 
caminhosocultosdo Senhor, estao ignorantecomo um peixeljulgasque 
fago algo de propria iniciativa?! Sou apenas um D edo do Senhor efago o 
queo Seu Espirito manda. Saberiasdisto, setivessesmaiorcompreensao. 
Ao ver, porem, ateondeseestendeteu entendimento, perdoo-teafraque- 
zaYarah eH elenanaoseperderam, poisqueacabam desubiro monte, em 
companhia duma filha de M arcus, que nos chamara para o desjejum." 

7. Indaga Ebahl: "M as.., como nao asvimossubir?" 

8. Responde Raphael: "0 Senhor nao havia afirmado terem elas 
descoberto Seu rasto?" D iz Ebahl: "Bern, calo-me, poisjaseacham aqui !" 



127. M otivo da Destruicao de Cesarea Philippi 

1. Em seguidadescemos para o desjejum, aoqual ninguemfalta. 
D iz, entao, uran a sua filha: "Pudesteobservarlaem baixosenossas 
tendas estao de pe e em ordem? E os servos e animais, - estao sendo 
bem tratados?" 

2. Vira-seM athael paraosogro:"Em Presenca do Senhor toda pre- 
ocupagao efutil. Pen sa, apenas, N deque Sepreocupa por noseportodo 
o Infinito!" 

3. Enquanto nos assentamos a mesa, indaga Cirenius: "Senhor, 
devo mandar a cidade uma divisao de guerreiros para ajudarem na 
extingao do incendio?Do contrario, anoite, estarareduzidaaum mon- 
taodeescombros!" 

4. Digo-lhe: "Amigo, setal fosse de M inha Vontade, ha muito ja 
teria enviado Raphael eo fogo seria extinto num momento; Eu, porem, 
quero queessa cidade ma, tanto para D eusquanto para o I mperador, seja 
humilhada, deixando incolume apenas as moradas dos pobres e dos de 
bom senso. resto sera reduzido a cinzas! Futuramenteseestabelecerao 
ali criaturasmaissensatas, - eosdescendentesdeM arcus hao degover- 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

219 

nar toda essa zona com permissao do I mperador, pertencendo-lhecomo 
heranca ate aos netos Esquecendo-se de Deus, sofrerao o mesmo que 
esses habitantes. 

5. Se o incendio tivesse irrompido num dia comum sobre esse de- 
pravado antra, ha muito teria sido apagado; num sabado, mormente na 
Lua nova, nao ha arquijudeu quetoqueem algo mesmo com a ponta do 
dedo, pelo pavor deseter profanado diantedeDeus. N esseassunto sua 
conscienciaemuisutil,enquantoaomissaodeboasobrasnaoospreocu- 
pa, tao pouco o adulterio fisico e mental, etoda sortedefraudes. 

6. Alegam ate que urn pecado contra o M andamento de D eus, em 
dia comum, nao seja considerado, podendo a pessoa se purificar ate o 
anoitecer. N urn Sabado, porem, preciso epermanecer limpo ate a noite, 
quando comega o dominio do principe das trevas, pois seria facilimo a 
vindadummensageirodeSatanazquelevariaconsigoumaalmaimpura! 

7. pecado prejudica o homem apenas durante noite, isto e, ate 
meia-noite, prazoconferidoaSatanazacapturadealmas Duranteodia 
nao tern poder e pode-se pecar a vontade; apenas deve-se observar a pu- 
rificacao antes do por-do-sol, deacordo com o ritual de M oyses, - etais 
pecadosdiurnosnao podem atemorizar a pessoa, a noite. 

8. Deus, para esses cegos, nada representa, mesmo setenham peca- 
do inumerasvezesao dia. Fazem questao denao cair nasgarrasdeSatanaz 
ecomo tal fato podesuceder com facilidade num sabado, em que nao se 
abatem bode, carneiro ou novilho, sendo ateproibido aoshomens lava- 
rem-sesetevezesaodia, - tudo fazem para semanterlimposeimpedir a 
Satanaz urn assalto, apos o ocaso. 

9. Issoexplicaporque esses supersticiosospreferem deixarquesuas 
casassejam reduzidasacinzas. Futuramenteum militarromano, aoqual 
essa estulticia nao seja desconhecida, tera jogo facil em dispersar essa 
geragao, num sabado invemal, transformando suagrandecidadeem urn 
montao depedras - Agora, deixai-nostomar o desjejum, do contrario 
seremosimportunadosporquantidadedevisitantes" 

lO.Todossaboreiam o bom desjejum, dirigindo urn especial elogio a 
M arcus, inclusive uran eH elena. Aquele, apontando-M e, diz: "Eiso sal 



Jakob Lorber 

220 

eo mdhortemperodetodoalimentoebebida; merece, pois, justo louvor." 
11. N ao ha um entre os hospedes que nao haja entendido as pala- 
vrasdo velho, louvando-M eem seuscoracoes M athad, entao, diz: "Sim, 
velho Marcus, quandoo SenhordetodaaVidaeo Mestreem tudo, a 
existencia setorna agradabilissima, poistanto espirito, quanta alma e 
corpo recebem amdhoralimentacao. Fizestebem em estenderteu elogio 
ao Senhor; por isto teu nomenao seextinguira no coracao daquelesque 
teconheceram como amigo Dele" Comovido, M arcus agradece, pela 
honra que Eu Ihe proporcionara com M inha Presenca, declarando-se 
sem merito ante as palavrasdeM athad. 



128. ClRENIUSE A DELEGAgAO DOS ARQU IFARISEUS 

1. Aposo desjejum Cirenius ejulius indagam quedeviam fazer. 
Digo-lhes Eu: "Esperai um pouco. La na margem aproxima-se, qual 
formacao nebulosa, um grupo de fariseus e adeptos. Sabem que tu, 
Cirenius, achas-te aqui e presumem estejas inspecionando as vilas do 
M ar Galileu, pela confirmagao obtida nastendasdeO uran. Apenases- 
tao deolho aberto para observar deonde irasaparecer: dum navio, ou 
duma dastendas, poistencionam teabordar com um pedido de indeni- 
zagao, alegando terem sido os pagaos os responsaveis pelo incendio. 

2. D entro em pouco serao i nformadosdetua presenca aqui, desorte 
que podes imaginar o trabalho queenfrentaremos U ma coisa vosdigo a 
todos: nao M edenuncieisantesdo tempo! Devem, primeiro, ser intimi- 
dados para, em seguida, sentirem maior pavor, isto e: M inha Propria 
Pessoa. Constataras que raga adultera representam! - M athael e o anjo 
nosprestarao bonsservigos; aindaassim, libertar-nos-emosdessacamari- 
Iha so depois de meio-dia. Fiquemos calados, e tu, concentra-te, pois 
sabesoqueteaguarda." 

3. Com excegaodossoldadoseservicais, todos a I en dam. Aposcer- 
to tempo M athad M eperguntasepoderafalaraos fariseus, sem rodeos 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

221 

D igo Eu: "Como nao?Teras, todavia, deteprecaver, poisessesheroisdas 
trevassaoarmadosateosdentes!" Eisquetambem M eusdiscipulosinda- 
gam queatitudedeveriam assumir. 

4. Respondo: "N ada tendes de fazer ou falar; observai a questao, e 
casoalgum dentreelesvosfacaperguntas, apon tai - 1 he C i ren i us, confes- 
sando que nada sabeis, pois Eu M esmo tomarei essa atitude no inicio." 

5. Aposestaorientagao aguardamosachegadadosvisitantesimpor- 
tunos Dentrodemeiahoraumjudeu, vindodacidade, informaosfariseus 
na praia, de que Cirenius se encontra no jardim do velho guerreiro. 
Incontinenti todosdao meiavoltaeseencaminham em nossa direcao. 
M athad, entao, diz: "Agora, amigo Cirenius, prepara-te, queatempesta- 
de esta se aproximando!" D iz este: "Confesso nao me alegrar com este 
encontro, pois basta Ihes dar o dedo minimo para que se apoderem de 
todaamao." 

6. N isto, ospeticionarios, o reitor da si nagoga a frente nosabordam, 
eeste, reconhecendo o Prefeito, diz: "N obreplenipotenciario, senhor Pre- 
feitodajudea, daAsiaeAfricalPorcerto nao ignorasagrandeinfdicidade 
que nosatingiu esta noite que somos habitantes de C esarea Phi I ippi ede- 
votosdeDeusedolmperador. Se fosse possivd nosatribuiramenordas 
culpas podenamos amaldicoar e chorar nosso desleixo, suportando com 
resignagao o que Deus, o nipotente permitiu queacontecesse Tal, po- 
rem, naoseda, earesponsabilidaderecai sobreospagaosmaldosos Eisa 
razao de nossa presenga, pois te pedi mos i ndenizacao adequada! 

7. Terastanto mais motivo para nos fazer justica, porquanto somos: 
primeiro, suditosdeRoma, como ospagaos; segundo, sacerdoteseservos 
do Unico e Verdadeiro Deus, com maior influencia sobre o povo na 
causa imperial quequalquerexercito. U ma vezlevados a umaagao con- 
tra Roma, nossa verbosidademaisfara que uma legiao, num ano! Neste 
caso, u'a mao lava outra! 

8. Atendeao nosso pedido: liberta-nosda momentanea mendican- 
ciaemandareconstruir, ascustasdo Estado, nossascasasesinagogas. Isto 
feito, nao encontrarasingratos, poisnosprontificaremosateadevolucao 
desseadiantamentoemaisosjuros, aposvinteanos. Reflete sobre nossas 



Jakob Lorber 

222 

reivindicagoes^ quenaoterasprejuizo, nen o I mperador, sabendo-sequem 
somosequal nosso poderlTendo-noscomo amigos, teraelefacilidade 
em sen regimen; caso contrario, coroaecetro selhetornariam, em breve, 
urn pesoinsuportavel!" 

9. RespondeCirenius, mal contendo sua intimarevolta: "Antes de 
mepronunciar, farei examinarminuciosamenteaformapelaqual sedeu 
o incendio. N ao creio em vossa inocenciacompleta, poisfui informado 
esta noitecomo atemorizasteso povo pelo eclipse total ontem ocorrido, 
pelo desaparecimento do sol ficticio eo julgamento deD eus, predito por 
urn profeta, - noqueossacerdotesgregostambem influenciaram.Tanto 
vos quanta eles abusastes do fenomeno, a fim de obrigar os incautos a 
sacrifices incrfveis, como protegao contra a ira de D eus, que pretendieis 
amenizar por preces E o povo por vos cegado tudo fez para fugir do 
julgamento anunci ado. 

10. Por sorte achou-se urn homem calmo e experimentado, que 
orientou os outrossobre a natural idade do fato. N ao deixou, porem, de 
frisarqueossacerdotesem nadadisto acreditaram, poisseriam osprimei- 
rosaquerersalvarapelelDentroem pouco o povo foi tornado derevolta 
intensaevosaplicou umaboa ligao. Asam, deveiscompreenderque, em 
absolute, possosatisfazervosso pedido, massim, comoVice-rei, vosobrigar 
a uma completa indenizagao pelo dano causado, quefarei averiguar cau- 
telosamente Falei ! Q ual a vossa defesa?" 

11. Duranteodiscursoosfariseusempalidecem efacil eseobservar 
oodioquealimen tarn, tanto que nada conseguem dizer. Cireniusespera 
uns instantese, como continuem calados, irrita-secom asfisionomias 
enraivecidasediz, num torn todo peculiar a urn romano: "Falai depressa, 
do contrario ver-me-ei obrigado a aceitar vossa atitudeodiosa como ple- 
na confissao eassim condenar-vosimediatamente!" 

12. Manifesta-seochefedosfariseus: "Senhor, acaluniaefortede- 
mais! N aoepossivel seacharpalavrasapropriadasparanossa defesa. Q uem 
provaratermoscoagidoo povo, obrigando-o asacrificios?! D iziamosaquilo 
que pensavamos e sentiamos! Acaso os sinais nao estavam de acordo? A 
H istaria nao nos aponta provas sobejas deter D eus perdido a paciencia 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

223 

permitindo um julgamento tenebroso para a H umanidade?! De igual 
modo tambem sesabequesustava Eleo castigo no caso duma verdadeira 
penitencia earrependimento deSeusfilhos. 

13. Se aqude homem culto era honesto, - por que nao nos procu- 
rou convencer de suas ideas? Somente uma pessoa desconhecedora da 
sublime DoutrinadeDeus, do Poder do Verbopdabocadum profdae 
desua acao numa epoca de peri go, pode noscaluniar tao vilmente! E o 
Prefdto de Roma seria capaz de dar mais credito as suas palavras do que 
asnossas?!Talvezdiras: Setal homem vosquisesseinstruir, nao Iheterids 
prestado atencao e ate tela si do aped rej ado! M as, quern podetal afirmar 
sem as provas necessarias? Pda nossa atitude fazemos jus a Doutrina, 
quern nos poderia provar o contrario?! N ao obstante a afirmagao detua 
testemunha, declaramossuaacusagao nula ate nos provar que: primdro, 
agimos contra nossa conviccao; segundo, nao tenamos prestado ouvidos 
aqudesabio queconseguiu instigar o povo contra nos! 

14.Compartilhavamosverdaddramentedopavorgeral-eseopovo 
nostrouxequantidadedeoferendas, crentedequeD eusastomassecomo 
penitencia de seus pecados, - acaso nao deveriamos acdta-las? nde se 
acha escrita tal determi nacao?! 

15. N obre Prefdto, considera estares lidando com verdaddros ser- 
vos de Deus e nao com sacerdotes novatos que muito ben entendem 
virar o manto de acordo com o vento. Templo nao nos estima em 
virtudedisto; nossa fe, entrdanto, eseguraenaofraquejaportao pouco. 
Temoshojeum radioso D ia do Senhor e nao ha vestigio dum castigo do 
Alto, alem do incendio, obradospagaosnefastos. Quern poderia afirmar 
nao possuir Deus Poder para repdir o que fez em Sodoma e G omorra! 
N ao queremosdizer tenha Ele protegido esta zona dum julgamento em 
virtudedenossaspreces; todavia, poderia teragraciado um fid desconhe- 
cido, cujasoracoesseunissem asnossasealcangassem oTronodeJehovah. 
Fald em nome dos meus. Poderas fazer um julgamento justo perante 
Deuseoshomens!" 



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129. MarcusAcusao Dirigente dosFariseus 

1. Sem esperar tal resposta, C irenius nao sabeo que alegar. Por isto 
chamapor M athael elhediz, em surdina: "Falatu; meu latim seesgotou! 
Vejo que sao ungidos de muitos oleos!" 

2. D iz M athael :"Nobreamigo, sera difici I Ihesprovaralgoqueteri- 
am feito em certas circunstancias. M esmo se houvessem tido a intencao 
deuma possivel maldade, nao existem provasparatanto. Q uaisnao seri- 
am os pensamentos duma criatura que se visse assolada por todos os 
lados?! N ao ha quern consiga purificar seus pensamentos precipitados, 
quando atempestadeassolao coracao; depoisdetudo serenado, dificil e 
a pessoa se recordar do que pensou durante o vendaval de suas paixoes. 

3. Se esses homensforem verdadeiroscrentesealegam ter partilha- 
do do mesmo pavor - o que teremos de aceitar enquanto nao tivermos 
provasem contrario- deve-sesatisfazerseu pedido, nahipotesedequeo 
I mperador consinta em tal proceder. Enquanto nao seapresentarem ou- 
trosindicios, podemossomenteformarjulgamento daquilo quevemos, 
pois nossos pensamentos nunca servirao de prova contraria." 

4. EstaspalavrassaoapenassussurradasaosouvidosdeCireniusque, 
cocando-seatrasdaorelha, Mediz: "Qual eTuaopiniao?' 

5. Digo Eu: "Meu Tempo ainda nao chegou, por isso continua a 
peleja.Todaviapodesaindaconsultar Marcus, Ebahl ejuliusqueosco- 
nhecem melhor, eouvirasoutra linguagem!" I mediatamente C irenius 
mandachamarostresamigos, expondo-lheso requerido eaconsequente 
defesa do chefe dos fariseus 

6. Ouvindo com atencao, M arcus se externa admirado quanta ao 
chefe: "C omo te sabes apresentar tao honesto e sabiamente! H a quanta 
espero quevenhascairem minhas redes! Lembras-tedotrabalhoquete 
deste quando ha tres anos atras me querias convencer para tua crenca?! 
C hegaste ate a desistir da circuncisao incomoda e dolorosa para pessoas 
de idade, pois bastaria que eu aderisse com todos os meus. Prometeste- 
me muitas vantagens no comercio, quando aleguei ser honesto e nao 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

225 

queria trocar a rdigiao de mens antepassados por outra, cujos principios 
e deveres eu desconhecia. Confessei-te abertamente nao ser contra mi- 
nha vontadeadotar uma doutrina mais esclarecida, necessitando apenas 
conhece-laafundo. 

7. Eisquemerespondestetal nao ser preciso, poistoda rdigiao nada 
maisequeumafilosofia infantil edeveser mantidaem virtudemesmo das 
criancas Que, uma vez dono duma razao formada, o homem de nada 
disto precisaria, sendo tolo quern atomasseaserio. Porcerto nao meseria 
dificil reconhecermaisintdigenciaem professarextemamenteumacrenca 
queproporcionasseosmdhoresmdosparao progresso material. 

8. Consenti em tudo, aderindo com minhafamilia atua rdigiao. So 
depoissemeabriram osolhos, poisfui porvoscondenadoatodasortede 
impostos e constate mais e mais a pessima troca que fizera. Antes de 
mais nada obrigaste-me a vos pagar o dizimo e a primdra colhdta de 
todos os frutos V arias vezes fazia qudxa disto as autoridades romanas, 
sen nada conseguir, pois sempre me perguntavam porque motivo me 
deixara levar, sendo romano. Teria, entao, de pagar minha tolice! 
Extemando-teminhasdifi culdades, nao medesteouvidos, dizendo ape- 
nas: "Assim consta na Ld! - eeu quevoltasseaborrecido! 

9. Q uando tencionava tomar conhecimento de vossa doutrina, era 
informadodequevosmesmosrepresentavdsaEscrituraeoVerboVivo 
de Deus! Por isso ninguem devia fazer indagagoes, mas aceitar o que 
ensinavds! Eis tuas palavras e atitudes, oraculo nefasto dos judeus de 
Cesarea Philippi! E agora queres inocentar-te?! Juro por tudo que mee 
sagrado: nao sairasdaqui antes demeindenizarestodo dano injustamen- 
te praticado. C om minha autorizagao o nobre Prefdto te podera pregar 
na cruz, - e nao setera fdto injustiga! uviste?' 

10. DizCirenius'Ah, ascoisasestaonestepe?!Otimo!Jaachamos 
urn caminho! - E tu, tenebroso opressor do povo, quedizes?' 

11. Respondeochefe: "C on hecesMoysese todos osprofdas?" 

12. DizCirenius: "0 primdro, sim;osoutros, sodenome" 
Rdruca o fariseu: "M uito bem; entao vai eestuda primdro todas as 

minhasobrigag6esdificds,castigando-meap6ssepuderesprovarnaoter 



Jakob Lorber 

226 

ai cumprido uma sequer! Q ueres ler a Escritura? Poisea unica posseque 
podemos levar, quando existe perigo deser destruida." 



130. NegociacoesCom osFariseus 

1. DizMathael secretamenteaCirenius: "Eisum assunto dificil a 
ser resolvido. M arcus falou bem, mas que fazer se nao Ihes podemos 
provar uma infragao de suas Leis? Vejamos os argumentos de Ebahl e 
Julius, que tambem pouca importancia terao, pois o chefe e capaz de 
justificar toda acao condenavel." 

2. DizCirenius"Nessecasocondeno, como plenipotenciario, todas 
aspassagensda Escritura que rezam contra a razao salutardo homem!" 

3. Replica M athael: "N ao sera tao facil, poiseledira: A razao huma- 
naexigequeseformeesancioneumalei antes que secondene - Quais 
serao teus argumentos? E preciso pega-los de outra forma! D entro em 
poucoestaraoaqui Cornelius, Fausto, Kisjonah ePhilopoldodeKis, que 
nos poderaoajudar/'AposalgunsinstantesCireniuspropoea Ebahl ap re- 
sentar al go deconcludente contra os fariseus. 

4. Esteselevantaediz:"Nobreamigo! Dificil eacapturaderaposas, 
pois sempre tern duassaidas Poristo, opino:Jaquenaopodesduvidar 
da declaracao daquela testemunha honesta que conheces tanto quanta 
eu, e, por outro lado, como juiz terreno so tee possi'vel formar urn crite- 
rioacercadaquiloqueouveseves, - demiteessespedintesimportunos, 
sem aminimaconsideragaoasuaexigenciaesem Ihesdarqualquercas- 
tigo. Teras assim feito jus a verdade e ao mundo. 

5. Poder-te-ia relatar centenas de fatos fraudulentos e extorsoes 
inescrupulosasaqueasasti pessoalmente; queadiantaria isto?H averi- 
am de achar urn meio de se inocentar. A fim de evitarem o mais leve 
resfriado, cobrem-se com a triplice coberta de M oyses, o manto de 
Aaron eos prof etas! 

6. Sabemosperfeitamenteo queseconseguefazer pela interpretagao 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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racional das Escrituras: presta-se para muita coisa erronea, enquanto se 
Ihedesconheceo verdadeirosentidoespi ritual, -edissoessagentesesabe 
valer. Assim, pensoquesopoderasfazeroquesugeri." 

7. Diz C irenius: Sim, tens razao; entretanto julgo haver um ponto 
criminal porondepoderiam ser condenados" 

8. Intervem Ebahl: "Qual o quelTudo, menos isto! Esses sujeitos 
conhecem todasasletrasdoCodigo Romano esaoperitos em contornar 
as leis melhor quequalquer advogado. N a certa terao praticado as infra- 
coesdetal formaque, dificilmente, pudessem leva-losao tribunal. Talvez 
isto fosse possivel a Kisjonah, Cornelius, Fausto e Philopoldo. Entrenos 

- apenaso Senhor eoanjoosdominarao." 

9. Cireniusmeneiaacabega: "Contudofa-los-ei vigiarcomosuspei- 
tos; talvez isto osabaleum pouco!" 

10. Diz Ebahl: "Podesexperimenta-lo; garanto, porem, queospri- 
meirosprotestosdo chefeteobrigarao a retroceder. N ao possuimosbase 
para uma causa criminal, pois nao havendo queixoso, nao ha juiz! A 
afirmagao secreta do Senhor nao podemosconsiderar como queixa; pri- 
meiro, por carecer decarater persuasivo; segundo, o Senhor seria cona- 
derado diante do mundo como fraca testemunha, pois nao e possivel, 
por ora, nos referirmos no Foro a Sua Divindade, muito menos a Sua 
I ntegridade Profetizadora. N ossabemosaquantasandamos; aVaraCri- 
minal deRomaO desconhece, desortequepodescondena-losapenas 
naquilo que toca a lei. Para este fim seria preciso um queixoso, e em 
seguida, astestemunhas Ou sera que para vos o pronunciamento dum 
profeta ou oraculo teria valor, caso nao pertencesse a vossa religiao?" 

11. DizC irenius "Em casosexcepcionais, sim: mormenteseo pro- 
feta provou seu merito diantedum juri, porquanto apenasao juiz com- 
pete aceitar a integridade da testemunha." 

12. Diz Ebahl: "Bern, masseo profeta nao podefigurar nem como 
umacoisa, nem como outra? Como irasobriga-lo?Talvezoconsigaspara 
testemunha; para queixoso, nuncalAqui existeum; mas como forca-Lo, 

- easeu anjo - a fim dequeaparegam como tais?" 

13. D izC irenius: "Tens razao! Esperaremos, pois me pareceverum 



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barcoagrandedistancia." 

14. Diz M athael: "J a o percebi ha meia hora; em que pe estao as 
negociacoes?' RespondeC irenius: "N o mesmo; reconhegoquecom todo 
o poder mundano, pouco alcancaremoscom esses homens." 



131. CireniusConvocaTestemunhasem Cesarea 

1. D izC irenius: "N este momenta meocorreuma ideia: en viarei um 
mensageiro ao delegado, a fim de que convoque alguns queixosos nesta 
causa contra os fariseus." 

2. D iz M athael: "6 timo, assim ao menostenso pretexto demanda- 
losvigiar. M asepreciso agircom presteza." 

3. ImediatamenteC irenius executaseu piano. Percebendo esta ma- 
nobra, o chefe dos fariseus I he indaga: "Senhor, por que motivo mandas- 
te dois mensageiros a cavalo, para a cidade? Acaso tencionas neutralizar 
nossos direitos legais, por vos sancionados? Isto sera dificil, pois temos 
Deusealei a nosso favor. A nao ser que criasses novas leis que, no mo- 
menta, de nada adiantariam." 

4. RespondeC irenius, aborrecido: "Falai quando inquiridoslTenho 
de conferenciar com meus conselheiros para verificar se vossa peticao 
mereceapoio do I mperador! C aso afirmativo sereisatendidos, do contra- 
rio, nao haveracomplacencia, massim, punicao, em virtudedo atrevi- 
mentodequererdesexigircoberturaparavossospecadoslConsideraibem 
isto: o Prefeito deRoma nao julga pelaaparencia, senao pela lei formada. 

5. Agi, pois, deacordo com vossa consciencia, quedevosseexige 
muito mais que do povo inculto, mal conhecedor das leis e de sua pro- 
pria indole. Como iniciadosem todo conhedmento, deveiscompreen- 
der o motivo que me leva a vos julgar com o maior rigor: ou sois tao 
puros como o Sol, ou jamais merecestes vosso oficio! Por isso nao vos 
deve i nteressar o quefarei, seja para vossa sentenca condenatoria ou para 
absolvigao. Convem, portanto, fazer um requerimento como compro- 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

229 

vante de vossa exigencia." 

6. D iz o chefe: "N obre senhor, hoje e sabado de Lua nova e somos 
proibidos de qualquer atividade Podemos falar; escrever, so depois do 
ocaso, pois neste santo dia convem a criatura se ocupar unicamente de 
Deus. A noitinhafaremosoqueacabasdenospedir." 

7. Indaga C irenius: "Essa especial lei de Lua nova vosfoi dada 
por M oyses?" 

8. D iz o outro: "N ao por ele, mas por seu sucessor, atraves do qual 
tambem Sefaziaouvir, algumasvezes, o Espirito deDeus" 

9. DizC irenius: "Duvido, pois as Leis daquele grande profeta tra- 
duziam nitidamenteo Espirito Divino; quanto a comemoragao deum 
tal dia revda apenas o cumulo da estulticia humana. D esconhecds a ori- 
gemdaLuanovaenosrimosdevos. NossossalDiosseadmiramdapossi- 
bilidade de haver vizinhos de gregos, romanos e egipcios alheos a esse 
conned mento! D ize-me, qual vosso parecer sobreesseassunto?" 

10. Respondeo chefe: "Prefiro teouvir primeiro, para depois 
me extern ar." 



132. Natureza daTerra e da Lua 

1. DizC irenius: "Ouvi, pois: A Lua e urn planeta, maisou menos 
cinquenta vezes menor que a Terra, acompanhando-a em sua trajetoria 
ao redor do Sol. Enquanto a Terra necessita de trezentos e sessenta e 
cinco dias para tal tarefa, a Lua gira treze vezes em torno da mesma. 

2. NessacaminhadapassaaLuapordiversasfases, pois, sen do des- 
providadeluz propria, comoaTerra, e iluminada pelo Sol. Quando o 
globose acha entre ela e o Sol, suafaseeado plenilunio. Se depois de 
maisou menosquatorzedias se acha entreo Sol eaTerra, poucosevede 
suasuperficie- eaistochamamosdeLuanova. 

3. NocasodesepostaraLuadiretamenteentreaTerraeoSol - o 
queobservamosontem- dacobreoastro-rd. Istoimpedequealuzsolar 



Jakob Lorber 

230 

atinjaa partedeondesepoderiatracar uma linha reta, o queocasiona 
um eclipse; as zonas nao atingidas por tal traco nada disto percebem, 
mormenteasqueseacham do lado oposto denosso planeta.Tanto este 
quanta o Sol e a Lua tern forma esferica, criando aTerra o dia ea noite, 
pela rotacao em vinte e quatro horas, tempo em que todos os paises, 
desdeo Polo Norte ao Sul, sao iluminadoseaquecidospelo astro. 

4. Eisaverdadebem calculadapdossabios, daqual, naturalmente, 
o leigo nada sabe, porquanto Ihe falta a base de que vos, instrutores, 
tambem careceis. N ao sepode transmits a outrem aquilo queseignora. 
E mesmo donos de tais conhedmentos nunca os haverieis de propalar, 
porque a ignorancia alheia vos traz maiores beneficios! Eis minha expli- 
cacao prometida; qual eavossa?" 

5. Respondeochefe: "0 queacabasdedizer, jaosabfamos, porvias 
secretas e eu nunca me opus a tal conhecimento; considera, porem, a 
G enesis de M oyses - e nada disto la encontraras. C omo principals pro- 
fessoresedivulgadoresentreo povo nao podemospropagar um conheci- 
mento contrario as suas leis. Se algum de nos tentasse a disseminagao 
doutroensinoquenaoo moisaico, - garanto-tequeseriaapedrejado! 

6. Existem osqueafirmam conterem as palavrasdeM oyses sentido 
oculto, o que, absolutamente, haveria eu decontestar. Como, porem, 
ensinar a um povo supersticioso algo dequeo proprio professor nao tern 
ideia precisa?! Por tal motivo nada se pode fazer senao deixa-lo em sua 
crenga antiga, considerando fielmente as Leis recebidas Q uando longe 
damultidao, pode-sepraticarecrernaverdadeplena. Falei eaguardotua 
reprimenda, caso tenha proferido uma inverdade." 



133. A Rebeliao em Cesareia Philippi 

1. Admirado pdaintdigenciadochefefariseu, C ireniusdizaM athael: 
"Amigo, com estesabichao nao convem discutir, pois, sabetirar partido 
da situagao atual quedefendeasmaravilhasljamaisassisti asemdhante 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

231 

polemical- Talvez os men sageirosjaestej am seaproximando enospos- 
sam ajudar nesta pdeja!" 

2. D iz M athael, sorrindo: "Q ual nada! Esses tratantes sao por de- 
mais espertos e sempre encontrarao uma saida; para que se rendam ne- 
cessario e outro poder que nao o humano. Arriscar-me-ia a curar cente- 
nas de gregos e romanos de sua tolice, pois minha exposicao Ihes seria 
novidade que procurariam aceitar com gratidao. mesmo nao se da 
com esses entendidos em todasascienciasquesabem aproveitar em seu 
proprio beneficio. Penso ser este o motivo da retirada do Senhor, pois 
previa nao ser possivd falar-lhes, fanaticoscomo sao." 

3. DizCirenius: "Poisbem, em tal casoteremosnegociacoesque, 
nessascircun stand as, serao ineditasna Terra! Seao menoso delegado 
javiesse...!" 

4. N este mesmo momenta seaproxima, ofegante, urn mensageiro, 
dirigindo-se ao grupo sem perceber a presenca de Cirenius: "Amigos, 
fugi o maisdepressa possivd, pois irrompeu tremenda revolucaolTodos 
andam a procura dos fariseus trapacdros, e os pagaos matam todos que 
seassemdham ajudeus. Sou grego pobreeapanhd hojeestavestimenta 
judaica por falta de roupa, eaqui vim com risco da propria vida!" 

5. DizCirenius: "Sou oPrefdto!Explica-temdhor:comoepor que 
irrompeu a revolucao?" 

6. Respondeo grego, urn poucoencabulado pdapresengadaauto- 
ridade: "Nobre senhor! assunto eo seguinte: em vez de os sacerdotes 
judaicosexplicarem claramenteo simples fenomeno do Sol artificial, 
aprovdtaram-no para divulgagao dum possivd castigo de D eus, bastan- 
do para aplaca-lo que o povo se prontificasse a grandes oferendas Tal 
sugestao foi imediatamenteacdta pdos ignorantes. 

7. s sacerdotes pagaos, nao menosintdigentes, deram o exemplo; 
essa idea, entrdanto, nao Ihes rendeu o mesmo lucro. Urn grego bem 
intencionadocomegouaelucidarosmaiscalmosnosentidodenaoacre- 
ditarem naqudas profecias engendradas pdos sacerdotes, pois so se po- 
deria concrdizar uma ddas ou a judaica ou a paga. Desta forma foi 



Jakob Lorber 

232 

possivel orientar os pagaos Osjudeus nada disto aceitaram, acusando 
aqueles como causadores do castigo esperado. 

8. Em pouco tempo chegaram asviasdefato, e os pagaos comega- 
ram por incendiar ascasasdosjudeus, exigindo ainda a devolucao dos 
sacrificios extorquidos Como nao fossem atendidos usaram de meios 
drasticos, mormentecom ossacerdotesjudaicos, quebateram em retira- 
dadacidadeemchamas. 

9. delegado romano, bastante i ntel igente, ajudou em largaescala 
no sentido de provar ao povo a culpabilidade dos sacerdotes judaicos 
Isto incentivou a reagao por parte dos pagaos, de sorte que na cidade 
corremaissanguequevinho eleite. 

10. Peloquemeparece, acham-sedebaixodaquelecipresteosmen- 
cionadosfugitivos. Se nao tratarem defugir, passarao mal! E esta lanca 
destinada a minha morte, ainda servira para aniquilar alguns response 
veis. s dois mensageiros que encontrei na entrada para a cidade nao 
terao fad I tarefa para chegar ao delegado. Agora, senhor, sabesdetudo, e 
eapuraverdade" 

11. DizCirenius: "Agradego-teainformagaoedesempenhastebem 
oteu papel! Pororaficaaqui e serve- tedepaoevin ho. Enquanto isto 
ordenarei aalgumascoortes, paradominarem arevolta, noqueprestaras 
testemunho contra osjudeus!" Em seguida Cirenius chama Julius, 
cientificando-o desua incumbencia. 



134. Relato do Mensageiro Hermes 

1. M al as coortes se poem em marcha, voltam os dois mensageiros 
confirmando aspalavrasdo grego. Alem disto transmitem uma notado 
delegado, queviria relatar osfatosocorridos, ao Prefeito, tao logo atem- 
pestadesetivesseabrandado urn pouco. Cirenius os despede, em segui- 
da, interpela o grego a respeito dequem o enviara. 

2. D izele, com maiscoragem: "A necessidade, senhor! Sou cidadao 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

233 

deCesareiaeperdi todas as posses durante oincendio. Estemantoque 
mal me cobre, tirei-o dum judeu massacrado; do contrario estaria tao 
desprovido devestesquanto minha mulher eminhastresfilhas, maiores, 
queseocultam atras da cabana de Marcus 

3. Externei o convite a fuga apenas por reconhecer aqui os judeus 
fugidos, podendo, deste modo, usar de vinganca. Sua evasao efetiva so- 
mentesepoderiaefetuarporviamaritima,poisnacidadeosguardasnaoos 
tratarao com carinho! Entendo algo deestrategia, senhor, ejulgo ser acon- 
selhavel postaralgunsvigiasabeira-marparaimpedirqueseevadam." 

4. D izC irenius "N ao teapoquentes, poisjasetomou tal medida!", 
evirando-separaM athael: "Quedizesaestasnoticias?!Aguardarei avin- 
da do delegado eanseio por ouvir a defesa destes patifes." 

5. D iz M athael: "N ao lucraras muito com isto, desconhecendo os 
milharesdesubterfugiosdequesevalem.Todavia, tuaposicao melho- 
rou. Antesdemaisnadaeprecisocuidardafamiliadogrego. H elena, por 
certo terasalgunsvestidoscaseirosdequepoderasabrir mao!" 

6. Ela, prontamente, manda apanharquatro tunicas esaiasborda- 
dasa moda grega, dizendo a serva: "Pedeao mensageiro queteconduza 
aondeseacham sua mulher efilhas, veste-asetra-las ate ca!" 

7. Com os olhos rasos de lagrimas o grego acompanha a serva de 
H elena e, aproximando-sedasmulheresquesehaviam enrolado em len- 
gois, diz: "Nao mais chords, queridas, pois encontramos no Prefeito 
C ireniusum verdadeiro benfeitor, eessa roupa, certamente, voseofertada 
por sua filha!" Com imensaalegriaelassevestem e ele as conduz para 
junto de H elena, a quern extemam sua gratidao. Assentam-sea seu lado 
e saciam sede e fome. uran e sua filha ouvem horrorizados os relates 
sobrea opressao farisaica. C irenius, entao, diz ao grego: "Amigo, tratei-te 
urn pouco bruscamente e me arrependo desta minha atitude, por isto 
serasrecompensado." 

8. Em seguidamandatrazerumavestimentaromanadehonra, com- 
posta de uma fina camisa pregueada queda ateaosjoelhos, uma toga de 
sedaazul, da India, com bordadosaouro, botaseum turbanteegipcio, 
com enfeitedeplumaseum brochecom esmeralda. Alem disto, entrega- 



Jakob Lorber 

234 

Ihemaissetecamisasdeinterior, brancasecem librasdeprata. Loucode 
alegriao mensageiro nem sabecomo agradecer. 

9. Sorrindo desatisfagao C irenius Ihediz: "H ermes, entra nesta casa 
de mai amigo M arcus, lava-te e veste-te como romano, pois estara na 
horadecitarmososfariseusparadepoimentoe, destavez, naoescaparao! 
E tu, amigo H ernes, ajudar-me-as." 

10. D iz aquae: "N a maior boa vontade! Esses homens, porem, sao 
por demaisastutos mesmo para com asFurias, quanta maisnum depo- 
imento comum. A fim deleva-losaconfissao epreciso seguir-seestrita- 
menteasdeclaracoesdetestemunhas, pois esses fariseusconseguem ate 
perturbar os que Ihes dao atengao, julgando-os inocentes e com di reitos 
justificados.Assim,opinoquesejamatiradosparaalimentodospeixes,- 
ecomomagistradoterasfeitojusajustica. Seseapresentarem numazona 
animaisselvagensqueprejudiquem eassustem aH umanidade, dever-se- 
aentrarem negociacoescom taisferas?! N ao!, digo eu. Suamaldadeepor 
demais conhecida, por isso devem ser exterminados! Permite-me uma 
pergunta, senhor!" DizCirenius: "Poisnao, fala." 



135. PROSSEGUIMENTO DASNEGOCIAgOESDE ClRENIUS 

1. Diz H ermes: "Senhor, a dez passos desta mesa vejo u'a menina 
em palestra com urn homem de aparencia extremamente simpatica e 
tudo que diz desperta nela uma sensagao de extase! Q uem e de? Seu 
fisicoedumadignidadeenobrezaqueatraemtodososolhares,equanto 
maiso fito maior sinto suaatragao. N ao posso recriminar minha mulher 
efilhassemal conseguem desviarosolhosdele. Apostoserum homem 
bom, nobreesabio. M as.., quern e?" 

2. RespondeCirenius: "Amigo, posso afiancar-te que considera- 
mos Deus! Por ora e medico de N azareth, - mas, que medico! N unca 
houveigual! M aistardesaberaso resto; cuidaremos, primeiro, denossos 
assuntosenao me tratesmaisde senhor, massim, deamigoeirmao." 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

235 

3. D iz H ernes "M uito bem, agradego-te por esta atitude humani- 
taria. Dize-meapenas: quem eojovem tao lindoem companhiado me- 
dico?Seao eleea menina, seusfilhos?" 

4. D izCirenius: "Sim, julgaste bem; agora, maosaobra." Em segui- 
da manda chamar o chefedosfariseuse Ihepergunta seconheceo grego. 

5. Respondeesse: "Quem nao conheceoafamado cantor ecitarista? 
Porvariasvezesnosddeitamoscom suavoz; penanaosepossivel converte 
lo para nossa religiao, pois sobrepujaria o grande D avid ! E honesto e de 
bonssentimentos; apenasnao simpatizaconosco, o quelhelevamosem 
conta por nao se poder exigir que assimile e aceite nossas leis, aparente 
mentedesumanas." 

6. DizC irenius: "Aconteceser justamentedevosso declarado acusa- 
dor, tendo afirmado, pela segunda vez, o quesepositivara por uma teste- 
munhaoculta! Soisclassificadoscomo relescriminosos, - etendesa in- 
crivel ousadiademepedir indenizagao poralgo quevostornou osincen- 
diarios mais astutos! Q ue me dizeis?' 

7. Respondeofariseu, calmo: "No que dizrespeitoao Hermes nao 
guardamos rancor, pois sabemos que uma pessoa desprovida do verda- 
deiro conhecimento de causa so pode formar juizo errado. Se ele tam- 
bem deseja se tornar nosso inimigo, que o seja; nunca seguiremos seu 
exemplo. No fundo, tudo que depos contra noseverdade. Na Europa 
existem duaszonasperigosasno mar, chamadasSzillaeC haribdes; quem 
consegue passar pela primeira, etragado pela outra! E nesta noite 
encontravamo-nos numa real encruzilhada e perguntamos: que atitude 
deveremosassumirquemerecao apoio integral dosromanos?' 

8. IndagaC irenius: "Porquenaodestesaexplicagaoverdadeirado 
fenomenoontem havido, afim deacalmarosanimosdevossosfieis?! Por 
quementistes, dando motivoamaiorconfusaoqueprovocou o levante? 
Por que extorquistes, de modo tiranico, sacrificios do povo, enquanto 
sabieisquea"fata-morgana" nadatinha aver com a profecia de D aniel?" 

9. Dizochefe: "Naoparecestercompreendidominhaspalavras!- 
Q uando, ontem, o Sol iluminou por tempo inesperado esta zona, mui- 
tos de nossos irmaos na fe me procuraram na sinagoga, dizendo que 



Jakob Lorber 

236 

todososjudeusandavam alarmados Procure dar-lhesumaexplicagao 
razoavel. Em seguida, meuscolegastentaram esclarecer o povo, sem exi- 
to, pois afirmava ter visto cairem estrelas do Espago, recordando aos su- 
periores as pal avrasde Daniel. Aposcerto tempo aqueleSol desapareceu 
repentinamente, fazendo-seescuridao completa. Agorajanao maishavia 
possibilidadedeacalma-los: ofim do mundo paraeleshaviachegado e 
uma palavra em contrario nostraria a mortecerta. 

10. Eis a Szilla! Forcados pelas circunstancias, tivemos de pregar 
Daniel eexigir, deacordo como momenta, osmaosdepenitencia,afim 
deconservar no povo a esperanca na I ndulgencia D ivina. C ompreende- 
mos perfeitamente que hoje havenamos de enfrentar a Charibdis - e 
quando se e obrigado a escolher entre dois males, fatalmente a decisao 
cairanomenor. Porai vesquenaohaviaoutramedidaatomar. Como 
nostencionasjulgar como romano justo?" 

11. D iz C irenius: "Bern, talvez fosse assim como dizes; resta saber o 
destino quefoi dado asoferendas, pois ofim do mundo que Ihesdeu 
motivo ainda nao seapresentou. Teriam sido devolvidas?" 

12. D iz o chefe: "N obresenhor, eisuma pergunta inteiramentedes- 
necessaria; todavia, a devolucao teria deser efetuada com grande precau- 
gao, em virtudeda ignoranciado povo. Convem, fazerestal indagagao ao 
fogo, quedestruiu todasasoferendaseviveres! 

13. N aoeraprecisoele, ofogo, deixar-selevar peladivulgagaoforga- 
da, referenteaprofeciade Daniel, edestruirnossascasaseescolas. Disto, 
apenas, tern culpa teus conterraneos que muito nos odeiam. Assim sen- 
do, nao vimosaqui parapedirpornos,esim,tambempelo povo. Como 
podesnosquerercastigar,aoinvesdesocorrer?!Consideranossasituagao 
e, por certo, nos isentaras de qualquer culpa!" 



136. Opiniao do Chefe Farisaico Acerca do Salvador 
1. DizC irenius: "Longedemimtalatitude; apenas faco questao de 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

237 

melhorardes. Facil evosencobrirdescom palavrasbem medidas, epara 
isto o momenta e tanto mais propicio porquanto as circunstancias vos 
sao favoraveis, nao podendo alguem positivar vossa atitude caso o fogo 
naotivessedestruidoasoferendas. Interessa-mesaberseterieisusadodas 
mesmas- de plena consciencia- peranteum profetaEliasoudumanjo 
de D eus, que penetra a fundo em vosso coracao. 

2. Dou-vosminhapalavradehonra:nestemeioexistem pessoasque 
podem lerospensamentosmaissutiscomosefossem escritos. Caso vos 
arguissem, - teneistido a mesma atitude, sabendo que, embora nao me 
falteinteligencia e perspicacia, carecodeonipotencia?Analisei rigorosa- 
mentetaispessoaseachei que nao selhes podia enfrentar com gracejos! 
Sereis por elas examinados. Caso a situacao seja tal qual foi exposta, 
recebereis ate mais do que pedistes; assim nao sendo, o irmao e o tio do 
atual Imperador saberao o quefazer!" 

3. Dizochefe: "Deque modonospoderaspoativarqueteusamigos 
sabios nao sejam contra nos, fazendo mau uso de seu conhecimento? 
ComofariseussomosodiadosnaGalilea, porseguirmosestritamenteos 
ditames de M oyses e os profetas, enquanto quase todo o pais confessa a 
filosofia greco-egipcia. Sendo as mend onadas pessoas, gal i I ei as, nao nos 
terao em bom conceito, desortequedeantemao nao aceitamostal exa- 
me! Alem disto consta nao poder surgir profeta de tal pais, por ser o 
povo, sacrilege muito afastado da sabedoria moisaica. Seforem daju- 
deia estaremos prontos para ouvi-los" 

4. Diz Cirenius: "Considero tais criaturas de tal modo que cada 
palavra delas, para mim, e vinda dos Ceus, porquanto nao restrinjo a 
verdadedoAlto, achoquetambem pode ser encontradana Terra! U ma 
pera e pera, tanto aqui quanta la. 

5. utra pergunta: manifestastescerta reserva contra possiveis sabi- 
os da Galilei a, epresu mo haver outro motivo para tanto que nao apenas 
a filosofia grega. Dizemtersurgidoem Nazareth urn homem que real iza 
verdadeirosmilagres, positivando uma Nova Doutrina, aparentemente 
vinda do Ceu. N adaouvistesa respeito?' D iz M athad, em surdina: "D este 
urn passo acertado, poismudarao decor e pal avras." 



Jakob Lorber 

238 

6. Responde o chefe: "Entao as imposturasdaqudecharlatao mal- 
quisto, ao qual o servico decarpintaria setornou por demaispesado, e 
preferiu sua manutencao no ocio, - jachegaram atoisouvidosTDedu- 
zindo de tuas palavras fazes questao de nos condenar, nos que somos 
sacerdotescreditados; todavia, um tal galileu revolucionario munido de 
feiticaria oriental recebe livre passagem. Pode fazer o que quiser e suas 
palavras serao maisconsideradasqueasnossas, porcujaveracidadetanto 
ointelecto quanta a razaosebatemlConhecomuitobem tal homemeja 
teinformei detudo!" 

7. DizCirenius, visivelmenteagitado: "OtimolExternastesopiniao 
sobre Alguem como pior nao o poderieis em vosso prejuizo. Todavia 
falastes a verdade, demonstrando vossa indole. Estou agora bem infor- 
mado, tanto sobre Ele quanta a vosso respeito, e provo que nao aceito 
quern quer que seja antes deanalisa-lo afundo! 

8. Vedesaqui oatual Vice-rei doPontusAindaontemeracrimino- 
soequasecondenadoamorte; analisei sua questao, certificando-mede 
sua inocencia e fiz dele, que e sabio, o que acabo de relatar. Sou mais 
severoqueoutrojuizqualquer, masajocomjustica. Seduranteojulga- 
mento seaplicou uma pena injustaao reu, sei transforma-laem beneficio 
e alegria, como no caso que ora narrei . 

9. Muito mais rigor tivedeaplicar no examedo nazareno, consta- 
tando ao fim ser um homem tao perfeito como nenhum outro quepisou 
ou pisaraaTerra. Por issoeplenodo Espirito Divino, agedeacordo, isto 
e, dentrodoPoderedaOnipotenciadeDeus. Desta forma travei conhe- 
cimento com eleeconsidero-o com o maximo respeito e amor, embora 
seja judeu, na acepgao da palavra. 

10. sromanos tarn bem apreciam ojudaismoquandotraduzoque 
manifestaram M oyses e outros: transbordando o espirito da forca, do 
amor, da verdade e da sabedoria. C onforme por vos e aplicado, - para 
usar as mesmas palavras deDaniel - eum horror dedevastagaolE is meu 
testemunho sobre o por vos tao odiado nazareno. Que me dizeis?" 



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137. Os PropriosSacerdotesJulgam Seu Chefe 

1. sfariseusarregalam osolhoseum delesdiz, em vozbaixa: "C omo 
e possivel nosso chefe ser tao estupido, a ponto de nao perceber que o 
Prefeito simpatizacom o galileu? Redu-lo como se fosse convencido de 
seus crimes, embora nuncao tenhavisto! Este chefe nao serve! Seconti- 
nuar assim, seremos pregados a cruz! Prefeito e por demais several" 

2. D izem osoutros: "Vai epedea palavra; talvez ainda nosseja pos- 
sivel salvarapeleeati tomaro lugar do chefe!" Respondeele: "Farei uma 
tentativa, - mesmo sem tencionar esse posto." Em seguida se adianta e 
pedeaCireniuslicenca parafalar. 

3. D iz este: "Aguardo outro criterio de vosso chefe quanto ao 
nazareno." Replica ofariseu, cujaperspicaciaenotavel: "Nobresenhor, 
sua inteligencia foi aguas abaixo! Emaranhou-se de tal forma que nao 
sabequal saidatomar.Tu, porcertojapercebestedelongesuaignoran- 
cia! Se eu ou um outro tivesse podido depor, esse processo de ha muito 
estariaterminado; naomaislheprestesaatengaoedeixa-mefalar." Diz 
Cirenius: "Poisbem, fala!" 

4. Prossegueo outro: "Nobresenhor, no quediz respeito aculpabili- 
dadedo incendio, talvez seja aceitavd o queargumentou, conquanto eu 
confessenao sermostao inocentescomo alega, poisfoi elequem exigiu as 
oferendas. Ignoro, ter ado necessario tirar tudo aosfieis, com excegao da 
camisa, a fim de estabelecer a ordem! Eis outra duvida: a devolugao dos 
sacrifices extorquidos! Certamenteteriam emprestado dinheiro eobjetos 
ajuros, porem a restituigao, por elealegada como certa, euma Utopia! Suas 
palavras tolas nosdeixaram revoltados e sem poder reagir, em virtudede 
estarmosnum sabado, diaem quesomenteo chefetem direito atal. 

5. Falo com sinceridade: no tocanteao mencionado nazareno nao 
nos podemos externar, nem a favor, nem contra, pois ouvimos apenas 
algunscomentarios. Certascoisassoaram louvaveis; outras, certamente 
divulgadas por seus inimigos, mui fantasticas Consta, por exemplo, ter 
eleressuscitado pessoasrealmentemortas N ao o assistimos; entretanto, 



Jakob Lorber 

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considerando o que representa tal fenomeno, deve ser compreensivel a 
criatura manifestar duvidas 

6. Tambem constater o profeta Eliascoberto decameevivificado 
esqueletos, mas isso apenas e boato, pois nao se encontra nem na parte 
apocrifa da Escritura. Osessenios, porsuavez, realizam omesmomila- 
gre, alias por alto precolTodos, porem, ja se inteiraram deste "segredo". 
C omo dastestemunho tao favoravel do nazareno, considerando tua cul- 
turaeexperiencia, nao posso- inclusive outroscolegas- deixardefazer 
jusaele." 

7. D izC irenius: "Teu depoimento meagrada maisquedeteu supe- 
rior, o qual , fi nal mente, provou ser grande menti roso. Todavi a, poder-se- 
areabilitar por umaconfissao plena, poisnao vim aqui paraexercerfun- 
gao judicial, masajudaraospecadoresaencetarem ocaminhodo Bern. 

8. Agora, fala tu, chefe, a plena verdade, porquanto teus compa- 
nheirosainda nao o fizeram; desejaram apenas salvar a pelea tua custa e 
tal atitude nao posso louvar. Sei o que sei e de nada te adiantaria me 
quereres iludir!" 



138. Discurso Severo de Cirenius 

1. Indeciso, o chefe reluta em falar a verdade plena; depoisdealguns 
instantes, diz: "N obresoberano! M uitoscaesacabam por mataro coelho! 
C onvengo-me mais e mais de que as testemunhas contra mim aumen- 
tam. Para quefim iria procurar argumentos contra tua propria convic- 
cao?! N ao posso dizer "sim" contrario ao queestou convicto, eo "nao" de 
nadameadianta. Porissopodesaceitarasprovascontramim; nada mais 
farei para minhadefesajulgando-meculpadotenspoderesdesobra para 
mecondenares!" 

2. Diz Cirenius "Em vossoslivrosconsta:Ai dequematentar con- 
tra urn por Deusungido!, esaberei observartal mandamento, enquanto 



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for possfvd. Saul, vosso primeiro rei, foi finalmenteum criminoso eDa- 
vid, que na mesma epoca recebera a uncao, com facilidade poderia ter 
aniquiladoooutro,de5ejosodesuamorte.O EspiritodeDeus,entretan- 
to, manifestava-Seno coragao de David, dizendo: Ai deti, seatentares 
contra M eu ungido! 

3. N ao obstante pagao, ougo a M esma Voz que me adverte: E-te 
permitido arguires cada urn e, caso se tenham desviado para atalhos, 
reconduze-os ao caminhojusto; ai deti, porem, se fores julga-los! Seo 
proprio arcanjo M iguel nao seatreveu a condenar Satanaz em virtudeda 
lutaimproficuaqueduroutresdias, preferindoentrega-loaojulgamento 
do Senhor, como poderia eu me arrogar tal direito em Sua Presenca? 
Assim sendo, deveriasusardesinceridadeparacomigo!" 

4. Respondeochefefarisaico: "Jaquedetudosabesnaovejorazao 
para exigires plena confissao de minha parte. bservando tua simpatia 
pelo nazareno, nadatenho aacrescentar. Alem disto minhaopiniaoaseu 
respeito se baseia noutra experiencia que nao a tua. Acaso poderia al- 
guem obrigar-me a depor em beneficio de uma pessoa da qual so me 
houvessem contado coisas que a desabonassem? Como es o primeiro a 
julgar o nazareno de modo diferente, aceito teu parecer, embora nao 
tenhatidoamesmaprova. Estassatisfeito?' 

5. D iz C irenius: "Estaria, se o coragao fosse o inspirador de tuas 
palavras; todavia, sei queem nadacredes, tal como osessenios, eobrigais 
o povo a acreditar em tudo quevospossa trazer algum proveito. Q uando 
aparece urn homem possuidor duma luz verdadeira e divina, demons- 
trando as criaturas perdidas nas trevas o justo caminho da vida - que 
infalivelmente descobrira vossas conhecidas traficancias - revoltai-vos 
contra ele procurando extermina-lo, pois cabe-vos a desonra de terdes 
apedrejadoosprofetas- com excegaodeE I iase Samuel - convencendoo 
povo dequeSecomprazia Deuscom vossos atos horri pi lantes. 

6. Somente depois de decorrido urn seculo Ihes prestastes louvor, 
enfeitando seussepulcros, em virtudedeseterem realizado suasprofeci- 
as, situagao quesoubestesaproveitar no dominio sobreasmassas. Seesta 
eaverdade, como poderei darcredito as tuas palavras? Acaso acreditaste 



Jakob Lorber 

242 

numavirgulasequerdaquilo quepregasteaoscrentes?" (Nota: Estaspa- 
lavras de Cirenius sao-lhe inspiradas por M inha Influencia; apenas sao 
extemadasaseu modo.) 



139. CarAter do Chefe Fariseu 

1. Aposcerto tempo dereflexao, dizo chefe: "Como irasmeprovar 
que penso de modo d iferente e nao creia de acordo com o que professo? 
Se meus antepassados atentaram contra os profetas - o que nao posso 
negar- queculpamecabe,sesemprelouvei ossantosvidentesdeDeus?! 
Semilharesdecolegasnaoacreditam noquedizem, porventuraseraisto 
uma prova defazer eu o mesmo?!" 

2. Responde Cirenius "A prova concludenteconsiste em seres de- 
masiado culto para aceitar urn absurdo como deorigem divina. Como 
bom calculista, naotomarasum mosquito por elefante!" 

3. D iz o fariseu: "A queabsurdo te referes?" 

4. Responde Cirenius: "Acaso acred itasdefato no efeito milagroso 
do estrumetemplario queenalteciaspessoalmente, ano porano?!C resna 
influencia curadora da Lua nova?! E quejehovah habite na nova Area, 
conforme fez na de M oyses, por vos de ha muito reprovada?! Cres na 
semelhanca da chama de nafta com a coluna extraordinariamentesanta, 
acima da Area que iluminava M oyses?! Achas ser mais util ao homem 
fazersacrificiosnoTemploaoinvesdeamarseuspaiseobedecer-lhesem 
tudo queseja bom, conforme o M andamento?! 

5. Confessaabertamentesecresnisto, comoem outrastantastolices 
quedivulgam vossosprincipios. Seo fizeresdemodo concreto - o que 
acho impossrvel - es em verdade mais ignorante que urn animal e te 
prestas para tudo, exceto para teu oficio. N ao crendo e divulgando tal 
absurdo, es urn traidor do povo e mereces ser preso por consideragao 
politica!AssimfinalizotuaSzillaeCharibdesedou-teu'amedalha impe- 
rial se fores capazde me apresentar outro argumento!" 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

243 

6.0 chefesevetaoenrascadoquenadasabedizer. Eisquesemani- 
festa H ermes, o cantor: "N obre C irenius, agora nao ha mais saida para 
estetirano. Se nao fosse tao mau poderia apiedar-medele; asseguro-te, 
porem, ser perverso dos pes a cabega! Vossa jurisprudencia condena a 
morte na cruz pessoascuja indolenao podeser comparada a deste patife, 
e me alegro por ter ele caido em tuas teias!" 

7. D iz M athael, sorrindo: "Cuida que nao venha romper tua arma- 
dilhaefinalmente, zombardenossaespertezalAteentaofalou modera- 
damente, deixa que reaja - e veras suas armas! So agora conhego suas 
verdadeirastendencias, emboratenhacom eleprivado noTempIo, poise 
o mesmoquehatrintaanosassassinou o Sumo PontificeZacharias, entre 
o Altar eoSantissi mo!" 

8. D iz H ermes: "0 h, Conhego outras "pecinhas" suas; mas, como 
nao podem ser provadas, nada se podera fazer." 

9. DizC irenius, admiradocom a afirmagaodeM athael: "Que me 
dizes..., esteteria postofim avidado sabio ebom Zacharias?! Estaorien- 
tagao vem a proposito!" Em seguida o prefeito da ordem a Julius para 
formarumaforteguardaqueimpegaafugadosfariseusEstranhandotal 
movimento, ochefediz: "A quern sedestinaestaguarda?" 

10. RespondeCirenius:"Naoedetuaconta, poismonstroshuma- 
nos de tua categoria nao merecem resposta! Aguardo apenas o relatorio 
dodelegadoeachegadadeComeliusJuliuseJonahdeKis, paradepois 
teresponder." 

11. Dizo chefe: "Bern, nessecaso tambem justificarei minha pre- 
senga!", etirando urn pergaminho do manto, pergunta: "Conhecestal 
selo eassinatura?' Surpreso, dizC irenius: "Sao do I mperador! Q uefina- 
lidadetem?" 

12. Retruca o outro: "Sendo preciso, seras inteirado do conteudo! 
Eisporqueteaconselho sustarestodaequalquer pesquisa, do contrario 
este pergaminho tetraragrandesaborrecimentos Considero-te, porora, 
comocavalheiro; naoteexcedas, poispoderiadelefazerusoquenaoseria 
do teu agrado! 

13. N ao te teria mostrado esta arma terrivel se tu nao me tivesses 



Jakob Lorber 

244 

obrigado; urge provar-te nao sereso unico senhordesteterritorio! Acho, 
pois,melhorrecolheresossoldadosporqueseriaforgadoajuntarosmais, 
nao obstante ser hojesabado! Lastimo queminha linguagem teincomo- 
de, assim como nao meagradou atua. Resumo: tu me conhecese vice- 
versa! Fazeoqueachas bom ejustoquefarei omesmolCompreendes?' 

14. Em seguidaochefevira as costas a Cirenius como seforasobe- 
rano e dirige-se com sens colegas a praia, numa atitude de quern esta 
munido de poderes imperials. velho Cirenius, no entanto, acha-se 
num grandeembaraco, sem saber como agir. 

15. D iz M athael: "Ves, meu caro, a protegao ffsica e moral de que 
essejudeu edotado?! Por esta razao esumamentedificil e, a bem dizer, 
infrutiferofazer-seum julgamento, porquantoeles- so Deussabecomo 
- souberam conseguiros privileges maisdevadosesecretos!" 

16. Diz Cirenius: "Como seadmite, M athael, queessahidra huma- 
naobtivesseumdocumentodamaodolmperadorsem minhaautoriza- 
cao?! N este caso, so resta apresentar uma atitude de condescendencia e 
estou curioso por ouvir a opiniao do Senhor!" Responde M athael: "Por 
certotambem nao Seexternara, poissabiacom quern teirias haver. N ao 
pareceterprestadoatengaoacontenda." Diz Cirenius: "Masepreciso 
Lhepedirmosconselho!" Acrescenta M athael: "N ao restaduvida!" 



140. Documento Falsificado 

1. Na praia, porem, diz o chefe dos fariseus aos colegas: 
"Desempenhastesbem vosso papel, poisaaparentereagaocontramim 
foi por vos manifestada no momento em que dei o sinal de silencio! 
Agora, naosabem oquefazer. Seaomenosostresanunciadosnaovies- 
sem; talvez ate tragam o nazareno! N esse caso estariamos perdidos! Por 
isto opino: ao desembarcarmos iremos diretamente para Jerusalem, ja 
queCireniusretirouaguarda.Vamospraiaacima,ateconseguirmosuma 
embarcagao grega, ondeestaremosseguros" 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

245 

2. D izo primeirofariseu: "M ascomo iremosescapardosguardasdo 
povo que se devem ter ocultado por detras dos arbustos?" 

3. Dizo chefe: "E verdade! M as.., quetal, seexigissemosatrevida- 
mente uma escolta de C i ren i us?! N ao nos podera nega- la, a vi sta do per- 
gaminho imperial. Vai efazeisto!" Enquanto urdem estatrama, Cirenius 
e por M im informado, sabendo o quefazer no momento oportuno. 

4. Q uando ofariseu apresentasuaexigencia, o Prefeito diz: "Amigo, 
o tal documento me abalou urn tanto, pois ignorava fosse falsificado. 
Agora, esclarecido quesou, em absoluto atenderei ao pedido deteu che- 
fe. Transmite-lheque mefaca entrega imediata do pergaminho, do con- 
trario, ser-lhe-atirado aforgae, tentando destruf-lo, sera crucificado ain- 
dahoje!" 

5. fariseu securvaeseafasta, trernulodegrandemedo. Q uando 
perto do superior diz, gaguejando: "Estamos perdidos! maldito docu- 
mento- falsificado- coroou nossastraficanciaslEntrega-oimediatamente 
ao Prefeito, senao seras supliciado, pois sabe de tudo!" As asas negras 
reconhecem a seriedadedo momento eo chefeentrega o pergami nho ao 
orador, lastimando: "Toma, com isto perdemoso ultimo baluarte!" 

6. Voltando para junto deC irenius, dizo fariseu: "N obresoberano, 
ei-lo aqui! Somos todos reais criminosos e apdamos para teu coragao 
magnanimo!"Cireniusoanalisaediz:"Queobrabemfeta!Confessaem 
queocasiao conseguiu esta carta-branca?" 

7. D izooutro: "N aoteposso informar, sei quedeotrouxedejerusa- 
lem." Diz Cirenius: "Tens plena certezadisto?' Responde ofariseu: "Cer- 
to, pois no-lo mostrou, esclarecendo-nos do seu conteudo." Prossegue 
Cirenius: "Qual seu comportamento como homem?' Dizo outro: "De- 
sempenhou seu cargo com severidadeedentro do espirito judaico. E sabi- 
do queo confisco derendasnao edetuado demodo complacente ignoro, 
porem, se tenha sido brutal. Possi'vd e ter certas culpas no cartorio que 
nuncardatou. ntem apenassetomou pordemaisexigentenacoletadas 
oferendas, fato para o qual o proprio povo deu maior motivo!" 

8. 1 ndaga Cirenius: "Teriadejafdto usodeste documento?" Res- 
ponde ojudeu: "Atehojenadaarespdto vimos." Dizo Prefeito: "Bern, 



Jakob Lorber 

246 

dizeateu superior quelhedesejo falar para ver o quepossafazer." Rece- 
bendotal recado, dizde:"Nadanosrestasenaoobedecer, poise melhor 
perderalgoquetudo." 



141. A Confissao 

1. Decidido,ochefedosfariseusseencaminhaparajuntodeCirenius 
ediz: "E is urn vencido que, por certo tempo, ousou fazer uso dosdireitos 
dados as criaturas; embora matematico, errd em meuscalculos, conven- 
cendo-medequeosmaioraisnaoadmitem semdhantes. E is porque agora 
desejo ser urn dos menores, tornando-metalvez agradavd aossu peri ores" 

2. DizCirenius: "Farasbem assim. Dize-me, oquetelevou aquda 
atitude, poisteofereci amaoamigaenaoaacdtaste. Qual erateufito?' 

3. Responde o fariseu: "Basta considerares minha posicao devada, 
portadoradehonraepoder.Tal concdtoorgulhosoem breve leva a criatu- 
ra ao erro, que a cega e ensurdece a medida que aumenta seu cabedal de 
pecados N esse crescendo chega-seao ponto culminante- etudo paraliza! 
Eisminhasituagao:contosetentaeoitoanos, enadamaisesperoanaoser 
dedicar-meascoisasdivinas, caso qudrasconservar-mea vida." 

4. DizCirenius: "J unto a cabana encontrarasu'a mesa com paoe 
vinho; sacia-te para ajustarmos nossa causa antes da chegada de nos- 
sosamigos." 

5. Satisfdto egrato o vdho acdta o convite, enquanto Eu M edirijo 
aCirenius: "Agistebem eotestemunhodadodonazarenofoi louvavel; 
todavia seria preci pitado i nformar essas pessoas a M eu respdto. Se pros- 
seguires nesta atitude, talvez seja posslvd conquista-las 

6. Colocard Raphad atuadisposicao; farao quequiseres, cuidado, 
porem, com os milagres. Pda reconstrucao da cidade em brasas nada 
facas, nao obstanteser coisa de i nstantes para o anjo ! Q uero queessa zona 
permanegaem situagao humilde, sendo maistardedadaa M arcusesua 
familia oportunidade para sua reedificagao. Deresto, podera fazer o que 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

247 

pedires, - observando certa precaucao." 

7. DizCirenius: "Senhor, que faras durante esse tempo?" 

8. D igo Eu: "Ficarei perto deti como sefora um estranho. Q uando, 
ao meio-dia, viresaaproximagao dum navio, deves-tedirigir a praia para 
receber osvisitantesem M eu N ome Adverte-os, no sentido denao M e 
denunciarem, o que impediria o bom andamento da questao em curso. 
H ermes deve procurar M eus discipulos, a fim de receber o devido 
ensinamento. DeM inhaparteorientarei Ouran sobreseufuturoG over- 
no. Agora sabes o quefazer." 

9. DizCirenius: "Como saberei se esses cinquentaarquifariseuses- 
tarao aptos paraTe conhecer?' 

10. Digo Eu: "Sabe-lo-asno momenta preciso aposo almoco, que 
hojesera tornado uma hora maistarde Portanto, nao tepreocu pes e faze 
tudo dentro de M inha rdem." Esta orientagao e de muito agrado de 
CireniuseEu coloco Raphael aseu servico;eoanjodiz: "Aqui estou, a 
fim deservira Deus, ati etodasascriaturasdeboavontade. Cuidado 
com tuasordens, que prontamente serao executadas." 

11. Retruca C irenius: "Amigo celeste! Se me movesse unicamente a 
razao, surgiriam apenastolices bom exito na questao farisaica compete 
apen as ao Senhor que medeu o bom entendimento einspirou as palavras 
Sobtaisauspiciospodemosarriscaro prosseguimento; quemedizes?' 

12. Dizo anjo: "Dentro detal compreensao nao epossi'vel pecar. 
Vamos reiniciar a tarefa pelo Poder Divino, em conjunto." Enquanto 
isto, Stahar, o chefe, chega-sea C ireniuseagradeceo conforto recebido. 



142. Stahar Revela Seus Principios de Fe 

1. C irenius, nao aceitando a gratidao manifestada pelo chefe, diz: 
"Unicamente ao Senhor compete todo louvorereconhedmento. Agora, 
como I niciado, esclarecer-me-as o que seja um "anjo" e como desempe- 
nhaseuauxiliojuntoaDeuseascriaturas." 



Jakob Lorber 

248 

2. DizStahar:"Nobresoberano, asumaperguntadificil,mormen- 
teporqueaindanaoficou evidenciadaaexistenciadeanjos. A Escritura 
Ihesfazmencao, sen definir sua natureza. Deacordocom o Talmud se 
devem interpreta-loscomo forcasemanadasdo Ser D ivino em forma de 
jatos de fogo, que se movem numa velocidade incrivel - do Centra de 
Deusemtodasasdirecoes- comoraiossolaresjulgotal definicao acei- 
tavel; secorrespondeaverdade, dificilmenteum mortal opoderapositivar. 

3. Constatambemterem sidovistososanjoscomoadolescentesde 
belezaextraordinaria, servindoaoshomens. E posslvel; masnenhum de 
nosviu coisasemelhanteebem podeser uma interpretagao lirica, pela 
qual setenham personificado as forgas espirituais, atribuindo-lhesessa 
forma. N uncasefez mencao aexistenciadum anjo feminino, certamente 
por nao ser posslvel seimaginarumajovem munidadepoderincomum. 

4. Ves, pois, asmaisvariadasopinioeseem tudo parece haver al go 
de real; a pura verdade nao se pode conceber. Por isso e mel hor deixar-se 
o povo em sua crenga, enquanto nao se possua coisa md hor para su planta- 
la. Eistudo quesei, poisnao iriateensinaroquesedizasmassas" 

5. D iz C irenius: "Q uer dizer: nao cres inteiramente na aparigao real 
dum anjo?' 

6. RespondeStahar: "Demodoalgum, poisnuncativeo prazerde 
vercoisaidenticaem sonho, muito menosnarealidade. Do mesmo modo 
meuscolegasseextemaram por diversas vezes N ao quero por em duvida 
tal hipotese, mas uma coisa ecerta: urn espirito angelical nao se podera 
apresentar sem intermedio da N atureza, assim como o raio de luz nao se 
tornavisivel enquanto nao encontrar urn ponto derefracao. raio solar 
traspassa o eter antesdeati ngi r aTerra; no eter, como elemento reduzido, 
nao se podetornar uma erva; no solo, porem, e-lhe posslvel a transfor- 
magao em tudo que a materia Iheoferece. 

7. Deste modo, sou contra a posslvel aparicao dum espirito, seja 
anjoou demonio, Deusou seu polooposto, em virtudede haver em a 
Natureza das coisas uma ordem imperativa. Nuncavislumbra-senelaso 
surgir de algo sem que Ihe preceda uma base aceitavel, isto e, para se 
conseguir urn efeito, necessario eum intermediario prestavel. U m espiri- 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

249 

to elevado poderasemanifestarapenasem carneeosso; oquepassadai e 
purafantasiaoumentira. 

8. E de lastimar que nos, de ha muito reconhecendo a verdade, 
sejamosobrigadosao papel dedivulgadoreseconservadoresdamentirae 
superstigao. Somos forgados a feigoes beatas, enquanto temos desejo de 
estourarderaivasobretal tolice! Existem, porem, M oyses e os profetas, 
criaturascomtendenciasdominadorasque, deinfcio, tinham deludibri- 
ar o povo com toda sortedefantasmagorias, para quefossem coroados 
soberanoscom direitosdetirania. 

9. Umavezcegaaplebepdosmilagres,bastaquelhedesumaverda- 
deira luz, - e ela te estracalhara qual tigre Assim e melhor se deixe tal 
povo na crenca antiga, refrescando e vivificando-a por falsos milagres, 
porquanto nao e possfvel esclarece-lo. 

10. Tempos houveem queassaltei eatecheguei amatarapessoaque 
seesforcava por cegar ainda maisa H umanidadetola; so aos poucosme 
convencidequetalempreendimentoeraimproficuo,einjustoinvectivar 
contra todos que reforgassem a ceguei ra al hei a. 

11. Demonstrei-tecomsinceridademinhaindoleecompreenderas 
ter sido necessario meu proceder para com o povo. staumaturgos nao 
meimpressionam,apenasnaodevemagircontrapessoasesclarecidascomo 
eu; ao contrario, senosauxiliarem, todos passaremos bem. 

12. N uncase devedeixar perceber quenadademaior somos, esim, 
conservarosoutrosnaopiniaodesermosdonosdesegredosimpenetra- 
veis, queapenas podem ser entendidos por urn sacerdotepleno do Espi- 
rito Divino. E bastantequealgunsreconhegam serem todasasdoutrinas 
concernentesao Ser D ivino velhosmitos, baseadosna fantasia humana." 



143. Raphael e Stahar 

1. D iz C irenius: "Em absolute concordo contigo, poiscreio convic- 
tamenteexistir urn D eusquecriou, tanto o mundo dosespi rites quanta 



Jakob Lorber 

250 

o dossentidos, atraves de Sua Propria Onipotencia. Apenas tera levado 
periodosmuito maislongosqueosmencionadospor M oyses. Entrenos, 
entretanto, ha quern entenda melhoro profetaquetu. 

2. Tambem creio na vida eterna e feliz de todas as criaturas que 
cumprem de boa vontade o M andamento de D eus; creio plenamente na 
individualidade formal dos espiritos e anjos, na real Revdacao Divina 
pdabocadosprofetaseatemesmo na Personal idade do Homem-Deus 
N isto tudo eu acredito, nao apenas porque me fosse relatado, mas de 
conviccao fntima, emesurpreendetuacompldadescrencalQ uediriasse 
teafirmasseser estejovem Undo urn anjo, etepodedar provas patentes 
detal?' 

3. Responde Stahar: "Nobresenhor, apenas isto: alegras-teem ridi- 
cularizar-mediantedosoutros! Essemoco certamente e teu filho elhe 
terasfeitoensinarartesecienciasdesdeinfancia; naoseria, pois, deestra- 
nharquepossuissecertashabilidadespornosjamaissonhadas. Fosse eu 
umtolodefefacil emepoderiasconfundirlTodavia, sabendooquesd, 
nada conseguiras; podes apenas submeter-me a uma prova." 

4. Diz C irenius: "Seesta etua opiniao, faze uma experiencia em 
Nomedo Senhoreveremossetefale averdade" 

5. D iz Stahar: "Bern, neste caso suspendere a triplice coberta de 
M oyses da face do teu anjo e veras o resultado. Vem ca, jovem anjo!" 

6. Raphael seaproxima, indagando: "Descrente, quedesejaisquete 
faga?' RespondeStahar: "Ve, nestemarexisteumagrandequantidadede 
pexes; serias capaz de apanhar urn dos mdhores, ja frito e arrumado 
numatravessa?' N em bem ofariseu formula estepedido, Raphad ocon- 
vida a saborear o pdxedesejado, queapresenta numa baixda. C omplda- 
menteatonito Stahar nao sabequedizer a esta prova extraordinaria. 

7. anjo, entao, con vi da C irenius a experimentar o pdxe, quee 
partido em pedacos. Este se serve e confirma o bom paladar. Stahar o 
acompanha, justifica as palavras do romano e, finalmenteoutroshospe- 
des Ihe seguem o exemplo. Em seguida Stahar se dirige, humilde, a 
Raphael, perguntando: "Es real mente urn anjo do Senhor ou, talvez, urn 
mago da Europa, Africa ou Asia? Teu ato e incompreensi'vd e inedito; 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

251 

existem, porem, prestidigitadores quefacilmente iludem osleigos. Por 
isto, dize-me queries!" 

8. Retruca Raphael: "Deque teadiantariaminharesposta, sequem 
duvidaprecisadeprovas?Argui-meeverasseo quefago podeserfeito 
por um mago." 

9. DizStahar: "Sim,comonao?Seaomenossoubesseoquetepedir, 
poismeu desejo ora realizado etao incomum que dissi pa todas as duvi- 
das. Por tua aparencia atraente pareces antes um anjo que um mago; 
todaviatensum corpo real, o quetorna incertaapresencadum espirito. 
Deixa que te toque!" 

10. anjo opermiteeofariseuconstata sua estruturacompacta. Em 
seguidadadeombrosediz: "H um, essecorpotao perfeito nadacontem de 
espi ritual e, confessando com sinceridade, ateseria possi'vd alguem seapai- 
xonar por ti, sendo isto outro ponto puramente material! A nao ser que 
fosses assisti do- comoojovem Tobias- por um anjo invisi'vd, isto ecaso 
fossesqual Samud um menino mui beato, desdeteu nascimento! 

11. Assim nao sendo, no entanto, poderiastambem ter ligagao ocul- 
ta com Satanaz, o que, por sua vez, nao crdo, em virtudedetua aparen- 
ciamaravilhosaemesmo, paradizeraverdade, pornuncatereu acredita- 
do no anjo do mal. Ja tinha dificuldade numa fe completa em Deus, 
quanta mais na pessoa daquda entidade. 

12. Eisporquesou naturalistaajuizadoenaoacdtoqualqueraparigao 
como espi ritual enquanto mefor possi'vd explica-lodentro da materia. Tua 
agao recentenao permiteexplicagao natural; tambem nunca meoutorgud 
o dirdto de compreender tudo que se apresentasse no vasto campo da 
NaturezaTuaartemilagrosabem podeterbasenatural,conhecidaporti e 
algunsoutros Por certo nao ma revdaras; isto nao importa, porquanto 
muita coisa acontece em a N atureza que em si e milagre, mas que nao 
compreendo. Deveriamosentao, interprda-locomo miraculoso?! 



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144. Experience de Staharcom Magosda India 

1. (Stahar): "Ve, jovem perito na magia, ha unstresanoschegaram 
a cidadealguns orientals- comooschamavam, da India- ondeconsta 
haver montanhas tao elevadas que seus picos quase tocam a Lua. Pode 
ser, poisaqueleshomenstudo exageravam paracausar impressao. 

2. M as isto nao vem ao caso; a questao e que eles - de aparencia 
estranha- pediram permissao para realizar seus milagresdiantedopovo, 
a preco modico. Com ajuda dum interprete Ihes mandei dizer que os 
permitiria nao antes demecertifi car parti cularmente em queconsistiam 
seusatoseseera admissi'vel efetua-losdiantedos ignorantes, apesar deser 
eu amigo detudo quetocaao excepcional. 

3. s magos se deram porsatisfeitos, porquanto Ihesassegurei urn 
bom honorario pelo espetaculo a realizar diante de mim e mais alguns 
colegas interessados. Voltaram ao albergue e, apos uma hora, traziam 
uma quantidadedeapetrechosnunca vistas varas, pedras, metaisestra- 
nhos, redomasdetodososfeitios Perguntei aochefeparaquefim servia 
aquilotudoeelerespondeu: "Realmenteparanada, necessitava apenas 
dealgodeminhapatriaafimdepoderagir."Emseguidaperguntou-me 
o que desejava ver ou saber. 

4. Respondi-lhe: "Bern, se apenas preciso pedir, tuas magias nao irao 
longe" Em seguida perguntei-lheo queestavaeu pensando no momenta, 
enquanto meconcentravaem Romaeem seu Imperador. Pousandoambas 
asmaossobreo peito, externou-me o que eu pensava. Podesfacilmente 
i magi nar que tal coisanao mecausou menosespantoquetuaagao. 

5. Entregando-lhe urn cantaro com agua, disse: "Transforma esta 
aguaem vinho!" Elepassou as maossobreojarroe disse: "Senhor, prova- 
o!" Assim fazendo verifiquei o milagre que me estonteou ainda mais 
D epois apanhou uma vasilha de barro, vazia, e despejou o resto do vi- 
nho, comoafirmava, paraaviagem devoltaapatria. Analisei, maistarde, 
a anfora evi que nem estava umida: apenas exalava urn forte cheiro do 
liquido, observando o mago que preferia leva-lo em estado concentrado, 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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poisfacilmentepoderiaentomarnaviagem. 

6. Indaguei seeracapazdetransformaro cheiro em vinho eele, por 
suavez, perguntou-meea meuscolegas, seaindatinhamosvontadede 
beber. Afirmamosquesim; elepegou navasilha, menorquemeu canta- 
ro, enchendo-aatetransbordar.Tal fatofezcom quenossoscabdosficas- 
sem em peesem saber eu o quedizer. Pusemo-nosatomar o bom vinho, 
e- novo milagre! - o cantaro permaneciacheio! 

7. Percebendo nosso entusiasmo o mago disse: "Ora, senhores, vi- 
nho sem pao nao tern graca! Q ue tal se transformasse essas pedras em 
pao?" Respondi-lhe: "Fa-lo!" Repetindo o gesto sobreas pedras, orde- 
nou-me: "Toma duma faca e corta o pao." Assim fiz e verifiquei que era 
deotimo sabor! Em seguida opinei: "Amigo, seescapazdetaiscoisas, 
desej aria saber paraquefim ainda necessitasdepagamento para tua arte?!" 
Respondeu o mago: "Apenasparaterosustento material em lugaresonde 
nao seja possivd agirmos." 

8. Satisfdto com tal resposta entreguei-lhe duas libras de prata que 
aceitou com gratidao. N ao mefoi possivel permiti r-lhe real izar urn espeta- 
culo comum, em virtudedo grau extraordinariamentedevado, o quepo- 
deria levar o povo a Ihe render homenagem divina, mormenteospagaos 

9. Afirmou deaindasercapazdeoutrosmilagresmaistranscenden- 
tes. Eu ja nada queria ver, pois o sucedido me esquentara a cabega e so 
desejava que partissem. No final indagueseeracapazdemeexplicarum 
deseusfetos. Elenaosenegou diretamente, exigiu apenastantodinhd- 
ro quefiqud tonto e o despedi de bom grado. 

10. M eu jovem, aqudehomem foi tao pouco urn anjo dejehovah 
quanta eu; entretanto, fez o queacabo derdatar. Por que razao deverias 
tu se-lo, pda mesma hipotese?! Preciso equemedesprovasespirituaisde 
tua origem cdeste, do contrario nao teacdtard como anjo, nao obstante 
maioresmilagresqueo comprovado. Penso nao ser posslvd uma pessoa 
sensata me apresentar argumentos convincentes" 



Jakob Lorber 

254 

145. Stahar Relata o Assassinato de Zacharias 

1. D iz Raphael: "Trata-se apenas de saber se falaste a verdade; de 
mi nha parte so te posso afirmar quetu, a fi m de me argui r num sentido 
espiritual, mentistedescabidamente, nao contendo umasilabade verda- 
de em tudo aqui lo que narraste. 

2.Alegasteromagoadivinhadoteu pensamento, - eu agora desco- 
bri que nos pregaste uma boa pega, de sorte que a mentira do suposto 
mago setomou para mim, verdade! 

3. Afirmas ter de transformado agua em vinho; tambem te posso 
provarestaagao. Mandaencherestecantarodeagua!Poisbem,nemsequer 
o toquei, todaviaaaguasetornou o mdhor vinho! Prova-o, seteagrada!" 

4. Stahar assim faz e constata a verdade. Prossegue o anjo: "0 tal 
mago fez desaparecer o vinho num outro vasilhame; ve, nao toco o can- 
taro, mesmoassim naocontem umagotamais!Eleteriafdtoapenasdo 
cheiro novamente vinho; observa este aqui: nem mais chdro tern, no 
entanto, quero que se tome outravezchdo do mdhor vinho!- E is aqui 
a prova! 

5. N ao tenso necessario pao e nao gostasdetomar o vinho puro! 
Teu mago precisou devariaspedrasparatransforma-lasem alimento; 
euempregosomenteminhavontade- eja tens uma quantidadede pao 
na tua frente! Prova, se nao e mdhor que o teu, inventado! A seguir 
pagasteateu mago honorariosdeduaslibrasdeprata, falsa; eucrio do 
eterduzentas I i bras deprata verdade ra, como pagamento a tua menti- 
ra. Estassatisfdto?" 

6. s olhos de Stahar quase saltam das orbitas e de diz, apos certo 
tempo: "Isto naosepodedarcom forgas naturais! culta-se aqui aoni- 
potenteVontadedeDeusetu es, ou urn anjo person if icado, ou urn dos 
maiores profetas, como Samud ou Elias! Sim, agora crdo quetenhas 
vindo, como mensagdro do Ceu, para junto de nos, pobres criaturas 
pecadoras, afim denosreconduzir ao caminho do Bern! 

7. M inhahistoriademagosfoi, realmente, inventada- todaviadentro 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

255 

dos moldes pdos quais me fora relatada. Contei-a para te experimental-, 
constatandoquevislumbrasointimodacriaturaealcangasoinconcebivel, 
apenas pela vontade Assim creio sejas urn anjo de D eus, o que me alegra, 
pois, tiveaprovadaquilo queospatriarcasviram devezem quando!" 

8. D iz o anjo: "Esta nao e a primeira prova que recebes: ha trinta 
anos passaste por uma identica, no Templo, tendo sido, em seguida o 
Sumo Sacerdote abatido por tuas proprias maos, entre o Altar e o 
Santissimo!Porquenaodestecreclitoaqudemilagrevis(vd eporquete 
tornasteateimplacavd para com de?' 

9. D iz Stahar: "Q uerido e poderoso mensageiro do Senhor, nao me 
lembres uma epoca em que vi a Luz do mundo apenas por u'a maldicao, 
e urn ato do qual profundamente me arrependi mil vezes! A indole e o 
conned mento que possuianaqudetempo, nao permitiam outraatitude 

lO.Tomara-me, secretamente, erudito na f i losof ia grega esabia por- 
quemefizerahomem. PreferiaPlaton, Socrates e A ristotdesaos prof etas 
obscurosemisticos, que, atehoje, jamais entenderei, porquanto nao sao 
interpreted s; mormenteosCanticosdeSalomon seassemelham antesa 
obra dum louco que dum sabio. Por isso sentia ojeriza por tudo que 
estivesse no menor desacordo com a pura razao de Euclides, por cujas 
obras, decerto modo, tomara-me professor dearitmetica. 

11. Amigo poderoso e celeste, se alguem me diz: dois e dois sao 
quatroequeodiacontem luz,anoite,trevas,- terafaladoapuraverdade 
e abraca-lo-ei como amigo. Vindo uma pessoa afirmar com teimosia, 
que dois e dois sao cinco, que o dia e treva e a noite, luz, nao vaci lo em 
abater esse idiota, pois, o assassino espiritual epior quetodo ladrao, assal- 
tanteecriminoso!TaleraasituagaonoTemplo!Comegou-seaafirmaro 
maisabsurdo- eimpunham-secastigosaquelequeseatrevesseacontes- 
tarum axiomadesabedoriaobtusa. 

12. mencionado Sumo Sacerdote era urn verdadeiro adepto de 
Salomon econsiderava rigorosamenteo maismistico saber; atecomegou a 
dirigirovacoesauma luz rad i osa, prestes a vi r ao mundo. Eladeveriailumi- 
nar as trevas da noite de forma tao poderosa que ate os mais profundos 
abismossob aTerra resplandeceriam maisfortementequeo Sol a pino. 



Jakob Lorber 

256 

dia do mundo, porem, tornar-se-ia noite trevosa, sendo a escuridao tao 
intensaqueaniquilariahomenseanimaisA luz da noite, todavia, ja teria 
chegadoeiluminavaastrevasnoturnas,desortequeatemesmooscegosde 
nascenga se tomavam videntes como os do dia mais radioso! 

13. Tal af i rmati va representa o comego que, desdeo Al pha ao mega, 
apenaseinvendonice, porquanto nessestrintaanosnaovi outraluzno- 
turna a nao ser a da Lua chda - excluindo o prolongamento da ilumina- 
gao de ontem que muito bem podia ter sido evitada, considerando-se a 
desgragaqueprovocou. N inguem podia indagar a Zachariaso sentido de 
suas palavras, - entretanto exigia fe integral. 

14. T e-lo-ia eu suportado em N omedejehovah, pois um acrescimo 
detolicenao prejudica, poraindasepoderpensardentrodaverdade. Eis 
quecomegou por afirmar o seguinte: Ossete(7) setornam um (1), os 
sdscentosesessentaesds(666) serao cento eonze(lll), esetecentose 
setentaesete(777) eum mdo (1/2) eum tergo (1/3) eum quarto (1/4). 
Quern souber calcular, queofagademododiferente, poiso antigo sera 
julgadoecondenado! 

15. Tal absurdo atirou-me e a varios alunos de Euclides na maior 
preocupagao, pavor e ira; conspiramos contra o Sacerdote, pondo um 
fim a estulticia insultuosa atraves de algumas pedradas bem dirigidas! 
Todavia, nao lucramosmuito com isto, porquanto ossucessoresdo assas- 
sinado eram cem vezes piores N ossa permanencia noTempIo com isto 
tornou-se insustentavd; resolvi fazer papd de hipocrita, o que resultou 
em minhatransferenciaparacacom todososdirdtosdesumo sacerdote. 
Aqui nao meprivd decoisa alguma, fazendo-mepassar por severo, en- 
quanto no i nti mo nada me preocupava. Agora sabes do moti vo que nos 
levou a matar Zacharias. Q ue medizes?' 



146. Raphael ExplicaasProfeciasM essianicas 

1. D iz Raphad: "0 ra, o sentido de suas palavras era apenasespiritu- 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

257 

al, referindo-seaVindaao mundo do M essias, naquela epoca, do Qual 
todos os profetas, ate mesmo Adam e H enoch, testemunharam como, 
tambem, contou entusiasticamente Kenan. 

2. Chegou o tempo em que todas as profecias se cumpriram. 
Zachariaspredissecomo ultimo profeta, em sentido espi ritual, a Chega- 
dareal do Prometido, - evosoassassinastespor isso, selando novamente 
urn pacto fiel com o inferno, que, fora iniciado por Cain, na luta contra 
o devoto Abel, em detrimento da H umanidadecega, tola e ma. 

3. N ao sedeve reputar em demasia a cegueira humana quando co- 
mete todasortedeatrocidades; portanto, tambem nao devesserjulgado 
pelamortedeZacharias, eisto portehaveresarrependido sinceramente, 
o que sera levado em conta. A questao e saber o quetu eteuscinquenta 
colegas farieis na Presenga do M essias que ha trinta anos vive e doutri na 
entrejudeus! Render-Lhe-ieisadevida honra, reconhecendo-0 em vos- 
sos coragoes?" 

4. RespondeStahar: "Poderoso amigo, eisoutra pergunta cuja res- 
posta levaria alguem a quebrar a cabega. Q uem vem a ser tal M essias tao 
misticamente prometido? nde esta? Q ue deseja e ensina? Antes desta 
informacao nao epossivel seresponderdefinitivamente" 

5. Diz Raphael : "EleeAquilo que David cantou: Levantai, 6 portas, 
vossas cabegas; levantai-vos, 6 entradasetemas, para queentreo Rei da 
Gloria! Quern eesteRei da Gloria? E Jehovah Zebaoth!(Salmo 24, 9- 
10). Eis o testemunho que da do M essias, ora Pessoalmente na Terra 
como Santo, Santo, SantolCom istotensaexplicagaoquepedisteesabes 
o que pensar do M essias; portanto teexijo resposta decisiva." 

6. Diz Stahar: "Assim sendo - o que em absoluto quero por em 
duvidaemminhaesferasubjetiva- pergunto:QuefaremoscomMoyses, 
o qual categoricamenteafirmou: N inguem podever Jehovah epermane- 
cer com vida!? Alem disto lemos em seu Livro proibicao formal, por 
partedejehovah, ondeninguem deveriaimagina-Loem figura, por mais 
elevada que fosse. Tu, porem, alegasqueo M essias, deacordo com Da- 
vid, caminha como homem entrenos Como agir, portanto?! E preciso 
queserenegue, ou M oyses, ou o M essias, poise inadmissi'vel queo pro- 



Jakob Lorber 

258 

feta e D avid tenham razao." 

7. Diz Raphael: "Nenhum deles sera renegado, porquanto revelam 
ascriaturasajustica, o Bern e a Verdade. Jehovah nao proibiu a M oysesa 
divulgacao deSuaFuturaVindacomo H omem entreoshomens; apenas 
proibiu sefizesseDeleumafiguraesculpidacomofizeram ao bezerrode 
ouro. Assim Jehovah, tambem, falou a M oyses que pessoa alguma 
poderia ver como Deus ou Espirito e continuar vivo; entretanto acres- 
centou: Cobrir-te-ei com M inhaM ao, atequeEu hajapassado; ehaven- 
do tirado M inha M ao, ver-M e-aspelascostas, poisM inha Face nao po- 
deras ver. - Q ual o sentido disto? Ve, as costas de Jehovah, vistas por 
M oyses, representam o F isico H umano de D eus, com o Q ual Se apre- 
sentaria, no futuro, aos homens, sendo Ele Proprio o H omem Perfeito! 
Como, pois, renegar M oyses, quando seaceitao testemunho de David? 

8. Hatrintaanospusestesdelado avelhaArcadaUniao, porque 
delahaviadesaparecidoacolunadefogoeanuvem defumaca, repondo- 
a por uma nova, inteiramente material. Istoeum testemunho- embora 
nao o entendais - para esta epoca, significando quejehovah agora nao 
maispaira apenas como Espirito Elevado sobre a materia, como o fizera 
sobreasaguasdanoite, massim, queEleProprioabandonou tal posicao, 
pela qual dificilmente Sedava a conhecer aosfilhos, como C riador e Pai, 
atravesdo profeta iluminado. 

9. N ao percebes ser isto uma nova Area da nova U niao, da qual a 
recenteemortanoTemploebem umsimbolosugestivoTO Espirito de 
Jehovah queoutrorapairavasobreavelhaArca,foi porElePropriodepo- 
sitado hatrintaanosno Homem-Deus, queagoraSeachanomundo, 
ensinando ascriaturasareconhece-Lo! Seestaearealidade, acaso ainda 
poderas afirmar ser preciso renegar M oyses ou D avid, para aceita-la? 

10. Alem disto consta: "Em tal epoca os Ceus estarao abertos e os 
anjosdescerao parajunto dascriaturasdeboa vontade, testemunhando- 
IhesoVerbo EternoqueSetornou carne, isto e: DeusM esmo!- Tal seda 
neste momento diante de teus ol hos e ouvidos. C omo podes prossegui r 
nas indagacoes?! Acaso ainda mejulgas humano?" 

11. D iz Stahar, pensativo: "H urn, sinto algo de extraordinario e de 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

259 

cada pal avra tua respl andece a verdade. E stou converti do; trata-se agora de 
persuadir meuscolegaseacharmoso Grande M essias, a fim deouvi-Lo!" 
12. Diz Raphael: "Falacom teusirmaos, paraquetambem possam 
crer esetornarem felizes; depoissabereisondevosedado ver eouvir o 
mais Santo dos santos!" Prontamente Stahar se encaminha para junto 
dos outros, ainda descrentes 



147. Stahar Converte SeusColegas 

1. C omo o grupo dosjudeusseachedisperso a beira-mar eno patio, 
Stahar convocatodosapraiaelhesdiz: "Amigos, percebestescomoaque- 
lejovemfaloueagiu?' 

2. Dizem oscolegas: "Algumacoisa, poisnospareciasetratardum 
ardil engendrado pelo Prefeito, a fim denosfazercairem suasteias! Por 
isto nosafastamos. Japerdemostudo e, alem do mais, acidadecontinua 
ardendo! Q uefaremos? s romanos sabem da consideragao queo povo 
nosdedica, - eo Vice-rei C irenius, quetem a sua disposigao as riquezas 
detrescontinentes, tudo pode! Fornece-nosquantidadedeouro eprata 
etambem nostomaremosmi lagrosos, talvez nao do mesmo quilatedesse 
jovem, - contudo faremosmilagres!" 

3. Diz Stahar: "Soisdoidosassim falando, poisnem sabesdiferenci- 
arentreum milagreverdadero eum falso! Eu mesmo usei detodosos 
argumentos plausives e tive de me render quando o jovem comegou a 
descobrirmeuspensamentosmaisocultos So entao reconheci meugrande 
erro, o que me levou a vostransmitir o que vi eouvi. 

4.0 jovem eincontestavdmenteumanjodeDeusetestemunhade 
que o M essias Prometido ja Se acha no mundo, fazendo ver os cegos, 
ouvirossurdos,sendoatepossi'vd queO possamosverefalaraqui. Acre- 
dito em tudo evosfardso mesmo! N ao sou urn que, fadlmente, acdtae 
ere em algo antes de se ter convencido de sua veracidade; uma vez, po- 
rem, chegado a esse ponto, minha convicgao se torna uma rocha que 



Jakob Lorber 

260 

ninguem poderaabalarlSetalfatosedoicomigo, mepodeisdarcredito 
sen vacilar, pois nao sois capazes de apresentar maiores duvidas nesse 
caso como o fiz!" 

5. D izem osoutros: "Estatudo bem; trata-se, no entanto, desaber o 
quedevemoscrer!" 

6. Responde Stahar: "Acaso sois surdos? N ao vos disse ser tal jovem 
em verdadeum anjodeDeus, queo M essiasjachegou equeem breveO 
poderemos ver e ouvir?! Apenas isto vos compete aceitar." 

7. D izem oscolegas: "M uito bem, nestecaso nao podemoster duvi- 
das; convem, entretanto, considerarserem osmelhoresnadadoresospri- 
meirosaseafogar,osmaisdestemidosalpinistasaseprecipitarnoabismo 
- eostaisfirmesnafe, finalmente, maisrapidoscaem em cepticismo! 

8. Sabemos que nunca foste de crenca fad I, - mas, urn pouco de 
precaucao nao prejudica. A propria Escritura nos conta fatos em que 
algunsprofetasmiraculosossetornaram criaturas fracas no fim davida. 
A consequenciademonstrou aorigem daquelesinspirados, o queno caso 
presentedeveser considerado." 

9. Replica Stahar: "Assumo plenaresponsabilidade Sei, perfeitamente 
nao ser possivel enfrentarmos o Templo com tal conviccao e convem 
protegermo-nos nesse sentido. Extemamentecontinuaremososmesmos 
e pagaremos o devido tribute Em nosso intimo, todavia, deve-se dar 
grande modificacao, pois, com o tempo, o povo tambem sera melhor 
orientado. Seconcordais, poder-nos-emosdirigir parajunto do Prefeito 
edo anjo, ondereceberemos maiores esclarecimentos." 

10. Comotodosconsintam, ogruposedirigeaCirenius, eStahar 
Ihe diz: "Aqui estamos a teu dispor; faremos o que for de tua vontade 
Q ueira o mensageiro poderoso de D eus reforcar estes meus irmaos em 
suafeeemtudoaquiloqueeu proprio tivedificuldadedecrer." 

11. D izC irenius: "Ves, nao serem osromanostao implacaveisjuizes 
como julgavas; apenas queremos urn direito integral e a verdade plena. 
Quern satisfizertal exigencia,tornar-se-a nosso amigo, recebendoacida- 
dania romana - e nao pode haver outra justica para ele que nao essa. 
primeiro beneficio quevosconcedo eum certificado decidadao romano. 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

261 

Incluindo o chefe, sois cinquenta ao todo ecada um tera sua certidao 
individual. Veremos, depois, que mais sepodera fazer por vos." 

12. Em seguidaCireniusmandatrazer osrolosdepergaminho. 
Stahar, entao, indaga: "N obreamigo, certamentesera precise citarmos 
nossosnomes?" 

13. Apontando para Raphael, dizC irenius: "Eismeu secretario ultra- 
rapidoljasabeoquelhecompeteetambemvosconhece. Preenchera os 
documentosavossavista."NestesentidoCireniussedirigeaoanjo.Celere, 
esteseaproximadarnesaondeespalhaospergaminhos,tornadumapena 
cheiadetinta, passa-avelozmentesobre os papirosedizaC irenius: "Aqui 
tens, amigo, osdocumentosem romano, grego ehebraico; distribui-os 
aosinteressados!" 

14. C irenius assim faz e os fariseus se sentem tornados de pavor, 
reconhecendo tremulos, estarem na proximidadede Deus Comovidos 
agradecem a C irenius, sem, contudo, encorajarem-sea fazer perguntas. 



148. Hebram Discursa Acerca da "Nova Luz" 

1. Este fato e observado pelos outros fariseus, entre eles H ebram e 
Risa, alegres pelo sucesso deC irenius na conversao daquelesteimosos 
Aproximando-sede Stahar, H ebram tomadapalavra: "Aqui somostrinta 
enviados peloTempIo na conquista de pagaos. M au negocio esse, por- 
quanto os gentios possuem cultura muito mais adiantada que a nossa; 
competia-nos, entao, fazer ignorantesaosinteligentesepo-lossob o do- 
minio da agua maldita! N osso coragao compreensivel nosfez reconhecer 
a impossibilidadedetal empreendimento, o queresultou em nostornar- 
mosromanos, enosso testemunho contra oTempIo servi radeprova para 
muitos. Alem disto recebemosaqui comprovanteenormeesantificado. 
Projeta uma claridade mais intensa que mil sois, e uma Luz de Eternida- 
de,queja antes da Criagaodosmundosiluminouosanjoscomochamas 
vivas da C hama Eterna em D eus, o Amor. 



Jakob Lorber 

262 

2. Essa Luz Primaria detoda Luz, Esse Eterno Amor aqui encontra- 
mos; vos, tambem, A achastes, em parte, e ainda mais vos integrareis 
N ela! Sentimos uma alegria imensa por tal fato, embora voscustea anti- 
gaexistenciadeconforto. 

3. fogotudodestroi, igualandovossasituacaoanossa. Semprefoi 
a Vontade de D eus que: se as criaturas realmente desejam D de se ache- 
gar, alimentando a vontadefirme que o Pai Ihesprovejaemtudo, - de- 
vem, pelograndeamoreaconfiancainabalavel noTodo-Poderoso, afas- 
tar-se inteiramentedo mundo e perder tudo que nele Ihesseja caro; so 
entao Deus, o SenhorePai, prontifica-Seem aceita-lascomoabandona- 
das a desprezadas, cuidando-asdetal forma que por todaEternidadese 
saciarao. Umavezsustentadaspor Deus, verificarao quao pessimamente 
o mundo as saciara. 

4. Dequeadiantamaohomemtodososbensterrenos, osquaisnao 
poderalevarquandodaqui parti r?OstesourosdeD eus, espi ritual mente 
porElecriadosembeneficiodealmaeespirito, levaremosaoAlem, onde 
setornarao alimento, morada, vestimenta evida perfeita eeterna, cheia 
de luz ede maxima ventura! 

5. Eisporquenaodeveislastimarasperdasontem sofridas, poiso 
SenhorjavossupriuantesdeO terdesconhecido. Deveisofertar-Lhetal 
sacrificio por amor Dele, quevosrecompensara mil vezesem Espirito o 
que perdestes materialmente" 

6. D iz Stahar: "Agradeco-te em nome de todos meus colegas e ir- 
maos por este consolo oportuno! Ve la em cima da mesa o montao de 
prata pura queo anjo produziu do eter. Seu valor ja seria suficientepara 
nossa indenizagao; mastanto eu quanto meusamigos, pouca importan- 
cia Ihedamos, poisnunca maisseremosaquilo quefomos, em virtude 
dos pianos do sabio Prefeito. Este, por certo, nao nos deixara morrer de 
fome, - o resto nao nosinteressa. Essa pepitade prata deduzentaslibras 
entregaremosao hospedeiro M arcus, em pagamento dadespesajahavida 
efutura. 

7. Desejamosapenasapurarumacoisa:seo Prometido MessiasSe 
acha nestasparagens! Ve-Lo etalvez ouvir uma Palavra Sua seria a maior 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

263 

felicidadeimaginavel! Falando entrenos: temosuma pequenasuposicao 
a respeito de alguem que dizem fazer coisas incriveis, mas admissi'veis 
apostermosvisto osatosdo anjo. 

8. Parece-nos ser tal homem - de certo modo Deus M esmo em 
forma humana - o falado nazareno Jesus, do qual se divulgam feitos 
miraculosos, feitos que nosconfundem desdequando sepedia informa- 
coesaseu respeito. proprio Prefeito mefezuma perguntaembaracosa 
quemeesquentouacabecalAssim, presumo ser tal Jesus, infalivelmente, 
o pelo anjo confirmado M essias; talvez ateaqui Seencontresem, entre- 
tanto, fazer- Se conhecer, ate que nos tornemos mais meritosos de Sua 
Presenca! D igo-vosabertamente: setal fato for real daremosascostasao 
Templo eseu futil Santissimo, aderindo ao M essias com todasasfibras 
denossa alma. Qual vossaopiniao?" 

9. Dizem osoutros: "A mesma; seguiremosteu exemplo, poisco- 
nhecemosanaturezadosinedrio, cujas paredes nao maiscontem salva- 
cao, pdapredominanciaali doorgulho, dominio, ira, vinganga, mentira, 
intern peranca etoda sortededepravagao moral. 

10. Durante teu discursorefletimosacercadoassuntoedecidimos 
renegaroTempIo, porquanto naoaceitamostaofacilmentealgodenovo. 
Integrando-nos da plena verdade, nao podemos deixar de aceita-la, - 
poisveiodosCeus- mormentenumaepocaemqueascircunstanciase 
o regimen romano nossaotaofavoraveis. Ansiamosporvero M essias de 
N azareth! N ao sera aquele de roupa avermelhada e manto azul, cujos 
cabelossaoosmaislindosqueseviram?!" 

11. DizStahar: "Sim, talvez ten haisrazao, poistambem ja observe 
quetanto o anjo quanta Cireni us, em todas as atitudes a tomar, reque- 
rem suaaquiescencialOutrostambem Iherendem homenagem discreta, 
quenao mepassou despercebida. Senaofor urn principedeRoma, apos- 
to ser o Proprio Messi as!" 

12. Dizem osoutros "Com taiscabeloslourosnao podeser roma- 
no. Q uenospoderiasucederselheindagassemosdiretamente?' D izStahar: 
"Vamo-nosdirigir primeiro ao anjo ou ao Prefeito, poisagora possuimos 
tal privilegio como suditosromanos." 



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149. A Responsabilidadedo Homem 

1. EmseguidatodossedirigemcalmamenteparajuntodeCirenius 
e indagam como agir. Diz de: "Convem esperardes mais um pouco e 
Delevosaproximardesem vos50 coracao, o queO atraira, podendo Ele 
Proprio vos dizer Q uem e e o que vos compete fazer. D e antemao vos 
asseguro queestais na pista certa, pois pudestesdeduzir queo H omem- 
Deusaqui Seencontra, pelanossa propria permanencia. Umassuntode 
somenos importancia nao nos haveria de prender neste local. 

2. Ele, portanto, estaaqui; mas, se Dele vos achegardesintimamente 
com afirmeresolucao devosdespirdesdetodososantigoshabitosepeca- 
dos, Elevosprocuraraem breve, afim devosfixarasatitudesfuturas E 
Aquelequesupunheissero M essias, - eaoobserva-Lo, pensai: Eisjehovah 
em Pessoa, H omem entreos homens! E o criador detudo queexiste! 

3. Afirmo-vos, EleeaCausa Eternadetodo Ser eVida! N a inconcebi- 
vd nipotenciadeSuaVontaderepousao Infinito; todoo poderdosanjos 
e apenas um suave halite de Sua Boca e D elesurgetoda a Luz! Em suma: 
refleti serrealmenteoMesmoquedeu noSinai,aMoyses,asLeisparao 
povo de Israel; esse povo esqueceu erecaiu em todososvicios! Eispor 
que veio afim dereergue-lo, libertando-odetodososmalesdaalma. 

4. Portal motivo, demonstrapelavesteavermelhadao quanta ainda 
ama a Seu povo! Pdo vasto manto azul, quetambem veio para junto dos 
pagaos, afim de torna-los Seus f i Ihos Seu manto abrangeo mundo in- 
teiro, doqual nostambem fazemos parte. Refleti sobreminhaspalavrase 
em brevetereisaprovadequeaverdadefoi dita." 

5. Stahar e seus colegas agradecem tal orientagao inesperada por 
partedeCireniuseseretiram, respeitosos Chegandonovamenteabeira- 
mar, o chefe se dirige aos outros: "Estranho, durante a explanagao de 
C ireni us quanta ao M essias senti-meextremamenteconfortadolApode- 
rou-se de mim um sentimento de amparo como se daqui por diante 
nada nos pudesse faltar no mundo. Ao mesmo tempo abate-mereceio 
esquisito e pavor do Senhor nipotente, pois nao e possivd duvidar de 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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Sualntegridade. U ma palestra com Elenosproporcionaraumasensagao 
toda especial, - enossa lingua tao agil, por certo, quedara muda!" 

6. D izum outro, maiscorajoso: "Falastebem; sou, alias, daseguinte 
opiniao: N ao temos culpa das circunstaYiciasque nos formaramtal qual 
somos Filhosdepobrescamponeses, teriamossidocomo nossosgenitores; 
Deus, porem, quisquefossemosdescendentesdejudeusricoseconcei- 
tuados, que nos fizeram educar e consagrar ao Templo. Certamente a 
Vontadedo Alto assim o quis. Cabe-nos culpa se infringimos as Leis; 
entretanto, fomos levados a tais acoes devido a tendencias herdadas de 
nossospais. 

7. Seo M essias, portanto, aqui viesse, falar-Lhe-ia sem susto; pois 
nao posso ser menosquesou, nem Elemaisqueedesdetoda Eternidade. 
Dize-mesinceramente: E aarvoreculpadaseatempestadeaatiradeum 
lado para outro? u poderia o mar acusar os ventos poderosos, se revol- 
vessem seu espelho placido, obrigando uma vaga a enterrar outra como 
urn animal selvagem? 

8. Naopossuimosonipotenciaedependemosdetodasorte defor- 
ces que agem ocultamente. D e que te adianta a firme vontade de nao 
cair, seumaponte, quedevesatravessarapodreceu sem tu o saberes, ruin- 
do no momenta em queapisas?Quevem aseravida, quaisseriam os 
alicercescapazesdesuportarparasempreum edificio?! Quern conheceas 
bases do pensamento e do desejo?A vidase forma atravesdum ato ani- 
mal, isento, muitasvezes, deum pensamento qualquer! irracional, tao 
pouco quanta o homem, possui urn vislumbredeconsdencia do orga- 
nismo queegerado pelo ato carnal; a partedesua materia etao artistica- 
mente constituida que urn sabio levaria mil anos para estudar suas parti- 
culas isoladas e suas ligacoes basicas, apenas superfluamente. Com isto 
teriaapenaso maquinismo diantedesi; onde, porem, o principio vital, 
como agedentro desseengenho ecomo usa suas inumeras particulas? 

9. Sabemosdenossaexistencia, denosso pensarequerer, alem disto 
registramos as maisvariadas tendencias eimpetos; dequemaneirasur- 
gem, quern os desperta e para onde seguem, uma vez satisfeitos?Tais 
reflexoessao logicasedesculpam, no minimo, tresquartas partes de nos- 



Jakob Lorber 

266 

sa existencia diante de qualquer entidade elevada; assim, nao temo nem 
espirito, nem Dais! Nuncapratiquei maldadealguma; apenas no terre- 
no sexual sempre constatei a insatisfagao do desejo, despertado por u'a 
moga sensual, - e disto minha natureza e unica responsavel, pois nao 
depositei em mim essa tendencia carnal. Quern despertou dentro do 
homem o sentimento do amor insatisfeito?Q uem me despertou fomee 
sede?Tudo isto sao forgas poderosas, as quais nao podemos impor uma 
lei positiva. 

10. E-nos apenas possivel renunciaratecerto ponto! Assim sendo, 
quais seriam a razao eo conhecimento capazesdemecondenar, em vir- 
tudedeminha posigao eatitudes?U m ser humano igual a mim nao teria 
esta competencia, - muito menos urn elevadissimo e divino! Por que, 
entao, o pavor futil de D eus?" 

11. DizStahar: "Consta, todavia, queo homem devateme-Lo por 
ser nipotente e o homem fraco, incapaz, portanto, de se antepor ao 
Poder Divino." 

12. Dizoorador: "Muito certo. Isto, porem, eaplicavel apenas ao 
homem moral,- nao acriatura Integra em todasasfuncoesequilibradas! 
Essemesmo terror deD eus e, melhordizendo, urn sentimento de amor 
dado ao homem moral como meio deconduta, considerando seu livre 
arbitrio, qual amor filial. SeriaDeuscapazdecriarumalei pelaqual te 
proibissea respiragao, o pulsar, o crescimento decabeloseunhas, o olfa- 
to, o sabor, a sensacao dedor ealegria?! ndeestaria a medida pela qual 
seafirmasseseguramenteter o homem alcancado urn ponto de vista po- 
ativoem todasasdiregoesdepensamentos, desejoseatitudes- em sua 
absoluta liberdademoral?! 

13. Q uem conhece a ligagao entre a vida da N atureza com a do 
espirito, edequemodo conseguesemovimentar independentemente?! 
Ve-sequeo homem e, decerto modo, livre- poispodeusarseussentidos 
nasmaisvariadasagoes, - fa-lo, contudo, dentro dumanecessidadepro- 
vinda da restrigao em a N atureza. A questao e saber onde se baseia o 
ponto de vista moral, considerando-se a necessaria vida da materia e a 
i ndependencia do ser espiritual. Enquantonaoforlocalizado, impossi'vel 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

267 



sefalarem pecadoevirtude." 



150. Floran Fala Acerca de Deus 

1. D iz Stahar: "Amigo, sei que es um grande sabio do mundo e 
dificil eargumentar-secontigo. Contudo, naoepossivel quetepassas- 
sem despercebidos os atos extraordinarios do anjo. Te-los-ia praticado 
em beneficiodenossavida natural ou daespiritual?" 

2. Respondeo orador: "Foram observadospor nosenao peloshabi- 
tantesdejerusalem! Nessecaso tambem nao acreditarao quando infor- 
mados, o que nos impede decondena-los Esclarece-meondeseiniciao 
ponto moral, excluindo a capacidade visual dacriatura!" 

3. D iz Stahar: "Amigo, vejo ser dificil concordarmos, sendo preciso 
queteesclaregasporum espirito iluminado. Eisquevem oanjo; deves 
Ihefalar eestarei curioso por ouvir vossa controversial 

4. Dizooutro, com amesmacalma: "M eu caro, elenao meinteres- 
sa mais que tu e falar-lhe-ei da mesma forma; e um espirito feliz e se 
regozijadamaxima perfeigao, enquanto rastejamosqual vermesno po da 
nulidade, sobreo solo duro esujo da Terra! Existeapenasuma verdade 
quetanto toca um anjo quanto o maisrelesandarilho." 

5. M al termina estas palavras, chega o anjo, quediz: "Floran, entao 
nao me tern es?' 

6. Responde o orador: "Sesabeso meu nome, tambem saberasos 
motivosquemeimpedem de temer a D eus, tao poucoati, mesmo se 
praticassesumaquantidadedemilagresassombrosos. Possodeigual modo 
imaginarcoisasextraordinarias, sem contudo poderrealiza-las; nestecaso 
teusfeitosnao maismeimpressionariam. Satisfago-mecomo espectador! 
D everia, por acaso, entristecer-mepor nao poder brilhar como o Sol, ou 
naoteracapacidadedevoarqual passaro?!Estousatisfeitocomoquesei, 
sou eposso, - alem disto, nada preciso! M inha individualidadeeuma 
dadivadeDeuspelaqual Lhesougrato;nadamaisnecesatoenaoinvejo 



Jakob Lorber 

268 

quern mai ores bens possua. 

7. Dever-te-iatemerpor seres infinitamentemaispoderoso que eu? 
Em absolute! Se fosses mais ignorante nao terias poder; se brutal, poder- 
te-iaenfrentar pelo raciocinio, tao bem quanta a umatempestade. Como 
teu podereequilibrado pelasabedoriasinto-meseguro: nao meaplicaras 
maleficio, pelarazao detambem eu nao poder faze-lo. Caso mequisesses 
pregar uma peca nao mezangaria, tao pouco teria motivo para louvar teu 
saber. Deus, todavia, einfinitamentemaisSabioePoderosoquetu, por 
issoaindamenosO temoqueati." 

8. Dizoanjo: "N aosabes que Eletepodera aniquilar para sempre 
ou te impor uma pena maxima e eterna se nao considerares Sua Lei?! 
N ao teriasqueteme-Lo em taiscircunstancias?" 

9. Responde Floran: "Embora nao queira contestar tua sabedoria 
devo confessar que tua pergunta nao contem valor celestial. D uvidar de 
que D eus, o Ser Supremo, possa-meaniquilar, seria tolice maior do que 
tua lembranca sobreminha nulidadesubjetiva eobjetiva. Q uediferenca 
fara tornando-me eu novamente urn "nada"?! nada - nada e, nada 
necesataeporcoisaalgumatem desepreocupar. Porisso, vamosaeterna 
destruicao deminha nulidade, eeu teasseguro deantemao que, como 
tal, jamais te acusarei em juizo. Se fosse urn prazer para D eus, o Ser de 
maxima Sabedoria, martirizar-meepunir etemamente- Sua Sabedoria 
seria nula, poistal desejo nem seencontraria num tirano. 

10. A H istaria nao nosfala dum despota sabio; equepoderieis, tu e 
Deus, responder-me, provando eu quesoissumamentetolos?!Tal, po- 
rem, ninguem podera afirmar da D ivindadese lancou urn olhar a cons- 
trugao sabia de todos os seres! E is por que D eus e elevadamente Sabio e 
Bom. M unido dessas qualidades perfeitas, impossivel terElecriadoum 
ente, sequer, para o suplicio eterno. Coisa bem diferente e quando se 
tratadapurificagaodumacriaturaportodasortedeexperienciasamargas 
edolorosas, aqui ou no Alem, pois, o homem eumaObradeDeusese 
deveaperfeicoar dentro deSuaO rdem Sabia ate mesmo na esfera moral, 
afimdesetomaraquiloaquefoi destinado pelo Criador. 

11. Tais fases curtas de melhoria sao permitidas e nao criadas pela 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

269 

Onipotencia Divina, como castigo ao homem dum erro cometido, 
reconduzindo-o a plena consciencia da Ordem efacilitando-lhe, com 
isto, o desenvolvimento propria Jamais poderiasconsiderar as medidas 
de precaucao puramente divinas como castigo tiranico, pois traduzem 
apenas o Amor e a M axima Benevolencia. Assim, nao poderas acusar 
Deus de modo tao injusto, ou apresenta-Lo como despota. Por mim 
posso somenteama-Lo acimadetodasascoisaseadora-Lo como o Ser 
mais Santo eSabio; teme-Lo, - jamais!" 

12. Sorrindo, o anjo bate nos ombros de Floran e diz: "Como te 
saiste bem ! N ao creiasquedesejediscutir contigo, tens razao tanto quan- 
ta eu. Apenas te quis dar oportunidade - atraves de minhas perguntas 
dubias - de externares teus conceitos diante de todos, de modo mais 
honesto queateentao, etedigo: estasapto parafalar ao Senhor! Vem, eu 
mesmotelevarei parajunto Dele!" 

13. Diz Floran: "Entao realizou-se em verdade a velha profecia?' 
Respondeo anjo: "Sim! E a plena verdade da qual souumatestemunha 
celeste. Segue-me, pois, apenas tu!" 



151. H UMILDADE E ORGULHO 

1. D iz Floran: "M as por quenao medevem acompanharStahareos 
demais irmaos?Acaso sao menos humanosqueeu?Vai tu, sozinho! Se 
eles nao merecem ser apresentados ao Senhor do Universo, - eu muito 
menos, por nao ser tao bom quanta eles! 

2.Gravabemisto,6anjo- seequepodesalgogravar- sou inimigo 
declarado dequalquer privilegio. Q uero mealegrar com as prerrogativas 
de meus irmaos e permanecer como o mais simples entre todos. Em 
verdade amo as criaturas; e este sentimento nos leva a outorgar todas as 
preferenciasaoutrem,oqueaumentaafelicidade. Pergunta-lhessealgu- 
ma vez agi de modo diferente. D everia agora, em sua presenca, deixar- 
me cumular de privilegios? N ao e nao! Legioes de espiritos poderosos 



Jakob Lorber 

270 

comotu edezJehovahsOnipotentesserao incapazesdemodificarmai 
modo deagir, enquanto tiver liberdadedepensamento eacao. Ve, mai 
amigo influente, tambem istoeumaOrdem, aqual nenhumatentagao, 
mesmo provindadosC eus, tao pouco o pavor do inferno poderao abalar. 

3. Vai tu sozinho para junto do Senhor! Jamais teseguirei delivre 
vontade! Estranho que, espirito onisciente, nao deparasses esta minha 
conviccao ao me dares preferencia! Persisto no que disse! Poderas me 
levar fisicamente, pleno que es de forca e poder; mas a indole de meu 
coracao jamais modificaras, a nao ser que mo tires, dando-meoutroem 
substituigao. Com isto nao teras transformado meu estado atual, mas 
destruido, depositando urn outro nesta maquinafragil!" 

4. Diz o anjo com expressao amavd: "M as, caro amigo e irmao, 
quern tedisseter eu tepreferido se, deacordo com a Vontade do Senhor, 
sou incumbido delevar-teparajunto Dele, como o maisapto entrevos? 
Acaso tens cienciade que todososfrutos- pormaisnobresquesejam- 
amadurecessem a urn so tempo?Q uem teria a ideia decumular de privi- 
legiosuma pera, em vi rtudedeser a primei raa setomar madura?! Sebem 
quesejasaboreadaantesdasoutrasnao merecepor isto preferencia espe- 
cial. N estecaso M oysesmereceria maisqueo Proprio Senhor, porquanto 
foi convocadomil anos antes DelelTal nao teda privilegio, - pelocon- 
trario! Q uem, no seguintecaso, deveriaser privilegiado: aquelequecons- 
truiu umaestrada, ouocapitaoeseu regimentoqueporelapassassem? 

5. Amigo, com todo o teu i ntelecto, esta percepcao tefugi u ! C onhe- 
qo bem a indole teimosa deteu coragao, por isto I he impus uma prova 
externa everifiquei: no fundo, elealimentaorgulhoocultoqueconsidera 
ajusta humildadedentro desi como privilegio deseu "ego", afim deser 
o unico einimitavel! Finalmentesetomaduvidoso: quern, entreosdois 
emaisorgulhoso:aquelequeentretodosdesejaseroultimoemaissim- 
plesou o primeiro emaiselevado?! 

6. Conhecesahistoriagregado Rei Alexandre da M acedoniae dotal 
D iogenes? Este, anos afora, viveu num tonel por ele proprio colocado na 
praia para sua morada. Urn belo diao grandeheroi eRei, cientedasituagao 
em queseencontrava esse homem esdruxulo e unico, foi visita-lo e, pos- 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

271 

tando-se diante do tond, perguntou-lhe: Q ue desejas que te faca? - E 
D iogenes respondeu, suplice: Q uete afastes desse lado, de onde os raios 
beneficosdoSol meaquecem!- Essafleumabemagradouaograndeheroi; 
entretanto, disse: "Se nao fosse Alexandre preferiria serum Diogenes! 

7. Q ual o sentido das palavras do Rei? Ei-lo: Todo o mundo me 
homenageia; mas, quanto isto nao mecustou?! Estedesfrutadumacon- 
sideragaoquasesuperioraminha, que otornara tarn bemi mortal,- eisto 
I he custou apenas urn velho tone!! N ao achas que entre o orgulho de 
Alexandre e o deD iogenes nao hajagrandediferenca?! Pelo contrario, o 
deste ainda superava o do Rei ! 

8. E justoquerer a criatura sera ultima por amor verdadeiroehu- 
mildade; ambasasvirtudes, porem, enfeixam aobediencia, mormente 
para com o Supremo Senhor deCeuseTerra. Por isto, se fores debons 
sentimentos, fazeoqueedaVontadeDdeeserasjusto, poiso Senhor 
sabemdhoro"porque"! 

9. Diz, finalmente, Floran: "Sim, agora tesigo porquemeconven- 
cesteamavelmentedeminhainjustigaevidente."- E assimdizendoacom- 
panhaoanjoqueotraz para junto deMim. 



152. Floran Perante o Senhor 

1. Q uando ambosseacham perto de M im, o anjo diz, curvando-se 
ateo solo: "Senhor, eis urn fruto amadurecido! Sua carneesemelhanteade 
todasascriaturas; seu espirito, porem, poderoso echeio deforga incorrupta. 
Assim, cabeaTi todo louvorehonra, deEtemidadesem Eternidades!" 

2. D igo Eu: "Bern, M eu Raphael, taisfrutosM esao agradaveisevali- 
osos Estedescendeda escola de M oyseseAaron, tendo cursado tambem a 
dePlaton, Socrates, PitagoraseAristoteles; por isto nao eum ramo delgado 
queo vento enverga, masum cedro do Libano capazdeenfrentartempes- 
tades E sereno ecalmo; equando vem ostufoeselenao securva! Deixarei 
esta arvore ate a construcao da N ova Jerusalem, onde fornecera teto e 



Jakob Lorber 

272 

cumieiraem MinhaCasa!DizaMa Floran:Alegras-teComigo7' 

3. Respondeele: "Senhor detoda Vida, quern nao teria prazer em 
Ti! Eu sou, porem, um pecador eTuaSantidademediz: Afasta-tede 
M imIEisopontoquenaomesatisfaz. Desejariaencontrar-mesem peca- 
dosemTua Presenca; tal, porem, eimpossfvel emeenvergonho perante 
Tua Santidade! M eu coragao senteum grandearrependimento, queim- 
pedeminhaalegria. Contudosouhomeminteligente,seidesculparmeus 
erros, conscientedequeumacriatura, constituidademultiploselemen- 
tos, apenasalcangaaperfeigaoquandotaiselementossehouverem puri- 
ficado atravesdafermentagao pecaminosa, qual vinho novo quesetorna 
puro e saboroso por esse processo. 

4. Tu eso Senhor, eo homem o fruto deTua lutaeterna, decerto 
modo somenteuma lutado positivo contra o negative a fim desurgir, 
posteriormente, numa vida nova pela emanagao de ambos, qual fenix 
que nasce da cinza de seu fogo destruidor, - Vida esta que, embora 
unificada, permaneceextemamenteuma lutaeterna! 

5. Por isso, Senhor, nao meperdoesospecados, necessariosquefo- 
ram para despertar em mim a luta objetiva de modificagao pessoal; per- 
doa-me, sim, avergonhademinhasconstantesrecaidas- eeu mealegra- 
rei Contigo, 6 Senhor!" 

6. D igo Eu aos apostolos: "Vede aqui um homem cuja alma nao 
tern dolo! D e ha muito o amava!" 

7. DizSimonJuda: "Senhor, pareceum segundo Mathael!" 

8. Respondo:"Julgasexistirapenasosaberqueessepossui?Florane 
seu polo oposto, entretanto, tao sabio quanta el a M athael eentendido 
em assuntosda Naturezaelinguasmortas; Floran, conhecedordetodas 
asreligioesecienciasantigas. Por isso e maisdiffcil sefalarcom este; ja 
que o conquistamos para Nossa Causa, sera em breve um instrumento 
util contra a heterodoxiaexistenteentreascriaturasdaTerra; lutaracom 
grandehabilidadeebom exitosem necessidadedemilagres Tal sera melhor 
paraM eusfilhos, afim denaoserem aindamaisalgemadosnaalma, pelo 
julgamento! Para os filhosdo Alto osmilagresconstituem umaGraca;o 
mesmo nao se da com os da Terra. 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

273 

9. Conscientesno coracao de Quern sou, vossas almas continuam 
livresao M everem produzir asO brasdeD eus. sfilhosdo mundo serao 
porelasobrigadosacrer, nao maispossuindo pensamentosou sentidos 
independentes. Quando trabalhados cientificamente por Floran, alcan- 
carao certa luz intelectual que iluminara os degrausdo templo do cora- 
cao; uma vez la penetrando, serao conquistados por toda a Eternidade! 
Todosvosem conjunto nao soistao inteligentesquanto Floran." 

10. Destas M inhas Palavraso elogiado nao se apercebe, porquanto 
Eu M e havia dirigido aos coracoes dos apostolos. Por isto indaga o que 
deveria fazer. E Eu Ihedigo: "Vai eavisateusirmaosqueem breve os 
procurarei!" Elenadadiz, curva-seevai depressa para perto dos outros 



153. Floran Confabula Com osColegas 

1. Q uando alcancaaquelegrupo, Stahar indaga: "Entao, estamosna 
pista certa?' 

2. Responde Floran: "Inteiramente, nao resta a minima duvida! Ele 
ehomem como nos, Sua N atureza, porem, manifestaalgo queapenasse 
podesentir, masnunca descrever. Q uando fala, parece que toda palavra 
tern valor eterno. Percebe-sequea repeticao do "Assim seja!" faria surgir 
urn mundocheiodemaravilhas! 

3. NaopodeocultarSuaDivindade, eseDelemetivesseaproxima- 
do sem preparo previo, de pronto dir-Lhe-ia: N ao es uma criatura co- 
mum, em Teu Peito deve habitar a Plenitude do Espirito D ivino! - 
preparo, tao sabiamentedirigido, foi propicio para que pudessemoscom- 
preender entao com Q uem lidamos. Ele prometeu-me nao demorar, e 
tereis oportunidade de vos convencer de minhas palavras 

4. Agora tambem sei quemdelatouaCireniusnossaatitudepouco 
louvavel nacidadelO acaso- seequeexiste- 1 i bertou-nos do velho j ugo 
da ignorancia, o que muito nosdevealegrar. Templo aindaengendrara 
futurasestultices perniciosas, para cuja execugao teriamosde prestar nos- 



Jakob Lorber 

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sa cooperacao. Q uevenham ! Serao informadosdenossa cidadania roma- 
na, detal forma queosfara estremecer! 

5. Temosa nosso favor, primeiro, o M essiaseum anjo do C eu, mais 
poderoso, segundo parece, queaquelequeguiou ojovem Tobias; segun- 
do, o Prefeito da Asia e Africa, tio do atual Imperador de Roma. Seo 
inferno inteiro dejerusalem nosdesafiasse, tornar-nos-iamos vencedo- 
res, qual leao que abate a raposa mais astuciosa. Quemedizeis?" 

6. D iz Stahar: "N ada, a nao ser que estamos de parabenslTambem 
nao maistemo quern quer queseja! E facil eagradavel lutar por Deus, 
poisSeu Podereu'amuralhaintransponivel. Apenasdesejavaumescla- 
recimento: qual sera nosso futurodestino?Quete parece, Floran?" 

7. DizEle:"Julgoqueemtaiscircunstanciasnaovaleapenaperder 
urn pensamento sequer com esteproblema. Estamos com Deus, portan- 
tonadanosfalta,temporariaeeternamente!Tal perguntafoi futil, irmao! 
D e hojeem diante nada mais me preocupa no mundo, pois Aquele que 
aqui encontramos e, para mim, tudo por tudo! Sua Vontade sera meu 
futuro; somenteElesabebem o quesomoseo quedevemosfazer, afim 
de nos tornarmos o que Ele deseja. Por isso toda preocupacao de nossa 
parteetolice; somentequando nosdisser: Fazeisto ou aquilo!, devemos 
cuidar de por estritamente em execucao o que Sua Santa Vontade nos 
mandou quefizessemos. Eis, Stahar, minhaopiniao. 

8. Agora, sosseguemos, poisvejoqueo Senhor Sedirigeparaca, em 
companhiadeC irenius U rgequenosconcentremosno coragao, do con- 
trario nao suportaremos Sua Presenca. anjo e u'a menina, - por certo 
urn ente celeste- tambem seguem!" 

9. Diz Stahar: "Ora, a menina nao pode ser anjo; nunca houve e 
jamais havera anjosfemininos A Escritura nunca os mencionou. Podera 
serfilhadum ricojudeu e, seaobservaresbem, verasserda mui inteligente; 
paratanto seu olharfirmeeexpressivo eprova flagrante menino ao lado 
deCireniusecertamenteromano e, talvez, seu filho maisjovem." 

10. Diz Floran: "Podester razao; nao concordo, porem, com tua 
assertiva referenteaosanjos Evidentemente, nao havera diferengadesexo; 
todavia, deve haver a da indole, quecorrespondeaotratamentodemarido 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

275 

emulher, naTerra Analisao anjo econfirmarasser maissemelhanteau'a 
mogaqueaum adolescente Bastacobri-lo devests femininas, - eteras 
umajovem lindaatuafrente Agora, chegadeconversaljaestao perto!" 



154. CONFISSAO DE FLORAN 

1. D e passos lentos alcancamos os cinquenta fariseus, que se cur- 
vam respeitosos. M ando, entao, quefiquem eretosqual homenseeles 
obedecem. A seguir, indago: "C redes que sou Aquele, Predito por to- 
dos os profetas?" 

2. Respondem-M e: "Senhor, nenhum denosoduvida; mas,Tu 
sendo, - como nos podes ainda perguntar, se conheces nossos pensa- 
mentos mais ocultos, antes de os termos?' 

3. Digo Eu: "Nenhum devosdeve, portal razao, aborrecer-seCo- 
migo; nao se trata aqui daquilo que sei de toda Eternidade, senao da 
vossa extemagao. N ao vossera possi'vel M ecompreender antes que vosso 
intimo setenha externado. 

4. Sois capazes de ver-M e e ouvir-M e com vossos sentidos; vosso 
coragao, porem, nao M epoderaouvireentenderem EspiritoeVerdade! 
Eis por que vos fago perguntas; a resposta que M e dais tern efeito para 
toda vida, e completamente diverso daquela dada a vosso semelhante! 
Por tal motivo, repito: credes indubitavelmenteser Eu Aquele, do Q ual 
M oyses etodos os profetas predisseram?! Falai sem receio o que pensais 
no coragao." 

5. Diz Floran: "Senhor, compreendes melhor nossa natureza que 
n6s.Tudosepassoudemodotaobrusco!0 Sol artificial eseudesapare- 
cimento abrupto; as consequencias ainda cobrem essa zona defumaga! 
Nosso prejuizo, - o destino denossasfamilias! Fugimosparaca, fomos 
presosejulgados! A seguir osmilagresdo anjo, - e agora, Tu M esmo! E 
tudo isto no decorrer de dezoito horas. Tanto para mim quanto para 
mens colegasparece urn sonholjamaispoderemoscontestarosfatos; sao, 



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276 

todavia, tao extraordinariosquesetomam dedificil assimilagao. 

6. N aosepodeabaterumaarvoredeum sogolpeenossacompreen- 
sao nao sefara deum momenta; entretanto, esforcar-nos-emos por me- 
recer tudo isto que, decerto modo, deu-sepor nossa causa! N ao havera 
criatura naTerra que possa assistir a coisas mais sublimes! 

7. Assim, cremos convictamente seres o M essias Prometido, nao 
obstante Tua rigem Simples. Teus genitores terrenos sao pobres: teu 
pai, carpinteiro, eaorigem deTua M aenosedesconhecida; desorteque 
etanto maisextraordinario viesseo Salvador da H umanidadeao mundo 
em tal situagao depobreza, enquanto Lheassistiam em Espirito todasas 
vantagensdum nasdmento hierarquico. 

8. Setivessesnascido filho duma Imperatrizerealizassestaismila- 
gres, nao haveria povo quenaoTeadorasse! Vir, porem, como a Propria 
D ivindadeem forma humanaedemodo tao despreten si oso, - ealgo que 
aborrecera a muitos. M ormente aos hierosolimitanos orgulhosos e aos 
templarios! Conhecemo-los bem: consideram apenas a si mesmos - o 
restoedesprezivel! 

9. Se fosses hojeajerusalem, Senhor, elesTematariam em tresdias, 
caso nao Te protegesses. Entre si cada templario dedica odio mortal ao 
colega; mas como a uniao Ihes e util na obtengao de seus propositos 
egoistas, aturam-se mutuamentesob a mascara da amizade. 

10. N ao ha quern confie no outro, entretanto simulam negocio, e- 
Iheexigidaumacaucaoelevada para tal ajuda. Se, porem, aposrealiza-lo, 
o intermediario ve possibilidade de outras tantas vantagens, desiste da 
caugao eembolsa o lucro maior. 

11. H averiamuitacoisapararelatar, entre as criaturas, mas como es 
conhecedordetudo, Senhor, cada palavranesse sentidoseria tolice. Afir- 
mo, pois cremos em Ti, porquanto era preciso que viesses, a fim de 
acabar para sempre com tais abuses." 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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155. Recursosde DeusParaSalvarasCriaturas 

1. D igo Eu: "Caro Floran, expuseste-M etua indole demodo mais 
complete) do queexigira; todavia, tal nao importa. Por certo, porei um 
termino aos horrores em Jerusalem e noutras cidades; necessario e que 
hajamaiornumerodepessoasdetuacompreensao. Pororamuitasexis- 
tem que, em sua grande cegueira, acham-se presas ao Templo e aguar- 
dam todaasalvagaoesocorrodeseusatrios Setaisignorantessevissem 
subitamente, desprovidos dessa protegao, em absoluto o tomariam por 
uma bencao do Alto, massim, por um castigo horrendo, caindo num 
desespero f uri oso, que I hes trari a consequenci as pi ores que as atuai s Ate 
entao fostes para o povo osrepresentantes do Templo, osdistribuidores 
dasalvagao, daqual seusatriosseacham repletos. 

2. Sabeis o que vos quero dizer com isto? Deveis demonstrar aos 
crentes, pouco a pouco equando houver aceitacao, demodo maisenfa- 
tico, o quevem a ser o sinedrio eseusservos! Ao mesmo tempo cabe-vos 
chamaraatencao sobreaquilo quevisteseouvistes, o quefaradesmoro- 
nar dentro da melhor ordem seu sistema depravado e, finalmente, cair 
num completo descredito, deixando deser o quefoi . Em seu lugar surgi- 
rao osnovostemplosdo Espirito deDeus, sobreosquaisseraconstruida 
a Nova Jerusalem, noCeu. Naturalmentetereisdeiniciaressaboatarefa 
de modo imperceptivel; isto vos sera tanto mais facil porque sois cida- 
daosromanos, vendo-seimpossibilitado oTempIo devosatacar, por pro- 
teger-vosaespadadeRoma. Com istojatendesu'amissaoquevoscon- 
fio. Cumpri-aevosgaranto o premio! Estaisdeacordo?" 

3. D izStahar: "Senhor, assumiremosnossaantigapoagaoem Cesarea 
Philippi, ou iremosparaoutraszonas?" 

4. Respondo:"Continuareisaqui emCesarea, sobdiregaodenos- 
so hospedeiro M arcus, o qual recebera, de M im edeCirenius, poder 
sobretodaessazona, aliasja de certo modo Iheconferido. Essedistrito 
contavariasmil pessoas; quando tiverem recebidoaorientagaodevida, 
ela por si so sepropagara. N o entanto, sera incumbencia vossa a realiza- 



Jakob Lorber 

278 

cao desta tarefa." 

5. ConjeturaStahar: "Senhor, estou depleno acordo; acontece, que 
a cidade e um verdadei ro montao de escombros: nao temos onde morar 
e a sinagoga foi uma das primeiras construcoes devoradas pel as chamas. 
nde, pois, ficaremos?" 

6. D igo Eu: "N ao vospreocupeis; seo quero, criarei num momenta 
um mundo complete; quanta maisfacil naoseraacriagaodumacidade- 
zinha! Alias, Cireniususarademeios- amparado pela Minna Graca- 
para vossa estada, e os mencionados hospedes estarao em breve aqui, o 
que fad I i tara as determ i nacoes adequadas " 

7. Stahar securva respeitoso ediz, a meia voz, em diregao deFloran: 
"Agrada-me ver o nipotente falar de modo tao humano; entretanto 
poderia destruir com um pensamento, tanto o sinedrio quanta a orgu- 
Ihosa Jerusalem! Para queessa morosa destruicao?" 

8. Responde Floran: "Ve, amigo, tal se da pelo motivo de ainda 
pertencermos am bos aquela raca de an i mai s que esta longe de entender a 
rdem D ivina. - Q uando, na primavera, deparascom osfrutosverdese 
empedrados, prontamentesemanifestao desejo dumaonipotencia.Tens 
vontadedeexclamar: Queassim seja!, para que todososfrutosestejam 
maduros! Criador nipotente tudo organizou de modo diferente, 
como nosedemonstrado pelaexperienciadetodososanos. D everiamos, 
nessecaso, tambem indagar: "Elebem conheceasnecesadadesdosho- 
mens; porquehesitanoamadurecimentodosfrutos?' 

9. De modo identico a criatura passa ignorante quando crianca, 
tomando-sepouco a pouco adulta, enquanto o pardal esemelhanteaos 
paisno decorrer deduassemanas. A mai or partedosanimaisrecebe, com 
onascimento, educagaosuficienteparasubsistir, - eohomem precisade 
quasevinteanosparaseiniciar no mundo. Ele, o senhor da Natureza, 
necessita dum periodo mais longo a fim de se tornar aquilo a que foi 
destinado! N ao podenamos tambem indagar: Senhor, por que nao cui- 
daste melhor do homem, Teu filho querido? Por que tern de esperar 
tanto tempo para alcancar tal destino? 

10. Tudo isso se baseia na rdem D ivina, portanto temos deaceita- 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

279 

la no assunto em aprego! A destruigao repentina do Templo atiraria os 
ignorantes no maior desespero, - consequencia pior que a atual mistifi- 
cagaodeseus servos! 

11. C ompreendo o sentido das Palavras do Senhor e me admi ro de 
que nao o tenhas percebido, bem como Lhe indagado acerca de nosso 
futuro paradeiro. N ao basta Eledeterminar que devemos fazer isto ou 
aquilo?! E sabido que, quern medatrabalho, proverameu sustento. Seas 
proprias criaturas egoisticas agem desta forma, quanta mais nao fara o 
Senhor de Ceus eTerra, sem que precisemos pedir-Lhe! - Tua atitude 
ainda se prende ao mundo, pois com tua pergunta demonstraste incre- 
dulidadequeterasdeabandonar o maisdepressa posslvel!" 



156. Ensinamento Para osTrabalhadoresna 
Vinha do Senhor 

1. D igo Eu a Floran: "Amigo! Recebestesestas palavras deteu espiri- 
to, que e do Alto! Se bem que Stahar tambem possua urn, acha-se ele 
ainda adormecido, de sorte que sua came se pronuncia mais preponde- 
rante. Cadacriaturasepreocu pa, antesdemaisnada, com aquilo quelhe 
e mais afim. Se nela se manifesta o espi rito despertado, toda sua preocu- 
pagao se dirige para ele. Q uem, entretanto, vive de acordo com o seu 
"eu", pensando edesejando dentro desuastendencias, considera mais 
proxima a sua carne, deixando a preocupacao pelo espirito na retaguarda. 
E is o estado das criaturas deste mundo. 

2. Q uando nosso amigo Stahar consegui r despertar o espi rito, trata- 
ra apen as daquilo quedele Ihevem. A verdadeira preocupagao pelo espi- 
rito consiste em que vosso coragao se compenetre do amor a D eus e do 
proximo. Facil eseamarelidarcom pessoasboasehonestas; procuraros 
pecadoreseleva-losaobomcaminho, -eobraqueexigemuitarenuncia. 

3. Se caminhares em companhia duma prostituta ou adultera, os 
homensteapontarao eaplicarao aqui lo quenao tetrara honra mundana; 



Jakob Lorber 

280 

quando, porem, tiveresconseguido leva-la ao caminho da regeneragao, 
receberas de D eus grande recompensa, cuja menor particula tern mais 
valor que um mundo cheio de glorias futeis. 

4. Q uem reconduzir um perdido a M eu Aprisco recebera paga mai- 
or queaquelequeapascentar cem carneiros num pasto cercado. M anter 
um homem honestodentrodahonraedavirtudeetrabalhofacil;elevar 
a prestigio um desprezado por todos e transformar um pecador empe- 
dernido em virtuoso, representa muito mais! Apenas isto e por M im 
considerado, - a outra tarefa so serve para preguicosos! 

5. Sou o Altissimo eso procuro eaceito o desprezado e perdido aos 
olhosdo mundo, pois os saos nao necessitam de medicos Seportanto 
quiserdes vos tornar M eus discipulos e servos perfeitos, deveis ser em 
tudooqueEusou. 

6. Sevirdesum cego num caminho inseguro nao ireisampara-lo, 
dizendo: Amigo, essaestradaemuito perigosa; deixaqueteguieparaque 
naocaiasnoabismo?E seeleem vosconfiar, acasovosenvergonhareisde 
guia-lo?Porcertoquenao! 

7. Um pecador egeralmentemuitomaiscegoespiritualmentequeo 
decegueirafisica; quern, portanto, sepoderiaenvergonhardeajudarum 
cego de espi rito?! Para o futuro nao deve haver pecador, por mais empe- 
dernido queseja, quenao setomedigno devossa protegao! 

8. Meditai sobreesteensinamentoeandareispeloscaminhoscla- 
rosdavida, o quevosfacultaravisao mais profunda das coisas! - Eis, 
porem, queseaproximam osnavioscom nossos hospedes, portadores 
de maiores conheci mentos!" 



157. Navio Com os Hospedes 

1. Marcuseseusfilhostambem observam a chegada e, como bons 
praticos, correm a praia para ver se sua ajuda e necessaria. C irenius e 
todososgregoseromanososacompanham. Osnavios, porem, aindase 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

281 

acham aumahoradedistancia, oquetomaimpossivel avistar-seospas- 
sageiros. CireniusindagaarespeitodosamigoseEu Ihedigo: "Encon- 
tram-se a bordo! Tiveram de enfrentar vento contrario e a mare alta, o 
queosobrigouaatracarnum porto do lado oposto. Eisomotivodeseu 
atraso. Como necessitariam de mais uma hora para aqui chegarem ire- 
mossocorre-los" 

2. Diz Cirenius: "Senhor, nao poderiamos mandar Raphael para 
ajuda identica a dada a uran?' 

3. Respondo: "Isto nao epreciso, poisnenhum perigo osameaca. 
M arcus e os sens darao conta da tarefa com essas embarcacoes de tama- 
nho medio eem meia hora estarao aqui." InsisteC irenius: "M as, Senhor, 
nao irasfazer milagreno diadehoje?" 

4. DigoEu:"AcasonaochegastealernoLivrodeMoyses: Noseti- 
mo dia o Espirito C riador de D eus descansou, fazendo com que esse se 
tornasseum sabado?- Portantofago bem em mantercerto repouso, pois 
trabalhei intensamenteduranteseisdias Possuo, alem disto, quantidade 
deservosquepoderaoagirem Meu NomeePoder." 

5. DizC irenius: "Senhor, isto tern outrasignificagaoquenaoentendo." 

6. D igo Eu: "Bem, entao indagadequalquer urn queseraselucidado. 
N ao M e entrego a este curto repouso por M in ha C ausa, mas por vos, a 
fim de vos dar oportunidade de acao, - deste modo ajo tambem em 
vosso fntimo. N ao o compreendes?' 

7. D iz Cirenius: "Como nao? E tambem imaginooporque" 

8. Prossigo: "Vossa tarefa nao edifici I, porquanto vo-lapredissehoje 
cedo. Pessoalmentenadafarei antes do almoco; maistarde, teremosoca- 
siao para qualquer coisa. Sevosfalo, no entanto, tambem nao deixo de 
fazeralgo. - Agora urgeavisarMarcusquemandeosfilhosaoencontro 
da esquadra, enquanto ele proprio trate da refeicao, pois os hospedes 
estarao cansadosefamintos, bem como todosostripulantes" 

9. Em seguidafaco urn sinal aM arcus que entendeM inhaO rdem e 
prontamentea executa. N astendasdeO uran tambem ha grande movi- 
mento; pois M athael, sua esposa e o Rei uran perceberam a chegada 



Jakob Lorber 

282 

dasembarcacoes. H aviam-sefixado nastendascom afamiliadeH ermes, 
poisprecisavam mudar deroupaseajudar M athael atrajar-secom vestes 
reais, afim dereceberasvisitascomo novo dignitario. 

10. Humilde, Ouran Meindaga: "Senhor, sera que osilustreshos- 
pedes se acham a bordo?" 

11. Respondo: "Q ue pergunta cortes! Em nossa presenca nao exis- 
tem pessoasdeposicao alta ou baixa, masapenas irmaos, deA ateZ. Se 
deixoqueM echameisdeirmaoeamigo, porquedeveriahaverentrevos, 
homens de diferentes classes? D igo-te: U nicamente o Senhor e nipo- 
tente, - vos, porem, soisirmaose servos dum so Senhor! 

12.Julgasqueosreismeregam maiorconsideragaodeM inha parte 
que seus servicais? Absolutamente! Apenas o coracao tern decisao a to- 
man o rei devera saber intimamenteporquefoi ungido eo servo o moti- 
vo desua posicao, do contrario estarao, aosM eusO I hos, no mesmo grau 
evolutivo. Por isso, grava bem: Para M im nao existem hospedes i lustres, 
mas filhose irmaos!" Satisfeito com estaadmoestagao, Ouran secala. 



158. Perigo do Orgulho 

1. Q uando junto de M athael, uran diz: "H oje nao convem falar 
com o Senhor! Perguntei-Lhecom modestiaseosilustres hospedes esta- 
vam parachegar- erecebi em virtudedesseadjetivoumaligaotaorude 
quejamaisesquecerei!Ontem foi oAmoreaSimplicidadeem Pessoa; 
hoje esta completamente mudado e todo aquele que se Lhe aproximar 
sera assim recebido! N ao consigo entende-Lo!" 

2. Diz M athael: "Eu entendo perfeitamente!Comopoderiaster 
tido a ideia de indagar ao Senhor nipotente, tal absurdo?! Q uesomos 
nos- eQuemeEle?PerantenosecheiodeAmoreHumildade, - enos 
atrevemosa Lhe falar depessoas importantes?! Isto, meu caro sogro, foi 
demasiado forte! E le nao te poderia responder de modo di verso, e se me 
tivessesfeito a mesma pergunta, - nao sei senao te responderia demand- 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

283 

ramaisbruscalO SenhorsendoomaisMeigoentretodos, apenaschama 
a atencao dum erro para queo reconhegamos Vai ete penitencia, - que 
ouvi ras outras palavras Suas!" 

3. D izO uran: "N ovamentetens razao eseerrei, tenho demecorri- 
gir!" Assim dizendo eleseaproximadeM im epede: "Senhor, perdoa-me 
a grandefalta cometida - nao por vontade- mas inspirada em minha 
velhatolice, o que, por certo, sabes!" 

4. Digo Eu: "Meu amigo, quern reconheceseu erroesecorrigeja 
tera sido perdoado para sempre, - e quando em seguida se volta para 
M im sera remido duplamente! Q uem, entretanto, reconheceafalta, mas 
a mantem em sua natureza, - nao tera perdao, ainda que M e procure 
cem vezes! 

5. Afirmo-te: Q uem deM im seaproximaredisser: Senhor, Senhor!, 
estara longe de ser M eu amigo! Se-lo-a apenas aquele que fizer a M inha 
Vontade. E esta quer que nao vos superestimeis, em virtude da posicao 
social. Sebemquedevaisexecutarvossooficiofiel ejustamente,- nunca 
deveis esquecer por urn momenta que vossos inferiores sao vossos seme- 
Ihantes justo amor ao proximo isto vosensina, pelo sentimento que 
Mededicaiscomofilhos 

6. Q uando seja preciso, deixai valer a consideracao e a honra de 
vosso cargo, permanecendo, todavia, cheiosdehumildadeeamor, evos- 
sojulgamento sobre osirmaosdesvi ados sera sem pre j usto edentro de 
MinhaOrdem. D isse-te aquilo apenas para tedemonstrar MinhaOr- 
demeVontade, poisaquelequenaodesistirdomenoratomodeorgulho 
nao recebera a revelacao de M eu Reino, ondesomente penetrara depois 
de se haver despojado de todo orgulho! - Vai, pois, e transmite isto a 
todosem quedescobriresumaresteadetal tendencia!" 

7. N ovamente uran se curva, como de seu habito, e volta para 
junto deseugrupo. M athael,entao, indagacomoforarecebidoeogrego 
diz: "0 Senhor Se mostrou misericordioso e me fez ver a Verdade, a 
Ordem eajusticadentrodareal humildade Sinto-meagoramaisfeliz 
que antes" 

8. AcrescentaM athael: "Realmente E lee Pai el rmaona humildade 



Jakob Lorber 

284 

verdadeira! N ossa incumbencia eelevada perante milhares de irmaos, - 
todavia mui dificil em face da Onipotencia Divina! E precise- extremo 
cuidado para nao nosdeixarmosarrastar pelasublimidadedenossa tare- 
fa; isto nos tornaria vaidosos e altivos, julgando-nos superiores aos ou- 
tros, enquanto apenas destinados por Deus a servir ao proximo da me- 
Ihormaneira. 

9. Q uem de nos se elevar sera humilhado, conforme se tern visto 
comtodososreisdaJudeia.Assimseraateofimdomundo!E mui dificil 
andar em vestimenta dourada e recoberto de joias e permanecer mais 
humilde no coragao quequalquer sudito! Somentea G raca e M isericor- 
dia do Senhor poderao manter urn soberano em sua pompaterrena, no 
equilibrio da rdem Celeste!" 

10. ApoiaOuran: "Tens plena razao. Eis, porem,queseaproximam 
os navios da praia; vamos cumprimentar os recem-vindos!" Com isto 
todossedirigemao porta 



159. AlegriaCom aChegadadosAmigos 

1. Ao desembarcarem, osviajantes logo M edescobrem ecorrem de 
bracos abertos ao Meu encontro, chorando de alegria. Em seguida 
ComeliuscumprimentaseuirmaoCireniusediz:"Eisquenadameresta 
anaosermeregozijaremvossacompanhia!"Fausto, Kisjonah ePhilopoldo 
nada conseguem dizerdetantasemocoes, eosproprios servos seadmi- 
ram deMinhaPresenca. Cirenius, entao, indagadeComelius, quando 
recebera a noticia do incendio da cidade. 

2. RespondeEle:"Naofui propriamenteinformado, masosuspeitei. 
ntem tivemos urn dia espetaculoso: o eclipse total, que nos proporcio- 
nou por alguns instantes a noite densa; depois, quando se esperava pela 
escuridao natural, o Sol resolveu permanecer umashoras mais no horizon- 
te, o quecausou espanto indescritivd entrejudeus, gregoseromanos 

3. Seo atual chefefarisaico de Capernaum - oragrandeamigo do 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

285 

velhojairo - nao fosse homem calmo einteligente, bem como seu vizi- 
nho deN azareth, tarn ben essasduascidadesfacilmenteseteriam torna- 
do presasdofogo. Assim, conseguiram acalmarapopulacao, queaceitou 
as explicates porelesdadas. Osmaisexaltadosmandei prender, orien- 
tei-osehojecedo Ihesdei aliberdade. 

4. Aposter restabelecido a ordem em Capernaum e Fausto haver 
feito o mesmo em N azareth, procurou-me, todo afobado: descobrira urn 
clarao avermelhado no horizonteesupunhativessehavido urn imprevis- 
to em Capernaum. Em la chegando verificou quetudo estava em paz e 
deu-menoticiadesuaobservagao. Eu emuitos servos oacompanhamos 
ateum monte proximo ondesedeparavadistintamenteum clarao enor- 
mesem, contudo, ser possivel localiza-lo. So demanha, quando o Sol 
permitia visao mais nitida, vi que a fumaca se estendia sobre a zona de 
Cesareia Philippi eresolvi virpor mar ate ca, em companhiade Fausto. 

5. Ja proximo do desembarque chegaram justamente Kisjonah e 
Philopoldo, confirmando minhasuspeita. A esta noticia, positivada pela 
mediunidade de Philopoldo, rapido embarcamos e durante a viagem 
maiscomprovei ofato, eaflito estava porvero que aqui sepassava. 

6. Agora, todavia, apos este encontro imprevisto eabencoado pelo 
Senhordetoda Gloria, Seus discfpulos e contigo, - todaaflicaosedissi- 
pou! Jesus, meu melhoramigo, Santo MestredesdeEternidade! Agora 
nao Te adianta a nipotencia contra meu grande amor para Contigo! 
D eves permitir queTe abrace a torto e a direito! Em espirito ja o fazia 
diariamente, - agora chegou a vez defaze-lo em realidade!" 

7. Com estas palavras Cornelius M e abraca, efusivo, e cobre-M e a 
Face de beijos e lagrimas de alegria. Apos ter satisfeito o impeto de seu 
nobrecoracao, solta-M edeseu amplexo ediz, comovido: "Senhor, M es- 
tre, DeuseCriadordolnfinitolOrdenaoqueTepossafazerdebem, pois 
conhecesmeu intimo!" 

8. DigoEu:"Tambemtusabesdo Meu; faze, pois, em Meu Nome 
o queteu sentimento diz, eteras feito tudo para nosambos! Como M e 
impuseste, pelo sentimento afetivo, certo dominio ate hoje por pessoa 
algumaexercido, - far-te-ei, em futuro proximo, tambem uma imposi- 



Jakob Lorber 

286 

gao apos M inha Elevagao, pela qual nem tu, nem qualquer membra de 
tua fam f I ia verei s e senti rei s a morte f isica! 

9. A demonstragao amorosa de tua parte alegrou-me ate o amago, 
pois M e conferiste algo que, desde Eternidades ate hoje nao encontrei 
similar, - com excegao das criancinhas que mais rapidamentereconhe- 
cem o Pai queosadultos Deixa, portanto, queEu tambem teabrace!" 

10. Diz Cornelius, chorando de alegria: "Senhor, MestreeDeus, 
jamais merecerei tal G raga abengoada!" 

11. Digo-lhe: "Poisbem, entao dar-te-ei estemerito. Vem ca!" Ele 
vem, - eEu abrago-o. Entaocomecaachoraresolugarcopiosament.ee 
muitos pensam que esteja se sentindo mal. Dominando-se mais, diz: 
"Ficai calmos, poisnadamefalta; aocontrario, recebi demaise a alegria 
mesoltouopranto!" 

12. N isto seaproxima Kisjonah e Me indaga, tristonho: "Senhor, 
acasoTelembrasdemim enao mequeresmal?" 

13. Digo Eu: "Como podes, Meu irmao, formulartal pergunta?! 
Amas-MeacimadetudoeEu ati da mesma forma, - que mais desejas? 
N ao te recordas de Eu te haver dito, confidencialmente, que seriamos 
amigos e irmaos para sempre?! que afirmo vale para a Eternidade; se 
continuares conforme es, tal afirmativa tera a mesma duragao para ti, e 
assim sera!- Estassatisfeito?" 

14. Diz Kisjonah: "6 Senhor,estou i ndescriti vd mentesatisfeito even- 
turoso por ouvir novamenteuma Palavra Santa deTua Boca Abengoada!" 

15. Digo-lhe Eu: "Ainda muitas has de ouvir! Observa, porem, os 
cinquentafariseuseencontrarasalgunsquetomaram parteno roubo em 
tuas terras" Kisjonah, Cornelius eFausto analisa-lhesmelhor, eo pri- 
meiro,deboamem6ria, logo descobrecinco que parti ciparam do grande 
transporte nas montanhas, pelo que diz: "Q ue fazem aqui? Acaso sao 
prisioneiros por terem talvez sido pegados em novo roubo7' 

16. D igo Eu: "N ada disso! D eram aqui em virtudedo Sol artificial, 
eno incendioqueirrompeu cabe-lhesamaiorculpa. Agora, porem, sao 
nossosadeptosecidadaosromanosjaestouaqui haumasemana, eisto, 
em virtudedaboapescaria, pois aqui seencontram osmaisnobrespei- 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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xes, da N aturezaedo espirito. D uranteestetempojaconseguimosquan- 
ti dade vu Itosa e i m portante! 

17. Eisogrupodoscinquentacomopescadehoje, - enaohaum 
falso sequerem sai meio; la, outro grupo detrinta, todossadios, - resul- 
tado de ontem ! N aquela mesa se acham doze, perfeitamente saos; perto 
dastendasmaiscincodequalidadeespecial,- todos tarn bemde ontem! 
- D ize-M e, nao trabalhamos honestamente?" 

18. D iz K isjonah : "Realmente, se todos esses rep resentam uma con- 
quista, o ReinodeDeusporTi anunciado, tomou urn avanco importan- 
te, em setratandodesacerdotesdosquaisosmaisvelhosdificilmentese 
modificam! U ma vez que se hajam regenerado serao mais persistentes. 
Alem dessesvejo o velho hospedeiro deGenezareth com umadasfilhas; 
fazem parte dos que foram pescados?" 

19. Respondo: "Porcerto; masistojasehaviadado nagrandepesca- 
ria feita naquela cidade, e a menina e urn dos peixinhos mais nobres! 
Aindaterasoportunidadedeconhece-lamaisdepertooqueteproporci- 
onara grande satisfagao. Em relacao a mais pura sabedoria da alma e a 
purezadocoragaohaverapoucasiguaisaela. Eis, Meutestemunho;dese- 
jas outro, maisconvincente?" 

20. Diz Kisjonah: "6 Senhor, oTeu sobrepuja todos, eeu anseio por 
falarcom esta menina!" InterrompeFausto: "M as.., aquelastendasreais, o 
velho em vestes de rei, o jovem que ora palestra com aquela senhora, - 
tambem fazem parte da conquista para o Ceu detodo Amor e Luz?' 

21. Respondo: "Exatamente; eo Rei do Pontus. Seu rei no evasto e 
o povo e por ele sabiamente conduzido por leis benignas, mas severa- 
mente observadas. N ao demorou e ele percebeu ser preciso conhecer a 
verdade e o D eus nico para alcangar a completa ventura dos suditos. 
Assim, pos-se a caminho do Sul, pois obtivera informagao de que tal 
intuitoapenaspoderiaserrealizadoemjerusalem. Nessatrajetoriadeua 
esta enseada que esperava atravessar para aquela cidade. eclipse, po- 
rem, ameagou-o de grande perigo, do qual M eu anjo o salvou. Eleesua 
filhaconseguiram destemodoaqui chegarcom umapequenacriadagem. 

22. jovem Rei foi anteriormentetemplario talentoso e enviado 



Jakob Lorber 

288 

como missionario a correr mundo. N a fronteira entrejudeia e Samaria 
eleesaisquatro colegascairam nasmaosdeassaltanteseforam obriga- 
dos a seguir a mesma carreira. Submersos na mais profunda tristeza e 
desespero, suas almas seocultaram na protegao do espirito, enquanto o 
f i si cose torn ou posse ativadospioresdemonios Somenteumapoderosa 
coorteconseguiu domina-los Assim escoltadosedevidamenteagrilhoa- 
dosforam trazidosanteontem a noite Pel as leisseverasde Roma osespe- 
ravaem Sidon ojulgamento final. 

23. Eu, todavia, percebendo a aflicao desuas almas, purifiquei sua 
came daquela influencia diabolica - e agora podeis Ihes falar, a fim de 
conhecer sua verdadeira indole. M ormente M athael - vice-rei eesposo da 
filhadeOuran - merecetodacongderagaodapartedeseussemelhantes 

24. Elee- amedidadaspossibilidadesateentaoproporcionadas- 
completamenterenascido em espirito, eser-M e-a urn instrumento habil 
na conversao dos gentios do Norte. Num intercambio de ideias, 
conhecereisseu espirito." 

25. Indaga Cornelius: "Senhor, quern e aquele moco - nao o 
J osoe que conhecemosde Nazareth - esim ooutro, que ora palestra 
com amenina?" 

26. Digo Eu: "E precisamenteoanjodequemvosfalei haver salvo o 
velhoRei esuafilha. Hatressemanasseachaentreosmortaisefoi por 
M im expressamentedestacado como mentor deYarah; entretanto, tam- 
bem esta a servigo detodos os M eus" 

27. D iz Phi lopoldo: "C omo se chama o hospedei ro7' 

28. Respondo: "M arcus, veteranodeRoma, umaalmaextremamente 
fid e amante da Verdade Tern ao todo seis filhos: dois homens e quatro 
mocasampaticas, umaesposa exemplar que apen as conheceavontade do 
marido. Estefoi o motivo que M e levou a M e hospedar com esta familia, 
antigamente mui pobre Vereis agora como essas oito pessoas aprontarao 
urn almogo para centenas, o quevosalegrara sobremaneira. Vede, o velho 
esta se aproximando para nos anunciar o que acabo de dizer." 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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160. AsProfeciasConcernentesA EncarnacAo 
do Senhor 

1. Realmente, mal M ecalo, M arcusnosaborda, afim de saber sede/e 
mandar servir o almoco, pois, ja ea nona hora do dia (tres horasda tarde). 
D igo-lheEu: "Poisnao, osamigosjaseacham aqui etudoesta em ordem." 

2. N isto Comeliuso chama: "Entao, velho companheiro dearmas, 
nao me reconheces? N ao te recordas do tempo que passamos na I liria e 
Panonia?Eraeu, naquela epoca, maisadolescentequeguerreiro; desde 
entao se passaram quarentaecinco anosehojeconto quasesessenta." 

3. D iz M arcus: "N obre senhor, como nao me haveria de lembrar?! 
Foi preciso muito rigor para manter aqueles contendores dentro duma 
ordem razoavel. Asmargensdo Danubio, perto deVindobona (Viena) 
ascoisasnaoandavam boas, no inicio; algunsanosmaistardeasituagao 
melhorou consideravelmente. 

4. scostumesehabitosdosgermanoseram bem rudes, eso com o 
tempo conseguiu-semelhoriaatravesdumaeducagaomais liberal. vi- 
nho que cultivavam era fraco e acido, entretanto nos acostumamos a 
bebe-lo. 

5. Certavez, duranteacagaaosjavalisem quehaviamosabatido perto 
dequarenta, encontramosum sacerdotegermanico, vidente sentado asom- 
bra deum carvalho. Falava urn pouco o romano enosdisse, enquanto nos 
entretinhamoscom urn javali morto: Gravai bem, jovensdestemidos! N a 
Asia, no paisalem dasaguas, aguarda-vosalgo degrandioso. La vereiso que 
jamais foi dado ao mortal vislumbrar. Aqui rege a morte que tudo abate 
como abatestes o poderoso javali com lanca e espada. Na Asia, porem, 
floresceavida- e quern la estiver, jamais vera a morte! 

6. Emseguidacalou-se; insistimos para que nosexplicasseosentido 
desuaspalavras. Ele, no entanto, nada maisdisse. Assim, continuamos 
nossa cacada. Ve, o velho germano profetizou e nos assistimos a 
concretizagaodetudo!" 

7. Aduz Cornelius: "E verdade, agora me recordo desse persona- 



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290 

gem; oportunamentefalaremosaseu respeito." 

8. Enquanto M arcus arruma as travessas com ajuda dos servos de 
Cireniusejulius, Cornelius Mediz: "Senhor, queachasdapredicaodo 
germano feita ha tanto tempo na Europa a mim ea M arcus, o qual conta 
dezanosmaisqueeu?' 

9. D igo-lhe: "Todosospovos, espalhadosnesteorbe, receberam uma 
que, igualmentedadaao primeiro habitante, trata de M im edeMinha 
atual Descida para junto dos homens Ossacerdotessouberam abrirca- 
minho, atraves de lendas e i nspi ragoes di retas, atealcancarem umaper- 
cepcao espiritual; profetizavam, asvezes, em quadras tao bizarrosque, 
finalmente, desmesmosnao sabiam interpreter. Somenteem estado de 
extase conseguiram esclarecer suas visoes passadas 

10. Tal fato sedeu com aqude germano: a exalagao do carvalho, o 
medo de vossas armas Ihe proporcionaram tal estado, - e comecou a 
profetizar. Voltando a si, nada sabia daquilo que havia dito e vossa insis- 
tencia nao frutificou. 

11. Eiso motive detaispredicpes Sequiserdesacdta-lo, afdticdra 
deEndor seachava em estado devidenciadevadaquando Saul aforcou 
aconjuraroespiritodeSamud, emboraestivessedageralmenteem con- 
tato com espiritosmaus, proferindo, destemodo, apenasmentiras, astu- 
ciasetorpezas. 

12. N aoexistecriaturatao ignoranteemaquenaoconsigapronun- 
ciar, em tempo oportuno, uma profecia certa; entretanto, nao podeser 
considerada testemunha por quefalou, apenas, everidica uma so vez. D e 
modo identicoosoraculosdeDodonaeDdfosproferiram muitacoisa 
acertada; todavia, asverdaddraseram seguidaspor mil falsas 

13 . Tam bem nao se pode negar que certos vi dentes e prof etas fi zessem 
ate milagres; em compensagao outros inventavam, pda sugestao de maus 
espiritos que ativavam seu intelecto mundano, quantidade de 
fantasmagorias; ludibriaram povosintdrosdurantemilenioseviveram fol- 
gadamenteatequeforam nisso impedidosporvidentesmaisiluminados 

14. Essa tarefa, porem, nao era facil, pois um povo inculto nao se 
ddxa orientar por pouco, e seus sacerdotes mistificadores ainda menos, 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

291 

porquecom issoseusprivilegiosmundanoscorrem perigo. 

15. Todos vos tendes agora oportunidade de vos convencer da difi- 
culdade que se M e depara, nao obstante Eu usar de linguagem ate hoje 
nao usada por profetaalgum, eM eusAtosserem ineditos. sCeusestao 
abertos, osanjosdescem a Terra, servem-M eedao testemunho deM im, 
- entretanto existem ate alguns discipulos que M e rodeiam e ouvem 
constantemente, cuja feseassemelha a uma ventoi nha ea um ramo fragi I 
que o vento consegue dobrar em todas as diregoes. Q ue nao esperar das 
criaturasmundanas?! 



161. Educacao de Povos 

1. (0 Senhor): "Atraves de M eu Verbo Onipotente poderia num 
momento, transforma-lastodas; onde, porem, f icaria a capacidade vital e 
a liberdadedo espirito, apenasconseguidaspelo proprio esforgo?Vedes, 
portanto, naoserfacil enfrentaros concertos erroneosdospovosdemodo 
eficazesem prejuizo do livrearbitrioesuadeterminacao independente 

2. Deigual modotambem eimpossivel evitarquetaiserrossecri- 
em; preciso e que se apresentem a parte espiritual da criatura (alma) a 
verdadeea mentira, o bem eo mal para a livrepesquisa, conhedmento e 
escolha, do contrario jamais chegara a meditar e refletir. 

3. Deve-seencontrarnumalutaconstante para nao adormecer; sua 
vidatem debuscar novas oportunidades para seexercitar, assim seman- 
tendo efortalecendo ateconseguir a perfeigao. 

4. SeEu naopermitisseainsuflagaodeenganosentreascriaturase 
sim, apenasaverdadecom seusefeitosdeterminadoseinteiramentene- 
cessarios, elasseassemelhariam aos libertinosedissolutosqueso cuidam 
desatisfazer gula e intemperanga. 

5. Se provessemos todas as pessoasdesuasnecessidadesfisicas, asse- 
guro-tequeem breve nao maishaveriasacerdote, rei, soldado, cidadao, 
campones, trabalhador eoperario; para quern deveriam se por em agao 



Jakob Lorber 

292 

quando nada I hes faltasse?! A miseriaenecessaria, bem comoadoreo 
sofrimento moral, afim dequeo homem nao sucumba no ocio. 

6. Tudo isso o leva a atividade, portanto seria nocivo evitar a infi Itra- 
gao de erros, bem como exterminar sua divulgagao. As consequencias 
dolorosasdessesenganossao, finalmente, osmeiosadequadosparao seu 
exterminio e a propagagao da verdade. 

7. homem necessitasentir profundamente, atravesdeprivagoese 
miseriassurgidasdamentiraedamistificagao- anecessidadegritanteda 
verdade; comegara, assi m, a procura- la com rigor, como fez o vd ho uran 
do Pontus. So entao encontra-la-a, alias, dificultosamente, podendo fa- 
zer dela uso eficaz. Se fosse descobertatao facil como o Sol no zenite, em 
breve nao mais teria valor - e a H umanidade, para se distrair, seguiria a 
mentira qual andarilho a procura da sombra, que, quanta mais densa, 
tanto melhor. habitante deste planeta e como deve ser, a fim de se 
tornar homem, pdoquenecessitadecircunstanciasexternas. 

8. A verdade plena e pura nao pode ser dada por M im de modo 
complete, sera apenas oculta em parabolas e quadras, a fim de que a 
criaturavenhaadesvenda-la. Falosomenteconvoscosem restricoes; numa 
transmissaoaoutrem naodeveisdesvenda-lainteiramente- eteraoopor- 
tunidadeparalivreinterpretagaoeatitudeAfimdequevospropriosnao 
vostorneismornos, ouvi: 

9. M uita coisa teria para vosdizer, masquepororanaosuportarieis; 
quando o espirito daVerdadevier sobrevosevossosfilhos, conduzir-vos- 
a a plena verdade. Deste modo estareis, para esta Terra, na plena Luz e 
por da receberes a chave para as inumeras verdades dos C eus, por cujas 
revel agoesfuturasemaisprofundasvossa atividade aumentaraao Infini- 
te!- EisqueagoraMarcusnoschamaamesa, - eistonaodexadeser 
u ma verdade que segu i remos. " 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

293 

162. Almoco em Conjunto, em Casa de Marcus 

1. MalterminoMinhasPalavras, Cornelius Meabragaediz, como- 
vido: "Somente D eus pode Se expressar desta forma!" 

2. DigoEu:"Sim, das-Metestemunhojustoquetetraraosmelho- 
resfrutos! N ao foram tua carneeteu sangueos inspiradores, esim, tai 
espirito que, tal como o M eu, edeDeus, motivo por queesM eu verda- 
deiro amigo e irmao. Agora, sigamos a chamada da carne, porquanto 
aindatemoscorpofisico!"Todosnosencaminhamos para as mesas onde 
nosaguardam osmelhorespeixes, bem preparados 

3. A M inhadireitaseachaCirenius, aseu ladoCorneliuseanossa 
frenteFausto, KisjonahJuliusePhilopoldo.A M inhaesquerdaestaYarah, 
Raphael, Josoee Ebahl. A ala esquerda esta ocupada pelosdiscipulosea 
direita pelafamiliareal deO uran com M athael, Rob, Boz, M ichaeZahr. 

4. Naoutramesa, paraldaaM inha,assentam-seoscinquentafariseus, 
StahareFloran no centra, desortequepodem verM eu Semblante. Atras 
se acham os trinta jovens levitas e templarios; seus oradores H ebram e 
Risacom as faces viradas para M inhasCostas 

5. Por detras de M eus discipulos ha outra mesa, menor, com o gru- 
po dos doze, cuja diregao esta com Suetal e Bad. Perto de Ouran se 
acomodaram Hermes, o mensageiro deCesareia Philippi, suaesposaja 
bem vestida, tresfilhaseumaenteada. Assim, todosquea M im perten- 
cem, acham-se bem acomodados. A criadagem esta sendo servida em 
mesa mais afastada, enquanto as varias centenas de soldados se proven 
no acampamento, como de praxe romana. 

6. Satisfeitos pela fartura de alimentos, todos M e louvam, pois as 
mesas estao repletasdepeixe, pao, figos, peras, magas, ameixasemesmo, 
uvas; ovinhoeservidocom abundanciaenaohaquem naosintabom 
apetite; M arcus e seus f i I hos se desdobram para que nada falte. 

7. A bebida solta, pouco a pouco, as linguas, rompendo os recal- 
ques. Ate os que M e estao mais proximos extemam opinioes entusiasti- 
cas, eapropriaYarah naosecontem em elogiarasuvassaborosas, sebem 



Jakob Lorber 

294 

queextemporaneas 

8. Entre os discipulos excepcionalmente loquazes Judas e o unico 
silencioso; entretem-se com um bom peixeeo conteudo dum grande 
calice, de sorte que nao tern tempo para palestrar. Por diversas vezes 
T homaz o toca; ele, porem, felizmente nada percebe, pois na certa, ter- 
se-iaexternado demodo inconveniente 

9. Yarah so aguarda uma oportunidade para jogar uma indireta a 
essediscipulo quelheeextremamenteantipatico; mas destavez Judas 
nao sedeixaabalar em sua intemperanca. Quando, finalmente, termina 
ograndepeixefazmengaodeseservirdemaisum. Raphael, no entanto, 
maisligeiro,antecede-o. E natural que isto despertea h i laridadedetodos 
eM inha Yarah naoconsegueconterumagargalhada. Eisqueindagoda 
meninaoquesepassa. 

10. E ela diz: "6 Senhor, meu amor eterno, como podesperguntar 
algo a uma criatura, cujointimoTeemaisconhecidoqueaforma exter- 
na deste calice?! N ao percebestecomojudasescolheu o maior peixe- de 
cincoquilos- eomaisvolumoso calice?! Alemdisto tarn bemfezdesapa- 
recer no estomago boa quantidadedepao. N ao satisfeito, quisseservir 
umasegundavez, no que Raphael o impediu. Eiso motivodemeu riso. 

11. Bern sei quenao sedeverir, a nao ser por amor eamabilidade este 
caso, porem, foi tao humoristico que mal mecontive Penso nao ser errado 
a pessoa sealegrar com a intencao egoistica frustrada dum glutao." 

12. Digo Eu: "N ao e propriamente pecado; todavia, sera melhor 
evita-lo. Ve, quando seobservatal egoistacom certo rigor, elesecontem 
edesistedesua gula; ridicularizando-o, enraivecer-se-a, fazendo tudo para 
duplicar sua intencao. Judas Iscariotes e avarento e ladrao, pois quern 
sempre procura enganar o proximo, tambem furta. 

13. Vendo que suas atitudes egocentricas despertam o riso alheio, 
julgaquelhesagradasuatrapagaxistosaaplicando-amaisintensivamen- 
te Se, como ja disse, ve-se observado com seriedade por todos os lados, 
protelaseu intento, pois nao sepodealimentar esperancasde sua com- 
pleta regeneragao. Todavia, convem impedi-lo sempre que possivel; as- 
sim perderamaisemaissuacoragemvergonhosa, deixandodepraticara 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

295 

maldade,- naoporasco, masderaiva. Eisporqueemeihorapessoanao 
serir da frustrada trapaga do proximo." 



163. Contraste Entre Vontade e AgAo 

1. DizYarah: "Senhor, estariatudo muito bem seapessoativessea 
cada hora um ensinamento tao divino a mao! Acontecesermoscriaturas 
mui cegas- mormentenosinstantesmaisprecisos. - Quando maisne- 
cessitamos, a verdadeira sabedoria nos deixa no "mato sen cachorro". 
Noutrasocasioes, estamos chaos de ideas e pen samentosdevados. 

2. Nadadentrodemim parece-metaoequilibradacomoavontade; 
entretanto, nao convem louva-la em demasia, pois que na maioria das 
vezeslhefaltaaforgaparaaexecucao. Dequando em quando sou levada 
a uma boa acao e nao a realizo, ou fago justamente o contrario. N ao sei 
disto a causa mas e um fato. 

3. Jesus, meu amor, com Tua Imensa G raca mefoi dado lancar um 
olhar em Tuas C riacoes I mensuraveis e sei, por isso, mais que todos os 
sabiosdestaTerra. C onhego o quejaz na profundeza deTeusC eus, - por 
quenaochegoaconheceramim mesma?" 

4. Digo Eu: "Por seres uma criagao muito mais extraordinaria que 
todos os astrosemundos, em conjunto! N o coragao do homem repousa 
um C eu de maior deslumbramento que esse que ora avistas. 

5. Ve, toda materia eum julgamento eum imperativo eneo! Podes 
pesquisar sua consistencia i nterna eexterna; algunsfarmaceuticos possu- 
em ateacienciadedesintegrar a materia em seuseiementosbasicosTal 
saber chama-se a "qui mica" que sera mais e mais aperfeicoada. 

6. Destemodopoderasanalisartantoumapedracomoum mundo 
completo, em todos osaspectos. M athael eperito nessaciencia, e Andre, 
quefoi adepto dosessenios, aprendeu-a no Egito. Ambosserao capazes 
deteexplicarcom muitaprecisaoehabilidadea consistencia dum plane- 
ta. Todavia, contem a materia algo quejamais podera ser analisado por 



Jakob Lorber 

296 

um quimico, porquanto seus elementos - que em si encerram causas 
espirituais- so poderao ser penetrados por um espirito puro. 

7. Se os elementos jasao portadores de segredos infinites, - muito 
maistal seda com alma eespiritohumanoslEstaciencianaoseaprende 
pela quimica, por isto Eu vim Pessoalmente ensinar as criaturas o que 
jamais ten am descoberto por si proprias. 

8. Ves, portanto, terem sido dificuldades como a tua que M e trou- 
xeram do Ceu, dando-tea nocao ser possivel nao agiresdeacordo com 
tua vontade, e sim, levada por motivos externos, desconhecidos, pois a 
exigencia da carnedetermina nao raro tua atitude, contraria a teu espiri- 
to. A vontadenaofazpartedaalmaquecriou cameesangue, delesabsor- 
vendo o al i mento para sua formagao, - e parte i ntegrante do amor, M eu 
Espirito dentro de vos, razao pela qual nao sois apenas criaturas, mas 
Meusverdadeirosfilhos, egovernareisComigotodoo Infinite Para tan- 
to necessitais, primeiro, dum complete renasci mento espi ritual, docon- 
trario nadaseraconseguido. Compreendeste?" 



164. Renascimento 

1. DizYarah: "Nao inteiramente, pois nao consigo perceber 
com clareza o que venha a ser o renascimento em espirito. Como 
deveser interpretado?" 

2. Digo Eu: "Isso aindanao podeisassimilar, poisfalandodecoisas 
terrenasnao M ecompreendeisinteiramente, - como poderieisfaze-lo se 
trato deassuntospuramentecelestes?! Afirmo-vos, secomecasseadiscor- 
rer sobre as coisas divinas, aborrecer-vos-ieis, dizendo: Este homem e 
doido, poisfala contrariando a razao ea Natureza! Como, pois, aceitar 
seutestemunho? 

3. Eis por que compreendereis o renascimento pelo espirito e no 
espirito, apenas, quando Eu, como Filho doshomensedo homem, for 
elevado daTerra, qual Elias! So entao espargirei dosCeus M eu Espirito 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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plenodeverdadeeforcasobre todos osMeus, - eisto vospossibilitarao 

renascimento espi ritual, trazendo-vos a verdadeira compreensao. Ate la 
ninguem podera renascer, completamente, noespirito, incluindoAdam, 
Moyseseosprofetas 

4. Atraves de M inha Ascensao todos nascidos nesta Terra, que de- 
monstraram boavontadeemboranem sempreagissem deacordo, - pode- 
rao alcancar esse estado. Pois muitos existem, possuidores da melhor boa 
vontade para realizaralgode bom; faltam-lhes, porem, total menteosmei- 
os, forcas externas e habi I idades tao necessarias como os olhos para a visao. 
N essecaso a boa vontade vale tanto, para M im, como o ato realizado. 

5. Seporventuravesalguemcairnum rio tens vontade deajudaro 
infeliz, - embora sabendo quenao esnadador; num impeto desocorro 
serias tragada pela agua, junto com ele, por isso procuras alguem que 
possa salva-lo. Assim, M inha filha, a boa vontade vale tanto quanto a 
propriaagao - eisto em milharesdecasos, ondeaceito a intencao como 
seforaaobra. 

6. Dar-te-ei outro exemplo. Sentes vontade deajudar urn pobre, 
embora nao possuas os meios necessarios; vais, entao, pedir aos ricos, 
implorando-lhescaridadeparateu tutelado. egoismo dosbem situa- 
dos, porem, nao perm ite que abram maodealgum dinheiroeesobriga- 
da a deixaro pobre seguircaminho.Tristeechorosa, apen as podes pedir 
aDeusqueofavoreca. E is outro caso em que tua boa vontade eidentica 
aagao. 

7. Pessoas dessa indole muitas houve, ha e ainda havera; todas das 
tomarao parte do renascimento espiritual em suas almas! Asam, propor- 
cionei-vos a todos a razao por que ainda nao podeis compreender o que 
venha a ser o renascimento do espirito; somente quando tiverdes alcan- 
gado estegrau, sabereisporquenao o assimilaveisanteriormente Perce- 
bes o motivo que te i mpede a compreensao?" 

8. DizYarah: "Sim, Senhor, meu unico amor! Esclareceso assunto 
deformataoclaracomooSolnozeniteiluminaaTerra."Emseguidaela 
promete nao mais rir no futuro da agao tola do proximo. 



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165. CORNELIUSE YARAH 

1. Entrementes, tanto Corndi us quanta Fausto ePhilopoldo nao se 
conformam com a intdigencia da menina eo primeiro M e pede licenga 
para se d i ri gi r a Yarah . Naturalmentelha concede com a recomendagao 
defazer perguntas inteligentes; todosa mesa, aguardam com alegria a 
predita controversia. 

2. Quando, porem, quer iniciar a palestra, Cornelius procura urn 
assunto propicio, por saber que em nossa assembleia so se espera ouvir 
coisasprofundas. Quanta maisrefletemai or dificuldadecomecaasentir, 
poisnaodescobreumtemadereal valor. Finalmente,vira-se para Mime 
diz: "Julgava tal empreendimento bem maisfacil; quanta maismedito 
maior setorna a dificuldade." 

3. Digo Eu: "Bem, senadadeextraordinario teocorre, indaga-lhe 
umacoisaqualquer." 

4. Responde ele: "Pois nao, entretanto nao e possivel tocar em 
algo banal." 

5. Yarah, percebendo-lheo embaraco, diz: "Caro amigo, permite 
que te faga a pergunta, poisastenhoasduzias." Dizde: "Seriaotimo! 
Q ueacontecera, porem, senao me for possivd responder a altura?" 

6. Responde da: "N ada de mais! Eu mesma terd as respostas; tu 
farasojuiz! Paramim nada i m pede faze- 1 o, eo Senhor, como meu amor 
eterno, nao meimpoerestrigoes, porquanto entre Sua Sabedoria Infinite 
ea nossa, limitada, naohapossibilidadedecomparacao. 

7. Coisaalguma altera nossas rdagoes para com Elesefalarmosmais 
ou menosintdigentemente; nadasomosaSeu lado, esealgoexistedentro 
de nos de real valor, - e E le M esmo em nossos coracoes pda Sua G raga. 

8. A esta mesa estao alguns que me impoem o maximo respdto e 
nao convem desafia-los. Sd de muita coisa que, ateentao, alem do Se- 
nhor eRaphad nao hamaisquem asaiba, porquanto Ihefaltam asexpe- 
riencias. Deque meadianta, porem, o conhedmento sideral, quando 
souestranhanaTerra?" 



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9. Diz Cornelius: "A quem, em nossacompanhia, dedicas tan- 
to respeito?" 

10. RespondeYarah:"A Mathael,oVice-reidoPontusCreioquea 
cem perguntassuasnao poderia responder uma sequer." 

11. Intervem este "6 filhinha, tomaste-tederepentetao modesta! Em 
absolute ser-me-ia possi'vd confundir-te poisconheco tua penetrante pers- 
picacia. Se o proprio Raphael ja se precavem, quanta mais nos! E o nobre 
Cornelius bem fazem acautdar-secontigo: esumararaexcegaodeteu sexo. 
N aosou inculto, noentanto, nao haveriadequererarriscarum desafio inte- 
lectual com teu saber. Ddxar-meensinar porti - seriagrandesatisfacao!" 

12. DizYarah: "Eiso que acontece quando u'a meninapossui al- 
gunsconhecimentos: ninguem seatreveafalar-lhe! Q uaseseria preferivd 
termenoscultura- enaometomariadesagradavd para os ami gosi nte- 
ligentes. Que fare? N ao posso saber menosquesd, por nao ser possivel 
enfraquecer a Luz de meu coracao. Esta Luz aumenta meu amor para 
com o Pai mais Santo de todos os pais! Se pudesse abrandar este meu 
unico amor, prontamente me tomaria tola! conhecimento que me 
vem destesentir nao emeu, esim do Senhor dentro demeu coragao, o 
que, em absolute, podera impor uma barrdra entre mim e meu seme- 
Ihante Por isto, ComdiuseM athad, poderdsfalar-me" 

13. Dizo primdro: "Como n ao? Tod avi a e d i f f ci I palestrar contigo 
por conteres tamanho saber em tua alma. Es muito querida e amorosa; 
perguntar-te algo e pedir-te que externes urn problema - seria arriscar 
muito! Alem disto possuo certo grau de presuncao e nada mais meetao 
vergonhoso quever a descoberto essafraqueza. Fui educado assim esera 
dificil livrar-medestatendencia. Pego-te agora urn pouco de paciencia 
para que possa perguntar-te algo de valor." 



166. Problema 

1. Yarah secala, aguardando que C ornel i us se I he di rija. Ele por sua 



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vez, revista a memoria sen achar algo deapreciavd. Por fim, alguma coisa 
Iheocorreedecomega: "Bern, dize-meo quevem a ser o Sol, pois irradia 
luzecalortao intensossobreaTerra, etambem o quevem aseseusde 
mentos Recompensarei regiamenteteuspossiveisesclarecimentos" 

2. D izela, meio ironica: "N obresenhor, destemodo seprocuratirar 
dum lago ospeixesdeterioradosqueo infestam! Compreendes, senhor 
capitao Cornelius?! Sepossuirestesourossuperfluosterasoportunidade 
de socorrer os pobres desta cidade. Eu, porem, nao necessito de recom- 
pensa daTerra, pois tenho o amor divino, que representa o unico e mais 
elevado premio! 

3. Responded a tua pergunta, porquanto nao devo resposta a quern 
quer que seja. U m pagamento material seria urn dos maiores pecados, 
primdro por tira-lo dos pobres, segundo por impedir que fizesses algo 
verdaderamentebom, em virtudedesereu mesma possuidoradetesou- 
ros imensos, que nao serias capaz de pagar com todo Imperio. Eu, no 
entanto, necesato deles tao pouco como detua oferta. 

4. N ao julgues que esteja externando tendencia orgulhosa, mas 
sim, a verdade pura e inofensiva; seal i mentasse uma particula de orgu- 
Iho nao estaria ao lado do Senhor eM estre! A tentativa nao tesaiu bem, 
caro Cornelius! 

5. Criaturasiguaisamim, possuidorasdumagraca- emboraimere- 
cida - devem ser julgadas e tratadas por pessoas mundanas de modo 
diferente. Pensavasqueeu, garota decatorzeanos, fossetao vaidosa como 
as outras, devendo sentir satisfagao enorme em metrajar com vestes de 
princesa; tal vaidadedistatantodemim comoamenorestrda, daTerra! 
Assim, desiste detua oferenda, do contrario nao te responderd." 

6. Diz Cornelius: "Pois bem, faze como o desejas; aguardo 
teu ensinamento." 

7. A meninaconcentra-seediz: "Desejasdesvendarossegredosdo 
Sol, a causa de sua luz e calor intensos, bem como de seus dementos 
Bem, poder-te-ia responder de modo completo; de quete adiantaria? 
Poderiascrer como o cego, a quern seafirma umaflor ser vermdha. Tela 
ele meios de certificar-se disto? N esta vida, dificilmente, eno Alem, a 



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almalibertapouco ligaraatal afirmagao. Laseracapazdeabarcardeum 
so golpemuito maisdo queaquilo queaprendeu em vida, durante cin- 
quentaanos" 

8. Confirma Cornelius: "Realmente,tensrazao.Jamaispoderei com- 
provartuasafirmacoessobreo Sol. Sabendo-te, porem, incapazdeprofe- 
rir mentira, porquanto teu saber seorigina no Senhor, - aceitarei tudo 
quemedisserescomo plena verdade." Dizela: "Veremos se nao irasdar 
deombros!Ouve-me, pois! 



167. Sol Natural 

1. (Yarah): "0 Sol etanto quanta nossaTerracompletamentehabi- 
tado, apenas diverge em tamanho que e mais de urn milhao de vezes 
maior. A luz que emana daquele planeta i men so deriva da atmosfera que 
o envolve. Sua superficie mui lisa se acha num constante atrito com o 
eter, produzindo quantidade incalculavel de fortes coriscose assimilan- 
do, ao mesmo tempo, em seu espelho esferico, a luzdeeoesdesois, que 
projeta em todas as direcoes. Atraves desta iluminagao solar a Terra e 
demais planetas recebem luz ecalor. Este, porem, nao sefaz pela luz; e 
produzido laondecaem seusraios 

2. A luztem sua origem distante, o calor, no entanto, egerado aqui, 
em virtudedagrandeatividadeaquesao levadoscertoselementosdo ar, 
da agua e do solo (elementos atomicos). Precisamente essa atividade da 
causa a tepidez, que atinge o maximo calor pela acentuada agao desses 
elementos A medida quea luz e levada ao I nfinito, a calidez aumenta. 

3. Certamente, perguntar-me-as: Quern poderia habitar o Sol, nessas 
condic6es?Se la a luz etao forte, o calor nao sera menos! - Tal, porem, nao 
seda. N o centra do mundo solar, propriamentedito, nao penetra nem a 
milioneama parte do potencial luminoso do Sol, desortequeem seus 
conti nentes, a luzeo calor nao divergem muito dosdaTerra, permiti ndo as 
criaturas de Deus, muito bem, la se manterem. Apenas nao existe noite 



Jakob Lorber 

302 

porquanto no Sol tudo seencontraem luz propria eindestrutivel. 

4. Sebem quesaishabitantesdesconhegam a noite, - podem per- 
feitamentelocalizarasestrelaseastrosquegiramemtornodaTerra. Esse 
fenomeno ecausado pelaatmosfera rarefeitaqueo envolvenumaespes- 
sura de mil e duzentas horas, a qual somente em determinada epoca e 
turvada por nuvens densas Extinta essa turvacao, facil e observar tudo 
aquilo quegiraem torno do Sol. 

5. Ele efetua a rotacao no decorrer de vinte e nove dias, podendo 
seus habitantes, paramim osmaissabiosebelos, deste modo observar o 
C eu estrelado, mormente os da esfera central. s seres dos outros aneis 
correspondem aosdemaisplanetas. 

6. Q uanto aorganizacao interna desseimenso mundo solar, tenho a 
intuigao dequeeconstitufdo porvariossois- unsdentro dos outros- e 
separadosnumadistanciadeduas,tresaquatromil horas. Essa distancia 
esta sujeita a variagoes, porquanto os sois internos muitas vezes se dila- 
tam para, depois, voltarem ao estado normal. Os espagos entre uns e 
outros sao cheios de agua ou oxigenio. - Ignoro a causa disto tudo. Se 
desejaresmaioresesclarecimentosdevestedirigir ao Senhor e M estre, a 
meu lado." 

7. RespondeComelius: "Agradego-te, meninaadoravel, pelaexpli- 
cagao dadaequeaceito desdeo Alpha ao mega, poisnao en contra nela 
algo de irrazoavel. M as.., qual nao sera a distancia do Sol para a Terra, 
porquanto, apesar detao imenso, parecetao pequenino?!" 

8. D izYarah: "Porora, naoexistecalculo nestosentido; osegipcioso 
possuiam eseus descendentes na Europa inventarao um novo. C ontudo 
possoteafirmanaflechaquefossedaqui projetada com a maxima forca 
levariavinteanospara lachegar. 

9. Podes fazer o calculo: mede o tempo que uma flecha leva para 
alcancarmil passoseverificarasnecessitareladedoisinstantes. Umahora 
possui mil oitocentosinstantesduplificados; um diacontem vinteequa- 
tro horaseum ano, trezentosesessentaecinco dias C ientedisto esaben- 
do contar, teras a distancia do Sol ate nos N ada te posso informar alem 
disto, pois faltam-me medida e numero suficientes. Calcula quarenta 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

303 

vezesum milhao dehoraseteras, aproximadamente, o calculo desejado." 
10. Cornel iusarregala osolhosediz: "Q uem teriai magi nadotal capa- 
cidade nesta menina?! U Itrapassa o proprio Euclides! Senhor, dize-meTu, 
se devo aceitar suas afirmacoes. Tenho a impressao de serem acertadas." 



168. AsDUASFONTESDE CONHECIMENTO 

1. D igo Eu: "N ao sao propriamente um Evangelho, mas nao dei- 
xam de ser verdades que, com o tempo, trarao seu beneficio para a cura 
da supersticao, pois neste terreno nao existe esfera mais propicia que o 
Ceu estelar. Porenquanto nao echegado o momento deproporcionarao 
homemumaorientagao complete; trata-se, antes demaisnada, detrans- 
formar as larvas humanas em reais criaturas. 

2. Isto so podeser conseguido pelo conhecimento quevao tendo desi 
mesmaseconsequentementedeDeus, amando-0 acimadetudo ecom 
toda a forca de suas almas U ma vez f irmadas neste pri ncipio e capazes de 
receber o Espirito D ivino, estarao aptas a aceitacao das verdades ocultas e 
compreende-las Sefosseo cerebro humano abarrotado detais revel acoes, 
nao seriacapazdeasassimilar, podendo o homem ateenlouquecer. 

3. Por isto epreciso considerar o seguinteprincipio: eimperioso aos 
homens se tomarem verdadeiras criaturas antes de Ihes ser ministrada 
qualquer ciencia, pois que se Ihes tornaria prejudicial. Todas as ciencias 
entretem o intelecto localizado no cerebro. coracao, como base vital, 
continuadesajeitado, rudeeselvagem qual fera, epodeatepraticar mal- 
dades com auxilio da ciencia. N um coracao ateu o saber eumfanal para 
toda sorte de atrocidades. 

4. Por isto, M eusamigoseirmaos, tratai primeiro daverdadeira luz 
vital paraoscoragoesdosignorantes, fazei com queo intelecto psi'quico 
seja iluminado, - etoda sabedoria setomara uma bencao divina! 

5. N ao deixa de ser apreciavel vasto conhecimento, pois permite 
aconselhar a muitos; melhor, porem, eum coragao amoroso esincero. 



Jakob Lorber 

304 

amor anima e vivifica, enquanto a ciencia apenascorrespondetempora- 
riamenteasexpectativas, para depoisseentregar ao ocio. 

6. N esta epoca, a ciencia poderia ser de alguma utilidade a criatura, 
entretanto, prejudica-la-ianodespertardoespirito. Seoconhecimento surge 
pda luz espi ritual como acrescimo justo, ja se torna pleno do sentimento 
vital, que, como a luz solar, naosomenteilumina, mas vivifica eproduz. 

7. Crede-M e: osinumerosmilagresquegiram no Espaco Infinite se 
encontram ocultosno espirito decada um.Tratai, pois, queelesejacom- 
pletamente despertado e sereis capazes de ver e sentir em vos mesmos, 
com maxima clareza, o que jamais alguem viu esentiu. 

8. Aquelesqueem M im, o Filho do homem, reconhecem eamam a 
Deus, ja desfrutarao em vida inumerasfelicidades, decujas maravilhas 
ateentao o sentido humano nao seapercebeu. Pelo caminho da ciencia 
jamaisalguem o conseguira! Compreendes isto, Cornelius?' 



169. Futuro da Revelacao Divina 

1. DizComelius: "Senhor,TuasPalavrascontem uma plenitude de 
verdades, ateentao ineditasdentrodavidahumana; poissejahouvessem 
sido externadas, certamentealgunsasteriam aceito epraticado, nao pas- 
sando o efeito despercebido. 

2. Assim, merecem Socrates, PlotinoePhrygiustodanossaadmira- 
cao como espi rites elevados, bem como variosintelectuaisde Roma que 
descobriram a pista do Deus nico e Verdadeiro, atraves dum esforco 
heroico na luta contra as leis politeistas 

3. Platon jaafirmou queo Deus nico, emboradesconhecido, de- 
veria ser o amor. Q uanto mais sobre Ele meditava mais calor sentia em 
sen coragao; percebendo quetal agradavel fenomeno aumentavaeo me- 
dico lhediziaqueeradoenga,osabioserira,afirmando:"Seistoemoles- 
tia desejo que se agrave, pois e-me incomparavelmente mais agradavel 
que a saude tao louvada por ti." E Platon continuava a amar cada vez 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

305 

maiso Grande Desconhecido, contando que, em momentos de extase, 
chegou ave-Lo como sea Elesehouvesseintegrado, sentindo umafelici- 
dadeindescritivd. 

4. Fatos identicos foram tambem relatados por outros sabios; seus 
ensinamentosporcertoteriam trazidograndesbeneficiosascriaturas, se 
na divulgacao os tais servos de D eus nao se Ihes houvessem anteposto 
com todasortedeatrocidades. 

5. Semprefoi assim e, certamente, perdurara tal estado decoisas, 
i mpedindo que a verdade pura jamais encontre aceitagao geral; seus sa- 
cerdotes, levadospor i n teresses ego f sti cos, interceptam-na, ocultando-a 
num labirinto edesviando o caminho reto num sem numero deatalhos, 
que circundadosdemuralhastenebrosas, jamais permitem ao pesquisa- 
dor encontrar o centra da verdade 

6. Sen hor,Tua Propria Doutrina nao terafuturo diverso, desdeque 
um sacerdote nela se venha sobressair! N ao resta duvida de que os 
doutrinadoressao indispensaveis, mas entredez certamente seencontra 
um perverso quecontaminara oscolegas, - eadeus, verdade! 

7. M oyse^osabiodeCaircadotadodesdecriangapelafilhadoFarao, 
einiciadoem todasasciencias, gravou a Verdade Divina em quadras de 
marmorequemandou transmitir ao povo, com a recomendagao deseguir 
os M andamentos, sob riscodecastigosseveros Aindanaosepassaram mil 
anos- equal o efeito detodo esseesforco?! Alem deseu nome- nada mais 
ha a registrar! nde esta a Area da U niao, tao milagrosa e vivificadora? 
nde as pedras usadas pelo profeta que deveriam durar por etemidades? 
Seussucessoresasdestruiram em virtudedeseuspropriosinteresses! 

8. Por isso afirmo, sem ser profeta: Tua Doutrina tera o mesmo 
destino se a entregares nas maos dos homens. D aqui a mil anos estara 
terrivelmente deturpada e as criaturas terao de procurar a verdade em 
plena luz do dia, sem encontra-la, qual D iogenes. 

9. Persistiraocultamentenoscoracoesdealguns; a maioria, porem, 
apenaslheconhecerao nomeeascerimonias, fatoresquesenosdeparam 
com ospropriosfilhosdeAbraham. Q uem, hojeem dia, entendealgo do 
espirito contido nasLeismoisaicas?Reafirmo: os homens sempre foram 



Jakob Lorber 

306 

econtinuarao osmesmos, com poucas excecoes. 

10. Sempreseentusiasmam pelasnovidades; umavezqueaelasse 
habituem, ascoisasmaiselevadassetornam corriqueiras, sem valor ede 
pouco interesselTalvez que para serem animados preciso seja quese Ihes 
ministre a doutrina com matizes variadas que nao prejudiquem a boa 
causa; do contrario a H umanidade criara, por enfado, novamente urn 
bezerro deouro, edancaraalegrementeem torno deseu idolo. 

11. Assim, ate se devem desculpar certos sacerdotes por venderem 
ao povo lantejoulasao invesdaverdadeirajoia, poisquando a avalanche 
das trevas se torna por demais poderosa, nao mais e possivel a criatura 
lutar contra ela,ficandoateosacerdotebemintencionadoepossuidorde 
pequena luz verdadeira, obrigado a agir desse modo, caso nao queira 
sucumbir. Senhor, nao seria possivel curar a H umanidade desse mal? 
N ao vejo razao por que deva perecer constantemente!" 



170. A DlGNIDADE DO LlVRE ARBiTRIO 

1. Digo Eu: "M eu carissimoamigolEisofatordemaiornecessidade 
parao planetacujoshabitantessao destinadosasetomarem verdadeiros 
filhos de Deus, por si proprios! A menor restricao espiritual por M im 
impostaa livrevontadedestruiriaesta M inha Intencao! 

2. Eisporqueepermitido o livredesenvolvimento nesta Terra, a 
integracaoem todososviciosimaginaveis, ate aos mais profundos infer- 
nos, bem como a aceitagao das maximas virtudes que ultrapassem os 
Ceus,- do contrario, nadafeito com aformagaodosfilhosdeDeusneste 
orbeatal fim destinado. 

3. N isto se baseia o motivo oculto pelo qual ate a mais sublime 
Doutrina de Deus pode ser atirada ao lodo! N inguem podera afirmar 
queelacontenhaalgo deanormal, injusto ou inadmissivel; entretanto, 
apresentar-se-ao com o tempo tais asperezas e impraticabilidades, nao 
possiveis de plena execugao. 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

307 

4. N um zelo exagerado ateseabaterao centenasdemilhares, demodo 
maishorrendo por queo fazem asbestassdvagens, defendendo aopiniao 
dese haver realizado servigo agradavd a D ais 

5. Eu M esmoterei deM edeixar prender pelascriaturas, eatematar, 
- seoquiserem- afimdelhesfacultaramaximaliberdadedeagao. So 
atravesdessa independenciaoshabitantesdaTerraterao acapacidadede 
seelevar a f i I hos verdadei ros, semelhantesao Pai, isto e, asemideuses. 

6. Assim como Eu Proprio sou D eus apenas pela M inha Forga de 
Vontade irrestrita, deEternidadesem Eternidades, - tambem vosdeveis 
tornar filhos de M eu Amor! A fim de consegui-lo preciso e a educagao 
espi ritual que, absolutamente, edeteu agrado. Refleteeverificarasnao 
serpossivd demodo diverse Para queconsigaalcangar a maxima perfd- 
gao, forgoso equepasseacriaturapdo maisinfimo grau do pecado!" 

7. DizCorndius, aposter refldido um pouco: "Senhor, estasefa- 
zendo pequena luz no meu peito; entretanto, ainda existem algumas 
nuvensqueimpedem apendragaodaluzcomplda. Certosmomentos 
ha em que compreendo as coisas tao profundamente que nao resta a 
menor duvida. Todavia nao posso afirmar queesteja plenamenteequili- 
brado na esfera da verdade. 6 Senhor, poderias depositar claridade mais 
intensaem meu coragao?' 

8. Digo Eu: "Como nao?Acontece, porem, que isto nao seriaobra 
tua, esim M inha, portanto algo de heterogeneo dentro deti. N ao neces- 
sitarias procurar, pedir e bater em portas alhdas 

9. Q uero, - etenho dequere-lo - quecadacriatura evolua no cami- 
nho por M im tragado, conquistando pdo proprio esforgo e sacrificio 
aquilodequenecesataaquienoAlem;deoutromodo,jamaissetoma- 
ria independente. A independencia plena eum dos fatores mais indis- 
pensavds para a maxima bem-aventuranga. 

10. Vea situagao dum servo imperial: possui quasetudo queseu 
senhorecomeebebeasmesmasiguarias Acompanha-oem seuspassdos 
usufruindo as mesm as vantagens Todavia, afdicidadede am bosediver- 
sa. Muitasvezesolacaioconjetura:Tenhoum patraoquenadadeinjusto 
meexige, sou bem tratado econsiderado. Se, no entanto, eu meexcedes- 



Jakob Lorber 

308 

se, poderia alegar: Tratei-tecomofilhoeexigi-teum servico leveejusto; 
tu, porem, queriasultrapassar-meecomegasteafazero senhor; por isso 
naomaisnecessitodeti.Deixaaminhacasa!- Entaoteriadeabandonar 
meu empregoetomar-memendigo, enquantoelecontinuariasenhorde 
su as posses 

ll.Tal pensamento, Meuamigo, turvamuitasvezesafelicidadedo 
lacaio. patraoerealmentefeliz, poisaindaqueameofiel empregado 
nao preci sa temer que este o abandone, porquanto com fad I i dade arran- 
jariaoutros Continuasendodono independentedesuas terras etesou- 
ros. Suafelicidadenao podeserturvada, enquantoadoservo, ocasional, 
periclita a cada momento. 

12.0 mesmosedaaqui. Enquanto for preciso que Eu,o Senhor de 
todaVida eLuz, vos insufla constantementeo conhecimento ea com- 
preensao, sois apenas meus servos, pois poderei manter-vos na Luz e 
V ida o tempo que M e aprouver. D onde haveneis de querer busca-las?! 
N ao desperta em ti forte temor apenas o pensamento desta possibi I i da- 
de?! Enquanto ainda houver na alma qualquer receio, medo, pavor, - 
impossivel eacriaturafalarem bem-aventuranca! 



171. Inclinacao e Destino do Homem 

1.(0 Senhor): "JustamenteporestemotivoEu vim Pessoalmentea 
esta Terra, destinadaagerar Meusverdadeirosfilhos, eparavoslibertar 
dos elos da necessidade criadora e vos demonstrar o caminho da real 
liberdadedavida, atravesda PalavraedaAcao, aplainando-o pelo Meu 
exemplo. U nicamente por essa estrada sera possivel ingressar na G loria 
i mensuravel de D eus, M eu e vosso Pai ! 

2. Como H omem sou vosso semelhante; dentro deM im, no entan- 
to, habita a Plenitude riginal da G loria D ivina do Pai, que em Si e o 
Amor Puro. N ao vos digo isto como H omem, pois o Verbo que vos 
dirijo eoVerbo do Pai dentro deM im equeEu bem conhego, enquanto 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

309 

isto nao seda convosco. SeO conhecesseis, M inha M issao seria inutil. 
Justamente, pornuncaO terdesreconhecido, Eu vim Pessoalmentepara 
vo-Lo mostrar eapresentar. 

3. E daVontadedo Pai quetodosquecreem em M im, o Filho do 
homem porEleenviado, possuam aVidaEtemaeaGloriadeDeus, a 
fim desetomarem verdadeirosfilhosdoAltisamoepermanecerem como 
taisparasempre. 

4. Para que isto seja possivel C eu e inferno devem habitar debaixo de 
urn so teto. Sem luta nao havera vitoria! Existindo oportunidadede al- 
cancar o maximo, mister setorna fazer uso da maior atividade; para atin- 
gir urn extremo, epreci so sedesprender do polo oposto. 

5. Como, porem, imaginar qualquer extremo sublime sem o polo 
contrario?! Acaso algum devosseriacapazdeimaginar montanhassem os 
vales que as separam?! N ao sao os cumes calculados pda profundeza dos 
baixios?! Devem, portanto, existir vales mui profundos - e quern neles 
habita tera de lutar com muitas dificuldades para alcancar os picos, onde 
descortinaraum panorama deslumbrante Senao houvesse vales tarn bem 
nao haveria montanhasepessoaalguma poderiagalgar asalturas 

6. Esta comparagao nao deixa de ser material, entretanto, contem 
umasimilarecorrespondentedaimensarealidadeespiritualepara quern 
possa equeira refletir esta seapresentara sempre poderosa. 

7. N a esfera psiquica, sois convocados e escolhidos para alcancar o 
maissublime, - portanto tambem deve haver o maismfimo. Recebestes 
a vontade I i berri ma e a forca de veneer a baixeza dentro de vos, atraves da 
nipotencia D ivinacontida no espirito. Ve, M eu caro Cornelius, assim 
andam ascoisasecondigoesdevidasobreaTerra, porquenaopodem ser 
diferentes Espero que nao apresentesoutra indagagao a respeito! 

8. Poder-te-ia levar, em espirito, aoutrosplanetasondeencontrarias 
tudotaoperfeitocomoasobrasrealizadaspelosanimais;quelhesadianta 
talmon6tonaperfeigao?Satisfazunicamentesuasnecessidadesrestritase 
fastidiosas Passando disto nao vesuma variedadesequer. 

9. Seria possi'vel educarfilhosdeDeusnessascondicoesdevida?! 
Em vos, criaturas, repousam possibilidadesinfinitas, apenasnao desen- 



Jakob Lorber 

310 

volvidas. Por isso a crianga recem-nascida etao desabrigada e muito mais 
atrasadaquequalquer animal nessascondicoes Predsamenteporsertao 
fraca, completamente inconscientecomo um receptaculo vazio, - pode 
galgar a maxima consciencia divina esetornar apta a perfecao. 

lO.Guardai bemoquevosacabodefalareagi assimquealcancares, 
infalivelmente, aquilo para quefostesconvocadoseescolhidos para todo 
o sempre! D ize-M e, amigo Cornelius que pensas a respeto da Terra, 
suascriaturasem luzetrevas?' 



172. CorneuusRecordao Nascimento do Salvador 

1. Depoisdemeditarum poucoo romanodiz: "Senhor, realmente 
eassim mesmo! Persisto, porem, naafirmagaodequejamaisseriamere- 
cedor deTua Presencaem minhacasa. EsAquelede Quern David, o 
grandeRei dosjudeus, cujossalmosli quando menino, predisse: "Levantai, 
6 portas, vossas cabecas para que possa entrar o Re da G loria! Q uem e o 
Rei da G I6ria?0 Senhor Zebaoth! 

2. Comojadisse; sabiadissodesdeminha infanciaev coisaextraordi- 
naria: fui testemunha deTeu N ascimento em Bethlehem, onde mostrd a 
teus paisterrenos um meio defuga a perseguigao crud do vdho H erodes 

3. Contavaeu naqudaepocavinteecincoanos. H ojetenhomaisde 
cinquenta, tendo nessestrintaanospassado por muitas vicissitudes; en- 
tretanto, as palavras de D avid eTeu N ascimento com todas as aparicoes 
milagrosas, perduram vivos na minh'almacomo se fosse hoje 

4. M entalmente repeti sempre o salmo em Bethlehem e quando 
curastemeu servo, tendo aindaagrandeGracadoTeu Encontro posteri- 
or! Agora tarn bem testemunho queTu, unicamente, eso GrandeEterno 
Re da G loria! E senao fosseso Re Zebaoth, - como poderiasTeexpres- 
sar como ha pouco?! 

5. Seao menos pudesse gravar na memoriaTuas Palavras Santifica- 
das! Essa capacidade sempre foi meu desejo, masguardo-lhesapenaso 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

311 

sentido. Teus Ensinamentos ultrapassam todas as concepcoes humanas 
e, embora asentenda, perduram somentecomo um sonho nitido; terei 
dificuldadederepeti-losem casa." 

6. D igo Eu: "0 ra, nadamaisfacil queisto, poistemoso anjo Raphael. 
Faze-lheentregadealgunspapirosqueprontamenteanotaratodoo M eu 
Discurso, aliasdegrandeimportancia." 

7. Com enormesatisfagaoComdiusmandatrazerospapiros, atin- 
ta e uma caneta dourada. Levemente o anjo toca os papas com a pena - 
e no mesmo instante as vinte paginas estao completas. Em seguida os 
entrega a Cornelius que muito se admira de sua agilidade pois nunca 
assistira a escrita veloz de Raphael, efetuada ate em grego e latim. Ate 
mesmo Kisjonah, Fausto ePhilopoldo ficam estupefatos, eo ultimo in- 
daga ao anjo da possibilidade. 

8. Responde Raphael: "Amigo, isto nose muito fad I com ajudado 
Senhor - todavia nao teposso explicar o "porque". Trata-seduma capaci- 
dadecomum atodososanjospurosaqual naoseprendeapenasaescrita, 
masaqualqueragao poderosa. Sedesejassedestruiru'amontanhaou ate 
umaextensacordilheira, secar um lago ou criar um continenteondeora 
existeo mar, exterminar um planetaou um Sol, milhoesdevezesmaior; 
semequisessesenviar ao astro maisdistante, exigindo uma prova eviden- 
tedeminhaviagemaerea, - tudo isto farianum so momenta, eser-te-ia 
impossivd perceberminhaausencia. "como" soecompreensi'vd para 
um espirito puro. 

9. Q uandoforescompletamenterenascido pdo espirito, compreende- 
lo-asefaraso mesmo; antesdisto nao te sera dado reconhecertaisfacul- 
dades, mesmo setefossem intdramenterevdadas. Pergunta-te de que 
modo teu pensamento pode se encontrar de modo tao vdoz ora em 
Roma, ora em Jerusalem, e novamente onde agora te encontras! Se o 
puderes explicar tambem compreenderaso quesedacomigo." 

10. Diz Philopoldo: "Sim, criatura celeste, o pensamento humano 
semovetao rapidoqueeimpossivd registrar-se-lheacderidade, masde 
nada representa alem dum quadro demero. Caso alguem o qudra por 
em execugao, teradedespender muito esforgo etempo; contigo, porem, 



Jakob Lorber 

312 

demodomilagrosodejasetomaumaobra. Eisagrandediferencaentre 
os meus e os tais pensamentos" 



173. Natureza e Destino dosAnjos 

1. Diz o anjo: "N ao tens razao! Deixa que teu espirito alcance o 
renascimento eteu pensamento seapresentara como obra perfeita e mi- 
lagrosa em tudo quese baseia na rdem D ivina! 

2. N ao venhasa pen sar seja eu o autor, poistudo efeito pelo Espirito 
Divino, que, decertomodo, perfaz epreencheminha natureza intrmse- 
ca; nos, anjos, no fundo nadamaissomosqueemanagoesdesse Espirito! 
Somos Sua Vontade person if i cada eon i potente; nossa boca externa o Seu 
Verbo e nossa beleza e urn pequeno reflexo de Sua G loria e M ajestade 
jamais concebidas! 

3. Embora D eus, o Senhor, seja I nfi nito em Sua Sabedoria eO nipo- 
tencia, no Amor Paterno EleSeacha entre vos como Homem limitado. 
E justamenteesteAmorquevosdemonstracomoCriaturatambem nos 
proporcionaapossibilidadedenosmostrarmoscomov6s,poisforadisto 
somosapenasluzefogo, projetadosem Pensamentos criadores pelo Es- 
pago Infinite, plenos do Verbo, Podere Vontade Eternos! 

4. Espirito, porem, ou seja, aVerdadeiraChamadeAmordo Cora- 
gao de D eus, pel o qual vos tornais Seus verdadeiros filhos, e-vos dado, 
comocriaturasdesteorbe, apenasagoraevosprivilegiaenormemente, tan- 
to queteremos de palmilhar a mesma trilha para nos igualar a vos 

5. Enquanto permanecermos anjos somos apenasosbragosededos 
do Senhor e nos movimentamossomentequando Elenosinspira, assim 
como levaismaosepesaagao. Tudo que ves em nosa Elepertence; tudo 
que demonstramose somos eo Proprio Senhor. 

6. Todos vos testes convocados e desti nados a vos tornardes aqui lo 
queeEle, em completa independence, pois que ai nda vos dira: Devds 
em tudo ser tao perfdtos como e Perfdto vosso Pai no C eu ! 



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7. SeEleassim dizaSuascriaturasdeveiscompreenderplenamente 
quesoisdestinados para algo G randioso ea diferenga infinita queexiste 
entre nos! Por ora aindasois qual embriao no corpo materno, incapazes 
deconstruirumedificiocomaforgadiminutaquetendes;quandofordes 
renascidosno verdadeiro corpo materno do espirito, sereisaptosdeagir 
como o Senhor! 

8. Acrescentarei maisisto, queo Senhor vosdira, sepermanecerdes 
nafevivaeem todoamor: Fagocoisasgrandiosasdiantedevos; entretan- 
to, aindafareisoutras, maiselevadas, diantedo mundo! Acaso Eletam- 
bem nosfala assim? Por certo que nao, pois somosjustamente Sua Von- 
tadeeAgao, peranteasquaisElepredizcomoseofizesseaSi Propria 
C om o tempo, a G raga, o Amor e a M isericordia de D eus determi narao 
urn caminho para nos, espfritos angelicais, pelo qual nos tornaremos a 
vos plenamente identicos. 

9. caminho por Ele Proprio ora encetado, se-lo-a tambem por 
todos os espfritos primarios (arcanjos), - isto, porem, nao de hoje para 
amanha, maspouco a pouco, no decorrer da Eternidade, durante a qual 
descemos e subimos num ambito infinite sem jamais atingir o limite 
dessecirculo. Embora requeira isto tempo imenso, urn dia se realizara, 
porquanto assim foi determinado naO rdem fiel everdadeirado Senhor, 
e o que la se acha estabelecido tern de acontecer, - o "quando" nao vem 
ao caso!U ma vez em evidencia tambem daraaimpressaodejaexistirde 
todo o sem pre. 

10. Tu, amigo Philopoldo, hacem anosatrasnao haviasnascido, nao 
tendo, portanto, a atual existencia; nao tens a impressao desempre teres 
vivido?0 calculo frio deteu intelecto tedemonstra nao ser isto possi'vel; 
teu sentimento ea viva impressao provam predsamenteo contrario. 

11. Demodo identico, a razao puratedizquemorrerasum dia, - e 
tudo aquilo que ora es desaparecera de sobre esta Terra. I ndaga-o a tua 
impressao eao sentimento, eambosnadasabem nem querem saber dum 
estado de morte e decompoagao. 

12. Q uem estaria dentro da justiga everdade: a razao ou o senti men- 
to? Digo-te: tanto a primeiraquanto o segundo, conscientedavida! A 



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314 

razao como biblioteca ordenada da alma, abandona-la-a com a morte 
ffsica. Tendo, tal como os membros e orgaos do corpo, a sensagao e o 
calculo materials, devepossuir tarn ben a nocao do perecfvel. utracoi- 
sa, todavia, acontececom a alma e sua consdencia propria; esta ultima, 
provindadeDeus, nuncateveinicio, portanto jamais terafim! 

13. Por este motivo, nao pode a alma - mesmo em seu mais pro- 
nunciado estado material, - i magi nar-se perecfvel esem existencia. Pos- 
suidora desse conhecimento el a se torna mais e mais lucida, e uma vez 
completamente unida a seu espfrito, provindo de D eus, a nocao da vida 
se manifesta tao clara e poderosa a ponto defaze-la perder o sentimento 
da morte, como calculo frio do intelecto, sem importancia eforca. 

14. A razao disto sebaseia no espirito do Sen hor quepenetra nao so 
todas as forcas vitais da alma, como tambem as partes psiquicas do cor- 
po, tirando-lhes total mente a nocao do perecfvel. Esse processo se da 
pelo espfrito; atravesdele, todososhu mores ffsico-etereossao, finalmen- 
te, imortalizadosjuntoassubstanciasvitaisdaalma. 

15. Tu, amigo Philopoldo, quetambem es do Alto, compreenderas 
com facilidade ser possfvel a urn espfrito esperar por tudo e nada I he 
representar tempo imenso, pois algum dia chegara sua vez abencoada, 
dentro da rdem D ivina. Resta saber qual sera o perfodo mais longo: o 
passado ou o futuro?! 

16. Por enquanto ainda sou o que sou, e este corpo fictfcio esta 
longe de ser uma alma substancial repleta de came e sangue, gerada e 
surgida por via natural; contudo, ja euma aproximagao importanteda 
qual a realizagao detal Graca nao dista muito, - eentao serei o quees! 

17. Por isto nao me ressaltes por me veres fazer milagres; ainda nao 
possuo urn "eu" individual - porquanto sou apenasa Vontadedo Senhor. 
UnicamenteEleProprio merecetodo louvor pelosfatosmilagrosos, pois 
realizariacoisasmui sublimes mesmo sem esta minhaaparentepresenca. 

18. E AquelequefezodiscursoimponenteaCirenius,equetivea 
incumbencia de anotar. Conheces-Lo de Kis e teras oportunidade de 
conhece-Lomaisprofundamente. Agora basta, poisElepronunciara uma 
vez mais Pal avraschei as de Vida." 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

315 

174. A M aneira Pela Qual Philopoldo Interpreta 
aCriacAo 

1. Philopoldo vira-se para Kisjonah,sentado aseulado,ediz:"C om- 
preendeste, finalmente, a natureza dos anjos? Sempre defendi a tese de 
naopossuirem personalidadeJaquesaoapenasideiasrepletasdaVonta- 
dedoCriadoresomentevisrveisquando Eleo julga necessario. Como 
Dais, forcosamente, projeta uma quantidade infinita de grandes e pe- 
quenas ideias, e claro estarem plenas do Poder e Forca da nipotencia 
D ivinasquando sedevem tomar evidentes, do contrario jamaissepode- 
riam manifestar. 

2. Todas as criaturas que se acham numa forma visivel, temporaria 
ou nao - como, por exemplo, num planeta com todo o conteudo de 
sereseconsi stencia propria- saoideiasprojetadasporDeusdentroduma 
vida independente. A fim deproduzi-la, necessario setornaqueemanem 
deDeus, constantes, ideias I ivreseinformes, munidasdeSuaVontade 
Estas, porem, apenasdevemteraincumbenciadeagirecriar. Indispen- 
saveis, no entanto, sao-lhesforga einteligencia, afim depoderem influ- 
enciar - como Deus M esmo - do proprio centra ao objetivo visado. 
Prestam-se, assim, a criacao deformasuteisdentro duma ordem planeja- 
da, - sem possuirem, contudo, forma propria, conformeo sabio Platon 
afirmou da origem da alma humana. 

3. Este anjo, porem, que entre nos se encontra, nao deixa de ter 
alguma forma; mas esta prestes a se tomar independente da I deia Basica 
deDeuscomo urn grandeespirito livre, queageporconta propria, parte 
dentrodesuascapacidadesisoladas, parte pelo que I he e i nsuf lado cons- 
tantemente pela Forga D ivina. 

4. N isto, parece-me,conasteaideiagrandiosadaverdadeiraFiliagao 
D ivina. Porque, enquanto uma ideiaeidenticaa Deusnaoexiste possibi- 
lidade de acao propria e individual; apenas quando for equivalente as 
criaturas terrenas podera se tomar aquilo para que fomos convocados. 
Q ueachas, minha interpretagao ecerta?" 



Jakob Lorber 

316 

5. RespondeKisjonah: "Sim, poisnadaencontrodeinaceitavel. Sou 
tudo, menossabio; entretanto, mai raciocinio natural medizquefalaste 
mui sabiamente e me alegra contar-te entre meus amigos Q uando em 
casa, continuaremosa palestrar; agora, anseio pela Palavrado Senhor! 
anjo o tinhaanunciado, mas, pelo quevejo, o Senhor adormeceu duran- 
te nossa con versa. 

6. mesmo fazem aquela menina, e muito deu que pensar a 
Cornelius, o proprio Prefeito emaisalgunsoutros, enquanto nasdemais 
mesas os animos se alteraram. Teria essa sonolencia sido provocada pela 
controversia intelectual entre ti e Raphael?! 

7. Sabes, caro Philopoldo, muito aprecio quando discorres sobre 
assuntostranscendentais; aqui, porem, naPresencadoOniscienteteex- 
cedesteum pouco, poisseo anjo fala eo mesmo que ouvir SeusProprios 
Ensinamentos Extern asteapenastuaopiniaoacercadaquiloqueRaphael 
tehaviadito. E isto, penso, provocou o sono dosoutros N ao achas?" 

8. Responde Philopoldo: "Sim, talvez tenhas razao e me arrependo 
seriamentedeter-medeixado levar pelo intdecto. N ao posso, no entanto, 
desfazer o quefiz, embora convicto de nao ter praticado uma injustica!" 



175. A Esfera do Intelecto 

1. N isto M eergo animado edigo amavelmentea Philopoldo: "Em 
absolutolTuasreflexoesquantoadiferencaentreum anjoeum homem 
verdadeiro desta Terra sao plenamenteaceitaveis. D esenvolvesteo assun- 
todemodoconciso. Meucochilofoi somenteaconsequenciadocansa- 
co fisico, poistrabalhamos durante duas noitesseguidas. 

2. Ja que es urn sabio platonico, explica-nosa razao verdadeira de 
M in ha Encarnacao nesteorbe! Sabes o que Sou eFui desdeEternidade, 
em Espirito; tambem sabes, tanto quanta os presentes, possuir Eu urn 
corpodecameeosso. 

3. Q ual foi o motivo queM elevou a usar estavestimentatemporaria? 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

317 

Por quea Causa detodo Ser e Vida Seteria coberto com o involucre- da 
evidente mortal idade?Tal era preciso ou apenaseum capricho do Eterno 
Espirito D ivino que vive e age dentro de M im? Se te saires bem nesta 
explanagao, receberasjaem vida, urn premio de"Sabedoria Celeste"! 

4. Diz Philopoldo: "Senhor, confesso pressenti-lo; na noitedemi- 
nha alma se faz pequena luz, como uma aurora, evidentemente pela 
insuflacao deTuaGraca, 6 Senhor! Sim, percebo a grandiosa sublimida- 
dedo porvir, - todavia, faltam-mepalavras! 

5. Com milhoesdefrases intdigentes nao sera possfvd discorrer sobre 
tal assunto, querequer o auxilio da linguagem peculiar do espirito. Fosse esta 
comum atodos, naosefalariaasurdos! Donde, porem, poder-se-abuscartal 
linguagem eaprecisacompreensao?Vei Senhor, eisameu verfator impres- 
cindivd a urn desenvolvimento devado no campo da sabedoria! 

6. Sinto dentro de mi m a verdade imensa e santa e, ao mesmo tem- 
po, a incapacidadedeexterna-lacondignamente. Por certo aedtaras esta 
j ustif icativa, desisti ndo dequeeu ven ha a desenvolver de modo tao escla- 
recido uma teseespi ritual!" 

7. D igo Eu: "0 ra, nao e preciso tanto quanto pensas! D ificilmente 
encontraras no cerebro, ondea alma costuma fazer a colhdta deseu co- 
nhecimento, aspalavrasadequadas; muito mais, porem, fa-lo-asno cora- 
cao como receptaculo do Espirito provindo do C oragao de D eus. 

8. Ten ta pesquisa-lo everasquedevadissima sabedoria pode ser de- 
senvolvidademodo mais com preensivd com palavrassimplesesingdas! 
Queutilidade, por exemplo, tern oCantico deSalomon,seo compreen- 
destao pouco da primdra como da milionesima Idtura?! 

9. Tinha de de escrever deste modo, porquanto ainda nao havia 
chegado o tempo derevdar ossegredosmaisocultosdo Ceu ao homem 
inepto, cuja alma presa a Ld de M oyses, nao possuia livreascendencia 
sobre seu coragao. proprio Salomon entendiatanto do Cantico quan- 
to tu; do contrario nao seteria tornado pecador, idolatraeadultero. 

10. Aquilo queescreveu inspirado pdo Espirito D ivino - quebafe- 
java,emcertosmomentos,suaalma- eopuroVerbodeD eus, nao dado 
ao entendimento cerebral, masao espirito capacitado para tanto no cora- 



Jakob Lorber 

318 

cao. Essafaculdadedeentendimentoedepositadanaepocaatual, istoe, 
desdeM inha Encarnacao, no coracao dealguns, afim dequeM ereco- 
nhegam,entendamecompreendam, por sua epela causa demuitos que 
delacarecem. 

11. Essa aptidao espi ritual tambem ja foi depositada em teu peito 
como um feto no colo materno; basta que o pesquises e descobriras o 
EspiritodeDeusdentrodeti;Esteentao,facultar-te-aaorat6rianecessaria 
para que aclaresdiante desta assembleia o problema que teapresentei." 

12. AntepoePhilopoldo: "Senhor, ebem posslvel quevenhaades- 
cobrir a chave em meu coracao; aTi, todavia, isto seria coisa facilima, 
fazendonosauditorioatentoe grata Paramim nao deixa deser diffcil, 
arriscando-me, finalmente, a ser ridicularizado!" 

13. DigoEu:"Emabsoluto;primeiroporsebasearem MinhaOr- 
dem quedeveisdesenvolverum assunto dentro da plena liberdadecaso 
vossejautil;segundo, pornaoapresentartantadificuldadeoqueoraesta 
em discussao. 

14. Poder-vos-ia transmiti-lo e M e entenderids mal e mal; no en- 
tanto, vossa alma o conservaria - como tudo - em seu palacio cerebral, 
sem proveito parao espfrito. quelaforguardadopelaalma, morreese 
desvanececom o tempo; assim, queutilidadeteria para o espfrito aquilo 
quedeixou deexistir?! 

15. Tudo quedesenvolverespdo sentimento dum coragaojusto per- 
durara no espfrito e por ser eleeterno toma-se posse eterna da alma; o que, 
porem,forasamiladopelocerebrologosedis3pa,nadaficandonaalmado 
conhecimento intdectual,quandoeladeixarocorpo. Porissodeveistudo 
assimilar edesenvolver no coragao, poiso queecriado pdo intdecto so se 
presta para a vida passage ra deste mundo e para o fisico perecivd . 

16. Almaeespirito denadadisto necessitam: nem vestes, nem casa, 
tao pouco campos evinhas Todas as preocupacoes provindas do conhe- 
cimento cerebral sao dirigidas para o provimento fisico; infdizmenteal- 
cangaram grau tao devado quedificil seraenumera-lase, muito menos, 
supri-las. 

17. E impossivd ao intdecto a assi mi lagaodealgopuramente espi- 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

319 

ritual, por ter sido dado ao homem para o suprimento da materia. Possu- 
indo somentea centelha divina no coragao a possibilidade de assimilar 
qualquernocao spiritual, necssarioequeentreem praticadsdecedo. 
U ma vez alcangada certa firmeza, a justa ordem dentro da alma se tera 
stabelecido. Assim sendo, tentadsenvolverotemaqueteexpusetua 
alma tera com isto recebido urn grandeprivilegio!" 



176. M otivo da Encarnacao do Senhor 

1. D iz Philopoldo: "Em Teu Santo N ome, farei umatentativa para 
externaroquesinto dentro demim. Pen sojaqueo homem maisinculto 
devaterum movel paraqualqueragao,- muitomaisconcludentesupor- 
se haver tido Deus urn motivo sumamente importante para submeter- 
Se, como nico Espirito nipotente, atomar came, pelo queSetornou 
Semelhantea Suascriaturas. 

2. D o mesmo modo que o amor nos leva a uma agao qualquer, foi 
tambem ele o fator que obrigou D eus a agir de modo tao sublime, con- 
formed, 6 Senhor, nos tensensinadoareconhecerTuaVontadeeac^ 
lalivremente. 

3. Percebo nitidamente em meu coragao: Desdeeternidadsvens 
transformandoTuasldeiasem Pensamentosconcretos Essasformas, no 
principio,eramhirtas,inflexiveis,comotudoqueaindahojesenosapre- 
sente inerte. D e periodo em periodo sao transformadasem outras, mais 
maleaveisedeconscienciaeagao maisou menoslivre. Isto, porem, ape- 
ns, e uma escola preparatoria para a vida i ndependente da criatura pos- 
teriormentesurgida, aqual, 6 Senhor, proporcionasteaformabagcado 
Teu Proprio Ser. 

4. homem, pois, haviasurgido, reconheciasua I iberdade divina, 
alegrava-se de sua existencia, sua forma e pode discernir e analisar as 
coisas que o rodeavam. Em breve comegou a pesquisar a causa de sua 
origem; vendo isto, Teu coragao, Senhor, rejubilou-Seelhedesteoportu- 



Jakob Lorber 

320 

n idade de senti r-Te sempre mais i ntensamente. 

5. Atraves da revelagao oculta e intima, o homem, em tudo Tua 
Semelhanca, foi levado pelo Tai Espirito Eterno a reconhecer ser de e 
tudo queo rodeia a obra dum Ser nipotente, mui Sabio ebom. D esta 
forma inspiradaeiluminadaacriatura, nao so sesentia plena da maxima 
veneracao e respeito, como transbordou dum amor intenso, num desejo 
ardentedeve-Lo, falar-Lhe, afim deconstatar quea nocao destessenti- 
mentos nao era apen as fantasia. Esse imenso desejo aumentava e crescia 
mais e mais no coracao incorrupto do primeiro casal. 

6. Sebem queseamassem intensamentenaoconheciam sua propria 
natureza, nem podiam concentrarseu amoremTi, 6 Senhor.Todavia, este 
senti mentolhestestemunhavamaisconvictamentedeverexi stir urn Cria- 
dor nipotente e Santo que havia designado o homem como soberano 
sobreaTerraeascoisas, porquanto Iheobededam ospropriosanimais 

7. Q uando o desejo deTe conhecer Pessoalmente havia atingido o 
pontoculminante,Teu DivinoCoragaoSeapiedou eabriu avisao inter- 
na do homem: criaste para aquele momento uma forma humana, eterea, 
eTeapresentastediantedacriaturasequiosadeTi. So entao viu o ho- 
mem a verdade santa e a realizacao plena de seu pressentimento, o que 
muito o alegrou, mas tarn bem despertou umtemorjustodeTi quelhe 
deste a vida, bem como a todas as coisas 

8. N aquela epoca eleera bom epuro como o Sol; nada Iheturvava 
ossentidos- eoquehojesedenominapaixao, longeestavadeseuenten- 
dimento. Entretanto, oSenhor, bem sabias que a forma humana havia 
sido animada apenas pelo H alito deTua Vontade e, por isto, capaz de 
iniciar sua propria educagao interna, afim dealcancaraemancipacao. 

9. rientas-te-lhe, demonstrando-lhedoiscaminhos: urn quelevaa 
independencia divina; outro, a uma existencia extremamentetolhida e 
condenada. Urn mandamento estabeleceu, precisamente, o guiatragico 
eo proprio caminho dubio. A fim dequetal mandamento surtisseefeito, 
preciso era queassociassesao homem urn elemento tentador queo i nsti- 
gasse a nao respeitar a lei, ou a cumprisse pelo proprio livrearbitrio. 

10. Assim foi por certo tempo; no entanto, Tu M esmo observaste 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

321 

queo homem, atravesdo cumprimento severo daquela unica lei, final- 
mente nao podia alcancar o el evado grau de independencia que Ihefora 
porTi imposto. 

11. Para atingi-loteriao homem deserafastado deTi do modo mais 
profundo e distante; teria de errar e cair no pecado, para entao poder 
iniciar- emtal isolamento complete deTi esujeitoatodasortedetenta- 
coes e dificuldades - sua redencao pela procura justa deTeu Amor, de 
coragao arrependido eopresso. 

12. Apos o homem caido ter assomado de sua perdigao, de modo 
tao dificil, fostea seu encontro, apresentaste-Te numa Forma bem mais 
solidaeaplicaste, igualmente, uma Revel agaomaisconci sa.Atelhefizes- 
tea grande promessa queora realizasem toda a plenitude: tarn bem tor- 
nar-Te-ias H omem entre os homens, para que eleTe pudesse encarar 
livremente, por toda a Eternidade. Tal fato proporcionar-Te-ia a grandee 
maravilhosasatisfagao depoderesenfrentarTeusfilhos, nao como Deus 
eCriador Invisivel, massim, como Pai Amoroso que pode ser amado, 
conduzindo-osPessoalmenteaTeusCeusMaravilhosos. 

13. Seassim nao fosse, quefelicidadepoderiasentirum Deuslnfini- 
to de ver Seus filhos amados, quando eles somente vislumbrariam 
num M ar lmensodeLuz?Assim, proporcionasteamaximaventura, nao 
so aos homens, masaTi Proprio, como Pai Verdadeiro, nico eAmoro- 
so! - Ou poderiasTe alegrar com os filhos mais puros e bondosos na 
plena certeza dequejamaisTeveriam eouviriam? PorTua epor nossa 
causa tudo isto fizeste, isto e, para que os puros fossem venturosos pelo 
Teu Convivio, o quetambem Tetraz a maxima bem-aventuranga! E se 
agora todos os anjos descessem do Ceu e apresentassem outro motivo 
paraTua Encamagao plena eformal, desistiria de minha humanidade, 
rejeitando o raciocfnio! 

14. SeTu, 6 Senhor, nao possuisseso Amordentro deTi, jamaisterias 
realizado umadeTuasldeiasM aravilhosas; como, porem,Tu M esmo en- 
contravas a maior alegria, em Teu Coragao, nasTuas Ideias grandiosas e 
sublimes, amando-as antes deTua Sabedoria eOnipotencia Infinitasas 
fixarem numa existencia formal, - Teu Amor, queSetornou maispotente 



Jakob Lorber 

322 

e ativo Te forcou avivifica-lasem liberdadeedar-lhesvida subsequente 
Esta vida nada maisequeTeu Amor Elevado, Poderoso e D ivino! 

15. Todas as criaturas respi ram N de e atraves D de, pois todo ser e 
todasasformasO representamlTudoqueouvimos, vemos, percebemos, 
sentimosesaboreamos- esomenteTeuAmor, semoqual nuncaumSol 
teria iluminado urn planetaeaquecidosuasplagas. 

16. Setudo istoeobrasuaem conjuntocomTuasldeiasM aravilho- 
sas, deveria Elenadafazer em beneficio proprio, a fim dealcancar pdas 
criaturas, em plenitude, o queem erasremotasSeimposaSi M esmo, isto 
e, proporcionou asldeiasformaevida liberrimas?! 

17. C reio ter falado a plena verdade, de onde se deduz claramente 
queTu, D eus de Eternidade, terias deTe tornar H omem pda Propria 
I mposicao! -Com isto julgo ter satisfeito, de modo completo, Tua Per- 
gunta, amedidadasabedoria humana. Pego-Te, pois, Senhor, externares 
Teu Parecer!" 



177. A LlNGUAGEM DO CORAgAO 

1. Todosos presentesseadmi ram da devada compreensao esabedoria 
dePhilopoldo. Kisjonah observa-odospesacabeca, naoseconformando 
que este homem simples consiga causar tal estupefagao geral, e o proprio 
M athad diz: "Tambem sou possuidordevastosconhecimentos, - nunca, 
porem, meu espirito penetrou em taisprofundezas E preciso quesuaalma 
eespirito jatenham frequentado escolasem outrosmundos, superiores!" 
Yarah, igualmente, naoconseguedominarseu desapontamento. 

2. Eu,todavia, viro-M eparaPhilopoldoelhedigo: "Ves, M eucaro, 
como tesaiste bem, poisconseguiste pela maravilhosa resposta desenvol- 
ver a pergunta quefiz a teu coragao! 

3. Afirmo-te que revelaste a plena verdade, em M eu N ome, a to- 
dos os disci pu I os, ami goseirmaos, de modo fi el, verdadeiro e com pre- 
ensivel, tendo Eu somente de acrescentar: Assim e e assim andam as 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

323 

coisasdesdeEternidades! 

4. N isto reside maissabedoria que em todo o Cantico de Salomon, 
queo entendeu tao pouco como qualquer urn, poisseo tivesseassimila- 
do nao teria caido nosvicios, eperecido! Por isto deveis, todos, procurar 
a sabedoria eajusta Revel agao dada por M im em vosso intimo, evossera 
facil compreende-laeguarda-laem vidaeportodaEternidade!" 

5. Diz, aseguir, Pedro: "M as, SenhorJaTeacompanhamoshanove 
meses; por que nao podemos nos expressar como esse amigo de C ana, 
em Kis?' 

6. D igoEu:"Os romanosusamo seguinteproverbio (alias muiacer- 
tado): Extrunco non statim fit M ercurius! (D urn tronco nao sefazdepronto 
urn M ercurio). mesmo seda, maisou menos, convosco, e Eu Proprio 
teria vontadedevosinquirir: Quanta tempo vosterei desuportar, ate que 
assimileisecompreendaisalgo pdo entendimento do coragao? 

7. J a nao vosdissetantasvezesquedeverieis projetar nelevossos pen- 
samentos, enao no cerebro, paraatingirdesa plenitudedaverdadequevos 
libertaraverdadeiramente?! Porquenao ofazeis, preferindo permanecer na 
materia que nada tern, portanto nada pode dar?! Fazd o que vos ensino, 
quefalareiscomo Philopoldo, dentro da verdadeira sabedoria!" 

8. D iz Pedro: "Senhorjaotentamos por variasvezes, sem nenhum 
progresso. Devez em quando sinto - nao propriamente pensamentos, 
masreaispalavrasno coragao, porquanto mepareceserem la pronuncia- 
das apos ado elaboradas no cerebro." 

9. Digo Eu: "Eiso inicio; exercitai-vos, que em breve estareisaptos 
para pensamentos mais profundos e livres no coragao!" 

10. D iz Pedro: "N osso reconhecimento, eterno e bom, M estre; as- 
sim sendo progrediremosem breve!" 

11. Digo Eu: "Sim, sim; na perfeigao, porem, apenas apos Meu 
Retorno!" Como ninguem M e entendesse, perguntam pelo sentido de 
M inhas Palavras Eu, no entanto, digo: "Acaso julgais que o Filho do 
homem caminharaateofim do mundo em came e osso, paraensinaras 
criaturaseoperar milagres?! 

12. Sim, permanecerei ateo final entreosdeboavontade, consolan- 



Jakob Lorber 

324 

do, fortalecendo, vivificando, doutrinando, agindo milagrosamente evirei 
e M e revdard a todos que M e amen verdadei ramente e cumpram M eus 
M andamentos, - isto, porem, nao nestefisico peredvd, masnum transfi- 
gurado ei mortal ! Q uem tiver o devido entendimento, compreende-lo-a." 

13. D izem osdisdpulos "Senhor, com todososnossossentidosnao 
nosepossi'vd entende-lo!" 

14. D igo Eu: "Por tal razao tambem nao vos responsabilizo! Todo 
aprendiz necessita decerto tempo para setomar apto em sua profissao; 
uma vez que o seja, recebe diploma, sendo dai em diante responsavd 
pelosfuturoserros. Por isso, nao erraispor nao entenderdescertascoisas; 
mais tarde, porem, sera diferente! Agora, urge que nos concentremos, 
poisalgosedaraquenosvai exigirtodaacalma!" 



178.0 Nimbo 

1. Como houvesseEu falado em altavoz, desorteaser ouvido pdos 
outroshospedes, Stahar, reitor deC esareia Phi I i ppi , levanta-secircunspecto 
edirige-sea M im, dizendo: "Senhor, tudo quefoi comentado nesta mesa 
veneravd, eu ouvi: coisas milagrosas, devadas, profundas, verdaderas e 
absolutamente incontestaves! Em tudo resplandeciaTua D ivindade Su- 
premacomo o Sol no zenite, enao haveraanjo cdestecapazdeo contestar. 
E ntretanto, senti falta dealgo: aquda G loria D ivina queseapresenta ainda 
hojenoTempIo, mormenteno Santissimo, mal sepisao primdro degrau! 

2. Aquele silencio misterioso e beatifico, o perfume de incenso - 
aqui completamenteausentes- tern efdtocomovedordegrandebenefi- 
cio paraacriaturalQueabismo intransponivd existelaentreDeuseo 
homem ! Q uao reduzido este se sente ante a M ajestade D ivina e Eterna, 
comoreconheceem seu aniquilamentoo Grande PoderosolTal, porem, 
e demuitautilidade para humilhagao do homem presungoso! 

3. Emsuma:em minhaopiniao, o homem nao se devia senti rtao a 
vontade em Presenca de seu Deus e Criador! Noto, pois, a completa 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

325 

carencia desta aureola santificada! Encontramo-nos numa assembleia de 
amigoseirmaos, esealguem fala, expressacoisasmui sabias, massem o 
mencionado nimbo. Quando conclui seu discurso, termina-o simples- 
mente, e nos o acompanhamos no que diz respeito a especial veneragao 
queo homem deveria manter diantedeDeus! 

4. Em Tua Presenca sentimo-nos bem a vontade, e ate mesmo o 
sabado, que proporcionava uma paz profunda ao coracao, ja nao nos 
causa impressaodiversadum diacomum. E agora esta prestes a aconte- 
ceralgoque, porcerto, em nadanosabalara, eisto, - num sabado deLua 
nova! N ao seria possivd Tua nipotencia impedir que as duas horas 
restantes fossem completamentevilipendiadas, poisqueassim extermi- 
nariam toda consideracao divina?" 

5. Digo Eu: "U ma an/ore vdhadificilmentesedaxavergar; urn cao 
sempre retorna aquilo que rejeitou, bem como os porcos procuram o 
charco cheio deexcrementos! 

6. De que vale a aureola futil e inteiramente ateista do Templo? 
Q uando teria Eu criado o homem em virtude da consideragao externa 
ou para o amor venturoso? 

7. Tiranos e opressores violentos costumam enlear-se com a dita 
aureola, masdeitam areianosolhosdaquelesqueaindapossuem visao, 
estrangulandoospobresefracos, afim deaumentar a consideragao hor- 
renda que Ihes e tributada, - etudo isto ainda classificas de bom eutil 
para a alma? 6 tolo, cego! 

8. Q ue proveito tirarieis se Eu M e achasse entre vos como fogo 
devorador?!Aumentariavosso amor econfianga para Comigo?Ou ser- 
te-ia possivel amar aqudequeteameagasseconstantementeestrangular 
como Poderoso, deolhosirados, secometesseso menordeslize?! Acaso tu 
e o sinedrio tenebroso sabes mdhor que Eu porque D eus criou os ho- 
mens equal a rdagao entre am bos?! 

9. Quevem asernimboou conaderagao externos?Ve, eapiore 
mais venenosa exalagao do inferno mais profundo, com a qual Satanaz 
envolveseusservosfieiseadesemdhantes, afim dequedesfrutem dian- 
tedetodo mundo duma consideragao horrenda para a conquistadeinu- 



Jakob Lorber 

326 

meras almas para o reino infernal! Consta, porem: tudo que no mundo 
venha a desfrutar certo prestigio ostensivo, - e um horror para D eus! 

10. Acasojavisteduascriaturasqueseamem verdadeiramentetrata- 
rem-sedemodoaltivo, sem dispensarem um aooutro um olhar amoroso 
e, muito menos, umapalavracarinhosa?!Tensconhecimentodequeuma 
noiva apaixonada recebesse seu escolhido com a maior displicencia e o 
noivo tentasse ultrapassa-la?! Julgas que deste modo se tomariam um 
casal? Sim, tal seria possivel pela forca da lei e para este mundo! Para o 
C eu, porem, jamais! nde nao existe amor, nao existe C eu ! 

11. Eisamaldigao do inferno, sem luz, sem orientagao, sem verdade 
e por isto tambem sem vida independents - uma eterna condenacao 
queamordagaesubjugaosqueseamaldicoaram a si proprios! 

12. Julgas que nosso ambienteseja menos divi no edigno deDeus 
por deparares nada do inferno e sua depravagao! A que ponto chega a 
H umanidadetola! Acredita prestar algo dejusto edigno deD eusatraves 
do inferno! N ao seria possivel ultrapassartal ignorancia, toliceemaldade! 
Se o reino de Satanaz te parece tao veneravel e digno de D eus, - volta 
para laeserveao deusdetua imaginagao "elevada", comprazendo-tecom 
tal nimbo!" 

13. A estas palavras Stahar cai dejoelhosediz: "Senhor, perdoa-me 
que sou um velho tolo, ignorante eTe agradego por esta admoestacao! 
Estou plenamentecurado! Fui deste modo educado easimpressoesde 
berco dificilmentesao extraidasdaalma. Agora, porem, surgiu-meo Sol 
- e percebo toda corrupcao do Templo! Venha o que vier, continuarei 
feito rocha no mar desta D outrina nova epura deTua Boca Santificada." 

14. DigoEu:"Levanta-te, irmao, etransmiteaoscolegasoqueaca- 
basdeouvir, poistambem elesseacham presosao mesmo erro! Explica- 
Ihes o que vem a ser o nimbo, Q uem sou Eu sem tal nimbo e o que 
realmentequero!" 

15. Stahar securva respeitoso, dirige-se para junto dosoutrose co- 
mega a doutrina-los, - e naquela mesa, anteriormentetao calma, os ani- 
mosse alteram, tendo Stahardificuldadedeacalmarosirmaosexcitados 
pelo vinho. Floran, o principal orador, assiste-odamelhor maneiraeem 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

327 

poucotodosseaquietam. 

16. Philopoldo, porem, dizaCirenius "Nobresenhor, erealmente 
estranhoquemuitaspessoasnaovejam um palmoadiantedeseu nariz!" 

17. Respondeeste: "0 habitoeumabasepoderosaparaatolice. Na 
Europaexisteum povo queecastigado, pelo menor deslize, com agoitee 
relho. M ai irmao, Cesar Augusto, tentou abolir essa medida drastica, 
designandoeducadoresquedefenderiam osdireitoshumanos, e, sepre- 
ciso, ate levando alguns habitantes para Roma; todavia, essascriaturasse 
encheram de nostalgia, apesar de haverem sido sempresurradas, no mf- 
nimoumavezpormes! 

18. Seum inferno ffsico ja setorna habito, desorteafazerfaltano 
estrangeiro, quanta maisoespiritual quetantosbeneficios causa as cria- 
turas! Por isto, nao mesurpreendi com asafirmacoesdeStahar, - quese 
sentiu por anos afora mui satisfeito dentro da consideragao e do ritual 
templarios- etinhaaintengaodedirigir-lhemaisalgumaspalavras Agora, 
no entanto, estatudo bem!" 



179. PrecaucoesContraaTempestade 

1. Entrementes, Hermes sobeaomonte para veroestado da cidade 
em cinzas e percebe ainda labaredas esparsas; alem disto pressente, na- 
quela direcao, a iminencia dum temporal tremendo. Retomando para 
junto de M arcus anuncia o que acaba de observar e diz: "Caro irmao, 
nao levarameiahoraeestaremos dentro dumaterrivel tempestadelTeras 
abrigo para todos? N ao seriaagradavel alguem enfrentar raiosesaraiva!" 

2. RespondeM arcus: "EnquantoAquelequeaqui Seencontranada 
determine, por certo nao havera perigo! Elee nosso melhor refugio; se 
desejar qualquer medida preventiva nos a executaremos prontamente. 
Por isto nao teaflijas, amigo; tudo sefarada melhor maneira posslvel!" 

3. N isto convoco ambos e digo a M arcus: "0 temporal nos trara 
grandeatropelo! Portal razao seriaaconselhavel o preparo dealgunsabri- 



Jakob Lorber 

328 

gos, conformesugeriu o amigo Hermes. Careces, porem, de material; 
donde nos proveremos nesta pressa?" 

4. Afirmaele: "Senhor, jalhedisse:Tu esnossomelhorabrigoenao 
necessitamosdeoutro, terreno!" 

5. Suaspalavrassao repetidaspor muitos, cheiosdeconfianga, eEu 
acrescento: "M uito bem! Q uesera sevier forte chuva degranizo, acom- 
panhada deraiosetrombasd'agua7' 

6. Afirmam todos: "Senhor, podesjuntar a isto urn terremoto que 
niveleasmontanhas, fazeraindacairem estrelas, - queemTua Presenga 
ri remos de tudo! Q ue poderia suceder, protegidos que somos por Tua 
MaoOnipotente?!" 

7. Digo Eu: "Vossas pal avras tarn bem devem ser pronunciadas du- 
rante a tormentae no perigo- masnointimo, naoapenaspelaboca- e 
M inha Protegao vos sera util por vossa fe e confianga demonstradas; se, 
porem, comegardes a fraquejar ante as situagoes perigosas, Ela nao vos 
trara grande beneficio!" 

8. Positivam todos: "6 Senhor, quern poderia esmorecer em tais 
sentimentosporTi?! Acimadetudo, no entanto, fazemosquestao deTeu 
AmoreVontadeOnipotente, poissesustassesTuaOnipotencia, estaria- 
mosmal com todanossafeeconfiancaTu essumamentebom ejusto, e 
nao deixarassem efeito a manifestagao dessasvirtudes!" 

9. D igo Eu: "Em absolute, - deveisprecisamentenesta noiteconhe- 
ceresentiro Poderea Gloria deDeuslAlem disto, forgosoequeuma 
tempestadedesabesobrea cidadeardente, do contrario o incendio per- 
duraria por maistempo. Sera urn temporal inedito com duragao detres 
horas, portador, porem, demaior beneficio queprejuizo. 

lO.Vamosapraia, ondenossapresengaserademaiorutilidadeque 
aqui. Alem do mais, podereislaobservar melhoroselementosem furia, 
- e a G loria de Deus Se manifestara mais evidentemente que debaixo 
dum teto!" 

11. Todos seencaminham parao marsereno. Entretantojasefazem 
notar nuvens pesadas que, unindo-se as provindas do este e Sul, dao 
demonstragao clara do temporal fantastico queseanuncia. Sobreo mar 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

329 

esvoaca quantidade de gaivotas uran, temeroso pelo destino de suas 
tendaspreciosas, pede-M equetambem protejaessetesouro, poiso tem- 
poral bem o poderia prejudicar. 

12. D igo Eu: "N ao vosafirmei que, justamenteaqui, aG loria D ivi- 
na ir-Se-ia manifestar com a maxima evidencia?Ainda te podes preocu- 
par com tuas miseraveis tendas, como se del as dependesse a salvagao do 
mundo?! Ve, sao grandes e espacosas; se a tempestade se desencadear 
sobrenos, mandaqueali serefugiemasmulhereseoshomensdemasia- 
damenteapavorados, poisnaoserabrincadeiraoquevem ailTuastendas 
apenasficarao molhadas!" 

13. D iz uran: "Agradeco-Te a promessa que aceito como realiza- 
cao. M inhasbarracasquenaodeixam passarumagotad'aguaestaraoao 
dispor detodos. Eu mesmo ficarei Contigo, Senhor, ao ar livre" 

14. 1 ndago: "N ao temes a chuva de pedra?" 

15. Respondeele:"Jaexternei minhaopiniaocomosoutroserepitoo 
ditado romano: Si totusillabatur orbis impavidum ferient ruinae! (M esmo 
seo globo todo caisseem frangalhos, osdestrocoscarregariam o intrepido). 

16. D igo Eu: "M uito bem; eis que as nuvens de ambos os lados se 
estendem as maos umidas e nao demora a chuva cair! Tambem no mar 
su rgem as ondas da ressaca e esta em tempo dos medrosos se recol herem !" 

17. s peixes saltam fora d'agua, agarrando insetos que esvoagam 
baixinho, no quetem a concorrencia do numero crescentede gaivotas e 
andorinhasmaritimas. Emalgunspontosomarcomegaaagitar-se, eno 
alto as nuvens secondensam maisemais. A Lestetrovejaconstantemen- 
te- eaborrascainiciasualutatremenda. 



180. A Tempestade 

l.Quandoofragordatormenta, querapidasevinhaaproximando, 
torna-semaisameagador, eumaescuridaoquase total seestendesobreo 
maretodaazona, osmaismedrosossediri gem as tendas deO uran, pois 



Jakob Lorber 

330 

perdem a vontade de permanecer a M eu lado. Tambem os discipulos 
manifestam alguns temores - e dos cinquenta nenhum fica ao ar livre 
quando veem pedrasdegelo demeio quilo cairem por terra. 

2. Ebahl adverteYarah para se recol her numadastendas; el a, porem, 
eirredutivel ediz: "Como podealguem seapavorardetal forma na Pre- 
sence Plena do Senhor?! Poderia este temporal ter mais forca que Seu 
AmoreOnipotencia?" 

3. Diz Ebahl: "Em absolute; mas, saraivando detal forma, bem 
podea pessoa estar sujeita a f icar com a cabega esmagada! C reio que nem 
eu nem tu seremosatingidos, mesmo secaissem pedrasem maior profu- 
sao; entretanto, o velho temor toca pessoascomo eu. N ao obstante, ago- 
ra naomaisosentirei, porquanto nao poderei demonstrarfraquezajunto 
deminhaYarah." 

4. Eisqueogranizosetomamaisfortepedrascaemcomopunhos 
fechadosecom estrondo sobreaterra, o mar levantaondasenormes, urn 
raio segue outro echuva torrencial sederrama inundando a cidade. 

5. Diantedisto Hebram, Risaeseustrintacompanheirosseescon- 
dem debaixo das mesas; Suetal, Ribar, Bad, osdozeex-criminosos, M eus 
discipulos, excetojudas Iscariotes, continuam firmes Ossoldadospro- 
curam abrigonacasa, nas cabanas deMarcuse no interior das grutas. 

6.0smaispr6ximosdeMimsao:Cirenius,Comelius,Julius, Fausto, 
Philopoldo, Kisjonah, Ebahl comYarah, Raphael ejosoe, o vel ho M arcus 
com doisfilhos, Mathael eOuran, Rob, Boz, MichaeZahr. Helena, 
esposadeM athael, refugia-secom amulhereasfilhasdeH ermesdentro 
dastendas; o mensageiro, no entente, ficaao M eu lado. 

7. Embora nosencontremosdesprotegidos, a beira-mar, a ninguem 
atingeaviolenciadasaraivaedachuva: o lugarondeestamospermanece 
inteiramenteseco. Osraioscaem tanto nanossafrentecomo ascostas, mas 
apenasnosconseguem molestarosouvidosporseuforteestrondo. Eisque 
a borrasca tambem comega a agir no mar com tamanho fragor que as 
ondasseelevam qual montesaosolhosestarrecidosdosespectadores. 

8. Diz, entao, M arcus: "Senhor! Ja sou velho e tenho assistido a 
temporaistremendosna Calabria eSicilia; nuncavi urn semelhantea 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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estelEstasaraivadestruiraoscamposporvariosanoseainundagaolevara 
a boa terra para o mar. Pobres lavradores! E a coisa ainda nao acabou, ao 
contrario, aumenta cada vez mais! Os que se refugiaram debaixo das 
mesas seafogarao, porquanto estasja estao em frangalhos! Senhor, quan- 
ta tempo isto ainda durara?" 

9. DigoEu:"Nem bemcomegouejalhequeresverofim?!Verassua 
forca quando o temporal mudar de diregao. M as nao te preocupes! Se 
naofossenecessarioteriadeacalmarcom urn aceno M eu; eimprescindi- 
vel para a conservacao da terra como os olhos para tua visao, - deixemos 
queseexpanda! 

10. Alem do mais, os tais amigos da consideracao divina deverao 
sentir aquilo cuja falta lastimavam em M inha Presenca. Ve so, como 
espreitam furtivamente pelos orificios das tendas, e nao compreendem 
como podemos suportar com tanto prazer a tempestade devastadora. 
Todavia, nao seatrevem asair; quao diminutaesuafe!" 

11. D izM arcus: "E verdade; masdequeviverao os pobres coitados?! 
Vesquea constantesaraiva ea ressaca carregam com todo o humo. M i- 
Iharesdehomenseanimaissaomortos- eosquesalvamsuavidaserao 
expostosafome! Isto edemasiado duro, uma provacao penosa pelo agoi- 
temaisferozdomundo!" 



181. Castigo que Caiu Sobre Cesareia Philippi 

1. D igo Eu: "Sabes, caro M arcus, cada qual fala como entende, e 
isto fazes agora. Afirmo-te: o Senhor custa a usar da vassoura; quando o 
faz, eparaumalimpezageral!Conhecesessazona?Poisbem, sabes serela 
uma das mais ferteis e posse exclusiva de gregos ricos; os pobres judeus 
tern detrabalhar penosamente, em troca deum miseravel pagamento, 
em beneficiodessesusurarios, - elevar-lhestodososfrutosparaoscelei- 
ros. Taisprodutossao vendidos pelosgregos para todasas partesdo mun- 
do, no queauferem grandes lucros, enquanto osjudeustem demendigar 



Jakob Lorber 

332 

epescarno inverno, casoqueiram subsistir. A pescariapoderaserporeles 
repetida, queo mar continuara rico em peixes! 

2. Teria urn judeu, algum dia, recebido urn pedago de pao dum 
grego? Nunca! Sempre foi preciso atravessar o mar e pedi-lo aos 
conterraneos. Kisjonah eEbahl vospoderaoatestarquantosmilharesde 
pobresdessazonaseabasteceram com elesdepao, no inverno! 

3. Deha muito venho observando taisabusoscriminosos; agora a 
medidaseencheu, eEu castigarei essesusurariosinclementeseinfieisde 
tal forma quejamaisseesquecerao! 

4. Examina tua horta e pequena lavoura: nao foram prejudicadas 
pela chuva ea saraiva; observa o restanteda zona econstatarasdestruigao 
quejamais imaginaste! Por esse castigo os exploradores gregos serao afu- 
gentadosdaqui, poisnao sera possfvel colherem naspedrastrigo, grao, 
cevada, milho, lentilhas efeijoes; por isso deixarao o solo deserto, emi- 
grandoparaaEuropa. 

5. M ormenteestemotivo M elevou apermitirquequasetodaacidade 
fosse transformada em montao de cinzas e escombros, pois quando o ho- 
mem perdemoradae lavoura, em breve abandonao local aridoe deserto. 

6.Quantoaosnaturaisdaqui,acharaoabeiradapraiaosolofertilpara 
o plantio, - ea cidadesera reconstruida para osjudeus, verdadeiros, - isto, 
num estilo maissadio ejusto queateentao! Cesarea Philippi ainda nao 
contasetentaanosdeedificada, poisanteriormenteeraapenasum lugarejo 
sem importancia; nao maissera denominada cidade, permanecera como 
aide a de Pescadores A ostentacao dosgregosdevedesaparecer, - enquanto 
aGloriado Ceu seraaqui revdada, conformeestaacontecendo. Estas, ve- 
Iho M arcus, deacordo com M inhaO rganizagao Domestica?" 

7. Respondeele: "Assim sendo, Senhor, revigoradezvezesmaisTeu 
Agoite! E verdade, nao mais era possfvel se falar a gregos abastados de 
amor ao proximo que neles, de ha muito, nao havia vestigio! Tudo era 
preciso ser-lhespago em prataeouro, masno caso dedesejarem comprar 
algo nosso, tinhamos de aceitar como pagamento o que Ihes conviesse. 
h, como mealegro com a tern pestade que bem podia ser mais forte!" 

8. D igo Eu: "D eixa estar, tudo acontece najusta medida!" 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

333 

9. IndagaCirenius "Estazonaficaradeserta?" 

10. Respondo-lhe: "N ao, propriamente; maseprecisoqueosgregos 
adeixem. Com esta tempestade serao expulsas, no minimo, mil familias 
dasmaisabastadas, poisjao previrahamuitotempolTodaviacontinua- 
raosuditosdeRoma!" 

11. Pergunta C irenius: "Acaso nao efavoravel a uma zona ou cidade 
ter habitantes ricos?' 

12. D igo Eu: "Q uandoforem como M eusamigosKisjonah eEbahl, 
serao verdadeiros regentes paternais para todos os pobres, e cada pais se 
poderadizerabengoadosepossuirmuitosdetal indole. 

13. Esses ricosgregossaoverdadeirassanguessugasdo pais, julgando 
queospobresjudeussedeveriam considerarfelizespor Ihesser permitido 
partilhar da comida de porcos como pagamento detrabalhos pesados! 
Para M im nao sao maishomens, masdiabosperfeitos, cheiosdemalda- 
de, pelosquaisnao sinto pena nem compaixao, eseu fisico emiseravel e 
orgulhoso! Q uando a trovoadativer passado, dentro deuma hora, pode- 
rao deitar sua fortuna de prata e ouro sobre as pedras, semeando por 
cimaotrigo, - everemossenasceumaervasequer! 

14. Destemodo abati quantidadedemoscasperversasdeum so gol- 
pe: ossacerdotesmistificadorestiveram defugireagoraosgregosusurarios 
farao o mesmo! Seuspalaciosestao reduzidosacinzaseosgrandescampos, 
hortasepastos, completamenteinundados Q uando, depoisdetudosere- 
nado, inspedonarem seus terrenos e se convencerem de que urn futuro 
reparo seria inutil, comecarao a se aprontar para a viagem; em seguida 
aindaterei meiossuficientes para tomaresta zona novamentefertil." 

15. A tempestade comega a serenar e, embora nao mais saraive, a 
chuvacaicomtantaimpetuoadadequeaaguaseelevaaunsdoismetros, 
para depois se precipitar no mar, o qual tambem parece aumentar de 
volume, fato que nao representa pouco. Casas, choupanas, arvoresemil 
e outras coisas sao para la arrastadas Q uantidade de galinhas, aves de 
todaespecieabatidaspelasaraiva, suinos, burros, gado, cameras, cabras 
e lebres, corcas e veados sao tragados pelo mar, com que inumeros 
especimensdepeixesserefestelarao,tornando-seprodutivos Serao assim 



Jakob Lorber 

334 

um bom substitute naalimentacao dospobresjudeus, osquais, dequal- 
quermaneira, poucoteriam deperder. Osrarosabastadosentreelesjase 
haviam tornado egof stas e i n sen sfvei s; assim, suas almas nao sofrem pre- 
juizo por se dedicarem a pesca e mendicancia com os demais. 

16. Comoachuvasetornemaisimpetuosa, todos que se haviam 
refugiado debaixo das mesas se dirigem, completamente encharcados, 
parajuntodeMim, admirando-sedeMeverem - como todos em Mi- 
nhaCompanhia- de roupas secas, bem como do local, on denaoseve 
umagotasobreaservas 

17. Aposseter aproximado, H ebram diz: "Senhor, como e posslvel 
quecom tal diluvio estelugaretodosvospermanecesseissecos, enquan- 
to demos a impressao determoscaido no mar esentimosfrio como no 
i nverno?! Aqui nada disto se passa! C omo pode suceder?' 

18. D igo Eu: "Como o constataste! N ao te posso responder de modo 
diferente, poisja devi as saber com tudo que visteeassi stisteQ uem eo Q ue 
estaoaquilSeoasamilascomtuaalma- como Mepodesfazer tal pergunta?! 

19.Comegastesbem a manha; a noite, porem, parecetomar-senoi- 
tetambem para vossas almas! 6 H umanidadesumamentecegalAconte- 
ce seres iluminada por momentos; a luz, no entanto, nao perdura por 
nao ter sido criada no proprio solo! Em poucos minutosastrevassubsti- 
tuem a aurora pslquica!" 

20. IndagaH ebram: "Senhor, quetencionavas com istodizeramim 
e a meus vinte e nove colegas?" 

21. D igo Eu: "N ada, alem de que sois todos peixes cegos num 
lago turvo! Dizei-Meoquevosimpeliu a vosabrigardes debaixo de 
mesas e ban cos?" 

22. Respondem os encharcados: "Senhor, o medo instintivo, que 
nosficou da infancia, de tern pestades fortes! N estecego temor esquece- 
mosondeecom Q uem estamos; agora reconhecemosnossatoliceequao 
ignorantesepecadoresfomosdiantedeTeu SemblanteSantificado! N ada 
podemosfazeralem deTepedirperdao, Senhor, decoragoesverdadeira- 
mentecontritos!" 

23. DigoEu:"Javosperdoei dehamuitoenuncaabri um livrode 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

335 

debito paraalguem em virtudedesuatolice. Cadatolo eculpado deseu 
proprio prejuizo. Quando, noutra ocasiao, nao Metiverdesem vosso 
meio, lembrai-vosdeM ai Nome, numafejustaevivaeistovosprotege- 
ra melhor que qualquer tabua fragi I !" 

24. Com estaadmoestacaoostrintasesatisfazem epedem paraper- 
manecernestelugar protegido. D igo Eu: "M as, istoeclaro! Ficai eenxugai- 
vos, poisa chuva ainda conti nuara por meia hora!" C ontentesosfariseus 
aceitam o convite, conseguindo secarem-se rapidamente. 



182. Navio em Perigo 

1. Eis que chamo o anjo e Ihe digo em voz alta para que todos M e 
oucam: "U m grande navio se debate em alto mar, tendo a bordo vinte 
passageirosdeambosossexos, alem deoito marujos N o inicio do tem- 
poral a embarcacao estava ancorada na outra margem, perto de 
G enezareth; quando a borrasca mudou dedirecao eo vento soprou com 
maior violencia, o navio, que ultimava os preparativos da partida, foi 
arremessado intempestivamenteparaalto mar.Tantoospassageirosquanto 
a tripulagao tudo fizeram, e se Ihes esgotaram as energias na luta contra 
tamanho risco. Agora correm perigo deserem tragadospelasvagasdesco- 
munais; por isto, vai e salva-os, - mas nao de modo milagroso. Toma 
dum bote e, como bom pratico, socorre o navio e reboca-o ate aqui, 
porquanto seu destino eCesareia Philippi!" 

2. 1 mediatamente Raphael toma dum barco cheio d'agua, esvazia-o e 
vai, qual flecha, ao encontro da borrasca, alcangando em poucos instantes 
a embarcacao ameagada. Q uando os passagdros o avistam, caem dejoe- 
Ihoseagradecem a Deus, dizendo: "Oh, este Salvador nao e urn homem 
comum, eum anjo enviado porjehovah, afim denossocorrer!" Raphael, 
entao, indaga pro forma: "Para ondequereisir com este temporal T 

3. D izem eles: "Tencionavamos navegar para Cesareia, apos a bor- 
rasca. Nossa embarcacao, porem, foi impelida e nao sabemos onde 



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estamos, porquanto afortechuva nosdificulta a visao. Estaremos longe 
dacidade?" 

4. Responde Raphael : "N ao muito; noentanto, perder-vos-eisao atra- 
vessar a baia, por isto trouxe-vos meu auxilio. navio esta fazendo agua?' 

5. D izem os marujos: "Sim, embora nao em demasia!" D entro de 
alguns instantes a ultima gota desaparece e a tripulagao diz ao amavd 
pratico: "Isto e realmente estranho! Enganamo-nos, pois nao ha uma 
gota d'agua a bordo. C ertamente fomos levados a este erro pelo grande 
pavor. Tudo que o Senhor ordena e milagre: com todo este diluvio o 
navio esta secoeteu proprio botenem estaumido!" 

6. D izem os passagdros a tripulagao: "N ao faleis tanto! N isto tudo 
estaaVisivd GragadeDeus, peloqueLhetributaremosum sacrificio dig- 
no! E o jovem pratico veio do C eu, porque, vede: chovetorrencial mente, as 
vagasnoscircundam qual montanhas; nosso navio eo bote, porem, desli- 
zam como sobre urn espdho etudo continua enxuto! Assim tambem os 
raiosexplodemanossoredorsem nosatingirlEisumaGragaimeredda!" 

7. Aduzem os marinhdros: "Sim, tendes razao! Com a Bengao do 
Altoestamossalvosljasepercebeamargem proxima, eum grandenumero 
de pessoas esta na praia, nao obstante a chuva, acenando-nos com urn 
amavd "Sedebem-vindos!"6 DeuseSenhorlQuaogloriosoebenignoes 
tambem na tempestade para com aqudes queTe honraram e louvaram 
fid mente, ofertando-Te com alegria o tribute prescrito. H onra eterna a 
Teu Santo N ome!" Aposestaspalavrasdesnavegam devagar em diregao a 
margem, eEu ordeno em silencioao temporal queseacalmeintdramente 

8. Logo tudo serena como se nao tivessehavido manifestagaofuriosa 
dosdementos; o navio eatracado eos passage rosdesembarcam, sem con- 
seguirem compreenderoquesepassa: asuperficiedo mar elisa qual espe- 
Ihoealgunspequenoscirrosenfdtam aabobadacdeste Sol jadesapare- 
ceraatrasdasmontanhas, despedindo-seporummaravilhosocrepusculo. 

9. A praia esta plenamenteseca; osviajantessao bem recebidospor 
M arcus, que Ihes pergunta sedesejam tomar alguma coisa, porquanto a 
viagem tormentosa osdeveria ter extenuado. Em suma, tudo isto agede 
modotao especial sobre osviaj ores, quenao percebem, deestupefagao, o 



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que se passa em seu redor. 



183. OsCOMERCIANTESjUDEUSDA PERSIA 

1. Apos certo tempo de perplexidade, diz urn dos recem-vindos: 
"0 ndeesta o pratico? Precisamos indagar-lheda remuneragao merecida, 
poisnaofoi brincadeiracomo se expos ao perigo paranossalvar." 

2. Nistoatripulagaoseaproxima, afimdesabersedeveaguardara 
partida ou voltar a outra margem, que dista em linha reta cinco a seis 
horas. Sao, pois, informadosdequedeveriam esperar ate os passage ros 
haverem resolvidoseusnegociosem CesareiaPhilippi. 

3. Ouvindo isto, Marcus intervem, dizendo: "Amigos, podeispou- 
parocaminhoacidade, daqualsorestampoucascabanasjudaicaseum 
montao de ruinas. N as ultimas horas tornou-se presa merecida do fogo 
queninguem conseguiu dominar. Podeis resolver vossosassuntosaqui 
em minhacasa, ondeseacham autoridadesterrenaseespirituais." 

4. A noticia do incendio deixa-os bastante desapontados, pois di- 
zem: "N estecaso nadatemosa liquidar. Estavamosem relagoescomerci- 
aiscom osgregosali estabelecidos, eestesnosdevem todo ofornedmen- 
to demercadorias Como, agora, reaver nosso dinheiro? 

5. Somosespecializadosnaconfecgao desedaepelo decamdo, forne- 
cemos tecidos de la fina em todas as cores, sedas estampadas para 
indumentariasdoTempIo, cuja ultima remessavai a urn montantededez 
mil librasdeprata; somosjudeus, sujetosajerusalem, evivemosna Peraa, 
ondepossuimosgrandesfabricas, nada constando quenosdesabone 

6. C onsideramos as Leis de M oyses mais rigorosamente que os de 
Jerusalem esemprefizemosricasoferendasnoTempIo; mantemosuma 
sinagogaque, em grandiosidadeeluxo, naodevemuitoaoTemplo. So- 
mosbonsecaridosos para com ospobresdefejudaicaetodoomundo 
nossabecumpridoresdasLeismoisaicas. Porquejehovah nosteriacasti- 
gado tao cruelmente?! Estavamos dispostos a depositar cinquenta por 



Jakob Lorber 

338 

cento no sinedrio eateafazer caridadeaosfieisdaqui, com o restanteda 
importancia, senos fosse possivel entrar na posse daquilo que noscabe!" 

7. D iz M arcus: "M eus caros amigos, tal promessa vos sera dificil 
cumprir. Enfim, dirigi-vosao Prefeito Cireniusqueaqui estacom mais 
tresdignitariosromanos." 

8. D izem os viajores: "0 nde se encontra, para que Ihe possamos 
expornossamiseria?Talveztambemsedeum milagrenestecasojaque 
nosso salvamento pelo jovem pratico o foi, evidentemente, enosdeixou 
o desejo deindeniza-lo aaltura. Ondeestaraele?" 

9. D iz M arcus: "N o pequeno montea beira-mar, ondetambem se 
achamosdignitarios Podeisparalavosdirigirsemsusto.AlemdessesSe 
encontra ali certaPessoausando um manto azul esem costuraqueenvol- 
ve uma veste avermelhada. Seus C abelos louros e ondulados caem-Lhe 
por sobre os ombros. Se pudesseis conquistar Sua Amizade considerar- 
vos-ieismui felizes. NadaLheeimpossivel, no entanto, sera dificil men- 
cionar-Lheo assunto quevostoca." 

10. Indagam osoutros: "Quern e?Talvezsejaparentedo Imperador 
de Roma ou soberano de algum vasto reino?" D iz M arcus: "N em isto, 
nem aquilo; ide; e facilmente descobrireis Quern seacha envolto pelo 
manto azul !" 



184. OsViajoresTravam Conhecimento Com 
o Senhor 

1. Com isto, M arcus deixaosjudeuspersasevai providenciaraceia. 
Entrementes, osoutrosconjeturam sedeveriam, todos, dirigir-seao monte, 
masresolvem afinal enviardoisdosmaissabios. Quando nosalcangam, 
curvam-se respeitosos e se encaminham para Raphael, ao qual pedem 
determinar o prego do auxilio dado. 

2. Ele, porem, afirma: "Sou apenasum servo do Senhor que me prove 
deforgas;portalrazaonaoaceitorecompensa,poisestacabeunicamentea 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

339 

Ele!" Indagam osoutros: "Quern eteu felizsenhor?' Apontando-M e, diz 
Raphael: "Ei-Lo; perguntai-LheevosdiraoqueLhedeveis!" 

3. Ambossecurvam diantedo anjo e, em seguida, encaminham-se 
para M im, jogando-se, de acordo com o habito persa, com as faces a 
terra, eassim deitados, dizem: "Senhor, cujafaceluminosa nao nosatre- 
vemos a fitar! Enviaste-nos teu pratico ousado e destemido na maior 
aflicao. Sendo ricos, nuncaficamosdevendo urn favor, este, entao, muito 
menos! Q ual e nosso debito para contigo, que nos salvaste da morte?" 

4. Digo Eu: "Em primeiro lugar, levantai-vos como de uso em 
nosso meio; nao somosdignitariosvaidososeorgulhososdo escraviza- 
do reino persa. So entao poderemos trocar umaspalavrinhasreferentes 
ataxadesalvamento." 

5.Ambosassimfazemeaguardam MinhaDeterminagao. Prossigo, 
pois "Sei devossaprocedenciaearazaodaviagem;sei que soistao ricos 
em ouro, prata e pedras preciosas como poucosjudeus em Jerusalem; 
que pagan eis tanto quanta e o credito que tendes nesta cidade arrasada 
com oscomerciantesgregos- importanciaestaquejamaiscairaem vos- 
sasmaos 

6.Assim, oprecoquevospoderiaexigir- comopersaseirmaosem 
fe- equivaleriaao prejuizo havidocom essescomerciantesqueorapro- 
curam abrigo em choupanas de palha. Q ue resultaria dai ? I rieis la receber 
paraaqui depositor, eem seguida voltarieis a patriaconformeviestes. 

7. Todavia, nada vos peco pelo salvamento, e ainda vos asseguro: 
tanto a estada aqui , a travessia e a volta para G enezareth nao vos custara 
uma dracma. (0 navio era posse de Ebahl, bem como Ihe era sujeita a 
tripulagao). E stai s sati sfeitos?' 

8. Respondem os dois: "Senhor, que ainda estas na flor da idade, 
mas pleno de sabedoria salomonica, - era nossa intencao dividir essa 
importancia igualmente, entre o Templo e os pobres judeus desta zona, 
caso os comerci antes nos pagassem a vultosa soma. 

9. Ja quesofreram golpetao forte, nosso prejuizo nada representa, e 
nos prontificamos a socorre-los com o dobro, sem resgate e juros, 
ofertando-te, alem disto, asmencionadasdez mil libraspelaajuda presta- 



Jakob Lorber 

340 

da Somosmui ri cos e nao seri a possi vel transporter para aqui nossafor- 
tuna em cem mil camelos, mesmo se cada urn carregasse quatro mil 
moedas Alem disto possuimosvastosterrenosenumeroso gado. Exige, 
portanto, oquequisereseteremosprazerem satisfazer-te, poisemjeru- 
salem aindatemosgrandessomasareceber. Dar-te-emosodinheiroou 
uma ordem de pagamento. 

10. Sabemos ser a abastanca uma dadiva que D eus bem podera pro- 
porcionarao homem urn diaetira-lano outro. Somosapenasosadminis- 
tradorese Eleo Senhor, D eus de Abraham, Isaac ejacob. Por ai poderas 
deduzircom quern estaslidando; ordena, quecumpriremostuasordens" 

11. D igo Eu: "Persisto naquilo quedeterminei! Conheco-vosevos- 
sasituagao financeira; portanto, fazeiso suficientecumprindo o queexi- 
gi, e se quiserdes fazer mais aos pobres, ninguem vos impedira. Aqui, 
porem, pode-seconseguiralgodevalorinfinitamentemaisdevadoque 
todososvossostesouros. M aistardetrataremosdisto." 

12. Dizem osdois: "Parecesum sabioestranho, para quern osbens 
espirituaisvalem maisquetodooouroterreno, naosendotambem ami- 
go declarado decaridadeexcesava! E m tudo isto tens plena razao, poisos 
tesourosdo espirito duram eternamente, enquanto osdaTerra sefindam 
com a morte. Assim, sabio senhor, da-nosostesourosdasabedoria, que 
nosseraomaisagradaveisquetodaanossafortuna. - Agora iremosinfor- 
mar os irmaos detudo queouvimos!" 

13. Digo Eu: "Sim, idee trazei-os, poissoisapenasvinte- sem a 
tripulagao- e vos podeis aqui acomodar." 

14. Aduzem eles: "Sim, terasespago; resta saber, entretanto, setam- 
bemterasabondadedenostransmitiralgunssabiosensinamentos. Em 
nossapatriaasabedoriasetomacadavezmaisrara, poisem seu lugarse 
estende mais e mais a magia dos sacerdotes pagaos, que, certamente, 
acabara com o saber dosjudeus la estabelecidos, - mormenteseos servos 
domi nadores e egoistas da casta sacerdotal receberem poder do rei, que 
assediam detoda forma. 

15. Ateentao pudemos I hes fazer f rente em virtudedenossa rique- 
za; eles, no entanto, tarn bem sabem como agambarcartesouros, prestan- 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

341 

do ajudafinanceiraao rei, semprequenecessario. Assim, aconteceratal- 
vez que darao fim a tolerancia do soberano bem intencionado. - M ais 
tardeentraremosem pormenores; urge agora quefalemosaosoutros" - 
Retiram-seapos, etransmitem aseu grupotudo quehaviamosfalado. 



185. Bencao e Maldicao da Riqueza 

1. C irenius, entao, M e diz: "Senhor e M estre, realmente, jamais vi 
criaturastao generosasebenevolas; tenho deprotege-lascontraa usurpagao 
dossacerdotes, - custeo quecustar! rei da Persia, sendo tambem vassalo 
de Roma esta sob meu comando, e esses velhacoshao dehaver-secomigo! 
E Tu, Senhor, deveriascumula-losdumaGraga especial, bem meredda." 

2. D igo Eu: "Por certo, do contrario nao osteria salvo, por M eu anjo, 
da mortecerta. Q uando determino algo demilagroso semprehaveci mo- 
tivo concludente! Grandesfortunasem maosdetaispessoaseuma verda- 
deira bencao do Ceu para o pais; se, alem disto, ainda possuem saber mais 
profundo, podem atefazer milagres para o bem da H umanidade 

3. Riqueza em maosdeusurariose maldicao do inferno paratodo 
urn reinado, poistrataeleapenasdetudoagambarcaracustaalheialNao 
secompadececom amiseria, afligaoelagrimasdepobresviuvaseorfaos! 
D iante do olhar glacial do avarento milhares podem enfrentar a morte 
por inanicao, pois jamais a procuraraevitar! 

4. Por isto vosasseguro: maisfacil ea prostituta, aadultera, o ladrao 
eoassaltanteentrarem noReinodoCeudoqueaalmadumusurario;e 
ele incorrigivel, eotimo material aproveitado por Satanaz na construcao 
dum nucleo infernal! E maisainda: verdadeiroengenhosatanicoerigido 
paraadestruigao da H umanidade, quepermanecera, eternamente, posse 
plena do inferno! 

5. Da-lhecoroa, cetro, espadaeexercito poderoso, - eterasum diabo 
como regentetiranico, sem piedadedaultimagotadesanguedeseussudi- 
toslAntesfaraestrangulartodoequalquerdevedordeapenasumadracma! 



Jakob Lorber 

342 

Por isto, seja amaldicoado por M im todo avarento eusurario! 

6. Aquelesquesetenham tornado ricospelo proprio esforco eatra- 
vesa I nfluencia da Graca Celeste, representam um fruto bom enobreda 
terra. Colhem constantementeparaosfracosepobres, constroem mora- 
dasparaosdesabrigadosetecem roupasparaosirmaosdesnudos Eispor 
que seu merito sera grande no Alem, poisja trazem em vida o C eu mais 
elevado emaravilhoso dentro desi! 

7. Q uando a alma um dia deixar o corpo, projetar-se-a deseu coragao 
o Ceuedapermanecera no centra, qual Sol na aurora espd ha claridadee 
brilha no ponto central da propria luz projetada, quetudo cria evivifica. 

8. utras pessoas, cuja caridade nao alcanceeste nfvd, serao felizes 
apenas como os planetas que se alegram dos raios acolhedores do Sol, 
mantendo, entretanto, umafacenoturna. 

9. M eu caro C irenius, ser rico nesta Terra egastar apenas o impres- 
cindivd para seu sustento, isto e: ser desprendido paraconsigo mesmo, a 
fim depoder aplicaramaior gen erosidadeao proximo, -dsamaisdeva- 
da Semdhanca com Deus, em vida! Q uanto mais pronunciada for essa 
verdadeiraeunicalgualdade, tanto mais intensas serao as ben gaosegra- 
casemanadasdoAlto! 

lO.Tal criaturaequal Sohquantomaisluzirradiaporsobreaterra, 
tanto maioreseu brilho; equando, no inverno, maiseconomicasetoma 
com suaprojegao luminosa, - mesmo aparente- tambem menosbrilho 
apresentara, embora, aparentemente! Q uem muito da com amor eale- 
gria, muito recebera em troca! 

11. E o mesmo quedepositares uma forte luz no centra dum quar- 
to: da sera refletida em todas as paredes, voltando ao ponto central que 
envolve de uma gloria potente, tomando-se a luz primaria mais forte, 
fulguranteeativa. Ao passo que, secolocaresuma lamparina no centra 
dum recinto, o reflexo das paredes ligeramente aclaradas e mui fraco, 
nada se podendo perceber da gloria da luz original. 

12. Por isto, aconselho-vos- que soisprovidosde bens materials - 
sede gen erosos como o Sol eliberal com sua luz, - eadevosassemdhares 
ebonsfrutoscolherds! Impossivd seriase, depositando uma boa semen- 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

343 

teem solo fertil, ele nao te retribufsse colheita centuplicada. Boasobras 
dum coragao bondoso representam a melhor semeadura - ea H umani- 
dade, o solo maisfecundo; nunca deixeisqueele permanega sem cultivo 
- semeai fartamenteeobtereisumasafraabundantenaTerra, enoAlem, 
mil vezesmais, doquesouTestemunhafiel! 



186. Base da Indole H umana 

1. (0 Senhor): "C ertamente havera quern diga ejulgue da seguinte 
maneira: Sim, nao deixadeser louvavel pregar-seavirtudedagenerosi- 
dade e classificar a avareza como vicio desprezivel; quern, entretanto, e 
responsavel por uma criatura sentir fortetendencia para a generosidade 
excessiva, enquanto outra defende, como base vital, a avareza declarada?! 
E a man ifestagao externa do sentimento maisintimo, deondesurgeuma 
sensagao defelicidade, quecada qual guarda para si. A primeira seentris- 
tecequando nao possui aquilo que poderia constituir a alegria do proxi- 
mo,- a outra, pornaoganharoquedeseja- ou que, talvez, aindavenha 
aperderMstotudodeveriasebasearem aNaturezahumanae, nofundo, 
nao pode haver vicio ou vi rtudeverdadei ra. Para o avarento a generosida- 
de e urn vicio, e para o generoso a avareza e defeito. Poderia, acaso, ter a 
agua algum merito por sua natureza maleavel e branda e a pedra ser 
responsavel por sua dureza?! Ambas tern desero quesao. 

2. Em parte, ejusto: a natureza do liberal o levaacaridade, enquan- 
to a do avarento faz o contrario. Realmente, a situacao eesta: Toda cria- 
tura nasce com tendencia para o egoismo ea avareza, esua alma contem, 
muitasvezes, o elemento maisanimalizado, mormentenaquelasprovin- 
dasdaTerraenaodoAlto.Todavia, mesmoasqueprocederem dosastros 
nao sao completamente livres detais elementos. 

3. Setal criancaeeducadadeacordocom seus elementos animaise 
egoisticos, poucoapoucotransforma-osnumabaseindispensavel avida, 
isto e: toma-se-lhe seu amor! Com esta inclinagao animal a criatura e 



Jakob Lorber 

344 

apenas humana pela forma, a capacidadedefalar, pela construoao orde- 
nadado cerebro, do conhecimento equilibrado, que, entretanto, einsti- 
gado sucessivamente pelos elementos animais a uma agao desprezivd. 
Apenas reconhecede bom eventurosooquelheadvem daquelaesfera. 

4. Aquele que afirma, de modo geral, nao existir virtude nem tao 
pouco vicio, equeseria injusto condenar a avareza perantea generosida- 
de, receba este M eu Ensinamento, considerando-oafundo! 

5. Se urn jardineiro planta duas arvores frutiferas e Ihes dedica o 
cuidado necessario, - ser-lhe-aindiferentequeumadefrutos, eaoutra, 
da mesma especie e plantada no mesmo solo, alimentada pela mesma 
chuva, orvalho, etereluz, nao produza nem mesmo afolhagem suficien- 
te para uma sombraacolhedora?Eledira: Esta arvore edoenti a edema 
indole, poisabsorvetodososhumoresem beneficioexdusivo; vejamosse 
nao e posslvd ajuda-la! - Experimental todos os meios conhecidos de 
longapraticae,caso nao surtamefeito,extrairao vegetal inutil, replantando 
urn novo. 

6. Portal motivo urn homem avarentoeegoistaeumacriaturacom- 
pletamentecorrupta, enao produzi ra frutos de caridade, porquanto, ab- 
sorve toda a manifestagao de amor, apenas, em seu proprio beneficio. 
Em compensagao, urn homem liberal j a seachanajustaordem desua 
vida, por produzi-loscom fartura. 

7. U ma arvore, todavi a, nao e responsavd por sua produgao farta ou 
negativa, poisnao se forma independentemente; ecriada pdosdemen- 
tos que surgem em seu organismo atraves do rdno da N atureza, pda 
forgaeintdigenciamui simpleserestritasquendeshabitam. homem, 
no entanto, ecapazdeformar a si proprio etransformar-senuma arvore 
portadoradeabundantes frutos de amor, pda intdigencia ilimitadade 
sua alma. 

8. Fazendo-o, paraoquedisp6edetodososmdos,torna-sehomem 
justo naO rdem EternaeVerdaddradeDeus; agindo inversamente, per- 
maneceraum animal sem vidadeamor, portantotambem impossibilita- 
dodetransmiti-laaosemdhanteporobrasdecaridade 

9. Por tal motivo esses judeus da Persia sao criaturas perfdtamente 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

345 

equilibradas, sendo facil guia-lasa sabedoria maiselevada. Q uando uma 
lampada esta repleta de oleo e transborda, etambem possui um pavio 
solidoebemposto,- bastaacende-lo para quea lampada tudoiluminea 
sai redor. E esses persas, - alguns, alias, acompanhadosdesuasesposas, 
sao como lampadascheiasdeoleo, pouco precisando para se tomarem 
plenosdeluz." 

10. D izC irenius: "Senhor, eisum ensinamento muitissimo elevado 
quedeveria ser anotado para uso posterior." 

11. Digo Eu: "Fazes bem em tepreocuparescom isso, motivo por 
quejatratei queomaisimportanteseacheescritoemteuspapirosTais 
anotacoestem o mesmo efeito queuma seta indicadora para o viajor nas 
estradaseatalhosdestemundo.Todavia, aquilo quefor util acadaume 
Ihe de sabedoria, forca e vida, acha-se escrito em seu coragao de modo 
indelevel. Tal escrita da eterna justica da vida e suas relacoes internas e 
externas e lida automaticamente em todas as agoes contrarias a rdem 
D ivina, animando a alma a voltar para la. 

12. Q uem seguiressavoz intimasempreestara no caminho certo; nao 
o fazendo, isto e seguindo a paixao desenfreada da carne, teradeagradecer 
a si mesmo quando for devorado pela propria condenagao. - Agora vejo 
queospersasseencaminham para ca; vamosrecebe-los com prazer!" 



187. Criterio dosPersas 

1. Enquanto palestro com C irenius, ospersasconjeturam acercado 
misterio deM inha Pessoa. U nsopinam ser Eu profeta, outros, um sabio 
quetivessecursadotodasasescolasdo Egito, Greciaejerusalem; alguns 
haquepresumem serEu um principedeRoma, conhecedordetodosos 
assuntos governamentais e de vasto saber. D estarte seria preciso muito 
cuidado Comigo, poisdo contrario o proprio C irenius, Prefeito detoda 
a Asia, naoadotariaatitudehumilde Finalmente, um deles objeta: "Seja 
como for, e um homem excepcional e nos podera ensinar muita coisa de 



Jakob Lorber 

346 

que, no momenta, maiscarecemos!"Todosconcordam eseencaminham 
para o monte, em bora j a comecea anoitecer. 

2. Ao mesmo tempo aproxima-seo velho M arcusepedeorientagao 
quanta a ceia, as mesas quebradas pela saraiva e que providencias tomar 
contra a forte umidade reinante 

3. Aponto-lheospersasedigo:"Eisum manjarfartoesumamente 
saboroso; devem ser consumidos pelo M eu Amor ainda antes da ceia! 
Ate la achates tempo para organizar tudo; as mesas, apenas algumas so- 
freram avarias e poderao ser consertadas. M anda fazer luz para que nao 
caminhem no escuro." Satisfeito, M arcus volta aosafazeres. 

4. OspersasdeM im seaproximam, curvam-se ate ao solo, deacor- 
docom seu uso, levantando-seem seguida. Urn dosdoisqueja M ehavi- 
am falado, tomadapalavra: "Senhor, grandeamigodoshomensdeboa 
vontade, - aqui estamoslConheceso motivoquenostrouxeaestazona. 
Entretanto, consideramo-lo como milagrosa determinacao do Alto, di- 
zendo como Job: Senhor, Ceu e Terra, ar eagua, tudo eTeuITu dase 
tomas, quando e como Te agrada: ao mendigo podes facultar coroa e 
cetro, efazer curvar a cabega dos reis no po da complete nulidade! - Eis 
por que nada nos faz sof rer, poisohomem compenetradofielmenteda 
Vontade Poderosa de D eus, jamais se entristece, a nao ser que tenha pe- 
cado dianteda Facedo nisciente. Assim, tambem nao lastimamosnos- 
so consideravel prejuizo, pois se a Vontade do Supremo nao estivesse 
soberana em tao espetacular acontecimento, estariamos agora de posse 
de nosso dinheiro, conforme antes se dava, ano por ano. Com alegria 
ofertamos essa bagatela efanamos maiores sacrificios se o nipotente o 
exigisse, poisEle, unicamente, eo Senhor, e nos Seus servos obedientes. 

5. Assim, nosO amamosetememos, esealgum dianosfezpassar 
vergonha diante dos homens, teve Seu justo motivo para tanto! Com 
muitafacilidadeelevianamenteohomempecadiantedeDeus, prejudi- 
cando sua alma; eisqueentao Elevem com o bom agoiteeajuda a cria- 
tura a volver ao bom caminho! 

6. Disto, senhor eamigo, deduziras nao havermosesquecidolEs 
possivelmenteum pagaosabioeentendidonopoderdaNatureza; nos, 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

347 

no entanto, aceitamosapenasum Poder, queestacom Dais Alem disto 
nao admitimosoutradoutrina. Se, portanto, pretendesnostransmitir 
sabedoria acertada, nao esquegas que somos professantes conscientes da 
D outrina de M oyses! Passando dai nada acei tamos, ainda quemui sabio! 
Preferimosserconsideradostolosdiantedo mundo intelectual quepeca- 
dores, perante D eus!" 

7. Digo-lhes: "M uito bem, achai-vos no caminho justo! Todavia 
existem passagensem M oysesenoutrosprofetasque, porcerto, nao com- 
preendeis. Quero, pois, esclarecer-vos, para que venhais a saber, todos 
vos,oqueorasepassa! 

8. Q uando Eliasseachavaoculto numacavema, o espirito Iheanun- 
ciou queeledeveriaali permaneceratequejehovah houvessepassado. E 
Eliaspostou-senaentrada,aespreita. Eisquesefezsentirumvento forte, 
soprando com tanta violencia quefez estremecer a montanha, eo profeta 
julgou que Deus houvesse passado. espirito, porem, disse: Jehovah 
nao Se acha na tempestade! 

9. E Eliascontinuou aespreitar. Derepenteum fogo poderoso por 
ali passou, com estrondo ensurdecedoreasparedesficaram transparentes 
pelocalorintenso. E o profeta acred itou que, entao Deus houvesse passa- 
do. M aso espirito denovo IhedisseTao pouco nestefogo EleSeachava! 
E Eliasdeduziu: Portanto o Amor dejehovah nao Se acha manifesto na 
tempestade, nem no poder do fogo! 

10. Enquantoassimmeditava, urn sussurro del icadoe suave passou 
a frente da caverna, e o espirito Ihe disse: E lias, justamente agora, seguiu 
Jehovah no sussurro delicado, e que te sirva de prova! Podes deixar a 
cavernaondetinhasdeesperarportualibertagao!- E o profeta del a saiu 
alegre, estandolivreo caminho paraapatria. (1. Reisl9, 9-15).- Julgan- 
do-vostao firmesna Escritura, explicai-M eessequadro angular!" 



Jakob Lorber 

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188. Senhor Explica um Texto da Escritura 

1. A esta M inha Pergunta e precedente explanagao todos arregalam 
osolhos, sem saberem o quedizer, poisquanto maisrefletem maisconfu- 
sossetornam. Umdaqudesdoisobservaaposalgum tempo: "Elevadoe 
sabio amigo! Parecesser entendido na Escritura, embora romano ou gre- 
go, etuaexpli cacao sobreo profeta Eliasfoi bem clara; todavia, atehoje 
ninguem aentendai. Seria realmenteestranho sermosesclarecidospor 
um pagao, maspedimos-tequeofacas, pois ja de certa feita, um sabio 
gentiodoOrientemeaclaroualgumasduvidasem Isaias E aqui separe- 
cerepetirtalfato." 

2. Digo Eu: "Atender-vos-ei! Antes demaisnada, devo esclarecer- 
vosnaoserEu pagao, masjudeu denascimento;entretanto, tarn bem sou 
tudocom todos, afim deconquista-losparao ReinodaLuzedaVerdade 
Eterna. Q uem tern ouvidos, que ouca, e quern tern olhos, queveja! 

3. Elias representa a alma pura do homem; a caverna na qual seocul- 
tavaeo mundo, e, maispropriamente, suacarneesangue espfrito que 
falaa Elias, ou melhor, aalmahumana, eo EspiritodeDeuscom oqual da 
sedeveunir. Isto, porem, ainda nao epossivd, porquanto Jehovah ainda 
nao passou dianteda caverna da came, ou seja, a do mundo. 

4. A tempestade representa a epoca de Adam a N oe, - o fogo, o 
transcurso de N oe ate o momenta atual . 

5. A era do sussurro ddicado queesta precisamentediantedenos, 
dara plena I i bertagao espi ritual e verdadd ra a toda alma de boa vontade, 
e- guardai bem- igualmenteestaisnaiminenciadereceberdesaliberda- 
deconferidaa Elias! 

6. navio quevostrouxefoi qual dita caverna: encontrava-se, no 
inicio, sob o poder da tempestade que vos fez passar grandesaflicoese 
pavor, equando tastes por da impdidaao cimo do mar, revolto, um fogo 
demil raiosprojetou-sesobrevosso pequeno mundo de tabuas soltas. 
Jehovah, porem, nao Seachava no fogo, embora vos trouxessesalvamen- 
to econservacao com Seu Brago! (0 anjo). Agora encontrai-vosprecisa- 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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mente na situagao em que o sussurro delicado vos bafeja; quern estara 
diantee proximo devos neste sussurro delicado?!" 

7. Ospersasseadmiram profundamenteeumdelesdiz:"Est:ranho! 
Eisum quadra perfeitamente identico ao deElias! N osso salvamento foi 
deverasmilagroso, enestemontesintootal sussurro peculiar e mi sterio- 
so mencionado pelo espirito ao profeta, ondejehovah estaria Presente! - 
Quemedizeisaisto, meusirmaos?' 

8. Respondem em unissono: "Sentimoso mesmo quetu, sem toda- 
viachegarmosareal compreensao. Deixemos, pois, queestehomem sa- 
biofalepornos!" 

9. D izo outro: "Sim, seria melhor; no entanto, nao podemosexigir 
istoou aquilonumaassembleiaformadapelosmaioraisdeRoma. Com- 
pete-nospedir licenga paratanto." 

10. Digo Eu: "Amigo, isto naoepreciso. Tal usopersaeinutil em 
nosso meio! D iantede D eus, M eu amigo, uma humi Idadeque rebaixa a 
alma etao tola como qualquer outra praticada entrea raga paga, - quan- 
ta maisumaexageradadiantedeseu proximo. Tal expressaodehumilda- 
derastejanteentreduascriaturasprejudicaaambas:aumaporquegeral- 
mente Simula, fazendo com quea outra setomeorgulhosa, ea esta, pelo 
fato de cair real mente no erro. 

11. Apenasahumildadesurgidado amor puro ejustaeverdadeira, 
pois respeita e ama o proximo como irmao sem elevar-se, tao pouco o 
torna um idolo, diantedo qual sedeva ajoelhar eadorar. 

12. Tudo que quiseres ou desejares, pede-o como homem ao ho- 
mem, como irmao ao irmao; jamaisalguem deverastejar-seno po peran- 
teo proximo. queDeusnaoexigedacriatura, muitomenosestadeve 
exigirdeseu semelhantelEisjustasabedorianaOrdem Plena deD eus; 
guardai-aesegui-a, quevostornareisagradaveisa Deuseaoshomens. 

13. Agora mudemos de assunto. A fim de que possais reconhecer 
mais profundamente o sussurro delicado diante da caverna do profeta, 
dar-vos-ei outro problema, jaquesoisjudeusverdadeiros. 



Jakob Lorber 

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189. A Indagacao do Sen h or Quanto ao M essias 

1. (0 Senhor):"Qual vossaopiniaoarespeitodoMessiasPrometi- 
do, o Qual, deacordo com aspredicoesdetodososprofetas, deveriavir 
nesta epoca para salvacao dosjudeus? Ligais alguma importancia a tal 
fato, como criaturas i ntel igentes, ou, comotantas,julgai-o inocuo parao 
raciocinio humano, em virtudedeseu teor mistico?" 

2. D izum deles: "Prezado amigo, eisum assunto delicado! Ambasas 
interpretacoessao arriscadas, porquanto, nao considera-lo seria audacio- 
so por parte dum judeu verdadeiro, - etoma-lo a serio, o mesmo que 
abrir portasa mais profunda mistificagao. Prefiro entregar tal decisao a 
sabiosmaiseruditos, emborameu simples raciocinio medigaseraau- 
sencia defe preferfvel asupersticao. 

3.0 primeiroestadoseassemelhaaumacriangarecem-nascidaoua 
urn campo, no qual nunca setenha lancado uma semente. Por uma boa 
educagao pode a crianga se tornar urn homem sabio, e urn campo sen 
cultivo pode ser aproveitado para produzir varios frutos U ma vez, po- 
rem, invadido pela erva daninha, e urn adolescente instruido em toda 
sortedetolices, nada feito ou em melhorhipotese, conseguir-se-aalgum 
efeito com muita dificuldade. Todo lavradorsabeo quanto custa limpar 
urn campo invadido pelo mato. Eis, amigo, minhaopiniao. 

4. N o quediz respeito ao M essias Prometido nao temos ideiaforma- 
da; se, todavia, algum sabio entendido na Escritura nosquisesseesclare- 
cer, ser-lhe-iamos muito gratos. Tu mesmo, sesouberesalgo deconciso, 
transmite-o!" 

5. "Julgastebem!"digoEu, "aausenciadefesempreemelhorquea 
superstigaotenebrosa; entretanto, tambem possui disparidades pernicio- 
sasque, seendurecidas, sao tao dificeisdecurarcomo dificil setornaa 
li mpeza dum campo. U m terreno cheio de matagal ainda demonstra ter 
solo fertil, do contrario nem isto produziria, como se da com urn com- 
pletamenteesteril. 

6. Sabes, quando o intelecto mundano e matematicamente deter- 



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minadoefirmasuabasenacriatura, bemarduosetornaaplicarafe- por 
maisdevadaesabiaqueseja- em algopuramenteespi ritual. Tal homem 
intelectual exige, finalmente, prova matematica para tudo, e das coisas 
que nao pode ver e medir nao quer tomar conhedmento. Julga tu mes- 
mo, sepoderiasaceitaralgodepuramenteespiritual?' 

7. Respondeojudeu persa: "Tens plena razao, nobreamigo; entre- 
tanto, pode-setambemafirmarexistirem poucoshomensdessa indole, e 
algumasandorinhasainda nao fazem verao. Alem disto sao os intelectu- 
ais mais acessi'veis a verdade que todos os adeptos da supersticao, mor- 
mentequando Ihesfomeceestaosustento material. Nessecasonadaha 
quefazer, porquanto perseguem todosqueselhesantepoem, com fogo e 
espada! Isto deparamos na casta sacerdotal, que usa de todos os meios 
para proteger o I i vre curso de suas f raudes escabrosas. 

8. Em absolute quero garantir acreditarem os sacerdotes naquilo 
queobrigam osoutrosaaceitar, poisseu movd eo conforto, ouro, prata 
e pedras preciosas. A H umanidadefrequentementecega aceita-os, e isto, 
num fanatismo revoltantee cruel. 

9. Diantedessasaberragoesnocampodasuperstigao, mil vezespre- 
ferivd eum intelectual enraizado. Aomenoseamigoduma verdade real, 
enquanto o outro rejeita toda equalquer manifestacao sobre o assunto. 
U m amigo da verdade e acessi'vel dum modo razoavel, enquanto o su- 
persticioso nao aceita sugestoes logicas. 

10. E fato sabido que pessoas de raciocfnio calculista dificilmente 
sao levadasafeabsoluta; se, porem, tal coisafor alcancada, mesmo ace- 
tando algo como hipotese, tudo farao para prova-la de modo matemati- 
ca Acaso urn supersticioso faria isto?! Para de, detrito eouro sao identi- 
cos;eeupersistoemafirmarquefealgumasejamdhorqueaquiloquese 
ere em nossapatria. 

11. Informaram-nos, contudo, nao divergirem muito os nossos sa- 
cerdotes dosdejerusalem. A tal maravilhosaArca da Aliancaeuma sim- 
ples fraude, pois bem sabemos quando eondefoi construida, isto e, - 
nos confins da Persia, para que nao fosse denunciada. Isto, porem, nao 
adiantou muito: tiveram depagar pdo silencio, aosartistasmarcendros, 



Jakob Lorber 

352 

dez vezes mais que o proprio valor da Area, o que nao os impediu de 
comentarem a novidade com os nativos e mesmo conosco, judeus Por 
tal razao, prezadoamigo,consideramosfielmenteaDoutrinadeM oyses, 
embora tambem Ihe reconhecamos certas coisas inteiramente ilogicas. 
Como ninguem consiga interpreta-las, tambem nao sedao ao trabalho 
demeditar. N oquedizrespato a Idea moral, e^nsuperavdmentesabia. 
D enominamosesta parteda D outrina como divina; o resto nao nostoca, 
mormentea parte prof etica, incompreensivd. 

12. Tua explanagao sobreo texto de Eliaseacertada esublime; mas 
o que a respeito dizem osoutrosprofetasesumamentemistico. Requer 
explicacoesconcisasefeequilibrada. Esta,felizmente, naomaisexisteem 
nossapatria. Preferimospoucaou nenhumafeem coisaextravagantes, - 
enquanto a em DeusVerdadeiro quefalou por M oyses a Seusfilhos, e 
mantida com fide! idade. 

13. Alem do mais, devemosmuito a Platon, cujosaxiomasapreda- 
mos. M oysesepraticoedelineiaocaminhocomtragosmarcantes Platon 
eapen as espiri to ealma, edemonstra a ambos sua propria indole. Todos 
em conjunto: M oyses, Platon, Socrates ealgunsprofetas, bem interpre- 
tados, denominamoso proprio Messias que vira do Alto, dondeemana 
todaluzaTerra,ascriaturasdeboavontade Demonstrei com isto, preza- 
do e sabio amigo, nossa verdadeira indole; cabe a ti, orientar-nos sobre 
algo melhor, caso teseja possi'vel. Qual seria, por exemplo, teu parecer 
quanta aos profetas e ao M essi as Prometido?' 



190. DificuldadesnaConversao dosPersas 

1. D igo Eu: "N ao chegou a vossa patria a noticia de ter nascido 
dumavirgem, hatrintaanos, em Bethlehem, avelhacidadedeDavid, 
urn Rei dosjudeus, numaestrebaria? 

2.TressabiosdoOrientedepararam com umagrandeestrelaeinda- 
garam a seus propriosespfritos a significagao. E Eleslhesordenaram que 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

353 

Iheseguissem o rastro, poisconduzi-los-iaao recem-nascido Rei dosju- 
deus, oqual iriaconstruirum ReinonaTerraquejamaisteriafim. 

3. Eisqueossabiosapanharam ouro, incenso emirra, montaram 
seusanimaise, acompanhadosdegrandeesuntuososequitoseguiram a 
trajetoria do astro ate alcancarem o lugar do N ascimento. N a pesquisa 
pelo recem-nascido chegaram ate H erodes, o qual, nao Ihes podendo 
informarsugeriuavoltaaBethlehem,ondeaestrelaquedavafixa. Reco- 
mendou-lheainda uma busca mais intensa, pedindo ao mesmo tempo 
orienta-lo do possivel exito, para que pudesse render ao M encionado as 
devidas homenagens. 

4. Q uando, maistarde, encontraram-N o e Lheofertaram seus pre- 
sentes, urn espirito celeste Ihes preveniu quenaocomunicassem adesco- 
berta a H erodes, motivo por que voltaram a patria por outro caminho. 
D izei-M eo quesabeisa respeito." 

5. D iz urn dos persas: "Estas nos lembrando urn fato quefoi divul- 
gadoemtodaaPeraaeatenalndia, poisostressabios- comooshanas 
fronteirashindus- fizeram tantoalardequeo proprio rei setornou cien- 
tedo ocorrido, sem contudo, ligar-Ihe importancia. Sabiadatendencia 
dos magos em fazerem urn elefante dum mosquito. Tais fatos nao nos 
impressionam muito, porquanto nos meios mais cultos ja se esta bem 
informado sobre eles. Pode a pessoa assistir a magias bem apresentadas 
quando se sentir disposta, achando ate graga numa situagao comica, - 
em sintese, nada de valioso representam. 

6. D enossa parte, apenasconsideramosverdades matematicamente 
comprovaveis; e bem possivel que o fanatismo contenha algumas, tao 
ocultasno misticismo que e diffcil ao raciocinio humano descobri-las. 
Tu, nobreamigo, com preen derasser maisrazoavel dirigiraatencao ex- 
clusivamenteaverdadepuraquehomenagearum culto mfstico." 

7. D izC irenius, virando-separa M im: "Senhor, parece-meimpratica- 
vel a conquista dessas pessoas honestas, porquanto sao contra tudo que se 
classificadefe Alem distosao inimigasdequalquermilagre, recurso deque 
langas mao em casos extremos como prova i rref utavel deTua D i vi ndade 

8. N ao os podera convencer atraves duma atitude milagrosa para 



Jakob Lorber 

354 

naolhesdespertaracompletarejeigao. Deigual modoasexplicagoesdos 
profetasconcernentesaTi nao terao efeito, por nao Ihesdarem credito. 
Assim, nao vejo outra saida." 

9. Digo Eu, em surdina: "Deixa isto por M inhaconta; por que nao 
deveriapoderconquista-lossetiveplenoexitocom Mathael eFloran?0 
maisteimosodetodosfoi Staharquetambemjaseequilibrou naOrdem, 
- muito maisfacil, pois, levaressascriaturashonestasaocaminhojusto." 

10. Replica Cirenius: "Naoduvido, poistodasascoisasTesaopos- 
siveis, mas para minhacompreensao humana nao vejo possibilidade." 

11. Digo-lhe: "E precisoqueselhesdeocasiaodeseexternarem com- 
pletamente; so depois de terem demonstrado o que Ihes vai no intimo, 
poder-se-a depositar urn fruto novo nojardim purificado deseu coragao." 

12. Enquantotrocamosestaspalavras, ospersastambem cochicham 
eo principal orador, chamado Schabbi, dizaoscolegas: "Tenho a impres- 
sao deestar pisando em brasas! s romanos, espertos, certamente tive- 
ram conhecimento da predita vinda do M essias e pesquisam todos os 
cantos daTerra, afim deprende-Lo, poisquepretendefundarum Reino 
indestrutivel, sem considerar os potentados Por isso, - muita cautela 
para nao cairmosna armadilha romana! 

13.0 homemquesedirigiuaCireniusdeveserumperitodeRoma. 
Bastariaquemanifestassemosfeno M essias, - eestariamosperdidoslTal 
examinador e instruido em todas as Escrituras e nos quer armar uma 
cilada; isto nao Ihesera possivel porquetambem somos espertos. M ante- 
remos nossa firme opiniao para salvar a pele!" Todos concordam com 
Schabbi e Ihe prometem nao denunciar com uma si'laba sequer o que 
pensam do M essias. 

14. EisquedelesMeaproximoedigo: "Schabbi, por quealimentas 
pensamentos maldosos em teu coragao, contra M im e os inocentes ro- 
manos?- Julgasnao ter Eu percebido o quecombinaste em segredo com 
teuscolegas?Nenhuma si'laba Meescapou, poisAquelequeviu esoube 
do grande perigo queenfrentaveis- do contrario nao poderia ter enviado 
auxilio- vetambemofundodevossoscoragoes SeEletem boasesince- 
ras pretensoes para convosco, por que nao confiais N ele?' 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

355 

15. RespondeSchabbi: "Esinteligenteesabio; poderiamos, porem, 
lucraralgocom isto?Entrenosninguem eignoranteeconhecemostuas 
intencoes: os maiorais romanosa teu lado, o destacamento militar nao 
longe daqui, por certo destinado a nos prender... Podes desistir duma 
busca, porquanto nada irasencontrar!" 

16. Vira-se Cirenius novamente para M im: "Que homens estra- 
nhos! Agora ate recorrem asimulagao. Q uefazercom eles?Tem conceito 
formado contra nos, de sorte que se torna d if ici I contesta-los" 

17. D igo-lhe "N ao e bem isto; acham-se mais perto do destino que 
antes Desdeiniciousaramtal precaucaoem virtudedevossapresenca. De 
algum tempo paracadivulga-seoseguinte o M essiasapareceu em verdade 
na Judea, operando grandes milagres; cientes disto, os romanos perse- 
guem, nao so Lhefazendocagacomoatodosquemanifestam urn vislum- 
bredefenestefato. Eisacausadasimulacaoqueem breve dominaremos" 



191. SCHABBI ADVERTE 

1. N ao obstante integrado da situacao com os persas, C irenius nao 
compreendequem teriadivulgado essa infamiaentredes D igo-lhe: "Acaso 
o Templo nao M e considera, ha nove meses, como agitador?! Vai ate la e 
informa-te Dali surgem todososboatosfalsosemaussobreM inhaPes- 
soa, M inha Atitudeetambem sobrevos, romanos, sabendo-sequenao 
soi s contra Mi m.O proprioJoaoBaptistaaindaestariavivoseoTempIo 
nao o tivesse intrigado com a bonita H erodiades 

2. Tudo eengendrado pelo sinedrio eseusbragosabrangem aTer- 
radistante; todavia, ser-lhe-ao cortadosem breve. Assim andam ascoi- 
sas: seradificil tratarcom essaspessoas, porem, nao inutil. Devem rece- 
beraverdadeiraluz, docontrario, Eu, M inhaDoutrinaevossofreria- 
mosumadecepgao. 

3. Certamentecomecasa compreender o motivo por quesalvei esses 
persasdamortecerta:afimdelhesconservaravidafisica,naoseriapreciso 



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356 

mandar urn anjo para a salvacao. C omo exercem grande inf luencia em seu 
vasto pais e seu grande povo, tinha de salva-los, porquanto sem eles, nao 
teria meios adequadosde livrar os habitantes dosfalsos conceitos" 

4. D izC irenius: "Todo louvorsedeve, Senhor, unicamenteaTi !Com- 
preendo perfeitamentequepodemosedevemosaguardar pleno exito." 

5. Nesseinterim, ospersasconjeturam de mododi verso, eSchabbi 
dizaosoutros: "Vedeso, comoosdoisfalam em segredosobreamaneira 
possi'vel deprender-nos. Urgequetenhamoscautela, porquanto sua tati- 
ca agora sera mais ostensiva. tal examinador quis me assustar com a 
afirmagao deconhecer nossos pensamentos; quando viu que isto nada 
adiantou, virou-se para o Prefeito para combinar outro estratagema." 

6. Dizum deles: "C omo pode saber teu nome, senenhum denos 
Ihodisse?!" 

7. Concorda Schabbi: "E realmente urn tanto estranho, mas isto 
nao nos deve confundir; os meios usados por pessoas tao espertas para 
conseguirem informacoes desejadas, sao inumeros. Somente Deus e 
nipotente, - o homem apenasquando chamado pelo Espirito D ivino 
arevdaroquejamaisalguemsonhou.Tal privilegioeraronestemundo 
egoista e inteiramente im possi'vel encontrar-seentre pagaos ignorantes. 

8. Aqueles, porem, que ten ham contato com ossabiosdo mundo, 
saoatiladosporsetomarem conhecedoresdesegredos Empregam bon- 
dade, rigor, generosidade, pacienciaeatea iniciagaoem seusmisterios, a 
fim deconquistarem plena confianga e, assim, apossarem-se dos pensa- 
mentos alheios. 

9. Amigos, encontramo-nosfrenteajuizesinclementes temaem 
jogo, tao odi ado pel os pagaos, eo M essias, cujaVindajasedeu conforme 
fomosinformadosdemodo irrefutavel. E is por que eles perseguem, e 
asimplescrencaem Seu Aparedmentoe crime mortal entreosgentios 
Sabeis, portanto, o quefazer!" 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

357 

192. Palestra Entre osDoisPersas 

1. D izo outro: "Fostesemprea precaugao em pessoa; desta vez, nao 
pareces aplica-la com justica. Q uanto mais observamos o examinador, 
tanto mais se esvanece o pensamento de ser de mal intencionado. D u- 
rantenossa palestra com decaptd palavrassuasdirigidasaCirenius, que 
apenas revelavam certo cuidado em nos afastar do erro. Percebera que 
nosso temor pdo M essiassebaseavaem informacoescapciosas, oriundas 
doTemplo. 

2. Durante nossa viagem tivemos oportunidade de observar os 
romanos, sem jamais I hesdescobrirmos urn ato cruel. Assim, pensoser 
teu receio urn pouco exagerado, mormenteno quediz respeito ao exa- 
minador. Percebo algo mui diferente e me admiro que tal coisa nao 
fosse porti observada." 

3. Indaga Schabbi: "Queseria?Tenho visao amplaeestranho 
tuaafirmacao." 

4. Dizo outro, chamadojurah: "Ora, nao notastequeasexplana- 
coes feitas sobre o profeta Elias referiam-se, evidentemente, a de mes- 
mo?' DizSchabbi: "Em quesentido?" Respondejurah: "Nadamaisdo 
que ser de proprio o M essias Prometido, diantedo Q ual ateos potenta- 
dos tern de se curvar! Alem disto, tambem ouvi como o Prefdto o 
cognominava "senhor", algo inedito parti ndo dum dignitario romano. 
Tudo isto nao pode ser desconsiderado, pois, que seria se tal homem 
fosse real menteo Prometido?" 

5. Diz Schabbi: "So poderia estar satisfeito com minha precaugao, 
que pretende proteger a Santidadede nossa D outrina contra a usurpagao 
dosgentios. Em todo caso convem urn examerigoroso, poistuasobser- 
vagoes bem podem ser disfarce!" 



Jakob Lorber 

358 

193. A CoNFiANgA Prematura 

1. N ovamente deles M e acerco e digo a Schabbi: "Entao, o que 
combinastes? Acaso ainda M econsiderais uma raposa ladina, com fito 
unico devosfazerentregarasautoridadesromanas, em virtudedo temi- 
doMessias?Assemdho-Merealmenteaumddatortraigoeiro?" 

2. Responde Schabbi: "Bom amigolAfisionomiaemuitasvezeso 
espelhodaalma, - masnemsempre. Conheci pessoalmenteumhomem, 
cuja aparencia era identica a dum anjo, meigo e simples; no entanto, 
tudo nao passava de mascara perfeita, poisera urn diabo escrito! Favorito 
dacorteeentendidoemarteseciencias, - possuia uma alma muitomais 
tenebrosa que o Estigio pagao! Ai dos que travassem relacoes com ele, 
poisestariam perdidos! Asmulheresselhetornavam vitimasatravesde 
labia perversa. Ele, no entanto, sempresefazia passar por inocente, pois 
ascircunstanciaso favoreciam deestranho modo! Servo fiel do rei, mas 
urn diabo perfeito para com todos os inferiores! 

3. N aquela cidade vivia urn grego rico que se convertera a nossa 
religiao; sua esposa, jovem e bonita, era-lhe mui fiel e dedicada. N ao 
demorou muito,eoperversohomemfoi informadodaexistenciadaque- 
la beldade, e todo empenho fez para conhece-la. acaso quis que o 
grego sevisseobrigado afazer queixa dum persa, em virtudeda negagao 
do pagamento de uma divida, pois o devedor tinha como juizes seus 
proprios conterraneos Assim, o grego se via logrado naquilo que Ihe 
assistiadedireito. Eisqueumdia sua esposa- sabendoqueo favorito por 
diversas vezes Ihehavia demonstrado admiracao - disse-lhe: "Q uetal se 
pedissemos ao cortesao interferencia junto ao Rei?" Respondeu-lhe o 
marido: "Sei queteolha com cobica etalvez conseguissealgo em meu 
favor! Fala-se, entretanto, nada debom a seu respeito eseria ate melhor 
te-lo como inimigo ao invesdeamigo, pois quern ate hoje privou com 
ele, semprefoi alvo duma desgraga. Assim, penso quea perdada impor- 
tanciasejao menordosmalesefaremosbem seaofertarmosaoSenhor!" 

4. A jovem e bonita esposa com eleconcordou. N aotardou, porem, 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

359 

que o cortesao fosse em pessoa comprar umajoia na casa do grego, que 
eraourives. Portou-sedemodocortesegentil, procurandodespertar-lhe 
confianga; a mulher, no entanto, perturbou-se pela maneira insinuante 
daquele homem de atitude tao generosa, que pagara o prego marcado 
sem regatear. 

5. grego, animado por isto, disse: "Ah, esse homem deveser mui- 
to invejado na cortepor sua aparencia atraentee simples; nao acho pos- 
sivel ser maldoso." D iasdepois, o cortesao voltou para comprar urn gran- 
de diamante encrustado em ouro e que deveria enfeitar seu turbante, 
oferta do Rei. prego estipulado era de cem libras de ouro, que ele 
queria pagar imediatamente, poisandavasempreacompanhado degran- 
desequito. grego, porem, Ihedisse: "Bom amigo, ajuda-meareavera 
importanciaqueFulano medeve, - eestajoiaestarapagalTensgrande 
influenciajunto do Rei eteserei grato!" 

6. Respondeu o outro: "Amanha mesmo ser-te-afeitajustica; nao 
obstante, aceita o pagamento dajoia! C omo te presto urn favor sem inte- 
resseproprio, exijo-teum pequeno obsequio: dentro desetediascelebra- 
rei noaniversarioreal, umagrandefestanojardim paradisiaco. Convido- 
te e a tua esposa, pedindo quevosapresenteiscondignamente Condu- 
zir-vos-ei a mesa do soberano, onde podereisextemar vossos pedidos" 

7.0 grego sentiu-selisonjeado, poisdehamuitodesejavasetomar 
ourivesdacorte A esposa, porem, observou: "N ao podemosvoltaratras; 
no entanto, nada pressinto debom para nos E bem posslvel quesofras 
algum revesameu lado. Melhorseriaarrumarmosnossostrastesefugir 
antes que ven ha tal diatenebroso!" 

8. marido, porem, Ihedisse: "Q uerida, sempreebom ser precavi- 
do. C ontudo, al i mentar desconf ianga contra uma pessoa que nunca deu 
moti vo para tanto e da qual apenas se sabe o que as mas 1 1 nguas i nventa- 
ram - fatoqueaconteceateaum cavalheiro- etaotolo quanta leviano." 
C om isto a esposa secalou, eo devedor, ja no dia seguinte, veio pagar sua 
dividaao grego. 

9. A data marcada para afestaseaproximou como urn destino incle- 
mente, e ambos se dirigiram ao palacio. Tudo estava rigorosamente 



Jakob Lorber 

360 

engalanado: ouro epedraspreciosasbrilhavam como estrelasnaabobada 
celeste, musica e cantos perdiam-se entre as alamedas do vasto jardim. 
M al entraram, foram descobertospelo favorito queosconduziu ao pavi- 
lhaoreal,ondereceberam boaacolhidadoRei. No centra haviaquanti- 
dadedebancosestofadosdeseda; sobreasmesas, grandesbaixelasdoura- 
dascom asmelhoresiguariase, em calices decristal, fulguravam vinhos 
saborosos e outras bebidas aromaticas. 

10. grego tinhadeassentar-seamesaaolado do Reienquanto sua 
bonita esposa ficava na companhia real. C omeu-see bebeu-sea vontade. 
Subito, o grego comegou a sentir-se mal, pois Ihe haviam dado uma 
bebidaenvenenada, sendo preciso leva-lo acasa. Ela, porem, foi conduzida 
aos aposentos do soberano, ondetevedesuportaravolupiadeinstintos 
animaisdesenfreados grego nao chegou a morrer, apenasficou parali- 
tico! M as de que maneira a pobre mulher voltou ao lar apos sete dias - 
bemsepodeterideia! 

11. Tal foi o fruto duma confianca prematura numa pessoa cuja 
aparenci a despertava essesenti mento, enquanto seu coragao era habitado 
por urn bando dedemonios. casal quepassou por essa prova, nao faz 
muito, acha-sesentado ai ao lado, em virtudedesuaextremafraqueza e 
podera atestar minhaspalavras. Amigo, quando setem provastais, sabe- 
se porqueseaplica a precaucao!" 



194. A DiFERENgA Entre o Senhor e osM agos 

1. D igo-lhe: "Apresenta-M e esse casal !", eSchabbi assim faz. Entao 
Ihespergunto sedesejam tomar-senovamentesadiosefortes. 

2. Responde o grego: "0 h, senhor, se tal fosse posslvel ! Acho-me 
completamente aleijado pelo estranho veneno, de sorte que mal posso 
me locomover; eve minha esposa, cujo fisico ficou todo vilipendiado! 6 
Jehovah, por que era preciso que passassemos por tal provacao?' 

3. Digo-lhes: "Quero que sejaistaosadiosealegres como naepoca 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

361 

em que vos casastes!" M al acabo de falar, ambos se sentem como que 
abrasados por forte chama, e tao jovens e saos como se nunca tivessem 
padecido: seu fisico eratalvez maispujantequequando noivos. N atural- 
mentecomecam aseadmirar, pois nunca sederatal fato na Persia. 

4.0 proprio Schabbi arregalaosolhosejulgaestarsonhando;Jurah, 
porem, toca-o e Ihe diz em surdina: "0 uve, penso encontrarmo-nos no 
endereco certo, e nao estamos longe D aquele que pretendes negar! J ulga 
porti proprio." 

5. Diz Schabbi: "Terastalvezatingidooalvo, poisessa cura rapida 
apenaspela palavra ultrapassa o que a sabedoria humana podeconceber. 
Agora tambem compreendo nosso proprio salvamento. U m homem, cuja 
vontadecontem tal poderdesubjugaramateriabruta, certamenteemais 
elevado que todas as pessoas comuns N ele deve habitar a Plenitude da 
n i potencia D i vi na, sendo sua al ma a expressao vi va da Vontadede D eus, 
- ouaDivindadeMesma.Talveztenhasidoexageradoem minhacaute- 
la, entretanto, nao cometi pecado; quis apenas proteger o divino da de- 
turpacao paga. 

6. Segundo me parece, nao sao os gentios tao rudes como no-los 
classificaram na Persia, sendo impossivel i magi nar-se que o altivo Prefei- 
to C ireniusnao soubessequem realmenteeo taumaturgo. Assim sendo, 
eaindao chamando "senhor", deve ter seu justo motivo, pois contra o 
poder de tal Vontade ate as armas romanas de nada adiantariam. 

7. Naosetratou demagiaecurasconformeasfazem nossosmagos 
e sacerdotes, os quais levam pessoas sadias a fazerem papeis de surdas, 
mudasealeijadas, - contra pagamento - edestemodo peregrinam para 
imploraromilagredoidolodumimundotemplo. La, aumsinalcombi- 
nado, tornam-sesas. Destemodoseludibriaquantidadedeignorantes, 
poisserealmenteviessem enfermosquepedissem efizessem sacriffcios, 
nada alcancariam. Apenas sao informados de que pouca era sua fe, e a 
oferenda nao agradara a D eus Sabes que nossos magos atefazem ressus- 
citarfilhosde pais ri cos- masnossabemosdequemaneira; alem disto, 
nunca sao parentes consanguineos Este aqui certamente sera capaz de 
ressuscitar os letargicos!" 



Jakob Lorber 

362 

8. Aproximando-M e, digo: "Isto mesmo, ajo sen oferendas, oleose 
ervas! bservai a praia, ondeseencontram tres afogados, um homem e 
duas mogas, que dois filhos do nosso hospedeiro acabam de retirar do 
marlTrata-sedum pobrejudeu com duasfilhas, aesposasalvou-senum 
tronco dentro d'agua; eleeasfilhas, ao tentarem socorre-la, foram arras- 
tados pelas ondas e pereceram. Eis que agora sao trazidos a praia pela 
correnteza e retirados, mortos. 

9. E deM inhaVontadequeainfdizmulhertambem chegueateaqui, 
pois ainda se encontra agarrada ao tronco, gritando por socorro. Para tal 
fim empregarei novamente meu pratico; so entao devereis ver a G loria de 
D eusecrer N aquelequevossalvou a todos!" C hamo, pois, Raphael, faco- 
Iheum si mplesaceno que entende e executa de pronto: em menosdum 
minuto transporta a mulher desesperada para junto de M im. 

10. Eu, entao, toco-ade levee digo: "Acalma-te, filha, creeconfia, 
poi s para D eus todas as coi sas sao possfvei s!" 

11. E la seaquietae responds "Sei disto muito bem; mas nao ignoro, 
igualmente que, como pecadora, nao merego a Graga de Deus! Quao 
puro deve ser o coragao da criatura para merecer a menor Graga D ivina! 
Essa porta, porem, de ha muito cerrou-se para mim. Agora, D eus certa- 
mente nao me considerara em minha afligao, porquanto Dele nao me 
lembraquandofdiz;assim,jaeumaGragaofato deter Elemecastigado!" 

12. Digo Eu: "QueachariasseEu tedevolvessemaridoefilhas?!" 
Dizela:"Somente no Diadojuizo Final poderaD eus restituir-mos, pois 
que jazem no fundo do mar! Poderias devolver-me os mortos caso fos- 
sem retirados da agua!" 

13. D igo Eu a Raphael: "Trazeostrescadaveres!" E o anjo executa 
M inhaOrdem. Reconhecendoosseus,amulhercomegaachoraramar- 
gamente. D igo-lhe: "Acalma-te, mulher; deves perceber queestaoape- 
nasdormindo!" 

14. D iz ela: "Sim, o sono eterno do qual ninguem desperta." 

15. Insisto: "Enganas-te; nao existesono eterno como julgas, por- 
quanto naocresinteiramentenavidado Alem. Despertarei estestres, a 
fim dequetu eoutrosvostorneismaisfortesnafeeconfiangano N ome 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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Vivo de D eus" Em seguida digo em voz alta aos mortos: "Levantai-vos 
do sono mortal!" No mesmo instanteosdefuntoscomegam asemexer, 
para logo selevantarem admirados, deolhosarregalados, poisignoravam 
seu paradeiro. 

16. Digoentaoamulher:"Explica-lhesondeestaoequeaconteceu! 
Q uando vostiverdes reconhecido e refeito, palestraremos." Ela, porem, 
cai aM i n ha f rente sem conseguirdizer pal avra. Depoisdecerto tempo se 
levanta para Melouvar com enfase, poisseconvencepoucoapoucoque 
o marido easfilhasestao perfeitamentesaosealegres 

17. Oriento-aparaquesedeaconhecerperanteeles. Entaoencami- 
nha-separa la, eEu M eafasto por motivosapenasconhecido por M im, 
como semprefaco quando ressuscito ou euro alguem. Naturalmentea 
alegriaeimensaquandoareconhecem como esposa e mae Alem disto 
proibo-lhedenunciar-M ecomo Salvador dosrecem-conscientes, poisseria 
prejudicial a uma vida nova; so depois que recebesse urn aviso poderia 
faze-lo. Elarespeitaessaordem, emborao marido insista que Iheaponte 
o Benfeitor. 



195. Efeito dosAtosdo Senhor 

1. Tal ocorrencia causa profunda impressao nos persas: estao com- 
pletamenteforadesi, eSchabbi oraMefita, ora aos ressuscitados, apal- 
pa-lheso pulso, indagando serealmentehaviam estado mortos esede 
nadaselembravam. 

2. homem, entao, diz: "Dirige-teaestapedraetedirao mesmo 
que eu! Sei apenas que uma onda fortissima me arrastou para o mar, 
perdendo eu ossentidos M inha alma serecorda que, logo apostermos 
sucumbido, encontravamo-nostristes, num grandeprado, sem saber do 
motivodenossodesalento. Derepenteenvolveu-nosumanuvem lumi- 
nosa que nos causou urn bem estar indefinivel! Ninguem maisvimos 
alem denosenesseenlevo caimosnum sono suave, do qual so desperta- 



Jakob Lorber 

364 

mosaqui . Agora sabes detudo e podesj ulgar de modo di reto. Q ueestive 
realmente morto etao exato como agora estou vivo! Experimenta ficar 
duas horas no fundo do mar etegaranto morte infalivel !" 

3. Confirma Schabbi: "E isto mesmo: estavas morto, e o homem 
milagroso tedespertou apenas pela palavra. Isto nunca foi visto! M as..., 
que sera agora?!" N istojurah chamao amigo elhediz: "Entao, Schabbi, 
quemedizes?" 

4. Respondeaquele: "Quepoderei dizer?Jehovah estaagindo, nada 
mais! U Itrapassa o horizonte das experiencias humanas, e nao ha ciencia 
que haja galgado tais alturas. Tudo isto medeixaconfuso." 

5. D igo-lheEu: "Entao, amigo, qual tua opiniao a respeito da histo- 
ria do M essias, que ha trinta anosfoi divulgada em vosso pais pelostres 
magos?Aindaaconsiderasum conto astrologico? 

6. PoisveAquele Homem nascidoem Bethlehem deumavirgem, 
numestabulo, eaoQualostressabios- quechamaisdereisdosastros- 
ofereceram ouro, incenso emirra- sou Eu Pessoalmente! N aquelaepoca 
eraumacriangarecem-nascida, hoje- urn homemlQuetepareceacoin- 
cidenciadosfatos? 

7. Para provar M i n ha I dentidade existem aqui duastestemunhas o 
comandante Cornelius, irmao mais moco do Imperador Augusto e o 
Prefeito Cirenius, queorganizou M inha fuga para o Egitoee urn mano 
maisvelho do Imperador. Cientedisto, dize-M eo que pen sas do M essi- 
as H a al go vend icon isto?' 

8. D iz Schabbi : "Ah, agora am I M as naquela epoca parecia mesmo 
urn mito. Bastaseconhecer os reisastrologos para saber-se como inter- 
pretam toda aparicao celeste em seu favor. Primeiro, sao entendidosem 
todosidiomas; conhecem osprofetasjudeusehindus; oslivros"Sen scrit 
esen ta veista" dos persase birmanenses conhecem tanto quanta os nos- 
sos. Possuem igualmente nogao dos ensinamentos pagaos e de seus li- 
vros. Ademais, nao existe astro que nao conhecam ecognominem. 

9. Casosurjaum cometaeprontamenteaproveitadoparainterpre- 
tagoes profeticas. Q uando nao sao aplicaveis ao proprio pais, vao ao es- 
trange ro paraver ondeepossi'vel fazer-sealardedo fato. N isto sebaseia 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

365 

nosso receio quanta a histaria do M essiasquedivulgam pomposamente, 
poisadotamoso ditado: Q uem muito mente nao leva credito, mesmo se 
urn diafaleaverdade!- Quem poderia i magi nar que osmagosconse- 
guissem descobrir algo deverdadeiro? Agora tudo esta esclarecido etu, 
porcerto, nao noscondenaraspela incredulidademanifestada." 



196. BenefIcio da Atividade e o PrejuIzo do Ocio 

1. D igo Eu: "C laro quenao; no entanto, efato sabido queoscomer- 
ciantescostumam passar levianamenteporcimadeassuntosespirituais, 
o quesedeu convosco. Tenho razao?" 

2. RespondeSchabbi: "Prezadoamigo, pleno da nipotencia, infe- 
lizmenteeverdadeque osnegocioseostesourosda terra, sua aquisicao e 
administragao dao muito trabalho. Pelo bom emprego da riqueza, po- 
rem, conquistam-seotimasexperienciaseo despertar do espirito na cri- 
atura, dando-lheoportunidadeparavariasocupacoes D estemodo eafas- 
tada do ocio, causador de vicios e pecados. 

3. Bastaobservaresosacerdociodequasetodosospaises. Enquanto 
taishomensforam obrigadosatrabalhar paraseu sustento, permanece- 
ram amigosdaverdadeedescobriram coisasqueatehojemerecem aplau- 
sos. H armonizaram a maneira de pensar eerigiram escolas para forma- 
gaojustadointelectohumanoedoconhecimentodesi proprios. Naque- 
letempo ossacerdotesencontravam o caminho para Deuseconduziam 
o semelhantedeboavontadea mesmacompreensao. 

4. Quando, maistarde, oshomensdescobriram ograndebeneficio 
dos esforgos inauditos dos representantes do Templo, tomaram a si o 
trabalho pesado e inventaram o pagamento do dizimo, determinando 
que os M inistrosda Igreja deviam apenascuidar do bem espiritual da 
H umanidade. Tanto bastou para queo sacerdocio comegassea setornar 
preguicoso, indolenteeenterrasseseusconhecimentosem catacumbas 
tenebrosas, oferecendoaosincautostodasortedecontosefabulas. Deste 



Jakob Lorber 

366 

modo o ocio dos padres foi o verdadeiro motivo da deturpacao dos 
ensinamentosmaissublimesedivinosdo grandesacerdoteM oyses. 

5. Basta ler-seo queeleeos profetas escreveram ecompara-lo com 
as traficancias de seus seguidores em Jerusalem, para logo se descobrir 
quenaolhedavamcredito, semcrermuitomenosem Deus Do contra- 
rio nao seteriam tornado impostoresetraidoresdo povo, quedominam 
material e espi ritual mente Eis a meu ver a consequencia inevitavel do 
ocio, enquanto queafortunaem maosdepessoassabiasebenevolas, que 
a revertem em beneficio dosnecessitadosemaisum templo deD eusque 
o salomonico em Jerusalem! 

6. Naturalmentenos, comerciantes, nao dispomosde tempo para 
nos entregarmos a leitura dos escritos poeticos dos ociosos pri vi legiados; 
ensinamos, porem, ao povo a fugir da indolencia, educando-o para da- 
turas uteis. Assim, creio corrigirmoso pequeno erro denao nosdedicar- 
mosao estudo espiritual, poisjulgo ser melhor fazer o ben queescrever 
a respeito dos ensinamentosmais sublimes, - sem nuncapratica-los 

7. D e que nos adiantatodameditagao, simplesmenteembora since- 
ra? N enhum mortal conseguira com ela desvendar a Verdadeira Sabedoria 
de D eus, nem sequer rasgar o veu maistenue! Setal, porem, for preciso, a 
Graga Divina escolhera urn verdadeiro M essias, conforme pareces se-lo. 
Esse nos ensinara a Verdade Plena que aceitaremos de bom grado, como 
mercadoria celeste. D ize-me nobre amigo, se nosso principio de vida e 
bom, util ejusto eseescapazde nos cumulardoutro melhor! 



197. Natureza da RevelacAo Verdadeira 

1. Digo-lhes: "Em absolute! Bern e a Verdade sao identicos, se 
descobertos pela pesquisa ativa ou se D eus os transmite a pessoa; a con- 
quista duma verdade tarn bem e revelagao do Alto, direta, eo meio para 
tal foi a pesquisa incessante 

2. Poresseempreendimentoaalmaselibetadoselosgrosseirosda 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

367 

materia, desperta, por momentos, o espirito divino dentro desi, ou entao 
penetra mais profundamente no amago do coragao ondeflui constante- 
mente a Luz e a M isericordia de Deus Estas criam vida e crescimento 
espirituais para a alma, assim como a luz e o calor do Sol penetram nos 
sulcos da terra, ladespertandoavidaeaformagaodasplantas, mantendo- 
as e incrementando-as ate que surja fruto livre, independente e maduro, 
cuja existencia nao mais depende do vegetal, mas de si mesmo. 

3. Quandoaalma, nesses momentos de real manifestagao, atingeo 
mencionado centra, tera, ipso facto, alcangado a Revel agao do Espirito de 
D eus no coragao, onde nao encontrara senao a Verdade Eterna de D eus 
Esta euma Revelagao indireta e diverge da direta pelo fato dedespertar 
Deus- em povosmui ignorantes- criaturasquenadafazem paratanto, 
conduzindo suas almas para o centra de vida, a fim de criar a luz 
despertadora para os semelhantes 

4. E a seguinte a diferenca entre a revelagao indireta e a direta: a 
primeira esclarecea criatura apenasnaquilo quedeseja ser orientada ese 
assemelha a boa luz de candieiro com a qual se consegue, fracamente, 
iluminar qualquer recinto escuro; a segunda - direta - e qual Sol ao 
meio-dia, cuja luz poderosaesplendeceem todo o mundo nosmaisvari- 
adosreconditos 

5. Estaultima revelagao comparavel ao Sol, naoedestinadaapenasa 
quern a pediu, masatodos, mormente ao povo em cujo meio surgirtal 
profeta. Existindo, porem, profetasverdadeiros, provindosdeDeus, facil 
edesecompreenderquetambem oshafalsos, pelo seguinte motivo: o 
verdadeiro deve desfrutar de certa consideragao por parte do proximo, 
pois suas predicoes e ate suas atitudes comprovadas de origem divina, 
impoemcertorespeitoapessoascomuns,- casoagradeoquelhesedito 
eesteja deacordo com seus interesses materials. 

6. As pessoas mais compreensivas elevam tal profeta a urn gigante 
inatingivel, quenao maissepodeesquivardasmanifestagoesbeatificas, 
nao obstante sua indole humilde. Tal fato nao passadespercebido a da- 
turas mundanas, cuja mente, asvezes, ebastanteengenhosa, por serem 
vitimasdaastuciadaserpente. Eisporquetambem almejam considera- 



Jakob Lorber 

368 

gao especial evantagensfaceis. Comecam entao a procurar meios- com 
auxilio de Satanaz - para inventar coisas e proferir discursos aparente- 
mente profundos, de sorte que os leigos nem mais sabem diferenciar o 
que seja verdadeiro e genuine ou falso enocivo. 

7. C omo, pois, distinguir o falso do verdadeiro profeta?Facilmente: 
porsuasobras! Decardoseabrolhosnaosecolhem uvasefigoslO verda- 
deiro jamais sera egoistaeacessivel aoorgulho. Aceitaracom reconheci- 
mento o que I hefor ofertado por coragoes bondosose leais; nunca exigi r- 
Ihes-a taxa onerosa, pois sabe que isto e urn horror para D eus que bem 
podesuprirSeus servos. 

8. falso profeta far-se-a pagar por cada passo dado e por toda agao 
a servico da Divindade, - conforme diz - em beneficio simulado da 
H umanidade. Trovejara osjulgamentos de Deus, condenando em Seu 
N omecom fogo eespada, enquanto o verdadeiro, abstendo-sedejulgar, 
advertirasem interesseproprioospecadoresapenitencia, sem distincao 
entregrandesepequenos, conceituadosesimples. Para elesoexiste Deus 
e Seu Verbo, - todo o resto I he representando tolice. 

9. discurso do verdadeiro profeta nao contera contradicao, ao 
passo queooutrodissoestararepleto. primeironuncasesentiraofen- 
dido:suportaracomocordeirotudoqueomundolheimpuser, reagindo 
apen as com fervor contra a mentira eo orgulho, combatendo-ossempre. 

10. falso profetaeinimigodequalquerverdadeetodoprogresso 
intelectual ehumanitario. Alem deleninguem maisdevera saber ou des- 
frutardealgumaexperiencia, afim dequetodossejam obrigadosalhe 
pedirconselho. Pen sa apen as em si; D euseSuaO rdem sao paraelecoisas 
importunaseridiculasquenao Ihedespertam vislumbredefe, motivo 
porqueconseguefazerum deusdemadeiraepedra, a seu gosto. E com- 
preensivel quetal deus com facilidadeconsigaoperar "milagres" diante 
do mundo ignorante, pel as maosdefalsos prof etas!" 

11. Conclui Schabbi: "Oh, nobreamigo, bem sabemosdequema- 
neira esses mistificadores conseguem enganar os incautos: sao verdadei- 
rasferas! N ao existemaior ultrajea Doutrina, no terreno espiritual, que 
tal astutofalsificadorobrigarseussemdhantesaacreditarem em algo que 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

369 

depr6prioconsideraridiculo,emalcompreendocomopodeaHumani- 
dadeaceitartaisbaboseirascomo ouro real. 

12. Tudo que acabas defalar conhego-o a fundo. Ignorava de que 
maneira sefaz uma revel acao direta emealegro saber queaquilo queo 
homem de boa vontade descobriu pelo proprio esforco e, finalmente, 
tambem umarevelagaodoAlto. Claronaoseradmisslvel quetoda pessoa 
se possa tornar profeta para seu povo; se, porem, tiver descoberto algo de 
util em esfera particular - ainda que apenas para vantagens fisicas, mas 
quecom o tempo setorna beneficio para a coletividade, tal profeta ano- 
nimopodera urn dia serum benfeitor comum. 

13. Consideremos, por exemplo, a invencao do arado, por certo 
antidiluviana. N ao restaduvidatersido obrade pessoa ativaeinteligente 
atraves da revel acao indireta. Ignora-se-lheaidentidade, noentanto, pro- 
porcionou ao mundo urn beneficio incalculavel. Assim, existeum sem 
numerodeinvengoesuteisdeinstrumentosvariados. Seusautores, certa- 
mente, foram homensativos, porem modestosedesprendidos, do con- 
trario seusnomesteriam ado anotadoscomo osdaquelesqueregeram os 
povossem geralmente, Iheterem feito grandesdoacoes. 

14. Sou deopiniao queosmaioresbenfeitoresda H umanidadesao os 
que a enanam a pensar dentro da rdem da Verdade enriquecendo-a 
com invencoesuteis Osbeneficiosdosprofetascomuns, puramenteespi- 
rituais, ateo momenta sao imprecisos. Criticavam osviciosenraizadosdo 
povo e castigavam os criminosos inveterados Transmitiam geralmente o 
Verbo deD eus, Sua Acao, Vontadeel ntengoes, em palavrasmisticas; como 
naoosentendessem, ascriaturascontinuavam aviverdeacordocom seus 
apetites, menosprezando D eus e Seus profetasdedicados. 

15. Destemodo surgiu o paganismo caotico, acompanhado dete- 
nebrosasvariacoesno campo dasuperstigao. arado, porem, continuou 
arado, o serrate, eo machado, - etanto o pagao quanta ojudeu deles se 
servem. Finalmente resta saber que especie de profetas sao e se de real 
valor para a Human idade! 

16. Os homens muito estudam e entendem; nada adianta querer 
compreender Daniel, Isaiasoujeremias, quesoeposa'vel aDeus,aum 



Jakob Lorber 

370 

anjo ou profeta expressamente escolhido para tal. De que serve, pois, 
umasabedoriatao elevada, seincompreensivel ao simples mortal?' 



198. A Ignorancia H umana 

1. D igo-lhe: "Amigo, ergue teu olhar para as estrelas! Acaso as co- 
nhecesesabeso quesao?Talvez nao deveriam existir so porqueatehoje 
ninguem aspenetrou?SabesoquesaoTerraeLuae, porquenaoaspodes 
classificar, dispensa-las-ias?! 

2. Saberasdefinir o vento, o raio, o trovao, a chuva, a geada, a neve 
e o gelo? D ize-M e se tudo isto nao deveria existir, apenas porque tu e 
ninguem maissabeexplica-los! 

3. Conhecesosmil especimensdeanimais, sua forma econstitui- 
cao, o mundo dasplantasesua natureza? Acaso sabeso quevenham a ser 
luz e calor? D ize-M e se nao deveriam tambem ter existencia por nao se 
Ihesconheceracausa! 

4. C ompreenderas tua propria vida e de que forma consegues ver, 
ouvir, sentir, saborear e cheirar? D everia o homem de nada disto ter no- 
cao, por ignorar sua procedencia?! J a havendo no mundo da materia 
tanta coisa que a H umanidade jamais compreendera a fundo - vai e 
medita urn pouco, para depois M e dares resposta!" 

5. DizSchabbi: "SenhoreMestredePoderDivinolCompreendoo 
quemequeriassugerir. Foi tuaintengaodemonstrar-mequeapesquisa 
nas esferas da sabedoria elevada e identica a da criacao material. N 6s, 
criaturas, nada compreendemos alem da forma externa e daquilo que 
percebemospelossentidos Quao pouco entendeo homem, parajulgar- 
se importante pelo saber, que no fundo nada e 

6. As criaturas, tao tolas sao que nem sabem de sua ignorancia! A 
erva nasce e o homem se alegra por isso; quern, todavia, seria capaz de 
cria-laemante-la? 

7. Adam, H enoch, N oe, I saac, J acob, M oyses e E I ias foram os seres 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

371 

maissabiosquepisaramaTerra,poispos5uiamaLuzDivinadentrodesi. 
A maneirapelaqual sefez a erva, crescendo edandosementes que repro- 
duzemnumaquantidadeinfinita- istonenhumddesconseguiudesven- 
dar!Se, portanto, ignoramoscomo surge omais si mplesmusgoecomo 
consegueovermemovimentar-senopo, - para que entao falarmos dos 
elementosedosastros? 

8. Assim, grande e soberano M estre, querias apontar minha com- 
pleta ignorancia, dizendo: Deus, o Onipotente, demonstra muitacoisa 
aos sentidos internos e psfquicos da criatura, afim deforca-laapensar. 
D eve da apenas procurar a explicacao por conta propria, pois se D eus 
tambem lhafornecesse, tomar-se-iapreguicosa, indolente 

9. Sua natureza inerte, nao se interessa pdo proprio conhecimento 
interno, fato queja foi provado inumeras vezes Do mesmo modo o 
homem seapresentaria na esfera puramenteespi ritual, caso entendessea 
fundo o quefoi transmitido aosprofetas, por Deus Entregar-se-iaapre- 
guiga,semdar-seaotrabalhodemeditar, poisquetudolheseriacompre- 
ensivd. Deus muito bem sabe como manter as criaturas, para que ve- 
nham a pensar, querer eagir. 

10. Percebo agora queo caso do M essiasnao meteria impressiona- 
do setodosostextosa Eleconcernentesestivessem bem claros. Ostres 
magos - caso me tivessem procurado com suas explanacoes misticas - 
teriam sido recebidoscom urn sorriso depiedade! 

11. Como tudo isto permaneceu ate entao dentro de mim numa 
penumbra de fe, minha alegria e tanto maior. Aquilo que me era tao 
dificil de crer, ora se estende maravilhosamente diante de meus olhos, 
vendoAqudetaoanaosamenteesperadoportodososjudeus!- Senhore 
M estre, ter-Te-ia compreendido?' 



199. Schabbi Reconhece o Senhor 

1. "Sim, sim", respondo-lhe e prossigo: "Caro amigo, te mostras 



Jakob Lorber 

372 

i ntel igente segundo o criterio humano esabesdefinir muitascoisasacer- 
tadamente; qual tua opiniao acerca do M essias, por M im representado? 
Q ual sera a finalidade de Seu Atual Apareci mento?' 

2. Respondeele: "Nobreamigo, eis uma pergunta diffcil nao pelo 
que anteriormente receiava do poderio romano, - mas apenas pelo que 
diz respeito a Personalidade mistica do Prometido, do Qual Isaias diz 
coisas estranhas e intraduziveis. OraeElefilhodum rei, oraum heroi 
forte e poderoso, ora um Filho de Deus, ora o duma virgem! D iz ele 
literalmente (Isaias 25, 6-9): 

3. SenhorZebaoth preparara farta refeigao no monte para todos 
ospovos; levara vinho puro, banha, tutano gordo evinho nao fermenta- 
do. E nestemontetiraraavendaquecegaospovoseacobertaquecobre 
osgentios. Devorara a morte, eo Senhor Jehovah enxugara as lagrimas 
de todos os rostos e tirara o oprobrio de Seu povo em todos os paises, 
porqueEleassim o disse. E em tal epocasedira: Ve, eisnosso Deus, a 
Quern aguardavamos, Elenosajudara. Eis o Senhor, a Quern esperava- 
mos, afim dequenosalegrassemosem SuaSalvacao! 

4. Tais, Senhor e M estre, sao as palavras significativas do profeta; 
mas, quefazercom elas?0 ndeestao monte no qual o Senhor nos prepa- 
rara farta refeigao de vi nho puro e nao fermentado, banha e tutano? 
apreciadordessesmanjarestem dedispordebom estomago! 

5. N isso tudo so podeestar oculto um sentido espiritual, masQ uem 
e, qual o monte etal refeigao gordurosa?0 ra, isto equerer fazer passar a 
H umanidade por tola! N a dita montanha o Senhor - na minha compre- 
ensaoo M essias- tirara asvendasdospovoseascobertasdosgentios Isto 
e admissive!; mas.., o monte, ondeestaou quern e? 

6. Q ue Lheseja possivel devorar a morte eafastar o oprobrio deSeu 
povo em todos os paises, portanto, tambem em nossapatria, - isto mee 
claro, por ter assistido como despertaste os mortos. 

7. E o povo exclama, de acordo com o profeta: Eis nosso Deus, 
nosso Senhor!- Sera Ele Deusde Abraham, Isaac e Jacob? N esse caso 
seraso M esmo que no monte Sinai deu asLeisa M oysesequetrovejou: 
Eu somentesou teu Deuseteu Senhor, nao devescrer nem considerar 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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outro Deusalem deM im!- Selsaiasconcordavacom asLeisdeM oyses, 
nao podia mencionar outra D ivindade, - logo, devesTu ser o M esmo 
Deusquelhefalou no M onte Sinai! Que me dirasseeu, concluindo as 
profecias, ajoelhar-mediantedeTi eadorar-Tecomo Deusde Abraham, 
Isaac e Jacob?' 



200. A Verdadeira Adoracao de Deus 

1. D igo-lhe: "Se cresses integralmente e possesses conviccao inti- 
ma, Eu nada poderia contrapor caso M e adorasses como vosso D eus, de 
modo justo; mas como - ao menos psiquicamente - ainda nao possuis 
uma condicao espi ritual, far-M e-ias uma idolatria identica a dirigida a 
qualquerpessoaou imagem. 

2. Q uem deseja adorar Deus de modo verdadeiro e util, deve pri- 
meiro reconhece-Lo em seu coracao, aprofundar-seespiritualmentena 
VerdadeenoAmor, paraentaodar-Lhehonraeadora-Loem plenitude. 
Do contrario, usara idolatria horrenda com a Propria D ivindade! 

3. Como podealguem adorar o Deus nico e Verdadeiro com dig- 
nidadeeeficiencia, seapenasO conheceporouvirfalar?!Quediferenga 
havera nesse caso entre a adoragao de D eus e dum idolo? A verdadeira, 
do D eus nico, consiste no amor para com Ele e para com o proximo. 
Q uem, no entanto, poderia ama-Lo sem jamais te-Lo conhecido? 

4. Poderia urn jovem apaixonar-se por u'a moca que nunca visse? E 
mesmo imaginando-aeseesforgando por ama-la, eum tolo eempregara 
o amor-proprio no ultimo grau, - o querepresenta urn horror para D eus! 

5. Por isso,toda adoracao dum idoloeamaiortoliceecegueirados 
homensque,finalmente,tambem sejulgam merecedoresdecultoalheio, 
deixando-se homenagear e adular, - com que Satanaz triunfa em seus 
coragoes!Ai, porem, dosidolatraspresungosos!Seu destinoseramui tris- 
te, poistal orgulhoevermequenuncamorreefogoquejamaisseapaga! 

6. Afirmo-teconstituirprazer para Satan azapossibilidadedeafastar 



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374 

osignorantesdaO rdem D ivina, atravesdo orgulho nelesenraizado; quan- 
do urn dia chegarem ao Alem como discipulos seus, de os desprezara, 
enfilarando-osnogrupodosservosmaisinfimosedesprestigiados, onde 
terao de permanecer eternamente, segundo a ma vontadedo chefe. Ele, 
como principedastrevas, fazcom queascriaturasaqui sejam exaltadasa 
deuses para humilha-las no Alem como monstrosabjetos 

7. D eus, no entanto, exigeaqui umcoragaocompreensivoehumil- 
de, afim deexalta-lo efaze-lo fdiz. Contudo, tal poder sera ti rado de 
Lucifer, eascriaturaspoderaoagir em completaindependenci a, pdo que 
as boas resplandecerao, enquanto as mas se hao de aprofundar mais e 
mais no inferno. Assim, sua maldade nao sera creditada a Satanaz, mas 
em sua propria conta e a perseguicao por parte dos demonios sera pior. 

8. Por isso constitui primordial dever do homem procurar a Deus 
em espirito everdade, decoracao humilde, eso quando tiverachado 
podera adora-Lo, tambem em espirito e verdade A prece mais impor- 
tanteconsisteemqueumacriaturahumildepermanegahumildeeameo 
proximo pda acao, mais do que a si mesma; a Deus, porem, como Pai 
Verdadeirodetodasascriaturaseanjos- acimadetodasascoisas! 

9. N inguem, entretanto, podera ama-Lo em sua came pecaminosa, 
odiando seu irmao; pois poderia ele amar Deus a quern nao ve, nao 
amando o proximo, que Ihee visfvd?! N ao basta afirmar-se: Amo meu 
semelhanteetrato-o com amabilidade!, poiso verdadeiro eunico amor 
meritoso diantedeDeusdeveconsistirem obrasespirituaisou materials 
Tal amor ea chama milagrosa para a Luz D ivina no proprio coracao. 

10. D igo-te, bem como a teus colegas: se nao tivesseis encontrado a 
chave dourada e aceita em vosso coragao, nunca tends chegado aqui! 
C omegaisa pressenti r o que isto representa, em bora enfrentando o tempo- 
ral da N atureza, - eo futuro vosconduzira a LuzVerdadeira! Q uando M e 
tiverdesreconhecido plenamente, sabereisseM edeveisadorarou nao!" 



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201. Veneraqao dosPersasa Santidade do Senhor 

1. A estas palavras meus interlocutores se quedam pensativos; em 
seguidajurah dizaoscolegas, enquanto M edirijo aostresressuscitados 
para Ihes dar socorro fisico: "Amigo, a fala deste homem e bem mais 
extraordinariaquesuasagoesy porquanto milagreemilagre, embora nunca 
otivessemosrealizado, deformaqueo leigo nadaentende, pormaisque 
seesforce! A curado ourivesfoi surpreendente, no entanto, talveznao de 
todo impossivel de modo natural; nao quesaibamos imita-lo, todavia 
somoscientesda maneira por queos hinduscuram a picada da serpente 
venenosa, sem ervaseoleos. mesmo aconteceu aqui. 

2. Ostresafogadosforam novamentechamadosavida; no entanto, 
dever-se-ia provar serealmenteestavam mortosou seo simularam. Em 
suma, suasacoesnada provam. M uito maiso fazem a meu ver suas pala- 
vras poderosas, poisdemodotaosabioeverdadeirojamaisum mortal se 
expressou! Schabbi, meditaapenassobreo quedissequanto averdadeira 
adoragao eperceberasnela existir sabedoria profunda, revel ando algo tao 
excepcional quenem ouso pronunciar!" 

3. lndagaSchabbi,admirado:"Mas,queseria?' 

4. Respondeo outro: "M edita primeiro eestou convencido deque 
concordats com minha percepgao!" amigo assim faz, sem saber a que 
conclusao chegar. Finalmente, vira-separajurah ediz: "Poderiadizer-te 
algo extremamente absurdo: Imagina, seesteforo Mesaas, poisnao e 
somenteum homem comum, mas, deacordocom sua alma, DeusM es- 
mo, UnicoeVerdadei rode EternidadelSe assim for..., quefaremos?De 
que modo enfrenta-Lo?!" 

5. Dizjurah: "Eistambem minha preocupagao epressinto que aqui 
surgiraqualquercoisadedeslumbrante.Apenasnaocompreendoosilustres 
romanosquedaoaimpressaodedependeremsuasvidasunicamenteDele" 

6. D iz Schabbi : "N ao te recordas das palavras de Isaias Afastara a 
cobertadospagaos!?- lstoquerdizerqueElejaSelhesrevelou,portanto, 
rendem-LheomaximorespeitolCertamentejaseconvenceram deque 



Jakob Lorber 

376 

Ele, oOnipotente, poder-lhes-iadizimarcom um H alito, destemodoos 
romanos sao vencidos e nos, judais, I ivres! 

7. Alem disto o profetaprometequeo Senhorenxugaraaslagrimas 
de todos e sustara o oprobrio deSeu povo, em todos os paises Portanto 
nao seremos os primeiros, mas chegou nossa vez. D esfrutamos de uma 
situagao tao vantajosa que nao vertemos lagrimas de miseria no estran- 
geiro; no entanto, vivem em nossa patria milhares de irmaos passando 
privacies U ma vezqueElenossalvoufoi para que nos tomassemosSeus 
instrumentos, ajudandoaquem denosnecessite. Qual etuaopiniao?" 

8. AfirmaJurah:"A meuveracertasteoalvo, deveserassim mesmo. 
Repito, porem, a pergunta: dequemaneira D elenosaproximarmos, tao 
cheios de pecados? nde nos poderemos purificar? Q uem aceitaria um 
justo sacrificio para nos isentar dasculpas?" 



202.APRECE 

1. Aproximando-Me deles digo: "Eu mesmo; assimcomopudedi- 
zer aos mortos: Ressuscitai evivei!,tambem eeficazmentevosdigo: Sede 
puros, eperdoados todos vossos pecados!, com isto vospurificareisdian- 
te de M im ! Podeis crer-M e?' 

2. Respondem ambos: "Senhor, cremo-lo!Jaqueagistedentro de 
Tua Sabedoria Eterna, em favor dejudeus e pagaos, se misericordioso e 
benigno para conosco e permanece em espirito com todos aqueles que 
despertaste para a V ida Eterna! C omo Te reconhecemos e nossos cora- 
goesvibram de amor inten so, perm itequeTeadoremos com fervor ede 
almas contritas!" 

3. Digo-lhes: "E inutil, MeuscarosamigoseirmaoslVosmesmos 
lestesqueM eu Espirito falou pelabocado profeta: Esse povo M ehonra 
com oslabiosenquantoseu coragaoseachalongedeM im!- E vos repi- 
to: Toda e qualquer prece mecanica e-M e um horror! 

4. Sede razoaveis e tende um coracao compreensivo, fazei o bem a 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

377 

todosquenecessitam! Sim, fazei-o ateaosvossosinimigoseabencoai a 
quem vosamaldicoa! Assim, tomar-vos-eissemelhantesa M im quedei- 
xo irradiaro Meu Sol sobrebonsemaus, poisMeuspioresinimigossao 
diariamentecumuladosdebeneficiospor M inha M ao Poderosa. Apenas 
osddinquentesempedemidossentirao M eu Agoite. D igo-vos soistodos 
f i I hos de M eu C oracao e i rmaos de M i n ha A I ma. Por i sso, se orardes, nao 
o facaiscom os labios, como os pagaosefariseus, atravesdepalavrasocas, 
esim comovosensinei, em espiritoeverdade, por obraseacoesde amor 
aplicadasao proximo, - etudoqueentaodisserdesem Meu Nomesera 
umapreceverdadeiraqueatenderei constantemente Ossuspiroslabiais, 
porem, nunca! Compreendestes?" 

5. D izSchabbi: "6 Senhor, comoesdiferentedaquiloqueimagina- 
vamos! Como naoTeamaracimadetudo, conhecendo-Te?Eso Amor e 
a maior M eiguice personificada equao luminosa eTua D outrina Santa e 
Compreensivel! Sim, agora cremosplenamente, seres em verdadeo M es- 
sias Prometido!" 

6. Digo-lhes: "Muito bem, Meusamigos! Conheci-vos, eo cami- 
nho indicado por Eliastrouxe-vosateca: natempestade poderosa estava 
M inhaVontade, nofogo, M eu Poder; nabrisa suave, porem, Eu M esmo, 
desortequeterieisdepassarpelatempe3tade,ofogoeaagua,atechegardes 
junto de M im. Tendes, portanto, encontrado Aquele que muito 
procuraveis; seistojaedificil, muito maisseraalguem perder-Meapos 
ter-M eachado! Q uem setiver apegado a M im decoragao, seratambem 
por M im conquistado, emesmo sealgum dia M eabandonar, Eu jamais 
o deixarei. M eu Amor nao etemporario, eeterno, equem o aceitar em 
seucoragao nunca sepoderadesprenderdeM im! Meu Amor ha demante- 
lo em Suas redeas, de forma que em tempo algum se podera perder. 
mesmoaconteceraconvoscolEnfrentareismomentosesituagoesquevos 
tornarao diffcil professar Meu Nome eM inhaDoutrina- poisdar-se-ao 
em brevefatosindispensaveisquevosfaraovacilantes- virei, porem, em 
tempo, fortalecer e iluminar plenamenteo recondito devosso coragao. 
Apos isto nao maissereistentadospor defenderdes M i nha C ausa e N ome; 
permanecereis no M eu Amor e Poder. 



Jakob Lorber 

378 

7. Agora, outracoisa: Parti reis em breve para a Persia, ondedeveis 
divulgarfielmente, sem aditamento, o queaqui encontrastes e sucedeu, 
para salvagao detodas as criaturas na Terra! Transmiti-o ao soberano, a 
fim dequeseoriente Devedesistir do paganismo tenebroso ejamais 
prestarouvidosaspalavrassedutorasdosmagos, quesedizem sacerdotes 
deDeus, enquanto sao servos do inferno. Outrossim, urge que expulse 
de os nefastos missionaries dejerusalem, os quais atravessam mares e 
terras para converter os gentios em judeus. Tais convertidos serao adep- 
tosdo inferno, mil vezespioresquequando pagaos Alem dessasconver- 
soes aqueles maldosos divulgam boatos, alegando crueldades por parte 
dos romanos, e isto vos levou a precaucao exagerada para Comigo. 

8. A fim de fazer frente a tais maledicencias convoquei-vos entre 
milharesevosincumbi desta pequena tarefa, paracujaexecucaopossuis 
forca e meiosem abundancia. Vossa recompensa no Alem, no M eu Re- 
no Eterno, naoseradiminuta. Sabeisagoraoquevoscabefazerem M eu 
N omeedos romanos, tao difamados; agi deboa vontade, com diligencia 
epersistencia, quetambem nao vosesquecerei. - Eisqueagoravem M arcus 
noschamar para a ceia, quehojeseatrasou por algumas horas, em virtu- 
de da tempestade. A saraiva danificou alguns bancos que requereram 
reparo. Agora tudo seacha na melhor ordem ea refeicao esta bem prepa- 
rada; assim, passemosaela." 



203. Futuro de Yarah 

1. Eis que M arcus positiva M inhas Palavras, perguntando se pode 
mandar servir. D igo-lhe: "Como nao? Pois hoje, ate Eu, estou com ape- 
tite para saborear urn bom peixe com pao e vinho. Enquanto isto, teus 
filhospoderao dar uma buscaa beira-mar, ondeverao boiando maisal- 
gunscadaveres.Trata-sedunspobresjudeuscom mulheresefilhos Nao 
quero que, durante M inha Permanencia aqui, alguem venha a morrer. 
C omo as aguasestej am calmasea noite serena, teusfilhos poderao resol- 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

379 

ver a tarefa com ajudadosmarujosdeKisjonah, Ebahl e Cornelius Sao 
nove corpos que se acham disperses nas margens, numa distancia de 
horaemeiaedevem sertrazidosateca, deitadosdebruco num terreno 
inclinadoeassim ficaraoatedemanhacedo, quandoosressuscitarei!" 

2. Diz Marcus "Porquesomenteamanha?" 

3. D igo-lhe: "Amigo M arcus, isto naotedizrespeitolSei arazao pela 
qual aerva, quetingiraoscamposdeverdeno proximo ano, nao nasceu 
no atual, pois entendo a rdem de manei ra mais acertada que tu, caro 
M arcus. Vai efazeo queterecomendei." 

4.0 vdhomandaservirojantareaosfilhostransmiteaincumbencia. 
Esteslogo partem num grande bote, pedi ndo auxi I io aos demais mari n hei- 
ros Sentamo-nos as mesas dentro da ordem estabdecida. stresressusd- 
tados e a mae sao levados a casa de M arcus onde recebem al i mento e bom 
ldto,comquesefortalecem paraodiaseguinte. Soentaoosmoradoresdas 
tendasdeOuran aparecem aprocuradeseuslugares 

5. N isto Yarah M etocaediz: "Senhor, meu amor intenso, vecomo os 
lutadoresheroicosdeTeu Rdnosaem deseu esconderijo, levadospdafome 
Com excegaodeM athad existem poucosdecoragem, emediverti bastan- 
tequandooscinquentafariseusbateram em reti rada ao cai r a forte sarai va. 

6. Sabiamtantoquantoeu sereso Protetormaispotentecontraqual- 
quer desgraga, todavia procuraram protegao material. Agora parecem 
envergonhar-seerecdam vir parajunto deT i ! Q uanto a M athad, tevede 
acompanharajovem esposaqueseamedrontara, do contrario teria fica- 
do aqui. Assim, sera o unico que, a meu ver, podera ser perdoado." 

7. D igo-lhe: "Tens razao, filhinha; mas deixemo-losqueainda sen- 
tern fraquezas diversas com o tempo, e obtendo maiores experiencias 
tomar-se-ao mais destemidos Lembra-te, o quanto ja viste em M inha 
Companhia e te aumentou a coragem. Eles poucas provas tiveram e, 
assim, o medofoi maiorqueaconfianca. Futuramenteserao menoste- 
merosos Compreendes?' 

8. Diz Yarah: "Como nao?Sd, porem, que em Genezareth todos 
tiveram as mesmas provas que eu; ainda assim ninguem, no inicio, enco- 
rajou-se, alem demim, aTeseguirsobreasaguas, nem mesmoteusapos 



Jakob Lorber 

380 

tolos N o que se baseava aquela falta de conf ianga?" 

9. Digo-lhe: "N ofato deque nao tiveram asmesmasexperiencias, 
isto e, nao foram transportados, como tu, aquelesastros, em companhia 
do anjo, experiences ate entao irrealizadas Alem disto tinhaso maior e 
mais poderoso amor para Comigo, onde reside tambem a maxima fa 
Por isso nao te admires tanto por sertuaconfiangamais forte que ados 
outros, poissederivadeteu grandeamor. 

10. M as, como jatedisseem Genezareth, terasdepassar dentro de 
algunsanos por variastentagoes, contra asquaisterasde lutar nao obstante 
tua maxima confianga em Mim.ComaforgaeopoderdeMeu Nome, 
todavia, hasdedomina-lastodasesodai emdiantecaminharasem Mi- 
nhaLuz. 

11. Aquilo quealguem deseja possuir livremente, te-lo-a decon- 
quistar pelo proprio esforgo. Tu, queridafilhinha, ainda nao enfrentaste 
umalutasequer, poisaepocaeaoportunidadeparatal naohaviam che- 
gado; tudo isto se dara com todos, quando M in ha M issao sobre esta 
Terra estiverterminada. 

12. Sou apenas urn Semeador e deposito o bom grao detrigo no 
solo vivo dos coragoes. La ele germinara produzindo ricos frutos, e so 
entao tereisdecuidar, em beneficio proprio, do fruto no solo vital, com 
muito esforgo e renuncia. Feliz daquele que trouxer a colheita pura e 
abundantedoquesemeei em seu coragao, aosM eusCeleiros, ali erigidos 
peloMeu Espirito. Jamaissentirafomeesede! 

13. Q uerida Yarah, o que ora possuis, e apenas a semente langada 
em teu amago. Em alguns anos ter-se-a transformado num campo 
superabundante, massujeitoatodasortedelutas E i s que urgi ra protege- 
lo com firmezaeconfianga, pronunciando M eu N omee, por urn grande 
amor para Comigo renunciarao mundo, impedindo, assim, a destruigao 
daquilo queEu Mesmocultivei. Umavezqueoselementossedesenca- 
deiem sobre tal campo fertil, quaseimpossi'vel setomarasusta-los. 

14. Certamenteaindaterecordasdahortaquetepreparei hapoucas 
semanas, em Genezareth? As plantas estao se desenvolvendo bem, no 
entanto, epreciso quesejam tratadasea horta limpado possivel mato; na 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

381 

epoca estival nao sepodedispensaroregador.Ve, quintal identico orga- 
nize em teu coracao, la depositando varias plantas uteis; o tratamento e 
cuidadoestaoagoraateu criteria Dedica-lhetodaaatencaoezeloque 
farasem breve uma boa colheita. Compreendeseste quadra?' 

15. Diz el a: "Sim, Senhor, meu unico amor; entendo-o perfeita- 
mente, todavia me entristece o fato de ter de enf rentar tantas provacoes 
antes de chegar a colheita. C reio, porem, e espero que nao deixaras su- 
cumbi rTua serva quando Te chamar na aflicao; pois ouviste e atendeste 
minha suplica quando ainda naoTevira nem conhecera como agora." 

16. Digo-lhe: "Jamais passarao vergonha ou prejuizo aqueles que 
M ereconhecem epedem em seuscoracoes, confiando no PoderdeM eu 
N ome, disto podes ter plena certeza! N o momenta, porem, trata-se de 
tomarmos assento a mesa e saborearmos o que M arcus nos oferece." 



204. iNTERPRETAgAO DO Q UARTO MANDAMENTO 

1. Rapidosnossentamosejantamossem queseinicieuma palestra; 
sodepoisdetomadoovinho, aassembleiasetomaanimada. Em Minha 
Companhiaseacham: Cirenius, Cornelius, Fausto ejulius, M eusdisci- 
pulos, Ebahl, Yarah, Kisjonah, Philopoldo, Ouran e Helena, Mathael e 
seus companheiros, o anjo Raphael e o menino Josoe, - havendo ao 
nosso lado u'a mesa especial paraospersas srestantesseacham acomo- 
dados como de costume. 

2.Todosseadmiram danoiteagradavd quesucedeaqueletemporal, 
emuitomaisdeachar-seo solo intdramentesecojaquepouco antes tudo 
estivera inundado. uran vira-se para M im eindaga das condicoesde per- 
noiteparatantagente; com prazeracolherao quesuastendascomportem, 
no entanto, nao sera possivd atender a varias centenasdepessoas 

3. D igo Eu: "Amigo, Adam eseusprimeirosdescendentesnao possu- 
fam tendas, choupanasnem, talvez, moradiascomodamentearrumadas; o 
solo e uma arvore frondosa eram-lhes tudo; dormiam muitas noites ao 



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382 

relento e eram fortes e sadios N em Ihes ocorria a idea de confeccionar 
umacoberta, apenassevaliam deum ramodefigueira. Destemodoalcan- 
caram a idadedevariascentenasdeanos H ojeem diaoshomensinventa- 
ram toda sorte de conforto, criando milhares de paraisos mundanos por 
um, perdido, - eve, cem anosdeidadejasetornaram um milagre! 

4. D isto apenas e culpada a tendencia das criaturas para o ocio, e 
estranham ate a Natureza do planetaque, em tudo, tern afinalidadede 
alimenta-las, conservando-as fortes e com saude. Por isto, M eu Ouran, 
naotepreocupescom apousada; osolo bom esadioabriga-los-aatodos. 
Aquelequefor vencido pelo sono descansara num travesseiro de pedra; 
sea pedra incomodar suacabeca, tambem ja nao maistera sono edispen- 
sara o repouso, podendo-se levantar etrabalhar. 

5. Leitosmaciosenfraquecem aspessoasetiram aforcadeseusmem- 
bros; um sono prolongado debilita a alma e os musculos. A natureza 
humana equal recem-nascido que apenas ebem nutridocom leitema- 
terno: os que por longo tempo forem assim alimentados- mormentese 
a mae for tao sadia e incorrupta como Eva - tornam-se fortes como 
gigantese a propria lutacom um leao nao oscansara. 

6. D e igual modo a natureza terrena e um verdadeiro seio materno 
para as criaturas, quando dele nao seafastam por toda sorte de conforto. 
Se assim fizerem, isolando-sedesua influenciafortalecedora, sentirao o 
mesmo queum homem seobrigado a beber leite materno: o asco o fara 
vomitar! Aquilo queo alimentavaefortaleciatao beneficamentequando 
crianca, fa-lo doenteeenfraqueceseu estomago quando homem. N ao e 
possi'vel que venha sempre haurir para sens musculos forca e saude do 
seio maternal; mas do seio da M aeTerraelenuncasedeveapartar, caso 
queira ser sadio, forte eal can gar idadeavancada. 

7. DisseM oyses H onrapai emaequepassarasbem naterra!- Com 
isto ele nao so queria apontar os pais legitimos, mas o proprio planeta e 
suaforgacriadora. N ao Ihedeveo homem voltarascostas, mashonra-lo 
deveras, que recebera a bengao fisica, prometida por M oyses. M anter a 
honradosgenitoresebom eutil quando as condicoeso permitem; mas 
se aquilo queM oyses prometeueaPalavraDivina, deve- qual luz solar 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

383 

- ter efeito geral eininterrupto. 

8. Se a promessa moisaica apenas se baseasse numa longa vida para 
aquelesquehonrassem seuspais, osquena infanciasetomaram orfaos 
teriam motivodeselastimar, poismuitasvezessaocriadosporestranhos! 
Como deveriam cumprirtal M andamento?! 

9. M uitos sao encontrados expostos em ruas, concebidos por maes 
desnaturadas que deles sedesfazem tao logo hajam nascido. Tais expostos 
sao apanhadosecui dados por pessoascaridosas, asquaisdevem todo amor 
ehonra. M oyses, porem, sofaladosverdadeirospaisenao dosadotivos 

10. Impossivel ao exposto honrar seusgenitores; primeiro, por nao 
te-losconhecido. Segundo, mesmoqueosconhecessenaoteriatal obri- 
gacao diantedeD eusedoshomens, porquanto o geraram em sua volupia 
e, mal nascera, entregaram-no a morte. Por essa criatura - deacordo com 
oquedizoprofeta- nao poderamare honrar seusgenitores, nao deveria 
ter di reito a promessa? Seria tal hipotesebem ridicula,comoexpressaoda 
Sabedoria Divina. 

11. Alem disto, existem pessoasqueeducam osfilhosparatudo que 
emau: desdeo berco Ihesimplantam orgulhosatanicoeexemplificam 
uma atitude fria e insensivel para com todos Esses pais animalizados 
ensinam ascriancaspequenasaserem temerarias, mentirosasetraigoei- 
rasTeriaM oysesfei to sua boa promessa para osquehonram os genitores 
maldosos com toda sorte de perversidades, porque esses mesmos Ihes 
exigem tal atitude? 

12. Qual seriaaobrigacaodosfilhosdeladroes, assaltantesdecara- 
vanaseassassinosperante seuspais? A unicamaneiradehonra-los seria 
agir de modo todo especial naquilo quefazem os velhos, isto e, roubar, 
assaltar e matar os viaj antes! - Poderia a promessa de M oyses se estender 
eficazmentesobreeles? 

13. raciocinio samples e claro te dira que tal interpretagao e o 
proprio M andamento seri am urn ultrajedeprimeiraordem a toda Sabe- 
doria D ivina. C omo pode D eus o Ser Supremo, dar urn M andamento 
queobrigueumespirito angelical, encarnado,adedicaramorehonraaos 
pais, surgidosdo inferno maistenebroso?! Porai vesqueo M andamento 



Jakob Lorber 

384 

de M oyses, considerado deste ponto de vista, seria o maior e maiscom- 
pleto absurdo. 

14. Porum ladoeclaroemaisqueevidentetudoqueMoysesfalou 
edeterminou eoVerbo purodeDeuse jamais podeconteabsurdos; 
doutro lado, interpretado ecumprido sen compreensao conformefoi 
feito ate agora, devesernojulgamentodum intelecto esclarecido tolice 
sen nome! 

15. Qual omotivodetesidoaLei deM oyses- conformefoi apli- 
cada- uma tolice, emborativesseorigem divina?Apenasnatremenda 
incompreensa^ daquiloquederealmenteapontou,os genitores comuns 
da grande N atureza D ivina, isto e: este planeta destinado a produzir o 
Geneo H umano, o pai; o seio datera, no qual inumeosfilhosdetoda 
especie sao constantemente geados, a vedadeira mae! Esses genitores 
remotosdeveo homem honrar eamar, sen jamais Ihes mostrar ascostas 
demodo pouco entusiastico, poistea longavida num fisico sadio e, com 
isto urn bem-estarjusto. 

16. Dessesvelhos genitores podeapessoa zelosaaprendeo maximo 
debom, grandioso evedadeiro, dai construindo aquela grande escada, 
porondeopatriarcajacobviu osanjosdescerem esubirem. Quern pes- 
quisa com dedicacao e redobrado rigor a N atureza, descobrira grandes 
bengaosem beneficioproprioedeseusirmaos Porisso, M eucaroOuran, 
nao tenhas receio de passar uma noite no seio detua velha genitora, - 
quenadatesucedea!" 



205. iNOVAgAo Farisaicado 4. q Mandamento 

1. Ouran estatodoalegreeafirmajamaisteouvidoalgotaopratico 
e que sempre haveia de considear. M aior admiracao manifestam os 
pesas Jurah, entao, diz: "Isto e vedadeira luz do Alto, pois, jamais foi 
i ntepretado deste modo e eu ti nha vontade de ouvi r os restantes M an- 
damentos Apenasdesejava faze uma pegunta." 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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2. DizSchabbi: "Naosd comopodesaindaalimentarduvidas!" 

3. Respondejurah: "N ao sabesque, com rdagao aosdeveresfiliais 
dehamuitoexisteuma nova lei, pelaqual osfilhosagem mdhordeposi- 
tando um obolo noTempIo, do quehonrando pai emae?! N ao revogaa 
lei antiga; cria apenas melhor meio para alcancar a promessa de M oyses 
Por isto, ja quea ocasiao e tao propicia, desejava ouvir do Proprio Legis- 
lador opiniao a respeito. 

4. Dum lado,parece-mejustasuaaplicagaoquandoospaissaomaus 
ecorruptos Se, porem, umacriancavoluntariosatem paisbonsedignos, 
merecedoresdiantedeDeusedoshomensdetodo respeito, amorehon- 
ra, essa lei doegoismotemplarioecontraajustica. Baseia-sesomenteno 
interessehumano enadatem dedivino. Todavia, existeoutra, quediz: 
Deveissempreouvireobedeceraosqueseacham nosassentosdeM oyses 
e Aaron. 

5. Esta lei, no entanto, tambem representa um animal decarga, no 
qual os fariseus levaram muita mercadoria falsa e ruim, como verdadeira 
para o interior do Templo, e o povo e obrigado a pagar por da o prego 
el evado desua liberdade moral. Isto econdenavd, erne parecequeuma lei 
dadaapenasparaprivilegiodecertaspessoasequalbrechaporondeSatanaz 
sempre consegue penetrar no Santissimo. Tais privilegiados beatos se 
enaltecem, omam-se, no infcio, com uma aureola santa de profetas num 
orgulho beatifico; maistardetransformam essa tendencia em verdadera 
tirania, - entretanto, ocupam oslugaresdeM oyseseAaron. Pormim, acho 
queo proceder de Satanaz seria igual ! E por esses representantes muitas Ids 
perversassubstituiram asdivinas, tendo nosquerespdta-lasporquanto sao 
divulgadas E ninguem seatrevea romper essejugolFinalmenteoracioci- 
nio claro indagaseDeuso ignora, ou senaverdadeexisteum quesejacapaz 
de tolerar tal horror em Seu Santuario! U m Esclarecimento D de M esmo 
nosdemonstraria a situacao verdadera, tendo eu proprio vontadede Lhe 
dirigirtal pergunta. Achasquedevoaventurar-me7' 



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206. Senhor Elucidaa Lei Farisaica 

1. Respondo-lheEu, em lugardeSchabbi: "Meuamigojurah, tua 
perguntaejustaedegrandeimportancia. Nao precisasrepeti-la, poisja 
sei onde vos "aperta o sapato". 

2. E verdadeexistir uma Lei, dada naepocadosjuizes, ondeum 
videntedeterminaobedienciaaquelesqueocupam oslugaresdeM oyses 
eAaron, eafazer-seo queordenam atravesdo Espirito do Senhor, mas 
somentequando sejam boas suas acoes. Caso contrario, devem serdela 
expulsos pelos descendentes mais dignos de Levi . 

3. Os que ocupavam os lugares dos profetas sabiam encobrir suas 
obras, quaislobosvorazesem pdedecarndro eatiraram leisentreo povo, 
comodadaspelaVontadeDivina,diantedasquaisomundoficaestarrecido. 

4. Relembrai quantasvezesfizadvertirseveramente esses falsosdes- 
cendentesdeM oyseseAaron pelabocadosprofetasabencoadosequantas 
vezes os castiguei com acoite inclemente! Q ue adiantou? M elhoraram 
por algum tempo; em seguidatomaram-sepioresquedantes, a ponto de 
nao permitir mais urn acrescimo: encheram amedidadasperversidades 
- ebastam algumasgotas para que transborde, inundando-oscomo no 
D iluvio de N oe! IstoTeasseguro! 

5. C omo muitas, tambem a Lei da oferenda noTempio substituiu a 
deM oyses, referenteasobrigacoesfiliais N o inicio dava boa impressao e 
se reportava apenas aquelas criangas cujos pais - como frequentemente 
acontece- representavam aescoriadaH umanidade.Tinham eles, singu- 
larmente, nao rarofilhosbonseobedientes, quebem Ihesreconheciam a 
maldade. Suas exigencias causavam arrepios; a Lei moisaica mandava, 
porem, honra-lospelaobediencia. 

6. Esseeomotivodetaisfilhosinfelizesperguntarem nosinedrioo 
quedeviam fazer, alegando o seguinte: Real menteM oyses ordenou obe- 
deceraospais, honra-loseama-losparaquetal proceder proporcionasse 
aos filhos longa vida; ao mesmo tempo proibiu matar, furtar, mentir, 
praticar obscenidadescom asvirgense, muito menos, cobigar a mulher 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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do proximo. Tudo isto era-lhes imposto pelos pais perversos! Q uefazer, 
para nao cairem no pecado? 

7. Eisquefalava o sumo sacerdote, compenetrado do Espirito D ivi- 
no: Renunciai a tai s gen i tores, fazei umaoferendaao invesdecumprirdes 
umaobediencianocivaeorai a Deus, que isso vos sera melhore, pela 
G raca do Alto, tambem urn beneficio para vossos pais! - Assim aconte- 
ceu queabandonavam osvelhos, ofereciam aoTempio urn obolo epro- 
curavam servico com pessoas bondosas, a fim de levarem vida agradavel 
a Deus 

8. Ateai essa Lei tinha plena origem divina. C om o tempo, os lobos 
em peledecordeiro, detentoresdosassentosdeM oysese Aaron, genera- 
lizaram-nademodo que tambem osfilhosdegenerados, porem depais 
bons e honestos, isentavam-se da obediencia atraves de oferendas, para 
depois poderem pecar livreedesembaragadamente. 

9. Assim, a Lei dupla de Deusfoi repelida duas vezes, para ceder 
lugaradeterminacoeshumanas, que, contrariasaSuaOrdem, eram-lhe 
urn verdadeiro horror! Qualquer pessoa com urn pouco de raciocinio 
devereconhecerquenao podiam serdivinas, masam, baseadasno infer- 
no satanico.Todavia, essasdiscordanciasterminarao em breve, nao mais 
havendo materia a discutir. 

10. Fundamenta-se na ordem plena o conceito de que o fraco seja 
guiado por urn mais forte. Ospais, portanto, sempresuperam osfilhos 
nessesentido eejusto que assim fagam; seo fraco, porem, percebequeo 
forte quer atira-lo num tremendo abismo, fara bem em sedesvencilhar 
dele eprocurar urn lugarseguro. AlemdomaiscumpreapenasaLei de 
Moyses o que age conforme demonstrei ao velho Rei Ouran. 
Compreendestesisto?' 



207. Que E Impudicicia? 

1. D izj urah: "Q uanta luz, amor esabedoria a urn so tempo! Senhor 



Jakob Lorber 

388 

e M estre de Etern idades, desej ari a expl i cacoes desse teor sobre tudo que 
Moysesdisse, - eacriaturasehabilitariaa viver integralmentedentro de 
TuaOrdem Eternal E Satanaz nek) maisachariaoportunidade para pene- 
trarnoTeu Santissimo!" 

2. Digo-lhe: "M eu amigo, ainda nao chegou a hora para o julga- 
mento do principetenebroso do mundo; no entanto, nao tarda muito. 
E, mesmo depois de julgado, havera seres que aplicarao M inhas Leis 
Purasdemodo maiscriminoso queo proprio Satanaz, poisna Terra a 
Luz lutara sempre contra astrevas!" 

3. Dizjurah: "Porque, Senhor?Setodasascriaturasreconhecessem 
a Verdade como eu, de e seus vassalos teriam um feriado eterno, pois e 
indubitavd quenossosdescendentesseraoeducadosnamesmacompre- 
ensao, isto - ateo fim dosseculos. esclarecimento do Decalogo torna 
cada M andamento um axioma matematico; quern poderia ter duvidas 
acercadetaisverdades?! 

4. Reconhecendo isto, a pessoatambem tera deagir deacordo, do 
contrario teria de confessar-se tola ou submeter-se a tal critica de seu 
proximo. Seasverdadesmaissantasforem demodooculto, quepermita 
ao homem agao livre, havera m i sti f i cadores bastan tes, pdosquaisSatanaz 
eseu sequito consigam seinfiltrar nasociedade. 

5. Assim, Senhor e M estre, da-nos a Verdade purae clara, a fim de 
que a penetragao do mal seja impedida! M encionando, por exemplo, o 
M andamento que proibe a impudicicia, desejaria orientagao a respdto. 
C onsistea impudicicia no fato dum homem nao selavar, nem antes nem 
depoisdo ato carnal?0 u refere-seao desejo voluptuoso, ao ato praticado 
com uma virgem, prostituta, concubinaou viuva? 

6. Fara parte desse pecado o vicio da masturbacao, o do sodomita, 
ou talvez quando um homem procura conquistar u'a mulher sensual e 
casada?Eprecisoqueserefreeesseinstintomaisforte,afimdeserpudico? 
N esse caso o leito matrimonial nada mais e que uma oficina impudica 
que deseja passar por moral, pois quern garante que um homem nao 
venha praticar o ato maisvezesdo queo necessario paragerar um filho?! 

7. Conheci pessoasverdaddramenteexcepcionaisnoquedizrespd- 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

389 

to a bondade, caridade, paciencia, meiguiceeindulgencia, mas que no 
ponto em questao eram fracas. Embora muito fizessem para veneer essa 
inclinagao, nao o conseguiram mesmo aposa impotenciacompleta, pois 
umajovem atraentesemprelhesdespertavao mesmo desejo. 

8. Outrashouvequenaoseperturbavam diantedabelezafeminina. 
Verdadeirosexemplosdecastidade, maseradeigual modo, insensi'veisa 
tudo. NadalhestocavalSofrimentoemiseriadospobreseram parades 
banalidades, lagrimasdosenfermosapenasum ardil para despertar com- 
paixao. A mulher apresentava-se-lhescomo algo desprezfvd edispensa- 
vel, com a finalidade identica a de um campodesemeaduradequalquer 
especie matrimonii- umadasinstituicoesmaisridiculasdasocieda- 
de! Na sua opiniao dever-se-ia aprisionar todas as mulheres bonitas e 
sadias para que fossem fecundadas por homens fortes, assim gerando 
criaturas bonitas e sas. As feas e fracas deveriam ser exterminadas ou, 
entao, empregadascomo animaisem servicospesados, fazendo-astraba- 
Iharatequesucumbissem. Saoessasminhasexperienciaspessoais! 

9. Agora pergunto seo homem fraco em tal questao nao tern merito 
aos olhos glaciais dos herois da castidade! Eu assim penso. Ignoro, Se- 
nhor, qualTeu parecer. Afimdealcangarmosjustaordem nesse ponto e 
nao cairmosnum pavor constantedetermospraticado um ato pecami- 
nosodiantedeDeus, porcertoterasum meoeficaz, pdoqual sepossa 
afastar o desejo e a necessidade, como se cura um resfriado. N ao existe 
coisa maisdeprimentepara um homem honesto quesever atraido cons- 
tantementeparao pecado; a naturezaobrigaacamedemodo impetuoso 
para a realizacao, edepois, - ter-se-a cometido um pecado mortal ! Isto e 
demais humilhante para quern sempre procurou usar cabega e coragao 
dentro dajustiga; por isso, peco-Tepequenaducidacao." 



208. Pecado Contraa Castidade 

1. Digo-lhe: "A vida do homem nao e um gracejo, mas um rigor 



Jakob Lorber 

390 

abengoado; o ato desua origem nao podeser uma coisa banal, sen ao al go 
mui serio. Compenetra-teda causa, quetudo setetornara claro.Assen- 
sacoesnao devem sersuafinalidade, earn, apenasmotivo paradarvidaa 
urn rebento. 

2. Compreendendo isso, tambem deduzirasserem assensacoesunica- 
mentefatoressecundarios, pdosquaisaobradaencarnagaoem anatureza 
dacameepossibilitada. Se fores levado pelo motivo principal, - entao vai 
e age, que nao teras pecado. Todavia eforcoso considerar varios pontos 

3. Esseato nao deveter realizagao fora da esfera do verdadeiro amor 
ao proximo, cujo principio diz: Fazei a outrem aquilo quedesejaisque 
vosfacam! 

4. Suponhamosquetenhasumafilhanaflordaidadequerepresenta 
tudo parateu coragao depai; nada, porcerto, preocupar-te-atanto quanta 
afdicidadejustaeben erica paratal filhaadorada. Sendo mocafeita poderia 
tornar-semae Q uepensariasseaparecesseum homem sadio, tentado pelo 
desejodegerarumfilhocom umavirgem,eaquisesseforgar paratal ato?! 
Seriaslevadoaumavingangatremendacontraovilipendiador,naodescan- 
sando atequelhetivessesaplicado urn castigo severo! 

5. Admitamosquetu mesmoteachassesnum paisestrangeiro,onde 
num arrabalde encontrasses u'a mulher, conseguindo convence-la, por 
dinheiro epalavrassedutoras, acederateu desejo, absolutamenteterias 
pecado contra a castidade, muito menos cometido adulterio, seela fosse 
casadaTivesses, porem, refletido sobreasperseguicoeseaborredmentos 
que ela teria de enfrentar caso o marido Ihe dissesse: M ulher, confessa 
quern tefecundou, porquanto nao tetoco desdetal epoca!, - entao terias 
destruido a paz do lar, o que representa grave pecado contra o amor ao 
proximo, pois poderiaster guardado teu desejo, muito embora nao vo- 
luptuoso, para epoca mais propicia. 

6. Por ai ves que urn homem - em atitudes que nao contrariam 
propriamente a verdadeira castidade - deve dirigir sua atengao a uma 
seriedecircunstancias, caso nao queira agir contra qualquer Lei. 

7. De modo identico, e talvez pior, pode o homem praticar a 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

391 

impudicicia com sua esposa, como tambem com uma prostituta. N esta 
nada se pode perverter, porquanto ja tudo esta pervertido; a mul her casa- 
da, no entanto, pode-setomar excessivamente sensual ecair numa exi- 
gencia exagerada, pelo quesetomaria pior que a outra. 

8. Q uem pratica o ato carnal com uma solteira peca contra a casti- 
dade por ser apenas seu movel a satisfacao da volupia e nao a geragao 
dum ente, poisarazao Ihedevedizerquenaosesemeiatrigo nasestradas 

9. Alem do pecado contra a castidade, aqueleque pratica o ato com 
uma prostituta, alia oultrajea sua dignidadeao da mulher, poisaplicaa 
suanaturezagrandeprejuizo, fazendo aindaquea infelizse positive mais 
naobsessao ocultae impede- 1 he a cura, que eoutro crime contra o amor 
ao proximo. 

10. Q uem pratica o ato com u'a mulher que se tenha prostituido 
peca duas e quatro vezes e, sefor casado, tera cometido adulterio. J ulgo, 
pois, quepor seres racional, esteensinamento seja bastanteparasabereso 
que sepresta para urn homemjusto." 

11. DizJurah:"Sim, SenhoreMestre, agora tudo meeclaroetam- 
bemsei paraondelevamasaberragoesda impudicicia. Emtudosoexiste 
uma Verdade valida perante D eus, baseada na rdem Eterna, - sendo 
todo o restante prejudicial!" 

12. Digo-lhe: "Sim, assim eesem pre sera. - Eis que agora vem os 
marujoscom oscadaveresrecolhidoseM eu servo (Raphael) tern dedeita- 
los de modo que amanha possam ser ressuscitados." Imediatamente o 
anjo executa sua tarefa e os remadores vao a ceia. 



209. ContendadosFariseusAcerca da Divindade 
do Senhor 

1. Com tudo quesetinha dado poder-se-iaconsiderar por termina- 
da a tarefa daquele dia; mas no C eu nunca se para defazer o Bern, como 
no inferno nao sedescansaem criar o mal, eassim — essesabado guarda- 



Jakob Lorber 

392 

va algo de especial que tinha de ser resolvido antes de meia-noite. 

2. Entreoscinquentafariseus- cujosdirigenteseram StahareFloran 
- havia irrompido uma discussao. Esses recem-convertidos haviam ali- 
mentado uma serie deduvidas durante o temporal em queseocultaram 
nastendasdeOuran,eM inhaOrdem referenteaposigaoqueoscadave- 
res deviam tomar confirmava suas opinioes duvidosas a M eu respeito. 
D ivergiam num ponto: os mais bem intencionados admitiam que Eu 
fosseum profeta exceptional, semdhanteaElias, - paraosoutros, muito 
embora de vasto conhecimentos na Escritura, Eu devia ser apenas urn 
aluno dascatacumbasdo Egito, tendo aprendido a verdadeira magia no 
TemplodeKarnac. Por isso, julgavam, eratao bem aceito pelosromanos, 
que consideravam os magos verdadeiros mais que seus deuses e ate os 
tomavam pelosdedosdeZeus, agindo milagrosamenteesimpatizando 
com osmaiorais s romanos eram muito inteligentesesabiam ser im- 
possfvd confiar nosjudeus, atequesetivessem tornado romanosdecor- 
po e alma. Isto seria alcancado, influenciando tal mago no sentido dos 
judeus o aceitarem como se fosse de M oyses e os profetas, person if ica- 
dosTal seestava dando agora com omdhorexito do mundo, poisquem 
nao se convencesse por palavras e milagres seria forcado pel as coortes 
romanas. N ao sedeixava passar uma oportunidadeem criticar oTempIo 
dejerusalem, ressaltando o quetinhaderuim edesconsiderando acari- 
dadequeali sepraticavaconstantemente, oquetodosbem sabiam. 

3. Stahar e Floran, como tivessem compreensao mais acertada de 
M im, pois enalteciam-M e como profeta qual Elias, esforcavam-se por 
desviarseuscolegasdetaispensamentos, sem grandeexito. A parte con- 
trariacontinuavaafirmando: "Vedecomoosafogadosforam deitadosde 
brucos, como fazemosmedicos Por que? Umdeus seria bastanteonipo- 
tente para poder vivifica-los Jacom ostresprimdrosfoi preciso leva-los 
ao quarto, afim dequeo sereno nao os prejudicasseeapresentassem urn 
aspecto maissadio. Isto nao ddxa duvidas?!" 

4. Floran entao os inquire a respdto de Raphad que havia operado 
milagreincrivd, - enadasabem responder. U m ddes, finalmente, externa- 
se "Amigo, poucos conhecimentos possuimos; no entanto, edesesupor 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

393 

haver em a Natureza forcas ocultas, com as quais nunca sonhamos Se 
aquelejovem nosmostrasseaorigem, osmdosebeneficios, tambem pode- 
riamosfazertaismilagresQuefagaumatentativaparacriarumnovomundo 
comtudoquendeexiste- egarantoquenaoterasucesso. Manobraraqui- 
lo que ja possui vida nao e dificil; criar do nada uma erva, apenas, sem 
semente, ou uma criatura - isto so cabea nipotencia D ivina." 

5. Antepoe Floran: "Amigo, nao me arriscaria a afirmar que esses 
doisnaofossem capazesde criar urn mundo, do nada!" 

6. Acrescenta Stahar: "N em eu; alem disto revelam sabedoria tao 
elevada que deita por terra toda a minha experiencia; e quando se apre- 
senta tal manifestagao, o Espirito de D eus, ao Q ual nada e impossi'vel, 
estaagindo. RecordemosasacoesdeEliaseM oysesesaberemosqueaqui 
sederam osmilagresatravesdo M esmo Potential. 

7. Em suma: sabendo-se que apenas o Espirito Divino podeope- 
rar coisas impossiveis a todas as criaturas, logo o M esmo Poder que 
criou aTerrado nada esta em acao etambem demodo milagroso agin- 
dopelosprofetas. 

8. Alem disto percebo o seguinte: Ondeteria existido urn povo, 
pertencente aos circulos dos filhos de Israel que em sabedoria e forca 
houvesse estado mais atrasado que nos, descendentes legitimos de 
Abraham, Isaac ejacob?! Sei algo a respeito da escola do ocultismo egip- 
cio, ondemal sepodechegarao peristilo; no Santisamo, porem, jamais! 

9. A esses dois o Santissi mo parecesertao familiar como a despensa 
para dona de casa. N esta, a fisionomia alegre demonstra que esta bem 
provida. E elesrevdam amesmacalmafdizedecompletadespreocupa- 
cao. Q uem for munido de tal saber e forca pode enfrentar o mundo 
serenamente; quern nao for atingido pdo mais impetuoso temporal, as- 
sim como nao nos preocupamos com o primdro inverno que Adam 
assistiu, - e urn Santo, urn Senhor e Soberano! N ao mais necessita da 
escola de K arnac, porquanto o Espirito deD eus I he erigiu outra mdhor, 
no coragao. E is minha conviccao efe; esta so pode ser boa, poistambem 
comego a sentir uma serenidade plena, antes nao percebida. 

10. Como ex-rdtor nao vos posso decretar tais sentimentos, por 



Jakob Lorber 

394 

inadmissivel; apenasafirmo como andam ascoisasequeestaisnastrevas 
com aditaescoladeocultismo!" 

11. D iz o outro, a quern as palavras de Stahar reduziram a empafia: 
"Falasteacertadamente, amigo. N ossa unica duvida consiste na posigao 
dada aos corpos inertes: essa, sempre empregada por navegantes e medi- 
cos, dimina a agua dos pulmoes e, caso o coracao nao esteja parado, faz 
retornar a vida ao corpo. C onsta que a alma de afogados permanece no 
corpo durante tresdias, desortequeaexperienciaensinouserpossi'vel a 
revivificagao apos a permanencia n'agua por quarenta e oito horas. Se, 
portanto, neste profeta, identico a Elias, habita o Verdadeiro Espirito 
Divino, - para que esse pormenor material?! 

12. Quandoaquelevivificou urn montaodeesqueletos- conforme 
consta- eoscobriu decarne, nao necessitou depreparo algum, bastaram 
suapalavraevontade. E essafoi a unica agaomilagrosade Elias; por que 
esta preocupacao com os nove afogados, como se a forca do Espirito 
D ivino tivesse enfraquecido?! 

13. Amigo, seacrescesu'a manchaa urn pano sujo ninguem a perce- 
bera, enquanto num limpo urn pontinho sera bem visivel. mesmo se 
da com os profetas: decepciona a menor incongruencia que nao se coa- 
dunecom a compreensao elevada de D eus. Senao fosse tal precaucao, te- 
lo-ia considerado o Proprio Jehovah, pois tudo nele era divino; agora 
perdeu para mim seu antigo prestigio." 

14. Replica Stahar: "N esse caso meadmiro que tuafe em Jehovah 
nao setenha abalado com o crescimento moroso de plantas, animaise 
homens! Para que necessitaria Seu Espirito de preparativostao incomo- 
dos?! Basta E le querer e os frutos cai rao do C eu ! Para que urn campo de 
tri go? Seria melhor que D eus permitissechuva deste cereal, ou talvez, de 
paessaborosos. Paraquefim afecundagao entreo reino animal?! Por que 
precisa a crianca nascer fraca e desprotegida? D everia chegar ao mundo 
forte, sabiaeprovidadetudo. 

15. N ao achasser este processo preferivel ao outro, demorado, pelo 
qual naoraroumacriangafamintaseveobrigadaafitardurantesemanas 
umaarvore, atequeum fruto venhaaamadurecer?!Q ueprazerteriam os 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

395 

genitoresseosfilhosnascessem tao sabioscomo Samuel?! N ascem pro- 
vocandosofrimentoserequerem no minimo doze anos para sehabilita- 
rem ao ensino superior, mesmo adultostem deaplicar todo zelo para se 
firmarem numa arteou ciencia. Achasque isto esteja deacordo com a 
maxima Sabedoria D ivina?! Se Ela com tudo isto nao sofreabalo, como 
podescriticaresseprofetaso porqueordenou recebessem osafogadosum 
tratamento usual?' 

16. D izo antagonists, chamado M urel: "Amigo Stahar, reconheco o 
absurdo deminha observagao; todavia contem algo dejusto no quediz 
respeitoamorosidadedeDeus, nem sempreaceitavel. Existem momen- 
tosem quedeveriasermaisaplicada; num raiodestruidor, porexemplo, 
enosdiascurtosdoinverno;aLuacheiatambem poderiaconservarsua 
luz por maisalgum tempo. Seo raio nao fosse tao veloz, poderia alguem 
delesedesviar, eo tufao tambem soprar com maiscalma, evitando gran- 
desprejuizos. Encontra-senaCriacao, geralmente, umaprestezadaO ni- 
potencia D ivina onde e prejudicial a vida; quando, ao meu ver, uma 
demorateriautilidade, quasenao hamovimentacao. 

17. Todos sabem que assim e, mas qual o motivo, e por que nao 
posso aprovarqueassim seja, tornando-meimpacienteeaborrecido?Por 
que, muitas vezes, costuma chover, se pela experiencia dos camponeses 
os raios solares seriam urn benef icio, e por que o Sol vem torrar os cam- 
pos durante semanas sem que a chuva o reveze? Q uem me responded 
todasestasperguntas?' 

18. D iz Stahar: "0 Grande M estre que ali esta! Indaga-Lhe e te 
garanto elucidacao. Tuas perguntassao para mim demaaado complica- 
das e tao transcendentes que as poderia classificar de tolas; nao que na 
verdadeo sejam, masminha ignorancia assim asclassifica." 

19. D iz M urel: "0 h, tu esfino emuito maisinteligentequeeu, erne 
fazes tal proposta?!Como poderia inquiriro maissabio?" 

20. DizStahar: "Sereconhecesisto, nao devesindagarpelo motivo de 
tais fenomenos, que a Sabedoria D ivina determinou desde eternidades 
N 6s nada sabemos, poisnosso intdecto e, em confronto com a Sabedoria 
Suprema, nem urn atomo; entretanto, o homem exigeesclarecimentosque 



Jakob Lorber 

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justifiquem a D eterminagao D ivina! N em alcancamosa divisa do Alpha e 
ja queremos saber da natureza do mega! Q uanta ignorancia! 

21. Talvezisso fosse admissivel naescoladeocultismo, masentreos 
filhosde Israel taisindagacoesnaodeveriam surgir. Seosignorantesdes- 
conhecem sua natureza, nos ao menos devenamos ter concluido que 
nosso saber nada representa perto duma centelha deSabedoria D ivina! 

22. Bern que o espirito pesquisador do homem encontra nas cria- 
coes de Deus muita coisa inaceitavel para seu bem-estar; basta, porem, 
relembrar sua infancia, em queseuspaisesclarecidoso privavam daquilo 
que o prejudicava. Se Amor e M isericordia de D eus nos privam de co- 
nhecimentos prejudiciais a nossa alma, resta-nos apenas louva-Lo por 
isso. Desdequeestejamosaptosparaassimilarumanogao profunda, Ele 
no-la facultara!" 



210. Palestra Entre o Senhor e Cirenius 

1. EisqueCireniushavendoacompanhadoadiscussao,vira-separa 
M im ediz: "Senhor eM estre, nosso reitor Stahar esta-serevelando, pois 
nuncasuspeitei neletamanhainteligencia. Comfacilidadeconseguiuque 
aopoagao secalasse, inclusively urel, queconhego como orador declas- 
seetambem possuidordomaiorcabedal deexperiencias Procurava-me 
sempre como delegado do sinedrio, e sabia expor sua peticao de modo 
tao convincentequetornava dificil nao satisfaze-la. 

2. Por certo inspiraste Stahar, Senhor, do contrario teria perdido a 
partida. AsalegagoesdeM urel eram bem fundadas, no entanto, Stahar 
conseguiu rebate-lo. Alem do maisconfesso existirem entre osjudeus- 
mesmo nestaepocataocorrupta- homensdumainteligenciainconfun- 
divel, o que me impede de considera-los nossos inimigos. Para Stahar 
designarei nova ocupagao em queseu conhecimento tenha oportunida- 
dedemanifestar-se, poisjaetodo aTeu favor." 

3. Digo-lhe:"Esim,eEujasabiahamuitoquealcangariaestegrau; 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

397 

M urd, porem, e mais importante. Sai espirito possui grandefirmeza e 
sua alma e conhecedora de muitas experiencias uteis, o que Ihefacilita 
diferenciarentreaverdadeeamentira, oBemeomal. E predsoqueseja 
maisesclarecidoeselhemostreaOrdem nica do Espirito Divino, pois 
ser-lhe-afacil transmiti-laaoutrem com grandeverbosidade." 

4. D izCirenius: "0 queestranhoentreTeusdiscipulosesuaatitude 
silenciosa; ouvem, com muitaatencao, sem nuncadarem urn aparte Por 
quesaotaopassivos?' 

5. Respondo-lhe: "Por saberem o quefazer, - com excegao de urn! 
Q uem ouve e cala, colhe constantemente; quern fala, dispersa e nunca 
tera urn tesouro deconhecimentos. Q uando M eusdiscipulosprimitivos 
tiverem farturafalaraotambem, pdo queasalvacao porelesseratransmi- 
tidaaospovos da Terra. Existem em seu meio homensdum saber pro- 
fundo, embora sejam pobres Pescadores. - Voltemos a M urd, que nos 
aguarda com alguns problemas, para depois passar a uma verdadeira e 
gigantesca forca espiritual, atraves da propria evolucao." 

6. ConcordaCirenius: "Istomealegrasobremaneira, poissinto-me 
felizquando urn cego setornavidenteeum mudo vem afalar." 



211. As Experiencias de M urel 

1. EnquantoCireniusfazestaobservagao, aproxima-seM urd, cum- 
primenta-M eediz: "Senhor e M estre, ha pouco Stahar e Floran falaram 
por nos; como concordasse em certos pontos, silenciei e quanta a algu- 
masduvidas, o primeiroja me esclareceu. Todavia existem aindaoutros 
senoes e como agora penso de modo diferente a teu respeito, desejaria 
quemeinformasses. 

2. Fui fariseu como os demais apenas na medida que os estatutos 
templariossecoadunavam com meusconhecimentosmaisadiantados, e 
sei queantipatizascom esses profetas tenebrosos Entretanto, haentre 
des alguns cuja boa indole ainda nao seevaporou completamente, ten- 



Jakob Lorber 

398 

do-me na conta de um deles. Assim, atrevo-me a te abordar como sim- 
pleshomem experimentado, indagandodeti oquesejautil paratodos. - 
Antes detudo ten ho umapergunta preliminar: Sou pecadoretu, um 
santo de Deus; dignar-te-as responder-me?" 

3. D igo-lhe: "Q uem reconhece seu pecado e o despreza pela acao, 
ama a Deusacima detudo eao proximo como a si mesmo, - deixadeser 
pecador peranteM im. Amar a Deussobretodasascoisassignificacum- 
prir seus M andamentos e nao querer viver fora de Sua rdem; se isto se 
dacontigo, fala, queteresponderei!" 

4. DizMurel: "Entao, amigo, adeuslPoisquemeadiantareconhe- 
cer e desprezar meus erros?! C hegado o momenta da tentacao a pessoa 
cai mi I vezes no mesmo pecado! s M andamentos sao considerados com 
boa vontade! Q uando chega a hora de agir, - nada feito. 

5. Sempreamei meu proximo quando nao era ladrao evagabundo; 
pois do contrario ja nao o amava, nem era seu amigo. Sabes, portanto, 
qual minha indole. Fala-me,semequereshonrarcomumaresposta, pois 
tambem mesatisfarei com tua negativa. 

6. rgulho eteimosia me sao estranhos, bem como o medo, por 
nao ser amigo da vida. Prezo-a tanto quanta a ultima tabua da Area de 
N oe. Por que, finalmente, sou obrigado a viver?Teriaalgum dia pedido a 
Deus que ma facultasse?! Fui gerado contra minha vontade, vivo sem 
querer etenho desuportar uma seriede leisedesgragas, com a promessa 
obscuradumavidaeternaaposesta, miseravel. A fim depoderdelapar- 
ticipardevoaqui ser desmoralizado por fortes tentagoeseapresentar-me 
puro como o Sol ao meio-dia, condicao inaplicavel, anaoserquetivesse 
uma natureza tao divina quanta a tua! 

7. M as.., para quetudo isso?Termi nemos com esta vida, que, tao 
miseravel, podeserdispensada. Recuso-a, mesmo tern porari a e assim tam- 
bem umaeterna,talvezmelhor!0 nada em si eaverdadeirafelicidade, pois 
saberia como e porque deveria agir para alcanca-la com plena conf ianca! 

8. Em todasasescolas, no entanto, depara-secom afecegaligadaa 
esperanca, sem base, ao invesdumaclaraperspectiva. Assim, ascriaturas 
vieram acriar leiscom asquaissemartirizam, numaconfianca, surgida 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

399 

desuafe. 

9. Viajei por todo Egito a procura duma conviccao para a vida do 
Alem. Queencontrei apos todos ossofrimentos da Iniciagao? Nada, a 
naoserumacapacidademaislucidadesonhar-artificialmenteprovocada 
- eo ensino da interpretagao detaissonhos> aqual, decarater profetico, 
servia para todos os acontecimentos 

10. Fosseej igual a muitosoutrosde indole fraca, etal mistificacao 
meteria impressionado; logo descobri a origem dascoisas, dei-mecomo 
ludibriado, reconhecendo nosmestresdaescoladeocultismo impostors 
queen nadaacreditavamdeseu proprio ensino. Essaspessoasaindasaoas 
maisinteligentes; asoutrasquesustentavam algumafesao ignorantes, pois 
nao reconhecem averdadesimplesebaseadaem inumerosfatosrepetidos 

11. Paguei naescoladeKamacataxadelniciagao,voltandoapatria 
convencido deter feito tal despesa inutilmente Durante a viagem en- 
contrei um homem que sejuntou a minha caravana; vinha da Persia e 
tiveracontato com osvelhoscrentes(birmanenses) dosquaismerelatou 
coisasextraord in arias Apostresdiasdeconvivio resolvemosvoltar para a 
Birmania, o que nos requereu cinco semanasacidentadas. Descobri en- 
tao um povo que vivia numa penitencia rigorosa, mas bastante hospita- 
leiro. C omo nao entendesseseu idioma meu guiafezo interprete, eassim 
facilitou-meo contato com oscelebrescrentesantigos, quedescendiam 
diretamentedeNoe Em breve aprendi o suficiente para uma conversa- 
cao, no intuito de pesquisar algo de positivo sobrea vida no Alem. 

12. Sua resposta foi : D e tal assunto apenas sabia o sumo sacerdote 
imortal, que falava constantemente com Deus e a quern tambem era 
Ifcito vislumbrar o outro mundo e seus habitantes N inguem poderia 
deleseachegar nem seaproximar desua residencia a nao ser uma vez por 
anoeistosomenteadistanciademeiahoradarochadourada, naqual ele 
se apresentava por alguns minutos nu'a manha desabado, ao nascer do 
Sol. Todos elestinham decrereesperar, cumprindo penosasleis; se, po- 
rem, caissem no pecado teriam de penitenciar-se de modo tal que ate 
apavoraria ao proprio Satanaz! 

13. Apresentaram-se tais penitentes e suas aparencias me fizeram 



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estarrecer! Aquilo que se faz no Egito apenas para despertar medo e pa- 
vor, la seaplica em verdade. E porqueofazem esses tolos?Somentepe!a 
esperancadumavidamelhoraposamorte Firmam-senessaimaginagao 
de tal modo que aceitam a mistificagao mais tenebrosa como verdade 
reallOssacerdotes, infelizmente, tudofazem nessesentido, poistal frau- 
delhesproporcionavidafolgada. A mim naoconseguiram enganar: que- 
ro certeza absoluta - ou mortecerta. 

14. Apos um ano de martirio deixei os birmanenses e voltei com 
uma caravana para Jerusalem, fiz-mefariseu efui mandado para aqui, 
onde ha onze anos presto servicos N ada f iz para tornar as criaturas mais 
tolas que sao, tao pouco contribui paraaumentar sua inteligencia. 

15. Se as leis humanas - dificilmente cumpridas - decidem seo 
homem ejustoou criminoso, sou evidentementepecadordiantedeteu 
carater puro e nao posso palestrar contigo. Se, para nos ambos, as leis 
nada representam, massim apenas a propria criaturapodenamosentrar 
em contato, nao obstante tua santidade que nao me diz respeito. N ao 
devespor isso aguardar agradecimento nem veneracao, - mesmo sefos- 
seso Propriojehovah! N essecaso, seriaeu tuaobraenao vejo motivo por 
quetedeveriatemerou amarehonrar! 

16. Sete pudesse pedir uma nova existencia, a questao seria diversa, 
massefosseamigodavida;tornei-meseu inimigoporverpenarem pobres 
ehonestas criaturas sob ojugo miseravel deleistolas So saofdizesaqueles 
quesouberam enganar seu semelhante poissesobrepunham as leis 

17. Ludibriavam os outros com toda sorte de promessas, a fim de 
levarem vida maisconfortavel. Taisfraudesconhego de perto esei o que 
esperardumaexistenciafutura. Eisporquenaotenhomedo- nemdian- 
tedeDeuse, muito menos, dum soberano poderoso. 

18. NaotemoaDeusporserElemui Sabioenao Lheser possfvel 
sentir prazer em martirizar um verme no po. Assim tambem nao deve 
aguardar amor e veneracao de minha parte, porquanto me impoe uma 
vidaabsurda. 

19. Porai vesquenem afe, nem aesperangameconseguem conven- 
cer. D a-me a verdade que poderia sentir com a vida fisica. N ao te teria 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

401 

faladodemodotao leal senaotivessepercebido seres tarn ben amanteda 
verdade e mui sincero de coracao. Se, no entanto, teu fito for outro que 
naoeste, - deixa-meseguircomaquiloquejasei." 



212. Onde se Deve Procurar a Verdade 

1. Digo Eu: "Amigo, se algo tiveres perdido e o procurares num 
lugar errado, lastimando-tepor nao o encontrareseadmirando-tedo teu 
insucesso, nao obstante todo o zelo emil sacrificios- mesmo sendo um 
homem i ntel igente e sobrio, nessepontoterasfalhado! 

2. Logo no inicio de teus estudos espirituais achaste as palavras de 
M oysesetodososprofetas, sem nexo, sem inspiragao everdade; conside- 
ravas, como atudo, que apresentassem obra inutil aoshomens, sem te 
dares ao trabalho de penetrar no sentido da Escritura, preferindo gastar 
tempo edinheiro em busca da verdade ondejamaisseriaencontrada. 

3. Assim tevias, infalivelmente, ludibriado em toda parte, deparando 
apenascom a mentira, a bajulacao ea mistificacao grosseiras Por isso tuas 
experienciaseram amargaseatehojeimproficuas, esotelevaram aodiara 
vida, tornando-teisento detodo amor, respeito eveneragao a Deus. 

4. Se tivesses procurado a verdade no lugar certo, de ha muito a 
teriasencontrado, conforme se deu com outrospesquisadores Cre-me, 
da nao exigefeda maneiraquetu a interpretas, tao pouco umaesperanga 
va esem base, mascria dentro deteu amago uma certeza absoluta sobre 
a vida aposa morte N o teu espirito habita a conviccao plena epalpavel, 
uma vez que desperte pelo amor a D eus e ao proximo. 

5. Demodoalgum encontravastal coisanaescolapagadeKamac, 
no Egito, emuito menosentretolosanciaosda India. Tudo isto esta bem 
perto da criatura efacilmentesera encontrado; portanto eondedeveser 
procurado, - do contrario todo esforgo etrabalho sao inuteis. Decardos 
eabrolhosnaosecolhem uvas, enaspogasebrejosotrigonaoprogride 

6. Afirmaste tarn bem nao seres obrigado a amar, temer ou ser grato 



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aDeusporjamasLheterespedidoestaexistencia. Seteu espirito jafosse 

desperto, ter-te-ia demonstrado claramentequaisteusdeveres para com 
Ele, o Pai de todas as criaturas! Tua came e sangue disto sabem tanto 
quanta tua tunica te percebea fome. 

7. N esta mesa encontraras urn tal Philopoldo deC ana, da Samaria, 
que ha poucas semanas pensava como tu e empregava frases identicas 
Palestra com ele, quereceberasalgunsensinamentos; em seguida, dar-te- 
ei Luzjusta e entao veremos se D eus merece teu amor verdadd ro e f iel ! 
Ai, aM inhafrente, esta ele, dequem tefalei. Vai e segue M eu Consel ho; 
ser-te-a de maior beneficio que a escola de Karnac." 

8. Rodeando a mesa, M urel se dirige a Philopoldo, dizendo: "0 
M estre mandou que te pedisse orientagao certa num assunto que me 
aflige; pego-te, quemeatendas!" 

9. Diz Philopoldo: "Amigo, ouvi tua palestra com Eleemelembrei 
ter eu extern ado as idei as que sebaseavam total mente em minha indole. 
Tambem procure onde nunca havia perdido algo, desconsiderando a 
busca no local exato. Somente quando o Sen nor e M estre D ivino che- 
gou, avisaosemeabriu. Reconheci quern sou eporqueexisto, equal o 
objetivo a atingir. Tudo e luz dentro de mim e nao alimento a menor 
duvida em minha existencia esclarecida. Em breve, por certo, tambem 
alcancarasa iluminagao interna!" 



213. A Decadencia da Sabedoria EgIpcia e da H indu 

1. EisqueM urd pedeesclarecimentomaiscompleto,ePhilopoldodiz: 
"Amigo e irmao! Dispoes de vastas experiencias e viajaste pda India, nos 
paises alem do Ganges ate as montanhas virgens; no Egito chegaste ate as 
cataratasdo N ilo. ConhecesteovdhoTempIo no interior da rochachamado 
"Jabu sim bil" e ate te foi dadoouvir, numa aurora, o som dascolunasde 
M em'n'on. Dedicaste-teaosestudosdaescritapersa, medaeassfrica. 

2. Osmestresem Karnac deviam teesclarecer sobre todas as coisas, 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

403 

pois Ihes havias pago soma vultosa; contudo, nao o fizeram por nao te- 
rem base para tanto. satuaissabioseeruditosdo Egito nao chegam aos 
pes daqueles que, na epoca dos velhos faraos, fundaram tais escolas e 
templos Enfrentam maisdificuldadesnabuscadoconhecimentoantigo 
que os levitas e fariseus em Jerusalem, os quais enveredaram por urn 
ascetismo vergonhoso. Tal seita nada mais e que a prova dum orgulho 
desmedidoe, em virtudedissomesmo, umatoliceilimitada. 

3. Houve epoca em queascriaturaseram donas da sabedoriajusta, 
como a teve Noe; quando das familias, pouco a pouco, se formaram 
povosdenecessidadesmaiores, asforcasfisicaseram usadasem excesso, 
desorteaimpossibilitarem adedicagaoexclusivaacienciaabsoluta. Por 
issoospovosescolhiam osmaissabios, entregando-lhesatarefaelevada 
dezelarem apenaspelo culto do conhedmento divino, afim dequefosse 
conservado entreseusdescendentes. Ao mesmo tempo o povo outorgou 
aessesconservadoresdasabedoriaodireitodecriarleis, porcujasancao 
todosdeviam responder, sendo osinfratoresseveramentepunidos 

4. No inicio detal instituicao tudo correu bem, com pleno exito. 
Pouco a pouco a casta sacerdotal foi aumentando e exigindo cada vez 
mais para seusustento. Logocriaram-senovasleisedeterminacoessobo 
titulomistico"LeisprovindasdeDeus!"Comegaramachoverpunig6es, 
penitencias e outros meios enganosos para extorsao de resgate s ricos 
se isentavam deste modo, enquanto os pobresdeviam suportar o castigo. 
E facil seimaginarovulto que assumiuessaprevidencia social. 

5. Ve, meu amigo, justamente la foste a procura da verdade e da 
maximasabedorialE compreensivel quenaoatenhasencontrado, oque 
tetornou verdadeiro inimigo da vida. Apenasnao percebo como podias, 
sendo entendido na Escritura, deixar de procurar nessa fonte, e se nao 
haveria posabilidade de se alcangar urn principio solido de vida pelas 
regras da escola dos profetas. 

6. Em parte, eu mesmo passei por tais experiencias, pois meu co- 
nhecimento sealicergava nafilosofiagrega, emboraconsiderasseosescri- 
tosdivinosdosjudeus, - faltava-me, porem, a base, razao pela qual nao 
obtive resultados poativos. 



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214. AsEncarnacoesPassadas 

1. (Philopoldo): "Q uando ha pouco tempo tiveafelicidadeincalcu- 
lavel de con heceresteMestreDi vino, todasasduvidassedissiparam eo 
Sol da Vida esplendeceu-me n'alma. Somente nesta Luz sagrada reco- 
nheci minha natureza e o Ser Supremo, vendo tambem o que devo a 
D eus, nosso U nico Pai, o Amor Eterno. 

2. Cheguei a conclusao de haver firmado urn contrato especial 
com o Espirito Divino antes de minha encarnacao, a fim de poder 
alcancar a filiacao divina nesta Terra que, em todo o Infinite unica- 
mente, temafinalidadedeabrigarosfilhosdeDeusdentrodaOrdem 
EtemadoSeu Amor. 

3. Observa as inumeras estrelas: sao mundos imensos e mais des- 
lumbrantesqueo nosso; em cadaum existem criaturasdeforma identica 
a terrena, dum saber profundo e nao completamente isentas de amor. 
Nascem perfeitas, como osanimaisterraqueos, enao necessitam apren- 
der, desdeo inicio, o quedesejam saber. idiomaequaseo mesmo em 
todosaqueles mundos, seu conhecimento tern limitesprescritos, sendo a 
nocao do Supremo Espi rito de D eus mais urn pressenti mento. 

4. Em suma,encontraslacriaturasidenticasaosgentiosdemelhor indo- 
le, dequem apenasdiferem num sentido: desnadadenovodescobrem, mas 
o que existe e perfeito, enquanto os pagaos poderao descobrir e inventar 
coisasdiversas o quelhesabreo caminho ao aperfeigoamento ilimitado. 

5. Naquelasimensasesferashasabiosque, asvezes, entram em con- 
tato com espiritos elevados, e se orientam no conhecimento mais pro- 
fundo de D eus. Entao acontece que alguns mais esclarecidos sao torna- 
dos do desejo deingressar na filiacao divina. 

6. Ossabiosdetodososmundosvem asaber, pelos espiritos puros, 
existir no Espago Infinito um planetaqueabrigaosfilhosdeDeus, eque 
umaalmadesencamadanumaestrelapodeali novamenteencamar, po- 
rem num corpo grosseiro. D esdeo momento em quealguem externa tal 
desejo, e-lheminuciosamenteexplicado o quetera desofrer. 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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7. D esprovidadetodarecordagao do estado primitivo, aalmaencarna 
nestemundo num corpo imperfeito, quaseinconsdenteeidenticoao irra- 
cional, nao sedando contadaatual existencia. So pouco apouco, maisou 
menos apos um ano, comega a se desenvolver uma consciencia nova atra- 
ves das percepcoese quadras externos Essasrecordagoestomam-se, pois, 
os unicos guias e meios na trajeteria a encetar. N ao sao espiritos do/ados, 
enviadosporDeusqueconduzemacriangaaumentendimentomaispro- 
fundo, maisospropriospais, quesedevem esforgar nessesentido dentro de 
suasexperiencias Em seguida a criatura eobrigada a aprender variascoisas, 
determinar suasvontades, indagar e pedir, suportar medo, fome, sede, do- 
res e privagoes, deixar-se humilhar ate o ultimo halite e, finalmente, con- 
trairmolestiagravequeexterminesuavida. 

8. H avendo o homem cumprido as exigencias acima expostas, se 
tiveramadoaDeusacimadetodasascoisaseaoproximomaisdoquea 
si proprio, - mesmo queseja perseguido como adversario atroz - entao 
tera vivificado a centelha divina no coragao de sua alma, despertando-a 
para o crescimento. D ai por diante D eustoma posse da alma, penetra-a, 
fa-la identicaaoespiritoe, destemodo,transforma a criatura deantanho 
num filho deDeus, quenesse estado sepodevangloriardepossuirtodas 
as perfeicoes existentes na D ivindade 

9. Ve, amigo M urel, destemodo sao expostas as condicoesdevida 
terrena a um ser de outros mundos; caso o deseje com seriedade, des- 
prende-senum momentodeseu corpo fluidico, erapido, inconsciente- 
mente, etransportado paraaencamagao nesteorbe. Assim sendo, pode- 
ras deduzir por conta propria se nao firmamos um contrato voluntario 
com Deus, o Senhor, antes deaqui chegarmos 

10. D eus cumpre Sua Palavra dentro da rdem I mutavel; resta sa- 
ber sen 6s tarn bem acumprimosdeacordocom asLeisdadasaM oysese 
aos patriarcas e, alem disto, gravadas no coragao de todas as criaturas. 
D aqui por diante certamente a manteremos; nisto nao ha merito, pois 
age unicamente a Misericordia deDeus - Dize-meseteagradaminha 
pequenaexplanagao." 



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215. AVENTURASDE PHILOPOLDO NO ALEM 

1. RespondeMurel: "Amigo, acabasde me revdarcoisas que jamais 
alguem sonhou. N ao deveser uma fantasia engenhosa detua parte, pois 
assemel ham-sea fabulas pagas Todavia, nao posso julgar por nao possuir 
conhecimento necessario deastronomia. Q uem teria imaginado serem os 
astros, esses pontos diminutos, mundos imensos, maiores que o nosso, 
cujo limite pessoa alguma ate hojeviu?! Pego-te que me positives tal hipo- 
tese, pois despertaste ansia de me aprofundar neste assunto! M oyses nem 
sequer faz alusao a respeito eninguem compreendeo sentido da G enesis" 

2. D iz Philopoldo: "Amigo, quern entendea Escrituradescobremuita 
coisa; isto naturalmenteexigealgo, alem duma boa memoria na retencao 
detextos. A pessoa que haja amado a D eusacima detudo, teria recebido 
pelo Espirito D ivino o justo esclarecimento dequea G enesis nao repre- 
senta a Criagao dos mundos, propriamente dita, mas a educacao efor- 
macao espiritual. Poder-te-ia prova-la; o tempo, porem, nao o permite 

3. PelaGragado Senhor, tenho outraprovadadapor Ele, queoraSe 
encontraem nosso meio, tal qual osprofetasO anunciaram. Naquela 
epocatambem seachava presenteum anjo em corpo etereo, quetirou a 
vendadosolhosdeminhaalma, por ordem do Senhor, eistomefacultou 
a plena consciencia de todas as encamagoes passadas 

4. Incontinenti reconheci aquelegrande astro onde vi vera antes de 
aqui encamar; vi ate mesmo meus familiares ainda vivos, e o anjo me 
apresentou alguns utensil ios que constatei deminhapropriedade Assim 
iluminado percebi tambem meu grande debito para com Deus, o Se- 
nhor ePai! 

5. Soubeentao do valor inestimavd dapropriaexistenciaedetodos, 
e nao acho palavras que expressem meu amor e veneragao a Ele. Antes 
desse milagre era inimigo da vida como tu; certo esta, porem, que em 
breve pen sarascomoeu.Tudoqueacaboderdatarfoitestemunhado por 
quasetodosqueseacham nestamesa. A MaiorTestemunhaeo Senhor 
em Pessoa, quetemandou falar comigo para que soubessesse real mente 



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nao Lhedevesamoregratidao." 



216. A Ordem Cosmica 

1. D izM urel: "Agradego-tecom sinceridade, mai amigo Philopoldo! 
Acabasdemefazer revelagoesqueo proprio Salomon jamaissonhou. 
caso em si etao extraordinario que leva qualquer pensador a duvidar, 
porquanto nossarazao nao comportanem urn vislumbredetaisconhed- 
mentosTodaviajanaomaispossoterduvidas, poissenaofossem base- 
adasem tuasexperienciaspropriasnao maspoderiasrelatar. N ao haquem 
aspudesseter inventado: sao revelagoesdo Alto queaceito como sefos- 
sem dadasamim. Conta-mealgo maissobreasestrelas, poiscusta-me 
crer que sej am esses pontinhos luminosos verdadeiros mundos" 

2. Diz Philopoldo: "Caro amigo, isto sera dificil, porquanto nao 
tensideiadoquesejanossaTerra,afimdecompara-lacomasoutras Eis 
porquetedarei uma pequena explicagao a respeito." Assim, o grego co- 
mega a discorrer sobre nosso planeta como verdadeiro professor de geo- 
grafia, provando suas afirmagoes atraves das experiencias que M urel ha- 
viafeitoem suasviagens Demonstrou-lheasrazoesdanoiteedodia, a 
natureza da Lua, sua distancia de nos e finalidade e de outros planetas 
que perfazem nosso sistema solar. 

3. E m seguida passa asestrelasfixas, dizendo: "Penso que nao podes 
alimentar a menor duvida acerca de minhas palavras, eso tenho a acres- 
centarquetodosospontos luminosos, grandes e pequenos, naabobada 
celeste, sao imensos mundos solares, havendoosdetamanhotao colos- 
sal, quedeixa para tras nosso proprio Sol. 

4. Devidoasuaposigaodistanteapresenta-seelepequeno. Setefor 
possfvd calcularquatrocentasmil vezesadistanciaqueoseparadaTerra, 
teras mais ou menos o que esses astros distam da mais proxima estrela 
fixa. Entao compreenderas porque se apresentam tao diminutas, ja que 
nosso Sol, que comportaria urn milhaodeoutrosplanetas,apenasexibe 



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o tamanho dapalmadenossamao. utrasestrelasfixas, emboravisi'veis, 
ficam tao longequenao podemosapurar sua distancia. Terascompreen- 
dido isto?!" 



217. M urel Faz Um Discurso de GratidAo 

1. Diz Murel: "Estou plenamenteorientado sobre aquilo que me 
pareciatao incompreenslvel; reconhegoquepessoaalgumateriachegado 
ataisconclusoessem o auxilio excepcional deD eus ApenasSeu Espirito 
podetudoabrangeretransmitir esses conhecimentosaoshomensdeboa 
vontade. Estes, seguiadosexclusivamentepelo inteiecto, soexpressariam 
tolices; Deus, o Senhor, porem, prove Seusfilhossedentosde saber. 

2. Por isso, todo I ouvor e gratidao sejam a Eledirigidos, ao nico e 
Verdadeiro Benfeitor da H umanidade! Q uao sublimeeelevado eo pen- 
samento queora ilumina meu coragaolTodosnossomosirmaoseo Pai 
Santissimo e Bondoso nos conduz a um destino santificado, atraves de 
SuaOrdem! 

3. Amigo Philopoldo, tornaste-meteu maior devedor; como recom- 
pensar-te? Senao forastu, poderia viver a idadede M athusalem, tendo 
todos os templos e catacumbas da sapiencia humana a meu dispor, - e 
saberia tanto quanta no inicio de tua explanagao! Em menos de uma 
horavejo-mequal Moyses, no Monte Sinai, plenamenteiluminadoda 
Sabedoria D ivina que tarn bem cobriu o semblantedaquele profeta. 

4. Que bem-estar indefinivel sinto nesta Luz santificada, e como 
deverialouvarehonrarAquelequeteinspirou detal forma?! Seria possi- 
vel o idioma humano expressar as palavras que o dignificassem?! N ao, 
jamais! N ossabocadevecalarquando o Verbo Vivo comegaa projetar-Se 
em todas as chamas dum novo amor a D eus! 

5. Q uao infinitamenteelevado esublimeTeapresentasdiantedenos, 
M estre Q uerido e Santo! Q uem Te assimilara, quern Te compreendera?! 
ComoTu, Divino M estre, sabesdaquilo que apenasoCriadorconhece 



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afirmo: Emboraoculto naCarne, meu coragaoTereconhece, Santo PailEs 
o Mesmoquedeu no Sinai aopovoescolhidoasLeisdeVidaatravesde 
Moyses, etambem falou pdabocadosprofetasiluminados Eso porTi 
M esmo Prometido ecumpreso Verbo D ivino deTeu Eterno Amor Pater- 
nal emTeusfilhosfracosepequeninos Permitequeem breve nostorne- 
mos adultos efortes, para queTe possamos render louvor de bocas e cora- 
goespurificados, como osCeusjamaisTerenderam! 

6. 6 Terra, sebem queinsignificantejuntoaosmundosgigantescos 
quegiram em orbitasimensasno Espago Infinite, - quaoabengoadaora 
esporabrigaresAquelequetodoselesnaocompreendem! 

7. Meusirmaos, porquehesitaisem levantar-vosehonra-Loacima 
detudo, quando sabeis, como eu, Quern Seacha diantedevos?! Caso 
nao o saibais, afirmo- vos: Eiso Senhor, o Pai deEternidade! C euseTerra 
saoplenosdeSuaGI6riaGrandiosaeEtema!Louvai-0 comigoeauxiliai, 
que ja sois fortes por Sua Graca e M isericordia, aqueles que ainda nao 
sejamtaofelizes!" 

8. Eisqueo interrompo: "Basta, basta, M eu carissimoamigo M urel! 
D e ha muito teconhego esei detua indole, queteajudara na compreen- 
sao futura! Agora vem e bebeo vinho puro da taga que usei; em seguida 
teaguardamcoisasbemdiversasasdoconhecimentodePhilopoldo.Vem 
junto deMim!" 

9. D iz M urel: "6 chamada sublime, voz maravilhosa, Palavra D ivi- 
na, quereconhego pelaprimeiravezem minhaignorancialQ uem pode- 
ria opor-se aTi, quando Te sente no coragao?! Q uao elevada, sublime, 
santa, suaveetao agradavel soasda Boca Paterna, dirigindo-Teao filho 
ha tanto tempo exiladodeTeu CoragaolSao infinitasasbengaosqueme 
acariciam pelo H alito Daquelequetrovejou o "Queassim seja" nosEs- 
pagos Infinites, dando origem aquilo queSeu Amor criou! 

10. Q ue tudo aquilo que me proporcionou forgas para uma agao 
pecaminosaseatemorizelTu, meu coragao recem-nascido, rejubila-te! 
Teu C riador, D eusePai chamou-te! SegueaVozquesoprou vidaem tuas 
fi bras! Voz Paternal, quesom sublime repercute no ouvido deteu filho, 
no coragao do ente ressuscitado!" 



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218. A PREDigAO DE IsaIasse Realiza 

l.Aposterpronunciadopalavrastao sublimes, M urd sedirigeaM im 
chorando de alegria, e quando passa perto de Stahar e Floran Ihes diz: 
"Vindetambem voseabri vossosolhos anuvi ados! Pen etrastes no peri stilo 
doTempio antes demim, atraindo-mepara la com regozijo; aconteceter- 
mosalcancado nao somenteo peristilo, maso Verdadeiro Santissimo!" 

2. D igo Eu: "Seja o que for; toma do calice e bebe! M uito falaste, 
tomandosecatuagarganta. Umedece, pois,opeitocom ovinhodaverda- 
deedoamor, afim de que te tomes urn instrumento util nocombateas 
trevaseseusefdtos!Ve\ anoiteaqui jasetransformou num diaradioso, 
masao nosso redor a obscuridade persiste Sera preciso urn sem numero de 
fortes luzes para dimina-la, etu serasum archotea M eu servico!" 

3. C hdo dealegria M urel apanha ataga repleta ebebetodo conteudo. 
Admirado pela qualidade excepcional do vinho, exclama: "Eis o nectar 
maisdelicioso queja provei! Certamentenao terasido extraido desta Terra 
efermentado num odre, poisfoi criado no Ceu para o Senhor detoda a 
Gloria! Pai Amoroso eSantissi mo, - quao sublimes devem serTeusCeus! 
Q uemerecemos nos para noscumularesdeG racastao imensas?' 

4. D igo Eu: "A razao disto se baseia no do que liga o Pai a Seus 
filhos, identico a uniao entrenoivo enoiva! N o M eu Espirito Eterno sou 
vosso Pai detodo sempre; nesta Carne, no entanto, sou qual Noivo e 
todosvos, M inhanoiva, amedidaqueacetaisPalavraeDoutrina, acre- 
ditando vivamentenoscoracoesser Eu o Prometido quedevera libertar 
todasascriaturasdo antigo pecado - criagao do inferno - edemonstrar- 
IhesoCaminhoparaaVidaEternaeverdaderaFiliagaoDivina. 

5. Em verdadevosdigo: Quern ere em Mim ecumpreMeuVerbo 
pdaagao,estadentrodeM im qual noivacdesteeEu com da, urn Verda- 
ddro N oivo da Vida Eterna! N esta U niao ninguem vera, sentiraou pro- 
vara a morte! 

6. Quern ere em Mim eMeama, cumprindo destemodo ofacil 
M andamento do puro amor, reconhecer-M e-acomo Pai na Luz plenade 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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seucoracao!Procura-lo-ei Pe5soalmenteeMerevelarei,ensinandoegui- 
ando-o, e sua vontade recebera a forca de subjugar os elementos, em 
ocasioesdeverdadeira necessidade! 

7. N o mundo propriamentedito os M eusnao poderao celebrar tri- 
unfos, pois nem todas as criaturas desta Terra sao filhos M eus, mas do 
principe da mentira, das trevas e da cegueira. N ao consideram M inha 
Luz e nao poderao amar aos que procurem levar-lhes M eus Ensi namen- 
tos M eusfilhos, porem, naosedevem escandalizarcom isto, poisaguar- 
da-lhesavitorianoMeu Reino! 

8. Afirmo-vosquetereissempredesuportar, pelo M eu Nome toda 
perseguicao edesprezo por parte do mundo; no Alem, todavia, dar-se-a o 
reversodamedalhaevossopoderdevontadeaindacobriraaquiosmausde 
vergonha, podendo-vosentao regozijar intimamentedeM eu N ome! Sabeis 
Q uem sou e o que somente Eu vos posso facultar; o mundo, o oponente 
maldoso da Luz ede M eu Amor, ignora-o, e nunca mesmo o sabera! 

9. Vosso conhecimento e a confirmacao das palavras de Isaias que 
mencionasteacima: M oab (Jerusalem esuaconstituicao nefasta) seratri- 
Ihada como se trilha a palha no monturo. Senhor estendera as M aos 
sobre seu povo como as estende o nadador para nadar, e fara curvar a 
fortalezaelevadadevossosmuros(amor-pr6prioeorgulho), rebaixando- 
aeabatendoaopo (a maxima humilhagao). (Isaias 25, 10-12). 

10. Veaquiloqueoprofetapredissenestelocaleneste mesmo monte 
abeira-mar, quandoacaminhodaGalilea, - cumpre-seplenamentedi- 
antedevossosolhos. Contaosdiferentespovosaqui reunidos, aosquais 
sera ti rada a grossa venda dos ol hos e cada urn recebera vi n ho pu rissi mo, 
sem fermento; quern o beber eassimilar com sua alma o espirito nele 
contido, teraaceito aVida Eterna. Asam, todosaqui presentes que sor- 
vem M eu Verbo como o Vinho Puro dos C eus, eaquelesa quern fordes 
oferta-loetambem otomaraoem largoshaustos- jamaissentiraoamorte, 
quefoi por M im vencida! 

11. Esta Sabedoria e urn farto manjar que prepare para os povoster- 
renos, - soisrealmentealimentadosesaciadoscom o tutano da maispro- 
funda Sabedoria eVerdade Eterna! Ide, pois, ja que nunca maiscarecereis 



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da fartura celeste aosquatro cantos da Terra, procurai vossosirmaosaban- 
donados, asviuvaseorfaos, enxugai-lhesaslagrimasedai-lhesfartamente 
debeberdesteVinho purissimo, quevosdei em abundancia. 

12. A epoca propicia para cumprirdes vossa missao, ser-vos-a de- 
monstradapdoMeu Espirito! Seagirdesverdaderaefidmenteem Meu 
N ome, M eu Espirito, M eu Eu, permanecera convosco para todo sem- 
pre. Daqui pordiantenaonecesataispensarnoquedizer, pois no mo- 
mento ser-vos-a dada a intuicao. 

13. espirito desteVinho quevosacabo deoferecer, jamais se eva- 
poraradevossas almas, poiseaVerdadeEterna, queimpediraainfiltra- 
gao da mentira. Esta ea morte, a destruicao eum julgamento constante, 
enquanto aquele e a propria vida, que sou Eu M esmo dentro de vos, 
pois: Eu sou aVerdade, a Luz, oCaminhoeaVida Mesma! Quern, por 
conseguinte, conservar-M e no coragao, tudo tera; pois, alem de M im, 
naoexistem outraverdadeeoutravida!- Dize-M e, M urel, setudo istote 
eclaro." 



219. Promessado Senhor 

1. RespondeMurel:"6 Senhor, comonaodeveria entende-lo?Tan- 
toovinhoquesorvi quantoTuaDoutrinaestavam isentosdefermentoe 
confessoqueentendi Isaiaspelaprimeiravezemminhavida. Moabesta 
completamentetrilhada, o que causa imensaalegria a minha alma ante- 
riormentetao pobre, sedentadeverdade; aqui foi regiamentecompensa- 
da de todos os sacrificios que sofreu na busca da verdade unica! Senhor, 
Tu somente es nosso Deus! Todo louvor Te seja rendido! E tu, caro 
Philopoldo, recebe minha gratidao por me teres aberto osolhosaquilo 
queprocurei pelo mundo em fora! 

2. Eisquetenhoum grandepedidoafazerem nomedetodos, Se- 
nhor: jaqueTedeixasteen contrarnao maisnos abandones, afim deque 
nossosdescendentesnao necessitem mil anosparapoderem dizer: Reen- 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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contramos-Te, Senhor!" 

3. DigoEu:"Em MeuVerbo, que representaMeu Espirito e Amor, 
permanecerei com as criaturas de boa vontade, ate o fim dos seculos. 
N ao mais, porem, nestefisico material, pois que sera transformado, em 
breve, deacordo com a Determinagao do Eterno. 

4. PoresteCorpoassumi todoojulgamentoemorte;eisporquea 
estadeveserentreguedurantetresdias, afim dequevossas almas possam 
desfrutar da Vida Eterna. E de o representante de vossas almas, e para 
queconsigam existir, M eu Corpotem dedeixaravida, vidaofertadaem 
holocausto eterno a vossa salvagao. 

5. N o terceiro dia M eu C orpo retomara a vida sublimada, ea Pleni- 
tudedo M eu Espirito Eterno penetrar-vos-a, conduzindo-vos a verdade 
integral. Somente nesta verdade sereis transformados, como foi M eu 
C orpo em vossoscoracoese almas, podendo vosmesmosadquirir aVida 
EternadaPlenitudedeM eu Espirito livreeindependentemente, toman- 
do- vos para semprefi Ihos de D eus. 

6. Pororaestaissendo apenasadestradosparatal. uvi, pois, M inha 
Voz e M eu Verbo. Jamais alguem chegara ao Reino dos C eus se nao for 
atraido pdo M eu Espirito. Quern e Este?0 Pai Eterno, que vos levara 
junto deMim! 

7. Este Espirito nao tern nome; Sua Naturezaeo Amor. Setiverdes 
o Amor, tambem tereiso Espirito, - possuindo Este, tereisa M im, pois 
Eu, oPai eo Espirito somosUnos! 

8. Poristo, aplicaio Amor a Deuseao proximo, aospobreseneces- 
atados de corpo e alma, e assim despertareis com esse amor, o amor a 
D eus principalmente, nao considerandoo mundoesuacnticafacil; quern 
se envergonharefugir dos pobres, afim de merecer credito no mundo, 
nao sera tao pouco por M im considerado e aceito. Q uem, no entanto, 
consideraro M eu Espirito igualmente manifesto no pobre, sera por M im 
aceito como M eu filho. G uardai bem isto! - Agora descansemos por tres 
horas, aqui mesmo! 



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220. A Natureza do Senhor e a H umanidade 

1. M aisdiscipulossaoosprimeirosaadormecereospropriosroma- 
nos estao sonolentos; cada um faz da mao um travesseiro, encosta-se a 
mesaeadormececomonum leito macio. SomenteMurel ePhilopoldo 
seretiram, afim depalestrarsobreosacontecimentos 

2. Mathadosacompanhaediz:"lmposs(veldormirdepoisdetudo 
aquiloqueassisti. Imaginai quehatresdiasatrasaindaerapossuidoduma 
legiao dedemoniose, embora inconscientemente, um dosmaistemidos 
assaltantes N aohaviacaravanaquepassassepdaestradanaqual mehou- 
vesseescondido, poisquem caiaem minhasmaosnaodexavadesentir 
seu prejuizo. E agora sou genro do Re uran e vice-re do vasto pais no 
Pontus ate ao reno dos skythos. N ao e isto um milagre? Sim, aqui se 
passam coisasqueem parte algumadaTerra poderao ser imaginadas 

3. A unica duvida a resolver ea seguinte: Ascriaturas irao compre- 
ender e conservar a Doutrina pura, tanto asquevivem distantesdaqui 
como aqudas que ainda viverao? N a mdhor das hipoteses sera tomada 
pdaexpressaodum grandeprofeta, - admitir, porem, queDeusM esmo, 
Encarnado, tenha ensinado os homens, sera uma tese dificil de acdtar, 
muito maisporser EleFilho Natural dumatal Maria, posteriormente 
esposadejose. 

4. N 6s outrosestamosconvenci dos deque, alem da forma externa, 
N de nada ha de humano; tanto C orpo, como Alma e Espirito sao D eus 
Atesepodeafirmar: tambem no Seu Fisico Seachaa Plenitudeda D ivin- 
dade, pois basta apenasquerer para fazer algo surgir! 

5. A provamaioremaisevidente reside em SuaPalavraenoanjoa 
Seu servigo, queexecuta, em momentos, coisas mais incompreensivds 
que a explanacao de Philopoldo acerca do mundo estdar. Em sintese: 
para nosquesomostestemunhastorna-seo extraordinario coisa gmples 

6. M as isto nao sera o mesmo com todos, poisja note que muitas 
pessoasaqui presentes nao conseguem assimilar ecompreender a N atu- 
reza D ivina do Senhor. bservd, outrossim, quea palavra esclarecedora 



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tern uma acao mais surpreendente quanta ao conhecimento da G loria 
Divinado Senhorqueo maiordosmilagres. Hojeem diaestamostao 
habituadosaassisti-losquenem maisnoscausam admiragao. 

7. M ormente nesses ultimos sessenta anos em que os romanos se 
tomaram nossossenhores, osmagosetaumaturgosaumentaram defor- 
ma considered. lei go, carecendo de conhecimento decausa, nao di- 
ferencia entreo verdadeiro eo falso. 



221. Destino da Doutrina de Jesus 

1. (M athael): Paranossaoasagoesextraordinariastambem umfator 
poderoso, por sabermosdiscemir de pronto entreo genuino eo ficticio. 
Os milagres aqui realizados exigem mais que os apetrechos de magia: 
requerem nipotencia e Sabedoria D ivinas jamais penetradas, a Priori- 
dadedo Espirito D ivino, cujavontademantem todososespiritosemun- 
dos, como o bom cocheiro sustem sua carruagem deacordo com o impe- 
todosanimais. 

2. Aqui, pois, evisi'vel a Acao Plena da Divindade, enquanto nos 
magosnaoseevidencia. Contudopodemossuporquenossospatriarcas 
agissem atravesda Forga D ivina queestava com eles. N o momenta pre- 
senciamos coisas assombrosas; dentro de alguns seculos, havera maior 
numerodemistificacoes 

3.Tudo istosebaseianosDesigniosdeDeus; umacoisaecerta: o 
Senhor nao permanecera para sempre em Corpo entre nos, tao pouco 
nosassistiracom auxilio econselhos; alem disto, nao obstara a vontade 
livre das criaturas a parti r desta epoca etemamente marcante para nossa 
Terra que, futuramente, sera o ponto central detodo o Cosmos 

4. Urn planeta por Ele Proprio pisado prosseguira sempre numa 
especiedetransfiguragao. Seas criaturas continuarem de posse do livre 
arbitrio, nascendo completamente ineptas e dependendo seus futuros 
conhecimentosdoprimeiroensinoexterno,- soepossi'vel seesperarque 



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a ignorancia de novo se alastre e el as transformer! esta D outrina pura e 
celestenum paganismodesenfreado. 

5. Fisicamente nao o assistiremos, mas sim como habitantes dum 
mundo espiritual ateentao desconhecido. Constataremosas mistifica- 
coes, mentiras, orgulho, amor-proprio, pavor, bajulagao, simulacao, per- 
seguicao, critica, vingancaecrueldadesvariadas 

6. Senhor M esmo afirma ser preciso quetais coisas acontecam, 
em virtudeda emancipacao e verdadei raformagao da vidadecada indi- 
viduo, sem o que ni nguem podera setomar urn verdadei ro f i I ho de D eus 
e penetrar na Gloria Eterna do Pai . SeEleja nos faz esse prognostics so 
nos resta aguardar os fatos. U m meio preventivo contra esse estado de 
coisaseesera uma linguagem clara, poisuma prova matematica nao esta 
sujeita a destruicao do tempo e serve para todas as racas" 



222. Preocupacao Quanto A Doutrina 

1. D izM urel: "Bom amigo,eisumaparticularidadedestaD outrina: 
suaclarezaemaisqueevidenteecreionaoserpossivel deturpa-la." 

2. Responde M athael: "Seria de desejar; entretanto sera diferente, 
poisnao etao matematicamentefirmada, conformecres, em virtudede 
sua natureza espiritual. Recorda-te quanto te custou conseguir apenas 
urn vislumbredesua verdadeealcangar, final mente, a plena luz. 

3. Achavas-te preparado een riquecido por uma quantidadedecien- 
ciasefatos, teu intelecto bem esclarecido - no entanto, nao compreendi- 
as M oyses e Isaias Imagina alguem sem grande cultura e experiencia, 
abordado por urn adepto da Nova Doutrina, afim delhetransmitiro 
Evangel ho verdadei ro. Q ue atitude adotara? Por isso julgo que deveria- 
mospedir ao Senhor quenosdemonstre como deve ser divulgada eficaz- 
mente, para que possa despertar nos ouvintes uma nova vida!" 

4. Intervem Philopoldo:"Nobreamigodevestesreais!Falastebeme 
certo; todavia o Senhor M esmo acaba de prometer nao ser preciso pen- 



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sarmos no que falar em Sen N ome, pois no momenta oportuno sera 
depositado em nosso coracao. Assim, nao sei porqueO deveriamos mo- 
lestar. pino, como futuro divulgador desta D outrina, ser indispensavel 
certo poder milagroso, a fim de agir contra a forca bruta das criaturas. 
Sendo ainda muito animalizadas, devem primeiro ser levadas a refletir 
porummilagreantesqueselhesfalesobreDeuseodestinodohomem. 

5. A pessoasdealgum conhecimento bastara uma palavra sabia; as 
outras foram reduzidas a semi-irracionais pela influencia de seus 
governantese da casta sacerdotal. Por nao compreenderem umaexplica- 
cao, so urn milagreasconvencera, e uma vezconquistadaspor esse meio 
poderao iniciar o ensino adequado. 

6. Afirmoatequemesmocom pessoasinteligentesum milagresurte 
maisefeito queum discurso vibrante, isto porqueo homem intelectual 
vive de certos conceitos falsos e imposslveis de afastar da alma. 

7. Lembremo-nosquesoasObrasdoSenhornostiraramdenossas 
concepcoes erroneas Por isto deveriamos pedir-Lhe o poder de efetuar 
milagresem casodenecessidade." 



223. A Inutilidade da PreocupacAo 

1. Aduz M urel: "Caros amigos, nao vos querendo contradizer ou 
afirmar quevossosdesejosnao estejam dentro da rdem D ivina, afirmo 
apenas que nos estamos preocupando com urn fio de cabelo, quando o 
Senhorcertamentejatudo proveu. 

2. Nosso Sol espiritual por certo sera obscurecido com o tempo, 
assim como as densas nuvens encobrem nosso astro de tal forma que 
impossibilita localiza-lo, obrigando-nos, alem disto, acender uma vela. 
Todavia originam as nuvens uma benefica chuva, e no dia seguinte os 
camposvicejam debencaos celestes 

3. Creio, pois, que o Amor e a Sabedoria do Pai permitirao que o 
nevoeiro venha, vez por outra, cobrir afacesantado Sol de nosso espirito, 



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no zen ite do con heci mento e saber hu mano, a f i m de aumentar nossa sede 
spiritual. Somentenaausenciadaluzsabemosaquilatarseu real valor. 

4. As criaturas comegam entao a indagar com receio: nde esta a 
LuzdaVida?- Suspiram echoram e as lagri mas como chuva espi ritual 
caem nos sulcos do coragao oprimido, vivificando as raizes quase resse- 
quidasdapalavradivinadentrodaalmaAssimreanimadospercebemos, 
com visaofortalecida, o Sol da vi da em nosso coragao iluminado, regozi- 
jando-nos sobremaneira da nova luz de que nos privamos durante dis- 
cussoes e revolta. 

5. Afirmo-vos: o Senhorsabeo que aindavirasobre nosso planeta 
natural eespiritual, eoporque. Porissoconsiderobaldadasnossasconje- 
turas. C om toda a certeza receberemos D ele o Verbo e o Poder, quando 
osjulgar necessarios; jamais poder-Lhe-emos prescrever Suas Acoes. Se 
ignorassemos Quern e, poderiamostrata-Locomosemelhante;jaqueo 
sabemos, provariamosapenasgrandeestulticia! Refleti edizei-mesete- 
nho razao." 

6. RespondeM athael: "N ao restaa menorduvida. Apenasquisacen- 
tuar os meios necessarios para proporcionar Luz vital a H umanidade. 
Confesso com sinceridade que ambos, principalmente Murel, julgou 
melhor que eu. Agora mudemos de assunto. 



224. Sen h or e Seus Apostolos 

1. (M athael): "Que impressaocausaraistotudo em Jerusalem?Co- 
nhecemosaignoranciadosinedrio, suavolupiadedominioeainimiza- 
deoculta aos romanos. Q ual sera a reagao doTempIo edeH erodes, caso 
o Senhor Sedirigir algum dia para la, conformeja mencionou? 

2. Creio que ha de provocar uma irritagao tremenda, etalvez seja 
preciso fazer chover fogo do C eu ou fugir dessa cidade pervertida, - mais 
isso mesmo sem grandeefeito. SatanazserasempreSatanazateaexisten- 
cia do ultimo grao deareia. N ao concordais?" 



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3. Responde Philopoldo: "Istoestaacimademeu horizontedeco- 
nhecimento. N ao achas que tudo e possivd ao Espirito nipotente e 
Sabio de D ais?Vea orgulhosa Cesareia Philippi ! ndeesta a presungao 
que a induziu a calgar suas ruas com ouro e pedras preciosas? So resta 
hojeum miseravd montao decinzas. N ao admitesqueo Senhor aplique 
a mesma medida em Jerusalem? 

4. Asseguro-te: em cem anos nao se podera fixar seu antigo local. 
D dxemos isto a criterio D de, - para usar os mesmos termos de M urd. 
Devemostratarapenasdepermanecer, nosproprios, na Luzdo Senhor. 
Naoeisto?" 

5. Confirma o outro: "Exatamente; fald-vosdeste modo por saber 
algoqueEleMesmomedisseequeporcertoignorais. Emdeterminada 
epoca Eleseguira para Jerusalem, afim dedoutrinareoperar milagres 
Com isto oTempIo sera grandementeprejudicado, irritar-se-aeprocura- 
radete-Loemata-Lo. E ouvi:o Senhor Seddxaraprenderematar! Sao 
estas Suas Proprias Palavras! 

6. Permanecera, entao, fisicamente morto por tres dias para depois 
ressuscitar, destruindo astrevaseseusefdtos. A partir dai Seusapostolos 
receberao o verdaddro Poder, pois prove-los-a da forga de Seu Espirito, 
SabedoriaeAmor. Osprimdrosdozediscipulos, testemunhasdetudo, 
certamenteserao enviadosaosquatro cantos da Terra, para a D ivulgagao 
doSantoEvangdho. 

7. M as que sera de nos que nao assistimos Seus Fdtos desde inicio? 
V 6s am bos sabd s de vosso futu ro; eu ten ho de parti r dentro em breve para 
as zonas frias do Pontus, a fim de guiar e reger os povos atrasados, sen 
poder presenciar osfuturosAtosdo Senhor. Q uem medara noticiaseme 
informarasemeu regimen vigoradeacordo com aVontadeD ivina?' 



225. A Conscience Hum ana e a InfluenciadosAnjos 
1. N isto Raphael tambem se aproxima do grupo e diz a M athad: 



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"Julgasqueosinumerosanjos, mormenteai, estejamosadisposigaodo 
Senhor apenas neste monte? Preciso e que saibas estarmos constante- 
mente a Seu Servigo e transmitimos Sua Vontade de uma Etemidade a 
outra. Podesestarcerto queteacharemosnaszonasdo Pontuspara infor- 
mar-tedetudo que necessitas saber, dentro da rdem do Senhor. Sejao 
quefor, - saberasnum momenta detudo, caso tua boa vontade persista. 

2. Se, porem, terevestiresdo orgulho desoberano, afastando-tecom 
isso do Senhor e, consequentemente, tambem de nos, nada maistesera 
dado saber do Reino de Deus e de Sua Graga Imensuravel! Preocupa-te 
apenas com apermanencianaGragaeno Pleno Amor Divino, - quetudo 
te sera dado poracresci mo. Mesmo que tesqapermitidoassistiraos futu- 
res Atosdo Senhor, denada isto tevalera, deixando-teseduzir pelo mundo. 

3. ContinuandonaGragaenoAmordoPai,amando-0 sobretudo 
eaoproximocomoati mesmo, - amedidaqueforesimpedindoqueo 
mundo teofusque, serascientificado do que Elefizer, mesmo sete en- 
contraresnopaismaislongmquo. Isto, deacordocomanecessariasalva- 
gaodetuaalma, poisnemtudo queElequereordena no Espago Infinite 
auxiliar-te-a no progresso espiritual. 

4. Deussempreestadeterminandoalgo nos inumeros mundos, de 
forma adequada. D e modo identico ha deordenar muita coisa para a ma- 
nutengao deste planeta que nao te diz respeito. Q uanto as Suas rdens 
sobreasalvagaodoshomens, em nada seras privado. Estassatisfeito?' 

5. Responde M athael: "Amigo celeste! C laro que estou, e somente 
precisarei seradvertido porti, se, porcertascircunstancias, afastar-medo 
Senhor edeSuaO rdem. Talchamadaem tern pooportunovalemaisque 
urn tesouro mundano." 

6. D iz Raphael: "Tambem isto se dara sempre que o pegas. Toda 
criatura possui urn orgao espiritual no coragao, cujo acesso nosecons- 
tantemente permitido. Registra tal orgao as nocoes do Bern e do mal, 
verdadee mentira, justiga eparci alidade. 

7. Seaplicas sempre o Bern, a verdadee a justiga, a parte positivae 
boa e por nos tocada, o que desperta em ti o sentimento feliz de teres 
agido efalado demodo virtuoso. Se ages de forma contraria, agita-seo 



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polo oposto daqudeorgao, seras tornado de terror e confessaras o com- 
pleto afastamento da rdem D ivina. Tal orgao chama-sena linguagem 
morahaConsciencia. 

8. Poderasconfiarplenamentenessavozquejamaistetraira. A nao 
serquesepermitatornar-setao insensi'vel quenao maisregistrea influen- 
ciadosanjos- pelo que a parte espi ritual da criatura estaria quase perdi- 
da. Isto jamais podera acontecer contigo por teres feito um progresso 
enormepelaGragaeo Amor do Pai, quetetransformou ereorganizou, 
bem como a teus companheiros Tua alma e a mesma de antanho e o 
Amor Divino, ou seja, Seu Espirito, nda ja comegou a agir poderosa- 
mente; tua carnepecaminosa, no entanto, foi por Eletransformada, a 
fimdenaoteoprimiraalma. 

9. Se em teu coracao se positivasse a vontade de abandonar o Se- 
nhor, tua camesetomaria indomita como a de Esau, que preferiu a caca 
deanimaisselvagensao invesda vigilancia sobreo rebanho pacifico de 
seu genitor. Alem do maistal embrutedmento seria imposslvd, porquanto 
tua alma ja esta fortemente penetrada pelo Espirito do Amor D ivino. 

10. Dentro em breve teu amor para com Elesetransformara, pda 
acao dacaridade, em manifestagao intensiva, unindo-seinteramentea 
tua alma; teras entao realizado o verdadero renascimento em espirito, 
contraindo matrimonio espiritual comoAmorPrimarioem Deus 

11. D este modo o Amor D ivino tomara forma e poderas ver efalar 
a D eus, constantemente E lesera teu G uia e D outrinador tal como hoje: 
visi'vd eaudivd. Entao nao maishavera possi bi I idade de te afastares do 
Senhor, nocoragaoenoconhecimento, poistuavontadeediscernimento 
unir-se-ao ao Pai, como filho verdadero ejusto. Compreendes?' - D iz 
M athad: "Perfetamente, eesta compreensao tambem meacalmou." 



226.0 Meteoro 

1. EnquantoM athad procuraprosseguir a palestra iniciada, umlu- 



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minoso e grande meteoro atravessa velozmente o Espago provocando 
um chiado singular que a altura de apenas quatrocentas bragas permite 
ouvir. Seguia-lhe, aparentemente, longa cauda. Ostres muito seespan- 
tam e indagam do anjo o que havia sido aquilo. 

2. Este, em vez de responder, segue o meteoro, tra-lo em poucos 
instantesqual bola informedeumabragadecircunferencia, deposita-o 
em f rente dostresediz: "Aproximai-voseobservai-osem susto, poisnem 
um fio decabelo ser-vos-a queimado!" 

3. C hdos de precaugao desseencaminham para o bolide que exal a 
forte odor deenxofreedeperto seassemelha bem a pedra-pomes D eseus 
grandes poros ainda chispam fagulhas azuladas, algumas de luz forte ou- 
tras mais apagadas, que produzem ruido angular. So entao M athael se 
dirigeao anjo ediz: "Quevem aser isto edondeveio?Pareceuma forma 
compactade peso considered. Explica-nos, por favor, suaorigem." 

4. E o anjo responde: "Este bolide ha meia hora atras pertencia ao 
Sol e foi expelido duma grande cratera de fogo, onde os elementos se 
convulsionavam. Junto a muitos outrosfoi arremessado para o Espago 
Infinito, com uma impetuosidade incrfvel. Casualmenteaproximou-se 
daTerra, poiscom a vdocidadedum raio voou pdo eter, alcangando a 
esf era telurica nas mediagoesda Europa, que apenas tocou de leve Ache- 
gando-se mais, encontrou forte resistencia na atmosfera densa do globo, 
o quediminuiu sua vdocidade Para chegar a esta regiao percorreu em 
quatro atimos o percurso equivalente a vinte horas de marcha comum. 
No momenta em queoalcancd, achava-se proximo da Asia epoderi a 
cairnasaguasdo Pacifico. Senhor, porem, quisquerecebessdsorien- 
tagao nesse sentido, dispersando-vos a crenga de que um espirito mau 
esteja sobrevoando aTerra para prejudicar ascriaturas Tendes, portanto, 
oportunidadedeverificartratar-sedum fenomeno natural entreoscor- 
poscosmicos" 

5. lndagaMurd:"Porqueerataoluminosoduranteov6oeaqui se 
torna mais e mais opaco?" 

6. Responde o anjo: "Sua forte irradiagao eprovocada pda imensa 
rapidezcom quecortao Espago, poisda-seum atrito nas pequenas par- 



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ticulasdo ar, quenao Ihepodem fugir. Q uando aatmosferateluricaepor 
demaisoprimida, incendeia-seeassim setornasuapassagem luminosa:o 
vacuo que produz em tal velocidade apresenta-se como cauda 
incandescente, maisna realidadenao existe. 

7. Apalpai sua massa em brasa etereisa prova deminha explanacao. 
Proporcionar-vos-ei ai nda outra: apanho uma pedra comum, jogo-a com 
a velocidade dum raio pelo Espaco e os espiritos a meu servico terao de 
traze-la devolta, ficando esta pedra devari as librastao luminosa quanta 
ometeorohapouco." 

8. Ditoefeito: Raphael atira oblocode pedra com forca extraordi- 
naYiaparaoareosespiritosaimpelern,poralgunsinstantes, num movi- 
mento giratario, naalturadealgumasbracas A pedra, alem deproduzir 
estrondoformidavel,brilhataofortementequetodaazonaseaclaracomo 
a luzdo Sol, eostresamigos, apenas, vislumbram urn circulo luminoso, 
porquanto o movimento e por demais veloz, para ser percebido. 

9. Em breves instantes a pedra, numa forte incandescencia, eposta 
pelos espiritos diantedostresjudeus, e Raphael diz: "Eis a prova fad I e 
rapidamenteefetuada; constataisalguma diferenga entreo meteoro arti- 
ficial eo natural?' 

10. RespondeMathael:"Demodoalgum,apenasovolumeediver- 
so. Surge agora uma duvida: queesta prova tesejapossi'velja que, sendo 
urn dosmaioresarcanjos, podestambem fazerjoguetecom o Sol, atiran- 
do-o numadistanciatamanha, que urn raio requereria milhoesdeanos 
para alcanca-lo, - nao meadmiro! Como, porem, podeo proprio Sol, 
como simples corpo cosmico, desenvolver tal forca?" 



227. A Naturezada Materia 

1. Diz Raphael: "Ora, acasojulgasnao haver espiritos servicais no 
Sol? Afirmo a vostres: N em no Sol nem na Terra algo efeito sem seu 
auxilio, poistudo quevese, no fundo, espirito. Atea materia maisdensa 



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eespirito ealma, - sebemquenumestadodeprisao. Seofenderes esses 
espiritos inertes em profundo julgamento, atraves do ar, terra ou agua, 
far-te-ao em breve senti r seu poder e forga. 

2. ar e, por certo, algo muito ameno e ddicado; quando, porem, 
postoforadeseu equilibrio por urn golpeou pressao excessiva, extrai do solo 
asarvoresmaisimponentes,fazestremeceraterraeseincendeiapormilhares 
deraiosdestruidores,tornando-seum demento tern vd. Quern seriaoautor 
dessa ira atmosferica?0 sespfritosali contidoseas almas condenadas. 

3.Tomadeduaspedras, experimenta bate-las com forga, - eosdemen- 
tos aprisionados se manifestarao de pronto, dizimando a massa por mas 
dura que sejaem seusatomos, ondepoderasobservarasreagoesinflamavds 

4. Expoecertaquantidadedeaguasa uma pressao fortissi ma etrans- 
forma-la-asnumapedradegdoque,emboras6lidaeinerte,faraestourar 
o vasi lhame resistente; sete fosse posslvd submeter o gdo a uma pressao 
ainda maior, dissolver-se-ia, rapido, em vapor quente, destruindo tudo 
quetentasseconte-lo, com terrivd estrondo. 

5. Enquanto dementos da Natureza e almas desencarnadas e de 
retardadaevolugao, contidosna materia naoforem desafiados, permane- 
cem inerteseseddxam manipular; umavezdespertoscom violencia, - ai 
dequem seen contra nas imediacoes! Com facilidadesao descobertos na 
materia, poissendo forgadosa uma atividadeextraordinaria, verificards 
uma irradiagao a altura de sua forca e impetuosidade: quanto maior luz 
emanam, tanto maior sua agao. 

6. Prova isto a forte luz do Sol, mormente na superficie onde os 
espiritos etereossaograndementeativos. Dai tambem poddsfacilmente 
deduzira impetuosidadecom que aqudes dementos sao expdidosnum 
bolide, por ocasiaodumagrandeerupgao.Asseguro-vos: no sdodogran- 
deastro sedao, nao raro, erupgoestao colossaisquecom facilidadearre- 
messariam no Espago vosso orbequal joguete, como aqui o vento brinca 
com urn fio de palha. Dai poderds deduzir a vdocidade desenvolvida 
por esse bolide, para chegar aqui." 

7. Concorda M urd: "N essecaso ede, finalmente, dum valor incal- 
culavd edeveria ser levado a urn museu." 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

425 

8.AntepoeRaphad:"EntaoteriadetransportarparalaaTerratoda, 
quetevesuaorigem no Sol." 

9. D iz M urel: "M as.., ea H istoria da C riagao de M oyses?" Assegu- 
ra-lhe o anjo: "Nesse sentido deves procurar os amigos M athael e 
Philopoldo; ambostem vastosconhecimentosno assunto." 



228. iNTERPRETAgAO DA GENESIS 

1.0 persarepetesuaperguntaaMathad,quelhediz:"0 queMoyses 
diz da C riagao nadatem aver com o surgimentodo mundo, masunica- 
mente com a formagao do homem, desde o bergo ate a perfeigao; do 
mesmo modo refere-se a fundagao da I greja de D eus sobre aTerra ate o 
fimdos tempos 

2. Ceu eTerra representam o homem terreno, desde seu nascimen- 
to. Ceu, suascapacidadesinternas, ocultaseespirituais, eaTerravazia 
edeserta, o homem da natureza, recem-surgido, quaseinconscientede 
sua propria vida. Tal eo primeiro estado evolutivo da criatura. 

3. C om o tempo a crianca chega a consciencia propria e comega a 
sonhar e pensar. Eis o conhecido "Q ue se faca luz", isto e o segundo 
estado, a nogaode sua existencia. E asamsepassamossucesavosdiasda 
C riagao ateao estado decalma, deperfeigao do homem. - D ize-me, estas 
compreendendo algo?' 

4. Responde M urel admirado de seu saber em assuntos biblicos: 
"N obreamigo, jamaisteteria suposto senhor deconhecimento tao pro- 
funda Comochegasteaesseponto?' 

5. Sorri M athael: "M eu amigo, esta pergunta nao eaplicavel neste 
meio, diantedo Senhor edum anjo celeste, o qual, certamentefoi teste- 
munha da Criagao natural. Desdejovem fui entendido nas Escrituras, 
razao por que me mandaram visitar os samaritanos, como missionario; 
antes deconseguir meu intuito, porem, Jehovah interveio: cai em maos 
deterriveisassaltantesemevi obrigado a imita-los, afim desubsistir. 



Jakob Lorber 

426 

6. Quando mevi abandonado detal modo, por Deus, sen achar 
dentrodemim motivojustificavel revoltei-meprofundamente. Comecei 
a dearer detudoe repute aBibliaobrahumana. Em breve umaconte- 
cimento me fez pensar de forma di versa. 

7. Duranteumanoiteem quevigiavaasosaentradadacavernados 
ladroes, urn homem deexpressaoseverameabordou. Imediatamentefiz 
minhaespadaatravessar-lheocorpo. Ele, noentanto, disse: "N aotecanses 
com tua arma miseravd, pois urn espirito imortal e invulneravd. Sou o 
espirito deAbraham etepergunto porqueabandonasteeperseguesaDeus!" 

8. C heio deodio, reagi: "Q ual o motivo deD eusmeperseguir sefui 
enviado em Seu N ome para converter ossamaritanos?! M inha intencao 
foi honestaejustadiantedeDeusedoshomens, poissefundamentava 
em minha consciencia. Foi-me dada por Ele desde o inicio de minha 
vidacomo unicojuiz, quesempreconsiderei fielmente. N ao meincumbi 
dessa missao por conta propria, mas porque o Sumo Pontifice, como 
representantedeM oyses e Aaron, assim determinou. Se minha agao foi 
injusta, a Sabedoria Divina nao me deveria punir, mas sim, ao unico 
responsavel.Jaquemecastigou, inocente, declaro-meSeu piorinimigo, 
edeseu apostolado queparecesdisseminar!" 

9. Retrucou o espirito, ainda maisserio: "Acaso conheceso Poder ea 
Ira de Deus? De que maneira te pretendes opor a nipotencia Divina, 
vermedo po?l N ao tepoderiaaniquilar como senuncativessesexistido?!" 

10. Respondi:"Comonao?Poisestaminhavidas6podereiamaldi- 
goar! U ma vez nao existindo mais, a raiva eo odio terminarao!" 

11. Oposele: "Nao podesobrigaraDeusqueteexterminelElete 
poderiamartirizarporeternidadescom dores ffsicas e psfquicas, quede- 
terminariam quanto tempo reagi ri as." 

12. Gritei, entao, tornado derevoltatremenda: "SeD eussentir pra- 
zer especial em martirizarumacriaturaapenasparalhedemonstrarSua 
nipotencia, - queofacalUmacoisateafirmo: mesmosefossemil vezes 
mais poderoso, D eusnao poderia modificar minha indolecom toda sor- 
tedesofrimentos! 

13. Com bondade, meiguiceejustica faria de mim urn cordeiro; 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

427 

com Sua Ira, um diabo perfeitolAteentaoapenasmefacultou umavida 
detestavel, pelaqual jamais Lheserei gratolO diaqueresolverSetornar 
misericordioso eapagaro mal quemefezvoluntariamente, - ser-Lhe-ei 
reconhecido. Do modo como andam ascoisassou inimigo declarado de 
Jehovah! Em Seu Nomefui para Samaria, a fimdeanunciar Sua Honra 
eLouvor; em compensagao permitiu queosdemoniosmesubjugassem. 
14. Bern podeser que minhamissaonao fosse de Seu Agrado, mas 
sepodedar orientagao ao falso profeta Bi learn atravesdeseu burro, por 
que deixou que caissemos nas garras dos diabos?! Da-me resposta ou 
minha boca soltara u'a maldicao jamais ouvida!" - Eis que o espirito 
desapareceu, - eeu cai por terra, sem sentidos. 



229. PORQUE DAS PROVAgOES. 

A Intima RelacAo Com o Senhor 

1. (M athael): "A partirdai perdi anocaodemim proprio; conserve, 
apenas, uma leverecordagao deter sido meu corpo vitima deelementos 
maus, tornando-meo pavor da zona! N ao havia langa ou espada que me 
atravessasse, e as algemas mais fortes eram quebradas por minhas maos 
qual palha. Podia lutar com umaou contra mil pessoas- o resultado era 
o mesmo todaseram aniquiladas! M inha alma, - nadadisto sabia. 

2. s Design i os deDeus, no entanto, determinaram queeu fosse 
preso com outrosquatro etrazidosante-ontem para aqui, ondeo Senhor 
nos libertou do tremendo suplicio. M inha alma tornou-se novamente 
moradora unicadesta came eo Senhor iluminou todososlabirintosde 
meu coragao, facultando-meacompreensao integral dosprofetas. 

3. Se fosse agora abordado pelo espirito de Abraham, recebe-lo-ia 
com outraspalavrasquenaoasdemaisou menoscincoanosatras, pois 
nao te posso precisar a epoca exata. Sabes, portanto, como cheguei a 
compreensao da Escritura. 

4. Naodesejoquealguem necessitepassarpelasminhasexperienci- 



Jakob Lorber 

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as, poisexisteum meio maisfacil para alcangar tal fim. Esteeapenasa 
GragadoSenhor, queem poucosminutostepoderafacultaroquecon- 
segui num caminho espinhoso. Aqui esta o anjo quete confirmara a 
veracidadedemeu relate Que me dizes?" 

5. Concorda M urel: "0 h, amigo M athael, devester passado horrores, 
no entanto tinhasumacoragem inaudita. Erasum demonio; teu coragao, 
porem, incorrupto edesejoso da verdade, justiga eamor. Como o Senhor 
nao deixasucumbir um coragao honesto, cumulou-tedefelicidade! M as 
por queteria E le permitido quefossestao duramentecastigado?Vossa con- 
vocagao como missionario nao podia ter sido o unico motivo?' 

6. Confirma M athael: "Realmente, ate hoje nada sei e, para falar 
comsinceridade, naomepreocupei por isso.Talvez Raphael pudessenos 
orientar, casoestejadebom humor!" 

7. Respondeoanjo:"lstonuncadependedemim, masdaVontade 
D ivina, poisminhaexistenciaeapenasa manifestagao dessa Pura Vonta- 
de. D irige-te no coragao a Ele, quesatisfara teu desejo!" 

8. D iz M athael: "Estaria bem seo Senhor nao estivessedormindo." 

9. Contesta Raphael: "Q uefa^tadecompreensao atua! Eledorme; Sua 
AlmaeSeu Espirito Santo eEterno, jamais! Q ueseria da criagao sefossepor 
E le esquecida apenas por um minuto?! N um atimo deixaria de existir: nao 
maishaveria Sol, Lua, Terra eestrdas, tao pouco anjosecriaturas 

10. Tudo que existe e constantemente mantido pela Vontade Oni- 
potenteelmutavel deDeus, sem aqual nao seadmite manifestagao de 
vida. Como, pois, concebesa ideiadepoder Eleestaradormecido eassim 
nao saber das necessidades do C osmos?! 

11. Senhor sabe perfeitamente o que pensas e desejas, portanto 
tambem o sei . Tudo deque nos, anjos, temosciencia econheci mento nos 
vem Dele. Sei detodasastuasprovagoespenosas; quern aspoderiatrans- 
mitir senao Ele? N inguem, nem tu, nem outro espirito qualquer, pois 
quenao percebo coisaalgumasem aVontadedo Senhor. Assim, tambem 
te podes inteirar detudo, caso teu coragao esteja aparelhado para tanto. 
Indagaao Senhor, no teu coragao, everemosse nao te responded!" 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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230. Motivo dasProvacoesde Mathael 

1. Eis que M athael assim faz e Eu Ihe respondo no intimo aquilo 
que ele logo apostransmiteaosoutros, dizendo: "0 Senhor protegiaos 
samaritanos, porquanto se haviam separado da perniciosa doutrina de 
Jerusalem, voltandoaverdadeira, deM oysese Aaron. Tu, M athael, eras 
oradorexperimentado, imponenteedeindoleindomavel. Sabendodisto 
eprevendo queiriasaplicar prejuizo tremendo aoscrentesda Samaria, o 
Senhor deixou que tu e teus colegas caisseis nas garras de salteadores 
temidos, ciente deque naotelivrarias daquela influencia antes deserteu 
temperamentodomado. Enquanto parti lhavasde plena conscienciados 
crimes daquela horda nao estavasinclinado atemodificar; pelo contra- 
rio, engendrasteum piano audaz no sentido de converter oscinquenta 
ladr6eserespectivasfamiliasadoutrinafalsificadadeJerusalem,ondeate 
achavam asilo e permissao para a pratica condenavel. 

2. Q uando conseguisteconvence-losde, sob teu comando, invadirem 
no diaseguintea Samaria, afimde la introduzir com omaximo rigor atal 
doutrina, determinando quecadaoponentefosseaniquilado portuaespa- 
da, - o Senhor fez com queo espirito do velho Abraham teadvertisse 

3. Como essa aparicao tambem nao tedemovesseda intengao esca- 
brosajehovah permitiu quetua alma fosse obrigadaaseocultarnacar- 
ne, enquanto teu corpo caia nas garras devarios demon ios. A partir dali 
tu eteusamigosvostomasteso pavor da zona. 

4. primeiro grupo de ladroes fugiu e se regenerou, pois viu a 
desgragaquevosatingiria, desistindo, outrosam, do piano deconversao 
aoTemplo. Destemodo o Senhor interceptou teuscalculoscondenaveis 
edeixou quefossespresa do julgamento infernal, atequeaalma revel asse 
inclinagaomaisacessivel. Elebemsabiadetuaorigeme a razao daquela 
teima, por isso permitiu que tua natureza enfrentasse a pior das prova- 
goes, porquanto nao sesubmeteriademaneiradiversa. 

5. Em distanciaslongmquasexisteum planetapertencenteaovosso 
sistemasolarqueateentaonaofoi descoberto pelosastronomos. La- no 



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Uranos- vivem pessoastao teimosasquenao desistem dum piano ate 
queotenhamexecutado. M uitasalmasladesencarnadassaotrazidasaqui, 
afim dealcancar a FiliagaoDivina, conservandomuitacoisadesua indo- 
le. Como ex-habitantede Uranos eshoje urn estranho nestenosso mun- 
do e manifestavastamanha obstinagao. 

6. A fim de que fosse maleada e se transformasse tua natureza psi- 
quica na aceitacao da Verdadejusta e livre de Deus; para ingressares no 
Amor D ivino edai tetomaresum filho do Pai - tal caminho erao unico 
eeficaz. 

7. Tinhasdepassarpelamesmae infernal maturagao por que passam 
os espiritosealmasdestaTerra, istoetinhasdeingressarpela porta estreita 
para depois ascender as regioes elevadas da V ida como sumo vital enobre- 
cido. EisporqueteencontrasdiantedeDeus, oSenhordetodaVida. 



231. A Voz Interna. M otivo da EncarnacAo 
do Senhor 

l.Quandocessadecaptararespostanocoragao, Mathael seadmira 
do fenomeno jamais sentido. Raphael, entao, Ihe diz: "Viste como o 
Senhor esta acordado, embora fisicamenteadormecido, e permitiu que 
percebesses Suas Palavras?! De modo identico registramos tao potente- 
menteSeu Verbo eVontadedentro denosquenostornamosaquilo que 
Elepensaequer, istoesomosSuaAcaorealizada!- Compreendesbem 
este processo?" 

2. Responde M athael : "M uito embora seestej a convicto deter uma 
nocao clara detodas as coisas, hadeapareceralgo imprevisto. Dai dedu- 
zo que na Sabedoria D ivina reside uma plenitude e profundeza tais que 
urn espirito nao conseguedelasseapossar. 

3. Tambem nao estaria satisfeito se possuidor da nisciencia D ivi- 
na, poisseno Infinite nada maishouvesse a descobrir, em breve mi nha 
vidasetomariaenfadonha. Assim, ha uma quantidadede coisas ocultas 



Grande Evangel node J oao- Volume I II 

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quejamaispoderemosassimilar. Confess) quea Bem-aventuranca D ivi- 
na nao deveria ser invejada caso as criaturas fossem do mesmo modo 
esclarecidas, porem SuaEternaelnfinitaSabedoriatomar-se-iaum enfa- 
do hornvel sefossedesfruta-la a Sos. 

4. Eis a razao por que preencheu o Espaco Infinite de inumeras 
obras, que correspondem a Seu Poder e nisciencia, e tambem criou 
seres inteligentes e dotados de vasto saber. Compenetrados de tal 
ProfundezaeO nipotenciaem D eus, elesadmiram o C riador, pesquisando 
SeusM ilagres 

5. ComoC riador ePai deanjose criaturas, deve-Lhe representor a 
maiorfelicidadeaumenta-lanaquelesqueO reconhecem eamam cada 
vez mais Para estefim Ele veio Pessoalmente, como H omem, a Terra, 
revelando-Secomo sefora simples criatura. N ao o fez somente para os 
anjos e nos, mas tambem por Sua Propria Causa; pois deveria com o 
tempo extenuar-Sedetedio, quando verificasseque, como Inteligencia 
informeeeterna, embora perfeita, jamais poderia ser visto ou abordado 
por Suas criaturas. 

6. N ao seria sumamentedesconsolador para urn pai terreno setives- 
sevintefilhosatraentes, mascegosesurdos, portanto incapazesdeentrar 
em contato com ele?! N ao faria tudo para faze-los ver e ouvir?Todavia 
somos normais e sentimos prazer - as vezes em excesso - nessa relagao 
mutua, de sorte que ate chegamos a esquecer o C riador. Ele, porem, 
deveria desistir dessa felicidade? Em absolute isto poderia acontecer ao 
Pai EternolSeu maiordesejoconsisteem nossentiraptosave-Lo, ama- 
Loeacomunicar-noscom Elesem prejuizo paranossavida. 

7. Porissopensonaoestarerradoem minhaafirmagao deter Deus 
Serevestidodecarnenao so por nossa causa, mas para Sua mai or felicida- 
de. Isto estavadeterminado desdeeternidades, e somos testemunhas do 
Piano EternolTenho razao, Raphael?' 



Jakob Lorber 

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232. SuposigAo do Tedio Divino 

1. Dizoanjo: "0 parecer queexternastefoi-te inspirado pelo Pro- 
prio Senhor, portanto falastecerto." 

2. AparteiaM urel: "E incrivdoquesechegaaouviraqui;todavia,se 
fossemostao sabioseonisdentescomo Deus, nao podenamos contestar 
a idea do nosso tedio, em confronto com o Seu - se assim me posso 
expressar- pornuncasersentidoeouvido pelosfilhoseanjos Embora 
queira reagir contra este pensamento, nao me e possivd, conquanto a 
expressao "Tedio D ivino" soeestranha. Atemevem urn exemplo aceita- 
vel paratal nocao nova quevosdesejo transmitir." 

3. DizMathael: "Otimo, poistuasexperienciasvariadassopodem 
aumentar nosso cabedal deconhecimentos." 

4. Defende-se M urd: "Fa-lo-d, nao por esse motivo, mas para vos 
demonstrar como interprete o assunto. Imagino urn homem dotado de 
todo saber, encontrando-sesozinho nesteorbe N aturalmentetem o desejo 
desecomunicarcom outrem eassim, procuraem todososrecantosencon- 
trar urn ser vivo e pensante. Sua enorme sabedoria se Ihe torna urn peso, 
poistudo quefaz ddxa deser observado ou criticado por alguem. Q uese 
passariacomtal homem, nodecorrerdotempo?0 tedio nao oaniquilaria? 

5. Q ue prazer, porem, caso encontrasse mesmo uma criatura mui 
simples?Com que amor nao h averi a de trata- 1 a?! Ai sedemonstrao valor 
do proximo e a fdicidade em Ihe fazer o Bern. Por isso e o amor urn 
elemento devida puramentecelestial ea impossibilidadederdacao entre 
as criaturas seria uma desdita! 

6. Q ue adiantaria ao cantor o som comovente de sua voz, de que 
serviriao eco duma harpa mdodiosacaso ninguem o ouvisse?! U m passa- 
ro que em umafloresta pulassesozinho dearvoreem arvore, buscando 
com voztristonhaseu semdhante, caso nao o encontrasse atemorizar-se- 
ia, emudecendo eabandonando aflorestadeserta. 

7. Se os proprios animais possuem tanto amor que Ihes desperta a 
saudadepdaespecie, quanta maistal nao se da com a criatura dotadade 



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sentimento eintdigencia?! Sim, poisdequelheserviriam asfaculdadese 
talentosdi versos, nao ospodendo poradisposicao do proximo?! 

8. Destarte, baseando-senaspropriaspercepcoesdeduzo, queD eus, 
o Senhor, deveria sentir tedio tremendo - muito embora rodeado de 
mundos maravilhosos - caso nao houvesse urn ser capaz de reconhece- 
Lo eama-Lo, comprazendo-secom SuasO bras M aravilhosas. Para que 
isto fosse possfvd, precisoseriaqueEle, o Pai, SeencaminhasseparaSeus 
filhos, revel ando-Se de modo que os capacitasse para tanto. 

9. C aso essa condicao nao fosse cumprida, D eusteria em vao projeta- 
do SuaCriagao: continuariaeternamenteaSos, eSuascriaturas- sebem 
queextraordinarias- tanto D desaberiam quanta o capim sabedo cefaclor. 

10. Deus, no entanto, revdou-Sedemodo decisivo na verdaddra li- 
berdade, preparando-os para Sua Chegada. Com dacumpriu-setodapro- 
messa: ascriaturaspodem ve-Lo em Came, lidam com Elecomo simples 
homem, poislhesensinacomoPai Eternosuagrandeesublimefinalidade 

11. D este modo tudo seacha na mdhor ordem, dependendo mais 
denosaexecugaoconscientedasldsvitais, quefinalizam oduplodesti- 
no: o filho reconhece e fita o Santo eTerno Pai num extase sublime, 
alegrando-sesobremandra; o Pai, por Sua vez, regozija-Sepor nao mais 
estar So, e sim, no centra iluminado de Seus Filhos, bem-aventuranga 
indizivd paraambos! Estou certo em meu parecer?' 



233. iNDAGAgAO DE RAPHAEL QUANTO A M ISSAO INDIVIDUAL 

1. D iz o anjo: "Falastedentro da verdade; todavia, nao seoriginou tal 
conhedmento em teu intdecto, mas no Verbo do Senhor. Devdsguarda- 
lo, poisacompletaassimilagaososedaem almascomoasvossas Asoutras 
basta reconhecereamar a Deusacimadetodasascoisas Caso encontrds 
almasverdaddramentedevadaspoderdstransmitir-lhesoquediscutimos 
duranteduashoras Agora, amigos, tratemosdeoutro assunto. 

2. C omo cooperadores no Reno de Deus seres futuramenteabor- 



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dados por vossos adeptos, da segui nte manei ra: Vossa D outri na e muito 
elevadaecomovente; no entanto, nao se real iza o queprometestes, isto e, 
queinamosouviraVozdoPai dentrodenoseO podenamosverefalar; 
ateentao nadadistoserealizou. bservamostudo queensinais, ese vossa 
Doutrinaforverdaderanaopodefalharnesseponto. Dizei-nossincera- 
menteo motivo dessefracasso. - Q ual seria a resposta a dar?" 

3. Ostresseentreolham admiradoseMurel diz: "Amigo, sefizer- 
mos promessas baseadas no Verbo do Senhor e nossos adeptos cumpri- 
rem osensinamentos, Elenao nospoderafaltar; do contrario, seria prefe- 
rivel nao divulgar a Doutrina. 

4. Ousoatedizerquetalfatorsemprefoiomovelmaispronunciado 
na queda das religioes. As promessas, muitas vezes, nao se cumpriam de 
modoeficaz, razao pelaqual osdivulgadoresaplicavam meiosartificiaisa 
fim denaosentirem areagaodopovo. Destemodoascriaturasseinclina- 
vam afatosexternos, disso resultando a impossibilidadedereconduzi-las 
aalgoespiritual. 

5. Isto em absolute podera ser repetido pelo M estre; nao nosdeve 
abandonarnosmomentosem queSuasPromessasrealizadassejam aprova 
evidentedeSuaDivindade. Pormim, preferiria ser simples varredorde 
ruas, do queum Jeremiasatormentado! Seao menosfossepossivel al can- 
gar urn beneficio por tal martirio!" 

6. Interrompe Raphael com bondade: "Meu caro amigo, no teu 
excessodezeloestastedesviandodeminhaindagagao. Senhor sempre 
cumpri ra o que prometeu, depende apenas de conhecerdes as condigoes 
queseprendemapromessa. Pode,asvezes,dependerdumainsignifican- 
ciaqueimpegasuarealizagao; por isto deveisestarbem orientadoscomo 
doutrinadores verdadeiros, a fim de saberdes o que e preciso ao adepto 
parasetomarmestre. 



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234. Reino de Deusno CoracAo H umano 

1. (Raphael): "Comovejoquenaoestaisaalturademeresponder, 
fa-lo-ei por vos; deveis gravar minhas palavras no fundo de vossos cora- 
goes, poistudo dependedeconhecerdesascondigoesimprescindiveisao 
pleno exito nafiliacao divina. 

2. Sabeis que cada criatura tem de se educar e formar por conta 
propria, independentementedaOnipotencia da VontadeDivina para se 
tornarumfilhodeDeus 

3. maispoderoso meio eo amor a D euseao proximo, sejam sexo 
eidadequaisforem.O amoreassistidopelahumildade, meiguiceepaci- 
encia, poissem essasvirtudesjamaisseraamorpuroeverdadeiro. Como 
pode a criatura saber se realmente se encontra dentro do amor puro? 

4. Basta que analise se e levada a dar e auxi liar espontaneamente, a 
ponto de esquecer a si propria, quando depara com algum necessitado. 
Caso note essatendencia nu'a manifestagao plena e viva, a filiacao setera 
completada, e as promessas comecarao a se realizar milagrosamente em 
palavra eacao, justificando-a como doutrinadora verdadeira. 

5. Aquelesquenao evidenciam taisfatossao osunicosculpadosda 
propria deficiencia, pois ainda nao terao aberto o coracao a pobre H u- 
manidade. amoraDeuseolivrecumprimentodeSuaVontadeMani- 
festa sao os elementos adequados para a realizagao do Ceu na criatura. 
Tornam-sea morada do Espirito do Amor em cada coracao cuja porta e 
o amor ao proximo. 

6. Essaentradadeveestarbemaberta para que ali penetreaPlenitu- 
deD ivina; humildade, meiguiceepaciencia, saoastresjandasfranqueadas 
a Luz Celeste que ilumina a Santa H abitagao de Deus, aquecendo o 
coragao do homem. 

7. Tudodepende do amor ao proximo, livreesincero; e a maxima 
renuncia e a revelagao da promessa. - Eis a resposta a minha pergunta; 
meditai eagi dentro delaquesereisjustificadosperantevos, o proximo e 
D eus M esmo. Aqui lo que E lefaz, tarn bem devem fazer as criaturas para 



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seLhetornarem identicaseSeusfilhos. - Compreendestes?" 



235. A Verdadeira Vida Espiritual 

1. Ostresamigossilenciam, pensativos Finalmente, Mathael diz: 
"Pela primeira vez entendi o salmo de D avid: Levantai, 6 portas> vossas 
cabegas para que possaentraroRei daGloria. M as...,arealizagao?0 que 
nao e preciso para se por em pratica tal ensinamento?! 

2. Muitasvezese-selevadoadaresmolaaum pobresemarrependi- 
mento; no entanto, e o intelecto o movel dessa agao. M eu Deus, quao 
afastado se acha o homem do verdadeiro destino, atraves de sua critica 
friaedesprovidade amor! Quern da ao pobre com dedicagaosentindo 
umaalegriahumildenessaatitude, por amor a Jehovah, alimentandoo 
desejo deprosseguirfazendo felizo proximo com atitudesconselheiras, 
consoladoras e reais, - acha-se com alma e espirito diante do Senhor. 
Onde, porem, estamosnosdecoragoesendurecidos? 

3. 6 amigo celeste! Demonstraste nossa gtuagao precaria. Senhor, 
desperta nossoscoragoes e i ncendeia-os no verdadei ro amor ao proximo, 
do contrarioTua Doutrinatao sublimeseraapenasum trocadilho moral 
esemefeito! 

4. Analisando meu trajeto de vida, vejo quefoi de ponta a ponta 
errado, razao pela qual nao atingia o alvo! So agora comego a reconhecer 
o verdadeiro caminhoesei doquedependeapromissao. Sintooquefalta 
a mim eaosoutros, osquais, embora aceitem a Doutrina, nao podem 
registrar algum exito; alem disto, nao desconsidero o que mefalta para 
realizar em mim a ordem plena. 

5. Bern temos urn grande privilegio no campo da fe, porquanto o 
Senhor caminha Pessoalmenteentrenosenosensina pela palavra eagao; 
o Ceu se acha aberto e os anjos nos apontam a Sabedoria Celeste e a 
rdem Eterna provindadeD eus; todaviae-nosentregueaformagao do 
sentimento!0 Senhor, porcerto, ajudar-nos-atambem nessesentido. 



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6. Saber e sentir sao assuntos bem diversos! Para alcangar o saber 
bastaoestudoeparaanogaodascoisas, aexperiencia; paraoverdadeiro 
senti r e preciso mai s que estudar e experi mentar. 

7. Um vasto conhecimento por si so nao leva o coragao a sentir e 
querer, e as experiencias nos ajudam tanto para o Bem quanta para o 
mal; apenas um sentimento complete) tudo vivifica, ordena etransmite 
calmaefelicidade. Porissodever-se-iadesdecedocuidardumaverdadei- 
ra educagao do sentimento. 

8. N o preparo do intelecto o coragao setomaendurecido eorgulho- 
so pelasexigenciasda razao. Um coragao orgulhoso difici I mente aceita a 
educagao do sentimento; somenteprovagoes, misenaesofrimento o abran- 
dam para quevenha ater compreensao do estado aflitivo do proximo. 

9. Agradecemos-te e ao Sen hor por esse en si namento i m portantissi - 
mo, peloqual sei oquefazerfuturamentepor mim epelosquereceberao 
pormeu intermedioaLuzpurissimadeDeus" 



236. Os Principais Em pecilhosna Realizacao 

DE PROMESSAS 

1. Diz Raphael: "N ao mecabem gratidaoehonra, mas sim eunica- 
menteaoSenhorlContudosereis ben efici ados por terdescompreendido 
o ensi namento; ele vos capacitara a entender todos que vos abordarem 
destemodo:Amigo, acreditei efiztudooquemeensinaste, masatehoje 
sem exito!Quefarei?Abandonei minhacrengaantigaondeencontrava 
conselhoeauxilioem minhasatribulagoes, enquanto que esta me deixa 
tao so quanta um orfao. ndeseachateu Deusextraordinario, do qual 
alegas provir toda felicidade? 

2. Entaoresponder-lhe-eisNaoresponsabilizesaDoutrina, masati 
unicamente. Aceitaste-a com teu raciocinio e experi mentasteaplica-la, 
certo do sucesso; todavia, agistetendo em miraapenaso resultado, enao 
o proprio Bem. Foi o raciocinio o teu movel, ao invesdo coragao, que 



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continuavafrio eduro como antes. 

3. D espertateu sentimento, faze tudo movido pelaverdadeira causa 
davidalAmaaDeusporEleMesmoeateu proximo como a ti mesmo! 
Fazeo Bern pelo Bern provindo deteu amorenao indagues- em virtude 
de tua fe e acao - pelo cumprimento da promessa. Esta sera sempre a 
consequencia detua crenca, senti mento eacao, dentro detua alma. C on- 
forme creste e agiste ate entao, assemelhaste a alguem que em sonho 
lavrou a terra e lancou a semente, querendo col her quando acordado. 

4. conheci mento, a crenca eacao intelectuaissao apenasum so- 
nho futi I, sem base. E precisoqueacriaturaassimiletudocomocoragao, 
onde reside a vidaunicaeondegerminam os frutosalmej ados. 

5. Q uem nao soube compreender e ordenar sua vida desta forma, 
tornando-se egoista pelo que ere e sabe, - jamais chegara a desfrutar da 
promessa, que, em sintese, ea consequencia da atividadeafetiva! 

6. Sebem orientardesvossosdiscipulos, elesnao maisvosimportu- 
narao, eprocurarao ativar seu coragao. Assi m fazendo, em brevedemons- 
trarao nao sera promessa da Doutrina D ivina algo defutil; se, porem, 
prosseguirem consultando o raciocmioecom eleagirem deacordo, serao 
os unicos responsaveis de, em vida, nao terem o exito esperado, e muito 
menosnoAlem. Dize-mesecompreendestesistoafundo." 

7. M anifesta-se, finalmente, Philopoldo: "6 amigo celeste, quern 
nao o entenderia? Q uem, como tu, pensa e age mais pelo coragao, com 
facilidadeentendetodasassuascondicoesdevida; quern orienta-seape- 
nas pelo intelecto, pouco se impressiona com elas. N osso assunto foi, 
portanto, bem esclarecido, por isso podemospassaraoutro." 



237. A LlVRE VONTADE DUM AlMJO 

1. DizMurel: "6 timo; que tal,senosso amigo celeste nosrelatasse 
algosobreaestrelad'AlvaJaquetornando-nosdoutrinadoresdoSenhor 
nunca saberemos em demasia? Se nao formos capazes de orientar, os 



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discipuloshaodefugirenosdesprezar;casocontrario,aceitaraotambem 
o Evan gelho. Quediriastu, Philopoldo, ao que teperguntassearespeito 
detal estrela?" 

2. Respondeeste: "Amigo, orienta-lo-iadeformaquetivesseem si a 
percepcao exata de tudo, caso houvesse organizado sua vida dentro da 
D outrina C eleste; de outro modo minha explicacao de nada adiantaria 
porquanto nao seconvenceria. Umafecegaa ninguem beneficia, pois 
facilmentepodeser contestada. 

3. E preciso que o homem vislumbre dentro de si a natureza de 
todasascoisas, demodo consciente Alcancado esteestado - o quenao e 
intaramenteimpossrvd - janaomaisprecisadenossoensino. 

4. A meu ver fazemos o bastante indicando aos outros o caminho 
justo eclaro da vida, poistodo o resto far-se-a por si so. Segundo Raphael 
epreciso apenasdeitar a semente no campo para quegermi neeprogrida. 
Q uanto a nos proprios esse mensagei ro celeste podera abrir a visao para 
observarmosaestrelad'Alva, assim como curou osolhosdo velhoTobias 
com of el dum peixe, poismepareceomesmoanjo." 

5. Diz M athael: "Bern podester razao. Nosso amigo celeste talvez 
seja urn verdadeiro oculistaquenospodeesclarecer sobreaqueleplaneta, 
se assim desejar, apesarde nao tervontade propria como nos" 

6. bserva Raphael: "Falastebem; todavia minha vontadenao etao 
tolhida como pen sas Tarn bem sou urn receptaculoenaosomenteapura 
irradiagaodaVontadeDivina. Sintomuitobemoquequeroeaquiloque 
eaVontadedoSenhor. 

7. Apenas a registro de modo mais facil, pronunciado e rapido que 
vos, submeto minha vontade a Dele e assim sou qual emanagao da Sua 
nipotencia; contudo tenho vontade propria epoderia agir como vos Tal 
nao pode acontecer porque possuo sabedoria num grau tao devado que 
reconheco- naqualidadedeluz individual - a Justiga eterna e intangfvd 
da Vontade D ivina como a dadiva maior detodos os seres e mundos 

8. Se, portanto, quiserdes a revelacao sobre a estrela d'Alva que os 
pagaosdenominam "Venus", posso satisfazer- vos caso o Senhor nao Se 
oponha. Tudo que vos falo vem de meu conhedmento e saber, que so 



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podem ser divinos." - Aduzem ostres: "Faze-noseste favor!" 



238. A Estrela Venus 

1. Com isto Raphael pousa as maosna testae no peitodecadaum, 
eno mesmo instante suas almas sao projetadas no planeta Venus, onde 
analisam solo e criaturas Deparam precisamente com uma assembleia 
destinadaaadoragaodoMaiordosespiritos Eisqueumdiz: "Criaturas 
deste maravilhoso planeta, criado pelo Grande Espirito na medida do 
Seu Iho, encontramo-nos aqui reunidos, a fim de Lhe ofertar nosso 
louvoreveneragaolSendo EleOnipotenteeSabio, podemoshonra-Lo 
unicamenteusando em tudoasabedoria. A verdadeirasabedoriaconsiste 
na maxima ordem, cujo grau maiselevado eo equilibrio. bservando- 
nos como ponto culminante da C riacao: que harmonia existe na cons- 
true denossofisico! Quern poderiacontestarnossasemdhan^^^ 
gica? Se nao houvesse diversidade de carater e temperamento nao nos 
seria possivel registrar diversidade individual. 

2. Dai deduzimos- comodeoutrascoisasmais- sentiraSabedoria 
do Grande Espirito o maior prazer na simetria, razao por quedevemos 
antes detudoconsidera-la. N inguem deveconstruir sua morada urn pal- 
mo maisalto que a de seu vizinho, tao pouco exceder-se na forma, pro- 
porgao e delineamento. A inobservancia dessas regras desagradaria ao 
G rande Espirito, quedeixaria deabencoar tal casa irregular. 

3. Assim tambem observamosqueEleprefereaformaarredondada, 
pois quanta mais perfeita a criatura tanto mais extraordi naria e a forma 
rechonchuda. C onsideremos, pois, tal forma em tudo quefizermos; quern 
usardapontudaouquinadasem necesadadeou permissao previa, atrai 
sobresi o desagrado ea ira do Grande Espirito. 

4.Alemdistovemosqueacorbranca- dequandoemquandoalgo 
rosada- e-lheamaisagradavel, por noste-laproporcionado como Suas 
criaturas excepcionais Eis porque e obrigacao nossa considerar tal cor 



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em nossasvestimentas 

5. Cabe-nosusaralinharetasomentequandopreciso, poisEletam- 
bem consideraessaregra, afim denostomarmossemelhantesa Eleque, 
em tudo, emprega a linha curva. 

6. Todavia, sabemos que isto so e posslvel alcancar pela nocao exata 
do calculo eda medida; logo, edever rigoroso praticar essa ciencia, pois 
quesem ela o homem seapresentaria, muitasvezes, num dia demodo 
repulsivoedesprezfvel.O GrandeEspiritotudosabeeveacadainstante; 
caso descubradisplicencia contra Sua rdern, afastaSeu lhar, portanto 
sua Bencao, sem a qual nada progride! 

7. Estandonos pontes principaisem plenaordem, entende-seesta- 
rem equ i I i brados nossos pensamentos e desejos, poi s a harmon ia externa 
tern como consequencia a da alma, fator significante para Ele. 

8. Q uao facilmente infi Itrar-se-iam orgulho, desprezo, pobreza, mi- 
seria e carencia de meios, entre as criaturas caso nao respeitassem essas 
diretrizes. Pela rigorosa observancia da simetria em tudo, tais perigos de 
nossaoafastadosevivemosfelizesporquanto ninguem tern motivodese 
julgar melhor queo proximo. 

9. Ondeo Proprio Grande Espiritoordena uma irregularidade, esta 
nao traz prejuizo, mas beneficio. H aja vista nao podermos alcangar, to- 
dos a mesma idade. N ao deixa deser um erro dentro da ordem que E le, 
no entente, compensa dando a velhice, mais rica em conhecimentos e 
experiencias, permissao detransmiti-laajuventude. 

10. Existem aindaoutrasfaltasnaharmonia: servem paranosensi- 
narexistirem ao lado de maxima ordem certasfalhas, - nao abencoadas, 
maspermitidas- enosfacultam anogaodo mal. Ninguem deveandar 
devestes rotas, masserzi-lasquando nao poder confeccionar outra. 

11. Ja foi por diversas razoes observado que alguns se utilizam 
dum bordaoseobrigadosacaminhadalonga.Tal habitoedesconcertante 
edeveriaseraboli do. Quern necessitardeapoioquetomeumemcada 
mao, para nao desconsiderar a simetria e nao sensibilizar a Vista do 
Grande Espirito. 

12. Igualmenteseviu que alguns organizavam seusjardinsforada 



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ordem comum. Isto, em absolute, edeSeu Agrado porquetambem po- 
deria despertar a inveja - verdadeiro horror para Ele. M antendetal or- 
dem em vossascasas, poisseo vizinho ali penetrar, sentir-se-acomo em 
sua propria; soistodos uma so fami I ia diante Dele enao vosdeveistratar 
como estranhos. Seaqui chegassealguem do fim do mundo - porem, 
nao Lheagrade, tambem, nao o devemos apreciar. Grande Espirito 
nao apreciatal afeto evoscumulara debencaos 

13. A beira dum grande rio houve quern se atrevesse a construir 
edificios esquisitos para ornamentar a zona; como tal porem, nao Lhe 
agrade tambem nao o devemos apreciar. 

14. Osanimaiscaseirosmerecem ser bem tratados, poisigualmente 
saoobraSuaedestinadosanosserem uteis; por este motivo honremo- 
los De modo identico pode pessoa alguma destruir a plantinha, por 
menor que seja, pois Lhe demonstraria ingratidao. As ruas devem ser 
conservadas limpas e sem grama, a fim de que nao venha a ser pisada. 
Observai tudo isto, ejamaispassardsmiseria. 

15. Aceitai minhaspalavrascomo provindasdo maisSabio, eO nipo- 
tente Espirito, agi dentroddasqueserdsfdizesaqui enoAlem, naqude 
mundo do qual as almas desencamadas dizem ser sobremandra maravi- 
Ihoso eonde tambem avistaremoso Grande Espirito eSeus servos 

16. Finalmenteaindavostenho a dizeralgo que urn espirito ilumi- 
nado ja por duas vezes me revdou. C ertamente ja observastes a noite a 
grandee luminosa estrda acompanhada por outra menor esabdsqueda 
sechama "Kapra" (assim denominam os habitantesde Venus o nosso 
planeta). Todos nos desconhecemos sua natureza. Aqude espirito, po- 
rem, demonstrou-ma em sonhoevi que e identico a nossa Terra. A pe- 
quena estrda que a rodda tambem e urn planeta, porem desertoe, dum 
lado, completamentedestituido de seres. 

17. Em Kapra o espirito mostrou-meum homem, dizendo: Eiso 
Senhor! N dehabitaaPlenitudedo Espirito Eterno, que dora em diante 
Se apresentara as criaturas como seu igual. Aqudes habitantes sao, na 
maior parte, Seusfilhos,quereceberaopoderdivinoquandocumpri rem 
SuaVontade. Os que assim nao agi rem continuarao ignorantes, fracose 



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rejdtadoscomofilhos; haodepermanecercomoanimaisateaceitarem a 
Vontadedo G rande Espirito que N de habita." 

18. Portal motivo deveriamossempreter um excepcional respeito 
ao grande Kapra. Alem disto, amar o Grande Espirito que ora ali Se 
encontracomoaqui amamosnossosentesqueridos, poistal nosfaculta- 
ria ver e falar-Lhe no future Isto aumentaria muito nossa felicidade, 
sendo-nos ate possfvd alcangar a evolugao daquelas criaturas 

19. C ientificados disto tudo por um mentor honesto e sincero, 
manifesto intimamente respeito aquele astro, afim deque sua luznos 
i rrad i e as ben gaos e gragas!" 



239. Privilegios de Venus 

1. Mai oguiaedoutrinadordeVenusconcluirasuadissertagao, os 
tres amigos sao despertados pelo anjo. Tambem ja comega a clarear e a 
aurora nao tarda. M athad conta seu sonho, causando admiragao entre 
M urd e Philopoldo queviram o mesmo. 

2. Raphael entao Ihes diz: "Qual vossa impressao acerca da estrda 
d'Alva?" 

3. Responde M athad: "J a nao duvido que la estivessemos e confesso 
quemuito meagradou; os habitants, em absolute, sao nesciosesemantem 
numa constante pureza moral. Para mim, no entanto, nao serviria poistal 
monotoniaeestagnagaodevem serinsuportaves Pensoqueumalesmaeum 
venusiano sentem a mesma necessidade Amigo Raphael, da brilhademodo 
maravi Ihoso, contudo nao a aprecio, bem como a seus habitantes 

4. Certoequecomtal instituigaojamaispoderairromperumaguerra, 
porquanto lanao existepecado. Apesardisso prefiro um pecadoraqui; tal 
pureza dehabitosnao podeter valor porquenao existeaseu lado aperfd- 
gao espiritual que estagnaria diante da agao harmoniosa e simetrica da- 
qudas criaturas. 

5. Um homem evoluido em Venus assemdhar-se-ia a uma arvore 



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capaz de pensar equerer, no entanto, obrigada a permanecer no solo com 
suas raizes. Dize-nos, amigo celeste, nao tern espirito, amor, vontadee 
desejo?Devem saber, pensar ecalcular, poisseu mestrelhesrecomendaa 
matematica; assim sendo, podeexistir urn progresso espiritual?' 

6. Responde Raphael: "Por certo, - mas eles nao cogitam do pro- 
gresso externo, earn, do interno; sabem queo primeiro sera urn empeci- 
Iho ao outro. Deve-se fazer as coisas exteriores dentro de moldes 
preestabelecidos e de acordo com as exigencias fisicas. Alem dai, nem 
mais urn passo, pois todo e qualquer progresso externo e material e urn 
retrocesso as faculdades espi rituais. 

7. Nas criaturas que cultivam o externo em demasia, domina no 
fntimo a barbarie inescrupulosa. D otado dum privi legio espiritual jamais 
urn povo desafiou seu vizinho. M anifestando, porem, sua grandeza in- 
terna por obras f aci I m ente real i zavei s, deprontodespertaainveja- ea 
guerraeiminente. Issonuncaserapossi'vel com oshabitantesde Venus, 
e por isso deveriam ser menos privi legiados que vos? 

8. Laninguem possui vantagensexterioresnofisico, navestimentae 
habitacao; eisporquetudo etaxado pelo valor intrinseco. D eacordo com 
suaeducagao identica todos tern a mesma forma, aindamaisacentuada 
pelaigual roupagem. 

9. Pessoasnao carcomidaspor paixoesdiversas, assemelham-secomo 
irmaos. Q uanto mais a forma externa diverge, tanto maior prova da a 
respeito da inquietagao interna; pois o interior se dirige as tendencias 
exterioresquejamaissepoderaoassemelharemvirtudedaganancia, in- 
veja, desprezo, orgulho, altivezedomfnio. 

10. Sevestesum manto verde, teu vizinho urn vermelhoeo outro, 
urn azul - em brevediscutireisavantagem decadacor. Ao passo quese 
tiverdes todos urn manto igual em cor efeitio, nenhum devospensara 
em perder tempo na apreciagao. bservastes em Venus a completa se- 
melhanga de homens, mulheres e criancas, em tudo, porem, lindas e 
perfeitas N ao deixa deter seu proveito. 

11. Aqui, nao raro, adiversidadedeforma, deacordo com o grau de 
beleza imaginaria, constitui a base da discordia, do amor, do odio, do 



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desprezo ou da dedicagao excessiva e atragao. La nada disto existe. As 
criaturasseamam em proporgao ao sai grau desabedoria; quanta mais 
alguem souber contar da bondade, forga e saber do Grande Espirito e 
quanta maisdocil emeigo setomar, tanto maior consideragao erespeito 
Ihe serao tributados pela comunidade. Dizei-me, tal nao e uma sabia 
instituigao por parte do Senhor?' 

12. Responde M athael: "Perfeitamente, e desejaria que tambem 
houvesseamesmaordem aqui. - Agora, eisqueEleselevanta, seguidode 
todos. U rgeprestaratengao paraoquevier!- Talvezosnoveafogados...7' 






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